TEOLOGIA CURSO IPC

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1 TEOLOGIA CURSO IPC Por: Helio Clemente 8 - eclesiologia Termos bíblicos: No Velho Testamento são usadas duas palavras para designar a igreja: qahal e edhah. O uso geral destas palavras é o seguinte: qahahl significa a reunião do povo em um local previamente combinado e edhah indica a reunião dos representantes do povo, ou a organização social dos chefes que representavam o povo de Israel, podendo estar reunidos ou não. Na Septuaginta, também de forma geral, a palavra qahal é traduzida por ekklesia e edaha por sunagoge. Estas palavras usadas na Septuaginta foram adotadas no Novo Testamento, onde ekklesia passou a significar a reunião dos crentes e sunagoge exclusivamente a igreja dos judeus, tanto a reunião dos representantes ou do povo, mas também o local onde se realizavam estas reuniões. O termo ekklesia foi usado no Novo Testamento primeiramente por Jesus, indicando as pessoas que se reuniam em torno dele como o seu mestre e Senhor. Mateus 16,18: Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja (ekklesia), e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Esta palavra ekklesia pode indicar várias situações como, por exemplo: a igreja na casa de uma pessoa, a igreja local, um grupo de igrejas em uma região, a igreja como uma congregação de todos os que professam a Cristo em todo o mundo, ou ainda a totalidade de todos os eleitos em todos os tempos, neste último caso, também chamada a Igreja de Deus ou a Igreja Universal, que se confunde com o Reino de Deus ou o Reino dos Céus. A igreja na história: Durante o primeiro século da igreja não havia organização ou hierarquia das igrejas locais, mas com o surgimento de várias heresias e com a corrupção que grassava, 1 / 61

2 surgiu a necessidade de organização da igreja. Cipriano, bispo de Cartago, foi quem definiu a organização episcopal de igreja no século III de nossa era, esta definição permaneceu na Igreja de Roma praticamente sem mudanças até o concílio de Trento, no século XVI, mas nenhuma mudança fundamental foi acrescida. Conforme Cipriano a verdadeira igreja era universal, ou católica, a autoridade dos bispos era apostólica, derivada dos apóstolos por sucessão episcopal e a igreja era a depositária da graça e do poder de Deus, distribuindo a graça, o perdão e a salvação por intermédio dos sacerdotes e dos sacramentos. De acordo com esta ideia, prevalecente até os dias de hoje na igreja de Roma, as bênçãos da graça e da salvação chegam aos homens somente por meio das ordenanças e sacramentos da igreja. Os atributos da igreja como simples instrumento da graça de Deus e as bênçãos da salvação distribuídas por Deus através da igreja eram considerados pela igreja de Roma como um atributo próprio da igreja, através de seu corpo de sacerdotes, colocando-se entre Deus e os homens como a distribuidora destas bênçãos, negando desta forma, a comunhão direta entre Deus e os crentes e colocando entre eles uma mediação humana e anticristã, negando a suficiência e unicidade do trabalho de Cristo. Pode se ver claramente na definição da igreja romana abaixo, que a unicidade do trabalho mediatório de Cristo é negada de forma declarada. A definição da igreja romana é a seguinte: A congregação de todos os fiéis que, sendo batizados, professam a mesma fé, participam dos mesmos sacramentos e são governados por seus legítimos pastores, sob um chefe visível na terra. Em contraposição a isto, Jesus declara no evangelho do apóstolo João que ele é o único caminho e o único mediador entre Deus e o homem. João 14,6: Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. 2 / 61

3 A doutrina da igreja na Reforma: Os reformadores rejeitaram a ideia de uma igreja rigidamente hierárquica com um sacerdócio infalível e dotado de poderes sobrenaturais que dispensam a salvação por meio de ordenanças e sacramentos. Eles consideravam a igreja verdadeira como a comunhão espiritual daqueles que foram chamados por Cristo, que se tornavam sacerdotes mediante o testemunho cristão. Distinguiam também os aspectos visíveis e invisíveis da igreja, admitindo que na igreja visível o joio e o trigo, que são os verdadeiros crentes e os religiosos formais, estarão misturados até a ceifa, que é o Juízo Final. O conceito da igreja protestante afasta-se da ideia da exteriorização da igreja e define a igreja como a comunhão dos santos, a reunião dos eleitos de Deus, como expresso nos documentos da Reforma: Segunda Confissão Helvética: A igreja é uma assembleia de fiéis, convocada e reunida do mundo, uma comunhão de todos os santos, isto é, daqueles que verdadeiramente conhecem e retamente adoram e servem o verdadeiro Deus em Jesus Cristo, o Salvador, pela Palavra do Espírito Santo, e que pela fé participam de todos os benefícios gratuitamente oferecidos mediante Cristo. Confissão Belga: Cremos e professamos uma só Igreja católica ou universal, que é uma congregação de verdadeiros crentes cristãos, todos esperando sua salvação em Jesus Cristo, sendo lavados por seu sangue, santificados e selados pelo Espírito Santo. CFW, Capítulo XXV, Seção I A igreja de Deus: A Igreja Católica ou Universal, que é invisível, consta do número total dos eleitos que já foram, dos que agora são e dos que ainda serão reunidos em um só corpo sob Cristo, seu cabeça; ela é a esposa, o corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todas as coisas. Efésios 1,22-23: E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas. 3 / 61

4 A igreja universal é composta de todos os eleitos em todos os tempos, raças e nações. Nenhuma denominação ou seita detém a exclusividade da igreja. A igreja universal A igreja de Deus é católica, ou seja, universal, um corpo único constando de seus eleitos de toda a raça e nacionalidade que existem, existiram ou existirão em todos os lugares e em todos os tempos. Nenhuma denominação, raça ou nação tem a exclusividade da igreja, somente Deus conhece seus eleitos. Esta igreja universal tem hoje, os seus membros em diversas denominações cristãs em todo o mundo, mas não se determina particularmente por nenhuma denominação, pois na igreja de Deus existem somente os eleitos, o joio não está misturado com o trigo e os cordeiros estão apartados dos bodes, esta igreja é invisível e não perceptível, sendo composta apenas dos eleitos que já foram, estão sendo e serão chamados e justificados por Deus em Cristo. 2 Crônicas 2,6: No entanto, quem seria capaz de lhe edificar a casa, visto que os céus e até os céus dos céus o não podem conter? E quem sou eu para lhe edificar a casa, senão para queimar incenso perante ele? Outros que são parte desta igreja universal, não são manifestos, os sentidos não conseguem estabelecer os limites entre o mundo, a igreja local e a igreja de Deus. A luz de Deus está oculta em vasos de barro para que a honra e a glória seja de Deus e não dos homens. 4 / 61

5 2 Coríntios 4,6-7: Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo. Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós. CFW, Capítulo XXV, Seção II A igreja visível: A Igreja Visível que também é católica ou universal sob o Evangelho (não sendo restrita a uma nação, como antes sob a Lei) e consta de todos aqueles que pelo mundo inteiro professam a religião cristã, juntamente com seus filhos; é o Reino do Senhor Jesus, a casa e família de Deus, fora da qual não há possibilidade ordinária de salvação. 1 Coríntios 12,12-13: Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo. Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito. A igreja visível: A igreja visível é constituída de pessoas, de todas as nações, que professam o cristianismo, juntamente com seus filhos, uma parte destas pessoas está sempre vivendo no momento considerado, outras já morreram e outras ainda vão nascer. A igreja, em si mesma, não detém o poder de salvar ou perdoar quem quer que seja, a igreja chama o pecador em e por Cristo e somente através da pregação fiel da Palavra. É difícil estabelecer exatamente o que é a igreja visível, ela pode ser definida como: o número total de pessoas que, em todas as épocas e nações, receberam o batismo em uma igreja cristã e seus filhos. A igreja visível é definida fisicamente e a igreja de Deus espiritualmente, de forma que nem mesmo os anjos a conhecem, somente Deus conhece sua igreja, que será revelada na volta gloriosa de Nosso Senhor. Veja abaixo a expectativa dos anjos e seres celestiais (criação = criaturas). 5 / 61

6 Romanos 8,19-21: A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. A igreja visível é constituída de várias denominações e seitas, muitas delas espúrias, outras falsas e algumas poucas que procuram se manter fiéis à Palavra, cada vez mais raras. A igreja visível é representada nas parábolas de Jesus como o reino de Deus - o campo onde crescem o joio e o trigo, ou ainda como a rede que retém todos os tipos de peixes - tanto o joio como os peixes ruins somente serão separados no último Dia, até lá eleitos e réprobos conviverão dentro da igreja visível. Mateus 13,47-49: O reino dos céus é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, recolhe peixes de toda espécie. arrastam-na para a praia e, assentados, escolhem os bons para os cestos e os ruins deitam fora. Assim será na consumação do século: sairão os anjos, e separarão os maus dentre os justos. CFW, Capítulo XXV, Seção III As ordenanças: A esta Igreja Católica (Universal) Visível Cristo deu o ministério, os oráculos e os sacramentos de Deus, para ajuntamento e aperfeiçoamento dos crentes nesta vida, até o fim do mundo, e o faz segundo a sua promessa, tornando-os eficazes para este fim pela sua própria presença e Espírito. 1 Efésios 4,11-13: E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo. A igreja local é constituída por ministros ordenados conforme as normas da denominação. Cada denominação tem sua constituição e normas de fé específicas. 6 / 61

7 Os meios de graça Os oráculos da igreja de Cristo são os meios de graça determinados biblicamente: a pregação e a leitura da Palavra, o louvor, a oração e os sacramentos. Os únicos sacramentos instituídos por Cristo são a Ceia do Senhor e o Batismo, todos os outros sacramentos são invenções humanas e não devem ser aceitos pelos cristãos. Lucas 22,19: E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim. Mateus 28,19: Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. As ordenanças podem ser consideradas como o mandato cultural do crente, que são o testemunho de Cristo e a pregação do evangelho, estas são obrigações inalienáveis de todo crente. Nos dias atuais, a irracionalidade tomou conta da igreja cristã, o conhecimento do evangelho e o testemunho verbal têm sido relegados ao esquecimento, os novos crentes acreditam que darão o testemunho do evangelho de Cristo através de sua própria justiça e santidade refletidas em uma vida de alto padrão moral, estes crentes, cada dia mais farisaicos, reduzem Cristo a um mero exemplo de vida, mas as ordenanças da igreja continuam e continuarão sempre as mesmas: o testemunho e a pregação. Todavia, fica a pergunta: como darão testemunho daquele que não conhecem? João 17,3: E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. Não havia discordância doutrinária entre os luteranos e calvinistas, mas a diferença entre eles era basicamente na organização da igreja, enquanto Lutero esperava transformar a igreja de Roma, os calvinistas (protestantes) lutavam por construir uma nova igreja, livre e separada da igreja romana. A esta época a igreja de Roma havia chegado a um estado de corrupção e degradação inimagináveis, o conceito dos reformadores a respeito do papado católico era de extrema reprovação, como pode-se ver na Confissão de Fé de Westminster a este respeito: 7 / 61

8 Confissão de Fé de Westminster - Capítulo XXV, Seção VI Cristo e a igreja: Não há outro Cabeça da Igreja senão o Senhor Jesus Cristo; em sentido algum pode ser o Papa de Roma o cabeça dela, mas ele é aquele anticristo, aquele homem do pecado e filho da perdição que se exalta na Igreja contra Cristo e contra tudo o que se chama Deus. 2 Tessalonicenses 2,3-4: Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus. Cristo, o Cabeça da igreja: Jesus Cristo é o fundador da igreja e o Cabeça supremo e absoluto da igreja, a Escritura afirma com clareza e este fato jamais será negado por qualquer cristão verdadeiro. Cristo jamais deixou ordenada a constituição de um homem para ser seu vigário e representante sobre a terra, esta reivindicação da igreja de Roma é apostasia e abominação perante Deus e não deve ser aceita em hipótese alguma. As igrejas-estado da Alemanha e Inglaterra reconhecem em seus governantes reais a supremacia sobre a igreja, a ponto de transformar esta afirmação em Artigo de Fé na Igreja da Inglaterra. Não existe nenhum fundamento ou base escriturística para sustentar estas heresias da igreja de Roma e das Igrejas-Estado. Mateus 23,8: Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos. Cristo governa a igreja através da Palavra, a igreja que não é fiel à Palavra de Deus não é fiel a Cristo. Cristo está presente na igreja, tanto para cegar os réprobos quanto para preservar seu povo até o final dos séculos, de onde se pode concluir que a obrigação da igreja e de todos os seus ministros, é pregar a Palavra e louvar a Deus. Somente através da Palavra, o povo escolhido por Deus, o Pai, recebe a graça que há somente em Jesus Cristo e tem sua preservação eterna na comunhão do Espírito Santo. Mateus 28,19-20: Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome 8 / 61

9 do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século. O que é a igreja verdadeira? 1 A igreja de Deus ou a igreja invisível: A verdadeira igreja é constituída por todo povo de Deus em todas as épocas da história da humanidade, o total dos eleitos, esta é a igreja Invisível a que se referiam os reformadores. A esta igreja pertence a promessa de Jesus de que: as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Para esta igreja Jesus também disse: Eis que estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos. Efésios 3,10-11: Para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor. 2 A Igreja Local: É o templo onde os cristãos se reúnem visivelmente para glorificação e adoração de Deus. Este é o significado da grande maioria das referências à igreja no Novo Testamento (ekklesia). Filipenses 4.15: E sabeis também vós, ó filipenses, que, no início do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja se associou comigo no tocante a dar e receber, senão 9 / 61

10 unicamente vós outros. A igreja invisível é a igreja que somente pode ser vista por Deus, pois somente Ele conhece seus filhos, a igreja local é a igreja como ela é vista pelos homens, todos aqueles que professam a Cristo e seus filhos, nesta igreja o joio e o trigo estarão sempre misturados, mas vê-se claramente na bíblia que os falsos conversos, que adotam doutrinas não compatíveis com a soberania de Deus e a suficiência do sacrifício de Cristo, bem como os declaradamente ímpios, devem ser excluídos desta igreja sem hesitação. 3 A igreja Universal: Todo o povo de Deus existente no mundo em uma determinada época, este sentido ocorre ocasionalmente no Novo Testamento. Gálatas 1,13: Porque ouvistes qual foi o meu proceder outrora no judaísmo, como sobremaneira perseguia eu a igreja de Deus e a devastava. 4 A igreja dentro da igreja: A separação dentre toda congregação visível dos eleitos e dos réprobos dentro da igreja, o joio e o trigo, este é o padrão do reino, conforme palavras de Jesus. Mateus 13,30: Deixai-os crescer juntos até à colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro. 10 / 61

11 Não existe na igreja local uma igreja pura, em meio à congregação existem pessoas que não professam, de fato, a fé cristã e cuja profissão de fé será desmascarada no último dia. Mateus 7,22-23: Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade. A unicidade da igreja: A unidade da igreja não é aparente nas diversas denominações, a unicidade da igreja provém unicamente do Espírito Santo que atua nos crentes verdadeiramente regenerados, dentro de cada denominação, unindo-os através do fundamento único estabelecido por Deus: Jesus Cristo. Efésios 1,22: E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja. A santidade (separação) da igreja: 11 / 61

12 A santidade da Igreja de Deus provém de dois fatos: o primeiro é a separação do mundo, o segundo é o fato de que, apesar dos cristãos continuarem pecadores, Deus imputa, a cada um deles, a justiça perfeita de Cristo, santificando-os, para Ele, desta forma. Efésios 1,4: Assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor. A igreja é universal (católica): A palavra católico significa totalidade, no sentido bíblico implica em que a igreja é universal com relação às crenças e à doutrina única do cristianismo, distinguindo-a da igreja local e das heresias surgidas ao longo do tempo. Diferentemente, o principal sentido da universalidade na igreja primitiva é que estava aberta a todos, sem distinção, diferente do judaísmo e do gnosticismo predominantes. Mateus 11,28: Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. A igreja é apostólica: 12 / 61

13 A igreja é apostólica no sentido em que os apóstolos foram testemunhas do ministério de Jesus e constituídos em autoridade por ele, tornando-se desta forma, os legítimos propagadores da Palavra. A condição para que os livros do Novo Testamento fossem considerados canônicos era a de terem sido escritos pelos apóstolos ou pessoas ligadas diretamente a eles. Por outro lado, a apostolicidade da igreja não significa uma sucessão física de ministros a partir dos apóstolos até os dias de hoje, conforme afirmado pela Igreja Romana, esta não é uma doutrina bíblica, trata-se de tradição dos homens substituindo a fidelidade à Escritura e deve ser repudiada com firmeza. Marcos 16,14-15: Finalmente, apareceu Jesus aos onze, quando estavam à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração, porque não deram crédito aos que o tinham visto já ressuscitado. E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Pode-se verificar no verso acima, que a ordem para evangelização foi dada o todos os apóstolos indistintamente, nenhum deles foi nomeado acima ou submisso a qualquer um dos outros, esta sempre foi a tônica dos ensinos de Jesus, como se pode constatar neste outro verso abaixo, quando Jesus repreende os apóstolos por procurarem a primazia entre os outros. Marcos 10,42-44: Mas Jesus, chamando-os para junto de si, disse-lhes: Sabeis que os que são considerados governadores dos povos têm-nos sob seu domínio, e sobre eles os seus maiorais exercem autoridade. Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos. A igreja militante: durante sua existência terrena a igreja é chamada de militante, pois tem o dever de empreender uma guerra sem tréguas contra o mundo não cristão, principalmente dentro da própria igreja, combatendo vigorosamente as heresias e falsas doutrinas que surgem. O que se pode observar ao longo da história do cristianismo é que a igreja está em constante degradação, apesar dos grandes movimentos de avivamento que ocorrem em épocas determinadas da história a igreja visível caminha, a olhos vistos, para a apostasia e para o mundanismo. Todavia, apesar de chocante, isto não deve causar surpresa ao cristão, 13 / 61

14 pois Jesus nos adverte quanto a estes últimos tempos. Mateus 24,24-25: Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos. Vede que vo-lo tenho predito. Lucas 18,8: Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça. Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?. Nestes últimos tempos em que a igreja atravessa a sã doutrina tem dado lugar a todo tipo de fábulas e invenções, tanto para agradar o ego humano, quanto para o crescimento material da igreja, esta é a tônica da igreja atual. 2 Timóteo 4,3: Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos. A igreja triunfante: a igreja triunfante pode ser definida como a reunião das almas dos crentes que já se encontram no céu, ou como a reunião final de todos os crentes após o Dia do Julgamento, onde todos os eleitos de todas as épocas da história da humanidade estarão finalmente reunidos em glória junto a Cristo em seu estado glorificado, onde o pecado e a corrupção estarão definitivamente banidos e os filhos de Deus revelados em caráter definitivo. Romanos 8,19-22: A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. Pois a criação (*) está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora. 14 / 61

15 (*) Criação: almas no estado intermediário e os anjos e seres espirituais eleitos. A igreja e a Palavra: Calvino diz que na Igreja de Deus a Palavra deve ser pregada e ouvida em toda sua pureza. Isto soa hoje como uma utopia, pois infelizmente a igreja local tem se degenerado a tal ponto que é possível esperar ouvir de tudo em uma igreja, menos a Palavra em sua pureza, pois esta se tornou ofensiva aos crentes modernos. João Calvino: Onde quer que vejamos a Palavra de Deus pregada e ouvida em toda a sua pureza e os sacramentos ministrados segundo a instituição de Cristo, não há dúvida de que existe uma igreja de Deus. O crente e a igreja: a igreja não é detentora do poder de salvação, mas somente Deus justifica os seus eleitos, e aqueles que receberam o dom da fé recebem a Cristo, que para eles se torna a vida eterna. O relacionamento do crente com Cristo é pessoal e não está vinculado a nenhuma denominação em particular, a este respeito Charles Hodge afirma em sua Teologia Sistemática (pag. 778): A vida do crente não é uma vida corporativa, condicionada a uma união com alguma organização externa chamada igreja, porque todo aquele que invoca o nome do Senhor, ou seja, todo aquele que lhe rende culto religioso e espera nele como seu Deus e salvador, será salvo, quer em uma masmorra, quer solitário em um deserto. Os sacramentos 15 / 61

16 Confissão de Fé de Westminster - Capítulo XXVII, Seção I Os sacramentos: Os sacramentos são santos sinais e selos do pacto da graça instituídos diretamente por Deus para representar Cristo e os seus benefícios e confirmar o nosso interesse nele, bem como para colocar uma diferença visível entre os que pertencem à Igreja e o resto do mundo, e solenemente engajá-los ao serviço de Deus em Cristo de acordo com sua Palavra. 1 Coríntios 10,16: Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo? Os sacramentos são sinais visíveis do pacto da graça que confirmam o compromisso dos crentes com Cristo. Pelos votos e juramentos nos sacramentos, os crentes comprometem-se com as regras de fé da denominação que assumem. Os sacramentos O termo sacramento, assim como Trindade, não ocorre diretamente na bíblia, o seu uso clássico era voltado a obrigações e juramentos relativos a compromissos de negócios ou militares, que eram comuns na Antiguidade. Em seu uso religioso ele provém do grego clássico - mysterion ; o que era desconhecido e agora foi revelado - ou seja, rituais e ordenanças que eram desconhecidos e agora foram revelados, neste caso, revelados pela Escritura: o batismo e a Ceia do Senhor. Desta forma, os sacramentos constituem-se em duas partes, o sinal externo visível e a graça interior implícita nos sacramentos. Estes sacramentos são considerados como instituídos, porque os sinais do pacto no Velho Testamento, que foram instaurados diretamente por Deus - respectivamente a circuncisão e a páscoa - foram 16 / 61

17 substituídos pelo batismo e pela Ceia, instituídos por Cristo na Nova Aliança. Colossences 1,26: O mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos; aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória. Os sacramentos somente serão sinais interiores da graça nas pessoas eleitas e justificadas por Deus em Cristo, pois a graça é aplicada pelo Espírito independente de qualquer sacramento, somente a justiça de Cristo salva o pecador, nenhum ato ou ritual praticado por homens ou pela igreja poderá salvar aquele que não foi ordenado eternamente por Deus. Atos 13,48: Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna. O batismo na Igreja Primitiva: A igreja primitiva considerava o batismo, de forma geral, como ligado ao perdão dos pecados e ao novo nascimento, tudo indica que eles acreditavam na regeneração batismal. Todavia, os pais da igreja consideravam que uma disposição positiva da alma era necessária à regeneração, e não atribuíam ao batismo uma posição de necessidade para a iniciação da nova vida, mas o batismo era visto como um ato de consumação desta nova vida em Cristo. O batismo infantil, dos filhos dos crentes, era bastante comum nos primeiros séculos da era cristã, sendo que o modo do batismo, por imersão, por derramamento ou aspersão não era considerado como diferencial, o modo do batismo não estava em discussão nos primeiros séculos da igreja. A partir do segundo século, surgiu a ideia de que o batismo infantil era de extrema necessidade, sendo que as crianças não batizadas eram consideradas perdidas. A unicidade do batismo também foi um princípio estabelecido a partir do segundo século, sendo que todas as pessoas batizadas em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito não deveriam ser rebatizadas. O batismo na igreja Romana: A igreja Romana, depois do imperador Constantino, passou a considerar os aspectos externos do batismo como um ato eficiente, aplicado pela igreja, para a salvação dos fiéis, os aspectos espirituais e interiores do batismo, bem como a ação do Espírito foram relegados ao esquecimento e por fim abandonados em função da atribuição 17 / 61

18 salvadora e santificadora atribuída à igreja e seus sacerdotes. O batismo após a Reforma: A igreja luterana não desfez totalmente a ideia da igreja romana com relação ao batismo, eles consideravam a água do batismo como dotada de propriedades milagrosas pelas quais o pecado original é removido. No caso de adultos esta ação milagrosa era dependente da fé do crente batizado, mas no caso de infantes havia dúvida se Deus infundia a fé na criança antes do batismo ou se a fé era propiciada pelo próprio ato do batismo. Os calvinistas defendem que o batismo não produz a fé e não traz a salvação, mas é apenas um ato de confirmação pública da fé em Cristo, que fortalece os crentes, mas não é necessário para a fé e a salvação de forma absoluta, apesar de ser uma obrigação para todo o crente e sua família. Quanto às crianças, a consideração de Calvino era de que os filhos de pais crentes são participantes da nova aliança, devendo receber o batismo para confirmação desta aliança. Pela doutrina da predestinação e dos Decretos Eternos de Deus, adotados pelas igrejas calvinistas, a fé das crianças não é levada em consideração no ato do batismo, pois a fé não é causa da salvação, mas consequência dela. A ideia predominante no batismo infantil é que o batismo é um ato espiritual e sua ação é interna, agindo na alma do crente de forma contínua durante toda a sua vida. A fórmula batismal: nem todos os batismos cristãos descritos no Novo Testamento utilizam a mesma fórmula batismal, mas independente desta diversidade usada na época apostólica, a igreja sentiu a necessidade de unificar a forma do batismo com o fim de evitar abusos e heresias, desta forma foi adotada a forma contida na ordenação de Jesus em Mateus: batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Esta fórmula batismal tornou-se definitiva, sendo utilizada na igreja até os dias de hoje. A Ceia do Senhor A Ceia e os rituais do Velho Testamento: os sacrifícios da velha dispensação eram geralmente acompanhados de refeições das quais participavam os sacerdotes e os ofertantes, este costume era próprio das ofertas pacíficas, a gordura era queimada no altar e o restante do 18 / 61

19 animal era distribuído entre os sacerdotes e os ofertantes, que faziam no mesmo local as refeições que proviam do sacrifício. Estas refeições simbolizavam o fato de que o sacrifício era aceito por Deus e representava uma comunhão, estabelecida por este ato, entre Deus e o seu povo. Pode-se ver neste ritual, a origem da Ceia do Senhor na antiga religião israelita. Por este mesmo motivo, os israelitas eram proibidos de participar das ceias comemorativas e sacrificiais dos outros povos, pois isto representava adoração a outros deuses. Estes sacrifícios não se confundem com a Páscoa judaica, pois a Páscoa era uma celebração independente das outras e tinha o significado de expiação, diferente das ofertas pacíficas que traziam em si o significado do perdão e da comunhão resultante. A Ceia na igreja primitiva: na era apostólica a ceia era, na verdade, uma festividade onde os participantes traziam a comida e a bebida de sua casa, no decorrer do tempo, estes materiais trazidos pelos participantes passaram a ser abençoados pelo sacerdote com orações de ação de graças e aos poucos estas oblações e oferendas passaram a ser um sacrifício levado a efeito pelo sacerdote, sendo consagrados pela oração de ação de graças. Os pais da igreja primitiva discordavam quanto à presença de Cristo nesta cerimônia, alguns criam na transformação dos elementos, recebendo a presença física de Cristo, como ainda hoje na igreja romana (transubstanciação) ou luterana (consubstanciação), outros afirmavam somente a presença simbólica de Cristo. A realidade da Ceia como a conhecemos hoje foi definida por Agostinho no século V de nossa era, segundo ele, o pão e o vinho constituem-se apenas nos sinais do sacramento e a coisa significada, que é a presença de Cristo na Ceia, é simbólica e espiritual, não deixando por isto de ser real, mas Agostinho negava a transformação dos elementos. A doutrina da transubstanciação foi adotada oficialmente pela igreja de Roma no Concílio de Latrão em 1215 d.c. e a forma final foi definida no Concílio de Trento, onde a igreja romana afirma a presença real de Cristo na substância do sacramento. A Ceia na Reforma: os reformadores não aceitaram a doutrina da transubstanciação nem da consubstanciação. Os luteranos insistiam na presença física de Cristo nos elementos, de forma diferente da igreja romana, a consubstanciação, pela qual Cristo estaria fisicamente com os elementos, mas, não havendo a transformação destes elementos. Calvino negava a presença física de Cristo no sacramento, mas afirmava a presença espiritual, todavia real, de Cristo 19 / 61

20 durante a celebração trazendo à esta celebração virtude e eficácia provindos deste presença espiritual de Cristo no sacramento. Confissão de Fé de Westminster - Capítulo XIX, Seção I A origem da Santa Ceia: Na noite em que foi traído, nosso Senhor Jesus instituiu o sacramento do seu corpo e sangue, chamado Ceia do Senhor, para ser observado em sua Igreja até ao Fim do mundo, a fim de lembrar perpetuamente o sacrifício que em sua morte ele fez de si mesmo; selar aos verdadeiros crentes os benefícios provenientes desse sacrifício para o seu nutrimento espiritual e crescimento nele e a sua obrigação de cumprir todos seus deveres para com Cristo; e ser um vínculo e penhor da sua comunhão com ele e de uns com os outros, como membros do seu corpo místico. Mateus 26,26-28: Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados. A Santa Ceia foi instituída pessoalmente por Jesus em comemoração ao seu sacrifício. A Santa Ceia deve ser celebrada até a consumação do século. Os símbolos da Ceia 20 / 61

21 Os atos de comer o pão e beber o vinho são realizados em memória de Cristo e para lembrar sua morte vicária até que ele venha novamente, o comer o pão e beber o vinho, na Ceia, é uma lembrança do pacto da graça. Por este ato, Cristo mantém firme sua promessa de salvação e confirma os benefícios da regeneração e da comunhão com os eleitos. O pão representa a carne de Cristo e o vinho o seu sangue, este significado, porém, é espiritual, e qualquer representação material neste sentido é idolátrica e abominável perante Deus. 1 Coríntios 11,23-26: Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha. A Ceia e a igreja A noite da Ceia é também a noite em que Jesus foi traído. Ele não foi traído pelos fariseus ou pelos judeus que o odiavam, mas por um de seus apóstolos, não um qualquer, mas que participou do ministério de Jesus, que expulsou demônios, que fez milagres em seu nome, que era íntimo de Nosso Senhor, que havia participado na Ceia a seu lado. Este fato mostra a triste realidade da igreja, o mundo não representa ameaça à igreja, mas a igreja tem se degenerado em seitas e heresias por ação dos falsos mestres e ministros que estão no seio desta mesma igreja. Mesmo as denominações tradicionais estão se corrompendo rapidamente no seio do arminianismo (livre-arbítrio), do dispensacionalismo, da teologia relacional, da igreja com propósitos e muitos outros destinados à prosperidade material e ao deleite do ego humano. Por todas estas coisas, nem toda pessoa participa da ceia em homenagem e gratidão a Cristo, mas engrandecendo e honrando a si mesmo; convém lembrar que, todo aquele que participa da ceia indignamente, come e bebe condenação para si. 1 Coríntios 11,27: Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. 21 / 61

22 Aplicação da Ceia Conforme o entendimento reformado, a Santa Ceia deve ser dirigida por um ministro ordenado regularmente, que deverá abençoar os elementos antes de distribuí-los e participar pessoalmente da cerimônia. A participação também é restrita às pessoas presentes ao ato e previamente batizadas em uma denominação evangélica respeitável. Neste sentido a Santa Ceia tem a função de unir a congregação em torno desta comemoração, os membros que não podem estar presentes por motivo de enfermidade ou velhice poderão ser representados na Santa Ceia por um oficial da igreja devidamente ordenado e habilitado. Os participantes da Ceia: A Ceia é somente para pecadores arrependidos que reconhecem sua condição corrompida pela queda e se confessam incapazes de conseguir por si mesmos o perdão dos pecados e o mérito para a salvação, confiando única e exclusivamente no sacrifício de Cristo para remissão dos pecados, todo aquele que acredita em seus méritos próprios para conseguir a salvação come e bebe desonra para si e para sua família ao participar da Ceia do Senhor. Além deste fato, os participantes da Ceia devem ser membros batizados, fiéis à sua profissão de fé, procedentes de denominações tradicionais e fiéis a Cristo. Os crentes doentes ou impedidos por motivo de força maior podem ser representados por um oficial da igreja devidamente credenciado. Exclusões na Ceia: As crianças e os incapazes não têm permissão para participar da Ceia, visto não terem condições de preencher os requisitos exigidos. Somente os crentes, presentes na igreja na hora da Ceia, tem o direito de participar. Os descrentes e as pessoas não batizadas não devem participar da Ceia, assim como todos aqueles que recusam a profissão de fé da igreja não tem o direito de participar. Confissão de Fé de Westminster - Capítulo XXIX, Seção VIII Bênção e maldição: Ainda que os ignorantes e os ímpios recebam os elementos visíveis deste sacramento, não recebem a coisa por eles significada, mas, pela sua indigna participação, tornam-se réus do corpo e do sangue do Senhor para a sua própria condenação; portanto, como são indignos de gozar comunhão com o Senhor, são também indignos da sua mesa, e não podem, sem grande pecado contra Cristo, participar destes santos mistérios nem a eles ser admitidos, enquanto permanecerem nesse estado. 22 / 61

23 1 Coríntios 10,21: Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Os réprobos religiosos podem participar fisicamente da Ceia, mas não recebem nenhum benefício espiritual por isso. Somente os eleitos de Deus recebem os benefícios espirituais da Ceia. Bênção e maldição Assim como a pregação do evangelho salva os escolhidos e condena definitivamente os réprobos, da mesma forma, os sacramentos trazem a comunhão apenas aos eleitos de Deus que formam a igreja invisível, os não eleitos, mesmo sendo religiosos e participantes da congregação não recebem os benefícios espirituais dos sacramentos, antes condenam a si mesmos pela participação indigna nestes atos. Somente os que são escolhidos por Deus e aceitam integralmente o evangelho, recebem a salvação e participam dignamente dos sacramentos. Atos 16,14-15: Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia. Depois de ser batizada, ela e toda a sua casa, nos rogou, dizendo: Se julgais que eu sou fiel ao Senhor, entrai em minha casa e aí ficai. E nos constrangeu a isso. As marcas da igreja 23 / 61

24 O que distingue uma verdadeira igreja é a pregação fiel da Palavra e a aceitação e obediência a ela como regra de vida e fé para todos os crentes. A correta administração dos sacramentos e a disciplina na igreja são dependentes e consequentes da observação da Palavra de Deus. A correta e fiel pregação da Palavra é a mais importante marca da igreja visível, da Palavra fiel dependem a correta ministração dos sacramentos e a disciplina, pois estes são consequência da observância da Palavra e não o contrário. Se a observância da Palavra é a marca fundamental da igreja, a fuga ou falseamento da verdade inabilita uma igreja de ser considerada cristã. Por este motivo, a necessidade da disciplina eclesiástica é muito mais importante com relação às questões doutrinárias do que com relação ao comportamento moral dos crentes. Os membros de uma denominação cristã que ignoram, confundem ou negam os artigos de fé da igreja devem ser disciplinados com decisão e energia, e, em casos de resistência excluídos da congregação. A vocação missionária da igreja: As instruções que Jesus deixou à igreja foi a de pregar o evangelho a toda criatura em todos os lugares do mundo. A igreja cristã distingue-se de todas as religiões existentes pela sua vocação missionária, é função e obrigação da igreja propagar o verdadeiro evangelho em todo o mundo. Mateus 28,18-20: Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século. As obrigações da igreja 24 / 61

25 A igreja tem o poder espiritual, que é exercido em nome de Cristo e pela operação do Espírito, e o poder ministerial que deve ser exercido estritamente de acordo com a Palavra, este poder ministerial é derivado de Cristo e da Palavra e cria mais obrigações que direitos para a igreja, estas obrigações que provém do poder da igreja são as seguintes: 1 - Zelar pela preservação da Palavra: acima de todos os interesses pessoais ou sociais dos eclesiásticos ou da congregação. 1 Timóteo 1, 3-4: Quando eu estava de viagem, rumo da Macedônia, te roguei permanecesses ainda em Éfeso para admoestares a certas pessoas, a fim de que não ensinem outra doutrina, nem se ocupem com fábulas e genealogias sem fim, que, antes, promovem discussões do que o serviço de Deus, na fé. 2 - Ministração correta dos sacramentos: de acordo com as instruções de Cristo e da Palavra, sendo que os únicos sacramentos ordenados por Nosso Senhor são o batismo e a Ceia do Senhor. Mateus 28,19: Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Lucas 22,19: E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim. 3 As regras de fé da igreja: a igreja precisa dar uma definição clara e objetiva das regras de 25 / 61

26 fé e símbolos da igreja estabelecendo de forma inequívoca a identidade da denominação e a profissão de fé a ser assumida pelos crentes que fazem ou farão parte da membresia da igreja. Estas confissões de fé têm o intuito de preservar o equilíbrio espiritual dos crentes servindo de baliza e julgamento em questões doutrinárias. A profissão de fé: a grande maioria das igrejas evangélicas exige do crente, no ato do batismo, uma profissão de fé aceitando sem reservas a Escritura e as regras de fé da igreja como normas de fé e vida a partir daquele momento. Infelizmente os crentes, de forma generalizada, não levam a sério esta profissão de fé, seja por ignorância ou por descaso, transformando as igrejas atuais em uma diversidade de crenças digna de admiração, pois como é possível conviver de forma doutrinariamente sadia em meio a tantas crenças diversas? Atos 15,24-29: Visto sabermos que alguns que saíram de entre nós, sem nenhuma autorização, vos têm perturbado com palavras, transtornando a vossa alma, pareceu-nos bem, chegados a pleno acordo, eleger alguns homens e enviá-los a vós outros com os nossos amados Barnabé e Paulo, homens que têm exposto a vida pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Enviamos, portanto, Judas e Silas, os quais pessoalmente vos dirão também estas coisas. Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo além destas coisas essenciais: que vos abstenhais das coisas sacrificadas a ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sufocados e das relações sexuais ilícitas; destas coisas fareis bem se vos guardardes. Saúde. 4 Disciplina: Estabelecer e cuidar da disciplina dentro da igreja, do ponto de vista moral, mas principalmente no aspecto doutrinário, visto que o dano provocado pelas falsas doutrinas e heresias dentro da igreja é incomparavelmente mais danoso que o desvio moral e social, sendo usualmente a causa e origem de outros desvios. Gálatas 5,9-10: Um pouco de fermento leveda toda a massa. Confio de vós, no Senhor, que não alimentareis nenhum outro sentimento; mas aquele que vos perturba, seja ele quem for, sofrerá a condenação. DA NECESSIDADE DOS CREDOS E CONFISSÕES 26 / 61

27 A escritura é o único padrão de autoridade para o crente, visto que é a Palavra de Deus, todavia, a interpretação e compreensão da Escritura deve ser buscada pelo homem com diligência e aplicação, orando sempre pela revelação através do Espírito de Deus. Para preservar a são doutrina e auxiliar os crentes na compreensão da Palavra, a igreja preparou, ao longo dos séculos, credos e confissões que se destinam a preservar as doutrinas e práticas da vida cristã conforme a Escritura. As heresias que surgem no seio da igreja são justamente caracterizadas por estes desvios doutrinários e práticos nas doutrinas básicas da igreja, o grande perigo das heresias e falsas doutrinas é que elas tem aparência de piedade e são agradáveis ao ego humano. Por estes motivos, a elaboração dos credos e confissões é uma questão de preservação da Igreja, para que não sejam pregadas doutrinas contraditórias gerando confusão entre os crentes. É preciso reforçar que nenhum escrito humano, após a definição do cânon bíblico é superior à Palavra, os credos e confissões somente são válidos quando estritamente de acordo com a Escritura. As regras de fé: Todas as denominações têm sua constituição, onde constam as regras de fé da igreja, bem como os credos e confissões adotados. Todos os membros e oficiais da Igreja devem fazer obrigatoriamente uma profissão de fé assumindo compromisso com a constituição, os credos e as confissões adotadas pela Igreja. O Sínodo da Igreja Presbiteriana Americana adotou a confissão de Fé e os catecismos de Westminster como padrões de doutrina na igreja em Em 1.788, o Sínodo ratificou a adoção com pequenas alterações que tinham em vista a compatibilidade dos mesmos. Igreja Presbiteriana do Brasil: A Constituição da IPB foi promulgada em 20/07/1950, em 1988 o Supremo Concílio da IPB modificou a Constituição da Igreja adotando como única regra de fé e prática, além da Escritura, a Confissão e os Catecismos de Westminster. Estas decisões da IPB têm obrigatoriedade e força normativa, a lealdade a estas regras de fé é exigida para os membros e para os oficiais ordenados conforme o artigo 44. O artigo 28 prescreve expressamente que os presbíteros e diáconos assumem compromisso na reafirmação de sua crença na Sagrada Escritura como a Palavra de Deus, na lealdade à 27 / 61

28 Confissão de Fé, aos Catecismos de Westminster e à Constituição da Igreja. Da mesma forma, a Igreja Presbiteriana Independente também adota a Confissão e os Catecismos de Westminster como as únicas regras de fé da igreja além da Escritura. OS CREDOS 1 O Credo Apostólico: Na verdade, este credo não foi escrito pelos apóstolos, mas composto pelas igrejas cristãs ao final do segundo século. Este credo é um sumário da Fé Cristã e era exigido aos novos membros que se filiavam ao cristianismo. Credo Apostólico: Creio em Deus o Pai, Todo-poderoso, criador do Céu e da Terra; e em Jesus Cristo, seu unigênito filho, nosso Senhor; o qual foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, sofreu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu ao Inferno; ressuscitou dos mortos ao terceiro dia; subiu ao céu e sentou-se à destra de Deus o Pai, Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Católica (universal); na comunhão dos santos; no perdão dos pecados; na ressurreição do corpo; e na vida eterna. Amém. Desceu ao Hades: A expressão desceu ao Hades ou desceu ao inferno que consta no Credo Apostólico não existia inicialmente, ela foi acrescentada como substitutiva de morto e sepultado. No Credo Atanasiano esta expressão aparece como desceu às regiões inferiores, também como substituição da palavra sepultado. Até o século VI estas expressões apareciam alternadamente nas versões dos credos. Somente após o século VII estas expressões começaram a aparecer conjuntamente: morto e sepultado ao mesmo tempo com desceu ao Hades. A Descida ao Inferno na tradição reformada: Segundo Calvino, a descida ao inferno representa os tormentos e dores que Jesus Cristo sofreu na cruz, ao receber a ira divina que suportou em lugar dos seres humanos, especialmente a dor espiritual resultante do abandono 28 / 61

29 de Deus na hora de sua morte. Na cruz do calvário Cristo tomou sobre si as punições que eram devidas a todo povo de Deus em todas as épocas do mundo. 2 O Credo Niceno: Este credo foi formulado com base no Credo dos Apóstolos com as seguintes características: -As cláusulas relativas à divindade consubstancial de Cristo foram discutidas no Concílio de Nicéia, na Bitínia, em 325 d.c. - As cláusulas relativas à divindade e à pessoa do Espírito Santo foram acrescidas no Segundo Concílio de Constantinopla, em 581 d.c. -A cláusula Filioque acrescida pelo concílio da Igreja Ocidental, em Toledo, Espanha, em 569 d.c. Em sua presente forma ele é o credo de toda a Igreja Cristã Ocidental, sendo que a Igreja Grega rejeita a última fórmula acrescida (Filioque). Credo Niceno: Creio em um só Deus o Pai Todo-poderoso, criador dos Céus e da Terra e de todas as coisas, visíveis e invisíveis, e em um só Senhor Jesus Cristo, o unigênito filho de Deus, gerado de seu Pai antes de todos os mundos, Deus de Deus, Luz de Luz, o próprio Deus do próprio Deus, gerado, não feito, sendo de uma só substância com o Pai; por meio de quem todas as coisas foram criadas; que por nós homens, e para nossa salvação, desceu do Céu e encarnou-se pelo poder do Espírito Santo na Virgem Maria, e fez-se homem, e também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos. Sofreu e foi sepultado; e ao terceiro dia ressurgiu, segundo as Escrituras, e subiu ao Céu e sentou-se à mão direita do Pai. E virá segunda vez com glória para julgar, tanto os vivos quanto os mortos, cujo reino não terá fim. E creio no Espírito Santo, Senhor e Doador da vida, o qual procede do Pai e do Filho (Filioque), que juntamente com o Pai e o Filho é adorado e glorificado; o qual falou pelos profetas. E creio numa só Igreja Católica e Apostólica; reconheço um só batismo para remissão dos pecados; e espero pela 29 / 61

30 ressurreição dos mortos e a vida no mundo por vir. HERESIAS NA IGREJA: Estes credos e confissões se destinavam também a combater e esclarecer as heresias que surgiram na igreja primitiva, as principais destas heresias foram relativas à natureza de Cristo e à negação da Trindade Divina. -Arianismo: Deus o Pai criou o Filho, que por sua vez, criou o Espírito formando três deuses distintos em poder e natureza. -Sabelianismo: Deus o Pai, manifesta-se de três formas diferentes conforme a história da humanidade, como o Pai no VT, como o Filho na vinda de Jesus e depois da morte de Cristo como o Espírito Santo. - Apolinário: Afirmou que Jesus não possuía uma alma racional humana, o Verbo de Deus seria a alma de Jesus. - Adocianismo: Jesus era um homem comum que foi adotado pelo Pai após sua morte. - Monarquismo: Existe somente Deus o Pai. - Marcionismo: O Deus cristão é somente o Deus do Novo Testamento. 30 / 61

31 - Priscilianismo: Jesus não era real, mas uma aparição. - Docetismo (gnosticismo): Jesus não veio em carne, o corpo de Jesus era falso. -Nestorianismo: Jesus era constituído por duas pessoas distintas, a divina e a humana. Esta idéia foi condenada no Concílio de Éfeso, em 431 A.D. Eutiquianismo: A naturezas divina absorveu a natureza humana de Cristo constituindo uma só natureza. Esta idéia foi condenada no concílio da Calcedônia, em 451 A.D. - Orígenes: Defendia a existência prévia das almas. A natureza de Cristo foi definida pela Igreja como uma só pessoa com duas naturezas: divina e humana, perfeito homem e perfeito Deus. Após esta definição nos concílios de Éfeso e Calcedônia, foi composto o Credo Atanasiano, que leva esse nome em homenagem a este Pai da Igreja, falecido muito antes disso. Este credo é bastante longo, segue transcrição das partes relativas à natureza de Cristo (27 a 37): Credo Atanasiano (27 a 47): Mas é necessário à eterna salvação que se creia também fielmente na encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, constitui fé genuína que creiamos e confessemos que Nosso Senhor Jesus Cristo é tanto Deus como Homem. Ele é Deus, gerado desde a eternidade da substância do Pai; é homem nascido no tempo, da substância de sua mãe. Perfeito Deus, perfeito homem, subsistindo de uma alma racional e carne humana. Igual ao Pai no que respeita à sua divindade, menor do que o Pai com relação à sua humanidade. O qual, embora seja Deus e homem, não é dois mas um só Cristo. Mas um, não pela conversão da sua divindade em carne, mas por sua divindade haver assumido sua 31 / 61

32 humanidade. Um, não, de modo algum, pela confusão de substâncias, mas pela unidade de pessoa. Pois assim como corpo e alma constituem um só homem, assim Deus e homem constituem um só Cristo. O qual sofreu por nossa salvação, desceu ao Hades, ressuscitou dos mortos ao terceiro dia. Ascendeu ao céu, sentou à direita de Deus Pai onipotente, de onde virá para julgar os vivos e os mortos. CREDOS E CONFISSÕES DAS DIFERENTES DENOMINAÇÕES A IGREJA DE ROMA: Após a instauração da reforma o Papa Paulo III convocou o concílio de Trento (1545 a 1563), os Cânones e Decretos do Concílio de Trento constituem a máxima norma doutrinal da Igreja Romana. Os cânones explicam cada decreto e ao mesmo tempo condenam a doutrina protestante relativa aos tópicos abordados. Neste concílio foram adotados pela Igreja Romana os livros apócrifos que passaram a fazer parte da Bíblia Católica. Depois disso várias bulas e documentos papais foram impostos como padrões de fé desta igreja. A IGREJA GREGA: No início do século VII a igreja Ocidental e a Igreja Oriental, conhecida como Igreja Grega, foram se distanciando até sua completa divisão no século XI. A Igreja Grega autodenominou-se Igreja Ortodoxa porque os credos existentes na Igreja foram produzidos no oriente. A base doutrinal da igreja Grega são os credos já mencionados. A Igreja Grega abrange a Grécia, os cristãos do Império Turco e a grande maioria dos cristãos russos. Ela possui também confissões modernas: Confissão de Genadius, de 1543 A.D. e A confissão Ortodoxa de Pedro Mogilas, de 1642 A.D. 32 / 61

33 A REFORMA A reforma originou-se da Igreja Ocidental, no início do século XVI, ela dividiu-se em dois ramos principais, conforme descrito abaixo: A igreja Luterana e as igrejas reformadas ou calvinistas. A IGREJA LUTERANA: As igrejas luteranas abrangem os protestantes da Alemanha, a maioria das províncias bálticas da Rússia, Dinamarca, Noruega, Suécia e América. Seus credos e confissões são: Os Catecismos Maior e Menor de Martinho Lutero: Preparados por Lutero em 1529 A.D. A confissão de Augsburg: O único padrão aceito por todas as luteranas, foi elaborada por Lutero e Melanchton e apresentada à Dieta Imperial em Augsburg, cidade alemã situada na Baviera, no ano de 1530 A.D. Essa é a mais antiga confissão protestante. A apologia da Confissão de Augsburg : Foi elaborada por Melanchton e subscrita pelos teólogos luteranos em 1537 A.D. em Esmeralcade. Os Artigos de Esmeralcade (ou Esmalcade - Schmalkaldischer Bund): Elaborada por Lutero e subscrita pelos teólogos luteranos em Esmeralcade, na Alemanha, no ano de / 61

34 A Fórmula da Concórdia: Preparada por Andreas Althamer e outros teólogos, em vista de controvérsia surgidas quanto à graça divina e a vontade humana na regeneração e à presença de Jesus na eucaristia. Apesar desta confissão ser mais desenvolvida que a de Augsburg ela não é aceita universalmente pela igrejas luteranas. AS IGREJAS REFORMADAS OU CALVINISTAS A igreja reformada, ou calvinista, foi constituída inicialmente na Alemanha pelas igrejas que adotaram o Catecismo de Heidelberg, mais as igrejas protestantes da Suíssa, França, Holanda, Inglaterra e Escócia, os Batistas Independentes da Inglaterra e América e vários ramos da Igreja Presbiteriana da Inglaterra e América. Os artigos e confissões da Igreja Reformada são os seguintes: AS TRÊS FORMAS DE UNIDADE -O Catecismo de Heidelberg: Preparado por Zacharias Ursino e Casper Oleviano em Seu propósito foi o de assegurar harmonia no Palatinato (o estado germânico) e assegurar o fundamento para instrução religiosa nas próximas gerações. 34 / 61

35 - A Confissão Belga: Preparada em 1561, surgiu da perseguição trazida sobre os Reformados na Baixa Escócia por Philip II. Esta perseguição produziu um número de mártires que excedeu o de qualquer outra Igreja Protestante durante o século dezesseis, e talvez até o de toda a Igreja primitiva sob o Império Romano. Foi preparada por Guido de Bres com a ajuda de Adrien de Savaria, H. Modetus e G. Wingen. Foi apresentada a Philip II na esperança de ganhar alguma tolerância para a fé Calvinista. - Os Cânones de Dort: O Sínodo de Dort foi formado por professores, pastores e presbíteros da Igreja da Holanda, deputados das igrejas da Inglaterra, Escócia, Hesse, Bremen, Palatinado e Suécia, no período de 1618 a Este sínodo foi uma resposta aos Remonstrantes Arminianos confirmando categoricamente a soberania de Deus e a incapacidade do homem na salvação. Estas três confissões constituem a chamada: Três Formas de Unidade. A segunda Confissão Helvética: preparada por Heirich de Bullinger e publicada em por Frederico III da Palatina (Alemanha). Foi também adotada pelas igrejas reformadas da Suíssa, França e Escócia. Os Trinta e Nove Artigos da Igreja da Inglaterra: Preparados por Cromwell e Ridley em 1551, revisados por ordem da Rainha Elisabeth em Estes artigos são nitidamente calvinistas e são adotados pelas igrejas episcopais. Os Trinta e Nove Artigos deveriam constituir a base da confissão de Fé de Westminster, mas depois de um início complicado, a 35 / 61

36 Assembléia decidiu-se por uma nova confissão. A CONFISSÃO E OS CATECISMOS DE WESTMINSTER Estes são os padrões doutrinais de todas as igrejas presbiterianas de origem inglesa e escocesa, adotados também pelas igrejas presbiterianas dos EUA e Brasil. A Confissão de Westminster, o Catecismo maior (1648) e o Catecismo menor (1647) foram redigidos na Inglaterra, na Abadia de Westminster, por convocação do Parlamento. A assembléia funcionou de 1/7/1643 a 22/2/1649. O objetivo primário era a revisão dos Trinta e nove artigos da igreja da Inglaterra. Trabalharam no texto da confissão 121 teólogos e 30 leigos nomeados pelo Parlamento (20 da Casa dos Comuns e 10 da Casa dos Lordes), 8 representantes escoceses, 4 pastores e 4 presbíteros. Os principais debates não foram de ordem teológica, pois havia unidade quanto à doutrina da salvação, embora houvesse diversidade quanto à eclesiologia, a ordem na igreja. Nesse ponto, havia quatro partidos: episcopais, independentes (congregacionais), presbiterianos e erastianos (Erastus de Heidelberg) - defendiam que a autoridade final da igreja deveria ser do Estado e que o trabalho do pastor deveria ser somente de ensino. Os Catecismos de Westminster: O Breve catecismo foi elaborado para instruir as crianças; o Catecismo maior, especialmente para a exposição no púlpito, mas não exclusivamente. Eles substituíram em grande parte os catecismos e as confissões mais antigos adotados pelas igrejas reformadas de fala inglesa. Apesar de a teologia dos catecismos e da Confissão de Westminster ser a mesma, sendo por isso sempre adotados os três, parece que os mais usados são o Catecismo menor e a Confissão. Esses credos foram logo aprovados pela Assembléia Geral da Igreja da Escócia. Eles tiveram e têm grande influência no mundo de fala inglesa, máxima entre os presbiterianos, embora também tenham sido adotados por diversas igrejas batistas e congregacionais. No Brasil, 36 / 61

37 esses credos são adotados pela constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil, Presbiteriana Independente e Presbiteriana Conservadora. A Confissão de Savoy: Cromwel convocou uma Convenção Congregacional em Savoy na Inglaterra, em 1658, aprovou parte da CFW e redigiu uma nova confissão. Esta confissão, no entanto, é tão próxima da CFW que os Independentes modernos tem abandonado seu uso e adotado a CFW. Todas as assembléias, que se reuniram na Inglaterra, após a CFW, tem endossado ou adotado a CFW em sua fé. O uso de catecismos e confissões reformados Limites: Os credos evangélicos, no que se refere à formulação doutrinária, são relevantes. Depreciá-los é uma negação prática da direção que, no passado, o Espírito Santo deu à Igreja. Os credos são uma resposta do homem à Palavra de Deus e sumariam os artigos essenciais da fé cristã, os credos pressupõem a fé, mas não a geram; esta é obra do Espírito Santo através da Palavra. Os credos e confissões não substituem a escritura, mas esclarecem e dirigem o conhecimento alicerçado em dois mil anos de desenvolvimento da doutrina. A questão real entre a Igreja e os impugnadores dos credos é questão entre a fé provada do corpo coletivo do povo de Deus e o juízo privado e a sabedoria não auxiliada do contestador. Os credos não estabelecem o limite da fé, antes a norteiam. As Escrituras sempre serão mais ricas que qualquer pronunciamento eclesiástico, por mais bem elaborado e mais fiel que seja. 37 / 61

38 A firmeza e vivacidade da teologia reformada estão justamente em basear fielmente seu sistema em todo o desígnio de Deus, através da sua Palavra. A idéia de credos e estudos doutrinários desagrada a muitas pessoas, que os imaginam como desnecessários à vida cristã. Nessa perspectiva, a doutrina tem pouco valor; o que importa é a vida cristã com ênfase nas sensações e experiências, encerrando a Palavra de Deus em um evangelho puramente ético e social, transformando Cristo em um mero exemplo de vida. OS FUNDAMENTOS DA IGREJA O apóstolo Paulo compara a igreja a um edifício e descreve os fundamentos do edifício: os profetas, os apóstolos e Jesus Cristo, que é a pedra fundamental. Em cima deste alicerce o edifício cresce para se tornar o templo de Deus. Da mesma forma os crentes, em todos os tempos, também crescem moldados nestes fundamentos. Efésios 2,20-22: Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito. O verdadeiro crente não se converte ao entrar no templo, a preparação do crente é uma obra da graça de Deus; antes de participar de uma congregação o crente é chamado, justificado e preparado através do Espírito para o ingresso no templo, os crentes verdadeiros, e somente estes, são as pedras que edificam o templo, elas não são preparadas no local, mas chegam todas preparadas previamente para serem colocadas na construção, como relatado figuradamente no Velho Testamento durante a construção do Templo de Salomão. 1 Reis 6,7: Edificava-se a casa com pedras já preparadas nas pedreiras, de maneira que nem martelo, nem machado, nem instrumento algum de ferro se ouviu na casa quando a edificavam. Deus forneceu a Moisés instruções detalhadas quanto à construção do templo, estas 38 / 61

39 instruções foram especificadas em todos os pormenores, assim também a preparação dos crentes é uma obra grandiosa levada a efeito pelo Espírito Santo, silenciosa e continuamente o Espírito atua na vida dos eleitos de Deus, transformando seus corações, infundindo neles a fé em Cristo e o arrependimento para remissão dos pecados. O crente assim transformado não é meramente um membro de uma igreja local, mas um verdadeiro filho de Deus chamado para receber a justiça perfeita que há em Cristo. 2 coríntios 3,3: Estando já manifestos como carta de Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações. Esta obra do Espírito não é percebida de imediato, em um momento de sua vida a pessoa fica insatisfeita consigo mesma, com sua vida, aparecem novos interesses, novas propostas, novas aspirações. Isto fica claro nas palavras de David Martin Lloyd Jones: Lloyd Jones: Ser cristão é estar sujeito a uma energia e um poder que está acima do nosso entendimento. Este é o milagre do novo nascimento, não é visível, não é perceptível, mas é real. O cristão nascido de novo é alguém que só pode ser entendido pelos verdadeiros cristãos, igualmente modelados pelo Espírito. O chamado e a preparação dos filhos de Deus é um fato e Jesus revela como isso acontece. João 3,7-8: Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo. O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito. A Igreja de Deus: Enfim, a verdadeira igreja é constituída de crentes que crêem apenas nas doutrinas bíblicas, que acreditam somente na justiça perfeita de Cristo para sua salvação e que regem suas vidas pela Palavra, fora isso não há igreja de Deus. A organização da igreja 39 / 61

40 A igreja é um corpo organizado e constituído, conforme as diferentes denominações que constituem as igrejas locais. A igreja local, por sua vez, é constituída por ministros que são ordenados conforme normas específicas. As decisões extraordinárias são tomadas por assembléias com atribuições e poderes definidos conforme as regras de cada denominação. Existem basicamente quatro tipos de governo nas igrejas: - Erastiano ou estatal: de acordo com este sistema a igreja é submissa ao estado, o chefe da igreja é o chefe de Estado e todos os ministros são funcionários estatais. O governo da igreja, a disciplina e as punições são exercidas pelo estado, cabendo aos ministros apenas a instrução religiosa e a pregação da Palavra. As igrejas anglicana e luterana adotaram este sistema de governo. - Episcopal: quando sua organização é hierárquica entre os ministros e até mesmo entre as igrejas, sendo a autoridade local e regional exercida por ministros nomeados por autoridades eclesiásticas superiores. Os ministros são diferenciados em cargos e funções, conforme uma hierarquia estabelecida entre eles, e por sua vez, todos são subordinados a um ministro geral que detém toda autoridade da igreja. Como exemplos, as igrejas romana e ortodoxa. - Congregacional: conforme este sistema, todas as igrejas locais são igrejas completas e independentes, sua administração se faz através de assembléias da congregação não se submetendo a nenhuma outra autoridade senão a sua própria congregação. Os ministros da igreja são funcionários cuja função é o ensino, a pregação e a administração da igreja. Como exemplos, os batistas e os congregacionais. - Presbiteriano: quando o governo e organização da igreja é efetuado por uma assembléia de 40 / 61

41 oficiais ordenados da igreja. Esta forma de governo foi desenvolvida durante a Reforma Protestante, principalmente na Suíça e na Escócia, sendo hoje adotada nas igrejas presbiterianas em todo mundo. Esta forma de organização e governo consiste em vários concílios, começando pelo concílio dos pastores e presbíteros da igreja local, seguindo-se o Presbitério Regional formado por pastores e presbíteros representantes das igrejas locais, acima deste, os Sínodos com autoridade sobre os Presbitérios Regionais e sobre todos estes o Supremo Concílio como instância máxima de apelação e decisões sobre os assuntos internos e externos da igreja. Os meios de graça Todas as bênçãos provenientes da salvação tem sua origem na graça de Deus, unicamente pelas virtudes dos méritos de Cristo, da mesma forma, os meios de graça, são providos por Deus para aperfeiçoamento dos crentes durante sua vida terrena. Berkoff considera como meios de graça somente a Palavra e os sacramentos, Hodge inclui a oração, para efeitos deste estudo serão considerados como meios de graça a Palavra, a oração e os sacramentos, visto que, em uma avaliação rigorosa, todos os outros meios provém da observação e conhecimento da Palavra, e o Espírito somente realiza a conversão por meio dela. A igreja não é um meio de graça, mas apenas uma distribuidora desta bênçãos, que são operadas pelo Espírito somente nas igrejas fiéis à Palavra, pois o Espírito de Cristo somente atua pela Palavra de Cristo, onde a ministração do evangelho é feita em estrita observância da Palavra, coisa raríssima nos dia atuais. Estes meios de graça não se referem à graça comum, pela qual Deus opera a manutenção do universo, mas são meios da graça especial e salvadora, pela qual Deus chama e aperfeiçoa seus eleitos, através do Espírito, ao longo de toda sua vida terrena. Os meios de graça não agem de forma milagrosa ou excepcional, mas atuam de forma contínua durante toda a vida do crente, preservando sua salvação, fortalecendo sua fé e propiciando o crescimento na graça, que se traduz no conhecimento de Deus, no amor aos irmãos e na fé em Cristo, estes fatos, somados, conduzem a um inevitável compromisso e 41 / 61

42 mudança de vida necessária à salvação. Além destes aspectos positivos, o crescimento na graça tem a função principal de trazer ao crente a consciência de sua condição pecaminosa e de sua total incapacidade para conseguir ou preservar sua salvação. João 16,7-8: Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei. Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo. A Reforma e os meios de graça: Os meios, utilizados pelos crentes e pela igreja, não têm o poder de transmitir a graça de Deus ou de infundir a santidade. Estes meios não são de tal forma indispensáveis à salvação que Deus não possa realizá-la aparte deles, a salvação é fruto exclusivo da vontade de Deus em Cristo e Ele não necessita obrigatoriamente da igreja, de seus ministros ou dos meios de graça para realizar a salvação. Lucas 23,40-43: Respondendo-lhe, porém, o outro, repreendeu-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença? Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez. E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino. Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso. 42 / 61

43 Todavia e apesar disto, os meios de graça são divinamente ordenados e operados pelo Espírito, quando e se, corretamente aplicados em respeito e conexão com a Palavra de Deus. Não devem em nenhuma hipótese serem relegados como coisa de somenos importância, mas tratados e aplicados com o devido respeito e atenção às normas e regras de fé da denominação em consonância com a Palavra, sendo necessários e próprios da liturgia de toda igreja cristã e de seus membros em todo o mundo. Quanto aos sacramentos, eles são uma representação visível da Palavra, e por este motivo, devem ser ministrados exatamente de acordo com esta Palavra. A lei e o evangelho: a lei é tudo aquilo que revela a vontade de Deus em forma de mandamento ou proibição, enquanto o evangelho se refere à obra de reconciliação de Deus com os seus eleitos. Tanto a lei quanto o evangelho manifestam-se ao longo de toda a Escritura, tanto no Velho como no Novo Testamento, sendo que a obra de reconciliação de Deus com seus eleitos, em qualquer dispensação, é realizada somente na redenção adquirida por Cristo, pois apesar do ato da redenção ser realizado no tempo, o decreto que a determina é eterno e tem validade em todas as épocas da história da humanidade. Apocalipse 13,8: E adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo. A lei é uma obra que prepara a recepção do evangelho, pois pela lei o homem toma consciência de sua condição pecaminosa, ela traz a consciência do pecado e da incapacidade humana, criando a necessidade de um redentor, isto já é um fato no livro de Gênesis; quando Deus expulsa Adão e Eva do paraíso, eles estão sob a consciência de seu pecado, e ali, naquele momento, Deus coloca inimizade entre a mulher e Satanás e promete o redentor, a semente da mulher que irá esmagar a cabeça da serpente. Gênesis 3,15: Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. 43 / 61

44 Pode-se ver este fato bastante claro na Epístola aos Hebreus, onde a Lei é descrita como um estado preliminar do evangelho. Hebreus 7,18-19: Portanto, por um lado, se revoga a anterior ordenança, por causa de sua fraqueza e inutilidade (pois a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma), e, por outro lado, se introduz esperança superior, pela qual nos chegamos a Deus. Hebreus 9,15: Por isso mesmo, ele é o Mediador da nova aliança, a fim de que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança, recebam a promessa da eterna herança aqueles que têm sido chamados. Arminianismo: os arminianos, defensores do livre-arbítrio, não aceitam a graça salvadora de Deus e afirmam a necessidade da obediência evangélica e da fé como obras realizadas e preservadas pelo homem durante toda sua vida, voltando desta forma, à doutrina das obras como necessária para criar mérito para a salvação, transformando Cristo em um mero exemplo de vida e a bíblia como um livro de histórias para incentivar o crescimento moral do homem. Não são cristãos em hipótese alguma. Dispensacionalismo: os dispensacionalistas apresentam a lei e o evangelho como opostos absolutos, negando a divindade de Cristo, a Trindade Divina, a onisciência de Deus e afirmando a possibilidade dos crentes do Velho Testamento terem sido salvos pela obediência à lei e a realização de boas obras. Não são cristãos em hipótese alguma. O cristão está livre das leis cerimoniais e civis que eram voltadas exclusivamente ao povo judeu, mas a lei moral de Deus continua sendo determinativa das obrigações morais dos homens, tanto quanto a Deus, quanto aos seus semelhantes. Jesus resumiu esta lei moral em dois mandamentos que representam as obrigações dos homens perante Deus e os seus semelhantes. 44 / 61

45 Lucas 10,27: A isto ele respondeu: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. A utilidade da lei na Escritura: a lei tem três utilizações principais na Escritura: - O uso político: atende ao propósito de restrição do pecado e promoção da justiça. Vemos abaixo, no livro do profeta Samuel, um claro exemplo de que a lei se destinava à obediência, tanto de reis como do povo em geral, esta era uma forma de limitar o poder dos soberanos e trazer o povo a uma obediência superior àquela demandada pelos homens. 1 Samuel 15,22: Porém Samuel disse: Tem, porventura, o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros. - O uso pedagógico: traz ao homem a convicção do pecado e da consciência de sua incapacidade em cumprir as exigências da lei. 45 / 61

46 O apóstolo Paulo aborda esta questão de forma clara na Carta aos Romanos, onde ele explica que a função principal da lei é trazer o conhecimento do pecado. Romanos 3,20: Visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado. - O uso didático: apresenta a lei moral como norma de vida para o crente. Jesus afirma claramente que a lei moral continua sendo a norma de vida do crente na Aliança da Graça. Mateus 5,17: Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. Os oráculos da igreja de Cristo: os oráculos da igreja de Cristo são estes meios de graça determinados biblicamente: a pregação e a leitura da Palavra, a oração e os sacramentos. Os únicos sacramentos instituídos por Cristo são: a Ceia do Senhor e o Batismo. Todos os outros sacramentos são invenções humanas e não devem ser aceitos pelos cristãos. A palavra - João 5,39: Examinais {Examinais; ou Examinai} as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim. A Ceia - Lucas 22,19: E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim. O Batismo - Mateus 28,19: Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. 46 / 61

47 As ordenanças As ordenanças podem ser consideradas como o mandato cultural de todos os crentes: o testemunho de Cristo e a pregação do evangelho. Nos dias atuais, a irracionalidade tomou conta da igreja cristã, o conhecimento do evangelho e o testemunho verbal têm sido relegados ao esquecimento, os novos crentes acreditam que darão o testemunho do evangelho de Cristo através de sua própria justiça e santidade refletidas em uma vida de alto padrão moral, estes crentes, cada dia mais farisaicos, reduzem Cristo a um mero exemplo de vida, mas as ordenanças da igreja continuam e continuarão sempre as mesmas: o testemunho verbal e a pregação. Todavia, se o conhecimento é relegado, como darão testemunho daquele que não conhecem? Como fica a missiologia da igreja confiada às mãos de quem não conhece o evangelho? Isto tem resultado em um número inimaginável de falsos conversos, que acreditam mais no poder do homem que na soberania de Deus. João 17,3: E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. Cristo, o Cabeça da igreja A igreja foi feita para Cristo e não Cristo para a igreja, Jesus Cristo é o fundador da igreja e o 47 / 61

48 Cabeça absoluto dela, ele jamais deixou ordenada a constituição de um homem para ser seu representante sobre a terra, esta reivindicação da igreja de Roma é apóstata e abominável perante Deus e não deve ser aceita em hipótese alguma. As igrejas-estado da Alemanha e Inglaterra reconhecem em seus governantes políticos a supremacia sobre a igreja, a ponto de transformar esta afirmação em Artigo de Fé na Igreja da Inglaterra. Não existe nenhum fundamento ou base escriturística para sustentar estas heresias da igreja de Roma e das Igrejas-Estado. Mateus 23,8: Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos. Cristo governa a igreja através da Palavra, a igreja que não é fiel à Palavra não é fiel a Cristo. Cristo está presente na igreja, tanto para cegar os réprobos quanto para preservar seu povo até o final dos séculos, donde se conclui que a obrigação da igreja e de todos os seus ministros é unicamente pregar a Palavra e louvar a Deus. Somente através da Palavra, o povo escolhido por Deus, o Pai, recebe a graça pela justiça perfeita que há em Cristo e tem sua preservação eterna na comunhão do Espírito Santo. Mateus 28,20: Ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século. A igreja e o Estado A suprema autoridade para o crente é a Escritura, estando acima do Estado, da igreja e de seus concílios, desta forma, a obediência do crente às leis civis e militares constituídas pelo 48 / 61

49 Estado, e também às normas da igreja local, fica sempre restrita à Palavra de Deus, assim como as obrigações familiares, sociais e todas as coisas que fazem parte da vida do crente em todas as situações. É sempre preciso considerar que a igreja e o Estado são instituições diferentes, a igreja não deve interferir nos assuntos de Estado e vice-versa, sendo que a igreja local está limitada às leis vigentes e correspondentes à sua atividade no país onde se encontra instalada, bem como às normas de fé estipuladas pela representação maior da denominação a que pertence. Mateus 22,21: Responderam: De César. Então, lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. A autoridade da igreja A autoridade da igreja sob o ponto de vista negativo: - A autoridade da igreja nunca está acima da Escritura, todas as decisões, normas e decretos da igreja através de sua constituição, leis, concílios e sínodos devem se submeter à Escritura em primeiro lugar. - Os sínodos e concílios da igreja não têm o direito de interferir ou influenciar quaisquer decisões do Estado. - Os poderes dos sínodos e concílios são meramente declarativos, em função da Palavra de Deus, não tem caráter legal ou executivo do ponto de vista civil. 49 / 61

50 Sob ponto de vista positivo: - Compete aos sínodos, concílios e congregações: - Formular, adotar ou alterar a constituição e legislação para o governo da igreja, bem como estabelecer as regras de fé da igreja e formular ou adotar credos e confissões para dirigir doutrinariamente a igreja. - Estabelecer, modificar ou adotar regras para o culto público, louvor e aplicação dos sacramentos. - Decidir sobre questões de fé, doutrina e problemas de consciência. - Examinar e julgar casos de disciplina e problemas administrativos e patrimoniais da igreja. - Ensinar e exigir aos membros e oficiais da igreja a obediência e cumprimento dos deveres com relação às autoridades civis, lembrando sempre que a Escritura é a regra máxima de fé do cristão, e a lei civil deve ser respeitada e obedecida quando não em contradição ou negação da Palavra de Deus. Caso os membros ou oficiais da igreja procedam em desacordo com a legislação vigente no país de origem ou no país em que eles se encontram, adotando atitudes de flagrante desrespeito ao patrimônio, à moral ou aos bons costumes, eles não devem ser protegidos pela igreja, mas entregues às autoridades competentes para julgamento. Oficiais da igreja no Novo Testamento 50 / 61

51 - Apóstolos: de forma rigorosa somente os doze escolhidos diretamente por Jesus e Paulo são considerados apóstolos. A tarefa dos apóstolos foi estabelecer os fundamentos da Palavra e da igreja em todo o mundo. - Profetas: o Novo Testamento fala da existência de profetas na igreja primitiva, eles possuíam o dom de profecias para ensinamento e revelação de mistérios e de acontecimentos futuros. Este dom de profecias somente tinha valor porque era utilizado para edificação do corpo de Cristo, que é a igreja. - Evangelistas: o Novo Testamento refere-se também aos evangelistas, que acompanhavam e auxiliavam os apóstolos, sendo também por estes designados para missões especiais. É o caso de Timóteo, Tito, Marcos e Filipe. - Presbíteros: Os presbíteros eram encarregados do governo e administração da igreja, eram os pastores que presidiam o rebanho que estava a seus cuidados. - Mestres: no início da igreja não havia necessidade de mestres, o rebanho era pequeno e os apóstolos estavam presentes, mas com o crescimento da igreja surgiu a necessidade destes oficiais que se dedicavam ao ensino da Palavra, aliviando a função dos presbíteros. - Diáconos: os diáconos eram encarregados da administração da igreja, em particular das obras sociais, das ofertas recebidas e de sua distribuição entre os fiéis e os pobres. A SITUAÇÃO DA IGREJA LOCAL NOS TEMPOS ATUAIS 51 / 61

52 A IGREJA COM PROPÓSITOS: A igreja evangélica, apesar do crescimento físico, está em franca decadência doutrinária, vários fatores têm contribuído para isso, seguem abaixo os dois principais, ambos interligados e decorrentes um do outro: a modernidade e o movimento de crescimento na igreja. A modernidade e o movimento de crescimento da igreja: A modernidade é o sistema do mundo, produzido pelo progresso tecnológico e científico, já o movimento de crescimento na igreja é a utilização das ferramentas da modernidade no crescimento físico e econômico da igreja - o mundo dentro da igreja, ou a igreja no mundo, como preferir. É preciso, todavia, esclarecer a diferença entre a modernização, que é um processo natural originado nas inovações tecnológicas e científicas, e o modernismo, que é um sentimento de sedução pelo brilho do mundo. A modernização é uma consequência inevitável do progresso, enquanto o modernismo (e o pós-modernismo) são manifestações do ego humano inflado pela sedução do mundo. Marcos 4,19: Mas os cuidados do mundo, a fascinação da riqueza e as demais ambições, concorrendo, sufocam a palavra, ficando ela infrutífera. Os evangélicos modernistas de hoje não estão mais separando o mundo da igreja, estão abraçando o mundo e uma dessas principais manifestações é o movimento de crescimento das igrejas. O início deste movimento pode ser identificado com Donald Mc Gravan, professor do Seminário Fuller e fundador do Instituto do Crescimento da Igreja. As igrejas substituíram a verdade bíblica por entretenimento, os membros e os atuais ministros são doutrinariamente ignorantes, porque na igreja com propósitos a Palavra constrange os membros, que buscam na igreja alívio psicológico e não suportam a sã doutrina. Estes novos evangelistas estão sendo treinados a seguir o consenso do grupo, conforme o conceito da dialética (*) hegeliana e técnicas gerenciais mundanas, dirigidos por líderes que não tem nada a ver com a Palavra e os preceitos de Deus. 52 / 61

53 (*): A dialética é o conceito segundo o qual não existe uma verdade absoluta, como revelado pela Escritura, mas afirma que a verdade é relativa e muda conforme a cultura e a época histórica, por isto, esta verdade relativa deve ser buscada no consenso do grupo, e à medida que o grupo chega a um consenso, esta nova verdade será contestada e buscado um novo conceito. Este processo se repete indefinidamente ao longo do tempo, estabelecendo sempre novos conceitos e novas verdades, sempre sujeitos à mudanças e novas avaliações. Lloyd Jones: Podemos ir adiante e dizer que certamente não há nada que seja tão completamente tolo e calamitoso quando pensamos na Igreja, como pensar na igreja em termos de tamanho e de número. Mas esse é o pensamento determinante hoje. Entretanto, como isso é anti-escriturístico! Nós cantamos em nossos hinos: poucos fiéis. A Bíblia está repleta de ensinamentos sobre a doutrina do remanescente, Deus não opera por meio de grandes batalhões, Ele não se interessa por números; Ele está interessado na pureza, na santidade, em vasos aptos e próprios para o uso do Senhor. Não devemos concentrar a nossa atenção em números, e sim na doutrina, na regeneração, na santidade, na compreensão de que este edifício é um templo santo no Senhor, uma habitação de Deus. Qual o ensino de Jesus? O que ensina Nosso Senhor? Jesus nunca se preocupou com os números de seus discípulos, sua preocupação era sempre com a fidelidade à doutrina, com a firmeza e consistência daqueles que foram escolhidos para o seguir. Mateus 8,19-22: Então, aproximando-se dele um escriba, disse-lhe: Mestre, seguir-te-ei para onde quer que fores. Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça. E outro dos discípulos lhe disse: Senhor, permite-me ir primeiro sepultar meu pai, Jesus, porém, disse-lhe: Segue-me, e deixa aos mortos sepultar os seus mortos. Lucas 9,61-62: Outro lhe disse: Seguir-te-ei, Senhor; mas deixa-me primeiro despedir-me dos de casa. Mas Jesus lhe replicou: Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus. 53 / 61

54 Jesus está dizendo: Pense no que realmente quer, avalie sua posição, Jesus procura seguidores com consistência e não pessoas deslumbradas. Lucas 14,28: Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir? Quando se analisa seriamente o evangelho, vê-se que Jesus mais rejeitava pessoas que as chamava. Quando Jesus enviou os setenta e dois discípulos, eles voltaram deslumbrados e entusiasmados com seu próprio poder, Jesus, porém, refreando a vaidade deles, confirmou decididamente a doutrina da predestinação: ninguém poderá vir a mim, se pelo Pai não lhe for concedido. Seus discípulos, ouvindo isso, revoltaram-se e o abandonaram. João 6,65-66: E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido. À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele. Quando os discípulos abandonaram Jesus, ele ficou preocupado e procurou agradar aos apóstolos para que eles também não o abandonassem? João 6,67: Então, perguntou Jesus aos doze: Porventura, quereis também vós outros retirar-vos? Jesus nunca fez um apelo, nenhum dos apóstolos jamais fizeram apelos, quem chama é Deus, quando a soberania de Deus é abandonada para construir uma igreja de números, somente se pode construir uma igreja mundana, esta igreja não tem nada a ver com Nosso Senhor. De forma totalmente contrária, pouquíssimos ministros da Palavra se atrevem a proclamar as verdades do evangelho nos dias atuais, pois, é mais fácil agradar aos homens que agradar a 54 / 61

55 Deus. Quando Jesus partiu deste mundo, deixou atrás de si um pequeno número de discípulos, sem formação religiosa, rudes e incultos para continuar sua obra, a qualidade básica destas pessoas era a fidelidade ao evangelho. Esse é o método de Jesus, o líder cristão é moldado conforme o caráter de Cristo, se o pretenso líder age sem conformidade com Cristo não é um líder cristão de forma alguma, pode ser um gerente excepcional, um grande administrador, um líder popular, mas nunca um líder cristão: os líderes cristãos são chamados por Deus na eternidade, não se fazem neste mundo. Romanos 8,29: Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. Os maiores períodos de avivamento da história do cristianismo foram: a Reforma, o grande reavivamento na Inglaterra no século XVIII e a igreja dos puritanos na América. Nenhum desses períodos caracterizou-se por um crescimento gerencial da igreja ou por uma metodologia de captação da simpatia dos homens, pelo contrário, era por extremo complicado ser reformado em meio à perseguição da igreja de Roma e os príncipes aliados, e também muito difícil ser admitido como membro da igreja ao tempo dos puritanos. Segue abaixo mais uma citação de Lloyd Jones: David Martin Lloyd Jones: Deus só pode habitar numa Igreja pura - não necessariamente numa Igreja grande, mas numa Igreja pura, pura na doutrina e pura na vida. Pode parecer surpreendente, mas não hesito em asseverar, mesmo hoje, que o maior problema da Igreja atualmente é que ela é grande demais. 55 / 61

56 O movimento de crescimento da igreja não tem o suporte de teólogos de expressão dentro do cristianismo, mas de discípulos do culto à personalidade, a idéia é que o sucesso gera mais sucesso, a idéia na frase abaixo de um dos discípulos mais famosos do movimento é a de seguir o líder. Win Am: Treinandos que saem de igrejas vitoriosas e têm sido treinados por homens que são eles próprios multiplicadores de igrejas, são geralmente eficazes. Os aderentes deste movimento apresentam exemplos bíblicos e históricos de liderança: Neemias, Paulo, Calvino, Lutero. Nada pode ser mais equivocado, estes líderes cristãos nunca foram apologistas de: siga o líder, a idéia de todos eles era de: siga Cristo. Quando os homens passam a depositar sua confiança em outros homens em lugar de Cristo, e consideram isto normal, existe de fato, um grande problema na igreja. Mateus 23,8: Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos. O conceito de liderança também é estendido á igreja local através da igreja líder, que será uma igreja que tem conseguido sucesso numérico e financeiro, será que era isso que Jesus pretendia quando fundou sua igreja? O erro fundamental do movimento é asseverar que o crescimento da igreja está vinculado aos ministros seguirem os passos de um líder de crescimento, ora, quem provê o crescimento da igreja é Deus. 1Coríntios 3,6: Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus. Segue abaixo mais uma declaração de um dos especialistas do movimento, George Barna: George Barna: Muitas pessoas julgam o pastor não pela sua capacidade de pregar, ensinar ou aconselhar, mas pela sua capacidade de fazer a igreja funcionar tranquila e eficientemente. Na essência ele é julgado como um homem de negócio. 56 / 61

57 Espera-se do pastor, que assuma uma posição gerencial em relação à igreja, como se fosse o diretor geral de uma empresa. O movimento de crescimento é uma aliança de líderes comprometidos com a meta de crescimento físico da igreja. É um fato que esses líderes usam o nome de Cristo, usam-no porém, em contrariedade com a Escritura. A premissa fundamental do movimento é que os esforços e resultados na evangelização podem ser medidos, a eficácia pode ser avaliada através das estatísticas das pessoas convertidas, tudo isso pelo método científico, pois não existe possibilidade bíblica para esta avaliação, somente Deus conhece aqueles que foram realmente convertidos. E o mote do movimento é que o crescimento da igreja deve ser buscado através do nome de Cristo transformado em uma estratégia de marketing. Isto não é somente herético, como blasfemo, o método científico não pode jamais ser usado para avaliar a real conversão e a obediência aos mandamentos de Cristo. Mateus 15,9: E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. O que o movimento de crescimento pretende é encontrar o melhor método gerencial para ser utilizado, o movimento usa um esquema de marketing secular, onde um líder dinâmico e convincente procura outras pessoas que sejam dinâmicas e convincentes, estas pessoas recebem os conceitos do líder e o crescimento se desenvolve. Nenhum crente pode negar que o crescimento da igreja é necessário, mas qual crescimento? Material ou espiritual, seguindo líderes carismáticos ou seguindo Cristo? O problema está na definição dos termos: o que é a igreja para estes líderes e o que é a igreja de Deus para os cristãos. Os grandes exemplos do movimento, Billy Graham, McQuilkin e Peter Wagner são dispensacionalistas e arminianos, a ênfase da evangelização está na vontade do homem, como afirma Peter Wagner: o objetivo do evangelismo é persuadir homens e mulheres..., ora todos sabem que o objetivo do evangelismo é levar a Palavra, nenhum pregador tem a capacidade de conversão, somente Deus pode fazer isso. Mateus 23,15: Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós! 57 / 61

58 Uma pergunta que fica no ar é a seguinte: como evangelizar sem uma confissão comum, sem uma base doutrinária estabelecida, onde os meios justificam os fins? O que é evangelização afinal, sentar a pessoa na igreja? Apropriar-se de seus dízimos? Uma meta de crescimento físico não pode substituir uma confissão doutrinária, existe no movimento uma confissão doutrinária comum? A resposta é: Não! Os 40 Dias de Comunidade de Rick Warren A Torre de Babel, este é o exemplo que Rick Warrren cita como modelo ideal do que os homens podem conseguir trabalhando em equipe. Em 30 de Outubro de 2004, na Igreja da Comunidade de Saddleback, condado de Orange/CA - USA, foi pela primeira vez louvado no meio eclesiástico o exemplo da torre de Babel. Em sua pregação o pastor Rick Warren apresentou a Torre de Babel como um modelo e exemplo do que os membros das igrejas conseguiriam se trabalhassem em conjunto: os quarenta dias de comunidade. Esta promoção da torre de Babel como modelo desejável foi levada a setecentas igrejas ali reunidas e repassadas por muitas delas. Os meios justificam os fins, o treinamento a liderança e a vontade dos homens determinam o destino da igreja, esta é a idéia difundida pelo movimento. Todo o significado profético e histórico da construção da Torre foi abandonado, ele afirmou que a equipe reunida para construção da torre, sob a liderança de Ninrode trabalhou em perfeita sintonia, devendo ser tomada como exemplo para os quarenta dias de Comunidade. Somente abandonando por completo a revelação bíblica, alguém poderia tomar o maior evento do orgulho contra Deus em todos os tempos como exemplo a ser seguido por cristãos. Enxergar a igreja como uma empresa voltada para o crescimento físico é desprezar completamente todos os ensinamentos de Nosso Senhor e certamente, tal como a Torre, um claro exemplo de rebelião obstinada contra Deus. Gênesis 11,4: Disseram: Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo tope chegue até aos céus (*) e tornemos célebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra. 58 / 61

59 (*) Chegue até aos céus: Expressão característica de um projeto desmesurado, que pretende ultrapassar todos os limites. Nota teológica da Bíblia de Genebra: Eles foram movidos pelo orgulho e ambição, preferindo sua própria glória que a glória de Deus. As cidades da Mesopotâmia tinham um templo, com uma torre em forma de pirâmide com degraus chamada zigurate. Neste relato, a torre de Babel não aparece como um templo ou símbolo religioso; é antes, expressão da soberba humana que se propõe construir uma civilização para a sua própria glória sem consideração a Deus. Isaías 14,13-14: Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo. As lendas hebraicas contam que Sem, após o episódio da Torre de Babel, matou Ninrode, esquartejou-o e enviou os pedaços aos seus parceiros na construção da Torre, para que jamais ousassem novamente desafiar o poder de Deus. Os princípios dos 40 dias de comunidade estão baseados na formação e funcionamento de pequenos grupos dentro da igreja, com metas definidas em termos numéricos e materiais conforme métodos empresariais modernos. Isso está muito longe dos ensinamentos de Cristo, quantas dessas pessoas que aceitam a Jesus são salvos? Mateus 7,14: Porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela. 59 / 61

60 Cornélius Van Till: O liberalismo e o modernismo podem ser facilmente reconhecidos, pois negam as origens sobrenaturais da fé. É uma filosofia naturalista que rejeita a transcendência de Deus e de Jesus Cristo, e coloca a confiança na bondade humana e em seus movimentos progressivos. É uma fé humanista que vê o indivíduo e a sociedade como o foco da religião organizada. Este princípio de liberalidade na autoridade religiosa é baseado em um Jesus humanizado, despido de suas qualidades históricas e divinas, este Cristo moderno reconstruído pela ideologia do movimento modernista não é o Senhor e Salvador a cujo caráter Deus moldará seus filhos, o cristianismo histórico é totalmente contrário ao pragmatismo. A busca da comunidade são os desejos e anseios das pessoas, os sermões serão simples, curtos e voltados à satisfação pessoal dos ouvintes, sermões simpáticos com assuntos selecionados para agradar aos ouvintes. O que diz o apóstolo Paulo a este respeito? Atos 20,26-27: Portanto, eu vos protesto, no dia de hoje, que estou limpo do sangue de todos; porque jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de Deus. A estratégia do movimento de crescimento da igreja é baseada em um sistema gerencial moderno nos moldes empresariais; a fé evangélica deve ser prática, deve competir com programas sociais e de auto-ajuda, deve prometer riqueza, saúde e felicidade. Esta proposição do pragmatismo é tanto adequada para Testemunhas de Jeová, Espíritas, Mórmons, Maçons e Católicos Romanos quanto para a igreja evangélica. Será que alguma coisa deste tipo pode ser considerada cristã? Mateus 22,16: E enviaram-lhe discípulos, juntamente com os herodianos, para dizer-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro e que ensinas o caminho de Deus, de acordo com a verdade, sem te importares com quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens. Outro exemplo muito claro do pragmatismo versus a Palavra de Deus é visto na passagem do homem de Deus de Judá, este homem recebeu instruções para executar certa tarefa e voltar sem comer ou beber. Outro profeta, envolvido pelo pragmatismo, convenceu o homem de Deus a comer e beber, porque era realmente uma situação de praticidade e de conforto para o 60 / 61

61 homem de Deus, que aconteceu? 1 Reis 13, 17-24: Porque me foi dito pela palavra do SENHOR: Ali, não comerás pão, nem beberás água, nem voltarás pelo caminho por que foste. Tornou-lhe ele: Também eu sou profeta como tu, e um anjo me falou por ordem do SENHOR, dizendo: Faze-o voltar contigo a tua casa, para que coma pão e beba água. (Porém mentiu-lhe.) Então, voltou ele, e comeu pão em sua casa, e bebeu água. Estando eles à mesa, veio a palavra do SENHOR ao profeta que o tinha feito voltar; e clamou ao homem de Deus, que viera de Judá, dizendo: Assim diz o SENHOR: Porquanto foste rebelde à palavra do SENHOR e não guardaste o mandamento que o SENHOR, teu Deus, te mandara, antes, voltaste, e comeste pão, e bebeste água no lugar de que te dissera: Não comerás pão, nem beberás água, o teu cadáver não entrará no sepulcro de teus pais. Depois de o profeta a quem fizera voltar haver comido pão e bebido água, albardou para ele o jumento. Foi-se, pois, e um leão o encontrou no caminho e o matou; o seu cadáver estava atirado no caminho, e o jumento e o leão, parados junto ao cadáver. O pacto de Deus com os homens é unilateral e só depende de Deus, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de manifestar Deus sua misericórdia, a aliança de Deus não é construída com pragmatismo, mas com obediência à Palavra. Benjamin B. Warfield: É muito claro que aquele que modifica os ensinos da Palavra de Deus, no menor particular, numa citação de qualquer opinião formada pelo homem, já se apartou do fundamento cristão, e já é, em princípio, um herege. 61 / 61

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