O Livro das Aves. Fragmento de um manuscrito desaparecido. Maria Eurydice de Barros Ribeiro (Unb)
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- Felipe Álvares Pinhal
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1 I Seminário Brasileiro sobre Livro e História Editorial Realização: FCRB UFF/PPGCOM UFF/LIHED 8 a 11 de novembro de 2004 Casa de Rui Barbosa Rio de Janeiro Brasil O texto apresentado no Seminário e aqui disponibilizado tem os direitos reservados. Seu uso está regido pela legislação de direitos autorais vigente no Brasil. Não pode ser reproduzido sem prévia autorização do autor. O Livro das Aves. Fragmento de um manuscrito desaparecido. Maria Eurydice de Barros Ribeiro (Unb) Em 1964 a Universidade de Brasília adquiriu da viúva do professor Serafim da Silva Neto, três códices de manuscritos medievais portugueses. No recibo da compra que consta nos arquivos da Biblioteca Central da Universidade de Brasília, os três códices são nomeados como: Livro das Aves, Flos Sanctorum ou Santuário Divino, e os Diálogos de São Gregório. Segundo o recibo, o Livro das Aves é descrito como um fragmento constituído por cinco unidades de pergaminho, sendo três delas com duas folhas, e uma, com uma folha e meia. O Flos Sanctorum possui oitenta e duas folhas e os Diálogos de São Gregório, cento e sessenta e uma. Os códices se encontram-se atualmente, no cofre da sessão de obras raras da Biblioteca Central da Universidade de Brasília. O fragmento do Livro das Aves é o único totalmente iluminado. O Flos Sanctorum não possui quaisquer iluminuras e os Diálogos trazem uma única iluminura na primeira página - um pequeno monge - uma alusão, talvez, ao próprio Gregório Magno. Há alguns anos venho me dedicando ao estudo do Livro das Aves. A análise do fragmento de um manuscrito cuja origem é desconhecida implica em um desafio que, conduz, forçosamente, aos meandros da produção e circulação do livro na Idade Média. Cumpre inicialmente esclarecer que as unidades de pergaminho se encontram em razoável estado de conservação. A escrita é clara apresentando poucas dificuldades. O texto foi traduzido do latim no século XIV, conforme indicou o paleólogo Pedro de Azevedo quando certificou sua autenticidade. As iluminuras representam as seguintes aves: o açor (em dupla), uma pomba, uma ema, um pavão, uma águia e, finalmente, uma iluminura maior que se refere ao profeta Ezequiel cercado de um anjo, de uma águia, de um leão e de um boi; atributos, como é sabido, dos quatro evangelistas. 1
2 Em novo exame detalhado, feito recentemente, pela profa. Maria Manuela Mendonça, da Universidade de Lisboa, o manuscrito teve sua autenticidade confirmada e chegamos a conclusão que se trata de dois fragmentos e não apenas de um, conforme registra o recibo da compra. O segundo fragmento a que nomearei aqui de fragmento 2- é formado de apenas uma folha de pergaminho iluminada com a representação dupla do açor. A importância dos fragmentos de Brasília é inestimável. Trata-se, do único manuscrito em português do Livro das Aves de que se tem notícia. Sobre a proveniência do fragmento, Serafim Neto revelou tê-lo comprado em um sebo de livros antigos em Lisboa. Embora desde o início do século XIV os mosteiros já tivessem perdido o monopólio da produção de manuscritos e o número de livreiros laicos tenha gradualmente, se multiplicado, os fragmentos de Brasília são provenientes de um mosteiro. Isto por que, o crescimento da produção e o conseqüente comércio do livro, correspondia, a um aumento da demanda provocada, dentre outros fatores, pela importância crescente da Universidade e do saber que se constituía a partir de obras profanas. No entanto, a produção monástica não foi interrompida. O fragmento do Livro das Aves é um bestiário destinado a comunidade do mosteiro. A tradição do texto remonta a uma compilação feita no século XII por Hugo de São Victor com o título de De Bestiis et Aliis Rebus e dedicado as aves, aos seus hábitos e costumes. O arquivo Nacional da Torre do Tombo possui uma versão proveniente do Scriptorium do mosteiro beneditino de S. Mamede de Lorvão 1, datada de 1184, que parece ser uma cópia resumida e alterada da obra de Hugo de São Victor, correspondendo aos sessenta e cinco fólios iniciais do manuscrito iluminado. As iluminuras representam, em sua maioria, aves, donde a nomeação de Livro das Aves. Maria Isabel Rebelo Gonçalves na edição recente que fez do manuscrito de Lorvão, esclarece que a impressão do texto feita por Migne na Patrologia Latina, atribui a autoria da obra não a Hugo de São Victor, mas, a Hugo de Folieto, prior de S. Nicolas de Regny, próximo a Amiens. A cópia de Folieto, denominada De auibus, multipliccouse pela Europa tendo conhecido um certo sucesso. W. B. Clarck identificou cinco grandes grupos. Os manuscritos portugueses pertencem ao grupo da Abadia de Heiligenkreuz (Santa Cruz), na Áustria 2. Têm-se conhecimento da existência de três 1 Livro das Aves de Lorvão, Scriptorium de Lorvão, 1183, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Casa Forte, n 90, Lisboa 2 Maria Isabel Rebelo Gonçalves. Livro das Aves Edição.Edições Colibri,Lisboa, 1999, p.12 2
3 cópias diferentes do Livro das Aves em Portugal. A mais antiga é a que se mencionou acima, proveniente do Mosteiro de Lorvão. A segunda pertenceu a Santa Cruz de Coimbra (Ordem de Santo Agostinho) e data do final do século XII ou princípio do século XIII. Encontra-se atualmente na Biblioteca Municipal do Porto. A terceira, hoje, na Biblioteca Nacional de Lisboa é proveniente do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça (Ordem de Cister) datada de finais do século XIII ou início do XIV. Os manuscritos de Lorvão, L, Coimbra, C, e Alcobaça, A, segundo Maria Isabel Rebelo Gonçalves divergem do texto reproduzido por Migne 3, o que nos permite verificar pelas comparações feitas com o texto em latim de Lorvão, que o fragmento de Brasília não pertencia a um manuscrito do mesmo grupo. As alterações do texto são importantes, assim como, o estilo das iluminuras. A nomeação vulgar de Livro das Aves foi mantida para o fragmento de Brasília. O texto das três cópias que se encontram em Portugal, assim como o fragmento, confirmam não ser um Tratado sobre as aves, - como chegou a ser classificado mas de um bestiário, palavra que remonta ao século XII. Por bestiário entende-se os textos escritos em prosa ou em verso que, utilizando a descrição de determinados animais, reais ou fabulosos, atribuíam aos mesmos, um valor simbólico que objetivava um aprendizado religioso e moral 4. Os bestiários latinos e romanos derivam de uma composição Alexandrina do século II, o Fisiólogo, uma espécie de repertório de animais, plantas e pedras utilizadas simbolicamente, visando uma educação doutrinária imbuída de preceitos morais. O seu parco conteúdo teológico, e elementar conhecimento de história natural, não o impediu de alcançar, uma grande repercussão no mundo cristão no decorrer da Antiguidade Tardia e da Alta Idade Média.A partir do original, em grego, as versões multiplicaramse dando origem a compilações sucessivas. Inicialmente, para diferentes línguas orientais e, a partir do século V, esporadicamente para o latim. Embora o bestiário se consagrasse apenas aos animais que se designavam por bestas - animais terrestres de quatro patas - as serpentes, os animais marinhos e as aves constam em alguns fragmentos. Dentre as fontes utilizadas nos bestiários é possível identificar a tradição naturalista da antiguidade - Aristóteles, Plínio e Sólon - as Etimologias de Isidoro de Sevilha e, naturalmente, a Bíblia 5. 3 Idem, p.31 4 Cf. Gabriel Bianciotto, Bestiaires du Moyen Age, Paris, Stock, Idem 3
4 A tradição de cópia dos bestiários latinos floresceu em particular na Inglaterra nos séculos XII e XIII. Embora seja difícil estabelecer uma datação exata, a partir de então, no ocidente, vários textos ganharam uma grande notoriedade em prosa 6. É importante salientar a permanência de uma mesma tradição nesses escritos: os mesmos elementos constitutivos encontram-se aproximadamente na mesma ordem. Pedro de Beauvais iniciando o seu Speculum Narurale, bestiário escrito no início do século XIII, afirma que se baseou nos propósitos dos filósofos antigos e que ele assim o nomeia bestiário - porque trata da natureza das bestas isto é, do conjunto das criaturas que Deus colocou na Terra. Deus as criou para o homem, para que ele aprenda com elas, exemplos de crença religiosa e de fé.beauvais cita a sua fonte, afirmando que procurou seguir fielmente o legítimo livro que o Fisiológo, sábio clérigo de Atenas, redigiu para expor as naturezas das bestas e dos pássaros 7. É freqüente a referência a diferentes aves nos bestiários do século XIII, sendo comuns o pelicano, a águia, a fênix, a ibís, o falcão, a perdiz, a avestruz, a andorinha e a pomba. É possível comparar a tradição do Livro das Aves de Brasília com as cópias em latim que se encontram em Portugal. A tradução tardia para o português no século XIV pode ser explicada pelo fato de que embora os estudiosos datem o português falado do início do século IX, os primeiros documentos escritos só aparecem no século XII. Tratam-se inicialmente de documentos de natureza específica tais como doações, testemunhos, contratos de compra e venda e outros. Mas, surgem também, os primeiros textos literários não latinos, como os cancioneiros. A partir do final do mesmo século, o galego separa-se do português e no decorrer do século seguinte a produção literária tende a se consolidar priorizando a poesia sobre a prosa. No reinado de D. Dinis ( ), o português escrito floresceu graças ao reconhecido empenho do monarca pela cultura. Várias obras importantes foram traduzidas para o português que foi decretado língua nacional. Em 1290 fundou-se a Universidade, lançando-se assim, as bases essenciais para o desenvolvimento das letras. Dentre as obras traduzidas então, encontram-se a Crônica do Mouro Rasis e a primeira tradução portuguesa da Demanda do Santo Graal. Foi a partir desse contexto cultural que o Livro das Aves teve sua tradução para o português. 6 A partir do século XIII é notável o crescimento em língua vernácula do bestiário tais como o se Pedro de Beuavias (antes de 1217) de Bernard de Clerc (1210 ou 1211) ou ainda de Gervásio (1 a metade do século). 7 Vicente de Beauvais, Speculum Naturale, im Gabriel Bianciotto, op. cit. pp
5 Conforme indiquei acima, embora eu não tenha a intenção de negligenciar a análise do texto pretendo compara-lo a cópia em latim do manuscrito L, a minha análise recairá nas iluminuras do fragmento 1, de Brasília. Espero em futuro próximo poder determinar a partir do estudo do estilo das mesmas a Ordem a qual pertenceu o manuscrito, cujos fragmentos acabaram por vir para Brasília. É desconhecida a data exata da tradução do Livro das Aves que se encontra em Brasília. Tudo o que sabemos, pelo momento, é que a tradução foi feita no século XIV. O fato dos fragmentos serem únicos é claro que não significa que não houveram outras cópias. É evidente que sim. Tais cópias, provavelmente, perderam-se para sempre. É bom lembrar que não é raro a existência de manuscritos únicos. Muitos deles são apógrafos, isto é: cópias de cópias muito posteriores ao original. Provavelmente, houve outras cópias do Livro das Aves em português,conforme o fragmento 2 sugere. É possível, também, que existam em outras línguas. No caso do fragmento que analiso, presume-se que o mesmo encontra-se no período fonético da ortografia portuguesa no qual se procurava reproduzir, na escrita, a pronúncia 8. Embora o desaparecimento das outras partes do manuscrito impeça uma comparação no sentido de avaliar a importância lingüística - em cada transladação ocorriam alterações da cópia anterior - nada impede uma comparação do fragmento com o manuscrito em latim, objetivando, apenas, o estabelecimento da tradição do texto e não a sua análise filológica. Não é possível confiar completamente nos dados paleográficos do exemplar de Brasília por que a maioria dos manuscritos quatrocentistas são possíveis cópias de outros anteriores. As transformações que sofria um manuscrito, no qual o copista introduzia particularidades de língua corrente, posterior ao texto anterior, são bastante conhecidas. Dentre as técnicas que identificou nos séculos XII e XIII, Gert Melville 9 refere-se a liberdade que o copista se conferia na compilação dos textos. Comparado a versão em latim que se encontra na Torre do Tombo é evidente a filiação do texto ao manuscrito L, mas, também, não é menos evidente a liberdade tal como nomeia Melville, que o copista se permitiu. Tal como no manuscrito de Lorvão, na cópia em português, o tradutor anônimo dedicou o seu trabalho a um certo irmão Ramiro, no exemplar em latim Rainério, incipit líber cuiusdam ad Rainerium 8 Serafim da Silva Neto, in: Coleção de Estudos Filológicos. N 2, MEC/Casa Rui Barbosa, Rio de Janeiro, 1956, p.13 9 Gert Melville, Le problème des connaissances historiques au Moyen Age.Compilation et tranmission des texts in Jean-Philippe Genet, L historigraphie médiévale en Europe, Paris, CNRS
6 conuersum, nomine Corde Benignum - conhecido por coração benigno- 10. Na tradução do monge, de alma boa 11. Mas, se por um lado, tal fidelidade ao texto compilado denota a total indiferença do copista que repete até mesmo a dedicatória feita há pelo menos dois séculos antes de sua época, por outro lado, o monge assume a liberdade de fazer apreciações que não constam do manuscrito L. É o caso, por exemplo, do comentário inserido a respeito dos quatro evangelistas da visão de Ezequiel. Se a repetição e o ordenamento do texto deixam claro a função do copista no scriptorium, não é possível imaginar que os comentários que ele fizesse, ou mesmo as alterações que ele promovesse no texto fossem indicadores de qualquer originalidade. Vale lembrar, que antes do século XV os livros eram escritos à mão sendo distribuídos em várias cópias. A medida em que novas cópias eram solicitadas, ocorria uma trasladação. Nesse momento, o texto tornava-se vulnerável as modificações, que ocorriam, as vezes pelas razões as mais simples, como o fato do escriba não compreender as letras, deturpando conseqüentemente as palavras, ou atualizasse o texto, substituindo as palavras que tinham se tornado arcaicas pelo vocabulário da sua época. Enfim, a originalidade não era um valor para os medievais. A destreza dos dedos capazes de produzir uma bela caligrafia era o que se esperava do monge copista cujo trabalho paciente, executado em silêncio, transmitiu por meio de sucessivas edições manuscritas o pensamento greco-romano que marca a cultura ocidental até os tempos atuais. A tradução para o português do Livro das Aves não segue a mesma seqüência na apresentação das aves observadas pelo manuscrito L. Convém lembrar, que as espécies não são forçosamente portuguesas, uma vez que o autor do manuscrito no século XII, não era português. Se esta constatação colocou alguns problemas para as cópias do manuscrito em latim, nos fragmentos de Brasília, o copista que seguramente era português, buscou uma adaptação: no lugar do falcão, o autor anônimo da tradução utiliza a palavra açor, igualmente uma ave diurna de rapina, existente na época em grande quantidade em Portugal, em particular, no arquipélago que leva o seu nome. A essência do texto no entanto, é a mesma: De domestico et siluestre accipitre ms.l. Do 10 Maria Isabel Rebelo Gonçalves, op. cit, 11 Livro das Aves,Fragmento de um manuscrito português do século XIV, autor anônimo. Sessão de obras raras, Biblioteca Central da Universidade de Brasília, DF. 6
7 falcão manso e do falcão bravo 12 Do Açor manso e do açor bravo, fragmento 2 de Brasília 13 O açor é a primeira ave a ser apresentada no fragmento 2 e a única a ter dupla figuração. O autor refere-se às duas aves como sendo uma mansa e a outra brava. Guardando algumas semelhanças com o manuscrito L, o copista introduziu algumas modificações importantes. O enunciado é simples, pois o autor quer ser compreendido por todos. A natureza do pássaro o bom e o mau - serve de pretexto a uma mensagem moral. Mas, esta moralização é reduzida, seguidamente, a determinados temas que ilustram as virtudes cristãs fundamentais e a explicação dos mistérios maiores da Encarnação e da Redenção. De forma repetitiva, o Bestiário apresenta um mundo maniqueísta, dividido permanentemente pelas forças antagônicas do Bem e do Mal, entre Cristo e o Demônio. Em síntese: o mundo medieval. A mensagem é retomada em cada ave incansavelmente, demonstrando que o mal deve ser afastado e que as virtudes devem ser cultivadas, visando, naturalmente, o dia do Juízo Final. Como em outros bestiários a estrutura do texto escrito é binária. No entanto, a mensagem não é tão simples como pode sugerir o conteúdo à primeira vista. Uma leitura mais cuidadosa permite perceber, igualmente, uma imbricação entre a descrição e a explicação simbólica. Antes de mais nada a preocupação maior consiste em enquadrar o bestiário a uma tradição. No scriptorium do mosteiro ninguém está a procura de uma verdade científica tal como pensamos a ciência nos tempos atuais. Ao contrário, no Livro das Aves o monge anônimo traduz: da cousa que quer saber quãdo a fegura d avee. En aqueste livro mais me trabalho eu de prazer aos simplezes s aos rudes, ca de dar e d acrecentar sabença aaqueles que letrados e doctores 14. Tais palavras transmitem claramente a preocupação do monge com os vários simples, ou seja: os conversos iletrados esclarecendo aí, a função da iluminura, que contrariamente ao que se julga nos dias atuais não ilustram, porém iluminam. A palavra 12 Maria Isabel Rebelo Gonçalves, op. cit, p Livro das Aves, ms. Brasília. 14 Idem 7
8 tem sua origem no latim iluminare, literalmente, tornar claro, permitindo pela imagem o acesso a palavra. São cinco as iluminuras de aves representadas. Todas se encontram enquadradas em molduras. A dupla representação do açor, de cores azul e branco, tem como fundo uma arquitetura simétrica onde é possível vislumbrar três rostos esculpidos. As aves guardam, nitidamente, as características próprias das aves de rapina: patas, bico, porte. A pomba encontra-se acomodada em uma árvore que ocupa o centro. A figura é condizente com o texto. A ave aninhou-se completamente ao verde da árvore, percebendo-se o seu contorno em vermelho. A ema encontra-se de pé e de perfil, parecendo ter perdido a sua tonalidade inicial que se assemelha à cor do pergaminho. O pavão, na mesma posição, ganhou um belo colorido ainda possível de ser distinguido: a predominância do azul no corpo, se mantêm nas pontas das asas, igualmente azuis. A águia parece dar um vôo rasante na busca de alimento. Pintada em ocre, o desenho do animal é cortado pelo próprio enquadramento. O naturalismo da figuração, fiel ao texto, distingue o fragmento 2 de Brasília do grupo dos manuscritos L, C, e A. Assim como ocorria com o texto, as iluminuras eram desenhadas a partir de modelos que correspondiam aproximadamente, a determinados estilos. Tal, como no texto, o monge não as criava, ou mesmo as desenhava livremente. Ele tinha diante de si, uma cópia anterior a sua, muitas vezes bem mais antiga. Ocorria ainda, que nem sempre ele conhecia o animal a ser desenhado. Tive acesso a todas as iluminuras dos manuscritos citados. O que vi, me autoriza a afirmar que os modelos das que se encontram em Portugal, não foram os mesmos reproduzidos no fragmento que se encontra no Brasil. As que iluminam o Livro das Aves de Brasília, por seu estilo naturalista e despojado, contrastam visivelmente com a riqueza de detalhes e o rebuscamento das iluminuras dos manuscritos de Lorvão, Coimbra e Alcobaça, mais próximas, parece-me, de uma influência franco-saxônica, onde alguns detalhes de origem celta, podem ser identificados. Texto e imagem se complementam conforme referências feitas acima. A figuração explicita a metáfora visual que é por sua vez muito próxima da interpretação literal. A descrição da natureza animal se integra na perspectiva escatológica repetida incansavelmente. Michel Pastoureau 15 demonstrou como a Igreja não hesitou em procurar, na natureza, a explicação das verdades da fé e a apoiar uma parte de sua retórica e de sua 15 Michel Pastoureau, Couleurs, images, symboles, Paris Le Leopard d Or, p 109, s/d 8
9 moral apologética no Bestiário. As relações entre o animal e o divino são múltiplas: No imaginário cristão o animal acompanha, completa, substitui, representa, oculta, servindo de instrumento aos mais diversos objetivos. A ambivalência ou até mesmo a polivalência desses animais, pode fazer com que possuam tanto um papel positivo como negativo tal como sugerido no Livro das Aves, que traz, apenas uma ave pertencente ao bestiário divino. Trata-se da águia que, por sua vez, possui uma tradição relativamente recente na iconografia. Por muito tempo, ela foi apenas o atributo do evangelista João e é, como tal, que ela volta a aparecer na grande iluminura que toma mais da metade de um dos fólios do fragmento de Brasília, sendo precedida dos seguintes dizeres: De como Ezequiel o profeta pôs a cada um dos quatro evangelistas a sua própria semelhança (16).A interferência do copista foi aí mais profunda: acrescentou texto e imagem que não existem em nenhum dos manuscritos em latim. Ezequiel é apresentado no centro. A sua direita no alto, a águia, (João), a esquerda, o anjo, (Mateus), abaixo a direita, o boi, (Lucas) e a esquerda, o leão,(marcos). As intervenções no texto e nas iluminuras não correspondiam a um simples desejo do copista. Texto e imagem podiam se modificar em conformidade com as mudanças culturais e sociais. O copista tampouco escolheu ao acaso a visão de Ezequiel, cujos quatro seres vivos, apresentavam na face a forma do homem, do leão, do touro e da águia. É importante ressaltar que na visão tais criaturas aparecem a Ezequiel aladas: Sob as suas asas havia mãos humanas voltadas para as quatro direções, como as faces e as asas dos quatro. As asas não se tocavam entre si; eles não se voltavam; antes caminhavam para a frente (Ez.1-10)* São os quatro seres vivos do Apocalipse (Ap. 4,7-8etc.) que retomam os traços dos quatro animais de Ezequiel. A tradição cristã fez deles os atributos dos quatro evangelistas que juntamente com a visão de João deram origem as quatro figuras que acompanham o Cristo em majestade. Resta saber, quais razões levaram o copista a tanta liberdade, lembrando aqui, mais uma vez, de Melville. Creio ser necessário estabelecer um critério cronológico para esses manuscritos não só no que diz respeito ao texto, mas também à imagem. As circunstâncias históricas, sociais e culturais dos séculos XII e XIII não são as mesmas do século XIV. Aproximadamente um intervalo de cem anos separam os quatro manuscritos. Enquanto parece haver uma certa uniformidade de estilo nas iluminuras de L, C, e A, o fragmento de Brasília traz um outro estilo que em nada, lembra os estilos anteriores. 9
10 O século XIV foi um século de tempos duros em toda a Europa: fome, peste, guerras. Não seria essa mensagem apocalíptica que o copista quis acrescentar na tradução para o português? *Todas as citações bíblicas foram retiradas da Bíblia Sagrada de Jerusalém, São Paulo, Paulus,
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