O TRIBUNAL INTERDIOCESANO
Coleção Organização paroquial Cinco leis do dízimo (As), Jerônimo Gasques Como estrelas no céu: desafios da pastoral da educação, Marcos Sandrini Como fazer um planejamento pastoral, paroquial e diocesano, José Carlos Pereira Conversão pastoral: reflexões sobre o Documento 100 da CNBB em vista da renovação paroquial, José Carlos Pereira Dízimo e captação de recursos: desafio às comunidades do século 21, Jerônimo Gasques Expediente paroquial: guia prático para a formação de secretárias(os) paroquiais, José Carlos Pereira Gestão eficaz: sugestões para a renovação paroquial, José Carlos Pereira Gestão paroquial para uma Igreja em saída, Edson Oriolo Paróquia renovada: sinal de esperança, Edson Oriolo Pastoral da escuta: por uma paróquia em permanente estado de missão, José Carlos Pereira Pastoral da visitação: paróquia em estado permanente de missão, José Carlos Pereira Pastoral do dízimo: da comunicação ao comprometimento, Edson Oriolo Serviço de animação vocacional paroquial: subsídio de implantação, formação e atuação dos agentes, José Carlos Pereira Sete chaves do dízimo: segredo a ser descoberto (As), Jerônimo Gasques Tribunal interdiocesano (O): origem, constituição e normas, Evandro Stefanello
EVANDRO STEFANELLO O TRIBUNAL INTERDIOCESANO Origem, constituição e normas
Direção editorial: Claudiano Avelino dos Santos Coordenação de revisão: Tiago José Risi Leme Capa: Elisa Zuigeber Editoração, impressão e acabamento: PAULUS Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Angélica Ilacqua CRB - 8/7057 Stefanello, Evandro O tribunal interdiocesano: origem, constituição e normas / Evandro Stefanello. São Paulo: Paulus, 2019. Coleção Organização paroquial. ISBN 978-85-349-4964-4 1. Tribunais eclesiásticos 2. Tribunais eclesiásticos - História 3. Direito eclesiástico I. Título 19-0577 CDD 262.9 Índice para catálogo sistemático: 1. Tribunais eclesiásticos 262.9 Seja um leitor preferencial PAULUS. Cadastre-se e receba informações sobre nossos lançamentos e nossas promoções: paulus.com.br/cadastro Televendas: (11) 3789-4000 / 0800 16 40 11 1ª edição, 2019 PAULUS 2019 Rua Francisco Cruz, 229 04117-091 São Paulo (Brasil) Tel.: (11) 5087-3700 paulus.com.br editorial@paulus.com.br ISBN 978-85-349-4964-4
SIGLAS AAS CIC CNBB DC EU LG MIDI PB PCCCR PCTL QC REU SCDS SSAT VP VR Acta Apostolicae Sedis Codex Iuris Canonici Conferência Nacional dos Bispos do Brasil Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, Dignitas connubii, 25 de janeiro de 2005 IOANNES PAULUS PP. II, Constituio Apostolica Ecclesia in urbe, 1 ianuarii 1998 Sacrosanctum Concilium Oecumenicum Vaticanum II, Constituio Dogmatica Lumen gentium, 21 novembris 1964 FRANCISCUS PP., Mitis Iudex Dominus Iesus IOANNES PAULUS PP. II, Constituio Apostolica Pastor bonus, 28 iunii 1988 Pontificia Commissio Codici Iuris Canonici Recognoscendo Pontifício Conselho para os Textos Legislativos PIUS PP. XI, Litterae Apostolicae Motu Proprio datae Qua cura, 8 decembris 1938 PAULUS PP. VI, Constitutio Apostolica Regimini Ecclesiae universae, 15 augusti 1967 Sacra Congregatio de Disciplina Sacramentorum Supremum Signaturae Apostolicae Tribunal PAULUS PP. VI, Constitutio Apostolica Vicarie potestatis, 6 ianuarii 1977 Vicariato di Roma
INTRODUÇÃO Tendo presente a realidade dos Tribunais Interdiocesanos, o presente livro tem como objetivo principal desenvolver o tema dos Tribunais Interdiocesanos, Regionais e Inter-regionais, Provinciais e Interprovinciais ou Nacional, partindo do cân. 1423 do Código de Direito Canônico de 1983, para que sirva de suporte aos Tribunais. Recorda-se que, para este livro, se pretende utilizar de maneira geral o nome de Interdiocesano. A intenção desta obra é oferecer elementos da história de tais Tribunais, da legislação universal e particular, bem como oferecer alguns contributos para o funcionamento dos Tribunais. Além desses pontos de interesse, pretende-se discutir com mais objetividade como se dá o processo de criação dos Tribunais Interdiocesanos, clareando alguns pontos que, possivelmente para um leigo, podem trazer dúvidas na aplicação da legislação atual, principalmente entre as normas emanadas pela Assinatura Apostólica em 1970 e o atual Código de Direito Canônico. Lembro que não faremos referimento ao Motu Proprio Mitis Iudex Dominus Iesus, do Papa Francisco, de 2015. Para isso estamos preparando o próximo livro. A obra se desenvolve através dos principais documentos hoje em vigor e também daqueles não mais em vigor. O cânone que norteia toda a obra é o 1423, que permite aos Bispos Diocesanos interessados criar para si um único Tribunal Interdiocesano. Através do método expositivo-dissertativo e de análise das fontes e dos documentos, pretendemos demonstrar como esse cânone pode ser aplicado. Por se tratar de uma legislação nova na Igreja, datada de 1938, pouca coisa pode ser encontrada que trata do tema em questões de
8 Introdução doutrina e de história, dessa forma o presente livro não pretende fazer um estudo apologético ou doutrinário, mas sim um estudo de análise dos documentos existentes desde a época da instituição dos Tribunais Regionais pelo Papa Pio XI até o presente Código de Direito Canônico, passando pelos regulamentos próprios dos Tribunais Regionais até 2015. Partindo-se desse propósito, ressalta-se no primeiro capítulo quais são as fontes que permitiram a elaboração do cân. 1423, apresentando de forma esquemática todo o seu processo de elaboração durante o período de revisão do novo Código de Direito Canônico. Das fontes apresentadas no cân. 1423, pretende-se mostrar, através de um estudo do conteúdo de cada parte dos documentos, qual é a origem dos Tribunais Interdiocesanos, quais elementos e que necessidades contribuíram para a sua criação. Do período de revisão, se pretende mostrar, através de um estudo das atas das reuniões da comissão de revisão e elaboração, como o cân. 1423 foi sendo elaborado nos diversos esquemas que culminaram no novo Código de Direito Canônico, o que foi discutido e o que se pretendia com esta nova legislação que não estava presente no CIC/1917. O interesse nesse primeiro capítulo recai sobre a história dessa legislação universal, sem fazer referimento à sua aplicação, o que será feito em seguida. O segundo capítulo, partindo do que foi especificado no primeiro, tem a intenção de mostrar com clareza a aplicação dessa normativa universal, visto se tratar de uma legislação recente. Aqui se tem a preocupação de esclarecer qual nome se deve utilizar na criação destes Tribunais: Regional, Inter-regional, Interdiocesano, Provincial, Interprovincial, Nacional e, se possível, do Tribunal Metropolitano. Para esse fim, veremos que o nome depende muito da realidade na qual o Tribunal é instituído, bem como da intenção das autoridades eclesiásticas interessadas. Não podemos tratar das questões do nome que será utilizado sem antes tratar das razões que levam à criação do Tribunal Interdiocesano, principalmente aquela
O Tribunal Interdiocesano 9 de favorecer a celeridade da justiça eclesiástica e de garantir a todos os fiéis o direito de recorrer à mesma justiça. No próximo trabalho, veremos que a Igreja, através do Romano Pontífice, continua o seu processo de saída (como se refere o Papa Francisco) e de simplificação das suas estruturas. Continuando a análise do cân. 1423, fazendo menção somente à normativa referente ao Tribunal Interdiocesano e não ao Tribunal Diocesano, se pretende mostrar qual é a competência de cada autoridade no processo de criação, seja dos Bispos interessados, que chamaremos de coetus segundo o cân. 1423, seja da Conferência Episcopal e da Assinatura Apostólica. A partir dessas competências, têm-se os elementos necessários para se proceder à criação do Tribunal Interdiocesano, seguindo alguns critérios necessários elencados nos documentos vigentes e não vigentes. Lembraremos, no futuro trabalho, que o Papa Francisco convida os Bispos a criar os Tribunais Diocesanos para favorecer a celeridade do processo e o acesso de todos à justiça eclesiástica. Feito esse estudo, poderemos determinar com mais exatidão qual é o processo de organização do Tribunal Interdiocesano, que é regido pelo Código de Direito Canônico, pelas normas emanadas da Assinatura Apostólica, pelas normas da Conferência Episcopal, pelo próprio decreto de criação aprovado pela Assinatura Apostólica e por seu regulamento interno. Pretende-se mostrar quem é o moderador, visto que algumas questões referentes a este precisam ser bem esclarecidas e definidas no momento de emitir o decreto de criação, segundo nos explicam alguns autores, e quais ministros formam o Tribunal Interdiocesano. Quanto aos ministros, trataremos somente de questões pertinentes ao Tribunal Interdiocesano, não sendo necessário falar de toda a normativa acerca deles, o que extrapolaria o objetivo deste livro. Por fim, no segundo capítulo, serão discutidos rapidamente alguns aspectos sobre a primeira e a segunda instância. Todos esses pontos nortearão os trabalhos do terceiro capítulo.
10 Introdução No terceiro capítulo se pretende realizar o trabalho mais prático de oferecer aos Tribunais Interdiocesanos alguns apontamentos para a organização e a preparação do seu próprio regulamento. Para isso, teremos em mãos as normas emanadas pela Assinatura Apostólica, as constituições apostólicas de Paulo VI e de João Paulo II, a Instrução Dignitas connubii, as normas emanadas da Conferência Episcopal Italiana e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e o Motu Proprio do Papa Francisco Mitis Iudex Dominus Iesus. O objetivo final deste livro é apresentar elementos da legislação universal e particular, para que outras Dioceses, que não possuem pessoal suficiente, possam organizar-se na instituição dos Tribunais Interdiocesanos, além de oferecer elementos para que possam compor o seu próprio regulamento. Tal regulamento também serve para os Tribunais Diocesanos.