Superior Tribunal de Justiça

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1 RELATORA : MINISTRA ELIANA CALMON EMENTA TRIBUTÁRIO ISENÇÃO FISCAL ACÓRDÃO DECIDIDO SOB FUNDAMENTO EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL NÃO CONHECIMENTO. 1. Inviável o recurso especial interposto contra acórdão que decidiu controvérsia em torno de isenção tributária, sob enfoque exclusivamente constitucional. 2. Recurso especial não conhecido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça "A Turma, por unanimidade, não conheceu do recurso, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)-Relator(a)." Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques votaram com a Sra. Ministra Relatora. Brasília-DF, 04 de setembro de 2008 (Data do Julgamento) MINISTRA ELIANA CALMON Relatora Documento: Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/10/2008 Página 1 de 5

2 RELATÓRIO A EXMA. SRA. MINISTRA ELIANA CALMON: - Trata-se de recurso especial interposto com fulcro na alínea "a" do permissivo constitucional, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (fl. 103), cuja ementa é a seguinte: CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. LEI Nº 117/94. ALEGAÇÃO DE USURPAÇÃO DE INICIATIVA DE PROJETO DE LEI TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. INICIATIVA PARLAMENTAR CONCORRENTE COM A DO CHEFE DO EXECUTIVO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 21, IV, DA LEI ORGÂNICA DO MUNICÍPIO POR CRIAR LIMITAÇÃO NÃO CONTIDA NA LEX MATER. AUSÊNCIA DE AFRONTA AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA ISONOMIA. INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA NÃO CONFIGURADA. CONHECIMENTO E IMPROVIMENTO DO RECURSO. Embargos de declaração conhecidos e não providos, conforme decisão de fl Inconformado, aponta o recorrente ofensa aos arts. 5º, II e 14 da LC 101/00 e art. 6º, 1º e 2º da LICC, sob o argumento, em síntese, de que a Lei Municipal 117/94 afrontou o disposto na LRF, pois a isenção concedida não observou critérios legais, tais como: prévio estudo de impacto financeiro; isenção de situação específica dentre as tributáveis. Sem contra-razões, subiram os autos admitido o especial na origem. É o relatório. Documento: Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/10/2008 Página 2 de 5

3 RELATORA : MINISTRA ELIANA CALMON VOTO A EXMA. SRA. MINISTRA ELIANA CALMON (RELATORA): Verifica-se que o acórdão atacado abordou o tema tratado no recurso especial sob o enfoque exclusivamente constitucional (art. 151, III, da CF), consoante se observa no trecho abaixo transcrito : (...) Assim, embora se argumente que as disposições de ordem públicas devem ser aplicadas imediatamente, devemos ponderar a incidência na espécie, do princípio do direito adquirido que está previsto não em nível legal, mas constitucional (art. 5., XXXVI da CF), protegido, ainda, pela cláusula pétrea (art. 60, 4., IV da CF). Por conseguinte, ainda que não tenha o legislador do Município de Natal agido com boa técnica ao instituir a isenção em questão, sem indicar quaisquer formas de compensação financeira, ou mesmo por ter, como também asseverado pelo Parquet, tentado com a norma objurgada, dar função extrafiscal ao IPTU - tributo que incide sobre propriedade que é um dado objetivo, lançando mão da isenção com caráter eminentemente subjetivo - adoção ou guarda de menores carentes, não há como vislumbrar também nesse aspecto a inconstitucionalidade apregoada, mas apenas, repita-se, falha técnica legislativa. Outrossim, no que pertine à alegada violação aos ditames do art. 150 da Constituição Federal, urge consignar que o princípio da isonomia ou da igualdade que aparece no texto constitucional de forma genérica (art. 5. da CF) e de forma específica para o direito tributário (art. 150, II, da CF), veda o tratamento jurídico diferenciado entre pessoas sob o mesmo pressuposto fático, bem como o tratamento isonômico às pessoas que se encontram sob pressupostos de fatos diferentes. E, ao meu sentir, não ocorre a afronta ao dispositivo citado, na medida em que as disposições contidas na norma inquinada deferem tratamento diferenciado às pessoas que se encontram sob o auspícios de pressupostos fáticos diferenciados, com o escopo de criar estímulos, colimando minimizar a situação dos menos favorecidos, notadamente das crianças carentes. Se, para tanto, lançou ou não mão do instituto jurídico adequado, não é questão a ser discutida no âmbito da constitucionalidade ou não do Diploma Legal ora vergastado. Pelas mesma razões acima esposadas, tampouco há que se falar em afronta ao art. 227, 6., da CF, na medida em que a lei referida não há qualquer cunho discriminatórios às crianças carentes adotadas, contrariamente, como dito alhures, busca estimular o amparo social das mesmas por parte da sociedade. (fl. 107/113) Por conseqüência, tendo em vista que a matéria foi decidida nas instâncias ordinárias sob o enfoque exclusivamente constitucional, refoge desta Corte, em sede de recurso especial, o exame de violação ao texto infraconstitucional, a teor do art. 105, III, da Constituição. Documento: Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/10/2008 Página 3 de 5

4 Com essas considerações, não conheço do recurso especial. É o voto. Documento: Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/10/2008 Página 4 de 5

5 CERTIDÃO DE JULGAMENTO SEGUNDA TURMA Número Registro: 2008/ REsp / RN Números Origem: PAUTA: 04/09/2008 JULGADO: 04/09/2008 Relatora Exma. Sra. Ministra ELIANA CALMON Presidente da Sessão Exmo. Sr. Ministro CASTRO MEIRA Subprocurador-Geral da República Exmo. Sr. Dr. JOSÉ FLAUBERT MACHADO ARAÚJO Secretária Bela. VALÉRIA ALVIM DUSI AUTUAÇÃO ASSUNTO: Administrativo - Ato - Anulatória CERTIDÃO Certifico que a egrégia SEGUNDA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "A Turma, por unanimidade, não conheceu do recurso, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)-Relator(a)." Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques votaram com a Sra. Ministra Relatora. Brasília, 04 de setembro de 2008 VALÉRIA ALVIM DUSI Secretária Documento: Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/10/2008 Página 5 de 5

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