TRATADO DA BACIA DO PRATA
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- Malu Cabral de Figueiredo
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1 TRATADO DA BACIA DO PRATA Assinado em Brasília, a 23 de abril de Aprovado pelo Decreto-Lei n 682, de I5 de julho de Retificado a 30 de julho de Instrumento brasileiro de ratificação depositado no Rio de Janeiro a 15 de outubro de Entrada em vigor, a 14 de agôsto de Promulgado pelo Decreto n , de 19 de agosto de Publicado no Diário Oficial de 20 de agôsto de 1970, págs /72.
2 MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES DEPARTAMENTO DE ASSUNTOS JURÍDICOS DIVISÃO DE ATOS INTERNACIONAIS DECRETO N DE 19 DE AGOSTO DE 1970 Promulga o Tratado da Bacia do Prata. O Presidente da República, Havendo sido aprovado pelo Decreto-Lei número 682, de 15 de julho de o Tratado da Bacia do Prata, concluído entre o Brasil, a Argentina, a Bolívia, o Paraguai e o Uruguai. em Brasília, a 23 de abril de 1969: E havendo o referido Tratado, de conformidade com seu artigo 8, parágrafo 1, entrado em vigor em 14 de agosto de I970; Decreta que o mesmo, apenso por cópia ao presente Decreto, seja executado e cumprido tão inteiramente como nele se contém. Brasília, 19 de agosto /de 1970; 149 da Independência e 82 da República. EMÍLIO G. MÉDICI Mario Gibson Barboza
3 TRATADO DA BACIA DO PRATA Os Governos das Repúblicas da Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai, representados na I Reunião Extraordinária de Chanceleres dos Países da Bacia do Prata, realizada em Brasília, em 22 e 23 de abril de 1969, Convencidos da necessidade de reunir esforços para a devida consecução dos propósitos fundamentais assinalados na Declaração Conjunta de Buenos Aires, de 27 de fevereiro de 1967, e na Ata de Santa Cruz de la Sierra, de 20 de maio de 1968, e animados de um firme espirito de cooperação e solidariedade; Persuadidos de que a ação conjugada permitirá o desenvolvimento harmônico e equilibrado, assim como 0 ótimo aproveitamento dos grandes recursos naturais da região e assegurará sua preservação para as gerações futuras através da utilização racional dos aludidos recursos; Considerando também que os Chanceles aprovaram um Estatuto para o Comitê Intergovernamental Coordenador dos Países da Bacia do Prata; Decidiram subscrever o presente Tratado para assegurar a institucionalização do sistema da Bacia do Prata e, para esse fim, designaram seus Plenipotenciários, que convieram no seguinte : Artigo 1 As Partes Contratantes convém em conjugar esforços com 0 objetivo de promover o desenvolvimento harmônico e a integração física da Bacia do Prata e de suas áreas de influência direta e ponderável. Parágrafo único - Para tal fim, promoverão, no âmbito da Bacia, a identificação de áreas de interesse comum e a realização de estudos. programas e obras, bem como a formulação de entendimentos operativos ou instrumentos jurídicos que estimem necessários e que propendam: a) À facilitação e assistência em matéria de navegação. b) A utilização racional do recurso água. especialmente através da regularização dos cursos d'água e seu aproveitamento múltiplo e eqüitativo. c) A preservação e ao fomento da vida animal e vegetal. d) Ao aperfeiçoamento das interconexões rodoviárias. ferroviárias. fluviais. aéreas, elétricas e de telecomunicações. e) A complementação regional mediante a promoção e estabelecimento de indústrias de interesse para o desenvolvimento da Bacia. f) A complementação econômica de áreas limítrofes. g) A cooperação mútua em matéria de educação, saúde e luta contra as enfermidades. h ) A promoção de outros projetos de interesse comum em especial daqueles que se relacionem com o inventário avaliação e o aproveitamento dos recursos naturais da área. i ) Ao conhecimento integral da Bacia do Prata. Artigo 2º Os Ministros dás Relações Exteriores dos Países da Bacia do Prata reunir-se-ão uma vez por ano, em data que será sugerida pelo Comitê Intergovernamental Coordenador. a fim de traçar diretrizes básicas da política comum para a consecução dos propósitos estabelecidos neste Tratado; apreciar e avaliar os resultados obtidos:
4 celebrar consultas sobre a ação de seus respectivos Governos no âmbito do Desenvolvimento multinacional integrado da Bacia; dirigir a ação do Comitê Intergovernamental Coordenador e. em geral, adotar as providencias necessárias ao cumprimento do presente Tratado através das realizações concretas por ele requeridas. Parágrafo 1 - Os Ministros das Relações Exteriores poderão reunir-se em sessão extraordinária, mediante convocação efetuada pelo Comitê Intergovernamental Coordenador por solicitação de pelo menos três das Partes Contratantes. Parágrafo 2 - Se excepcionalmente o Ministro das Relações Exteriores de uma das Partes Contratantes não puder comparecer a uma reunião, ordinária ou extraordinária, far-se-á representar por um Delegado Especial. Parágrafo 3 - As decisões tomadas em reuniões efetuadas em conformidade com este artigo requererão sempre o voto unânime dos cinco países. Artigo 3 Para os fins do presente Tratado, o Comitê Intergovernamental Coordenador é reconhecido como 0 órgão permanente da Bacia, encarregado de promover, coordenar e acompanhar o andamento das ações multinacionais, que tenham por objeto o desenvolvimento integrado da Bacia do Prata, e da assistência técnica e financeira que promova com o apoio dos organismos internacionais que estime convenientes, bem como de executar as decisões que adotem os Ministros das Relações Exteriores. Parágrafo 1 - O Comitê Intergovernamental Coordenador se regerá pelo Estatuto aprovado na segunda Reunião de Chanceleres dos Países da Bacia do Prata, celebrada em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, de 18 a 20 de maio de Parágrafo 2Q - Em reunião extraordinária, para tal fim especialmente convocada, poderão os Ministros das Relações Exteriores, sempre pelo voto unanime dos cinco países, reformar o Estatuto do Comitê Intergovernamental Coordenador. Artigo 4 Sem prejuízo das disposições internas de cada país. serão órgãos de cooperação e assessoramento dos Governos as Comissões ou Secretarias nacionais, constituídas de conformidade com a Declaração Conjunta de Buenos Aires. As Comissões ou Secretarias poderão estabelecer contatos bilaterais, obedecendo sempre aos critérios e normas dos países interessados e disso mantendo devidamente informado. quando fõr o caso, o Comitê Intergovernamental Coordenador. Artigo 5 A ação coletiva entre as Partes Contratantes deverá desenvolver-se sem prejuízo dos projetos e empreendimentos que decidam executar em seus respectivos territórios, dentro do respeito ao Direito Internacional e segundo a boa prática entre nações vizinhas e amigas. Artigo 6 O estabelecido no presente Tratado não impedirá as Partes Contratantes de concluir acordos específicos ou parciais, bilaterais ou multilaterais, destinados à consecução dos objetivos gerais de desenvolvimento da Bacia.
5 Artigo 7 O presente Tratado denominar-se-á Tratado da Bacia do Prata e terá duração ilimitada. Artigo 8 O presente Tratado será ratificado pelas Partes Contratantes e os Instrumentos de Ratificação serão depositados junto ao Governo da República Federativa do Brasil. Parágrafo 1" - O presente Tratado entrará em vigor trinta dias depois de depositados os Instrumentos de Ratificação de todas as Partes Contratantes. Parágrafo 2^ - Enquanto as Partes Contratantes procederem à ratificação do presente Tratado e ao depósito dos Instrumentos de Ratificação, na ação multinacional empreendida para o desenvolvimento da Bacia do Prata, sujeitar-se-ão ao acordado na Declaração Conjunta de Buenos Aires e na Ata de Santa Cruz de la Sierra. Parágrafo 3" - A intenção de denunciar o presente Tratado será comunicada por uma Parte Contratante às demais Partes Contratantes pelo menos noventa dias antes da entrega formal do Instrumento de Denúncia ao Governo da República Federativa do Brasil. Formalizada a denúncia, os efeitos do Tratado cessarão, para a Parte Contratante denunciante, no prazo de um ano. Em fé do que, os Plenipotenciários abaixo-assinados, depois de haver depositado seus plenos poderes, encontrados em boa e devida forma, firmam o presente Tratado. Feito na cidade de Brasília, aos vinte e três dias do mês de abril do ano de mil novecentos e sessenta e nove, em um só exemplar, nos idiomas português e espanhol, o qual ficará depositado nos arquivos do Ministério das Relações Exteriores, do Brasil, que fornecerá cópias autênticas aos demais países signatários.
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