BOLETIM PROJETO CHUVA - 22 DE JUNHO DE 2011

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1 BOLETIM PROJETO CHUVA - 22 DE JUNHO DE 2011 Condições Climáticas Na carta de Temperatura da Superfície do Mar (TSM), que pode ser analisado através da Figura 1a, são observadas anomalias positivas de TSM sobre o Atlântico Tropical Norte (10 N- 20 N) até 2 C. Isso define um padrão de neutralidade com pequenas áreas de anomalias negativas sobre a região equatorial (próximo ao Continente Africano) e outra área de anomalias negativas próxima da costa do Nordeste Brasileiro. Essa configuração deixa o litoral paraense e maranhense com pouca nebulosidade significativa, devido ao posicionamento dos sistemas meteorológicos de grande escala mais próximo ao Hemisfério Norte (HN). Com a distribuição espacial do acumulado de precipitação para o dia 22 de Junho de 2011 (Figura 1b) pode-se verificar que os maiores valores de chuva ocorreram sobre a porção nordeste do Estado do Pará e Baixo Amazonas. As distribuições das chuvas para esse dia ficaram configuradas pela interação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e convecção local. Também foram registradas chuvas em quase todo Estado do Amapá, porém, com menores valores de precipitações acumulados. Figura 1: Anomalia de Temperatura da Superfície do Mar (a) para o período de 15 a 22 de Junho de 2011 e a Precipitação Acumulada (b) para o dia 23 de Junho de Fonte: National Centers for Environmental Prediction (NCEP), processado pelo Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM).

2 Análise Sinótica Na Figura 2, a imagem de satélite do canal do infravermelho mostra os sistemas de grandes escalas que estão atuando na América do Sul e no Oceano Atlântico. Porém, observa-se a ZCIT atuando mais ao norte, devido a sua migração climatológica para o Hemisfério Norte (HN), posicionando-se aproximadamente entre 6 e 8 N. Embora este sistema esteja mais para o HN, ainda influencia a ocorrência de eventos de chuva na porção norte da América do Sul, destacando o Estado do Amapá. Na porção nordeste do Pará, destaca-se a nebulosidade do tipo convectiva devido a ocorrência de brisa marítima. Também observa-se a presença de muita nebulosidade na faixa leste do Nordeste do Brasil devido a alta umidade transportada do oceano em direção ao continente. No Sul do Brasil, observa-se a presença de muita nebulosidade associado a um sistema frontal. Já na parte central do Brasil, observa-se a presença de uma massa de ar seca que inibe a formação de nebulosidade significativa sobre essa região, deixando a atmosfera estável. Figura 2: Imagem de satélite no canal Infravermelho (IR) às 18 GMT de 22 de Junho 2011 do METEOSAT-09. Fonte: CENSIPAM/CR-BELÉM. Mesoescala: GMT dia 22/06/11 (Figura 3a e 3b) Analisando as imagens de satélite das 06 e 12 GMT, nota-se que em grande parte do Estado do Pará, o amanhecer foi de céu claro entre poucas nuvens, com exceção das áreas do sudoeste do Estado do Pará, onde se observa uma maior presença de nebulosidade. Porém, notase que a presença de nebulosidade mais significativa está sobre os estado mais a oeste da região norte, como Roraima, Amazonas e também no litoral do Amapá. No Nordeste do Brasil, observa-se nebulosidade variada, principalmente na região litoranea, com destaque para a presença do sistema convectivo nas proximidades do Rio Grande do Norte e Ceará. Observa-se nas imagens o deslocamento do sistema frontal vindo da Argentina em direção ao Sul do Brasil e a formação de um ciclone no oceano Pacifico, no sul do Chile.

3 Mesoescala: 18 GMT dia 22/06/11 (Figura 3c) e 00 GMT dia 23/06/11 (Figura 3d) Nas imagens de satélite das 18 e 00 GMT (Figuras 3c e 3d ) pode-se observar que as regiões em destaques, devido a interação da Zona de Convergencia Intertropical e a umidade da Amazônia, formam áreas de grandes intabilidades atmosféricas com nebulosidade do tipo convectiva, principalmente nos estados de Roraima, Amazonas, Amapá e sudoeste do Pará. Já no Nordeste do Brasil, tem-se a porção litorânea devido aos efeitos da brisa marítima. E no Sul do país, observa-se a chegada do sistema frontal que deixa o tempo chuvoso e frio. No restante do territorio brasileiro, principalmente na região central, observa-se a persistência de uma massa de ar seco que deixa o tempo com baixos valores de umidade relativa do ar. (a) (b) (c) (d) Figura 3: Imagens de satélite GOES-12 realçadas no canal infravermelho (IR) referentes aos horários de (a) 06 GMT do dia 22/06/11, (b) 12 GMT do dia 22/06/11, (c) 18 GMT do dia 22/06/11 e (d) 00 GMT do dia 23/06/11. Fonte: CPTEC/INPE. (a) Perfil Termodinâmico de Belém Observando a sondagem, das 12 GMT (Figura 4), ao qual mostra o perfil vertical da atmosfera sobre Belém e que é representado pela temperatura do ar (linha vermelha) e da temperatura do ponto de orvalho (linha azul).

4 Verifica-se que do nível de 650 hpa até aproximadamente 300 hpa, existe uma camada seca que deixa a atmosfera estável. Ventos apresentam-se com direção variando de Leste/Nordeste, sem a presença de cisalhamento. A análise conjunta da CAPE (Energia Potencial Disponível para Convecção), com valores de 517JKg -1, e o índice Total Totals de 42, indicam a ocorrência de atmosfera instável e com baixo potencial para convecção, apesar do índice K está com seu valor baixo 25. Todos os índices de Instabilidade (K, TT e LI) estão dispostos na tabela ao lado da figura, com condições favoráveis para a formação de tempestade de forma isolada. Figura 4: Perfil termodinâmico da atmosfera em Belém às 12 UTC para o dia 22 de Junho de Informações RADAR meteorológico de Belém Para o dia 22 de junho a distribuição espacial da refletividade obtido através dos dados do Radar de Belém, utilizando o Software TITAN, registrou para o dia um total de 28 células convectivas. A distribuição dos eventos de chuva foi a Sudoeste do radar. Para esse dia, a variação no intervalo de refletividade foi desde 45 até 26 dbz. Com uma predominância de 30 a 36 dbz. A variação e distribuição espacial da altura do topo das células convectivas para esse dia foi entre 14 e 5 km. A espacialização foi uniforme com algumas predominâncias de máximo de 17 km na região a nordeste e sudeste do radar. Tudo isso pode ser observado na Figura 5.

5 (a) (b) Figura 5. Distribuição espacial do valor de refletividade em dbz (a) e distribuição espacial dos valores dos topos das células convectivas em km (b), para o dia 22 de junho de 2011, na área abrangente do Radar de Belém-SIPAM.

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