APRENDIZ E ESTAGIÁRIO Aprendiz é aquele que mediante contrato de aprendizagem ajustado por escrito e por prazo determinado, em que o empregador se compromete a assegurar ao maior de 14 e menor de 24 anos, inscrito em programa de aprendizagem, formação técnica profissional metódica, compatível com o seu desenvolvimento físico, moral e psicológico, e o aprendiz, a executa, com zelo e diligência, as tarefas necessárias a essa formação. Fundamento legal: art. 424 e seguintes da CLT, Instrução Normativa 26/2001. Essa formalização de trabalho só é possível com a participação do menor, da empresa e da instituição de ensino da qual ele exerce os estudos. Desse conceito deve-se extrair o objetivo principal do programa que é de cunho social e não lucrativo para o empregador, razão está que leva a legislação determinar que a atividade a ser exercida na empresa deve ser com formação técnica profissional metódica. Metódico é o sistema pela qual o aprendiz, no ambiente da empresa, vinculará seus conhecimentos teóricos com o prático, somente essa fórmula valida a contratação e as condições especiais atribuídas ao menor aprendiz; caso não seja observado, a empresa estará fragilizada diante de uma fiscalização ou reclamação trabalhista. Deveres e Obrigações do Empregador a. Anotação na Carteira de Trabalho e Previdência Social; b. Garantia do salário mínimo hora; c. Limite do contrato de aprendizagem de 2 (dois) anos; salvo portador de deficiência d. Possuir ambiente de trabalho combatível com o desenvolvimento teórico e pratico; e. Limite máximo de 6 (seis) horas na jornada de trabalho para aprendiz em formação no ensino fundamental; f. Limite máximo de 8 (oito) horas na jornada de trabalho para aprendiz que concluiu ensino fundamental, se nas horas forem computadas as horas destinadas à aprendizagem teórica; g. Não é permitida a prorrogação da jornada de trabalho; h. Não é permitida a compensação de jornada de trabalho; i. Gozo de férias nos termos do art. 134 2º e 136 2º da CLT (conforme Instrução Normativa SIT 26/2001) Deveres e Obrigações do Aprendiz
a. Estar matrícula em ensino fundamental, e inscrição em programa de aprendizagem desenvolvido sob a orientação de entidade qualificada em formação técnico-profissional metódica, exemplo SENAC e SENAI; b. Freqüência na escola; c. Firmar recibo de pagamento dos salários. Extinção do Vínculo de Trabalho a. No prazo firmado em contrato; b. Com 24 (vinte e quatro) anos de idade; salvo portador de deficiência c. Desempenho insuficiente ou inadaptação do aprendiz; d. Falta disciplinar grave; e. Ausência injustificada à escola que implique perda do ano letivo; f. A pedido do aprendiz. Importante! Sendo o contrato de aprendiz caracterizado por prazo determinado, vencendo o seu prazo, e continuado a prestação de serviço, passará ser considerado indeterminado e nas condições normais da CLT. Não a que se falar em indenização prevista no art.479 e 480 da CLT, por aquele que der causa ou romper o contrato de trabalho antecipadamente pelos motivos legais. Não há tanta distinção de direitos trabalhistas e previdenciários entre o aprendiz e o empregado, sendo garantido àquele os mesmos direitos dos demais empregados. A ressalva é para o FGTS que tem sua alíquota reduzida para 2% (dois por cento). Os estabelecimentos de qualquer natureza são obrigados a empregar e matricular nos cursos dos Serviços Nacionais de Aprendizagem número de aprendizes equivalente a cinco por cento, no mínimo, e quinze por cento, no máximo, dos trabalhadores existentes em cada estabelecimento, cujas funções demandem formação profissional. Exceção as empresas sem fins lucrativos com finalidade educacional. CONTRATO DE ESTÁGIO A Lei de número 11.788, de 25 de setembro de 2008, dispõe sobre o estágio, alterando a redação do artigo 428 da CLT e a Lei de número 9.394/96, revogando as Leis de número 6.494/77 e 8.859/94, o parágrafo único do artigo 82 da lei 9.394/96, e o artigo 6º da Medida Provisória de número 2.164-41/01.
Com a nova lei, os contratos emitidos e assinados até 25 de setembro de 2008 permanecem regidos pela Legislação anterior, até a sua expiração, renovação ou alteração. O estagiário é uma espécie de trabalhador, e o estágio com pagamento consiste em um tipo de trabalho que mais se aproxima da figura do empregado, mas a legislação não autoriza a tipificação. Assim, é um trabalho intelectual que reúne todos os elementos fático-jurídicos da relação empregatícia estabelecido no artigo 3º da Consolidação das Leis. Art. 1o Estágio é ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho, que visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos que estejam freqüentando o ensino regular em instituições de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e dos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos. 1o O estágio faz parte do projeto pedagógico do curso, além de integrar o itinerário formativo do educando. 2o O estágio visa ao aprendizado de competências próprias da atividade profissional e à contextualização curricular, objetivando o desenvolvimento do educando para a vida cidadã e para o trabalho. (CARRION, 2009, p.1005) Percebe-se que, para ser estagiário, faz-se necessário a frequência em instituições de educação superior, profissional, especial, de ensino médio ou nos anos finais do ensino fundamental. A finalidade é que o estudante possa aplicar os seus conhecimentos teóricos na prática, visando adquirir experiência na sua área de formação, mas, sempre, de acordo com os currículos, programas e calendários, supervisionado ou coordenado pela instituição de ensino. Ademais, o estágio pode ser realizado nos próprios estabelecimentos de ensino, na comunidade, em empresas públicas e privadas, e na administração pública. Natureza jurídica Pelo exposto, percebe-se que a natureza do estágio é muito peculiar, diferente das outras formas laborativas existentes. A celebração do estágio ocorre por meio de Termo de Compromisso, celebrado entre o estudante e a parte concedente, com interveniência obrigatória da instituição de ensino, confirmando a natureza jurídica civil. É um contrato de extensão de ensino de natureza civil. Não será um empregado, trata-se de uma relação de trabalho peculiar. Se preenchidos os pressupostos da relação de emprego o vínculo será reconhecido. Do não cabimento da CLT Em nenhuma das regulamentações sobre estágio cabe a aplicação da CLT, pois não geram vínculo empregatício, e consequentemente é impossível a aplicação de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário. A prova do alegado está na nova lei de estágio. Art. 3o O estágio, tanto na hipótese do 1o do art. 2o desta Lei quanto na prevista no 2o do mesmo dispositivo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, observados os seguintes requisitos:
I matrícula e freqüência regular do educando em curso de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e nos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos e atestados pela instituição de ensino; II celebração de termo de compromisso entre o educando, a parte concedente do estágio e a instituição de ensino; III compatibilidade entre as atividades desenvolvidas no estágio e aquelas previstas no termo de compromisso. 1o O estágio, como ato educativo escolar supervisionado, deverá ter acompanhamento efetivo pelo professor orientador da instituição de ensino e por supervisor da parte concedente, comprovado por vistos nos relatórios referidos no inciso IV do caput do art. 7o desta Lei e por menção de aprovação final. 2o O descumprimento de qualquer dos incisos deste artigo ou de qualquer obrigação contida no termo de compromisso caracteriza vínculo de emprego do educando com a parte concedente do estágio para todos os fins da legislação trabalhista e previdenciária. (BRASIL, 2009) A duração do estágio, envolvendo as mesmas partes, não poderá ultrapassar o prazo de 2 (dois) anos, exceto no caso de portador de deficiência. O fator prazo deve ser atribuído ao fato que de possivelmente, no período de 2 anos, o aprendizado já tenha se esgotado. Art. 11. A duração do estágio, na mesma parte concedente, não poderá exceder 2 (dois) anos, exceto quando se tratar de estagiário portador de deficiência. (BRASIL, 2009) O contrato de estágio pode ser rescindido por qualquer parte, sem ônus. Obedecido ao prazo máximo, o contrato de estágio pode ser continuamente renovado, desde que o estudante esteja frequentando as aulas e que esteja acobertado por seguro de acidentes pessoais, conforme expressa previsão da lei. Ressalta-se que, a inexistência de contrato de estágio ou a falta de seguro acidentes pessoais gera o vínculo empregatício, acarretando em sanções previstas na CLT. Tipos: O estágio poderá ser obrigatório e não obrigatório. Estágio obrigatório: é aquele definido como tal no projeto pedagógico do curso, cuja carga horária é requisito para aprovação e obtenção de diploma. Estágio não obrigatório: é aquele desenvolvido como atividade opcional, acrescida à carga horária regular e obrigatória. Carga horária:
A lei anterior deixava ao livre arbítrio a fixação de carga horária, desde que não atrapalhasse os estudos. No entanto, a nova lei estabelece que o estágio poderá ter o horário máximo de 6 (seis) horas diárias e 30 (trinta) horas semanais, para estudantes de ensino superior, profissional ou médio. E aos estudantes da educação especial, bem como, àqueles dos anos finais do ensino médio, a carga hora será de 4 (quatro) horas diárias e 20 (vinte) horas semanais. Em casos excepcionais, nos períodos em que não estão programadas aulas presenciais, a jornada poderá ser de até 40 (quarenta) horas semanais, desde que previsto no projeto pedagógico. Art. 10. A jornada de atividade em estágio será definida de comum acordo entre a instituição de ensino, a parte concedente e o aluno estagiário ou seu representante legal, devendo constar do termo de compromisso ser compatível com as atividades escolares e não ultrapassar: I 4 (quatro) horas diárias e 20 (vinte) horas semanais, no caso de estudantes de educação especial e dos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional de educação de jovens e adultos; II 6 (seis) horas diárias e 30 (trinta) horas semanais, no caso de estudantes do ensino superior, da educação profissional de nível médio e do ensino médio regular. 1o O estágio relativo a cursos que alternam teoria e prática, nos períodos em que não estão programadas aulas presenciais, poderá ter jornada de até 40 (quarenta) horas semanais, desde que isso esteja previsto no projeto pedagógico do curso e da instituição de ensino. 2o Se a instituição de ensino adotar verificações de aprendizagem periódicas ou finais, nos períodos de avaliação, a carga horária do estágio será reduzida pelo menos à metade, segundo estipulado no termo de compromisso, para garantir o bom desempenho do estudante. (BRASIL, 2009) Percebe-se que, a carga horária ainda pode ser reduzida pela metade, no caso da instituição de ensino adotar averiguações de aprendizagem periódicas ou finais, nos períodos de avaliação. Conforme mencionado, o contrato na mesma empresa não deve ultrapassar 2 (dois) anos, ademais, o estagiário deve ficar restrito as funções equivalentes a sua grade curricular. A delimitação na carga horária, objetiva que o estudante possa produzir mais na sala de aula e no estágio, possuindo tempo para descansar e tempo para estudar. Tomadores de serviço Nesse aspecto, existem diferenças entre a nova e a velha lei. Assim, sob o pálio da antiga lei os tomadores poderiam ser pessoas jurídicas de direito privado, os Órgãos da Administração Pública e as instituições de ensino. Com a Lei de número 11.788, os profissionais liberais também passaram a ter aparato legislativo na contratação. Art. 9o As pessoas jurídicas de direito privado e os órgãos da administração pública direta, autárquica e fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como profissionais liberais de nível superior devidamente registrados em seus respectivos conselhos de fiscalização profissional, podem oferecer estágio, observadas as seguintes obrigações:
I celebrar termo de compromisso com a instituição de ensino e o educando, zelando por seu cumprimento; II ofertar instalações que tenham condições de proporcionar ao educando atividades de aprendizagem social, profissional e cultural; III indicar funcionário de seu quadro de pessoal, com formação ou experiência profissional na área de conhecimento desenvolvida no curso do estagiário, para orientar e supervisionar até 10 (dez) estagiários simultaneamente; IV contratar em favor do estagiário seguro contra acidentes pessoais, cuja apólice seja compatível com valores de mercado, conforme fique estabelecido no termo de compromisso; V por ocasião do desligamento do estagiário, entregar termo de realização do estágio com indicação resumida das atividades desenvolvidas, dos períodos e da avaliação de desempenho; VI manter à disposição da fiscalização documentos que comprovem a relação de estágio; VII enviar à instituição de ensino, com periodicidade mínima de 6 (seis) meses, relatório de atividades, com vista obrigatória ao estagiário. Parágrafo único. No caso de estágio obrigatório, a responsabilidade pela contratação do seguro de que trata o inciso IV do caput deste artigo poderá, alternativamente, ser assumida pela instituição de ensino. (BRASIL, 2009) O artigo 9º da Lei, além de mencionar quem pode figurar como parte concedente, impõe obrigações aos mesmos, e o descumprimento das obrigações pode gerar o famigerado vínculo empregatício. Férias O direito de o estagiário usufruir de férias de 30 (trinta) dias constitui a mudança mais expressiva da nova lei. Sempre que o estágio tenha duração igual ou superior a 1 (um) ano, o estagiário terá direito a férias remuneradas, caso receba bolsa-auxílio, e preferencialmente, coincidindo com o período das férias escolares. Art. 13. É assegurado ao estagiário, sempre que o estágio tenha duração igual ou superior a 1 (um) ano, período de recesso de 30 (trinta) dias, a ser gozado preferencialmente durante suas férias escolares. 1o O recesso de que trata este artigo deverá ser remunerado quando o estagiário receber bolsa ou outra forma de contraprestação. 2o Os dias de recesso previstos neste artigo serão concedidos de maneira proporcional, nos casos de o estágio ter duração inferior a 1 (um) ano. (BRASIL, 2009) Apesar da concessão de férias, o estagiário continua sem possuir vínculo empregatício. As férias são fundamentais para que os estudantes possam descansar, salvaguardando a integridade física e mental.
Restrição à contratação de estagiários Com a Lei 11.788 também foi estabelecido o número máximo de estagiários de acordo com a quantidade de funcionários de cada empresa. A restrição à contratação de estagiários é um meio de evitar a fraude, sendo que, desrespeitado os limites estabelecidos em lei, a fraude acarretará no vínculo empregatício. Art. 17. O número máximo de estagiários em relação ao quadro de pessoal das entidades concedentes de estágio deverá atender às seguintes proporções: I de 1 (um) a 5 (cinco) empregados: 1 (um) estagiário; II de 6 (seis) a 10 (dez) empregados: até 2 (dois) estagiários; III de 11 (onze) a 25 (vinte e cinco) empregados: até 5 (cinco) estagiários; IV acima de 25 (vinte e cinco) empregados: até 20% (vinte por cento) de estagiários. 1o Para efeito desta Lei, considera-se quadro de pessoal o conjunto de trabalhadores empregados existentes no estabelecimento do estágio. 2o Na hipótese de a parte concedente contar com várias filiais ou estabelecimentos, os quantitativos previstos nos incisos deste artigo serão aplicados a cada um deles. 3o Quando o cálculo do percentual disposto no inciso IV do caput deste artigo resultar em fração, poderá ser arredondado para o número inteiro imediatamente superior. 4o Não se aplica o disposto no caput deste artigo aos estágios de nível superior e de nível médio profissional. 5o Fica assegurado às pessoas portadoras de deficiência o percentual de 10% (dez por cento) das vagas oferecidas pela parte concedente do estágio. (BRASIL, 2009) Ademais, para qualificar o instituto de estágio foi exigido um supervisor para cada grupo de dez estagiários. Todo esse controle visa impedir fraudes, objetivando coibir cada vez mais, e buscando evitar situações em que possa vir a existir mais estagiários do que funcionários trabalhando para a empresa. Responsabilidade da instituição de ensino A instituição de ensino terá responsabilidade solidária(entendimento doutrinário e jurisprudencial), cabe a ela fiscalizar o ambiente de estágio, pedindo um relatório semestral do estagiário e também deve verificar o termo. Caso haja fraude o vínculo será reconhecido com o tomador que terá que arcar com todos os encargos trabalhistas e previdenciários. Obs: 1)segundo o art 4º da Lei 11788/08 a referida lei será aplicada aos estudantes estrangeiros devidamente matriculados em curso de ensino superior no país, devendo ser observado o prazo do visto temporário de estudante;
2) a celebração de convênios pelas instituições de ensino com as entidades públicas e privadas não dispensa a celebração do termo de compromisso (art. 8º, p. único); 3)A concessão da bolsa- auxilio será obrigatória, também será compulsória a concessão do auxílio- transporte na hipótese de estágio não obrigatório. O fato de o estagiário receber essas contraprestações não caracteriza o vínculo de emprego. O estagiário pode se filiar ao RGPS na condição de segurado facultativo.