Operações Crédito do SFN

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1 BC: Operações de Crédito do Sistema Financeiro Nacional sobem 0,1% em maio de 2016, acumulando alta de 2,0% em 12 meses O crédito total do SFN incluindo as operações com recursos livres e direcionados somou R$ bilhões em maio de 2016, após alta de 0,1% no mês e expansão de 2,0% em 12 meses, comparativamente à queda de 0,6% em abril de 2016 e crescimento de 2,7% em doze meses. A leve alta mensal refletiu a queda de 0,1% do saldo destinado às empresas para R$ bilhões, compensada pela alta de 0,5% do saldo destinado às famílias que totalizou R$ bilhões. A relação crédito/pib registrou queda, de 52,6% em abril de 2016 para 52,4% em maio de 2016, com redução de 0,9pp em 12 meses. Victor Luiz de Figueiredo Martins, CNPI* [email protected] Disclosure e certificação do analista estão localizados na última página deste relatório. Em linhas gerais, no acumulado de 12 meses, o mercado de crédito manteve o movimento de desaceleração, tanto nas carteiras com recursos livres, com alta de 0,2% no mês e queda de 0,2% em 12 meses, quanto nos direcionados, com alta de 0,1% em base mensal e crescimento de 4,4% em 12 meses. Esta desaceleração reflete, principalmente, a retração do nível de atividade econômica, a alta dos juros, a queda da confiança dos empresários e consumidores que afeta negativamente a oferta e a demanda de crédito. A inadimplência se elevou. Os juros subiram, assim como os spreads. Com base nestes dados o BC reviu para 1% sua expectativa de crescimento do saldo das operações de crédito, dos 5% anteriormente previstos e 6,7% de crescimento em Em termos de percentual do PIB a relação passou de 54% em março para 52% em maio. Para o crédito livre o BC trabalha com queda de 1% e crescimento de 3% nos direcionados. Por controle de capital os bancos públicos devem apresentar o maior crescimento, de 4%, abaixo de 10,9% em Os privados nacionais devem registrar queda de 4% após retração de 0,8% no ano passado. Os privados estrangeiros tiveram suas projeções reduzidas de 4% para 1% após alta de 6,9% em Oper. Crédito do SFN - maio/2016 mai/15 abr/16 mai/16 AV R$ bilhões (%) Total Oper Crédito (Livres + Direcionados) ,0 PF ,5 PJ ,5 Recursos Livres ,2 PF ,4 PJ ,8 Recursos Direcionados ,8 PF ,1 PJ ,7 var % mês var % 12m 0,1 2,0 0,5 4,8-0,1-0,5 0,2-0,2 0,5 1,4-0,1-1,9 0,1 4,4 0,4 8,9-0,2 0,8 Crédito/PIB (%) 53,3 52,6 52,4-0,2 pp -0,9 pp Operações com recursos livres subiram 0,2% no mês, sensibilizadas pela alta dos saldos no segmento de pessoas físicas, que compensaram a leve redução do saldo das operações com as famílias. Ao final de maio estas operações corresponderam a 50,2% do total de crédito do sistema, somando R$ bilhões, após alta de 0,2% no mês e queda de 0,2% em 12 meses e alta de 3,7% em O saldo destinado às pessoas físicas registrou acréscimo de 0,5% no mês para R$ 800 bilhões após expansão de 2,6% em 2015 e crescimento de 1,4% em 12 meses, com destaque para as concessões em cartão de crédito à vista, refletindo a demanda sazonal relacionadas ao Dia das Página 1

2 Mães. O saldo das empresas totalizou R$ 780 bilhões, após queda mensal de 0,1%, redução de 1,9% em 12 meses, e alta de 4,8% em 2015, destacando-se as expansões em adiantamentos sobre contratos de câmbio (ACC) e em repasses externos, contrabalançadas por retrações em capital de giro e conta garantida. Operações com recursos direcionados registraram alta em base mensal e no acumulado de 12 meses. O volume de recursos do crédito direcionado representando 49,8% do total somou R$ bilhões, com alta de 0,1% no mês, crescimento de 9,8% em 2015 e alta de 4,4% em 12 meses. O montante destinado a pessoas físicas, de R$ 726 bilhões, cresceu 0,4% no mês, 12,3% em 2015 e 8,9% em 12 meses, puxado pela expansão de 0,7% das contratações do crédito imobiliário. O crédito às empresas somou R$ 840 bilhões, com redução de 0,2% no mês, alta de 7,8% em 2015 e crescimento de 0,8% em 12 meses, com ênfase para a retração de 1,4% na carteira de crédito rural. Oper. Crédito do SFN - maio/2016 mai/15 abr/16 mai/16 AV R$ bilhões (%) Rec. Direcionados por segmento ,8 Financ. Imobiliário ,6 Rural ,5 BNDES ,6 Outros ,1 var % var % mês 12m 0,1 4,4 0,8 9,7-0,4 6,0-0,2-1,2-0,8 10,1 Segundo o Banco Central, os setores de atividade econômica, onde as retrações foram mais significativas foram: comércio (-1,4%, saldo de R$ 278 bilhões), construção (-1,3%, R$ 106 bilhões) e indústria extrativa (-3,2%, R$ 43 bilhões). Destacou-se o crescimento dos saldos destinados a transportes (+1,9%, R$ 162 bilhões). Das cinco regiões, três delas registraram decréscimo no saldo das operações acima de mil reais, com destaque de queda as regiões Norte e Sul. Segundo relatório do BC, quanto à segmentação regional do crédito, que considera as operações com valor superior a R$ 1 mil, o saldo relativo ao Sudeste decresceu 0,1% no mês atingindo R$ bilhões em maio de Na Região Sul, o crédito registrou queda de 0,3% totalizando R$ 548 bilhões. No Nordeste, o saldo foi de R$ 401 bilhões, com crescimento de 0,3% no mês. No Centro-Oeste o saldo somou R$ 327 bilhões, em linha com o mês anterior. Na Região Norte, o saldo de R$ 116 bilhões, correspondeu à queda de 0,5% no mês, a maior redução dentre as cinco regiões. Oper. Crédito do SFN - maio/2016 * Valor Partic. var. mês R$ bilhões % % REGIÃO SUDESTE ,0-0,1 REGIÃO SUL ,6-0,3 REGIÃO NORDESTE ,9 0,3 REGIÃO CENTRO-OESTE ,5 0,0 REGIÃO NORTE 116 3,7-0,5 (*) Operações maiores que R$ 1 mil; Fonte: BCB/Planner Corretora. Dinâmica de crescimento por controle de capital, em base mensal, mostrou elevação de participação relativa dos bancos públicos, queda dos privados nacionais e manutenção de participação dos privados estrangeiros. A participação dos bancos públicos sobre o crédito total subiu, passando de 56,6% em abril de 2016 para 56,7% em maio de 2016, enquanto a dos bancos Página 2

3 privados nacionais caiu de 29,1% para 29,0%, na mesma base de comparação. A participação dos bancos privados estrangeiros permaneceu estável em 14,3%. Operações de crédito por controle de capital (% do total) 14,5% 14,3% 14,3% 30,5% 29,1% 29,0% 54,9% 56,6% 56,7% mai/15 abr/16 mai/16 Públicos Privados nacionais Privados estrangeiros Ao final de maio de 2016, o crescimento acumulado em 12 meses de 2,0% do SFN reflete o crescimento de 5,3% dos bancos públicos, queda de 3,2% dos bancos privados nacionais, e alta de 0,6% dos bancos privados estrangeiros. Oper. Crédito do SFN - maio/2016 mai/15 abr/16 mai/16 AV var % var % R$ bilhões (%) mês 12m Total Oper Crédito (Livres + Direcionados) ,0 0,1 2,0 Públicos ,7 0,4 5,3 Privados nacionais ,0-0,3-3,2 Privados estrangeiros ,3 0,2 0,6 As taxas de juros totais (livres e direcionados) do SFN mantiveram trajetória de crescimento em maio. A taxa média de juros das operações de crédito do SFN (inclusos os recursos livres e direcionados) registrou alta de 32,5% em abril para 32,7% em maio (+5,6pp em 12 meses), refletindo o aumento dos spreads, associado à elevação da inadimplência. Essa elevação se explica pela alta de 0,2pp no segmento de crédito livre para 52,3% (+9,7pp em 12 meses). No segmento de crédito direcionado houve alta em base mensal de 0,4pp para 11,1%, e alta de 1,9pp em 12 meses. Oper. Crédito do SFN - maio/2016 mai/15 abr/16 mai/16 var var Taxa ao ano (%) (%) (%) (%) mês 12m Inadimplência >90d (Rec. Livres) 4,7 5,7 5,9 0,2 pp 1,2 pp PF 5,4 6,2 6,3 0,1 pp 0,9 pp PJ 3,9 5,1 5,4 0,3 pp 1,5 pp Taxas de aplicação (Rec. Livres) 42,6 52,1 52,3 0,2 pp 9,7 pp PF 57,3 71,0 71,7 0,7 pp 14,4 pp PJ 26,9 31,1 30,6-0,5 pp 3,7 pp Spreads (Rec. Livres) 29,9 38,9 39,7 0,8 pp 9,8 pp PF 44,4 57,5 58,7 1,2 pp 14,3 pp PJ 14,5 18,3 18,5 0,2 pp 4,0 pp Spreads (Rec. Direcionados) 3,1 3,9 4,2 0,3 pp 1,1 pp PF 2,5 3,4 3,6 0,2 pp 1,1 pp PJ 3,6 4,6 4,8 0,2 pp 1,2 pp Página 3

4 As taxas de juros (Pessoa Física) registraram alta em base mensal. As operações para o segmento de pessoas físicas, a taxa média de juros subiu 0,6pp para 42,0% em base mensal (+7,2pp em 12 meses). No segmento com recursos livres, o custo médio alcançou 71,7% (0,7pp no mês e +14,4pp em 12 meses), com destaque a alta de 2,6% no cheque especial, +18,9pp no cartão de crédito rotativo. No crédito direcionado, o custo médio das operações com as famílias subiu 0,4pp para 10,4% com destaque de alta de 0,6pp nos financiamentos imobiliários. As taxas de juros (Pessoa Jurídica) voltaram a cair em maio. Nos empréstimos às empresas, o custo médio em base mensal foi de 21,9%, com queda de 0,2pp no mês e +3,1pp em 12 meses. Nas operações com recursos livres, o custo médio decresceu 0,5pp para 30,6% ao ano, com aumento de 3,7pp em 12 meses, com destaque de queda de 8,8pp nos repasses externos e -0,3pp em capital de giro. Nas contratações com recursos direcionados, a taxa subiu 0,2pp para 11,8%, com destaque para a alta de 0,4pp nos financiamentos para investimentos com recursos do BNDES. Spread bancário permanece em alta. O spread do SFN referente às operações com recursos livres e direcionados subiu 0,4pp no mês e 5,4pp em 12 meses, para 22,8%. Este avanço mensal refletiu a elevação de 0,8pp para 39,7% nas operações com recursos livres, e aumento de 032pp para 4,2% nas operações com recursos direcionados. O spread situou-se em 32,0% no segmento de pessoas físicas (+0,8pp) e em 12,2% no de pessoas jurídicas (+0,2pp). Inadimplência do SFN voltou a subir. A inadimplência das operações de crédito do sistema financeiro, referente a atrasos superiores a noventa dias, subiu 0,1pp em maio para 3,8% e com aumento de 0,8pp em 12 meses. No crédito às famílias, a inadimplência atingiu 4,3% (estável), enquanto no crédito às empresas, situou-se em 3,2% (+0,1pp em base mensal). A inadimplência no crédito livre elevou-se 0,2pp para 5,9% enquanto no crédito direcionado, subiu de 1,6% para 1,7% em base mensal. Página 4

5 Parâmetros do Rating da Ação Nossos parâmetros de rating levam em consideração o potencial de valorização da ação, do mercado, aqui refletido pelo Índice Bovespa, e um prêmio, adotado neste caso como a taxa de juro real no Brasil, e se necessário ponderação do analista. Dessa forma teremos: Compra: Quando a expectativa do analista para a valorização da ação for superior ao potencial de valorização do Índice Bovespa, mais o prêmio. Neutro: Quando a expectativa do analista para a valorização da ação for em linha com o potencial de valorização do Índice Bovespa, mais o prêmio. Venda: Quando a expectativa do analista para a valorização da ação for inferior ao potencial de valorização do Índice Bovespa, mais o prêmio. EQUIPE Mario Roberto Mariante, CNPI* [email protected] Luiz Francisco Caetano, CNPI [email protected] Cristiano de Barros Caris [email protected] Ingrid Lima Pereira da Conceição [email protected] Victor Luiz de Figueiredo Martins, CNPI [email protected] Ricardo Tadeu Martins, CNPI [email protected] DISCLAIMER Este relatório foi preparado pela Planner Corretora e está sendo fornecido exclusivamente com o objetivo de informar. As informações, opiniões, estimativas e projeções referem-se à data presente e estão sujeitas à mudanças como resultado de alterações nas condições de mercado, sem aviso prévio. As informações utilizadas neste relatório foram obtidas das companhias analisadas e de fontes públicas, que acreditamos confiáveis e de boa fé. Contudo, não foram independentemente conferidas e nenhuma garantia, expressa ou implícita, é dada sobre sua exatidão. Nenhuma parte deste relatório pode ser copiada ou redistribuída sem prévio consentimento da Planner Corretora de Valores. (*) Conforme o artigo 16, parágrafo único, da ICVM 483, declaro ser inteiramente responsável pelas informações e afirmações contidas neste relatório de análise. Declaração do(s) analista(s) de valores mobiliários (de investimento), nos termos do art. 17 da ICVM 483 O(s) analista(s) de valores mobiliários (de investimento) envolvido(s) na elaboração deste relatório declara(m) que as recomendações contidas neste refletem exclusivamente sua(s) opinião(ões) pessoal(is) sobre a companhia e seus valores mobiliários e foram elaboradas de forma independente e autônoma, inclusive em relação à Planner Corretora e demais empresas do Grupo. Declaração do empregador do analista, nos termos do art. 18 da ICVM 483 A Planner Corretora e demais empresas do Grupo declaram que podem ser remuneradas por serviços prestados à(s) companhia(s) analisada(s) neste relatório. Página 5

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