Goiânia, 05 de novembro de 2013. Ao Senhor Clécio Alves Presidente da Câmara Municipal de Goiânia Av. Goiás, nº 2001, Setor Central CEP 74.063-900 Goiânia/GO RECOMENDAÇÃO n.º 19/2013 O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE GOIÁS, por meio de seu representante titular da 57ª Promotoria de Justiça, no cumprimento de suas funções institucionais de que tratam os arts. 127 e 129, III, da Constituição Federal, e especialmente face aos preceitos contidos no art. 27, parágrafo único, IV, da Lei 8.625/93 e no art. 47, VII, da Lei Complementar Estadual 25/98 e: Considerando notícia de suposto superfaturamento de licitação, modelo Pregão Presencial nº 14/2013, tipo Menor Preço Global, Processo nº 865/13, homologado em 14/08/2013, Contrato nº 20/2013, tendo como objeto a contratação de empresa especializada na prestação de serviços de controle pragas e vetores, englobando: desinsetização, desratização, descupinização 1/6
e desalojamento de pombos, em todas as áreas internas e externas do edifício da Câmara Municipal de Goiânia; Considerando que as empresas habilitadas foram: SISTEMA MERCANTIL DE HIGIENIZAÇÃO E CONSERVAÇÃO LTDA (MATABEM), com proposta no valor de R$ 160.000,00 (cento e sessenta mil reais); DESPRAG DEDETIZADORA LTDA, com lance no valor de R$ 159.900,00 (cento e cinquenta e nove mil e novecentos reais) e W & E SERVIÇOS TÉCNICOS LTDA (ECOLOGIC), com lance no valor de R$ 159.800,00 (cento e cinquenta e nove mil e oitocentos reais); Considerando que a empresa W & E Serviços Técnicos Ltda (Ecologic) fora vencedora da licitação, com lance no valor de R$ 159.800,00 (cento e cinquenta e nove mil e oitocentos reais), ressaltando que o valor por mês dos serviços prestados foi de R$ 39.950,00 (trinta e nove mil, novecentos e cinquenta reais); Considerando que o art. 37, caput, da Constituição Federal preceitua: A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (...) ; Considerando que o art. 92, caput, da Constituição do Estado de Goiás preconiza que A administração pública direta e indireta de qualquer 2/6
dos Poderes do Estado e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiência, razoabilidade, proporcionalidade e motivação (...) ; Considerando que a Administração Pública, por força dos princípios da eficiência, razoabilidade, proporcionabilidade e economicidade, deve procurar o meio melhor e mais econômico para atingir o objetivo finalístico da supremacia do interesse público, ressaltando que os meios utilizados devem ser idôneos e adequados à consecução de referido objetivo; Considerando que pelo princípio da razoabilidade, a análise dos valores apresentados pelas empresas habilitadas no Pregão Presencial nº 14/2013 para prestação de serviços de controle pragas e vetores, desinsetização, desratização, descupinização e desalojamento de pombos, em todas as áreas internas e externas do edifício da Câmara Municipal de Goiânia soa, ao menos, desmesurada e desarrazoada, uma vez que a área interna da Câmara é de 9.305,34 m² e a área externa é de 4.618,46 m², perfazendo total de 13.923,80 m²; Considerando que a MATABEM, em proposta de orçamentos dos serviços de dedetização, desratização de área edificada e de área perifocal totalizando 7.400 m², considerou o valor de R$ 0,47 (quarenta e sete centavos) para o m², totalizando o valor de R$ 3.478,00 (três mil, quatrocentos e setenta e oito reais), seguindo a lógica do referido orçamento, a prestação dos serviços para a área total da Câmara Municipal de Goiânia de 13.923,80 m² totalizaria o valor de R$ 6.544, 20 (seis mil, quinhentos e quarenta e quatro 3/6
reais e vinte centavos), valor extremamente inferior ao do lance vencedor da licitação do tipo menor preço global de R$ 159.800,00 (cento e cinquenta e nove mil e oitocentos reais), conforme proposta de orçamento anexa; Considerando que a mesma empresa MATABEM, no Termo de Contrato de nº 100/2012, realizado com a Procuradoria-Geral de Justiça do Estado de Goiás, cujo objeto consistiu nos mesmos serviços de controle sanitário integrado no combate a pragas urbanas (desinsetização, inclusive cupins e desratização), contratou pelo valor mensal de R$ 1.243,33 (hum mil, duzentos e quarenta e três reais e trinta e três centavos), totalizando o valor de R$ 14.919,96 (quatorze mil, novecentos e dezenove reais e noventa e seis centavos), conforme documento anexo; Considerando que pelo princípio da proporcionabilidade, o Poder Público deve adaptar suas atividades com os meios de que dispõe aos fins que busca e aos efeitos destes, como condição de legalidade dos atos administrativos praticados, os valores apresentados pelos concorrentes indicam superfaturamento de licitação por estarem fora dos preços de mercado; Considerando que a prática de superfaturamento de licitação é ato vedado pelo ordenamento jurídico, constitui ato de improbidade administrativa, viola os princípios constitucionais da legalidade, moralidade, eficiência, razoabilidade, proporcionabilidade; bem como os princípios administrativos da honestidade, imparcialidade e lealdade às instituições; 4/6
Considerando que a contratação de serviços pela administração pública por preço superior ao valor de mercado caracteriza ato de improbidade administrativa que importa em enriquecimento ilícito, bem como causa dano ao erário. O Ministério Público resolve RECOMENDAR: Ao PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE GOIÂNIA, CLÉCIO ALVES, que anule o Pregão Presencial nº 14/2013, modalidade menor preço global, sob pena de incorrer na prática do ato de improbidade administrativa tipificado nos arts. 9º, inc. II, 10, inc. V e 11, caput, da Lei 8.429/92, bem como que substitua toda a Comissão Permanente de Licitação da Câmara Municipal por servidores concursados da carreira deste poder com capacitação técnica e idoneidade moral. Ressalte-se, por oportuno, que essa medida tem por finalidade prevenir responsabilidade, a fim de que não se alegue, em eventual processo judicial, ignorância, desconhecimento da lei ou boa-fé, eis que o descumprimento da presente recomendação oportunizará o manejo dos instrumentos legais tendentes à responsabilização dos agentes públicos envolvidos, especialmente o ajuizamento de Ação Civil de Responsabilidade por Ato de Improbidade Administrativa. 5/6
Requisita-se a Vossa Excelência informações sobre a adoção ou não das medidas aqui recomendadas no prazo de 10 (dez) dias, a contar do recebimento desta. Fernando Aurvalle Krebs Promotor de Justiça 6/6