ANALISTAS E ANALISANDOS PRECISAM SE ACEITAR: REFLEXÕES SOBRE AS ENTREVISTAS PRELIMINARES
|
|
|
- Diogo Garrau Paixão
- 9 Há anos
- Visualizações:
Transcrição
1 ANALISTAS E ANALISANDOS PRECISAM SE ACEITAR: REFLEXÕES SOBRE AS ENTREVISTAS PRELIMINARES 2014 Matheus Henrique de Souza Silva Psicólogo pela Faculdade Pitágoras de Ipatinga-MG. Especializando em Clínica Psicanalítica na atualidade: construções de Freud e Lacan pela PUC-MG, professor de Psicologia aplicada à enfermagem nível técnico no CERP-MG- J. Monlevade. de contato: [email protected] RESUMO Este escrito propõe refletir sobre a função das entrevistas preliminares apontadas pela psicanálise lacaniana e ressaltadas por António Quinet (1991) em seu artigo As Funções das Entrevistas Preliminares. Pensaremos como esta questão já era vista na teoria freudiana. Perceberemos a importância deste momento, desde a construção transferencial até a obtenção de um diagnóstico estruturado pela psicanálise. Uma das formas importantes que perceberemos neste percurso é que ambos, analista e analisando, precisam se aceitar em análise e este é o primeiro passo de um longo processo que pode ser possível. Palavras-chave: Psicanálise, entrevistas, análise, Lacan ENTREVISTAS PRELIMINARES: ANALISTA E ANALISANDO Antônio Quinet (1991) em As Funções das Entrevistas Preliminares, nos faz resgatar alguns conceitos importantes para a construção ética da Psicanálise. Sabe-se que entrevistas preliminares é um conceito da construção lacaniana, pois Freud chama este processo de início de tratamento ou tratamento de ensaio, e isto nos localiza o autor logo inicialmente em seu texto, marcando uma ruptura não das ideias, pois esta segue sua cronologia na psicanálise, mas a interpretação Matheus Henrique de Souza Silva 1 Siga-nos em
2 feita a esta. Faremos a seguir algumas recapitulações e algumas observações em relação ao que nos é proposto nesta obra. Uma questão inicial que precisa ser pontuada é quanto a duração das entrevistas, mas antes, nos é necessário compreender que as entrevistas preliminares servem exatamente para selecionar, diagnosticar estruturalmente e suscitar os parâmetros trazidos pelo sujeito que só será possível através da transferência, mas retornaremos a isto adiante. Pois bem, frente à inicial ideia das entrevistas, podemos afirmar que o tempo dado a isto seja de cerca de duas a três semanas. Esta informação nos é trazida por Quinet (1991), mas precisamos lembrar que esta ideia já havia sido formulada por Freud (1913) quando em, Sobre o Início do Tratamento nos afirma que Mas posso adiantar, que desde então, tomei hábito meu, quando conheço pouco sobre um paciente, aceita-lo somente provisoriamente por um período de uma ou duas semanas (FREUD, 1913 p.139) Esta ideia freudiana servia como uma certa sondagem. Se neste período o paciente abandonasse, ele pouco perderia, e disto se interpretaria algo. Podemos perceber que desde a obra freudiana, este viés torna-se necessário pois algo ocorre nos primeiros momentos da análise para que haja um percurso interessante e produtivo. Há distinção entre a ideia de que entrevistas preliminares e análise em certo momento se assemelham e em certo ponto se convergem, e são questões interessantes a serem refletidas, sobretudo porque Freud nos reforça que é necessário deixar somente o paciente falar, e não se explica nada de que seja absolutamente necessário neste processo (FREUD 1913 p. 140), Nos faz comprovar que se trata de uma mesma estrutura, entrevistas preliminares e análise. A TRANSFERÊNCIA E O DIAGNÓSTICO ESTRUTURADO Cabe-nos ressaltar o maior dos mecanismos atribuídos pela psicanálise; a transferência. Podemos efetivamente afirmar que o processo de entrevista servirá como base para que tanto analista quanto paciente se aceitem e se disponham em análise. Ao pensar em transferência, nos é preciso refletir sobre outra questão importante à EP, o próprio diagnóstico estruturado pela psicanálise. Ao iniciar o tratamento o paciente traz em seu discurso um sintoma. As informações fornecidas nas EP servem como base para um diagnóstico distinto entre neurose, psicose e perversão. Todavia Basta-nos o enigma instituído pelo sujeito para que se movimente esta histerizacão trazida enquanto queixa. Este movimento representa efetivamente retirar o sujeito do lugar de buscar sentido para seu sintoma e sim, conseguir produzir uma significação frente ao, mencionado por Quinet (1991): Que Queres? A localização do diagnóstico só pode ser conferida como algo que oriente o tratamento, e não que seja motriz a este. Para se atingir o diagnóstico preciso, é necessário pensar que somente a própria transferência poderá nos fornecer esta Matheus Henrique de Souza Silva 2 Siga-nos em
3 contribuição. Assim, a Transferência no tratamento analítico, nos aparece desde o início, como a arma mais forte da resistência (FREUD 1912 p. 115). E o que queres? torna-se a pergunta fundamental que conduz a língua, a queixa e o sintoma à uma liberdade em análise, chamada associação livre. A distinção do diagnóstico nas entrevistas preliminares é de fato, o que fundará um bom tratamento analítico. A Histeria do sujeito e os furos de sua linguagem passarão pelo crivo do simbólico para ser feito este diagnóstico de maneira diferencial. O Neurótico e o Perverso discursam o simbólico, e respectivamente o neurótico o censura e o perverso o fixa em algo que Quinet (1991) nos lembra, o Fetiche. O Psicótico é aceito na clínica lacaniana, em que a lei é extraditada e foracluída nas arestas do desconhecido Real. Desta maneira pode-se haver erros frente a linguagem, mas o analista não pode hesitar, mesmo que nesta estrutura, psicótica, o simbólico não apareça. Frente a este início do tratamento ou Entrevistas preliminares, Freud (1913) nos lembra que: Ela não produz o resultado desejado de acabar com o sintoma, mas tem outras consequências. A princípio desperta resistências, mas depois, quando estas forrem superadas, estabelecem um processo de pensamento onde a recordação inconsciente acaba por realizar-se (FREUD 1913 p.157) CONCLUSÃO Desta maneira, podemos afirmar que frente ao que Quinet (1991) nos apresenta, e o que o pai da Psicanálise nos fornece ao início do tratamento, este parece ser o momento mais importante para o processo. Reforcemos a ideia de que a estrutura deve se pautar na própria análise, e que o maior objetivo, o de formular um diagnóstico que oriente o analista à análise, só pode ter êxito se pautado pela força da transferência. O paciente só atingirá a autonomia sobre sua própria análise quando vencida a resistência através da transferência. O paciente, contudo, só faz uso da instrução, na medida em que for induzido a fazê-lo (FREUD 1913 p. 158), pela transferência. Questões vinculadas a dinheiro, tempo e mesmo o próprio funcionamento da análise se dará neste início. E isto é importante para o percurso. Podemos fazer referencia à entrevista preliminar, efetivamente da mesma forma como Quinet (1991) na epígrafe de seu texto, colhida de um verso budista nos diz: Portanto, aos seus questionamentos oferece-lhes apensas o silêncio. Silêncio - e o dedo apontando para o caminho A entrevista preliminar abrirá os caminhos para o prosseguimento de uma possível análise. A transferência é a válvula que fornecerá resultados, a fim de propor através de um diagnóstico estruturado pela psicanálise, encontrar vias de desconstrução de resistências e identificações. Matheus Henrique de Souza Silva 3 Siga-nos em
4 Estas são, de fato, as reflexão que Quinet (1991) nos faz desvendar para compreender que as entrevistas preliminares operam inicialmente provando que em um processo entre analista e analisando certamente não se pode recuar, pois é um percurso possível. Matheus Henrique de Souza Silva 4 Siga-nos em
5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. QUINET, A. A função das entrevistas preliminares. in As 4+1 Condições da Analise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, FREUD, Sigmund. A dinâmica da transferência (1912) In: Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, v XII. Rio de Janeiro: Imago, Sobre o início do tratamento (1913) In: Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, v XII. Rio de Janeiro Matheus Henrique de Souza Silva 5 Siga-nos em
Referências Bibliográficas
98 Referências Bibliográficas ALBERTI, S. Esse Sujeito Adolescente. Rio de Janeiro: Rios Ambiciosos, 1999. APOLINÁRIO, C. Acting out e passagem ao ato: entre o ato e a enunciação. In: Revista Marraio.
6 Referências bibliográficas
6 Referências bibliográficas BARROS, R. do R. O Sintoma enquanto contemporâneo. In: Latusa, n. 10. Rio de Janeiro: Escola Brasileira de Psicanálise Seção Rio, 2005, p. 17-28. COTTET, S. Estudos clínicos.
A OPERAÇÃO DO DISCURSO ANALÍTICO
A OPERAÇÃO DO DISCURSO ANALÍTICO Este trabalho é um recorte do projeto de iniciação científica (PIBIC) Estruturas Clínicas e Discurso: a neurose, no qual trabalhamos o texto do Seminário XVII: O Avesso
Componente Curricular: Psicoterapia I Psicanálise Professor(a): Dalmir Lopes Período: 8º TURNO: Noturno Ano:
CRÉDITOS Componente Curricular: Psicoterapia I Psicanálise Professor(a): Dalmir Lopes Período: 8º TURNO: Noturno Ano: 2015.2 TOTAL DE AULAS(h/a) CARGA HORÁRIA ATIVIDADES EM ESPAÇOS DIVERSIFICADOS CARGA
Psicanálise e Saúde Mental
Psicanálise e Saúde Mental Pós-graduação Lato Sensu em Psicanálise e Saúde Mental Coordenação: Drª Aparecida Rosângela Silveira Duração: 15 meses Titulação: Especialista em Psicanálise e Saúde Mental Modalidade:
Tempos significantes na experiência com a psicanálise 1
Tempos significantes na experiência com a psicanálise 1 Cássia Fontes Bahia O termo significante está sendo considerado aqui em relação ao desdobramento que pode tomar em um plano mais simples e primeiro
CEP -CENTRO DE ESTUDOS PSICANALÍTICOS. Curso de Formação em Pasicanálise. Ciclo IV 3ª Noite
CEP -CENTRO DE ESTUDOS PSICANALÍTICOS Curso de Formação em Pasicanálise Ciclo IV 3ª Noite O atravessamento da Psicanálise em meu cotidiano Nathália Miyuki Yamasaki 2014 Chego para análise e me ponho a
CENTRO DE ESTUDOS PSICANALÍTICOS
CENTRO DE ESTUDOS PSICANALÍTICOS Escutar a estrutura uma condição para a direção do tratamento FELIPE DE LIMA FAGUNDES CICLO IV 4 a -feira à noite - São Paulo - A função paterna é um lugar que se constitui
3) Interrogações sobre a Ética da Psicanálise na Clínica com Pacientes Psicóticos.
3) Interrogações sobre a Ética da Psicanálise na Clínica com Pacientes Psicóticos. Yzabelle dos Anjos Almeida (IP-UERJ), Rita Maria Manso de Barros (IP-UERJ) Resumo: Este trabalho pretende tratar da ética
Curso de Extensão: LEITURAS DIRIGIDAS DA OBRA DE JACQUES LACAN/2014
Curso de Extensão: LEITURAS DIRIGIDAS DA OBRA DE JACQUES LACAN/2014 Prof. Dr. Mario Eduardo Costa Pereira PROGRAMA - Io. SEMESTRE Março/2014 14/03/2014 CONFERÊNCIA INAUGURAL : Contextualização do seminário
PSICANÁLISE COM CRIANÇAS: TRANSFERÊNCIA E ENTRADA EM ANÁLISE. psicanálise com crianças, sustentam um tempo lógico, o tempo do inconsciente de fazer
PSICANÁLISE COM CRIANÇAS: TRANSFERÊNCIA E ENTRADA EM ANÁLISE Pauleska Asevedo Nobrega Assim como na Psicanálise com adultos, as entrevistas preliminares na psicanálise com crianças, sustentam um tempo
FREUD E LACAN NA CLÍNICA DE 2009
FREUD E LACAN NA CLÍNICA DE 2009 APRESENTAÇÃO O Corpo de Formação em Psicanálise do Instituto da Psicanálise Lacaniana- IPLA trabalhará neste ano de 2009 a atualidade clínica dos quatro conceitos fundamentais
8. Referências bibliográficas
8. Referências bibliográficas ABRAM, J. (2000). A Linguagem de Winnicott. Revinter, Rio de Janeiro. ANDRADE, V. M. (2003). Um diálogo entre a psicanálise e a neurociência. Casa do Psicólogo, São Paulo.
O ATO PSICANALÍTICO NO CAMPO DO GOZO. verificação e comprovação. Sendo esse o tema de nosso projeto de mestrado,
O ATO PSICANALÍTICO NO CAMPO DO GOZO Liliana Marlene da Silva Alves Sérgio Scotti O ato psicanalítico é fonte de interrogação e instrumento de autorização para todo aquele que se propõe seguir uma prática
CEP CENTRO DE ESTUDOS PSICANALÍTICOS
CEP CENTRO DE ESTUDOS PSICANALÍTICOS As pulsões e suas repetições. Luiz Augusto Mardegan Ciclo V - 4ª feira manhã São Paulo, maio de 2015. Neste trabalho do ciclo V apresentamos as análises de Freud sobre
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM TEORIA PSICANALÍTICA Deptº de Psicologia / Fafich - UFMG
1 CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM TEORIA PSICANALÍTICA Deptº de Psicologia / Fafich - UFMG Disciplina: Conceitos Fundamentais A 1º sem. 2018 Ementa: O curso tem como principal objetivo o estudo de conceitos
5 Referências bibliográficas
82 5 Referências bibliográficas BAKER, L. R. Attitudes in Action. Separata de: LECLERC, A.; QUEIROZ, G.; WRIGLEY, M. B. Proceedings of the Third International Colloquium in Philosophy of Mind. Manuscrito
6 Referências bibliográficas
6 Referências bibliográficas ABREU, T. Perversão generalizada. In: Agente: Revista digital de psicanálise da EBP-Bahia, n. 03. Salvador: EBP-Bahia, 2007. Disponível em: .
PsicoDom, v.1, n.1, dez
PsicoDom, v.1, n.1, dez. 2007 13 Resenha do livro Categorias Conceituais da Subjetividade Jorge Sesarino 1 Fabio Thá, conhecido nome da psicanálise em Curitiba, foi um dos pioneiros no estudo da obra de
CLÍNICA, TRANSFERÊNCIA E O DESEJO DO ANALISTA 1 CLINIC, TRANSFERENCE AND DESIRE OF THE ANALYST. Fernanda Correa 2
CLÍNICA, TRANSFERÊNCIA E O DESEJO DO ANALISTA 1 CLINIC, TRANSFERENCE AND DESIRE OF THE ANALYST Fernanda Correa 2 1 Monografia de Conclusão do Curso de Graduação em Psicologia 2 Aluna do Curso de Graduação
CEP - CENTRO DE ESTUDOS PSICANALÍTICOS DE SÃO PAULO. São Paulo, 31 de Maio de A DIFERENÇA ENTRE O DIAGNÓSTICO FENOMENOLÓGICO E O
CEP - CENTRO DE ESTUDOS PSICANALÍTICOS DE SÃO PAULO São Paulo, 31 de Maio de 2016. A DIFERENÇA ENTRE O DIAGNÓSTICO FENOMENOLÓGICO E O PSICODINÂMICO: A BUSCA POR UM NOME PARA OS SINTOMAS. Nome: Denise de
As Implicações do Co Leito entre Pais e Filhos para a Resolução do Complexo de Édipo. Sandra Freiberger
As Implicações do Co Leito entre Pais e Filhos para a Resolução do Complexo de Édipo Sandra Freiberger Porto Alegre, 2017 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL INSTITUTO DE PSICOLOGIA CURSO: INTERVENÇÃO
7 Referências Bibliográficas
81 7 Referências Bibliográficas ARRIVÉ, M. Linguagem e psicanálise: lingüística e inconsciente. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 1999. BAUMAN, Z. Vida líquida. (2009). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2009.
O MANEJO DA TRANSFERÊNCIA NA PSICOSE: O SECRETÁRIO DO ALIENADO E SUAS IMPLICAÇÕES
O MANEJO DA TRANSFERÊNCIA NA PSICOSE: O SECRETÁRIO DO ALIENADO E SUAS IMPLICAÇÕES Roberto Lopes Mendonça O tratamento da psicose: impasses iniciais No trabalho clínico com a psicose, torna-se cada vez
EU VIM PORQUE O DOUTOR MANDOU! : A TRANSFERÊNCIA IMPLICADA NO ENCAMINHAMENTO MÉDICO
EU VIM PORQUE O DOUTOR MANDOU! : A TRANSFERÊNCIA IMPLICADA NO ENCAMINHAMENTO MÉDICO Vanusa Balieiro do Rego Roseane de Freitas Nicolau Articulado a partir de discussões no grupo de pesquisa intitulado
Histeria sem ao-menos-um
Opção Lacaniana online nova série Ano 6 Número 17 julho 2015 ISSN 2177-2673 1 Angelina Harari Abordar o tema da histeria a partir da doutrina do UM tem como antecedente o meu passe, muito embora não se
O CASO CLÍNICO E A CONSTRUÇÃO DA TEORIA EM PSICANÁLISE: UMA ARTICULAÇÃO NO CAMPO DA SAÚDE MENTAL
O CASO CLÍNICO E A CONSTRUÇÃO DA TEORIA EM PSICANÁLISE: UMA ARTICULAÇÃO NO CAMPO DA SAÚDE MENTAL Emilie Fonteles Boesmans Jonas Torres Medeiros Lia Carneiro Silveira Introdução Neste trabalho, apresentaremos
Carga horária total: 04 Prática: 04 Teórico Prática: Semestre Letivo 1º/2012 Ementa
Unidade Universitária Centro de Ciências Biológicas e da Saúde - 040 Curso Psicologia Disciplina Psicopatologia Psicodinâmica Professor(es) e DRTs Fernando Genaro Junior 114071-3 Sandra Fernandes de Amorim
A ESSÊNCIA DA TEORIA PSICANALÍTICA É UM DISCURSO SEM FALA, MAS SERÁ ELA SEM ESCRITA?
A ESSÊNCIA DA TEORIA PSICANALÍTICA É UM DISCURSO SEM FALA, MAS SERÁ ELA SEM ESCRITA? Maurício Eugênio Maliska Estamos em Paris, novembro de 1968, Lacan está para começar seu décimo sexto seminário. Momento
Sofrimento e dor no autismo: quem sente?
Sofrimento e dor no autismo: quem sente? BORGES, Bianca Stoppa Universidade Veiga de Almeida-RJ [email protected] Resumo Este trabalho pretende discutir a relação do autista com seu corpo, frente à
O NÃO LUGAR DAS NÃO NEUROSES NA SAÚDE MENTAL
O NÃO LUGAR DAS NÃO NEUROSES NA SAÚDE MENTAL Letícia Tiemi Takuschi RESUMO: Percebe-se que existe nos equipamentos de saúde mental da rede pública uma dificuldade em diagnosticar e, por conseguinte, uma
Do fenômeno ao sintoma: impasses e possibilidades na escuta do sujeito na instituição. Claudia Escórcio Gurgel do Amaral Pitanga Doris Rinaldi
Do fenômeno ao sintoma: impasses e possibilidades na escuta do sujeito na instituição Claudia Escórcio Gurgel do Amaral Pitanga Doris Rinaldi O presente trabalho tem a intenção de discutir os impasses
Escritores Criativos E Devaneio (1908), vol. IX. Fantasias Histéricas E Sua Relação Com A Bissexualidade (1908), vol. IX. Moral Sexual Civilizada E
6 Bibliografia ANDRÉ, S., A Impostura Perversa, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed., 1995. BROUSSE, M. H., A Fórmula do Fantasma? $ a, in Lacan, organizado por: Gérard Miller, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed.,
Resenha. Considerações sobre a teoria lacaniana das psicoses*
Resenha Considerações sobre a teoria lacaniana das psicoses* SOUZA LEITE, M. P. Questões preliminares à psicanálise de psicóticos, Palestra. Iª Semana de Psicanálise. Novembro-1987, PUC-SP (www.marciopeter.com.br).
PSICANÁLISE NO HOSPITAL: UMA EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO
PSICANÁLISE NO HOSPITAL: UMA EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO Yuri Ximenes Ávila Siqueira Telles Este artigo trata de questões concernentes à minha experiência de um ano de estágio no
PROJETO AIMEE: A CLÍNICA DA PSICOSE E SEU EFEITO NO SOCIAL
PROJETO AIMEE: A CLÍNICA DA PSICOSE E SEU EFEITO NO SOCIAL Autoras: 1 BARRETO, Ellen Kelly Marinho; 2 FERNANDES, Regileide de Lucena; 3 LAVIERI, Maria Beatriz Ferreira; 4 MIGUEL, Isabelle Maria Duarte
Carta 69 (1897) in:... volume 1, p Hereditariedade e a etiologia das neuroses (1896) in:... volume 3, p Mecanismo Psíquico do
104 Bibliografia: BORING, E. G. & HERRNSTEIN, R. J. (orgs.) Textos Básicos de História da Psicologia. São Paulo: Editora Herder, 1971. CAMPOS, Flavia Sollero. Psicanálise e Neurociência: Dos Monólogos
Psicanálise em Psicóticos
Psicanálise em Psicóticos XIX Congresso Brasileiro de Psicanálise Recife, 2003 Dr. Decio Tenenbaum Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro, Rio 2 End: [email protected] Processos Psicanalíticos
O Psicótico: aspectos da personalidade David Rosenfeld Sob a ótica da Teoria das Relações Objetais da Escola Inglesa de Psicanálise. Expandiu o entend
A CLÍNICA DA PSICOSE Profª Ms Sandra Diamante Dezembro - 2013 1 O Psicótico: aspectos da personalidade David Rosenfeld Sob a ótica da Teoria das Relações Objetais da Escola Inglesa de Psicanálise. Expandiu
Entretantos, 2014 LACAN COMENTÁRIO DO TEXTO: A DIREÇÃO DO TRATAMENTO E OS PRINCÍPIOS DO SEU
Entretantos, 2014 Grupo: DE LEITURA: CASOS CLÍNICOS DE FREUD ACOMPANHADOS DE COMENTÁRIOS DE LACAN Integrantes: Ana Maria Leal, Célia Cristina Marcos Klouri, Claudia Justi Monti Schonberger, Cristina Petry,
A POSIÇÃO DO TERAPEUTA NA DIREÇÃO DO TRATAMENTO 1. Tassia Theves 2.
A POSIÇÃO DO TERAPEUTA NA DIREÇÃO DO TRATAMENTO 1 Tassia Theves 2. 1 Artigo realizado no curso de psicologia da Unijuí 2 Acadêmica de psicologia na Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande
AS DIREÇÕES DO TRATAMENTO NA CLÍNICA DA PSICOSE
AS DIREÇÕES DO TRATAMENTO NA CLÍNICA DA PSICOSE Autoras: 1 BARRETO, Ellen Kelly Marinho; 2 FERNANDES, Regileide de Lucena; 3 LAVIERI, Maria Beatriz Ferreira; 4 MIGUEL, Isabelle Maria Duarte 1.1.Resumo
8 Referências bibliográficas
8 Referências bibliográficas ANDRÉ, S. A impostura perversa. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1995. BARANDE, R. Poderemos nós não ser perversos? Psicanalistas, ainda mais um esforço. In: M UZAN, M. et al.
Resenha do livro Desarrazoadas: devastação e êxtase
Resenha do livro Desarrazoadas: devastação e êxtase Bela Malvina Szajdenfisz O livro de Elisabeth da Rocha Miranda, Desarrazoadas: devastação e êxtase, é resultado de seu doutoramento no programa de Pesquisa
CONFIGURAÇÕES DO MOVIMENTO PSICANALÍTICO: DA TRANSMISSÃO E SUAS REPERCUSSÕES NA FORMAÇÃO DO ANALISTA
CONFIGURAÇÕES DO MOVIMENTO PSICANALÍTICO: DA TRANSMISSÃO E SUAS REPERCUSSÕES NA FORMAÇÃO DO ANALISTA Ana Carolina Viana Silva Parece representar o marco da expansão do discurso analítico. Kupermann (1996)
CEP - Centro de Estudos Psicanalíticos. A psicanálise como berço ou por que tratamos apenas crianças em nossos consultórios
CEP - Centro de Estudos Psicanalíticos Luis Fernando de Souza Santos Trabalho semestral - ciclo II (terças 19h30) A psicanálise como berço ou por que tratamos apenas crianças em nossos consultórios Se
A Presença do Analista e o Manejo da Transferência nas Psicoses
A Presença do Analista e o Manejo da Transferência nas Psicoses Trabalho apresentado na Biblioteca Freudiana de Curitiba em dezembro de 2007. Desde as minhas primeiras experiências clínicas, eu já me questionava
Referências bibliográficas
Referências bibliográficas BARTHES, R. (1980) A Câmera Clara. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1984. BARROS, R. R. (2004 a) O medo, o seu tempo e a sua política. In: A política do medo e o dizer
A resistência como potência
A resistência como potência Arthur Figer O fenômeno da resistência na teoria e clínica psicanalíticas é marcado por diferentes conceitos e interpretações, muitas vezes ambíguos e contraditórios. Ao mesmo
Entrevistas preliminares: marcos orientadores do tratamento psicanalítico
Anna Barbara de Freitas Carneiro, Breno Ferreira Pena & Ione Maria Cardoso Entrevistas preliminares: marcos orientadores do tratamento psicanalítico Anna Barbara de Freitas Carneiro Breno Ferreira Pena
O SINTOMA EM FREUD SOB UMA VISÃO PSICANALÍTICA NO HOSPITAL
O SINTOMA EM FREUD SOB UMA VISÃO PSICANALÍTICA NO Resumo: HOSPITAL Cláudio Roberto Pereira Senos, Paula Land Curi, Paulo Roberto Mattos Para os que convivem no âmbito do hospital geral, o discurso médico
CALENDÁRIO PARA Psicanálise: A cura pela palavra (sexta) Freud e o início do Tratamento: contrato e as
Cronograma do Curso de Especialização em Psicanálise Clínica - ANO 2018 19h00 às 22h30 aos sábados (manhã e tarde) das 08h00 às 12h00 e das 13h30 às 17h00) (aulas às sextas feiras das CALENDÁRIO PARA 2018
Latusa digital ano 2 N 13 abril de 2005
Latusa digital ano 2 N 13 abril de 2005 A transferência e o gozo mudo do sintoma Maria do Rosário Collier do Rêgo Barros * O ponto de partida de minha questão é a dimensão da transferência que não se apóia
Programa Analítico de Disciplina EDU210 Psicologia da Educação I
0 Programa Analítico de Disciplina Departamento de Educação - Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes Número de créditos: 4 Teóricas Práticas Total Duração em semanas: 15 Carga horária semanal 4 0 4
SUJEITO FALANTE E A RESISTÊNCIA À DEMANDA DE ANÁLISE
SUJEITO FALANTE E A RESISTÊNCIA À DEMANDA DE ANÁLISE Unitermos: Castração Angustia Sintoma Demanda Resistência Gozo ANA LUCIA SAMPAIO FERNANDES Resumo Partindo do questionamento: Por que o sujeito falante,
AS DEPRESSÕES NA ATUALIDADE: UMA QUESTÃO CLÍNICA? OU DISCURSIVA?
Anais do V Seminário dos Alunos dos Programas de Pós-Graduação do Instituto de Letras da UFF AS DEPRESSÕES NA ATUALIDADE: UMA QUESTÃO CLÍNICA? OU DISCURSIVA? Amanda Andrade Lima Mestrado/UFF Orientadora:
INVESTIGAÇÃO EM PSICANÁLISE NA UNIVERSIDADE
INVESTIGAÇÃO EM PSICANÁLISE NA UNIVERSIDADE Gilberto Safra 1 Instituto de Psicologia USP E ste evento surge no momento em que o Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da Universidade
Referências bibliográficas
Referências bibliográficas ABRAHAM, K. (1918) Contribution a la psychanalyse des névroses de guerre in Oeuvres Complètes II 1915/1925. Paris: Payot, 2000. ANZIEU, D. O Eu-pele. São Paulo: Casa do Psicólogo,
6 Referências bibliográficas
6 Referências bibliográficas ANDRÉ, S. A impostura perversa. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1995. ASSOUN, P-L. Le fétichisme. 1. ed. Paris: Presses Universitaires de France, 1994. AUSTIN, J. L. How to
Latusa Digital ano 1 N 8 agosto de 2004
Latusa Digital ano 1 N 8 agosto de 2004 Sobre o incurável do sinthoma Ângela Batista * "O que não entendi até agora, não entenderei mais. Graciela Brodsky Este trabalho reúne algumas questões discutidas
Psicanálise e Ciência: um sujeito, dois discursos
Psicanálise e Ciência: um sujeito, dois discursos Hilana Erlich* A proposta desse trabalho é investigar a relação entre psicanálise e ciência a partir da noção de sujeito. De acordo com Lacan, o surgimento
DIMENSÕES PSÍQUICAS DO USO DE MEDICAMENTOS 1. Jacson Fantinelli Dos Santos 2, Tânia Maria De Souza 3.
DIMENSÕES PSÍQUICAS DO USO DE MEDICAMENTOS 1 Jacson Fantinelli Dos Santos 2, Tânia Maria De Souza 3. 1 Ensaio teórico embasado numa pesquisa empírica segundo atendimentos realizados na Clínica de Psicologia
Título: O lugar do analista enquanto suporte dos processos introjetivos Autor: Ricardo Salztrager
1 Título: O lugar do analista enquanto suporte dos processos introjetivos Autor: Ricardo Salztrager A proposta do trabalho é questionar qual o lugar do analista no atendimento a pacientes que apresentam
MULHERES MASTECTOMIZADAS: UM OLHAR PSICANALÍTICO. Sara Guimarães Nunes 1
MULHERES MASTECTOMIZADAS: UM OLHAR PSICANALÍTICO Sara Guimarães Nunes 1 1. Aluna Especial do Mestrado em Psicologia 2016.1, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Tipo de Apresentação: Comunicação
UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE Decanato Acadêmico
Unidade Universitária: Centro de Comunicação e Letras Curso: Jornalismo Disciplina: Psicologia Professor(es): Nora Rosa Rabinovich Carga horária: 25,5h Ementa: (x) Teórica ( ) Prática Núcleo Temático:
A ENTRADA EM ANÁLISE DE FREUD A LACAN. Aluna: Daniele Menezes da Silva Orientador: Marcus André Vieira
A ENTRADA EM ANÁLISE DE FREUD A LACAN Aluna: Daniele Menezes da Silva Orientador: Marcus André Vieira Introdução O projeto tem como objetivo articular as configurações de início do tratamento analítico,
Faculdade de Ciências e Tecnologia. Relatório de Estágio. Ana Caroline Moura Cabral
Faculdade de Ciências e Tecnologia. Relatório de Estágio Ana Caroline Moura Cabral Itabuna Ba 2007 1 Ana Caroline Moura Cabral Relatório de Estágio em Clínica de orientação Psicanalítica, desenvolvidas
O MANEJO DOS SONHOS NA PSICOTERAPIA PSICANALÍTICA
O MANEJO DOS SONHOS NA PSICOTERAPIA PSICANALÍTICA BISSOLI, Sidney da Silva Pereira Faculda Ciências da Saú FASU / ACEG Prefeitura Municipal SP Mestrando em Filosofia da Psicanálise UFSCar RESUMO Este trabalho
AMOR DE TRANSFERÊNCIA E A QUESTÃO DA CURA NA CLÍNICA PSICANALÍTICA
AMOR DE TRANSFERÊNCIA E A QUESTÃO DA CURA NA CLÍNICA PSICANALÍTICA (2006) Virgínia Ferreira Universidade Católica de Petróplois UCP (Brasil) Contactos: [email protected] RESUMO O presente artigo
A FALHA DA FUNÇÃO PATERNA E O SINTOMA. Desde 1957, Lacan ( /1995, p. 383) havia apontado que a interrogação o que é o
A FALHA DA FUNÇÃO PATERNA E O SINTOMA Lauro da Silva Barbosa 1 Sonia Alberti 2 QUE É UM PAI? Desde 1957, Lacan (1956-57/1995, p. 383) havia apontado que a interrogação o que é o pai? está formulada no
PSICOLOGIA E PSIQUIATRIA: UM DIÁLOGO TRANSDISCIPLINAR
PSICOLOGIA E PSIQUIATRIA: UM DIÁLOGO TRANSDISCIPLINAR Trabalho de curso 2013 Maria Luiza da Cruz Cortizo Thayane Silva Aguiar Henrique Graduandas do Curso de Psicologia na União de Ensino Superior de Viçosa
O OBJETO OLHAR E SUAS MANIFESTAÇÕES NA PSICOSE: O DELÍRIO DE OBSERVAÇÃO
1 O OBJETO OLHAR E SUAS MANIFESTAÇÕES NA PSICOSE: O DELÍRIO DE OBSERVAÇÃO Ricardo Monteiro Guedes de Almeida 1 A psicanálise lacaniana adota uma perspectiva estrutural da psicose. No texto intitulado De
A INCOMPREENSÃO DA MATEMÁTICA É UM SINTOMA?
A INCOMPREENSÃO DA MATEMÁTICA É UM SINTOMA? ROSELI MARIA RODELLA DE OLIVEIRA [email protected] A proposta deste trabalho é explicar o sintoma de incompreensão da matemática. Ela está inspirada em uma
A ESCRAVIDÃO. O DISCURSO DA LIBERDADE É MÍTICO
A ESCRAVIDÃO. O DISCURSO DA LIBERDADE É MÍTICO Rachel Rangel Bastos 1 Pretendemos aqui discutir a questão da dominação e servidão, independência e dependência, como noções que vinculam o desejo ao desejo
Programa da Formação em Psicoterapia
Programa da Formação em Psicoterapia Ano Programa de Formação de Especialidade em Psicoterapia Unidades Seminários Tópicos Programáticos Horas dos Módulos Desenvolvimento Pessoal do Psicoterapeuta > Construção
CRONOGRAMA SESAB 19/ 09 PSICOLOGIA HOSPITALAR 25/09 PSICOLOGIA DA SAÚDE 21/09 SAÚDE COLETIVA
CRONOGRAMA SESAB 19/ 09 PSICOLOGIA HOSPITALAR PARTE 1: CONCEITOS DE PSICOLOGIA APLICADOS AO CONTEXTO HOSPITALAR Contexto histórico (parte I) Contexto histórico (parte II) Atuação do psicólogo (parte I)
Interessa ao convênio a Psicanálise? Jackeline kruschewsky Duarte Raphael
Interessa ao convênio a Psicanálise? Jackeline kruschewsky Duarte Raphael Estamos vivendo um momento dentro da nossa prática no qual, cada vez mais, atender pacientes em psicanálise através de convênio
Instituto de Psicanálise e Saúde Mental de Minas Gerais: Almanaque On-line, n 21
A CURA PELO AMOR OU O AMOR PELA CURA Resumo: O texto visa trabalhar a questão do amor na experiência analítica, a saber, suas incidências clínicas na transferência. O aspecto libidinal envolvido na escolha
UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE
Unidade Universitária Centro de Ciências Biológicas e da Saúde - 040 Curso: Psicologia Disciplina: Psicanálise II Professor(es) e DRTs Carmen Silvia de Souza Nogueira DRT: 112426-1 Fernando Genaro Junior
Psicanálise Integrativa
Psicanálise Integrativa ENRIQUE DANIEL TOSI BENTANCUR Psicanalista 1 2 3 Quando você atinge a iluminação não se torna uma nova pessoa. Na verdade, você não ganha nada, apenas perde algo: se desprende de
