Concelho de Alcobaça

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1 Relatório Anual de Áreas Ardidas e Ocorrências de Incêndio 2015 Concelho de Alcobaça Janeiro 2016

2 FICHA TÉCNICA TITULO: Relatório Anual de Áreas Ardidas e Incêndios Florestais 2015 Concelho de Alcobaça EDIÇÃO: Câmara Municipal de Alcobaça ELABORAÇÃO: Ana Lúcia Inácio Emanuel Souto Inês Figueiredo PROPOSTA E VALIDAÇÃO Nélio J. Gomes DATA: Janeiro de 2016

3 ÍNDICE ÍNDICE... 3 ÍNDICE DE TABELAS... 4 ÍNDICE DE FIGURAS ENQUADRAMENTO INFORMAÇÃO GERAL Número de ocorrências e áreas ardidas Análise por Freguesia DISTRIBUIÇÃO DAS OCORRÊNCIAS Número de ocorrências por mês Número de ocorrências por dia da semana Número de ocorrências por período horário INFORMAÇÃO OPERACIONAL Duração média das ocorrências Informação por Corpo de Bombeiros Tempo da Primeira Intervenção e Distância Percorrida Eficácia do ataque inicial (ATI) e ataque ampliado (ATA) VIGILÂNCIA E FISCALIZAÇÃO Rede de Postos de Vigia Fonte de alerta Notificações e autos-noticia levantados no âmbito do DL nº 124/ Causas dos Incêndios Descrição dos Grandes Incêndios

4 ÍNDICE DE TABELAS Tabela 1 - Distribuição anual do número de ocorrências entre 2005 e Tabela 2 - Distribuição anual da área ardida entre 2005 e Tabela 3 - Número de ocorrências por freguesia em Tabela 4 - Área ardida por freguesia em Tabela 5 - Sazonalidade das ocorrências e área ardida Tabela 6 - Número de ocorrências e área ardida por dia da semana Tabela 8 - Duração média das ocorrências Tabela 9- Dimensão da área de intervenção dos Corpos de Bombeiros Tabela 10 - Nº de ocorrências, distância percorrida, tempo 1º intervenção e duração das ocorrências por Corpo de Bombeiros Tabela 11 - Fonte de alerta Tabela 12 - Causas das ignições Tabela 13 - Grandes Incêndios Florestais ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1 - Número de Ocorrências e Área Ardida Figura 2 - Cartografia das ocorrências no Concelho de Alcobaça em Figura 3 - Distribuição anual do número de ocorrências Figura 4 - Distribuição anual da área ardida Figura 5 - Distribuição anual do número de ocorrências e área ardida Figura 6- Sazonalidade das ocorrências e áreas ardidas Figura 7- Número de ocorrências e área ardida por dia da semana Figura 8 - Número de ocorrências por período horário Figura 9- Índice de severidade diária Figura 10 - Área de Intervenção dos Copos de Bombeiros do Concelho de Alcobaça.. 18 Figura 11 - Nº de ocorrências e distância percorrida por Corpo de Bombeiros Figura 12 - Tempo média 1º intervenção e duração médias das ocorrências por Corpo de Bombeiros Figura 13 - Distribuição da fonte de alerta Figura 14 - Tipo de Causa

5 1. ENQUADRAMENTO Os incêndios florestais provocam elevados impactos socioeconómicos nas mais diversas regiões do globo, manifestando-se sobretudo no período correspondente à estação seca, em que a vegetação se apresenta num adiantado processo de dessecação. Os incêndios marcam e alteram profundamente a paisagem por onde se desenvolvem e alastram. Como é conhecido Portugal está entre os países do mundo mais afetado pelos incêndios florestais, apresentando um elevado número de ocorrências, e também elevadas áreas ardidas quando comparado com a sua dimensão territorial. Contribuiu para a estatística a existência de alguns anos particularmente complexos, mas, em regra a problemática persiste ano após ano. O território pertencente ao Município de Alcobaça, apresenta-se igualmente vulnerável à ocorrência de incêndios florestais, não só pela orográfica, mas também pelas condições metrológicas e tipo de vegetação existente. Este estudo pretende conhecer a realidade deste município face às ocorrências de incêndio florestal, para tal efetuou-se uma análise, à escala municipal, para as ocorrências de 2015, recorrendo-se a base de dados do Sistema de Gestão de Informação de Incêndios Florestais (SGIF). O principal objetivo prende-se com a necessidade de conhecer o número de alertas, área ardida, freguesias mais afetadas, causas dos incêndios entre outros elementos relevantes. Será importante compreender o comportamento das ocorrências ao longo dos anos em estudo. 5

6 Neste sentido foram comtempladas todas as ocorrências em que existiu mobilização de meios. Existem 6 subtipos de ocorrências: Reacendimento: nova ocorrência que tem início no perímetro da área afetada por um incêndio recente que foi considerado extinto, ou seja, em que todos os meios já abandonaram o teatro de operações (TO). Falso Alarme: Ocorrência que origina a mobilização de meios materiais e/ou humanos, dos bombeiros, mas na sequencia da qual não é detetada, no local, qualquer área ardida nem vestígios de foco de incêndio. Queimada: Desenvolvimento do incêndio, no espaço, através dos mecanismos de transmissão de energia. Uso do fogo para a renovação de pastagens e eliminação de restolho. Fogacho: Incêndio cuja área é inferior a 1 hectare. Incêndio florestal: Qualquer incêndio, que decorra em espaços florestais (arborizado ou não arborizado), não planeado e não controlado e que independentemente da fonte de ignição requer ações de supressão. Cuja área ardida é superior a 1 hectare. Incêndio Agrícola: Qualquer incêndio, que decorra em espaços agrícolas, não planeado e não controlado e que independentemente da fonte de ignição requer ações de supressão. Cuja área ardida é superior a 1 hectare. 6

7 2. INFORMAÇÃO GERAL 2.1. Número de ocorrências e áreas ardidas Em 2015 contabilizaram-se, no Concelho de Alcobaça, 111 ocorrências, das quais 9,9 % correspondem a incêndios florestais (com área ardida> = 1ha) e 38,7 % a fogachos (ocorrências com área ardida <1ha). Os incêndios agrícolas têm um impacto de 48,6 % no total das ocorrências registadas no ano de A área ardida total foi de hectares, dos quais 78.0 % em povoamentos florestais e 18,9 % em matos, incluindo pastagens espontâneas. (Tabela 1). O total de ocorrências de 2015 traduz-se num crescimento de cerca 76,9 % em relação a 2014 e de 16,9 % face à média do decénio anterior. Relativamente à área ardida de 2015 esta sofreu um incremento de 418,7 % face á média dos últimos dez anos. Em termos absolutos os diferenciais face às respetivas médias do período traduzem-se em menos 19 ocorrências e mais hectares de área ardida. Tabela 1 - Distribuição anual do número de ocorrências entre 2005 e Anos Ocorrências Queimada Falso Alarme Fogacho Incêndio Florestal Incêndio Agrícola Total Total Média ( ) % de ,0 2,7 38,7 9,9 48,6 100,0 7

8 Ocorrências e Área Ardida Município de Alcobaça Os incêndios registados em 2015 ocorreram maioritariamente em zonas ocupadas por povoamentos, à semelhança do que se registou em anos anteriores (2005, 2010, 2012). Tabela 2 - Distribuição anual da área ardida entre 2005 e Anos Área Ardida (hectares) Povoamento Mato Agrícola Pov+Mato Total ,7 29,7 0,2 91,4 91, ,4 11,6 0,9 18,0 18, ,8 27,2 5,2 40,1 45, ,1 17,0 2,2 21,2 23, ,4 7,1 2,9 12,5 15, ,6 4,9 3,4 29,5 33, ,2 44,0 2,0 55,2 57, ,9 14,5 1,1 52,4 53, ,5 17,4 8,8 19,9 28, ,5 2,9 4,0 3,4 7, ,6 36,6 6,0 188,3 194,3 Total 166,7 173,5 26,6 340,2 366,8 Média ( ) 16,7 17,6 3,1 34,4 37,4 2015% 78,0 18,9 3,1 96,9 100, Número de Ocorrências 50 Àrea Ardida Ano Figura 1 - Número de Ocorrências e Área Ardida. 8

9 A distribuição das ocorrências no Concelho de Alcobaça é apresentada na Figura 2. Figura 2 - Cartografia das ocorrências no Concelho de Alcobaça em

10 Área Ardida (ha) Ocorrências (n.º) Município de Alcobaça Tendo em consideração os valores anuais de ocorrências e área ardida entre 2005 e 2015 é possível destacar os anos de 2007 e 2014 como outliers por serem anos onde se registam valores díspares nos parâmetros, sendo que 2007 apresenta o maior número de ocorrências do período analisado, e ainda os anos de 2009 e 2014, por registarem valores de área ardida significativamente inferiores aos restantes (Figura 3) Ano Figura 3 - Distribuição anual do número de ocorrências. O ano de 2015 apresenta a maior área ardida, do período analisado (Figura 4) Ano Figura 4 - Distribuição anual da área ardida. 10

11 2.2. Análise por Freguesia A União de Freguesias de Pataias e Martingança destaca-se com 19 ocorrências, sendo a freguesia com maior número de ocorrências (maioritariamente fogachos, 89,5 %), seguindo-se a Freguesia da Benedita e União de Freguesias de Coz, Alpedriz e Montes, igualmente com 12 ocorrências (Tabela 3) Tabela 3 - Número de ocorrências por freguesia em Freguesia <1ha > 1ha Total União das freguesias de Alcobaça e Vestiaria Alfeizerão Aljubarrota Bárrio Benedita Cela União das freguesias de Coz, Alpedriz e Montes Évora de Alcobaça Maiorga União das freguesias de Pataias e Martingança São Martinho do Porto Turquel Vimeiro Total Igualmente a União de Freguesias de Pataias e Martingança, regista a maior área ardida, com 153,57 hectares de superfície queimada. Cerca de 99,63 % desta área ardida resultou da sequência do grande incêndio ocorrido a 7 de agosto, que consumiu apenas povoamentos. A União de Freguesias de Coz, Alpedriz e Montes e a Freguesia de São Martinho, do Porto são, posteriormente à União de Freguesias de Pataias e Martingança as que registam valores de área ardida por freguesia superiores a 5 hectares. Na União de Freguesias de Coz, Alpedriz e Montes cerca de 88,53 % da área ardida resultou de dois incêndios na localidade de Castanheira, que ocorreram no dia 8 e 10 de julho, consumindo 16,9 hectares (Tabela 4). 11

12 Área Ardida (ha) Município de Alcobaça Tabela 4 - Área ardida por freguesia em Freguesia <1ha > 1ha Total União das freguesias de Alcobaça e Vestiaria 0, ,72 Alfeizerão 0, ,34 Aljubarrota 0,748 3,8 5,55 Bárrio 0, ,0001 Benedita 1,6959 1,806 3,50 Cela 0, ,86 União das freguesias de Coz, Alpedriz e Montes 1,199 17,9 19,09 Évora de Alcobaça 1,27 0 1,27 Maiorga 0, ,005 União das freguesias de Pataias e Martingança 0, ,57 São Martinho do Porto 0,012 5,5 5,51 Turquel 0,8012 2,7 3,50 Vimeiro 0,082 1,3 1,38 Total 7, , ,30 Na relação área ardida/número de ocorrências por freguesia, visível na figura 5, destaca-se a União de Freguesias de Pataias e Martingança. O menor número de ocorrências registou-se em igual número na freguesia do Bárrio e da Maiorga, e a menor área ardida na freguesia do Bárrio Número de Ocorrências Área Ardida Figura 5 - Distribuição anual do número de ocorrências e área ardida. 12

13 3. DISTRIBUIÇÃO DAS OCORRÊNCIAS 3.1. Número de ocorrências por mês A tabela 5, apresenta distribuição mensal do número de ocorrências e área ardida entre 1 de janeiro e 31 dezembro de A distribuição temporal dos incêndios florestais em Portugal Continental é claramente sazonal, não sendo o Concelho de Alcobaça exceção. Concentrando-se o maior número de ocorrências e área ardida de julho a setembro. Neste período, coincide com a fase de maior empenhamento de meios do dispositivo de prevenção operacional e combate aos incêndios florestais, contabilizaram-se 50 % do total de ocorrências e 91 % da área ardida. Em termos de área ardida mensal são notórios os valores elevados nos meses de julho e agosto, este último representa 79,87 % da área ardida em 2015, como se depreenda da leitura da Tabela 5 e Figura 6. Tabela 5 - Sazonalidade das ocorrências e área ardida 2015 Mês Número de Ocorrências Área Ardida Janeiro 2 0,0336 Fevereiro 1 0,005 Março 7 0,0411 Abril 4 0,167 Maio 10 0,2654 Junho 16 6,164 Julho 20 21,4998 Agosto ,9266 Setembro 9 0,1837 Outubro 11 10,5583 Novembro 4 0,156 Dezembro 2 0,3 13

14 Ocorrências e Área Ardida Município de Alcobaça Número de Ocorrências Área Ardida 20 0 Mês Figura 6- Sazonalidade das ocorrências e áreas ardidas Número de ocorrências por dia da semana A tabela 6 e figura 7, apresentam a distribuição do número de ocorrências e área ardida por dia da semana, verifica-se que o dia semana em que existe maior número de ocorrências (23) e maior área ardida (160,16 hectare) é a Sexta-Feira. Tabela 6 - Número de ocorrências e área ardida por dia da semana. Dia da Semana Número de Ocorrências Área Ardida Segunda-Feira 10 1,55 Terça-Feira 14 7,69 Quarta-Feira 12 10,95 Quinta-Feira 21 7,29 Sexta-Feira ,19 Sábado 16 4,78 Domingo 14 1,86 Total ,30 14

15 Número Ocorrências e Área Ardida Município de Alcobaça Número de Ocorrências Área Ardida Dia da Semana Figura 7- Número de ocorrências e área ardida por dia da semana Número de ocorrências por período horário Cerca de 50,9 % das ocorrências registadas em 2015 iniciaram-se entre as 13h00 e as 17h00, em detrimento as restantes ocorrências iniciaram-se entre a 01h00 e as 12h00 (28,7 %) e apenas 6,5 % entre as 18h00 e as 24h00. A evolução horária do número de ocorrências está visível na figura Intervalo horário Figura 8 - Número de ocorrências por período horário. 15

16 4.INFORMAÇÃO OPERACIONAL De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) o primeiro semestre de 2015 (janeiro a junho) foi muito quente e muito seco, a que se seguiram meses de julho e agosto classificados como secos. No final do mês de julho, e de acordo com o relatório desse Instituto, cerca de 4/5 do território do Continente estava em seca severa ou seca extrema, estando o remanescente (região noroeste) em seca moderada ou fraca. No primeiro semestre ocorreram 4 ondas de calor nos períodos: 27 de março a 7 de abril, 9 a 15 de maio, 21 de maio a 10 de junho e entre os dias 25 e 30 de junho. Segundo a mesma fonte o verão de 2015 (julho, agosto e setembro) em Portugal Continental foi classificado como muito quente e muito seco, sendo o 5º mais quente desde 2000 (depois de 2005, 2004, 2003 e 2006) e o 9º mais quentes desde A Autoridade Nacional de Proteção Civil decretou, entre 1 de julho e 30 de setembro, 15 dias de permanência em estado de alerta amarelo ou superior do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF), dos quais 6 dias no mês de julho (8, 9, 14, 15, 22 e 23), 8 dias no mês de agosto (7, 8, 9, 10, 11, 28, 29 e 30) e 2 dias na primeira quinzena de setembro (5 e 6). Figura 9- Índice de severidade diária. Fonte: IPMA 16

17 4.1. Duração média das ocorrências Na tabela seguinte encontra-se retratado a evolução do número de ocorrências por períodos de duração dos incêndios 1 de acordo com a informação constante na base de dados do sistema de gestão de incêndios florestais SGIF. Nesse âmbito, cerca de 34,23 % tiveram uma duração inferior a 30 minutos e 45,95 % foram extintas nos primeiros 90 minutos. Permaneceram ativas durante mais de 8 horas apenas uma ocorrência de incêndio florestal. Tabela 7 - Duração média das ocorrências. Duração <30 min 30mi -1h 1h-1,5h 1,5h-2h 2h-4h 4h-6h > 6h Total Ocorrências Duração do incêndio correspondente à diferença entre a data/hora de alerta e data/hora de extinção (data e hora de saída do ultimo recurso do teatro de operações, ou seja, inclui as fases: 1º intervenção, dominado, rescaldo e vigilância pós incêndio) 17

18 4.2. Informação por Corpo de Bombeiros Município de Alcobaça No Concelho de Alcobaça existem quatro Corpos de Bombeiros, em que a sua área de intervenção se distribuiu de acordo com a figura 10. Figura 10 - Área de Intervenção dos Copos de Bombeiros do Concelho de Alcobaça. 18

19 Relativamente à dimensão da área de intervenção de cada um dos Corpos de Bombeiros do Concelho de Alcobaça está compartilhada da seguinte forma (Tabela 9). Tabela 8- Dimensão da área de intervenção dos Corpos de Bombeiros. Localidade Dimensão (km 2 ) Área Total Corpo Bombeiros Alcobaça 3.07 Aljubarrota (S. Vicente) 20,91 Aljubarrota (Prazeres) 27,03 Bárrio 15,01 Cela 25,83 Coz 15,87 Évora de Alcobaça 42,42 Maiorga 10,03 Vestiaria 6,73 Vimeiro 20,17 Benedita 29,18 Turquel 40,57 Alfeizerão 27,64 S. Martinho do Porto 14,63 Alpedriz 16,17 Martingança 8,08 Montes 5,45 Pataias 79,00 187,06 Km 2 Bombeiros Voluntários de Alcobaça 69,75 Km 2 Bombeiros Voluntários da Benedita 42,27 Km 2 Bombeiros Voluntários de S. Martinho do Porto Bombeiros Voluntários 108,7 Km 2 de Pataias 4.3. Tempo da Primeira Intervenção e Distância Percorrida Tendo como objetivo analisar o tempo decorrido entre a hora de alerta e o tempo de chegada do primeiro meio ao local da ocorrência, que se dominou de tempo para a primeira intervenção. Calculou-se tendo como base a área de intervenção de cada um dos Corpos de Bombeiros do Concelho. Partindo do mesmo princípio calculou-se a distância percorrida por cada viatura em cada uma das ocorrências, tendo como principio que o meio de combate partiria sempre do seu quartel sede e terá como destino final o local da ocorrência. Em termos globais no Concelho registou-se 111 ocorrências, em que o tempo médio para a primeira intervenção foi de 00:11:52 H, e a duração média de cada uma das ocorrências de 01:29:21 H. No total os Corpos de Bombeiros do Concelho (B.V. 19

20 Alcobaça, B.V. Benedita, B.V. Pataias, B.V. São Martinho do Porto) percorreram cerca de 636,4 km, perfazendo a média de 5,85 Km por cada ocorrência. Relativamente à análise por Corpo de Bombeiros, verifica-se que os Bombeiros Voluntários de Alcobaça foram solicitados para 58 ocorrências na sua área de intervenção, percorrendo em média 7,74 km no percurso entre o quartel o local da ocorrência. Em termos de tempo para a primeira intervenção os Bombeiros Voluntários da Benedita registam em média 00:10:28 H, e a duração média das suas ocorrências ronda 01:49:28 H (Tabela 10) Tabela 9 - Nº de ocorrências, distância percorrida, tempo 1º intervenção e duração das ocorrências por Corpo de Bombeiros. B.V. Alcobaça B.V. Benedita B.V. Pataias B.V. S. M. Porto Soma Média Soma Média Soma Média Soma Média Nº Ocorrências Distância Percorrida (Km) Tempo 1º Intervenção (H) Duração das Ocorrências (H) 425,7 7, ,7 47 5,7 83,8 5,24 12:09:00 00:13:15 02:58:00 00:10:28 03:49:00 00:11:27 03:17:00 00:12:19 80:32:00 01:36:38 31:01:00 01:49:28 23:46:00 01:11:18 21:20:00 01:20:00 No que toca ao número de ocorrências, verificou-se que o Corpo de Bombeiros de Alcobaça foi o mais solicitado, acumulando também a maior distância percorrida em média (Figura 11). 20

21 Minutos Ocorrências/Distância Município de Alcobaça Nº Total de Ocorrências Distância média percorrida (Km) 10 0 B.V. Alcobaça B.V. Benedita B.V. Pataias B.V. São Martinho do Porto Corpo de Bombeiros Figura 11 - Nº de ocorrências e distância percorrida por Corpo de Bombeiros. Quanto ao tempo médio da primeira intervenção e duração média das ocorrências verifica-se uma ligeira oscilação entre cada um dos Corpos de Bombeiros, sendo que a média do Concelho em termos de tempo médio da primeira intervenção é de 00:11:52 H e a duração média das ocorrências de 01:29:21 (Figura 12) Tempo médio 1º intervenção (m) Duração média das ocorrências (m) 0 B.V. Alcobaça B.V. Benedita B.V. Pataias Corpo de Bombeiros B.V. São Martinho do Porto Figura 12 - Tempo média 1º intervenção e duração médias das ocorrências por Corpo de Bombeiros. 21

22 4.4. Eficácia do ataque inicial (ATI) e ataque ampliado (ATA) O ATI 2 consiste na intervenção de meios terrestres de combate a incêndios florestais, forma musculada, organizada e integrada, até o mesmo ser considerado dominado pelo Comandante das Operações de Socorro (COS) ou até ao limite de 90 minutos de intervenção desde o despacho do primeiro meio de ATI. Mediante avaliação e autorização prévias poderão ser acionados meios aéreos de ATA 3 para apoio ao ATI. A eficácia do ataque inicial e do ataque ampliado foi de 97,2 % em ATI e 2,8 % em ATA. 5. VIGILÂNCIA E FISCALIZAÇÃO 5.1. Rede de Postos de Vigia O Concelho de Alcobaça, ao nível da vigilância fixa é assegurado pelos postos de vigia da Rede Nacional de Postos de Vigia (RNPV), apesar de nenhum dos postos de vigia que abrange o concelho está dentro dos limites geográficos do mesmo. Na Fase Charlie (1 julho a 30 de setembro) funcionou 6 postos de vigia, em atividade 24 horas por dia Fonte de alerta Relativamente aos alertas dos incêndios no ano transato, cerca de 33% dos alertas foram efetuados por populares. Aproximadamente 14 % das ocorrências foram alertadas via 117 e cerca de 14 % pelos postos de vigia (Tabela 11 e Figura 13). Tabela 10 - Fonte de alerta. Fonte de Alerta Número de Ocorrências Populares 39 Outros Postos de Vigia 15 Centro de Comando Operacional (CCO) 1 Total ATI Ocorrência com duração inferior a 90 minutos. 3 ATA Ocorrências cuja duração é igual ou superior a 90 minutos. 22

23 1% 14% Populares 10% 33% Outros 117 Postos de Vigia 42% Centro de Comando Operacional (CCO) Figura 13 - Distribuição da fonte de alerta. 5.3 Notificações e autos-noticia levantados no âmbito do DL nº 124/2006 As ações de fiscalização realizadas pela GNR/GIPS (Posto Territorial da Benedita, Posto Territorial de Pataias, Núcleo de Proteção Ambiental do Destacamento Territorial de Caldas da Rainha, Grupo de Intervenção Proteção e Socorro da Base de Reserva de Alcaria) no âmbito do Decreto-Lei n.º 124/2006, de 28 junho alterado pelo Decreto-Lei n.º 17/2009, de 14 de janeiro, relativas ao Sistema de Defesa da Floresta Contra Incêndios, resultaram na elaboração de 77 informações de serviço, contabilizando-se 24 autos de contra ordenação. Neste âmbito a GNR/GIPS da Base de Reserva de Alcaria, realizaram a fiscalização a todas as propriedades rusticas situadas no Concelho, em que detetaram que 1357 delas estavam em infração. O, notificou 74 proprietários a procederem à Gestão de Combustíveis de forma voluntária. 23

24 5.4. Causas dos Incêndios Cerca de 84,3 % do total das 111 ocorrências, em análise no presente relatório, foram alvo de investigação pela Guarda Nacional Republicana Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (GNR/SEPNA). Dos resultados investigados resulta que 34 % das ocorrências resultaram de comportamentos negligentes e em cerca de 47 % das investigações não foi possível identificar a causa da ignição (Tabela 12). Do universo das ocorrências investigadas e com causa apurada (91), cerca de 38,5 % estão associadas a comportamentos negligentes, pelo uso de fogo, sob a forma de queimadas. O incendiarismo /classe que enquadra motivações como o vandalismo, a provocação dos meios de combate aos incêndios, as manobras de diversão, ou os conflitos com vizinhos e vinganças) esteve na origem de 3,3 % das ignições com investigação concluída pela GNR/SEPNA Tabela 11 - Causas das ignições. Causa Número de Ocorrências Uso de Fogo 35 Queimadas Acidentais 2 Maquinaria e equipamento Incendiarismo 3 Imputáveis Indeterminadas 51 Não Investigadas 20 Total 111 É possível agregar o universo das causas investigadas em cinco grandes grupos em função do tipo de causa, consoante seja: negligente, desconhecida, intencional, natural ou resultado de um reacendimento (Figura 14). 24

25 0% 56% 41% Negligente Intencional Desconhecida Natural 3%. Figura 14 - Tipo de Causa. 6. Descrição dos Grandes Incêndios Em 2015 registou-se um grande incêndio florestal (GIF) 4 no Concelho de Alcobaça, do qual resultou 148 hectares de área queimada, cerca de 76,3 do total da área ardida no concelho em 2015 (Tabela 13). Tabela 12 - Grandes Incêndios Florestais Classe (ha) Número de Ocorrências Área Ardida (ha) % área ardida do total 2015 >= ,3 4 Incêndios Florestais com área ardida igual ou superior a 100 Hectares. 25

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