Pretérito Imperfeito do Indicativo eu tu você ele ela nós vós vocês eles elas Pretérito Imperfeito do Indicativo formas -ar falava falavas falava falávamos faláveis falavam Verbos regulares -er / -ir comia / abria comias / abrias comia / abria comíamos / abríamos comíeis / abríeis comiam / abriam 1
eu tu você ele ela nós vós vocês eles elas pôr punha punhas punha púnhamos púnheis punham Verbos irregulares ser era eras era éramos éreis eram ter tinha tinhas tinha tínhamos tínheis tinham vinha vinhas vinha vínhamos vínheis vinham vir Pretérito imperfeito emprego A função principal do Imperfeito é: 1. descrever e exprimir propriedades e estados no passado 2. exprimir acções e acontecimentos repetidos ou habituais no passado O Imperfeito tem o comportamento muito semelhante ao Presente e por isso é chamado presente no passado. 2
O Imperfeito descreve ou exprime uma propriedade ou um estado no passado. Vasco da Gama era um navegador português. No século XVIII, o Brasil era uma colónia de Portugal. Em 1800, a Noruega ainda fazia parte do Reino da Dinamarca. Os índios tupi não usavam roupa. Os Europeus do século XV não sabiam o que era batata. A janela do meu quarto dava para um jardim. O Imperfeito exprime uma acção habitual, repetida no passado. Levantávamo-nos às 6 horas. Íamos a pé para o trabalho. Trabalhávamos doze horas por dia. Voltávamos para casa às 20 horas. Nunca saíamos à noite. Neste caso, pode ser substituído pela perífrase costumar + infinitivo (no Imperfeito) : Costumávamos levantar-nos às 6 horas. Costumávamos ir a pé para o trabalho. Costumávamos trabalhar doze horas por dia. Costumávamos voltar para casa às 20 horas. Nunca costumávamos sair à noite. 3
Nestes casos, o Imperfeito pode ser acompanhado pelos advérbios como: antigamente, antes, dantes, naquele tempo, naquela época, todos os dias, todas as semanas, todos os meses Antigamente, levantava-me às 6 horas. Almoçava na cantina todos os dias. Todos os anos passávamos as férias no Algarve. O Imperfeito, em certos contextos, pode exprimir uma acção simultânea a outra, normalmente no PPS. Este uso do Imperfeito é relativamente limitado. Quando voltava a casa, vi um acidente. Enquanto a Maria lavava a roupa na cave, os ladrões entraram em casa e roubaram-lhe o frigorífico. Uma menina que sorria aproximou-se do Marco. Quando entrei na cozinha, o Paulo abria uma garrafa de vinho. 4
Atenção: Para exprimir uma acção única simultânea a outra é preferível usar a forma perifrástica (estar + a + infinitivo / estar + gerúndio) no Imperfeito. (Quando entrei em casa, vi que): A Paula estava a ler o jornal, enquanto o Rui estava a lavar a loiça. Mas: (Todos os dias, depois do jantar): A Paula lia o jornal, enquanto o Rui lavava a loiça. Quando há duas acções, uma no PPS e outra no Imperfeito, a acção no Imperfeito serve de pano de fundo ou cenário para a acção no PPS: Eu estava a jantar quando o telefone tocou. O bolo ficou queimado enquanto a Susana estava a falar ao telefone com uma amiga. Estava a tomar banho quando cortaram a água. Atenção: O Imperfeito exprime um estado ou uma propriedade que começam no passado e que ainda se verificam no tempo a que o Imperfeito se refere: Naquela altura, morávamos no Rio havia (há) cinco anos. 5
O Imperfeito exprime um processo gradual que se desenvolve em várias alturas diferentes. O João estudava cada vez menos. A minha avó dormia cada vez pior. A Joana telefonava menos por cada dia que passava. Quando nos referimos a um processo gradual único, usamos a perífrase ir + gerúndio no Imperfeito. O teatro ia ficando cada vez mais vazio. O girino ia-se transformando num sapo. Os convidados iam enchendo as barrigas na festa. No discurso indirecto, o Imperfeito corresponde ao Presente do discurso directo. A Carla disse: Estou muito contente, porque vou ao Brasil este ano. A Carla disse que estava muito contente, porque ia ao Brasil naquele ano. 6
Na linguagem escrita literária e jornalística usa-se o Imperfeito para transportar o leitor para uma época passada para assistir ao vivo a um acontecimento. Em 1807, a Corte portuguesa abandonava Lisboa e se transferia para o Rio de Janeiro. Em 1808, o exército napoleónico invadia Portugal. Então, vão ver o comboio novo?, perguntava, há dias, um morador de Cascais. O Imperfeito substitui o Condicional na linguagem oral, em especial em Portugal. 1. Para formular um desejo ou pedido de uma forma mais educada (Imperfeito de cortesia): Podia dizer-me as horas? = Poderia dizer-me as horas? Não se importava de abrir a janela? = Não se importaria de abrir a janela? Que mais desejava? = Que mais desejaria? 2. Para exprimir uma situação hipotética irreal ou pouco provável de se concretizar e que depende de alguma condição. Se tivesse muito dinheiro, fazia uma viagem à volta do Mundo. = Se tivesse muito dinheiro, faria uma viagem à volta do Mundo. Se soubesse falar bem português, mudava para o Brasil. = Se soubesse falar bem português, mudaria para o Brasil. 7
Casos de contraste entre o Pretérito Perfeito Simples e o Pretérito Imperfeito Em português, há um grupo de verbos que têm diferentes significados, conforme usados no PPS ou no Imperfeito. No Imperfeito, descrevem um estado: A Maria conhecia o Alberto. Eu sabia que o Jorge era espanhol. A Cristina tinha um filho. Eu percebia que o Marco não gostava de mim. No PPS, exprimem a acção que leva a esse estado: A Maria conheceu o Alberto. Eu soube que o Jorge era espanhol. A Cristina teve um filho. Eu percebi que o Marco não gostava de mim. Alguns verbos de movimento no PPS exprimem uma acção: O comboio chegou à estação terminal. Descemos as escadas até o jardim. Os caçadores cercaram o veado. Fomos de Lisboa a Coimbra de comboio. O cão correu atrás da bola. no Imperfeito exprimem uma propriedade: O puto chegava apenas à prateleira mais baixa. As escadas desciam até ao jardim. Um muro cercava a vivenda. A auto-estrada ia de Lisboa a Coimbra. O rio corria calmo através dos campos. 8
Nalguns casos, o Imperfeito, ao contrário do PPS, indica que uma acção, que pode ter sido planeada, afinal não se realizou. Não pude ficar em Portugal muito tempo. = Não fiquei lá muito tempo. Não podia ficar em Portugal muito tempo. mas afinal fiquei lá um ano. Tive de regressar para a Noruega. = Regressei para a Noruega. Tinha de regressar para a Noruega. mas afinal não regressei. Quis oferecer flores à Joana para o seu aniversário. = Ofereci-lhe flores. Queria oferecer flores à Joana para o seu aniversário. mas afinal ofereci-lhe um livro. 9