A relação entre crescimento econômico e emprego no Brasil: referencial teórico, evidências empíricas e recomendações de políticas

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1 A relação entre crescimento econômico e emprego no Brasil: referencial teórico, evidências empíricas e recomendações de políticas Leonardo Ferreira Neves Junior Luis Henrique Paiva Introdução O presente estudo procura analisar a relação entre crescimento econômico e emprego, em particular a intensidade-emprego do crescimento do produto para a economia brasileira nos anos recentes, com especial atenção para a sensibilidade do emprego formal às variações da produção, uma vez que este tipo de ocupação geralmente apresenta maior qualidade e melhores condições de trabalho e, portanto, maior incidência em termos de promoção do trabalho decente. 1 O objetivo principal é discutir a relação entre crescimento do produto e crescimento dos postos de trabalho, para investigar mudanças recentes na intensidade-emprego do crescimento no Brasil, e de forma comparativa aos países da OCDE, assim como a outros países em desenvolvimento, tomando por referência básica a literatura existente sobre o tema. No caso do Brasil, além da resenha do conhecimento disponível, também se buscou efetuar estimativas sobre as tendências recentes da elasticidade empregoproduto e realizar uma análise comparativa com a experiência internacional, a fim de identificar se as mudanças observadas na elasticidade emprego-produto no Brasil são fenômenos estruturais ou tendências isoladas, assim como se existe algo semelhante ocorrendo à escala internacional. Esta análise encontra-se na parte II do presente documento. Concentrar a análise na relação entre desempenho econômico e emprego implica supor uma hipótese básica: a de que a demanda por trabalho depende, Mestre em Economia pela Universidade Federal do Paraná e Funcionário Internacional da Organização Internacional do Trabalho, Escritório Subregional para a América Central, Haití, Panamá e República Dominicana, San José (Costa Rica), ocupando o cargo de Especialista Principal em Política Econômica e Instituições do Mercado de Trabalho.. Doutor em Sociologia e Política pela Universidade Federal de Minas Gerais. Membro da carreira de Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental em exercício na Secretaria de Políticas de Previdência Social - Ministério da Previdência Social. 1 A OIT desenvolveu o conceito de trabalho decente com o intento de capturar a convergência das distintas dimensões que conformam um bom trabalho: emprego de qualidade que respeite os direitos fundamentais no trabalho, com adequado nível de proteção social; e direito à representação e à participação em processos de diálogo social. Dessa forma, qualquer deficiência em alguma dessas dimensões conduz, em menor ou maior grau, a um déficit de trabalho decente.

2 2 essencialmente, da quantidade produzida. Em outras palavras, o nível de emprego é encarado como um fenômeno de natureza macroeconômica, condicionado pelo ritmo de crescimento econômico. Isso nos remete necessariamente a uma breve discussão sobre o marco teórico de referência e as contribuições que colocam a questão do emprego no centro da discussão da agenda de políticas públicas. Desse modo, um referencial teórico sobre a relação entre crescimento econômico e emprego foi desenvolvido na primeira parte do documento, incorporando as recentes formulações da OIT e de outros organismos internacionais neste tema, para chegar à parte final do documento com recomendações de políticas. I. Referencial teórico sobre a relação entre crescimento econômico e emprego Esta primeira parte do estudo dedica-se a uma breve revisão do tratamento do emprego na teoria econômica e as recentes formulações que destacam a centralidade do emprego para o desenvolvimento socioeconômico a longo prazo. A idéia é que sirva como pano de fundo à análise empírica que se desenvolve na parte II deste estudo, lançando certas hipóteses a serem testadas à luz das evidências para o caso brasileiro. 1. O tratamento do emprego na teoria econômica 2 As contribuições da teoria econômica à temática do emprego podem ser classificadas em dois grandes grupos: um primeiro que considera as questões relativas ao mercado de trabalho como decorrentes da sua própria dinâmica, ou seja, o fenômeno do emprego (e sua outra face, o desemprego) refere-se, exclusivamente, ao próprio mercado de trabalho; e um segundo grupo que considera o mercado de trabalho uma esfera subordinada da acumulação e, portanto, do ritmo de crescimento. No primeiro grupo, a questão do emprego é de natureza microeconômica, associado ao funcionamento do mercado de trabalho. O paradigma neoclássico e suas extensões enquadram-se nesse grupo de pensamento, haja vista explicarem o problema do desemprego (ou da falta de emprego) como decorrente da baixa lucratividade das firmas, determinada, por sua vez, pelo patamar excessivamente elevado dos salários reais. No segundo grupo de autores, o fenômeno do emprego é de natureza macroeconômica, determinado tanto pelo nível de gastos, ou seja, pela demanda efetiva (pensamento keynesiano e kaleckiano), quanto pela dinâmica tecnológica (modelo marxista e corrente neo-schumpeteriana). 2 O marco teórico apresentado baseia-se, em boa medida, na revisão presente em Neves, L. (1997), A economia do pleno desemprego. Dissertação (Mestrado). Pós-graduação em Desenvolvimento Econômico, Universidade Federal do Paraná.

3 3 Segundo a tradição neoclássica, a relação entre o salário real (custo do trabalho) e a lucratividade consiste em um fator que pode limitar o produto da economia a um nível inferior ao do pleno-emprego da força de trabalho. As firmas maximizam lucros igualando o custo marginal ao preço esperado. Assim, para um dado nível de salário real, obtém-se o nível de emprego que maximiza o lucro da firma, o qual pode ou não corresponder ao pleno-emprego da força de trabalho. O desemprego clássico ocorre, pois, quando para um determinado nível de salário real, o nível da demanda de trabalho é menor que a oferta. Com perfeita flexibilidade do mercado de trabalho, o aumento do número de pessoas desempregadas, ou o excesso de oferta de trabalho sobre a demanda, pressiona o salário real para baixo, reduzindo assim o custo do fator trabalho (para um dado nível de produtividade), conduzindo a economia rumo ao pleno-emprego da força de trabalho. Qualquer empecilho ao livre funcionamento do mercado de trabalho pode levar à localização do salário real acima do nível que equilibraria o mercado (oferta e demanda), causando desemprego. As contribuições de Keynes e Kalecki revelam que o problema do emprego/desemprego é determinado pelo nível de gastos, ou seja, pela demanda efetiva. No pensamento keynesiano, o desemprego resulta de um problema macroeconômico a insuficiência de demanda efetiva. Existe desemprego porque há insuficiência de demanda efetiva, e não porque o salário real é elevado, como propõe o paradigma neoclássico. É a propensão a consumir e o nível de investimento, portanto a demanda efetiva, que determinam o nível de emprego, sendo que este determina o nível dos salários reais, não o inverso. No modelo kaleckiano, por sua vez, o desemprego decorre de restrições ao crescimento do emprego dado pelo nível de demanda agregada, tanto em razão de variação no componente autônomo dos gastos agregados, quanto em função de variações no nível salarial. Enquanto os clássicos acreditavam no funcionamento de uma economia em equilíbrio de pleno-emprego, Keynes desenvolve sua teoria para uma economia em equilíbrio com desemprego. Para sustentar essa hipótese, Keynes desenvolve o princípio da demanda efetiva, teoria da determinação do nível de emprego pelo nível de gasto. Caso a propensão a consumir e o montante de investimentos resultem em insuficiência de demanda efetiva, o nível do emprego diminuirá até encontrar-se abaixo da oferta de mão-de-obra potencialmente disponível ao salário real em vigor. Temos, neste ponto, o que Keynes denominou de paradoxo da pobreza em meio à abundância, pois a existência de uma demanda efetiva insuficiente pode paralisar o aumento do emprego, mesmo antes de se ter atingido o nível de pleno-emprego. O pensamento kaleckiano ressalta que uma distribuição de renda a favor dos salários ou um crescimento do componente autônomo dos gastos aumenta o nível de emprego. Há uma relação positiva entre o salário real e o emprego. Enquanto uma rigidez do salário real em níveis elevados pode gerar desemprego do tipo clássico, situação contrária pode provocar desemprego do tipo kaleckiano. No

4 4 modelo kaleckiano, o nível de salário real está positivamente relacionado com o nível de produto. As contribuições de Keynes e Kalecki e seus seguidores enfatizam o lado da demanda agregada da economia na determinação do crescimento econômico e, portanto, do nível de emprego. Outro enfoque que merece ser destacado consiste na influência fundamental da dinâmica tecnológica sobre o comportamento do emprego. De acordo com a análise marxista, o problema do desemprego advém da evolução tecnológica, ou seja, o desemprego é determinado pelo dinamismo tecnológico. A acumulação de capital aumenta o número de trabalhadores desempregados. Os novos capitais incorporados como meios de produção empregam cada vez menos trabalho e os capitais substituídos liberam quantidades maiores de trabalhadores. As modificações no processo produtivo expressam a busca dos capitalistas de reduções nos seus custos de produção, tendo em vista a atuação da concorrência. Ou seja, na análise marxista, o desemprego está associado ao progresso tecnológico, à inovação tecnológica, principal meio utilizado pelos capitalistas para aumentar o valor excedente. A centralidade da tecnologia na teoria econômica e a relação entre mudança técnica e emprego/desemprego são questões que ganharam grande proeminência no pensamento econômico mais recente. A importância da tecnologia como fator determinante da posição relativa dos países, em termos de produtividade, padrão de vida e participação na repartição do produto em nível mundial, constitui um dos temas que mais têm merecido a atenção de diversos segmentos da sociedade. Desde os anos 1960, a rapidez da mudança técnica e o surgimento e a difusão acelerada de inovações tecnológicas vêm atraindo a atenção de muitos estudiosos, sendo que a tecnologia constitui hoje um campo de estudo bem específico da ciência econômica. Nos primeiros modelos de crescimento, desenvolvidos durante os anos de 1940 e 1950, a mudança tecnológica era reduzida a um fenômeno exógeno, basicamente por conveniência analítica. Mais recentemente, o interesse na mudança tecnológica como um motor do crescimento econômico voltou à cena. Primeiro, a idéia de inovação endógena em uma teoria de crescimento econômico constituiu a fonte maior de inspiração para a literatura evolucionária ou neo-schumpeteriana, que foi iniciada nos anos 1980, por autores como Nelson e Winter (1982) e Dosi (1984). Em contraste com o modelo de crescimento neoclássico tradicional no qual o progresso técnico aparece como uma simples tendência, os novos modelos de crescimento levam em conta uma determinação endógena da mudança tecnológica, que significa, atualmente, uma determinação endógena das fontes de crescimento.

5 5 Para os teóricos da corrente neo-schumpeteriana, a inovação é a base da construção da teoria da concorrência intercapitalista contemporânea. 3 O progresso técnico possui um caráter endógeno, privado e gerador de assimetrias. Colocam o capitalismo como um sistema econômico caracterizado, acima de tudo, por distúrbios evolucionários associados a inovações técnicas e organizacionais. O motor dos processos de inovação tecnológica e da correspondente transformação industrial é a concorrência intercapitalista, que opera por meio dos mecanismos de seleção e de aprendizagem entre firmas. Assim, a inovação é a base do desenvolvimento. Na matriz teórica neo-schumpeteriana, o progresso técnico é uma variável endógena da dinâmica econômica, assumindo a forma de um bem privado, determinante de assimetrias. Suas discussões centralizam-se em temas como a competitividade, a inserção internacional e as assimetrias geradas pelo progresso técnico. Os modelos neo-schumpeterianos não têm no tratamento adequado da questão do emprego/desemprego um ponto central de suas análises. Em determinados casos, acredita-se que a mudança técnica gere efeitos de compensação, os quais compensam quase que automaticamente algum deslocamento do trabalho, por novas demandas por emprego em outros segmentos da economia. Em outras formulações, a mudança técnica é, ela própria, parte do processo de ajustamento (Freeman, Clark e Soete, 1982). 4 Em suma, o fenômeno do emprego/desemprego, em um quadro de forte dinamismo tecnológico e de crescente globalização, deve receber um tratamento mais adequado pela teoria econômica. O ajuste do emprego é uma questão de natureza macroeconômica, pois está associado à acumulação e ao ritmo de crescimento econômico, em um mundo cada vez mais high tech e globalizado. Não obstante a importância que também possuem certos fatores de ordem microeconômica (como, por exemplo, o acesso às inovações tecnológicas e sua difusão; a melhoria do acesso e da qualidade da educação básica e da formação profissional; o apoio à articulação das micro e pequenas empresas com as redes produtivas; a promoção da negociação coletiva para a elevação da produtividade; e a distribuição eqüitativa de seus benefícios; entre outros), a concepção de um ajuste do emprego a partir do mercado de trabalho, inserido em uma trajetória de equilíbrio do sistema econômico, mostra-se abstrata, descolada da realidade, ou então uma forma deliberada de justificar medidas flexibilizadoras do mercado de trabalho. 3 4 Schumpeter (1942) já atribuía ao esforço compulsivo dos empresários para consolidar ou melhorar sua posição no mercado, por meio da introdução de inovações no processo produtivo, o papel de motor principal do sistema capitalista. A tecnologia assume o caráter de força produtiva, sendo que a inovação é internalizada nas firmas (grandes oligopólios), sob a forma de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Em sua teoria do ciclo, Schumpeter descreve o efeito de ruptura de maiores inovações tecnológicas sobre os caminhos do crescimento econômico. Na sua visão, maiores inovações são introduzidas em um processo de destruição criadora, mudando drasticamente a estrutura do estoque de capital na economia. Freeman, C.; Clark, J. e Soete, L. (1982), Unemployment and technical innovation. London.

6 6 2. Contribuições recentes sobre a centralidade do emprego para o desenvolvimento socioeconômico Não obstante o pleno-emprego ser um objetivo básico de qualquer economia, ainda não existe uma corrente do pensamento econômico que trate de forma mais integrada o emprego no bojo da teoria macroeconômica e suas aplicações à realidade das distintas economias. Como colocar o emprego de qualidade no centro das políticas macroeconômicas, não só como resultante de uma escolha política, mas como uma variável instrumental para o desenvolvimento socioeconômico de longo prazo? Na falta de uma teoria ou enfoque que coloque o emprego como elemento central da macroeconomia e das políticas econômicas, quais são aqueles que aportam um tratamento mais adequado ao emprego, em particular a uma agenda de promoção do trabalho decente? Os modelos estruturalistas que orientam o trabalho de pesquisa de determinados centros acadêmicos e de formulação de políticas ou mesmo de certos organismos internacionais (como é o caso da Comissão Econômica para América Latina Cepal), que se ocupam da adequada inserção das economias em desenvolvimento na economia globalizada, a fim de alentar um crescimento econômico de longo prazo compatível com o equilíbrio das contas externas e um estilo de desenvolvimento com melhoria sustentada na distribuição da renda e na redução gradual da pobreza, ou o pensamento pós-keynesiano, que defende um papel permanente para o Estado na economia, assim como a adoção de políticas econômicas dirigidas a aumentar o nível de demanda agregada, de modo a criar um ambiente estável e seguro que estimule os empresários a realizarem novos investimentos, com conseqüências positivas para a geração de empregos de qualidade, são exemplos de formulações teóricas que se ajustam melhor a uma agenda de desenvolvimento com geração de trabalho decente. A importância do emprego e da distribuição de renda para uma trajetória de crescimento eficiente é o objeto da análise de Rodríguez (1997). 5 Para o autor, algumas economias de América Latina mostram um alto nível de heterogeneidade, com uma proporção significativa dos trabalhadores ocupados no chamado subemprego, ocupações de baixíssima produtividade. Assim, conjuntamente ao desafio de reduzir o desemprego aberto, essas economias deparam-se com o desafio de absorver o subemprego em atividades de produtividade mais elevada. Nesse sentido, o autor destaca a necessidade de combinar um espaço de acumulação de capital, de aprendizado tecnológico e de absorção do subemprego e do desemprego, como condição central para o desenvolvimento econômico. A absorção do subemprego pode, mediante o fortalecimento da demanda interna, contribuir para aumentos de produtividade. É nesse contexto que os processos de integração regional ganham relevância, ao ampliarem o espaço de acumulação e 5 Rodríguez, O. (1997), Aprendizaje, acumulación, pleno empleo: las tres claves del desarrollo. Economia Aplicada, 1(3):

7 7 de aprendizado tecnológico, com efeitos importantes sobre o crescimento de longo prazo dos países que conformam os diferentes blocos regionais. McCombie e Thirwall (1994) 6 colocam o tema da demanda efetiva para cada país em termos da competitividade, podendo-se extrair dos diferentes potenciais de crescimento, ditados a longo prazo pela balança comercial, explicações acerca das diferenças em termos de emprego entre as principais economias. Os autores desenvolvem um modelo que busca determinar a taxa de crescimento do produto compatível com o equilíbrio do balanço de pagamentos no longo prazo, restringindo a análise ao problema de equilíbrio da balança comercial, destacando a importância da participação no comércio internacional para o crescimento econômico de um país, e possível elevação do nível de emprego. Apresentam as seguintes conclusões: os países que desejarem elevar o seu produto devem reduzir as restrições do balanço de pagamentos; o aumento da produtividade estimula as exportações e aumenta o nível de emprego; as diferenças no potencial de crescimento econômico entre os países têm a ver com a estrutura produtiva que determina a sensibilidade das exportações e das importações às variações nos níveis de renda. Esta análise demonstra o duplo (e até certo ponto contraditório) papel desempenhado pela tecnologia em termos do nível de emprego: se o crescimento e a participação nos mercados definem, em certa medida, o nível de emprego, e se tanto o crescimento quanto a participação nos mercados dependem da tecnologia, esta, embora diminua a ocupação por unidade de investimento, eleva a competitividade das exportações e, portanto, o nível de emprego. Kupfer (2005) 7 questiona o antagonismo entre tecnologia e emprego. Para o autor, as implicações do progresso tecnológico sobre o emprego dependem do tipo de modernização industrial 8 adotado. Caso o processo de modernização envolva estratégias de investimento em ativos fixos para renovação ou expansão dos ativos existentes, com incorporação de novas gerações de tecnologias, investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e transferência de 6 McCombie e Thirlwall (1994), Economic growth and balance of payments constraint. St. Martin s Press. 7 Kupfer, D. (2005), Tecnologia e emprego são realmente antagônicos? In: Sicsú, João; de Paula, Luiz Fernando e Michel, Renaut. Novo-Desenvolvimentismo. Um projeto nacional de crescimento com eqüidade social. Editora Manole. 8 Entende-se por modernização industrial a aplicação de melhorias técnicas e gerenciais para fortalecer a produtividade e a competitividade empresarial, envolvendo a aquisição de equipamentos de gerações tecnológicas mais recentes, a modificação das linhas de produtos comercializados, a reestruturação das linhas de produção em termos do que é produzido, subcontratado, adquirido no mercado local ou internacional etc. Em um sentido mais amplo, deve incluir também as transformações que ocorrem em termos da estrutura de ativos, tangíveis e intangíveis, controlados pelas empresas (capacitações tecnológicas em novos processos e produtos, esforço de vendas por marcas, design e redes de comercialização, diversificação dos negócios em busca de agregar valor etc.).

8 8 tecnologia de processo ou produto, poderá induzir um crescimento sustentado da produtividade com geração de emprego de qualidade (os setores da economia brasileira de Extração de Petróleo, com a exploração em águas profundas, e Comunicações, com a introdução da telefonia celular, foram os que introduziram inovações tecnológicas mais radicais nos últimos anos e os únicos que conseguiram conciliar taxas elevadas de aumento da produtividade e criação de empregos). Por outro lado, se a modernização industrial se concentra em estratégias de reorganização produtiva, com o uso de novas técnicas de gestão da produção, novos métodos produtivos e rotinas organizacionais, com o claro propósito de racionalizar custos, ou estratégias de enxugamento, como terceirização, outsourcing, especialização de linhas de produto, visando à redução do elenco de atividades realizadas, a conseqüência observada será uma especialização regressiva da indústria, com implicações seriamente negativas sobre o emprego (fenômeno observado no Brasil com a abertura comercial iniciada no fim dos anos 1980 e intensificada no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso FHC). A questão principal não está, portanto, na existência de modernização em si, mas na natureza e no alcance desse processo: Em países atrasados ou de industrialização recente e, portanto, distantes do domínio da fronteira tecnológica internacional, o ritmo e a direção da incorporação de progresso técnico estão condicionados menos pelas oportunidades abertas pela dinâmica da inovação e mais pela natureza e alcance dos processos de modernização industrial que conseguem articular. (Kupfer, 2005, p. 239) Kupfer (2005) destaca que a intensificação do progresso tecnológico é a chave para o crescimento sustentado da produtividade total dos fatores, condição essencial para afrontar a precarização do trabalho, expressa nos elevados níveis de subemprego e informalidade. Para tanto, é necessário aprofundar o processo de reestruturação industrial (aumentar o valor agregado dos produtos, aumentar as escalas operacionais, compensando deficiências de porte das empresas com a formação de redes de empresas, joint-ventures, alianças estratégicas ou pólos regionais) e aumentar a eficiência nas relações intercapital (produtor-fornecedor) e entre capital e trabalho, que possibilitem aprimorar a divisão de trabalho ao longo das cadeias produtivas e facilitem o fluxo de tecnologias, gerando ganhos de eficiência para todas as empresas envolvidas. Na visão deste autor, a saída é mais (e não menos) tecnologia. Em uma perspectiva de longo prazo, portanto, as políticas de emprego devem incluir o tema do crescimento econômico e seus limitantes no contexto de economias abertas. Existem problemas de demanda efetiva que são chaves para o comportamento do emprego e que estão associados à competitividade internacional dos países. A demanda efetiva de emprego origina-se, em última análise, no âmbito da tecnologia e da competitividade. São estes fatores que definem a expansão da demanda e abrem espaço para o aumento da produção e do emprego. Não é possível sustentar o crescimento a longo prazo a partir da

9 9 entrada de fluxos de capitais externos. São os determinantes tecnológicos da competitividade internacional os elementos que explicam as taxas de crescimento no longo prazo. Tentativas de expandir o emprego para além dessas taxas esbarram em desequilíbrios comerciais crescentes, cuja persistência provocará forte dependência em relação à entrada de capitais de curto prazo, com implicações negativas sobre o comportamento da taxa de juros e do nível de endividamento da economia. 9 Portanto, uma questão fundamental para o debate econômico nas economias em desenvolvimento, em particular as economias latino-americanas, consiste em como enfrentar as restrições ao crescimento econômico em base duradoura. Em um contexto de escassez de fontes internas de financiamento de longo prazo, como promover os investimentos necessários ao crescimento? Para a visão econômica mais ortodoxa, a dívida pública elevada determina as más condições de acesso ao financiamento externo, o que impõe a necessidade de desenvolver uma estratégia de busca de credibilidade junto ao mercado financeiro. Por esta razão, é necessário promover as reformas estruturais que reduzam a necessidade de financiamento do setor público, tornando possível uma diminuição do prêmio de risco dos títulos da dívida pública e, desse modo, a redução da taxa de juros, com efeitos positivos sobre o nível de investimentos e a geração de empregos. 10 Em uma perspectiva desenvolvimentista, por sua vez, a ênfase descansa nas políticas de competitividade autêntica e na adoção de um estilo de desenvolvimento com melhoria sustentada na distribuição da renda e na redução gradual da pobreza. De acordo com esse enfoque, as taxas de juros são elevadas em conseqüência de problemas de fragilidades nas contas externas do País e dependência de financiamento externo. Assim, é fundamental adotar um estilo de desenvolvimento superador da vulnerabilidade externa, com base na impulsão e na diversificação das exportações e na substituição competitiva de importações, e também na promoção de ações dirigidas à competitividade sistêmica da economia. 11 O desenvolvimento produtivo em economias abertas é um tema que vem recebendo a atenção da Cepal, especialmente a partir de meados da década de 9 Tal enfoque se encontra presente em Curado, M. e Porcile, J.G. (não publicado), Crescimento, restrição externa e fluxos de capitais: um modelo estruturalista; e em Curado, M. e Porcile, J.G. (2001), Emprego, crescimento e balanço de pagamentos, numa perspectiva de longo prazo. Boletín de la Sección Brasileña del Observatorio del Mercado de Trabajo del Mercosur. 10 Esta visão se encontra presente no documento Política Econômica e Reformas Estruturais, elaborado pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda (abril de 2003). Documento encontrado en el sítio web do Ministério da Fazenda: 11 Este enfoque está presente no documento Orientação Estratégica do Governo para o Plano Plurianual (PPA) , do Governo Federal (ver sítio web do Ministério do Planejamento:

10 , com a formulação de um modelo denominado Transformação Produtiva com Eqüidade. De acordo com este modelo, as economias em desenvolvimento deveriam buscar investir em competitividade autêntica, ou seja, sustentar padrões de eficiência compatíveis aos vigentes no resto do mundo, que elevassem a capacidade de incrementar a participação no mercado internacional, com alta simultânea nos níveis de vida de suas populações. Adotar, portanto, um estilo de desenvolvimento com melhoria sustentada na distribuição da renda e na redução gradual da pobreza. Nesse modelo, a geração de emprego e a melhor distribuição da renda são elementos essenciais, na medida em que ampliam o espaço interno de acumulação, por meio da expansão do mercado consumidor. 12 A preocupação com a geração de emprego de qualidade (entendido como um emprego produtivo, justamente remunerado e com maior estabilidade e acesso à proteção social), de forma sustentável e em quantidade suficiente, em um contexto de economias abertas, é um tema que tem predominado nas contribuições da OIT às distintas conferências e foros sub-regionais de emprego, e constitui objetivo central da proposta da OIT de uma Agenda Hemisférica para a promoção do trabalho decente. Uma política de emprego de qualidade, especialmente em um horizonte de longo prazo, requer ênfase na preocupação com o crescimento econômico e suas restrições em economias abertas, assim como a discussão de como promover os investimentos necessários ao crescimento, em contextos de escassez de fontes internas de financiamento de longo prazo, conforme já se mencionou em parágrafos anteriores. Acelerar o crescimento econômico com emprego de qualidade requer um aumento sustentado dos investimentos privados e públicos e uma inserção mais dinâmica na economia internacional. Tal desafio requer um enfoque estratégico que promova o crescimento econômico a longo prazo compatível com o equilíbrio externo. Dessa forma, há de se buscar um modelo de desenvolvimento redutor da vulnerabilidade externa, por meio da melhora sistemática da competitividade estrutural da economia, com efeitos positivos sobre o investimento privado, o crescimento do produto e o emprego Esta proposta de desenvolvimento se encontra presente em duas publicações da Cepal: o Livro n. 25, de março de 1990, intitulado Transformación productiva con equidad ; e o Livro n. 32, de fevereiro de 1996, intitulado Equidad y Transformación Productiva: un enfoque integrado. Uma visão mais atual desta abordagem se encontra na publicação Desarrollo Productivo en Economías Abiertas, de O presente enfoque estratégico se baseia nos estudos elaborados pela OIT, Escritório Regional para América Latina e Caribe, por ocasião da Conferência de Emprego do Mercosul (abril de 2004) e da Conferência Regional Andina de Emprego (novembro de 2004) denominados respectivamente: Generando Trabajo Decente en el Mercosur. Empleo y Estrategia de Crecimiento: el enfoque de la OIT y Crecimiento, competitividad y empleo en los países andinos. Também leva em consideração os estudos elaborados para o Fórum Tripartite Subregional para o Emprego (Tegucigalpa, Honduras, junho de 2005), em que participaram delegações dos países da América Central e da República Dominicana.

11 11 Isso significa reconhecer a importância de uma política de competitividade para a superação dos problemas de emprego no longo prazo. Contudo, não uma competitividade com base em reduções dos custos laborais, mas uma competitividade sistêmica sustentada pelo crescimento da produtividade total, que por sua vez possibilita reduções sistemáticas nos custos totais unitários (os custos relevantes para fins de competitividade) e, assim, aumentos na rentabilidade dos investimentos. Países de menor desenvolvimento relativo devem mudar de um modelo de vantagens comparativas, intensivo em recursos naturais e mão-de-obra barata, para um modelo de vantagens competitivas, com base em inovações e capacidades e maior valor agregado nos produtos intensivos em recursos naturais. Além de aumentar os investimentos nas atividades expostas à concorrência internacional, a fim de melhorar sua inserção na economia mundial, outro desafio fundamental que enfrentam as economias de América Latina e do Caribe é conciliar o crescimento exportador com o desenvolvimento produtivo de setores mais intensivos em mão-de-obra e o fortalecimento do mercado doméstico, sobretudo por intermédio de políticas complementares de mercado de trabalho, que permitam aproveitar o crescimento nos setores mais dinâmicos, com o intuito de impulsionar o desenvolvimento da produtividade nos setores mais atrasados. Não se pode negligenciar o papel fundamental do mercado de trabalho como vaso comunicante que permite que o crescimento econômico e o desenvolvimento produtivo representem um maior nível de bem-estar social e uma redução da pobreza e da desigualdade. Se trata entonces de generar un marco económico que le brinde atención tanto a aquellos sectores emergentes y dinámicos como a aquellos sectores que concentran la mayor parte del empleo, como la economía informal y el sector rural y agropecuario, buscando formas de articularlos. Esto requiere evidentemente una combinación de políticas macroeconómicas responsables con otras de carácter meso y microeconómico, con el fin expreso de estimular la productividad y la competitividad de los países. Las políticas macroeconómicas deben asegurar estabilidad en las monedas y evitar la volatilidad del crecimiento, pero al mismo tiempo, deben permitir financiar la competitividad, para lo cual la política fiscal debe procurar también mayor equidad tributaria en donde sea posible. Como se sabe, el impulso de la productividad y competitividad demanda mejor infraestructura productiva, mejores sistemas de formación y capacitación, adecuados sistemas de innovación, seguridad jurídica y, al mismo tiempo, impulso específico de la productividad a nivel de las empresas. Estas medidas deben estar acompañadas de políticas laborales explícitas a fin de fomentar la inclusión de ciertos colectivos que usualmente no se benefician del crecimiento de las economías. Las políticas activas como las de formación profesional, servicios de empleo, etc. y aquellas que promueven el empleo de calidad como el impulso de sectores de baja productividad deben ser consideradas prioritarias en la medida que constituyen instrumentos que permiten la democratización de oportunidades en el mercado de trabajo Chacaltana, J. (2006), Desafíos para la creación de trabajo decente en América Latina. El consenso de Mar del Plata. IV Cumbre de las Américas.

12 12 A integração e a coerência entre a política sociolaboral e a econômica é fundamental para a geração de trabalho decente. Enquanto a política econômica promove as condições para o crescimento e, portanto, para a geração de emprego, a política sociolaboral, integrada com a econômica, assegura que o emprego gerado incorpore as diferentes dimensões contidas no conceito de trabalho decente, traduzindo progresso econômico em maior desenvolvimento social. 15 A proposta da OIT de uma Agenda Hemisférica 16 voltada à geração de trabalho decente destaca a necessidade de modificar o atual tipo de crescimento de muitas economias da América Latina e do Caribe, em que o produto cresce pouco, o faz de maneira não-sustentável e se baseia em setores pouco geradores de emprego. Cuando la política económica se centra sólo en la estabilidad macroeconómica a corto plazo y, a tal efecto, se basa en el control de la inflación y el déficit fiscal, la creación de empleos y las remuneraciones suelen tratarse como variables de ajuste. Por esta razón, como punto de partida de una agenda de crecimiento y empleo en el contexto de economías abiertas, los países deberían asumir el compromiso de generar trabajo decente para todos y fomentar el crecimiento sostenible a largo plazo, en lugar de centrarse esencialmente en combatir la inflación. 17 Nesse sentido, a referida agenda propõe um conjunto de medidas econômicas integradas nos níveis macro, meso e microeconômico, a fim de que o crescimento seja promotor do emprego. Estas medidas orientam-se a gerar um ambiente favorável aos investimentos produtivos, por meio de um entorno macroeconômico adequado, que estimule a demanda agregada, e medidas meso e microeconômicas, que atuem sobre a rentabilidade dos negócios e aumentem a produtividade total da economia. Fazer que o emprego ocupe um lugar central nas políticas econômicas e sociais constitui o objetivo principal do Programa Global de Emprego da OIT. 18 O referido programa dá particular importância à melhoria da produtividade das trabalhadoras e dos trabalhadores, especialmente aqueles(as) que se encontram em situação de pobreza, e das organizações em que trabalham. O aumento da produtividade tem o potencial necessário para aumentar os níveis de vida, sempre e quando os lucros são repartidos eqüitativamente, mediante políticas salariais e impositivas apropriadas. Igualmente destaca que o crescimento econômico e a criação de empregos requerem uma infra-estrutura física e social moderna que funcione, a 15 Martínez, D. (2005), Gobernabilidad democrática y crecimiento económico con trabajo decente. Una agenda hemisférica. Archivos del Presente, Revista Latinoamericana de Temas Internacionales, 38: OIT (2006), Trabajo decente en las Américas: una agenda hemisférica Informe del Director General. XVI Reunión Regional Americana, mayo. Brasilia. 17 OIT op. cit., p OIT (2003), Consejo de Administración. Comisión de Empleo y Política Fiscal. Primer punto del orden del día. Examen de los elementos fundamentales del Programa Global de Empleo. 286a reunión, marzo. Ginebra.

13 13 qual compreende o transporte, as telecomunicações, a educação e a atenção à saúde. Os investimentos realizados para a criação da mencionada infra-estrutura possuem um impacto direto e imediato sobre o emprego. No entanto, os benefícios em termos de emprego podem ser ampliados caso se utilizem políticas de produção de alto coeficiente de mão-de-obra e se estabeleçam critérios de emprego nos contratos do setor público. No que se refere às políticas macroeconômicas, o mencionado programa enfatiza as seguintes questões: i) qual seria a melhor forma de aumentar a demanda para favorecer o emprego?; ii) como incrementar o crescimento com maior intensidade de emprego?; iii) qual a melhor maneira de a política macroeconômica e as de outro tipo conseguirem que o crescimento seja inclusivo?; e iv) como fazer do emprego o tema central das políticas econômicas e sociais, mediante melhor coordenação de políticas? Estudos recentes da OIT têm argumentado a favor da reinserção do objetivo emprego no âmbito da formulação das políticas econômicas, ou então sobre o desenvolvimento de políticas macroeconômicas employment friendly. Para Badhuri (2005), a crescente importância do setor externo, por meio de um cada vez mais elevado comércio de bens e serviços, combinado com o fenomenal crescimento do fluxo de capitais, no âmbito da atual fase do processo de globalização, determinam fortemente a forma como as políticas econômicas nacionais são conduzidas, com um elevado viés a favor de políticas fiscais restritivas, em que o foco de atenção se desvia do objetivo de pleno emprego da era keynesiana ( ) para o objetivo da estabilidade de preços da fase monetarista ( ). Dessa forma, verifica-se uma negligência em relação ao objetivo emprego, acarretando problemas de insuficiência de demanda agregada em muitos países em desenvolvimento. Estratégias corporativas de racionalização do emprego para elevar a eficiência produtiva e, deste modo, a participação no comércio internacional, podem ser contraproducentes do ponto de vista macroeconômico, caso conduza a uma contração do mercado doméstico, em razão de um nível mais baixo de emprego. O autor chama a atenção para uma falácia de composição em matéria de políticas econômicas: a promoção de maior produtividade pela redução do custo unitário por meio de racionalização da força de trabalho ou de flexibilidade salarial pode acarretar problemas de demanda agregada no âmbito doméstico. Ou seja, não se pode dissociar os efeitos do crescimento da produtividade e do produto total e o comportamento do nível de emprego agregado. Países em desenvolvimento com debilidade tecnológica e de infra-estrutura básica não podem esperar que o problema do balanço de pagamentos seja resolvido mediante uma maior competitividade externa baseada no crescimento da

14 14 produtividade do trabalho, por meio da racionalização da força de trabalho, ou na flexibilidade salarial. Políticas macroeconômicas para gerar crescimento e emprego elevados em países em desenvolvimento devem colocar maior ênfase no mercado doméstico, relativamente ao mercado externo, reforçando o link entre crescimento da produtividade e mercado doméstico em expansão, para alcançar uma taxa elevada e sustentada de emprego. A ênfase no mercado interno permite conciliar emprego e crescimento da produtividade laboral, saindo da retórica usual de que o crescimento na produtividade e a flexibilidade do mercado de trabalho são instrumentos necessários para uma maior competitividade internacional. Essas políticas também devem tratar de compatibilizar oferta e demanda agregada. Produtividade e emprego determinam a oferta agregada, que necessita ser combinada à demanda agregada. Uma disponibilidade mais alta do lado da oferta deve ser combinada com um nível crescente de demanda, suficiente para assegurar crescimento elevado do emprego e da produtividade laboral. Islam (2005) advoga a necessidade de elaborar uma alternativa viável à ortodoxia atual, centrada no empenho renovado de criar emprego como objetivo fundamental da política macroeconômica. Defende a proposta de fomentar o emprego na gestão macroeconômica, buscando fixar o objetivo de geração de postos de trabalho estáveis, que sirva de parâmetro para determinar a taxa de crescimento econômico e as iniciativas de políticas necessárias, assim como o quadro orçamentário, para alcançar as metas fixadas em matéria de emprego. O uso de objetivos de criação de emprego como eixo da gestão macroeconômica possibilitaria estudar formas que tornassem o crescimento econômico mais intensivo em emprego, ou seja, para elevar a densidade de empregos do crescimento da economia. Na linha das contribuições recentes sobre crescimento com eqüidade social, finalmente vale destacar a abordagem presente no projeto denominado Novo- Desenvolvimentismo. 19 Tal abordagem tem diversas origens, entre elas a visão de Keynes e de economistas keynesianos contemporâneos (entre os quais Paul Davidson e Joseph Stiglitz) de complementariedade entre Estado e Mercado, e a visão Cepalina Neo-Estruturalista que defende a adoção de uma estratégia de transformação produtiva com eqüidade social, que permita compatibilizar crescimento econômico sustentável com melhor distribuição de renda. Trata-se de um programa alternativo ao projeto monetarista neoliberal, para a construção de um Estado forte que estimule o florescimento de um Mercado 19 Novo-Desenvolvimentismo. Um projeto nacional de crescimento com eqüidade social, Esta publicação reúne um conjunto de artigos elaborados por renomados economistas brasileiros, como Bresser Pereira, Fernando Cardim Carvalho, João Sabóia, Paulo Nogueira Batista Junior, entre outros.

15 15 forte. Para a proposta Novo-Desenvolvimentista, não existirá Mercado forte sem Estado forte e não se observará crescimento sustentável a taxas elevadas sem o fortalecimento dessas instituições (Estado e Mercado) e sem a implementação de políticas macroeconômicas adequadas. Estado e Mercado fortes somente serão construídos por meio de um projeto nacional de desenvolvimento, que compatibilize crescimento econômico sustentável com eqüidade social. É importante reconhecer as limitações dos mercados e ter uma visão equilibrada do papel do Estado. Os mercados apresentam falhas que afetam a eficiência econômica. Assim, a visão de que os mercados solucionam por si só os problemas econômicos fundamentais não encontra correspondência com a realidade, especialmente para economias como as da América Latina, que apresentam entre seus problemas mais graves a persistência de um alto grau de desigualdade, desemprego elevado e informalidade, problemas que não podem ser solucionados pelas forças de mercado. Os mercados tampouco asseguram a estabilidade econômica. Não por outra razão que em economias desenvolvidas se observa maior equilíbrio entre Estado e Mercado. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Federal Reserve não se limita apenas ao problema da inflação, mas também ao do crescimento e do emprego (Stiglitz, 2003). 3. Crescimento econômico promotor do emprego e de maior eqüidade social: algumas hipóteses básicas Ante o exposto nas seções anteriores, é possível sintetizar algumas idéias centrais e também identificar certas hipóteses sobre crescimento e emprego no longo prazo: A geração de mais e melhores empregos deve ser entendida como uma variável instrumental para o desenvolvimento econômico de longo prazo, e não como uma variável de ajuste, ou então como simples resultante das políticas econômicas adotadas. A geração de emprego e a melhor distribuição da renda (por exemplo, pelo aumento da renda do trabalho) são elementos essenciais para o desenvolvimento sustentado, na medida em que ampliam o espaço interno de acumulação, por meio da expansão do mercado consumidor, abrindo espaço para aumentos sustentados da produtividade, e para a absorção do desemprego e do subemprego (hipótese kaleckiana de relação positiva entre emprego e salário real). Uma política de emprego de qualidade, especialmente em um horizonte de longo prazo, requer ênfase na preocupação com o crescimento econômico e suas restrições em economias abertas, assim como a discussão de como promover os investimentos necessários ao crescimento, em contextos de escassez de fontes internas de financiamento de longo prazo. Não é

16 16 possível sustentar o crescimento a longo prazo a partir dos fluxos de capitais externos (crescimento com endividamento). Os determinantes tecnológicos da competitividade internacional são fatores que explicam as taxas de crescimento no longo prazo e, portanto, a demanda efetiva de emprego, uma vez que definem a expansão da demanda e abrem espaço para o aumento da produção e do emprego (hipótese keynesiana da determinação do nível de emprego pelo nível de gasto; princípio da demanda efetiva). Deve-se reconhecer, assim, a importância de uma política de competitividade para a superação dos problemas de emprego no longo prazo. Contudo, não uma competitividade baseada em reduções dos custos laborais, mas uma competitividade autêntica sustentada pelo crescimento da produtividade total. A intensificação do progresso tecnológico é a chave para o crescimento sustentado da produtividade total dos fatores, condição essencial para afrontar a precarização do trabalho, expressa nos elevados níveis de subemprego e informalidade. No entanto, a negligência em relação ao objetivo emprego pode acarretar problemas de insuficiência de demanda agregada. Estratégias corporativas para promover maior produtividade pela redução do custo unitário por meio de racionalização da força de trabalho ou de flexibilidade salarial podem acarretar problemas de demanda agregada no âmbito doméstico (falácia de composição). Políticas econômicas orientadas a promover crescimento e emprego devem reconhecer a importância do mercado doméstico, para além do crescimento de tipo exportador, a fim de reforçar o link entre crescimento da produtividade e mercado doméstico em expansão, para lograr uma taxa elevada e sustentada de emprego. Ou seja, conciliar expansão do emprego e crescimento da produtividade laboral, compatibilizar oferta e demanda agregada. Dessa forma, é necessário conciliar o objetivo de uma inserção mais adequada na economia mundial (crescimento de tipo exportador) com o desenvolvimento produtivo de setores mais intensivos em mão-de-obra e o fortalecimento do mercado doméstico, sobretudo por meio de políticas complementares de mercado de trabalho, que permitam aproveitar o crescimento nos setores mais dinâmicos para impulsionar a expansão da produtividade nos setores mais atrasados. É estratégico, portanto, reinserir o objetivo emprego no âmbito da formulação das políticas econômicas, como eixo da gestão macroeconômica, estimulando assim o estudo de medidas para tornar o crescimento mais intensivo em emprego.

17 17 II. Análise das evidências empíricas sobre a intensidade-emprego do crescimento no Brasil no passado recente O desempenho do mercado de trabalho brasileiro desde o início dos anos 1990 tem apresentado variações significativas, que chamam a atenção dos diversos analistas e têm recebido explicações igualmente diversas. Os dois fenômenos mais marcantes a receberem atenção, no fim da década de 1990, foram o avanço da informalidade e a brutal queda nas elasticidades emprego-produto (e, especialmente, emprego formal-produto). Como não poderia deixar de ser, tais fenômenos deram origem, a depender do diagnóstico feito, a uma série de propostas de políticas públicas. No primeiro caso (avanço da informalidade), tais propostas não raro estavam baseadas nas receitas para flexibilizar a contratação e a dispensa de trabalhadores e reduzir os custos associados ao trabalho. O segundo processo (queda nas elasticidades), por sua vez, freqüentemente foi tido por muitos como um traço da economia contemporânea, com o qual teríamos de aprender a conviver conforme a abertura da economia brasileira. O início dos anos 2000, entretanto, marcou uma forte mudança no padrão de comportamento do emprego formal e novos fatos vieram à tona, especialmente relacionados ao avanço da informalidade, o que aguçou a percepção de que o desempenho do mercado de trabalho nas regiões metropolitanas brasileiras não poderia ser estendido sem maiores cuidados ao restante do País. O objetivo da parte II deste trabalho, assim, é avaliar o comportamento do mercado de trabalho brasileiro, especialmente em relação às teses vigentes no fim dos anos 1990, e, em menor medida, traçar alguns cenários prováveis para o futuro próximo. 1. O diagnóstico corrente no fim dos anos O aumento da informalidade Um dos principais argumentos levantados ao longo dos anos 1990 a saber, o de que o mercado de trabalho apresentou forte deterioração neste período baseouse fortemente no aumento de participação dos chamados informais 20 no total dos ocupados das regiões metropolitanas, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego PME/IBGE (Paiva, 2001; Cardoso, 2000; Arbache, 2003; e Neri, 2003). 20 O conceito de trabalhador informal está sujeito a diversos debates. Cf., sobre isso, a Nota Técnica de Jorge Teles Silva et al. (2002). Em geral, apontou-se para uma participação crescente, nas principais regiões metropolitanas do País, dos trabalhadores sem carteira de trabalho assinada e dos trabalhadores por conta própria.

18 18 A PME, com efeito, mostrou, ao longo de toda a década de 1990, uma queda praticamente ininterrupta da participação dos trabalhadores com carteira assinada (CC) no total da força de trabalho (gráfico 1) e uma elevação dos trabalhadores sem carteira (SC) e por conta própria (CP), cuja soma, grosso modo, poderia representar os trabalhadores informais (Inf.). A proporção dos empregadores (EM) permanece relativamente estável. 60% Gráfico 1 - Participação na ocupação, segundo posição (médias ) 50% 40% 30% 20% 10% CC CP EM SC Inf 0% Fonte: PME/IBGE. O fenômeno do crescimento da informalidade viria, ainda, acompanhado de dois outros: o aumento do desemprego no período (saindo de patamares em torno de 5%, no início da década, para aproximadamente 7%, no fim do período, de acordo com a antiga série da PME/IBGE) e a queda na participação. Em outras palavras, i) a informalidade não apenas crescia fortemente como também parecia não cumprir mais sua função de amortecedor do desemprego (como seria de se prever cf. M. C. Cacciamali, 1989); e ii) a reversão desse quadro seria, na melhor das hipóteses, bastante lenta, uma vez que à eventual queda da taxa de desemprego e da informalidade precederia a recuperação da participação no mercado de trabalho. As explicações para a crescente informalidade variaram substantivamente. A mais comum delas foi, muito provavelmente, a que associou o aumento da informalidade e do desemprego ao aumento do custo do trabalho (Carneiro, 1997; Neri, 2003), em um argumento aparentemente linear: ceteris paribus, o aumento do custo do trabalho (dado, por exemplo, pelo aumento das alíquotas de contribuição previdenciária a cargo do empregador) levaria à redução do emprego e/ou ao aumento da contratação informal. No caso do estudo de Neri (2003), sustentou-se que haveria evidências sólidas de que os direitos trabalhistas (como férias e direito ao salário mínimo) seriam

19 19 respeitados mesmo no caso das relações de trabalho não-formalizadas. Dessa maneira, o principal motivo pelo qual os empregadores optariam por realizar contratações informais seria a opção pela evasão previdenciária. Estaríamos, assim, em um trecho descendente da curva de Laffer, no qual um sistemático aumento do custo do emprego (por meio da variação das alíquotas de contribuição previdenciária) teria levado a uma queda na formalização. Registre-se ainda que, nesse mesmo período, diversos trabalhos, conectados ou não com o contexto da crescente informalidade do mercado de trabalho brasileiro, avaliavam a associação entre as variações no custo trabalho, por um lado, e a geração de novas ocupações e a formalização, por outro (J. Gruber, 1995; R. Fernandes e N. Menezes-Filho, 2002; N. Garro, 2003). A conclusão desses estudos (com base em dados de países latino-americanos) foi a de que as variações no custo dos encargos trabalhistas não teriam impacto significativo sobre o nível geral de emprego e teriam, se muito, impacto pequeno sobre a formalização. A regra seria que as variações em tais custos influenciariam os rendimentos dos trabalhadores. Dessa maneira, a redução dos custos previdenciários, por exemplo, poderia não levar a um aumento da formalização do trabalho (ou da ocupação como um todo). Outros trabalhos adotaram uma linha de explicação diversa, segundo a qual a informalidade era menos função do interesse do empreendedor (e, eventualmente, do próprio trabalhador) e mais função das características do empreendimento. Arbache (2003), também indicando o crescimento da informalidade, procurou demonstrar que, tendo em vista a característica precária dos empreendimentos informais (segundo pesquisa da Economia Informal Urbana Ecinf/IBGE), aos quais estaria vinculada a maioria dos trabalhadores informais, não se deve[ria] esperar pela legalização dessas atividades e pela formalização de sua mão-deobra. A imposição da formalização por meio de ações de fiscalização, em casos como esses, poderia ter como efeito o fechamento dos empreendimentos e, conseqüentemente, o aumento da pobreza. Uma terceira hipótese era a de que a abertura econômica iniciada na década de 1990, aprofundada graças à implementação do Plano Real e a sua estratégia de sobrevalorização da moeda brasileira, implicou ajustes profundos em toda a economia, especialmente na indústria de transformação. Entre esses ajustes, teria tido papel de destaque o processo de terciarização, que viria a representar uma forte realocação setorial dos empregos. A migração de ocupações para subsetores dos serviços implicaria aumento da informalidade, à medida que esses subsetores tradicionalmente ofereceriam menos proteção social aos seus empregados que aquela normalmente oferecida pela própria indústria Para uma avaliação dessa hipótese, cf. Ramos e Ferreira (2005).

20 20 Muito do interesse que tais estudos despertaram no Brasil deveu-se ao fato de que, independentemente da solução proposta, havia um razoável consenso em relação ao problema: o crescimento da informalidade causava desproteção social e evasão das receitas previdenciárias e precisaria ser enfrentado, por um meio ou por outro. Uma questão, entretanto, ainda não havia sido respondida adequadamente: os dados da PME/IBGE, que revelavam o avanço da formalidade, estariam mesmo refletindo um fenômeno nacional ou o fenômeno poderia estar restrito às áreas metropolitanas (justamente aquelas cobertas pela pesquisa)? 1.2 A queda nas elasticidades emprego-produto A preocupação com a crescente informalidade do mercado de trabalho brasileiro foi acompanhada do interesse pelo enfraquecimento das elasticidades empregoproduto. A opinião corrente foi de que estávamos inaugurando um novo período econômico no qual o crescimento do produto teria impacto cada vez menor no mercado de trabalho, por conta dos crescentes ganhos de produtividade. Esses ganhos de produtividade seriam proporcionados pela adoção de novas tecnologias, em razão da abertura econômica. Em outras palavras, daquele período em diante, crescimento econômico significaria uma geração de empregos menor que a observada em períodos anteriores (Oliveira, 2002). Esse diagnóstico ressoava trabalhos como o de Rifking (1997) sobre os efeitos da tecnologia na criação do desemprego estrutural. Em alguma medida, supôs-se que essa tendência não seria, na melhor das hipóteses, facilmente reversível. O artigo de Soares et al. (2001), por exemplo, ressalta que a abertura comercial proporcionou duas fontes de perdas de emprego, uma não muito grande e reversível, em função da concorrência direta, e outra maior e não-reversível, em função dos aumentos da produtividade. Os autores sustentam, portanto, que a queda no nível de emprego, em particular na indústria, foi efeito em parte da valorização do Real que acirrou a concorrência com as importações mas também, e principalmente, do aumento da produtividade. E se a abertura econômica e os fortes aumentos de produtividade apareceram como tendências mais gerais para economias em processo de internacionalização, o caso brasileiro trazia, após 1994, a particularidade de o plano de estabilização adotado nesse ano embutir uma estratégia de apreciação da moeda para manter a pressão competitiva sobre os preços dos chamados tradables. 22 A apreciação da moeda elevou fortemente as importações (que saltaram de US$ 33,0 bilhões, em 1994, para US$ 57,7 bilhões, em 1998) e provocou a redução das conexões do sistema produtivo doméstico (Amadeo, 22 As aspas na particularidade do Plano Real basearem-se em âncora cambial correm por conta do fato de vários outros países terem adotado programas de estabilização baseados em âncoras cambiais, como a Argentina, na década de 1990, ou Israel, na década de 1980 (Ipea, 2006).

21 ), uma vez que não apenas parte do consumo final passou a ser atendida por produtos importados, como a própria produção doméstica passou a utilizar crescentemente insumos, matérias-primas e máquinas importadas. Como ressaltaram à época Coutinho et al. (1999), em um cenário de perda de conexões do sistema produtivo local, o eventual aumento da demanda agregada resultaria em menor rebatimento na atividade econômica e na geração de emprego, tendo em vista os vazamentos que passariam a existir. A liberalização comercial rápida em ambientes macroinstitucionais instáveis leva a processos de modernização com base em estratégias de enxugamento de produtos e processos. Tal estilo de modernização eleva o patamar, mas não proporciona um processo sustentado de crescimento da produtividade. Na ausência de condições estruturais e sistêmicas favoráveis à realização de investimentos em nova capacidade produtiva e em atividades de P&D, de maior prazo de maturação, as empresas adotam estratégias redutoras de custos e se engajam em processos de fusões e aquisições pouco virtuosos na indução de desenvolvimento industrial. A liberalização comercial tende a provocar um processo de especialização regressiva da indústria, cujas implicações sobre o emprego são pesadamente negativas (Kupfer, 2005). Independentemente da avaliação do quão perene era essa segunda tendência, ela parecia de fato encontrar fundamentação empírica. O trabalho de Neves et al. (2000), que cobriu o período , baseou-se nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged/MTE). Segundo os autores, a década de 1990 foi um período de extrema racionalização do emprego, no qual, para a grande maioria dos setores, teria havido variação positiva do produto, acompanhada de queda no emprego formal. Os dados indicariam, até mesmo, que, no segundo subperíodo analisado ( ), teria havido uma acentuação da tendência de racionalização. Essa acentuação da tendência à racionalização seria bem observável: na indústria, nos subsetores da indústria de transformação e nos serviços industriais de utilidade pública; nos serviços, nos subsetores de instituições financeiras e nos outros serviços; e na agropecuária. Entretanto, em certos gêneros da indústria de transformação (plástico, química, alimentos, perfumes e sabões, produtos farmacêuticos e veterinários e minerais não-metálicos) recuperou-se, nesse segundo subperíodo, alguma capacidade de geração de postos de trabalho formais, recuperação (...) muito relacionada ao desempenho [desses gêneros] em 1999 (Neves et al., 2000, p. 142), ano em que a moeda brasileira foi fortemente desvalorizada. Embora não tenha sido objeto do trabalho mencionado, os autores sugerem que as mudanças cambiais ocorridas no início de 1999 concorreram para proteger subsetores específicos da economia intensivos em mão-de-obra, que até então estavam excessivamente expostos à competição internacional.

22 22 O trabalho de Chahad, Diaz e Pazello (2002) fez uma análise descritiva da elasticidade emprego-produto para os setores agrícola ( ) e industrial ( ). A análise também aponta para uma queda das elasticidades da década de 1980 para a década de 1990, especialmente para as elasticidades emprego formal-produto. A queda teria sido mais pronunciada na agricultura (setor que teria tido elasticidades elevadas para o período e passaria a ter elasticidades negativas durante a década de 1990) que na indústria (setor no qual as elasticidades médias dos anos 1980 seriam superiores às encontradas na década seguinte). 2. O início dos anos 2000: formalidade e reação do emprego 2.1 A questão da formalidade no mercado de trabalho Conforme afirmado anteriormente, toda a ampla discussão a respeito do crescimento do setor informal da força de trabalho no Brasil esteve baseada nos dados da PME/IBGE. A utilização da PME/IBGE deu-se, ao longo da década, em razão de dois fatores: primeiramente, da sua freqüência, mensal, que conferia agilidade e atualidade na análise do comportamento de mercado de trabalho; segundo, do fato de as Regiões Metropolitanas cobertas pela PME retratarem parcela significativa da força de trabalho no Brasil (aproximadamente um quarto). A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, embora fizesse referência a todo o País, 23 tinha algumas desvantagens. Primeiramente, houve uma descontinuidade entre 1990 e 1992, que sugeria interpretar com todo o cuidado as comparações feitas entre um período e outro. 24 A Pnad, além disso, não havia ido a campo em Finalmente, sua periodicidade (anual) e sua disponibilidade (aproximadamente um ano após ter ido a campo) desestimulavam sua utilização para esse fim. No início dos anos 2000, entretanto, com o acúmulo das Pnads, essa pesquisa passou a ser a referência relativamente óbvia para aqueles interessados na questão do mercado de trabalho. E os trabalhos que se dedicaram a examinar a crescente informalidade dos anos 1990 à luz da Pnad (Paiva, 2004; Passos et al., 2005; Ramos e Ferreira, 2005) chegaram à conclusão de que o comportamento do mercado de trabalho metropolitano, no que diz respeito a essa questão, foi substantivamente diferente do ocorrido no resto do País. Em outras 23 Exceção feita, até 2004, à zona rural da região Norte. 24 A descontinuidade encontrada por Cardoso (2000), que se vale de dados da Pnad de 1981 a 1998, pode ser interpretada como um recrudescimento do mercado de trabalho (e, nesse caso, teríamos realmente um forte aumento da informalidade) ou como efeito da mudança da pesquisa. Registre-se, entretanto, que praticamente todo o crescimento da informalidade encontrado pelo autor se dá entre 1990 e 1992, justamente o ano de mudança metodológica da pesquisa. Os resultados ao longo da década de 1990 eram relativamente estáveis e antes, nos anos 1980, houve queda da participação do que o autor chamou de núcleo pouco estruturado do mercado de trabalho.

23 23 palavras, a PME parecia refletir antes um fenômeno nitidamente metropolitano, que não poderia ser estendido a todo o País. Muito embora a conceitualização do que é formal e informal seja, em si mesma, pouco trivial, pode-se acompanhar o que ocorreu com o núcleo estruturado (ou formal ) da força de trabalho por meio da participação dos trabalhadores com carteira no total dos trabalhadores ocupados; ou da participação desses e outros trabalhadores em posições relativamente bem protegidas (estatutários, militares, domésticos com carteira assinada e empregadores); ou, finalmente, da participação daqueles que declaram contribuir para instituto de previdência (cf. gráfico 2, a seguir) % 45% Gráfico 2 - Indicadores de formalização: participação dos trabalhadores 'com carteira', 'formais' e contribuintes no total dos ocupados 43,6% 43,0% 43,5% 45,7% 47,4% 40% 40,5% 39,9% 40,0% 42,1% 43,8% 35% 30% 29,6%, 27,4% 29,4% 30,9% 25% Fonte: Pnad/IBGE. Participação dos CC CC + Mil + Est + Domest CC + Empregador (f ormais) Contrib. Previdência Linear (Contrib. Previdência) Linear (CC + Mil + Est + Domest CC + Empregador (formais)) Linear (Participação dos CC) O gráfico 2 mostra que não houve recuo do emprego formal ao longo do período , independentemente da maneira escolhida para mensurá-lo. Ao contrário, pode-se notar, na verdade, uma tendência de crescimento da participação no total dos ocupados dos trabalhadores com carteira; da soma desses com militares, estatutários, domésticos com carteira e empregadores; e dos contribuintes para instituto de previdência. 25 É preciso assinalar como ressaltou Sabrina de Gobi, do Departamento de Emprego da OIT Genebra, em comentário a uma versão inicial a este trabalho que os núcleos (estruturado e não-estruturado) do mercado de trabalho não são estanques. Embora a questão do trânsito que um grupo provavelmente grande de trabalhadores faz, com certa constância, entre esses núcleos seja, em si mesma, bastante interessante, sua especificidade e complexidade exigem estudo independente.

24 24 Curiosamente, o aumento de participação do núcleo mais estruturado não se deu a partir da diminuição daquela parcela dos informais que recebem rendimentos (trabalhadores sem carteira assinada, domésticos sem carteira de trabalho assinada e trabalhadores por conta própria), mas pela diminuição da participação dos informais sem remuneração (trabalhadores sem remuneração; em produção para próprio consumo; ou em construção para próprio uso) (cf. gráfico 3). Com efeito, a participação dos informais com rendimento oscilou positivamente dois pontos percentuais, ante variação positiva dos formais assim entendidos a soma dos com carteira, militares, estatutários, domésticos com carteira e empregadores de 3,3 pp. A participação dos trabalhadores informais sem rendimento, por sua vez, caiu 5,2 pp, configurando novidade digna de nota. Gráfico 3 - Participação de 'formais', 'informais' e 'sem remuneração' no total de ocupados (Pnad) 50% 45% 40% 35% 30% 25% 20% 15% 10% 5% 0% 43,8% 45,8% 43,8% 40,5% 15,6% 10,4% CC + Mil + Est + Domest CC + Empregador (formais) SC + Domest SC + CP (informais) Sem remuneração (informais) Fonte: Pnad/IBGE. Registre-se, ainda, uma saudável evolução da contribuição previdenciária entre os trabalhadores sem vínculo de trabalho registrado, 26 que também pode ser compreendido como um indicador de formalização no mercado de trabalho. Em 1992, 9,3% dos trabalhadores ocupados sem registro declaravam contribuir para instituto de previdência; em 2004, houve um aumento de 4,1 pp, e 13,4% dos 26 Trata-se de um grupo heterogêneo de trabalhadores. Alguns, como os empregados sem carteira de trabalho assinada ou os domésticos sem carteira de trabalho assinada, estão em situação de ilegalidade, visto que seus empregadores deveriam formalizar a relação de trabalho para que ambos pudessem contribuir; outros, como os trabalhadores por conta própria e os empregadores, deveriam contribuir como autônomos. Há outros, ainda, cuja contribuição seria facultativa, por não exercerem atividade remunerada como é o caso dos trabalhadores sem rendimento, em construção para o próprio uso e em produção para o próprio consumo. Como, na prática, há um espaço amplo para a não contribuição desse grupo não obstante os esforços da fiscalização do Governo Federal, sua adesão é um indicador da atratividade que exerce a Previdência Social.

25 25 trabalhadores sem registro declararam contribuir para a previdência (Paiva e Ansiliero, 2006). Em resumo, mesmo em um cenário de baixo crescimento do PIB (a variação anual média para o período é pouco superior a 2,5% a.a.), os indicadores de formalização ou estruturação da força de trabalho mostraram desempenho positivo, ainda que de forma tímida. 2.2 A reação das elasticidades emprego-produto As baixas elasticidades emprego-produto, especialmente emprego formal-produto, que vingaram ao longo da década de 1990, pareciam fazer crer que o Brasil acompanhava tendências mundiais e estaria experimentando tanto a baixa geração de novos empregos quanto a precarização de sua força de trabalho (Ramos, 2003). Como, entretanto, perceberam Ramos (2003), Passos et al. (2005), Ramos e Ferreira (2005) e Baltar et al. (2006), entre outros, a retomada do crescimento econômico a partir de 1999 trouxe impactos qualitativamente diferentes sobre o mercado de trabalho: o emprego formal reagiu] de uma forma quase inesperada (Ramos, 2003: 13). Segundo Carlos Alberto Ramos (2003), a mudança no comportamento do emprego, e especialmente do emprego formal, após 1999, deveria ser imputada ao abandono do regime cambial adotado de 1994 até 1998, no qual estava ancorada a estratégia de estabilização do Real. Segundo o autor, a evolução da demanda de trabalho em boa parte dos anos 1990 não foi produto de um fatalismo difuso em suas origens, nem de um determinismo tecnológico ou de tendências mundiais inexoráveis, mas da adoção da âncora cambial e de uma abertura [comercial] pouco criteriosa. Mesmo que não haja concordância quanto às causas da reação do emprego no início dos anos 2000, é fato que se pode verificar de maneira clara a mudança no padrão de geração de postos de trabalho, tanto do número global quanto o referente ao emprego formal, em relação à atividade econômica. O gráfico 4 apresenta a situação das variações do PIB e da ocupação total para anos selecionados. 27 Note-se que para os anos 1990, a geração de novas ocupações está sempre abaixo dos 2% a.a., independentemente das variações do 27 Algumas particularidades da Pnad impedem que a comparação seja feita para todos os anos da série aqui analisada. A Pnad se valia de metodologia distinta em 1990 e não foi a campo em 1991, 1994 e 2000, impossibilitando o cálculo de variações para 1991, 1992, 1994, 1995 e Há, além disso, uma questão específica relacionada ao ano de 1999, primeiro ano em que as ponderações para expansão da amostra da Pnad sofrem efeito do Censo Como as ponderações não foram recalculadas para 1998, a comparação entre 1998 e 1999 se encontra prejudicada.

26 26 Produto, que chegaram a valores significativos no período (como, por exemplo, em 1993, quando se aproximou dos 5%). A partir dos anos 2000, ocorre exatamente o contrário: as variações da ocupação estão acima dos 2% (com mínima de 2,5%, em 2003, e máxima de 3,6%, em 2002), desvinculadas das variações do produto, que estiveram abaixo dos 2% em 2002 e Variação da ocupação 4% 3% 2% 1% 0% -1% -2% -3% Gráfico 4 - Variação do produto versus variação da ocupação total (Pnad) para anos selecionados % 1% 2% 3% 4% 5% 6% Variação do PIB Fonte: Sistema de Contas Nacionais - SCN e Pnad/IBGE. O gráfico 5 apresenta o mesmo exercício para o emprego formal, de acordo com a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do MTE. 28 Praticamente sem exceção, o padrão repete-se: variações do emprego de, no máximo, 2% para os anos da década de 1990, até a mudança do regime cambial, em janeiro de 1999 e isso independentemente das variações anuais do PIB. O ano de 1994 talvez seja o paradigmático deste período, com a maior variação do PIB de toda a série (5,85%) e variação negativa do emprego formal de 2,84%. A partir de 1999, o comportamento inverte-se: variações do emprego sempre superiores a 2%, mesmo em anos com variação do PIB bastante baixas (como em 2003, no qual o crescimento do PIB foi de apenas 0,55% e a variação do emprego formal, de 2,95%). Em 2004, ano de crescimento econômico mais robusto (4,94%), a variação do emprego formal chegou a impressionantes 7,46%. 28 Para o ano de 2005, foi utilizada a variação do emprego formal do Caged/MTE.

27 27 10% Gráfico 5 - Variação do produto versus variação do emprego formal (CLT - Rais) Variação CLT 8% % % % % % % % -1% 0% 1% 2% 3% 4% 5% 6% 7% Fonte: SCN/IBGE e Rais/MTE. Variação PIB O gráfico 5 permite verificar a existência de períodos bem delimitados. Os primeiros anos da década de 1990 (1991 e 1992 abertura econômica e efeitos tardios do Plano Collor) foram de estagnação econômica e forte ajuste do emprego formal (que chegou a cair 4,35%, em 1992). A partir disso, há um movimento na direção do quadrante inferior direito do gráfico: maiores variações do PIB com baixo crescimento do emprego formal, indicando que a acentuação da inserção brasileira na economia mundial e a estabilização de preços promoveram a continuidade do processo de ajuste do emprego. Após um ano atípico (1998), no qual a economia brasileira sofreu, ela mesma, forte crise cambial, que culminou com a mudança de regime em janeiro de 1999, o comportamento do emprego formal passa a ser outro, apresentando maiores variações, mesmo em anos em que o desempenho do produto foi baixo. A tendência, entretanto, parece ser a do quadrante superior direito (maiores variações do PIB e do emprego formal), que parece ser o socialmente mais desejável, na medida em que revela o aumento da riqueza e da proteção social. 3. O comportamento do produto e do emprego formal setorial A periodização aqui utilizada para o cálculo das elasticidades obedece tanto a critérios históricos quanto a critérios metodológicos. O primeiro período ( ) corresponde ao início do processo de abertura econômica; o segundo ( ), à estabilização da economia e à intensificação do processo de abertura econômica; finalmente, o terceiro, à mudança no regime cambial (que ocorreu em 1999, mas teve impactos mais claros a partir do ano 2000) e às transformações macroeconômicas dela decorrentes. Por outro lado, há uma descontinuidade nos dados setoriais da Rais entre 1994 e 1995, quando há uma

28 28 brutal queda no número de empregados em outros setores/ignorado (de 2,3 milhões para 605 mil reduzindo-se a partir de então ano a ano, até chegar a um número irrelevante em 1998) e sua incorporação nos outros setores e subsetores da economia. 29 Por sua vez, os gráficos de produto e emprego formal serão apresentados em apenas duas periodizações ( e ), com o primeiro dos anos em cada período como base A indústria e seus setores Entre 1991 e 1993, o PIB brasileiro aumentou 5,4% e o produto da indústria apenas 2,8%. No gráfico 6, a seguir, vemos o comportamento do produto da indústria e seus setores. O melhor desempenho foi o dos Serviços Industriais de Utilidade Pública (Siups), com crescimento de 12,2% no período, e o pior o da construção civil, que recuou 3,3%. 120 Gráfico 6 - Produto da Indústria Indústria - total Extrativa Mineral Transformação Construção Civil Serviços Industriais de Utilidade Pública Fonte: SCN/IBGE. Embora o desempenho do produto da indústria tenha sido ruim, pode-se perceber claramente um descolamento na variação do emprego formal, que apresenta resultados bem piores (gráfico 7). O emprego na indústria recua 11,3%, com resultado ainda pior para a indústria de transformação (diminuição de 12,4% no número de empregados formais) e para a extrativa mineral (com diminuição de 11,8%). 29 Os dados agregados da Rais, entretanto, mantêm total comparabilidade.

29 Gráfico 7 - Emprego formal na indústria Indústria total Extrativa mineral Transformação Construção Civil Serviços Industriais de Utilidade Pública Fonte: Rais/MTE. Como regra, pode-se dizer que esse padrão de descolamento entre variação do produto e variação do emprego mantém-se entre 1995 e Em relação a 1994, o produto da indústria varia 6,6% até 1999 enquanto o emprego formal cai 8,6%. O comportamento é monotônico: até 1999, há variação positiva do produto para todos os setores da indústria mesmo para a indústria de transformação, que registra baixo crescimento (1,6%). Os destaques positivos do setor correm novamente por conta dos Siups (aumento de 28,8%) e também por conta da extrativa mineral (25,2%). 160 Gráfico 8 - Produto da Indústria Indústria - total Transformação Serviços Industriais de Utilidade Pública Extrativa Mineral Construção Civil Fonte: SCN/IBGE. Curiosamente, são exatamente os setores da indústria extrativa mineral e dos Siups que registram maiores quedas no emprego formal até 1999, com redução, respectivamente, de 22% e 27% no estoque de empregados celetistas em relação

30 30 a 1994 (gráfico 9). Pode-se considerar que o descolamento entre a variação do produto e a variação do emprego, ao menos nos Siups, sofreu o efeito do processo de privatização ocorrido ao longo dos anos 1990, que resultou em forte racionalização do emprego. O emprego global da indústria no período flutuou negativamente 8,6%, valor próximo ao da indústria de transformação (-8%). Gráfico 9 - Emprego formal da Indústria Indústria total Extrativa mineral Transformação Serviços Industriais de Utilidade Pública Construção Civil Fonte: Rais/MTE. O ano de 1999 parece ser um momento de inflexão, tanto no produto quanto, especialmente, no emprego formal (cf. destaque no gráfico 9), e no período seguinte ( ) isso fica bastante caracterizado. Bem de acordo com os que indicam o efeito da mudança do regime cambial na produção e também no emprego, o comportamento da indústria passa a ser outro: seu produto apresenta crescimento, entre 2000 e 2004, de 13,6% (ante 6,6% no período ). Essa mudança é especialmente sensível na indústria de transformação, cujo produto, tendo crescido apenas 1,6% entre 1995 e 1999, varia 19,7% no último período. O setor das extrativas minerais apenas mantém o desempenho do produto no mesmo nível do período anterior, enquanto os Siups e a construção civil apresentam resultados relativamente piores. Seja como for, o desempenho do emprego formal na indústria muda completamente. Enquanto no período anterior a indústria eliminava 8,6% dos seus empregos formais, entre 2000 e 2004 o emprego formal subiu 24,1%, substantivamente mais que o próprio produto. O setor de maior destaque é o da indústria extrativa mineral, que apresentou variação do emprego formal de 40% no último período, seguido pelo da indústria de transformação, com crescimento de 28,8% no estoque de trabalhadores celetistas. Embora, nesse último período, o emprego formal nos Siups e na construção civil tenha crescido bem menos que a média do setor, deve-se registrar que no caso dos Siups a variação do emprego formal (7,9%) ficou muito próxima da variação do produto (8,9%) e, no caso da

31 31 construção civil, o emprego formal apresentou variação positiva de 6,4% mesmo diante de um recuo do produto (-1,8%). Em outras palavras, parece haver, de fato, uma mudança de comportamento tanto do produto quanto, especialmente, do emprego formal após No caso do emprego, a indústria de transformação é a primeira a apresentar resultados (uma vez que no próprio ano de 1999 se percebe a reação), enquanto nos Siups e na extrativa mineral a mudança na trajetória do emprego é perceptível a partir de Agropecuária Parte da análise feita anteriormente, para a indústria, serve também para a agropecuária muito embora haja, aqui, diferenças dignas de nota. A principal diferença decorre do fato de que a abertura comercial do início da década não afetou o setor agropecuário, que se encontrava, até 1993, em pleno processo de formalização do emprego 30 (cf. gráfico 10). Com efeito, para uma variação do produto agropecuário de 6,2% entre 1991 e 1993, houve uma variação no emprego celetista de 36,1%. 140 Gráfico 10 - Agropecuária - produto e emprego formal Agropecuária - produto Agropecuária - emprego Fonte: SCN/IBGE e Rais/MTE. No período seguinte ( ), a variação do produto (+16,8%) passa a ser substantivamente superior à do emprego (+6,5%), mostrando que o setor sofreu o impacto da combinação entre abertura econômica e moeda valorizada. 30 Não parece haver possibilidade das mudanças na Rais terem afetado os dados da agropecuária nos primeiros anos da década de Com efeito, o número de empregados celetistas declarados como pertencendo a outros setores/ignorado sobe entre 1990 e 1993 (ano no qual atinge 2,3 milhões). É entre 1993 e 1994 que se registra forte queda nesses trabalhadores, que são incorporados aos diversos setores, notadamente à agricultura.

32 32 Entre 2000 e 2004, entretanto, a maior proteção dada pela mudança no regime cambial parece ter tido efeitos positivos tanto na produção quanto no emprego, da mesma maneira ocorrida na indústria (cf. gráfico 11). Assim, o produto variou +25,4% (bem mais que o período anterior) e o emprego formal subiu ainda mais (26,2%). Em outras palavras, os setores que, teoricamente, mais seriam afetados pela combinação entre abertura econômica e moeda valorizada (indústria e agropecuária) apresentam comportamento relativamente semelhante (especialmente no período ) e reagem da mesma maneira (maior dinamismo tanto do produto quanto, especialmente, do emprego formal) a partir da mudança do regime cambial, ocorrida em janeiro de 1999 (cf. destaque no gráfico 11). 160 Gráfico 11 - Agropecuária - produto e emprego formal Agropecuária - produto Agropecuária - emprego Fonte: SCN/IBGE e Rais/MTE. 3.3 Serviços O comportamento do produto e do emprego formal no setor de serviços e nos seus subsetores apresenta diferenças significativas em relação ao observado na indústria e na agropecuária. Previsivelmente, o advento do Plano Real em 1994 e a mudança do regime cambial em 1999 parecem ter tido poucos efeitos, se houve algum, nesse setor. Aqui, o principal fator parece ter sido o desempenho econômico relativamente fraco do início dos anos O produto no setor de serviços variou apenas 2,4% entre 1991 e 1993 (gráfico 12), e apenas um dos subsetores apresentou forte desempenho (comunicações, que cresceu 38,5%).

33 33 Gráfico 12 - Produto dos serviços Serviços - total Comércio Transporte Comunicações Instituições Financeiras Aluguel de Imóveis Fonte: SCN/IBGE. Nesse mesmo período, o emprego formal nos serviços apresenta seu pior desempenho (recuo de 11,8%). Nenhum dos subsetores apresenta variação positiva do emprego formal (gráfico 13). 31 Gráfico 13 - Emprego formal nos serviços Serviços - total Comércio Instituições financeiras Transportes e comunicaçoes Aluguel de imóveis Fonte: Rais/MTE. A partir de 1995, o desempenho do produto melhora em termos relativos (gráfico 14). Entre 1995 e 1999, o produto dos serviços cresce 9,4% e, entre 2000 e 2004, varia +11,6%. O destaque, novamente, é o setor de comunicações, cujo produto varia, entre 1995 e 2004, 144,8%. Apenas o subsetor das instituições financeiras, 31 Registre-se, aqui, que a Rais apresenta os dados de emprego para os subsetores de transporte e comunicações de maneira agregada, o que impede o cálculo das elasticidades e dificulta a comparação gráfica.

34 34 em processo de reestruturação a partir de 1994, tem desempenho discreto (-3,4% entre 1995 e 1999 e +12,3% entre 2000 e 2004) Gráfico 14 - Produto dos serviços Serviços - total Comércio Transporte Comunicações Instituições Financeiras Aluguel de Imóveis Fonte: SCN/IBGE. O desempenho do emprego formal nos serviços (gráfico 15) também muda de comportamento já no subperíodo de 1995 a 1999, com crescimento de 24,1% desempenho praticamente repetido entre 2000 e 2004 (crescimento de 25,6%). Entre os subsetores, destaque positivo para o de aluguel de imóveis (com crescimento acumulado entre 1995 e 2004 de 96,5%) e comércio (variação de +78%) e negativo para transportes e comunicações (crescimento de 0,8% entre 1995 e 1999 e de 19,3% entre 2000 e 2004) e para instituições financeiras (variação para todo o período de -18,1%, embora tenha havido discreta recuperação no último subperíodo, de +8,5%). Gráfico 15 - Emprego formal nos serviços Serviços - total Instituições financeiras Transportes e comunicaçoes Comércio Aluguel de imóveis Fonte: Rais/MTE.

35 35 Assim, confirma-se a especificidade dos serviços (em relação à agropecuária e à indústria) no que diz respeito ao comportamento do produto e do emprego formal, especialmente no período de apreciação do Real: nos serviços, o produto tem um desempenho discreto no primeiro subperíodo ( ), que melhora nos dois subperíodos seguintes ( e ); por sua vez, o emprego formal, que apresenta resultado ruim no primeiro subperíodo, reage fortemente nos dois subperíodos seguintes. Há, entretanto, certa discrepância entre a reação do produto no segundo e no terceiro subperíodos (que é moderada) e a reação do emprego formal (que é substantivamente forte), indicando que outros elementos devem concorrer para explicar o desempenho do mercado de trabalho formal a partir de Retomaremos esse ponto na seção As Elasticidades Emprego-Produto 32 Para o cálculo das elasticidades, foram utilizadas duas estratégias. A primeira: procurar mensurar as elasticidades para todo o emprego (formal e informal), a partir de dados da Pnad/IBGE. Embora a Pnad fosse, à primeira vista, a melhor fonte de informações para as variações do emprego (na medida em que permite levar em conta as variações do emprego informal, algo que a Rais não permite; e tem abrangência nacional, ao contrário da PME ou da PED), há algumas descontinuidades na série que poderiam induzir ao erro. A primeira das descontinuidades está relacionada às projeções populacionais realizadas a partir do Censo de 1991 e que foram utilizadas para a expansão da amostra da Pnad até O Censo de 2000 possibilitou a correção das projeções e o IBGE providenciou o recuo das constatações do Censo 2000 para a Pnad 1999, reponderando os pesos utilizados na expansão da amostra. Esse recuo, entretanto, não se estendeu a 1998, de maneira que há uma descontinuidade entre esses anos. 32 A elasticidade emprego-produto mede a sensibilidade do emprego às variações no produto, o que permite dizer que para cada um ponto percentual de variação no produto, espera-se uma variação de tantos % no emprego. Formalmente, consiste no quociente da variação percentual no emprego pela variação percentual no produto. Existem vários métodos para calcular/estimar as elasticidades emprego-produto, muitos que utilizam de importantes recursos econométricos, porém, para os efeitos das análises efetuadas neste documento, os cálculos das elasticidades foram desenvolidos da forma mais singular, dividindo-se a variação observada no emprego para o período em análise pela variação registrada no produto para o mesmo período (também conhecido como cálculo da elasticidade no arco arc elasticity). A preocupação neste estudo não é com a precisão das estimativas das elasticidades, sua estabilidade estrutural, suas propriedades econométricas, mas sim em analisar a evolução combinada do emprego e do produto para diferentes subperíodos, a fim de identificar a evolução no tempo e as tendências atuais dessa relação.

36 36 Em contrapartida, houve também alteração nos grupamentos de atividade principal do empreendimento no trabalho principal entre 2001 e 2002, o que dificultaria a abertura setorial dos dados. Sendo assim, optou-se por fazer o cálculo das elasticidades (com abertura do emprego formal e informal ) 33 a partir dos dados da Pnad, para os períodos (que compreenderia um período de abertura da economia brasileira e, a partir de meados de 1994, também de estabilização monetária) e (período posterior à mudança do regime cambial de 1999). Para os dados da Pnad não houve abertura setorial. A segunda estratégia voltou-se para o cálculo das elasticidades setoriais e por gênero na indústria de transformação, que foi feito com base nos dados da Rais/MTE (empregos celetistas), compreendendo três subperíodos: ; ; e Para os gêneros da indústria de transformação, o dado chega até o ano de 2003, quando houve descontinuidade da classificação utilizada pelo Sistema de Contas Nacionais/IBGE. Ressalte-se, novamente, a descontinuidade do dado setorial da Rais entre 1994 e As elasticidades baseadas nos dados de emprego da Pnad mostram que o segundo subperíodo apresenta elasticidades muito maiores que o primeiro (cf. tabela 1). Com efeito, entre 1992 e 1998, o emprego demonstrou muito pouca sensibilidade às variações do produto e isso é válido tanto para o emprego formal quanto para o emprego informal. No segundo subperíodo, há uma forte reação do emprego, que demonstra maior sensibilidade às variações do produto. Embora esse aumento de sensibilidade também seja perceptível no caso do emprego informal, é o emprego formal o maior beneficiário indicando claro processo de formalização da força de trabalho nos últimos anos. 33 Cf. o critério utilizado no gráfico 2.

37 37 Tabela 1 - Variações do produto e do emprego e elasticidades Variações PIB 22,9% 7,5% Emprego formal* 7,6% 13,8% Emprego informal** 6,6% 6,5% Emprego total*** 7,0% 10,2% Elasticidades Emprego formal 0,3 1,8 Emprego informal 0,3 0,9 Emprego total 0,3 1,4 Fonte: Pnad e Contas Nacionais/IBGE. * Empregados com carteira, militares, estatutários, domésticos com carteira e empregadores. ** Empregados sem carteira, domésticos sem carteira, autônomos e trabalhadores não-remunerados. Pode-se dizer, assim, que a retomada do emprego formal, especialmente a partir da mudança do regime cambial de 1999, é o fenômeno de maior destaque recente no mercado de trabalho brasileiro o que justifica uma avaliação setorial das elasticidades emprego formal-produto setoriais (tabela 2). Os dados da Rais/MTE, utilizados para o cálculo das elasticidades emprego formal-produto setoriais, guardam sólida conformidade com os dados da Pnad/IBGE. Não se estranha, portanto, o fato de as elasticidades encontradas com a utilização das duas pesquisas para toda a economia serem compatíveis ainda que os subperíodos analisados não sejam idênticos. O pior subperíodo foi, sem dúvida, o do início da década de 1990, profundamente afetado pelo mau desempenho do produto na indústria e nos serviços e por forte racionalização no emprego formal. A exceção é a agropecuária, que apesar do modesto desempenho do produto tem uma evolução muito favorável do emprego. Nesse primeiro subperíodo, destaque para o fato de que todos os subsetores da indústria e dos serviços abaixo considerados têm resultados negativos para o emprego. Dessa maneira, as elasticidades positivas da extrativa mineral e da construção civil, na indústria, e das instituições financeiras, nos serviços, decorrem do fato de que tanto o produto quanto o emprego formal variaram negativamente. O subperíodo seguinte ( ), no qual se combinam a abertura comercial iniciada no início dos anos 1990 com a apreciação da moeda ocorrida após 1994, é marcado por uma brutal queda nas elasticidades da agricultura e pela continuidade do ajustamento na indústria. Para os serviços, entretanto, relativamente protegidos dos efeitos do câmbio, os resultados já são muitos

38 38 positivos e, pode-se inferir, marcados pelo início de um processo de formalização do emprego. As elasticidades negativas da indústria correspondem a resultados positivos do produto e negativos do emprego. Nos serviços, o subsetor destoante é o das instituições financeiras, cujo processo de racionalização do emprego na verdade se acentua fortemente entre 1995 e Assim, a alta elasticidade positiva encontrada (7,18) deve-se ao desempenho negativo do produto no subsetor. No terceiro subperíodo, registra-se um claro processo de formalização do trabalho, com elasticidade emprego formal-produto de 1,83. A mudança do regime cambial torna a situação significativamente mais confortável para a agricultura (com elasticidade próxima à unidade) e para a indústria. Nos serviços, o processo de formalização segue na seqüência do subperíodo anterior. Tabela 2 Elasticidades emprego formal-produto Emprego formal total/pib total -1,18 0,64 1,83 Agropecuária total 5,78 0,39 1,03 Indústria total -4,07-1,30 1,77 Serviços total -4,92 2,57 2,21 Indústria Extrativa Mineral 3,85-0,87 1,62 Indústria de Transformação -3,13-5,03 1,46 Siup -0,37-0,94 0,89 Construção 2,16-0,29-3,61 Serviços Comércio -2,36 3,22 3,86 Instituições Financeiras 0,97 7,18 0,69 Aluguel de Imóveis -0,38 3,17 4,34 Adm. Pública -5,80-0,40-6,39 Fonte: Contas Nacionais/IBGE e Rais/MTE. O destaque, na indústria, passa a ser a construção civil, que apesar do resultado negativo no produto apresenta resultados positivos no emprego formal (por isso a elasticidade negativa de -3,61). Nos serviços, além da continuidade do processo de formalização já observado, há recuperação do emprego até mesmo nas instituições financeiras, mostrando que o subsetor superou o ciclo de forte racionalização do emprego do subperíodo anterior Para as variações do emprego (Rais/MTE) e do produto (SCN/IBGE), cf. anexo. 35 Os resultados negativos da administração pública não serão objeto de análise neste trabalho, visto que a contratação de trabalhadores pela CLT pelos governos federal, estaduais e municipais tem lógica muito específica. Não se deve descartar, entretanto, a hipótese de que

39 39 Para a avaliação das elasticidades emprego formal-produto dos gêneros da indústria de transformação, seguiu-se a divisão feita por Bonelli (1996) entre seus setores dinâmicos (com maior capacidade de expansão em médio e longo prazos) e tradicionais (via de regra, intensivas em recursos naturais e mão-deobra pouco qualificada). O primeiro subperíodo dos gêneros dinâmicos é marcado por forte recuo no emprego formal, sem exceção. Assim, as elasticidades positivas encontradas em materiais plásticos, indústria química, material elétrico e de comunicações e indústria mecânica devem-se ao fato de que o produto também variou negativamente. A alta elasticidade encontrada para a indústria metalúrgica devese a uma variação muito pequena do produto. No segundo subperíodo, persistem as variações negativas no emprego formal para os gêneros dinâmicos, com exceção dos materiais plásticos e da indústria do papel e do papelão, que apresentam elasticidades de 0,48 e 0,87, respectivamente. Assim, as elasticidades positivas encontradas nos demais gêneros indicam variação do produto também negativa. Mais uma vez, a elasticidade da indústria metalúrgica aparece com alto valor em decorrência do fato de a variação do produto, ao longo de todo o subperíodo, ter sido muito baixa. Finalmente, entre 2000 e 2003, para todos os gêneros dinâmicos, o resultado do emprego formal é positivo, sem exceção. As elasticidades positivas encontradas, assim, refletem uma saudável relação entre variações positivas do produto e do emprego formal. No caso da indústria de materiais plásticos, a elasticidade negativa decorre da variação negativa do produto, uma vez que o emprego formal teve alta no período. Para os gêneros dinâmicos, portanto, pode-se dizer que apenas no terceiro subperíodo foi superada a tendência de racionalização do emprego formal. O primeiro período dos gêneros tradicionais também é marcado por forte racionalização no emprego formal, exceção feita à indústria do fumo (cujo emprego formal praticamente não varia) e à de bebidas, no qual o emprego formal apresenta discreto crescimento. Nos demais gêneros, a racionalização é relativamente forte, com destaque (negativo) para a indústria têxtil (na qual o emprego formal variou -33,6% no subperíodo ) e a dos minerais nãometálicos (-27%). As elasticidades positivas dos gêneros dos vestuários e calçados, da indústria têxtil, da farmacêutica e dos minerais não-metálicos, portanto, decorrem de uma variação negativa no emprego formal e no produto. No segundo subperíodo, os gêneros de produtos alimentares, de perfumaria, couros e peles, mobiliário e de minerais não-metálicos já apresentam evolução parte dos trabalhadores celetistas contratados por governos (em grande medida vinculados à educação) esteja sendo substituída por servidores públicos concursados.

40 40 positiva no emprego formal. No caso da indústria de couros e peles, portanto, a elasticidade negativa deve-se a uma variação negativa do produto. Por sua vez, as elasticidades positivas da indústria do fumo, de vestuário e calçados e da têxtil decorrem de variações negativas tanto do emprego formal quanto do produto. Já se pode perceber, entretanto, que o segundo subperíodo foi mais marcado pela racionalização do emprego, no caso das indústrias dinâmicas, que no caso das indústrias tradicionais. Finalmente, o terceiro subperíodo é marcado por uma retomada no emprego formal por praticamente todos os gêneros das tradicionais exceção da indústria do fumo. E isso ocorre em um período em que diversos gêneros (bebidas, vestuário e calçados, têxtil, farmacêutico e minerais não-mecânicos) apresentam variações negativas do produto por isso as elasticidades negativas aí encontradas. Em relação aos gêneros dinâmicos, a racionalização do emprego formal no segundo subperíodo foi menos forte para as indústrias tradicionais. A mudança do regime cambial, cujos efeitos são perceptíveis a partir do terceiro subperíodo, parece ter afetado menos positivamente o produto dos gêneros tradicionais da indústria de transformação que o produto dos gêneros dinâmicos.

41 41 Tabela 3 Elasticidades Emprego Formal-Produto para Gêneros da Indústria de Transformação Gêneros dinâmicos Plástico 5,91 0,48-1,05 Química 6,16-1,48 3,79 Borracha -2,29 22,49 0,97 Papel e papelão -2,51 0,87 0,87 Material de transporte -1,30 2,29 0,46 Material elétrico e de comunicação 5,14 3,92 1,17 Mecânica 7,33 0,72 0,42 Metalúrgica -30,23-21,40 0,66 Gêneros tradicionais Fumo 0,03 2,38-6,79 Bebidas 0,52-0,57-3,92 Produtos alimentares -2,43 1,11 3,91 Vestuário, calçados 1,47 0,67-2,43 Têxtil 15,38 1,22-0,91 Perfumaria, sabões e velas -0,18 3,51 9,23 Farmacêutica 5,20-0,31-1,58 Couros e peles * -1,01-0,21-2,07 Mobiliário * -1,58 1,83 4,20 Madeira * -1,23-0,96 5,16 Minerais não-metálicos 11,40 0,44-1,24 Fonte: Contas Nacionais/IBGE e Rais/MTE. * Para os gêneros assinalados, o primeiro período é de A relação entre elasticidade e produtividade do trabalho Existe uma identidade aritmética fundamental que relaciona a elasticidade emprego com a produtividade do trabalho, que é dada por: Y = E x P, onde Y é o produto, E o emprego e P a produtividade laboral (produto por trabalhador). Dessa forma, alterações no produto resultam de variações no emprego e na produtividade: ΔY = ΔE x ΔP. Desta identidade, obtemos que: ε = 1 (ΔP/ΔY). Ou seja, crescimentos na produtividade do trabalho reduzem a elasticidade emprego e vice-versa. As possíveis combinações entre elasticidade e produtividade do trabalho podem ser representadas da seguinte forma:

42 42 Crescimento do Produto (PIB) Elasticidade Emprego Variação positiva do PIB Variação negativa do PIB ε < 0 0 ε 1 - redução do emprego - aumento da produtividade - aumento do emprego - aumento da produtividade - aumento do emprego - redução da produtividade - redução do emprego - redução da produtividade - aumento do emprego - redução do emprego ε >1 - redução da produtividade - aumento da produtividade Fonte: Elaboração própria, com base em Kapsos (2005), p. 4. Ou seja, a única situação em que se pode conciliar crescimento da produtividade com elevação do emprego é quando a elasticidade emprego se encontra entre zero e um. Países com maiores níveis de desenvolvimento apresentam elasticidades emprego mais baixas, expressando níveis mais elevados de produtividade de suas economias. Por outro lado, economias em desenvolvimento tendem a apresentar elasticidades mais elevadas, em alguns casos superiores a 1, o que significa baixos níveis ou mesmo redução da produtividade do trabalho (economias mão-de-obra intensivas). Há estudos que indicam que as elasticidades emprego nas economias em desenvolvimento deveriam situar-se idealmente em torno de 0.7, antes de atingirem o status de países de renda média ou superior. Economias abundantes no fator trabalho, e especialmente aquelas com alta incidência de pobreza, necessitam alcançar uma intensidade emprego do crescimento mais elevada que aquelas menos abundantes neste fator. 36 As possíveis combinações entre as variações do produto e do emprego, e que nos expressam as relações entre a elasticidade emprego e a produtividade do trabalho, podem ser visualizadas no esquema a seguir: 36 Conforme Kapsos (2005), p. 5.

43 43 Emprego II ε < -1 (+) Emprego (-) Produtividade ε > 1 (+) Emprego (-) Produtividade I -1 ε 0 (+) Emprego (-) Produtividade 0 ε 1 (+) Emprego (+) Produtividade 0 ε 1 (-) Emprego (-) Produtividade -1 ε 0 (-) Emprego (+) Produtividade Produto III ε > 1 (-) Emprego (+) Produtividade ε < -1 (-) Emprego (+) Produtividade IV Fonte: Elaboração própria. O primeiro e o terceiro quadrantes do gráfico anterior são os que apresentam elasticidades emprego positivas, mas por razões distintas: no caso do primeiro quadrante, as elasticidades positivas resultam de combinações de variações positivas do produto e do emprego; se a elasticidade é maior que a unidade, significa que o crescimento do emprego é mais que proporcional ao crescimento do produto e que, portanto, a produtividade se reduz; se a elasticidade é inferior à unidade, então o emprego e a produtividade estarão crescendo ao mesmo tempo (quanto mais próxima à unidade, maior a resposta do emprego ao crescimento do produto e menor o crescimento da produtividade, e quanto mais próxima a zero, menos intensivo em emprego é o crescimento do produto, em razão de uma maior produtividade do trabalho); no caso do terceiro quadrante, as elasticidades positivas resultam de combinações negativas das variações do produto e do emprego; caso o emprego se reduza a um ritmo menor que o produto, então a produtividade também estará reduzindo-se; por outro lado, se o emprego cai mais que proporcionalmente à redução do produto, então a produtividade terá crescido, mesmo com a redução simultânea do produto e do emprego. O segundo e quarto quadrantes, por sua vez, correspondem a elasticidades negativas, resultantes de combinações de variações do produto e do emprego em sentidos contrários: no caso do segundo quadrante, o emprego aumenta, mesmo com a redução do produto, o que significa queda da produtividade; no caso do

44 44 quarto quadrante, o produto cresce, mas o emprego diminui, em razão de incrementos na produtividade laboral (processos de racionalização do emprego, fruto de ajustes produtivos regressivos). A situação ideal do ponto de vista do crescimento sustentado do emprego de qualidade em economias em desenvolvimento é a do primeiro quadrante, para elasticidades inferiores à unidade, mas que estejam mais próximas à unidade que a zero. Também podem ocorrer combinações setoriais interessantes: em setores expostos à concorrência internacional, elasticidades positivas, porém menores que a unidade, podem significar uma produtividade laboral mais ajustada aos padrões da concorrência internacional, e um crescimento sustentado do emprego de qualidade, ainda que de menor intensidade; por outro lado, setores orientados ao mercado interno podem apresentar elasticidades superiores à unidade, ou seja, uma elevada densidade emprego do crescimento do produto, cumprindo um papel fundamental em matéria de absorção de mão-de-obra. Portanto, uma determinada economia pode encontrar uma combinação ideal de elasticidades (intensidades emprego do crescimento do produto), que permita um nível adequado de competitividade em setores expostos à competição externa, e uma capacidade maior de absorção do desemprego e do subemprego em setores orientados ao mercado doméstico, em que os ganhos de produtividade podem ser mais moderados (o que não significa renunciar a melhores níveis de produtividade ao longo do tempo). Efetuadas essas considerações, vejamos a situação encontrada para as elasticidades emprego formal, para os diferentes setores de atividade econômica. O subperíodo , marcado pelo aprofundamento da abertura comercial, com a aceleração do cronograma de redução das tarifas aduaneiras e retirada de quase todas as barreiras não-tarifárias às importações, mostra acentuada racionalização no emprego formal em todos os subsetores da indústria e dos serviços. A exceção fica por conta da agropecuária, que não obstante o modesto desempenho do produto tem uma evolução bastante positiva do emprego. Especialmente no caso da indústria, a premência em reduzir os custos de produção para resistir à competição dos produtos importados implicou a adoção de estratégias de enxugamento por parte das empresas, que propiciou ganhos significativos de produtividade em curto período de tempo e sem exigir a realização de grandes investimentos (baixa propensão a investir no período). Ou seja, observa-se um fenômeno generalizado de obtenção de ganhos de produtividade com base no ajuste do emprego (ver gráfico 16). O subperíodo seguinte ( ), com a intensificação do processo de abertura comercial e liberalização econômica e a forte apreciação cambial, apresenta um quadro de continuidade do processo de ajuste do emprego na indústria, para sustentar ganhos de produtividade que garantissem maior competitividade externa, forte aumento da produtividade agrícola, conseqüentemente uma redução

45 45 da intensidade emprego neste setor, e reação da capacidade de absorção de empregos formais no setor terciário da economia, à exceção das instituições financeiras que aprofundam o ajuste do emprego (gráfico 17). Trata-se de um período marcado por forte elevação de fusões e aquisições, privatizações e participação estrangeira na formação de capital, com expansão do crescimento do montante de aquisições de bens de capital de origem estrangeira (destinados, sobretudo, à substituição do parque de máquinas existente e, em menor medida, à instalação de novas fábricas). O ajuste regressivo da indústria continua. Gráfico 16- Variações Emprego x Produto % Agropecuária 30.0% 20.0% Var. Emprego 10.0% -15.0% 0.0% Alug. Imóveis -10.0% -5.0% 0.0% 5.0% Total 10.0% Construção Comércio Inst. Financeiras -10.0% Indústria SIUP15.0% Extr. Mineral Serviços Ind. Transf % -30.0% -40.0% Var. Produto Adm. Pública Fonte: Elaboração própria, com base nos dados de Contas Nacionais/IBGE e Rais/MTE.

46 46 Gráfico 17 - Variações Emprego x Produto % 40.0% Alug. Imóveis Var. Emprego 30.0% 20.0% 10.0% Comércio Serviços Total Agropecuária 0.0% Adm. Pública Construção -10.0% -5.0% 0.0% 5.0% 10.0% 15.0% 20.0% 25.0% 30.0% 35.0% -10.0% Ind. Transf. Indústria -20.0% Inst. Financ % Extr. Mineral SIUP -40.0% Var. Produto Fonte: Elaboração própria, com base nos dados de Contas Nacionais/IBGE e Rais/MTE. No último subperíodo, por sua vez, a mudança do regime macroeconômico com a adoção de um câmbio flutuante leva a uma reação substantiva na capacidade de geração de emprego formal, especialmente na indústria e na agropecuária (gráfico 18). Observa-se, sobretudo a partir de 2002, uma aceleração das exportações associadas à melhora dos preços internacionais das commodities e à abertura de novos mercados para os produtos líderes da pauta exportadora, mais que uma melhora generalizada da competitividade. Os espaços para a racionalização produtiva na indústria chegam ao limite, levando a uma relativa estagnação no processo de modernização industrial.

47 47 Gráfico 18 - Variações Emprego x Produto % 40.0% 30.0% 20.0% ServiçosIndústria Total Extr. Mineral Transformação Agropecuária Var. Emprego 10.0% SIUP Inst. Financeiras Construção Alug. Imóveis Comércio 0.0% -5.0% 0.0% 5.0% 10.0% 15.0% 20.0% 25.0% 30.0% -10.0% -20.0% -30.0% -40.0% -50.0% Adm. Pública Var. Produto Fonte: Elaboração própria, com base nos dados de Contas Nacionais/IBGE e Rais/MTE. Um balanço da evolução da produtividade e do emprego formal, ao longo dos diferentes subperíodos analisados, mostra que o ajuste recessivo do emprego visà-vis os ganhos de produtividade de trabalho arrefeceu-se. A grande maioria dos setores analisados migrou dos quadrantes III e IV (racionalização acentuada do emprego formal) para o quadrante I, que expressa maior intensidade emprego do crescimento do produto, mas ainda sem apresentar uma combinação mais adequada entre expansão do emprego e produtividade, situação que seria representada pela localização dos distintos setores, em particular os setores expostos à competição internacional, na parte inferior do quadrante I. Ou seja, se a situação atual é favorável em termos de absorção de mão-de-obra no setor formal da economia, não se pode negligenciar o objetivo de uma maior competitividade autêntica baseada na elevação da produtividade, fundamental para o crescimento de longo prazo em contexto de economias abertas. 3.6 Conclusões parciais do comportamento do emprego formal e do produto Os dados examinados até aqui parecem indicar a correção da tese de Kupfer (2005), mencionada na parte I deste trabalho, qual seja, a de que a rápida liberalização comercial (no Brasil, ocorrida a partir do início dos anos 1990) tenderia a ter implicações fortemente negativas sobre o emprego. Essas implicações, como não poderia deixar de ser, foram muito sentidas nos setores produtores de tradables, para o qual contou não apenas a liberalização comercial, mas também o regime de âncora cambial adotado a partir de 1994.

48 48 A mudança do regime cambial, a partir de 1999, traz efeitos benéficos sobre o emprego formal e, pode-se dizer, faz a economia mesmo com restrições no ritmo do seu crescimento retomar um processo de formalização do mercado de trabalho. A esse respeito, cabe perguntar quais os efeitos que a recente valorização do Real teve sobre a produtividade e o emprego formal, especialmente no caso da indústria. Essa questão justifica-se porque, como regra, altas elasticidades em momentos de variação positiva do PIB representam diminuição da produtividade do trabalho. Outra questão relevante é a de como explicar o forte processo de formalização do emprego ocorrido nos serviços já a partir de 1994, sob condições econômicas subótimas. Antes de avaliar essas questões, entretanto, vale comparar os resultados apresentados nesta seção com os de outros países. 4. Comparações Internacionais Graças ao fato de possuir uma economia interna forte e sofisticada e de a parcela do comércio exterior ser relativamente pequena até recentemente, é a própria dinâmica da economia brasileira o fator explicativo aparentemente mais forte para a relação emprego-produto encontrada na última década e meia. Para uma breve comparação internacional, utilizamos os dados de Kapsos (2005) que, é preciso destacar, guarda diferenças de metodologia e período com os até aqui apresentados. Primeiramente, o cálculo de elasticidades aqui utilizado é o da arc elasticity, cuja equação, extremamente simples, consiste em sobrepor, como numerador, a variação do emprego à variação do produto, o denominador (cf. nota 32). Kapsos utiliza a técnica da point elasticity, que resulta de um modelo de regressão loglinear multivariado. Essa técnica tem a desvantagem de ser mais complexa e menos intuitiva, mas a vantagem de estabilizar as elasticidades, especialmente quando calculadas para períodos relativamente curtos. Uma segunda diferença é a periodização. Kapsos vale-se da periodização ; ; , com a qual teríamos dificuldades para trabalhar, por motivos já mencionados, relacionados às características da Pnad e da metodologia aqui utilizada. Dessa maneira, optamos, no caso do Brasil, por apresentar tanto as point elasticities calculadas por Kapsos (que mantém a consistência metodológica e temporal com os demais dados por ele apresentados) quanto as arc elasticities

49 49 para uma série temporal mais próxima possível da utilizada por ele. Esses dados estão dispostos na tabela 4. Em termos globais, a elasticidade emprego-produto na última década esteve na casa dos 0,3, tendo caído no último subperíodo pela redução da atividade econômica mundial de Em termos regionais, é no Oriente Médio e na África que são encontradas as maiores elasticidades para os períodos considerados o que, segundo o autor, reflete a abundância da oferta de mão-de-obra e o baixo crescimento da produtividade dos países aí situados. Por sua vez, o rápido crescimento econômico dos países da Ásia e do Pacífico tem permitido à região manter fortes ganhos de produtividade, contribuindo para aumentar o padrão de vida e ao mesmo tempo sustentar robustos crescimentos da ocupação. Europa ocidental e América do Norte parecem apresentar trajetórias opostas de elasticidade emprego-produto e em várias outras regiões, incluindo a América Latina, os resultados parecem compatíveis com as mudanças econômicas estruturais ocorridas no período. O Brasil, por sua vez, apresenta uma trajetória própria para as elasticidades emprego-produto. Enquanto na América Latina e no Caribe as elasticidades caem no último período, em relação ao segundo, no Brasil ela apresenta crescimento de 0,50 para 0,68 (point elasticity). O mesmo movimento é observado quando se considera as arc elasticities brasileiras embora, como esperado, estes últimos dados apresentem maior variação. Internacionalmente, apenas o Sudeste Asiático/Pacífico e Austrália/Nova Zelândia apresentam movimentos com intensidade comparável ao das elasticidades brasileiras no último período.

50 50 Tabela 4 Elasticidades emprego-produto Global 0,34 0,38 0,30 Economias desenvolvidas Europa Ocidental -0,09 0,36 0,42 América do Norte 0,67 0,44 0,23 Japão 0,34 0,20-0,24 Austrália e Nova Zel. 0,55 0,35 0,57 Economias em transição Europa Central e Oriental 0,24 0,01-0,19 CIS 0,19 0,28 0,18 Ásia e Pacífico Ásia Oriental 0,14 0,14 0,18 Sudeste Asiático e Pacífico 0,39 0,20 0,42 Sul da Ásia 0,40 0,49 0,36 América Latina e Caribe América Latina 0,65 0,70 0,45 Caribe 0,43 0,37-0,42 África e Oriente Médio Oriente Médio 1,10 1,29 0,91 Norte da África 0,30 0,74 0,51 África Sub-Saariana 0,73 0,82 0,53 Brasil (Kapsos point elasticity) 0,54 0,50 0,68 Brasil (arc elasticity)* 0,41 0,07 1,27 Fonte: Kapsos, The employment intensity of growth (2005). * Fonte: Pnad/IBGE. Períodos ; ; A variação positiva das elasticidades brasileiras, no último período, poderia levantar a suspeita de que os fortes ganhos de produtividade do trabalho observados ao longo dos anos 1990 não se estariam repetindo. Colaboraria, para isso, uma situação cambial que garantiria relativa proteção da indústria e da agricultura. Como o cenário cambial voltou a se modificar nos últimos dois anos, essa questão merece avaliação específica, que será realizada na próxima seção. 5. Os efeitos da recente valorização do Real Como os dados da Rais, aqui examinados, vão até 2004, é útil verificar o que ocorreu com a produtividade da indústria (por meio da Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física - Pimpf e da Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário - Pimes do IBGE), bem como o emprego celetista no ano de 2005, por meio do Caged/MTE.

51 51 Ao longo dos anos 1990, houve forte crescimento da produtividade do trabalho na indústria de transformação (que poderia ser tomada como uma proxy da produtividade da economia como um todo), tido como um dos pontos positivos da abertura econômica ocorrida a partir do início da década (Neves et al., 2000). Os dados da Pimpf e da Pimes/IBGE parecem sugerir que a mudança do regime cambial fez que a forte tendência de crescimento da produtividade se arrefecesse nos primeiros anos da década de 2000, voltando a subir a partir da nova valorização do Real ocorrida a partir de Esse movimento (de arrefecimento do crescimento da produtividade no início dos anos 2000 e de retomada do crescimento da produtividade a partir de 2004 e 2005, quando o Real volta a se valorizar), claramente perceptível na indústria como um todo, é ainda mais sensível na indústria de transformação (cf. gráficos 19 e 20). Assim, durante o período , nota-se uma relativa estabilidade da ocupação e do número de horas pagas na indústria como um todo e também na indústria de transformação. Os anos de 2004 e 2005, entretanto, registram forte crescimento da produção, com modesta reação do emprego, indicando aumento da produtividade do trabalho e menor sensibilidade do emprego às variações do produto. 120 Gráfico 19 - Produção física, ocupação e horas pagas na indústria (média de 2001 = 100) Produção Ocupação Horas pagas Fonte: Pimpf e Pimes/IBGE.

52 Gráfico 20 - Produção física, ocupação e horas pagas na ind. transformação (médias anuais, 2001 = 100) Produção Ocupação Horas pagas Fonte: Pimpf e Pimes/IBGE. Em que medida esse quadro é compatível com o encontrado ao longo da década de 1990, durante o período de utilização do regime de âncora cambial? Embora ainda seja cedo para afirmar, esse novo ciclo de ganhos de produtividade da indústria de transformação não parece estar associado aos processos de enxugamento de produtos e processos, com pesadas implicações negativas sobre o emprego, de que fala Kupfer (2005), e que foram responsáveis pela dura situação de emprego ao longo da década de Além disso, depois da queda dos rendimentos reais na indústria entre 2001 e 2003, ocorreu a previsível retomada dos rendimentos a partir de 2004, ano em que os ganhos de produtividade do trabalho voltam a aparecer de forma clara (cf. gráficos 21 e 22). Gráfico 21 - Folha de pagamento real por trabalhador na indústria (médias anuais - jan/01=100) Fonte: Pimpf e Pimes/IBGE Gráfico 22 - Folha de pagamento real por trabalhador na ind. transformação (médias anuais - jan/01=100) Fonte: Pimpf e Pimes/IBGE. Deve-se registrar, entretanto, que o desempenho do emprego celetista, em 2005, é inferior ao de 2004 (cf. tabela 4) Registrem-se diferenças entre os dados da Pimes/IBGE (gráficos 16 e 17) e do Caged/MTE (tabela 4), dadas as diferenças metodológicas existentes entre a pesquisa amostral do IBGE e o registro administrativo do MTE.

53 53 Embora o PIB de 2005 também tenha sido inferior ao de 2004 (razão pela qual seria de se esperar um desempenho do emprego formal também inferior), as maiores diferenças na geração do emprego, de um ano para o outro, ocorrem exatamente nos setores sensíveis à variação cambial (indústria de transformação e agricultura). Em 2004, a indústria de transformação registra um aumento de 9,36% no emprego celetista, contra 3,01%, em Também em 2005, dois gêneros da indústria de transformação (madeira e mobiliário; calçados) apresentam forte variação negativa (-4,55% e -5,08%, respectivamente). Por sua vez, o emprego celetista na agricultura varia 6,59%, em 2004, e -1%, em Esses dados constituem um recuo em relação aos excelentes resultados obtidos nos primeiros anos da década de 2000 mas não podem ser confundidos com os resultados do emprego formal de meados dos anos 1990, muitas vezes negativo para toda economia (e fortemente negativo para alguns setores específicos) Ao longo da década de 1990, por exemplo, a indústria de transformação apresenta resultados negativos em sete anos e resultados positivos em apenas três.

54 54 Tabela 5 Emprego celetista segundo setores e subsetores ( ) SETORES Sentido Saldo % Saldo % Total , ,09 1. Extrativa , ,24 2. Indústria de transformação , ,01 Minerais não-metálicos , ,18 Metalúrgica , ,75 Mecânica , ,61 Material elétrico e comunicação , ,74 Material de transporte , ,18 Madeira e Mobiliário , ,55 Papel, papelão e editor , ,62 Borracha, fumo, couros , ,25 Química, farmacêutica, veterinário , ,38 Têxtil, vestuário , ,62 Calçados , ,08 Produtos alimentares e bebidas , ,03 3. SIUPs , ,43 4. Construção Civil , ,44 5. Comércio , ,98 Comércio varejista , ,06 Comércio atacadista , ,52 6. Serviços , ,87 Instituições financeiras , ,78 Administração de imóveis , ,00 Transporte e comunicações , ,99 Aloj., alimentação, reparo e manut , ,47 Médicos e odontológicos , ,97 Ensino , ,19 7. Administração Pública , ,07 8. Agricultura e silvicultura , ,00 Fonte: CagedCAGED/MTE. A análise dos dados de emprego da Pnad, em face das variações do Produto, torna o quadro um pouco menos claro. A mudança que a Pnad teve na classificação dos ramos de atividade do emprego principal torna possível essa comparação para o período (cf. tabela 6).

55 55 Com efeito, percebe-se um ganho de produtividade na agropecuária, mas não na totalidade dos ramos da indústria, nos quais a produtividade permanece estável (variação de 9,4% no emprego e 8,9% no produto). Por sua vez, o terciário registra queda de produtividade (com variação de 10,5% no total emprego e 6,1% no produto). Tabela 6 Produtividade segundo grandes setores econômicos Agropecuária Emprego total ,64 101,06 103,15 Produto ,49 110,01 110,86 Prod/Emprg ,80 108,86 107,48 Indústria Emprego total ,32 105,28 109,40 Produto ,07 106,25 108,93 Prod/Emprg ,76 100,93 99,57 Serviços Emprego total ,94 107,12 110,50 Produto ,61 103,95 106,06 Prod/Emprg ,73 97,04 95,98 Fonte: SCN/IBGE; Pnad/IBGE. Elaboração própria. Nota 1: Foram considerados todos os trabalhadores dos grandes setores, com 10 ou mais anos de idade, independentemente do vínculo. Nota 2: Em nenhum dos anos foi considerada a zona rural da região Norte. Embora seja prematura a realização de qualquer análise mais definitiva, o ciclo econômico atual parece a despeito da semelhança no que diz respeito à valorização da moeda nacional significativamente diferente daquele que teve vigência ao longo da década de Não se assiste, assim, à forte racionalização do emprego; há sinais de retomada dos ganhos de produtividade na agricultura e, ao menos se levados em conta os dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) e Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salários (Pimes)/IBGE, também na indústria, bem como do rendimento do trabalho, que talvez possam ser expandidos para toda a economia, na medida em que a dinâmica da agricultura e da indústria pode dar sustentação para um bom desempenho do setor terciário. Este possível novo ajuste de produtividade na indústria e na agricultura, que talvez guarde relações com a recente valorização do Real, provavelmente está relacionado com a incorporação de novas tecnologias, pela importação de bens de capital e pela expansão dos ativos fixos, e não com estratégias regressivas, essencialmente poupadoras de mão-de-obra. Em casos como esses, embora a quantidade de emprego por unidade de produto seja menor, não se trata de um novo processo de acentuada racionalização de postos de trabalho, mas bem um

56 56 movimento para uma combinação produtividade-emprego mais adequada à competitividade externa, associada a uma também mais adequada combinação setorial, ou seja: maior produtividade e menor capacidade de geração de empregos nos setores tradables e menor produtividade e maior absorção em setores no tradables. Tal situação pode abrir espaço para um crescimento mais sustentado dos salários reais na indústria, com efeitos positivos para a economia como um todo. Dados os excelentes resultados no emprego formal encontrado nos serviços, vale perguntar quais fatores adicionais poderiam interferir no desempenho que o setor apresenta já a partir de meados da década de Outros fatores explicativos para a retomada do emprego A mudança do regime cambial ocorrida em 1999 parece ter produzido impactos claros na geração de empregos, em geral, e na geração de postos de trabalho formais, em particular, para a agricultura e a indústria setores que mais sofreram com a rápida abertura comercial do início dos anos 1990 e com a valorização da moeda graças ao regime de âncora cambial, a partir de meados de Como vimos, as elasticidades para esses setores aumentam significativamente. No caso dos serviços e seus vários subsetores, entretanto, o processo de formalização inicia-se antes e, já no subperíodo , as elasticidades são muito altas. É compreensível que o setor não sofra, como subsetores específicos da indústria, bem como a agricultura, os mesmos impactos da abertura comercial e do câmbio sobre a capacidade de geração do emprego, visto não produzir tradables. Como explicar, entretanto, o processo de formalização ocorrido na segunda metade da década de 1990? Duas medidas (uma de cunho legal, outra de cunho administrativo) são encontradas na literatura como possíveis explicações para o fenômeno. A primeira delas, como destacam Pastore (2000) e Cechin e Fernandes (2000), é a criação do Simples (pela Lei n /1996). Graças à redução da carga tributária das micro e pequenas empresas e à simplificação do pagamento de impostos, o Simples teria contribuído para a formalização de pequenos empreendimentos e, assim, do registro de empregados. O sistema foi adotado em janeiro de Antes dessa adoção, o conjunto de empresas que se enquadravam na opção pelo Simples registrava por meio da GFIP 773 mil vínculos formais. Em 1999, o número de vínculos havia saltado para mais de 3,5 milhões. Cechin e Fernandes (2000) atribuem essa variação (de aproximadamente 2,7 milhões de vínculos) menos à geração de novos empregos que à formalização dos vínculos já existentes.

57 57 Os dados da Rais também registram variação importante no número de vínculos em estabelecimentos de pequeno porte (aqui considerados os estabelecimentos com número de empregados de 1 a 19), mas de magnitude bastante inferior ao indicado por Cechin e Fernandes. Com efeito, entre dezembro de 1996, imediatamente antes da implantação do Simples, e dezembro de 1999, foi gerado 1,16 milhão de vínculos formais 976 mil dos quais em micro e pequenos estabelecimentos (1 a 19 empregados). Esses estabelecimentos, portanto, foram responsáveis por 84% dos empregos formais registrados nesse período. Apenas para efeito de comparação, destaque-se que entre dezembro de 1999 e dezembro de 2004 os pequenos estabelecimentos foram responsáveis pela geração de apenas 28% dos postos de trabalho formais absolutamente compatível com sua participação no total de vínculos em 2004 (27%) cf. tabela 6. Os dados, assim, demonstram que, independentemente da magnitude, ocorreu uma forte variação no número de vínculos empregatícios nos três anos seguintes à implantação do Simples variação essa que ficou restrita às microempresas e às empresas de pequeno porte, o que parece reforçar o impacto da medida sobre a formalização do emprego. 39 Uma segunda medida, desta vez de cunho administrativo, é ressaltada por Baltar et al. (2006): embora esses autores considerem que a explicação para o crescimento do emprego formal está relacionada fundamentalmente à dinâmica econômica e do mercado de trabalho, eles atribuem papel significativo à fiscalização (exercida pelo MTE, embora os autores também ressaltem o papel do Ministério Público do Trabalho e da própria Justiça do Trabalho). De fato, deve-se considerar o aumento do alcance da fiscalização a cargo do MTE, que em 1996 havia registrado, sob ação fiscal, 268,6 mil trabalhadores número que chegou a 746,3 mil em O aumento, de 180%, é importante, mas como bem ressaltado pelos autores o impacto ainda é relativamente baixo. Em 1998, por exemplo, a participação da fiscalização nas admissões no mercado formal (segundo o Caged/MTE) foi de 3,2%. No ano de melhor desempenho da fiscalização (2005), as admissões do Caged chegaram a e, portanto, a fiscalização respondeu por 6,1%. Embora essa participação tenha praticamente dobrado nesse período, ela continua sendo modesta. Os dados da série da Rais/MTE, de vínculos por tamanho de estabelecimento, chamam a atenção para um fenômeno até agora não explicado. Conforme se observa na tabela 6, entre 1997 e 1999 há forte variação do emprego em micro e pequenos estabelecimentos (definidos como aqueles com número de vínculos de 1 a 19) que não ocorre nos empreendimentos de maior porte (indício de impacto do Simples). Por outro lado, entre 2000 e 2004 os empregos formais 39 Impacto que, por exemplo, outras medidas legais (como o Estatuto da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte Lei n /1999, regulamentada pelo Decreto n /2000) não parece ter tido, uma vez que não há variação nos vínculos dessas empresas (em relação à variação das empresas de maior porte) a partir de 2000.

58 58 gerados por pequenos estabelecimentos são compatíveis com sua participação no estoque de vínculos. Ocorre que entre 1993 e 1996 (antes, portanto, da instituição do Simples), também se observa o fenômeno de forte variação positiva do emprego nos pequenos estabelecimentos (que geram ou formalizam 889 mil vínculos), completamente destoante do comportamento de empresas de maior porte (que, conjuntamente, eliminam 224 mil vínculos). A literatura não revela nenhuma explicação para esse fenômeno. Uma hipótese pouco mencionada seria a dos impactos das alterações legais introduzidas pela Lei n /1993 na legislação previdenciária. 40 A Lei n alterou os artigos n. 43 e n. 44 da Lei n /1991, que tratam da incidência de contribuição previdenciária sobre os valores resultantes de acordos ou decisões da Justiça do Trabalho, no sentido de dificultar evasão previdenciária sobre o volume acordado e de haver ciência da Previdência Social sobre os termos da sentença o que, por si só, permite à fiscalização previdenciária atuar sobre o empregador. Como a literatura apresenta a evasão previdenciária como uma das principais senão a principal (Neri, 2003) razões para a informalidade, e como as empresas de menor porte são as maiores responsáveis pelos vínculos não-registrados, é possível que as alterações ocorridas já em 1993 tenham-se constituído em um elemento dissuasivo da decisão do empregador de manter seu empregado na informalidade e, dessa maneira, contribuído para a formalização de vínculos observada. Essa poderia ser, ao lado do Simples, uma explicação para o fato de os serviços apresentarem, já a partir de 1994, forte reação no emprego formal Essa hipótese foi mencionada informalmente a Luis Henrique Paiva pelo ex-secretário de Previdência Social, Marcelo Estevão de Moraes, durante o Seminário Internacional de Inclusão Previdenciária, ocorrido em Recife/PE, de 6 a 7 de dezembro de Essa hipótese, entretanto, precisa ser avaliada de maneira mais sólida e pormenorizada avaliação que não é o objetivo deste trabalho.

59 59 Tabela 7 Variação do número de vínculos empregatícios por tamanho de estabelecimento (segundo número de empregados) De 1 a 19 vínculos ativos De 20 a 49 vínculos ativos De 50 a 99 vínculos ativos De 100 a 499 vínculos ativos ou mais vínculos ativos Total Variação total pequenas Var. pequenas./var. total 134% 84% 28% Participação das pequenas no total de vínculos em % Fonte: Rais/MTE. Registre-se, entretanto, que os eventuais aspectos positivos dessa medida devem ter sido prejudicados pela criação das Comissões de Conciliação Prévia (Lei n /2000), para as quais não existe previsão legal de contribuição previdenciária sobre montantes acordados ou comunicação à receita previdenciária dos acordos realizados. 7. Perspectivas para o mercado de trabalho no futuro próximo O fenômeno mais chamativo do mercado de trabalho brasileiro nos últimos 13 anos foi a elevação da taxa de desemprego, que saltou de um patamar próximo dos 7% (entre 1992 e 1996, segundo os dados da Pnad/IBGE) para 10% (média do período ). Esse salto, também perceptível nas pesquisas amostrais que cobrem as regiões metropolitanas (PME/IBGE e PED), foi uma aparente combinação entre uma baixa geração de postos de trabalho nos primeiros anos da série e a retomada de participação nos seus anos finais. Com efeito, entre 1993 e 1998, enquanto a População em Idade Ativa (PIA) variava em média 2% a.a., a ocupação variou 1,1% a.a. Até 1996, não houve alteração substantiva na taxa de desemprego graças ao fato de a taxa de participação recuar de 61,5%, em 1992, para 59,1%, em Os anos de 1997 e 1998, entretanto, com a participação de volta à casa dos 60%, registram o salto de patamar das taxas de desemprego (8,5% e 9,9%, respectivamente). O período seguinte ( ) mostra uma recuperação da ocupação (que passa a variar, em média, 2,4% a.a., contra uma variação média na PIA idêntica à do período anterior, 2% a.a.). O desemprego, nesse período, só não caiu graças ao aumento da participação, que atinge o maior valor da série em 2004 (61,8%).

60 60 O gráfico seguinte mostra como o País passou de uma situação relativamente privilegiada (baixas taxas de desemprego e altas taxas de participação) no início da década ( ) para uma situação significativamente pior (altas taxas de desemprego e baixas taxas de participação), em 1998 e Nos últimos anos, o País encontra-se no quadrante superior à direita (altas taxas de desemprego e altas taxas de participação). Participação 62,0% 61,5% 61,0% 60,5% 60,0% 59,5% Gráfico 23 - Desemprego e Participação no mercado de trabalho brasileiro ( ) ,0% 6% 7% 8% 9% 10% 11% 12% Fonte: Pnad/IBGE. Desem prego A tendência para os próximos anos, mantida a provável variação da ocupação acima da variação da PIA, 42 é que a taxa de desemprego recue paulatinamente e o País volte para o quadrante superior à esquerda, que seria o mais socialmente desejável (baixas taxas de desemprego e altas taxas de participação). Os dados da Pnad 2005, recém-divulgados pelo IBGE, parecem corroborar as tendências dos últimos anos: a variação da ocupação em relação a 2004 (+2,9%) superou novamente a variação da PIA (+2%). Tendo em vista a variação da ocupação, o desemprego só não caiu (na verdade, subiu 0,4 pp) graças a um aumento da PEA ainda maior que da ocupação (+3,4%), elevando a taxa de participação, que passou, na série não-harmonizada, 43 de 62% em 2004 para 62,9% em Esse é o caso do aumento do desemprego causado pela atratividade do mercado de trabalho e não por corte nos postos de trabalho. 42 Os dados conjunturais especialmente os do Caged/MTE não indicam nenhuma forte mudança no nível geral de geração de empregos, embora alguns setores específicos pareçam ter sentido a recente valorização do Real (cf. seção 6 desta parte). 43 A Pnad incorporou, a partir de 2004, a zona rural da região Norte em sua amostra. A série harmonizada (sempre utilizada neste trabalho) exclui a zona rural da região Norte para manter a compatibilidade com as demais Pnads. Nesse parágrafo, utilizaram-se os dados nãoharmonizados divulgados recentemente pelo IBGE o que explica as pequenas diferenças encontradas nos dados de 2004.

61 61 Como a participação não pode continuar crescendo indefinidamente e levando em conta que nos patamares atuais, ela já se encontra acima da média dos últimos 14 anos, é previsível que os efeitos da variação positiva da ocupação sobre o desemprego apareçam no futuro próximo. Se as variações da ocupação encontradas nos últimos anos, acima das variações da PIA, ainda não produziram queda do desemprego, já produziram efeitos sensíveis sobre a trajetória dos rendimentos reais oriundos do trabalho, que vinham em queda desde Nesse ano, o rendimento médio mensal real de todos os trabalhos dos ocupados com 10 ou mais anos de idade chegou a R$ 948. Em 1999, já havia caído para R$ 864, chegando a R$ 770, em Após a estabilização de 2004 (na qual o rendimento médio mensal real manteve-se em R$ 770), houve aumento real de 4,5% (chegando a R$ 805), em 2005, o primeiro em sete anos. Mantida a tendência de variação da ocupação acima da variação da PIA, pode-se prever maior recuperação dos rendimentos no futuro próximo. Para que se chegue aos níveis encontrados em 1996, entretanto, será preciso que o aumento real dos rendimentos a que se assistiu em 2005 se repita nos próximos quatro anos. Finalmente, a variação da ocupação total tem sido acompanhada nos últimos anos, como vimos ao longo deste trabalho, por uma variação ainda maior nos postos de trabalho formais. A série não-harmonizada da Pnad/IBGE registra aumento de 2,9% na ocupação total, entre 2004 e O número de empregados com carteira assinada, entretanto, varia 5,2% 44 no mesmo período, indicando que a tendência de formalização da força de trabalho persiste. Não parece haver elementos que indiquem um refluxo da tendência de aumento da formalização de maneira que se pode prever, para o futuro próximo, sua manutenção. Assim, a análise até aqui feita permite prever, no curto prazo, um cenário relativamente otimista para o mercado de trabalho: as elasticidades empregoproduto relativamente elevadas devem manter as variações da ocupação, caso as previsões hoje correntes para o PIB se confirmem, 45 em nível compatível ou, provavelmente, superior à da População em Idade Ativa. Tendo em vista a pressão competitiva do câmbio sobre a indústria e a agricultura, é improvável que os resultados exuberantes de se repitam nesses setores. Antes, deve-se observar, ao menos na indústria, a manutenção da retomada dos ganhos de produtividade, a qual já se assiste desde meados de 44 Dado compatível com o do Caged/MTE, que registra variação de 5,1%. 45 As previsões para 2007 sugerem uma variação do PIB de aproximadamente 3,5%, tanto pelos investidores (Focus - Relatório de Mercado. Banco Central do Brasil, 22/9/2006) quanto pelo Ipea (que sugere 3,6% Indicadores e Projeções, do Boletim de Conjuntura n. 74, de setembro de 2006).

62 Embora o impacto sobre a geração de empregos não seja desprezível, nada indica que será da magnitude observada em alguns anos da década de Ao contrário, os resultados de 2005 do Caged parecem indicar que, exceção feita a subsetores específicos da indústria de transformação (e à agropecuária), o emprego formal continua avançando de maneira sólida, mesmo na indústria. Com isso, pode-se prever um recuo nas taxas de desemprego no futuro próximo, a menos que a taxa de participação continue avançando fato que também pode ser visto como positivo, mas não de todo provável, uma vez que a participação já está no seu maior nível nos últimos 14 anos. O avanço da ocupação deve manter os efeitos até aqui vistos sobre os rendimentos e a formalização, com melhora da renda real oriunda do trabalho e aumento da participação dos trabalhadores com carteira no total dos ocupados. Os rendimentos precisarão de alguns anos de aumento real consistente para recuperar as perdas ocorridas desde Por sua vez, o avanço na participação dos trabalhadores com carteira assinada e dos contribuintes para previdência social indicam um quadro de maior proteção social do trabalhador e de algum conforto para a administração previdenciária, uma vez que sua base de arrecadação está em expansão. O panorama laboral bastante favorável nos últimos anos (e com perspectivas de seguir melhorando no futuro próximo) tem proporcionado uma melhora importante em termos de trabalho decente na economia brasileira. Considerando o déficit de emprego formal como uma proxy de déficit de trabalho decente, observa-se uma importante redução deste indicador nos últimos anos, alcançando 60% da força de trabalho brasileira, em 2004, menor que os 62%, em 1992, e que os 64%, registrados em 1999 (ver gráfico 24). No entanto, a magnitude desse déficit é ainda bastante elevada. Gráfico 24 - Déficit de emprego formal em relação à PEA ( ) 65% 64% 63% 62% 61% 60% 59% 58% Fonte: Pnad/IBGE.

63 63 Também se observa uma tendência de queda em relação à divisão da PEA por sexo. No entanto, registra-se uma maior incidência deste indicador entre as mulheres (63% contra 58% entre os homens, em 2004; gráficos 25 e 26). Gráfico 25 - Homens: déficit do emprego formal em relação à PEA ( ) 63% 62% 61% 60% 59% 58% 57% 56% 55% Fonte: Pnad/IBGE. Gráfico 26 - Mulheres: déficit do emprego formal em relação à PEA ( ) 67% 66% 65% 64% 63% 62% 61% Fonte: Pnad/IBGE. Entre os jovens de 15 a 24 anos, por sua vez, não obstante a redução observada no biênio , a tendência observada no período é de ligeiro crescimento do déficit de emprego formal, saltando de um patamar pouco superior a 68%, em 1992, para pouco mais que 69%, em 2004 (tendo atingido 71%, em 1999). Além da leve tendência de crescimento, a incidência entre os jovens é maior, o que mostra a necessidade de políticas públicas que promovam uma inserção laboral dos jovens em empregos de melhor qualidade e proteção social.

64 64 Gráfico 27 - Jovens (15-24 anos): déficit de emprego formal em relação à PEA ( ) 72% 71% 70% 69% 68% 67% 66% Fonte: Pnad/IBGE. III. Comentários finais e recomendações de políticas A exemplo do que ocorreu em várias economias latino-americanas, o Brasil adotou políticas de ajuste estrutural, de abertura econômica e de reforma institucional, sobretudo a partir dos anos 1990, buscando a integração à ordem econômica mundial. Segundo o ideário neoliberal, a estabilização macroeconômica e a adoção de reformas liberalizantes (abertura comercial, liberalização financeira, privatização e desregulamentação de mercados) garantiriam o crescimento e o desenvolvimento futuros, por meio de maior competição no setor privado, que estimularia ganhos de produtividade e maior competitividade. A economia de mercado, operando sem intervenções e/ou regulamentações do Estado, conduziria ao desenvolvimento econômico. A adoção de políticas de combate à inflação baseadas em âncora cambial e elevadas taxas de juros reais conduziu várias economias da região, entre as quais a brasileira, à apreciação da taxa de câmbio real e ao aumento dos custos associados à estabilização de preços e ao ajuste decorrente da abertura comercial, gerando uma combinação perversa de estagnação do crescimento econômico, elevadas taxas de juros reais e apreciação cambial, em um ambiente de busca por ganhos de produtividade do trabalho com impacto negativo sobre o nível de emprego, em especial o emprego de qualidade. No caso da economia brasileira, os anos 1990, conforme vimos ao longo da análise aqui efetuada, foi marcado por forte racionalização do emprego, especialmente na indústria, que, em face da necessidade de reduzir custos de produção para resistir à competição externa, adotou estratégias de enxugamento de produtos e processos, ou seja, ajustes produtivos de natureza regressiva. As empresas adotaram estratégias redutoras de custos e se engajaram em processos de fusões e aquisições pouco virtuosos na indução de desenvolvimento industrial. Portanto, um estilo de modernização que se bem elevou o patamar não

65 65 proporcionou um processo sustentado de crescimento da produtividade. A liberalização comercial, associada à política de combate à inflação com base em âncora cambial e elevadas taxas de juros reais, conduziu a um processo de especialização regressiva da indústria, com implicações pesadamente negativas sobre o emprego. A mudança do regime macroeconômico a partir de 1999, com a adoção de câmbio flutuante, proporcionou uma reação substantiva na capacidade de geração de emprego formal no Brasil, especialmente na indústria e na agropecuária, com efeitos positivos também sobre o setor terciário, que já vinha apresentando um quadro de recuperação do emprego formal, desde meados da década passada. Observa-se, sobretudo a partir de 2002, uma aceleração das exportações decorrentes da melhora dos preços internacionais das commodities e da abertura de novos mercados para os produtos líderes da pauta exportadora, e não como resultante da melhora generalizada na competitividade do País. Os espaços para a racionalização produtiva na indústria alcançaram um limite, levando a uma relativa estagnação no processo de modernização industrial. O arrefecimento na expansão da produtividade nos primeiros anos da década de 2000, em decorrência da mudança do regime cambial, deu lugar a um novo ciclo de crescimento da produtividade a partir de 2004 e 2005, quando o Real voltou a se valorizar, especialmente na indústria de transformação. No entanto, o ciclo econômico atual parece significativamente diferente daquele que teve vigência ao longo da década de Não se assiste, assim, à forte racionalização do emprego; há retomada dos ganhos de produtividade e do rendimento do trabalho; e a dinâmica dos segmentos industriais e da agricultura parece dar sustentação para um bom desempenho do setor terciário. Este recente ajuste em termos de produtividade como resultado da valorização do Real é mais provável que esteja relacionado com a incorporação de novas tecnologias, por meio de importação de bens de capital e expansão dos ativos fixos, e não com estratégias regressivas, essencialmente poupadoras de mão-deobra. Nesse caso, embora a quantidade de emprego por unidade de produto seja menor, não se trata de um novo processo de acentuada racionalização de postos de trabalho. Pode-se estar observando um movimento para uma combinação produtividade-emprego mais adequada à competitividade externa, associada a uma também mais adequada combinação setorial, ou seja: maior produtividade e menor capacidade de geração de empregos nos setores tradables e menor produtividade e maior absorção em setores no-tradables. Tal situação pode abrir espaço para um crescimento mais sustentado dos salários reais na indústria, com efeitos positivos para a economia como um todo. Da experiência brasileira nos últimos 15 anos, pode-se concluir que o regime macroeconômico importa para efeitos de um crescimento sustentado com geração de empregos de maior qualidade, sendo, portanto, fundamental inserir o objetivo emprego no conjunto das políticas públicas adotadas, assim como buscar maior

66 66 integração das políticas econômicas com as políticas sociolaborais, de tal forma que o crescimento econômico experimentado se traduza em maior progresso social, expresso em termos de redução da pobreza e da desigualdade social. Não obstante a forte recuperação do emprego formal nos últimos anos, levando a uma importante redução no déficit de emprego formal na economia brasileira (como proxy para o déficit de trabalho decente), sua magnitude é ainda bastante elevada, sendo mais acentuada entre as mulheres e os jovens. A geração sustentada de empregos formais é fundamental para afrontar o déficit de trabalho decente na economia brasileira, mas não suficiente para promover todas as dimensões que conformam um trabalho decente, na concepção da OIT: promover o respeito aos direitos fundamentais no trabalho (liberdade sindical e de negociação coletiva, erradicação do trabalho infantil e do trabalho escravo, combate à discriminação e promoção da igualdade de oportunidades), ampliar a eficiência e a cobertura da proteção social e promover um efetivo diálogo social. O crescimento sustentado do emprego de qualidade requer um crescimento econômico mais acelerado e sustentado no tempo, o qual requer um aumento sustentado dos investimentos, privados e públicos, e uma inserção mais dinâmica na economia mundial. Nesse sentido, as políticas econômicas adotadas devem orientar-se a gerar um ambiente favorável aos investimentos produtivos, por meio de um entorno macroeconômico adequado, que estimule a demanda agregada, e de medidas meso e microeconômicas que incidam sobre a rentabilidade dos negócios e aumentem a produtividade total da economia. Também é sumamente importante complementar as políticas econômicas orientadas ao crescimento sustentado com emprego de qualidade e com políticas de mercado de trabalho e de geração de emprego orientadas a fomentar a inclusão de certos coletivos que usualmente não se beneficiam do crescimento das economias. Políticas ativas como as de formação profissional, serviços de emprego etc. e aquelas que promovem o emprego de qualidade como o impulso de setores de baixa produtividade devem ser consideradas prioritárias, na medida em que constituem instrumentos que permitem a democratização das oportunidades no mercado de trabalho. A melhora na eficiência e na eqüidade no mercado de trabalho é uma condição essencial para a superação da pobreza. Um desafio fundamental, portanto, é conciliar o objetivo de uma inserção mais adequada na economia mundial (crescimento do tipo exportador), com base no crescimento da competitividade autêntica e, portanto, da produtividade total da economia, com o desenvolvimento produtivo de setores mais intensivos em mãode-obra e o fortalecimento do mercado doméstico, sobretudo por meio de políticas complementares de mercado de trabalho, que permitam aproveitar o crescimento nos setores mais dinâmicos para impulsionar a expansão da produtividade nos setores mais atrasados.

67 67 A geração de mais e melhores empregos deve ser tratada como uma variável instrumental para o desenvolvimento econômico de longo prazo. A expansão do emprego e a melhor distribuição da renda (por exemplo, pelo aumento da renda do trabalho) são elementos essenciais para o desenvolvimento sustentado, na medida em que ampliam o espaço interno de acumulação, pela expansão do mercado consumidor, abrindo espaço para aumentos sustentados da produtividade, e para a absorção do desemprego e do subemprego. A economia brasileira vai em bom caminho nessa direção, no entanto falta potenciar este processo e garantir sua sustentabilidade a longo prazo. Falta adotar um marco adequado de políticas integradas que permita conciliar o crescimento da produtividade total da economia com o objetivo de uma maior intensidade emprego do crescimento, fatores essenciais para o crescimento econômico a longo prazo, em contexto de economias abertas, que se traduza em maior progresso social, com redução da pobreza e da desigualdade social.

68 68 Bibliografia Amadeo, Edward (1999), Mercado de trabalho brasileiro: rumos, desafios e o papel do Ministério do Trabalho. In: Posthuma, Anne C. Abertura e ajuste do mercado de trabalho no Brasil. Brasília, OIT e MTE; São Paulo, Editora 34. Arbache, Jorge (2003), Informalidade, encargos trabalhistas e previdência social. In: Base de financiamento da previdência social: alternativas e perspectivas. Coleção Previdência Social, vol. 19. Brasília, MPS. Baltar, P.; Krein, J.D. e Moretto, A. (2006), O emprego formal nos anos recentes. Carta Social e do Trabalho n. 3. Unicamp. Bhaduri, Amit (2005), Macroeconomic policies for higher employment in the era of globalization. Employment Strategy Papers n. 11. International Labour Office (ILO), Employment Analysis Unit, Employment Strategy Department. Biondi, R.L. e Tonedo Jr., R. (2005), O desempenho dos países que adotaram o regime de metas inflacionárias: uma análise comparativa. Cadernos Prolam/USP, ano 4, vol. 2. Bonelli, R. (1996), Ensaios sobre política econômica e industrialização no Brasil. Rio de Janeiro, Senai/CNI. Brasil / Banco Central do Brasil. FOCUS - Relatório de Mercado. Brasil / Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Boletim de Conjuntura. Cacciamali, M.C. (1989), As economias informal e submersa: conceitos e distribuição de renda. In: Camargo, J.M. e Giambiagi, F. Distribuição de renda no Brasil. Paz & Terra. Cardoso, José Celso (2000), A informalidade revisitada: evolução nos últimos 20 anos e mais uma hipótese de pesquisa. Boletim de Mercado de Trabalho Conjuntura e Análise, 14, outubro. Ipea. Carneiro, Francisco Galrão. The Changing Informal Labour Market In Brazil: Cyclicality Versus Excessive Intervention. LABOUR - Review of Labour Economics and Industrial Relations, Itália, v. 11, n. 1, p. 3-22, Carvalho, P.G.M. de et al. (2003), Salário, emprego e produtividade na indústria brasileira nos anos noventa: notas sobre a evolução regional segundo

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73 73 Anexo I Variações do Produto e do Emprego Formal setorial, para períodos selecionados Variações do Produto PIB Total 5,4% 11,5% 13,7% Agropecuária Total 6,2% 16,8% 25,4% Indústria Total 2,8% 6,6% 13,6% Serviços Total 2,4% 9,4% 11,6% Indústria Extrativa Mineral -3,1% 25,2% 24,7% Indústria de Transformação 4,0% 1,6% 19,7% SIUP 12,2% 28,8% 8,9% Construção -3,3% 10,3% -1,8% Serviços Comércio 3,4% 7,9% 10,9% Instituições Financeiras -10,9% -3,4% 12,3% Aluguel de Imóveis 5,1% 13,5% 8,6% Adm. Pública 5,9% 7,9% 6,2% Fonte: SCN\IBGE. Variações do Emprego Formal Emprego formal total -6,4% 7,4% 25,1% Agropecuária Total 36,1% 6,5% 26,2% Indústria Total -11,3% -8,6% 24,1% Serviços Total -11,8% 24,1% 25,6% Indústria Extrativa Mineral -11,8% -22,0% 40,0% Indústria de Transformação -12,4% -8,0% 28,8% SIUP -4,5% -27,0% 7,9% Construção -7,0% -3,0% 6,4% Serviços Comércio -8,0% 25,3% 42,1% Instituições Financeiras -10,6% -24,6% 8,5% Aluguel de Imóveis -1,9% 42,9% 37,5% Adm. Pública -34,3% -3,2% -39,5% Fonte: Rais\MTE.

74 74 Anexo II Variações do Produto e do Emprego Formal nos gêneros da indústria de transformação, para períodos selecionados Variações do Produto Setores dinâmicos Plástico -4,2% 15,4% -18,4% Química -3,6% 15,2% 3,4% Borracha 7,8% -0,2% 16,2% Papel e papelão 9,8% 13,3% 9,3% Material de transporte 18,6% -7,0% 29,3% Material elétrico e de comunicação -6,6% -6,8% 4,1% Mecânica -4,7% -21,1% 48,7% Metalúrgica 1,0% 0,3% 17,0% Setores tradicionais Fumo 21,2% -14,3% 4,5% Bebidas 6,9% 10,5% -1,8% Produtos alimentares 4,3% 19,7% 4,8% Vestuário, calçados -10,9% -22,2% -14,0% Têxtil -2,2% -21,5% -7,2% Perfumaria, sabões e velas 11,1% 27,5% 2,7% Farmacêutica -2,7% 22,9% -18,7% Couros e peles * 7,6% -33,4% -17,0% Mobiliário * 7,2% 6,6% 3,5% Madeira * 6,4% 2,3% 4,8% Minerais não-metálicos -2,4% 14,3% -6,5% Fonte: Sistema de Contas Nacionais/IBGE. * Para os gêneros assinalados, o primeiro período é de

75 75 Variações do Emprego Setores dinâmicos Plástico -24,6% 7,4% 19,4% Química -22,1% -22,5% 12,9% Borracha -17,9% -3,5% 15,7% Papel e papelão -24,5% 11,5% 8,1% Material de transporte -24,2% -16,1% 13,6% Material elétrico e de comunicação -33,7% -26,5% 4,8% Mecânica -34,2% -15,3% 20,6% Metalúrgica -29,8% -5,9% 11,2% Setores tradicionais Fumo 0,7% -33,9% -30,6% Bebidas 3,6% -6,0% 7,1% Produtos alimentares -10,5% 21,8% 18,9% Vestuário, calçados -16,0% -15,0% 33,9% Têxtil -33,6% -26,2% 6,5% Perfumaria, sabões e velas -1,9% 96,6% 25,0% Farmacêutica -14,1% -7,2% 29,6% Couros e peles * -7,6% 6,9% 35,0% Mobiliário * -11,3% 12,1% 14,6% Madeira * -7,9% -2,2% 25,0% Minerais não-metálicos -27,0% 6,3% 8,1% Fonte: Rais/MTE. * Para os gêneros assinalados, o primeiro período é de

76 76 Anexo III Número absoluto de empregos celetistas por subsetores econômicos ( ) SUBSETORES Extrativa mineral Indústria de produtos minerais não-metálicos Indústria metalúrgica Indústria mecânica Indústria do material elétrico e de comunicações Indústria do material de transporte Indústria da madeira e do mobiliário Indústria do papel, papelão, editorial e gráfica Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos Indústria de calçados Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico Serviços industriais de utilidade pública Construção civil Comércio varejista Comércio atacadista Total comércio Instituições de crédito, seguros e capitalização Com. e administração de imóveis, valores mobiliários, serv. técnico Transportes e comunicações Serv. de alojamento, alimentação, reparação, manutenção, redação Serviços médicos, odontológicos e veterinários Ensino Administração pública direta e autárquica Agricultura, silvicultura, criação de animais, extrativismo vegetal Outros / ignorado Total Fonte: Rais/MTE.

77 77 SUBSETORES Extrativa mineral Indústria de produtos minerais não-metálicos Indústria metalúrgica Indústria mecânica Indústria do material elétrico e de comunicações Indústria do material de transporte Indústria da madeira e do mobiliário Indústria do papel, papelão, editorial e gráfica Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos Indústria de calçados Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico Serviços industriais de utilidade pública Construção civil Comércio varejista Comércio atacadista Total comércio Instituições de crédito, seguros e capitalização Com. e administração de imóveis, valores mobiliários, serv. técnico Transportes e comunicações Serv. de alojamento, alimentação, reparação, manutenção, redação Serviços médicos, odontológicos e veterinários Ensino Administração pública direta e autárquica Agricultura, silvicultura, criação de animais, extrativismo vegetal Outros / ignorado Total Fonte: Rais/MTE.

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