Características do preenchimento de registros de pré-natal na UBS Vila Municipal no ano de 2006

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1 Características do preenchimento de registros de pré-natal na UBS Vila Municipal no ano de 2006 Autor(es): Apresentador: Orientador: Revisor 1: Revisor 2: Instituição: RONCAGLIO, Rodrigo; BARBOSA, Juliana Lima; PINTO, Matheus Neumann; FIUZA, Rafael Furini; SILVA, Rita de Cássia Garcia; KOLOSZWA, Sérgio; SOUZA, Tiago Vieira de Paula; MAAS, Tiago; NADER, Gisele Alsina; NOAL, Ricardo Bica Rodrigo Roncaglio Ana Maria Ferreira Borges Teixeira Denise Silva da Silveira Roberto Xavier Piccini Universidade Federal de Pelotas CARACTERÍSTICAS DO PREENCHIMENTO DE REGISTROS DE PRÉ-NATAL NA UBS VILA MUNICIPAL NO ANO DE 2006 RONCAGLIO, Rodrigo 1 ; BARBOSA, Juliana Lima 1 ; PINTO, Matheus Neumann 1 ; FIUZA, Rafael Furini 1 ; SILVA, Rita de Cássia Garcia 1 ; KOLOSZWA, Sérgio 1 ; SOUZA, Tiago Vieira de Paula 1 ; MAAS, Tiago 1; NADER, Gisele Alsina 2 ; NOAL, Ricardo Bica 2 1 Disciplina de Medicina de Comunidade,Departamento de Medicina Social, FAMED, UFPel 2 Programa de Pós-graduação em Epidemiologia, FAMED, UFPel Av. Duque de Caxias 250, Fragata, Pelotas, 1. INTRODUÇÃO A realização do pré-natal representa papel fundamental na prevenção e detecção precoce de patologias maternas e fetais, permitindo um desenvolvimento saudável do feto e reduzindo os riscos da gestante. Seu objetivo é prevenir a morbimortalidade materna e fetal através de uma série de cuidados e recomendações (Ministério da Saúde, 2006; Duncan, 2004). A Unidade Básica de Saúde (UBS) Vila Municipal encontra-se vinculada à Universidade Federal de Pelotas, desenvolvendo atividades com a graduação de Medicina, Enfermagem e Nutrição e a pós-graduação através do programa de Residência Médica em Medicina Preventiva e Social. Está integrada ao Programa Saúde da Família (PSF) desde o ano de 2002 e atende a uma população estimada de indivíduos. Estudos relacionados à saúde materno-infantil de 1982 a 2004 (Barros et al., 2006) mostram que uma elevada proporção das consultas de pré-natal (44,6%) na cidade de Pelotas é realizada nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). O texto apresenta uma avaliação da qualidade do atendimento à gestante na UBS da Vila Municipal, usando como fonte dos dados os registros de pré-natal e

2 incluindo na amostra as usuárias atendidas com data provável de parto para o ano de METODOLOGIA O delineamento do estudo foi transversal, a partir dos registros de consultas de pré-natal como fonte secundária dos dados. As gestantes da UBS da Vila Municipal com parto previsto para o ano 2006 foram incluídas na amostra. O trabalho de campo aconteceu no período entre maio e julho do ano de 2007, realizado por oito acadêmicos do curso de Medicina da Universidade Federal de Pelotas. Os dados sobre as consultas das gestantes atendidas na UBS Vila Municipal são registrados no prontuário médico e na ficha de pré-natal. Para o estudo foram coletadas informações das fichas de pré-natal. As variáveis selecionadas para esta avaliação foram: idade, cor, estado civil, profissão, data de nascimento, procedência das gestantes, quantidade de fatores e classificação de risco, história obstétrica pregressa, data da última menstruação, data provável do parto, registro dos exames clínicos e laboratoriais realizados, estado vacinal, avaliação gráfica do estado nutricional e da altura uterina e informações do nascimento, como data do parto, local e tipo de parto, peso do recém-nascido, complicações da gravidez e parto e planejamento da anticoncepção no pós-parto. O processamento dos dados consistiu inicialmente da transcrição das informações sobre variáveis selecionadas das fichas de pré-natal para um formulário padronizado e pré-codificado. A digitação dos dados destes formulários foi realizada no programa Epi-Info 6.0 e a análise nos programas Epi-Info 6.0 e Stata 9.0. Foram identificadas e avaliadas 54 fichas de pré-natal de gestantes com parto previsto para o ano RESULTADOS E DISCUSSÃO A amostra incluiu 54 registros de pré-natal das gestantes acompanhadas no programa da Vila Municipal de janeiro a dezembro de 2006, sendo 45 (83,3%) gestantes moradoras da área de abrangência da UBS. Destas, 42 (87,5%) tinham companheiro e 29 (56,9%) eram brancas. As análises a seguir descrevem os resultados do estudo para toda população de gestantes no período acima citado. As mulheres estudadas tinham idade média de 24,2 anos (dp=6,18), variando de 13 a 38 anos. Em relação a grupos etários de maior vulnerabilidade a desfechos perinatais adversos, 15 (27,8%) eram adolescentes com menos de 20 anos de idade e 11 (20,3%) tinham 30 ou mais anos de idade. A estatura média encontrada foi de 158,7 cm (dp=7,9), com mínimo de 139 cm e máximo de 173 cm. A estatura das mães foi registrada em 49 (90,7%) fichas. Em 94,4% (n=51) das fichas de pré-natal houve preenchimento da data da última menstruação (DUM). Com relação ao exame de mamas, 52 (96,3%) fichas foram preenchidas adequadamente e, quanto ao tipo de parto, 35 (64,8%) fichas haviam sido preenchidas de forma correta. O peso dos recém-nascidos foi informado em 32 (59,3%) fichas. Em seis (11%) fichas não foi registrada a informação sobre a idade gestacional no início do pré-natal, o mesmo foi verificado em 5 (9,3%) dos casos com relação ao registro de idade gestacional no fim do pré-natal. Também em seis (10%) das fichas de pré-natal não se obteve informações sobre fatores de risco. A

3 ocorrência ou não de complicações do parto também foi informada em apenas 32 fichas. Em relação à classificação de risco gestacional por trimestres, constatou-se que o campo Classificação de Risco para o primeiro trimestre foi preenchido em 41 (75,9%) fichas, para o segundo trimestre, em 11 (20,4%) e para o terceiro trimestre em nove (16,7%). Quanto aos fatores de risco, 36 gestantes (67%) apresentaram dois ou mais fatores, dez (18%) tinham apenas um fator e três (5%) gestantes, não possuíam fator de risco. A média de consultas por gestante foi de 7,7 (dp=3,1) e a da idade gestacional de início do pré-natal, de 12,1 semanas (dp=5,9). Identificou-se que 14 (40,0%) gestantes realizaram cesariana, 18 (51,4%) realizaram parto vaginal sem episiotomia e três (8,6%) fizeram parto vaginal com episiotomia. O peso médio ao nascer das crianças foi de 3208,2g (dp = 455,6). Vinte e uma gestações (65,6%) não apresentaram complicações, 9 (28,1%) tiveram complicações que não foram especificadas e para 2 (6,3%) gestantes o óbito da criança aconteceu após nascimento. A tabela 1 descreve algumas características de identificação das gestantes, média de registros de exame físico e freqüência de exames laboratoriais básicos solicitados. Em 1997 foi realizado na USB Vila Municipal um estudo metodologicamente semelhante (Dias da Costa et al., 2000) onde, em relação ao exame de mamas, o registro foi adequado em 30,2% dos pré-natais, enquanto em 2006 esta proporção foi de 88,5%. No ano de 1997 a metade (52,1%) das gestantes havia realizado exame cito patológico durante a vida (Dias da Costa et al., 2000), já no presente estudo em 2006, o percentual alcança 92,5% das gestantes.

4 Apesar de o Ministério da Saúde informar que a não realização de ultrasonografia durante a gestação não constitui omissão nem diminui a qualidade do pré-natal, a porcentagem de gestantes que realizaram ultra-sonografia passou de 23,3% (n=17) em 1997 (Dias da Costa et al., 2000) para 48,4% (n=26) em A prevalência do parto por cesariana foi de 40% (n=14) neste estudo, semelhante aos 45% encontrados no estudo de coorte realizado em 2004 (Barros et al., 2006), mostrando-se muito acima dos 15% preconizados como máximo pela Organização Mundial da Saúde. A prescrição de sulfato ferroso para as mães do estudo da Coorte de 2004 (77%), foi superior aquela encontrada neste estudo (56%). 4. CONCLUSÃO A realização da avaliação desencadeou produtivo debate entre alunos de medicina, professores, médicos da UBS Vila Municipal e alunos da pós-graduação da Universidade Federal de Pelotas, sobre o preenchimento de fichas de pré-natal e a qualidade do atendimento às gestantes, estabelecendo um interessante diálogo Tabela 1. Características das gestantes inscritas no programa de Pré-natal da Unidade Básica de Saúde Vila Municipal, Pelotas, RS N* Média DP Mínimo Máximo Identificação Idade 54 24,2 6, Número de gestações 54 2,2 1,3 0 5 N total de consultas 52 7,7 3, Idade gestacional início pré-natal (dias) 48 84,9 41, Idade gestacional fim pré-natal (dias) ,1 62, Idade gestacional início pré-natal (semanas) 48 12,1 5, Idade gestacional fim pré-natal (semanas) 49 33,7 8,9 6,6 42,7 Número de registros exame físico Valor da estatura ,7 7, Idade gestacional 52 7,2 3, Peso 52 7,3 3, Pressão arterial 52 7,4 3, Altura Uterina 52 6,2 3, Batimentos cardio fetais 51 5,7 3, Edema 51 4,7 3, Apresentação Ginecológica 46 2,7 2,3 0 9 Número de exames que foram solicitados N exames VDRL 54 1,1 0,3 1 2 N exames Hemoglobina 42 2,0 0,8 1 3 N exames EQU 46 1,8 0,7 1 3 N exames HIV 42 1,5 0,8 0 4 N exames Glicemia 46 1,3 0,8 0 4 N exames HbsAg 42 0,8 0,7 0 2 N exames Ultra-sonografia 38 0,9 0,8 0 3 * número de observações disponíveis por variável.

5 entre os dados atuais e de estudos semelhantes realizados no passado., A predominância de gestantes da área de cobertura da UBS e um melhor preenchimento geral de registros observado no presente estudo quando comparado com estudos de metodologia semelhante (Dias da Costa et al., 2000; Nagahama e Santiago, 2006 podem significar uma atenção maior dispensada pelos profissionais da UBS para com as gestantes. A descrição dos números absolutos auxilia a descrever a realidade e interpretar mais precisamente os resultados, evitando distorções que percentagens aplicadas a pequenos números poderiam proporcionar. A avaliação do preenchimento das fichas de pré-natal e a descrição das variáveis relativas à qualidade do cuidado prestado contribuem com o planejamento das ações e conseqüentemente com o atendimento mais qualificado e equânime para as futuras gestantes. 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. BRASIL. Ministério da Saúde. Pré-natal e Puerpério: atenção qualificada e humanizada manual técnico. Ministério da Saúde, Secretaria das Ações em Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Brasília: Ministério da Saúde, DUNCAN BB, SCHMIDT M, GIUGLIANI ER. Medicina Ambulatorial: Condutas de Atenção Primária Baseadas em Evidências. Terceira ed. São Paulo: Artmed S.A; BARROS AJD, SANTOS IS, VICTORA CG, ALBERNAZ EP, DOMINGUES MR, TIMM IK. Coorte de nascimentos de Pelotas, 2004: metodologia e descrição. SciELO Public Health 2006: DIAS-DA-COSTA JS, MADEIRA ACC, LUZ RM, BRITTO MAP. Auditoria médica: programa de pré-natal em posto de saúde na região Sul do Brasil. SciELO Public Health 2000: NAGAHAMA EEI, SANTIAGO SM. O cuidado pré-natal em hospital universitário: uma avaliação de processo. SciELO. Caderno de saúde pública vol. 22 n.1 Rio de Janeiro, Janeiro de Care P, Nurses D, Pré-Natal A, Enfermeiras DVP. ATENCIÓN PRENATAL: DIFICULTADES VIVENCIADAS POR LAS ENFERMERAS. SciELO. Revista Latino Americana de Enfermagem v.14 n.5 Ribeirão Preto set./out. 2006

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