BOLETIM DO EMPREGO DE UBERLÂNDIA

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1 BOLETIM DO EMPREGO DE UBERLÂNDIA Centro de Estudos, Pesquisas e Projetos Econômico-Sociais CEPES Ano 2 - Nº 6 - Jan./214 APRESENTAÇÃO O Boletim do Emprego de Uberlândia - MG, elaborado pelo CEPES, tem como objetivo publicar periodicamente informações sobre a dinâmica do emprego formal no município. Nesta sexta edição, o propósito é mostrar o comportamento do mercado de trabalho uberlandense entre janeiro e dezembro de 213, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Constam no Boletim análises sobre a evolução do emprego formal e o perfil das vagas de emprego criadas no município. Os dados utilizados no Boletim foram extraídos do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). EVOLUÇÃO DO EMPREGO FORMAL De acordo com os dados do CAGED, a e- volução do saldo acumulado de postos de trabalho abertos no Brasil, em 213, mostrou-se ascendente ao longo do ano, chegando ao total de empregos com carteira assinada gerados, conforme divulgação do MTE. Esse resultado evidencia a continuidade do movimento de expansão do emprego formal no país, embora tenha ocorrido uma redução do ritmo de crescimento quando comparado aos resultados apurados para 212 (Gráfico 1). Cabe ressaltar que o mês de dezembro apresenta sensível mudança de trajetória; mudança esta já esperada devido a fatores sazonais negativos (entressafra agrícola, término do ciclo escolar, fim das festas do final do ano, fatores climáticos) que acabam por afetar todos os setores e subsetores, contribuindo para a redução do nível de emprego. Gráfico 2 Evolução do saldo acumulado de emprego celetista: Minas Gerais, jan fev mar abr mai jun jul agos set out nov dez Gráfico 1 Evolução do saldo acumulado de emprego celetista: Brasil, jan fev mar abr mai jun Fonte: MTE/CAGED 212 e 213 (sem ajustes). jul agos set out nov dez No Estado de Minas Gerais observou-se também uma evolução crescente do saldo de emprego celetista até meados de 213, embora em nível mais baixo em relação à evolução apresentada em 212 (Gráfico 2). A partir de agosto do corrente, com pequena recuperação em setembro, a redução do número de postos de trabalho gerados se deu de forma mais sensível do que a presenciada no ano passado, fechando 213 com um saldo acumulado de empregos com carteira assinada abertos em contraposição aos apurados em 212. Nota-se que, em Minas, o saldo de empregos cresce de forma consistente até o mês de julho, en- 1 Fonte: MTE/CAGED 212 e 213 (sem ajustes).

2 Extrativa mineral Ind. de transformação Serv. Industr de Util. Pública Construção Civil Comércio Servicos Administração Pública Agropec., extr vegetal, caça e pesca Boletim do Emprego de Uberlândia Ano2 - N 6 Jan./ 214 quanto no País como um todo o saldo só passa a cair no último mês do ano e decorre de fatores sazonais, como já mencionado. Quando são analisadas as informações segundo os setores de atividade econômica, constata- Em Uberlândia o saldo acumulado de empregos no ano de 213 apresentou evolução semelhante à observada para o Brasil: valores positivos em quase todos os meses, evidenciando que o número de admissões foi superior ao número de desligamentos (Gráfico 3). Contudo, o saldo apurado em cada mês mostrou-se inferior àqueles apurados em 212, o que acabou por configurar um quadro de desaceleração na expansão do emprego formal também no município. O saldo acumulado de novos postos de trabalho foi de 5.7 no final de 213, inferior em,34 ponto percentual ao saldo acumulado de 7.59 postos de trabalho criados em 212. No Gráfico 4, que mostra a evolução do saldo do emprego formal em Uberlândia nos últimos três anos (211 a 213), os dados do CAGED deixam claro que, embora positivos em quase todos os trimestres, os saldos acumulados de postos de trabalho abertos no município passaram por um arrefecimento do crescimento, especialmente em 213. Enquanto o primeiro trimestre de 212 registrou um incremento de 46% no saldo de postos de trabalho em relação ao mesmo período de 211, em 213 o saldo acumulado foi 62% menor do que o do ano anterior. Ainda que contando com uma expansão do emprego no segundo trimestre de 213 (com saldo de postos de trabalho), esta se deu de forma mais modesta se comparada aos resultados dos anos 211 (com saldo de 3.492) e 212 (2.63). No terceiro e quarto trimestres de 213 os saldos acumulados foram ainda mais baixos: 816 e 187, respectivamente. Gráfico 3 Evolução do saldo acumulado de emprego celetista: Uberlândia, jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Fonte: MTE/CAGED 212 e 213 (sem ajustes). Gráfico 4 Evolução do saldo do emprego celetista por trimestres: Uberlândia, 211 a Fonte: MTE/CAGED Gráfico 5 Saldo do emprego celetista por setor: Uberlândia, se que o setor Serviços continuou sendo o de maior geração de vagas no mercado de trabalho de Uberlândia, com um saldo acumulado de em 213, correspondendo a 54,86% do total de vagas criadas no ano. Esse resultado, contudo, foi inferior ao apresentado em 212: 4.839, que correspondeu a 63,75% do saldo acumulado de vagas naquele ano, evidenciando que também nesse setor houve uma desaceleração na expansão do emprego (Gráfico 5). -2 Fonte: MTE/CAGED 212 e 213. Em seguida, o setor Comércio foi o responsável por (29,4%) postos de trabalho abertos no município em 213, o que, em termos relativos, foi um pouco superior aos 2

3 Analfabeto Fundamental Incompleto Fundamental Completo Médio Incompleto Médio Completo Superior Incompleto Superior Completo Boletim do Emprego de Uberlândia Ano2 - N 6 Jan./ 214 resultados de 212, quando foram criadas vagas, correspondendo a 25,23% do saldo acumulado do ano. Interessante observar que o setor Construção Civil apresentou significativa expansão no saldo total de empregos criados nos últimos dois anos, passando de uma participação de 11,57% (878 postos de trabalho gerados), em 212, para 2,71% (1.454) em 213. Por outro lado, o setor Indústria de transformação, que respondeu por 9,2% (698 vagas criadas) do saldo acumulado de empregos em 212, diminuiu sua participação para 8,62% (432 vagas) em 213. O setor Agropecuária, por sua vez, registrou saldo acumulado negativo tanto em 212 quanto em 213, com redução de 841 e postos de trabalho, respectivamente. No que se refere às ocupações, no acumulado entre janeiro e dezembro de 213, as que se destacaram com maiores saldos de emprego foram: trabalhadores de informações ao público (1.25 vagas abertas); vendedores e demonstradores (557 vagas); ajudantes de obras (764); escriturários em geral, agentes, assistentes e auxiliares administrativos (565) e embaladores e alimentadores de produção (235). PERFIL DOS EMPREGOS GERADOS EM UBERLÂNDIA A distribuição do saldo de empregos gerados em Uberlândia, segundo o sexo, entre janeiro e dezembro de 213 mostrou a maior participação relativa dos trabalhadores do sexo masculino, que acumularam saldo positivo de postos de trabalho no ano, o que equivale a 5,59% dos empregos abertos no município. As mulheres tiveram um saldo menor: postos de trabalho ou 49,41% do total de empregos abertos Gráfico 6 Saldo de emprego formal por escolaridade: Uberlândia, janeiro a dezembro de 213 (%),3 3,59 1,32-2,1 68,66 1,55 17,68 Quanto à escolaridade, quase 7% dos postos de trabalho abertos em 213 foram ocupados por trabalhadores com o ensino médio completo, quadro que já vinha sendo observado desde o ano anterior. As demais vagas foram distribuídas da seguinte forma: 3,59% para aqueles com ensino fundamental incompleto; 1,52% para os que tinham ensino fundamental completo; 1,55% para os trabalhadores com curso superior incompleto, e 17,68% para aqueles com curso superior completo Gráfico 7 Saldo de emprego formal por faixa etária: Uberlândia, janeiro a dezembro de 213 (%) 45,68 72,52 Fonte: MTE/CAGED ,66-1,7-5,31-9,41-3,44-2 Fonte: MTE/CAGED 213. (Gráfico 6). Na observação dos dados quanto à faixa e- tária dos trabalhadores constatou-se a continuidade dos resultados verificados no ano anterior: os mais jovens tiveram maior participação no total de empregos gerados no município. Quase 73% estão na faixa de 18 a 24 anos de idade; 45,68% têm até 17 anos, enquanto apenas 1,6% têm de 25 a 29 anos. Os trabalhadores acima de 3 anos de idade apresentaram saldos negativos no total de empregos gerados, destacando-se entre os que mais perderam postos de trabalho aqueles com idades compreendidas entre 4 e 54 anos (Gráfico 7). 3

4 Boletim do Emprego de Uberlândia Ano2 - N 6 Jan./ 214 Essa distribuição do saldo acumulado de empregos em Uberlândia, por faixas etárias, foi semelhante à apresentada em 212, quando também as participações relativas dos trabalhadores jovens (até 24 anos) foram sensivelmente superiores às participações das demais faixas. Contudo, naquele ano o saldo de postos de trabalho gerados foi positivo para todas as idades, confirmando que, em 213, houve uma desaceleração na expansão do emprego, e este comportamento se manifestou de forma mais intensa nas idades acima de 4 anos. Quanto às faixas de salários dos novos postos de trabalho observou-se, como em 212, que prevaleceu a baixa remuneração entre as vagas criadas. Entre janeiro a dezembro de 213 foram registrados saldos positivos para ocupações cujas remunerações não ultrapassaram 1,5 salários mínimos (8.974 novos postos). Por outro lado, os saldos acumulados de emprego foram negativos para todas as ocupações com remunerações superiores a 1,5 salários mínimos, totalizando a diminuição de postos de trabalho. Não foram observadas diferenças expressivas entre o salário médio dos admitidos e dos desligados no acumulado do ano ambos giravam em torno de 1,5 salários mínimos. No que refere aos trabalhadores desligados no ano de 213 verificou-se que, no saldo acumulado do ao, 37,44% tinham menos de seis meses de serviço, enquanto 58,38% estava há menos de um ano emprego (Gráfico 8). Esse quadro mostrou pequena diferença em relação aos resultados observados no ano anterior, quando 48% dos demitidos estavam a menos de seis meses no emprego e 67,4%, há menos de um ano, mostrando que os demitidos em 213 permaneceram mais tempo em seu posto de trabalho do que os demitidos em 212. Gráfico 8 Trabalhadores desligados por tempo de emprego: Uberlândia, janeiro a dezembro de 213 (%) ,26 19,18 2,95 1, a 2,9 3, a 5,9 6, a 11,9 Fonte: MTE/CAGED ,1 12, a 23,9 8,45 24, a 35,9 6,53 36, a 59,9 4,26 6, a 119,9 1,85 12, ou mais 2,52 ñ class Por fim, é possível constatar, a partir dos dados analisados, que o perfil do trabalhador contratado em 213 no município não mudou em relação ao ano de 212: trata-se de um jovem do sexo masculino, empregado no setor de serviços, que tem pelo menos o ensino médio completo e percebe proventos de até 1,5 salários mínimos. 4

5 Boletim do Emprego de Uberlândia Ano2 - N 6 Jan./ 214 Universidade Federal de Uberlândia Elmiro dos Santos Resende Reitor Instituto de Economia Clésio Lourenço Xavier Diretor Centro de Estudos, Pesquisas e Projetos Econômico-Sociais Henrique Daniel Leite Barros Coordenador Observatório do Emprego Darcilene Cláudio Gomes Coordenadora Boletim do Emprego de Uberlândia-MG Elaboração Ester William Ferreira Colaboração Darcilene Cláudio Gomes Estagiários Guilherme Martins e Marina Barcelos APOIO Pró-Reitoria de Graduação - PROGRAD Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação - PROPP CONTATO Universidade Federal de Uberlândia Centro de Estudos, Pesquisas e Projetos Econômico-Sociais - CEPES Av. João Naves de Ávila, Bloco J - Sala 1J128 - Campus Santa Mônica - Uberlândia/ MG Fone: (34) ou Fax: (34) [email protected]; [email protected] ou [email protected] Site: 5

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