O governo Dilma frente ao tripé macroeconômico e à direita liberal e dependente
|
|
|
- Luca Angelim Mascarenhas
- 10 Há anos
- Visualizações:
Transcrição
1 opinião O governo Dilma frente ao tripé macroeconômico e à direita liberal e dependente Luiz Carlos Bresser Pereira Quando a presidente Dilma Rousseff foi eleita, no final de 2010, com o apoio decisivo do presidente Lula, a sociedade brasileira supôs e a nova presidente confirmou que seu governo seria uma continuação do anterior. Entretanto, como esse governo não foi capaz de romper com a política do tripé macroeconômico dominante no Brasil desde 1999, o governo Dilma só seria bem sucedido se rompesse a armadilha de juros altos e câmbio sobreapreciado que caracteriza essa política ortodoxa. Algo que, depois de dois anos de governo, vemos que ela tentou fazer, mas foi apenas parcialmente bem sucedida. O que provavelmente explica por que, por enquanto, os resultados de seu governo foram medíocres em termos de crescimento do pib: 2,7% em 2011 e cerca de 1% em Mas será realmente macroeconômica a causa desses resultados, como estou sugerindo? Por que, não obstante, a presidente apresenta recordes de aprovação popular que superam mesmo os de Lula? E por que essa popularidade tem base nos pobres, já que os ricos (a classe alta e a classe média superior) e a mídia que controlam revelam tanta hostilidade em relação à presidente? Governo Lula O governo Lula foi um governo bem sucedido, como demonstraram os altos índices de popularidade alcançados e a neutralização das críticas da direita conservadora. Foi só um ano depois de terminado, em 2012, que o liberalismo conservador e moralista brasileiro se reorganizou para criticá lo. O governo Lula teve êxito porque logrou quase dobrar a taxa de crescimento, porque diminuiu a desigualdade e melhorou o padrão de vida de milhões de brasileiros, e porque alcançou grande prestígio internacional. Mas esse sucesso não se deveu à política macroeconômica que adotou, e sim, respectivamente, à sorte de os preços das commodities exportadas pelo Brasil terem crescido extraordinariamente durante seu governo, à política de salário mínimo e de transferências de renda, e a uma política internacional independente e criativa. NOVOS ESTUDOS 95 MARÇO _Bresser_95_p4a15.indd 5
2 Mas em relação à política macroeconômica seu governo não foi bem sucedido. Ele não logrou escapar da armadilha que é o tripé macroeconômico herdado dos governos anteriores, e, portanto, não logrou baixar substancialmente a taxa de juros, e, principalmente, não logrou neutralizar a tendência à sobreapreciação cíclica e crônica da taxa de câmbio que existe no Brasil. Assim, em 31 de dezembro de 2010, quando terminou seu governo, a taxa de juros real continuava elevada em comparação aos demais países, e a taxa de câmbio estava absurdamente sobrevalorizada, a R$ 1,65 por dólar o que inviabilizava o desenvolvimento do país. O crescimento que se registrou a partir de 2006 foi, portanto, passageiro, foi devido à conjuntura internacional favorável e ao aumento do mercado interno proporcionado pela elevação dos salários reais e pela ampliação do crédito ao consumidor. Graças ao aumento do rendimento das camadas pobres, acentuado pela valorização do real (no curto prazo a desvalorização cambial aumenta os salários), vimos a transferência de uma grande parte da população brasileira da classe D para a C, formando se assim no Brasil um consumo de massas novo. Dessa forma, a indústria, que se viu impedida de exportar devido à valorização cambial, foi temporariamente compensada pelo aumento do mercado interno. Temporariamente por que, com a taxa de câmbio a R$ 1,65 ou mesmo de R$ 2,00 por dólar, a maioria das empresas industriais brasileiras competentes tecnologicamente não tem condições de exportar nem de enfrentar a concorrência no mercado nacional das importações. Afinal, o governo Lula deixou que sua política macroeconômica fosse dominada pelo objetivo do controle da inflação, e, para isso, recorreu a um mecanismo clássico e perverso: a apreciação cambial. Houve apenas dois grandes momentos em que o governo manifestou independência foi quando o ministro Guido Mantega estabeleceu um imposto sobre as entradas de capital, rompendo com a ortodoxia que condenava qualquer controle de capital, e quando, diante da crise financeira global de 2008, realizou uma política contracíclica competente baixando impostos e ampliando substancialmente o crédito dos bancos públicos. Mas, afinal, o governo se deixou vencer pela tendência à sobreapreciação da taxa de câmbio que existe nas economias em desenvolvimento. Herança macroeconômica Em consequência, a herança macroeconômica que a presidente Dilma recebeu foi pesada: uma taxa de juros elevada, e uma taxa de câmbio altamente sobreapreciada. E no início de seu governo, em janeiro de 2011, o país já não podia mais contar com aumento dos preços 6 O governo Dilma frente ao tripé macroeconômico e à direita liberal e dependente Luiz Carlos Bresser Pereira 01_Bresser_95_p4a15.indd 6
3 [1] Cuja criação, aliás, foi um grande erro: pretendendo continuar Estados-nação soberanos, os países que o criaram haviam substituído sua moeda nacional (essencial para essa soberania) pelo euro, uma moeda estrangeira estrangeira porque os países que a adotaram não podem nem emiti-la, nem desvalorizá-la. das commodities exportadas que haviam tanto beneficiado seu antecessor. Entretanto, isso não estava claro para a maioria dos analistas. Como nos oito anos do governo Lula a taxa de crescimento anual do pib passara de 2,5% para cerca de 4,5%, e como seu principal determinante, a taxa de investimento, aumentou de 17% para 19%, esses analistas concluíram de forma otimista que o Brasil havia, afinal, retomado o desenvolvimento econômico paralisado muito tempo atrás, em Essa conclusão era apressada e sem fundamento teórico. Era apressada porque o crescimento econômico durante os dois primeiros anos do governo logo a desmentiram. Não tinha fundamento teórico porque os otimistas não se deram conta de que o crescimento no governo Lula derivara de condições externas favoráveis, não tendo sido capaz de superar o obstáculo fundamental ao desenvolvimento brasileiro: a armadilha da alta taxa de juros em relação aos padrões internacionais e da taxa de câmbio sobreapreciada. Além disso, a situação internacional, que melhorara depois da crise financeira global de 2008, voltou a se deteriorar em 2011 devido à recuperação insatisfatória da economia americana e, principalmente, à grave crise do euro 1. Em consequência, todos os países ricos apresentaram taxas de crescimento muito baixas senão negativas em 2012, e a demanda pelos bens exportados pelo Brasil diminuiu. Gráfico Produção física da indústria geral e volume de vendas do comércio varejista (ambas com ajuste sazonal) Índice: jan./2000 = jan/07 mar/07 mai/07 jul/07 set/07 nov/07 jan/08 mar/08 mai/08 jul/08 set/08 nov/08 jan/09 mar/09 mai/09 jul/09 set/09 nov/09 jan/10 mar/10 mai/10 jul/10 set/10 nov/10 jan/11 mar/11 mai/11 jul/11 set/11 nov/11 jan/12 mar/12 mai/12 jul/12 set/12 nov/12 Indústria geral Volume de vendas no comércio varejista Fontes: IBGE Pesquisa Industrial Mensal Produção Física e Pesquisa Mensal de Comércio. NOVOS ESTUDOS 95 MARÇO _Bresser_95_p4a15.indd 7
4 Mas a política econômica de Lula não foi desenvolvimentista? Não é ser desenvolvimentista voltar se para o mercado interno? E não foi isso o que fez seu governo? O objetivo de qualquer bom governo é aumentar o mercado interno, mas em uma economia razoavelmente aberta como é a brasileira não se logra esse objetivo estimulando se o consumo de massa enquanto a taxa de câmbio se aprecia. Quando se faz isso, o mercado interno é tomado pelos importadores depois de aproximadamente três anos (o tempo que demora para que importadores de bens industriais se organizem para importar), e a indústria nacional perde acesso tanto ao mercado externo quanto ao interno. Foi precisamente o que aconteceu no Brasil. O gráfico com a produção física da indústria e as vendas do varejo mostra com clareza esse fenômeno. Enquanto as vendas aos consumidores continuam a aumentar normalmente, a produção industrial sofre uma queda em 2009, e depois continua a se distanciar das vendas do comércio. Em outras palavras, o governo Lula não logrou enfrentar os problemas de baixo crescimento e de desindustrialização que ocorrem desde que uma grande crise financeira (a crise da dívida externa dos anos 1980) interrompeu o crescimento do Brasil: entre 1930 e 1980 o Brasil cresceu a uma taxa média de 4%, a partir de 1981 até 2012, apenas 1% ao ano. Nos anos 1980 a quase estagnação deveu se à própria crise financeira e à alta inflação. Depois da abertura comercial e financeira de e da estabilização de preços de 1994, deveu se à armadilha econômica representada pelo tripé, ou, em outras palavras, pela política ortodoxa do chamado Novo Consenso Econômico que se tornou dominante nos Estados Unidos nos anos 1990 e levou à crise financeira global de 2008 e que foi aplicada no Brasil por economistas com o devido ph.d. obtido no Norte 2. Assim, em vez de o país buscar a estabilidade financeira garantida por uma taxa de câmbio competitiva, decidiu consumir no curto prazo e apresentar déficits crônicos em conta corrente; e em vez de visar o aumento da produtividade pela industrialização, ou, mais genericamente, pela transferência de mão de obra de setores com baixo valor adicionado per capita para setores com alto valor adicionado per capita, que são tecnologicamente mais sofisticados e pagam maiores salários, o Brasil, desde 1994, aceita reduzir o aumento da produtividade da economia através da transferência inversa e a transformação da economia brasileira na fazenda do mundo. Por outro lado, como o setor primário (agricultura, pecuária e mineração) não tem capacidade de absorver o desemprego industrial (ou a falta do aumento de postos ofertados), quem absorve a mão de obra é o setor de serviços, inclusive o setor comercial que é alimentado pelas importações. E temos assim a situação aparentemente paradoxal de baixo crescimento e pleno emprego. Na verdade, não há nada de [2] O Novo Consenso Econômico é um conjunto de políticas macroeconômicas que se tornou dominante nos meios universitários ortodoxos ou neoclássicos nos anos 1990, depois que o monetarismo se revelou incapaz de orientar a ação dos bancos centrais. Para esse consenso, a política de metas de inflação é central, e o único instrumento legítimo disponível é a política de juros. O pressuposto é de que bastaria isso e o equilíbrio fiscal para que as economias que o utilizassem tivessem garantido crescimento e estabilidade. 8 O governo Dilma frente ao tripé macroeconômico e à direita liberal e dependente Luiz Carlos Bresser Pereira 01_Bresser_95_p4a15.indd 8
5 [3] Devo essa frase tão sardônica quanto significativa a Gabriel Palma. paradoxal nisso. Há simplesmente uma política econômica ortodoxa absurda para a qual não há diferença para o país entre produzir potato chips e digital chips 3. A nova política macroeconômica [4] Cf. O Estado de S. Paulo, 21 de abril de A presidente Dilma Rousseff começou seu governo com uma proposta de continuidade do governo Lula; mais do que isso, com a esperança de poder reeditar o desempenho de seu antecessor, que combinara taxas relativamente elevadas de crescimento com redução da desigualdade econômica. Mas recebeu para governar um país cuja economia continuava a crescer a uma taxa muito inferior àquela que é necessária para um verdadeiro catching up, porque seu antecessor não havia enfrentado o desequilíbrio macroeconômico fundamental ao adotar um tripé macroeconômico insistentemente celebrado pelos economistas ortodoxos. O tripé macroeconômico ortodoxo (superávit primário, câmbio flutuante e meta de inflação) é constituído por esses três conceitos genéricos que, afinal, resultam em dois parâmetros e um único objetivo que interessam a uma coalizão política neoliberal formada por capitalistas rentistas e financistas. Os dois parâmetros são uma taxa de juros nominal a mais alta possível e uma taxa de inflação a mais baixa possível; o objetivo final é uma taxa de juros real elevada, que remunere os capitalistas rentistas e os financistas que administram sua riqueza. Há pouca dúvida de que o país deve apresentar um superávit primário, ou, mais precisamente, ser responsável do ponto de vista fiscal. Já é inaceitável que um país em desenvolvimento renuncie a uma política de taxa de câmbio e a deixe flutuar livremente no mercado quando sabemos que nos países em desenvolvimento existe uma tendência à sobreapreciação cíclica e crônica da taxa de câmbio. E é igualmente inaceitável que a política de metas de inflação subordine os dois outros objetivos que devem ter uma boa política macroeconômica: uma taxa de câmbio competitiva e um razoável pleno emprego. É ótimo que haja uma meta de inflação, desde que os responsáveis pela política econômica tenham também uma meta de câmbio e uma meta de crescimento, e façam os difíceis compromissos entre essas três metas. Dilma Rousseff compreendeu desde o início a necessidade de rever a política do tripé. Ela é uma economista desenvolvimentista, e, em discurso de 20 de abril de 2012, por ocasião da formatura de novos diplomatas, declarou que para se desenvolver o Brasil precisa equacionar as três amarras do país: taxa de juros alta, câmbio e impostos altos 4. Quando Alexandre Tombini assumiu a presidência do Banco Central, o banco voltou a se identificar com os interesses nacionais, e deixou de haver um conflito permanente com o Mi NOVOS ESTUDOS 95 MARÇO _Bresser_95_p4a15.indd 9
6 nistério da Fazenda, que se tornara desenvolvimentista desde que Guido Mantega passou a dirigi lo em Assim apoiada, a presidente logrou reduzir substancialmente a taxa de juros em termos nominais e reais, e esta afinal caiu para cerca de 3% ao ano, e a taxa de câmbio se depreciou de R$ 1,65 para cerca de R$ 2,05 por dólar. Mas essas mudanças, especialmente a relativa à taxa de câmbio, estão longe de serem suficientes. A taxa de câmbio competitiva ou de equilíbrio industrial no Brasil (a taxa de câmbio que torna competitivas empresas utilizando tecnologia no estado da arte mundial) é de cerca de R$ 2,75 por dólar, conforme demonstrou Nelson Marconi 5. De forma que a indústria brasileira não saiu de sua condição de crise permanente e de desindustrialização. Por quê? Essencialmente porque não tem o apoio na sociedade civil brasileira necessário para realizar essa mudança no qual o peso de uma direita liberal e dependente é muito grande. O que se conseguiu, depois de dez anos de crítica 6, foi o apoio da sociedade para a redução das absurdas taxas de juros defendidas pela ortodoxia econômica. Já em relação à taxa de câmbio, o que se logrou foi colocar o problema na agenda nacional. Mas não foi possível persuadir a sociedade quanto à necessidade e possibilidade de se adotar uma política de taxa de câmbio que faça com que o real flutue não mais em torno do equilíbrio corrente mas do equilíbrio industrial, porque os cidadãos têm dificuldade em compreender o papel da taxa de câmbio no desenvolvimento econômico, e porque a hegemonia da ortodoxia liberal é ainda muito grande, apesar da desmoralização causada pela crise financeira global de A ortodoxia naturalmente rejeita o diagnóstico novo desenvolvimentista para o baixo crescimento do país, que o explica pela alta taxa de juros e a taxa de câmbio sobreapreciada. Em seu lugar continua afirmando que o problema do Brasil seria a baixa poupança, e, naturalmente, a falta das reformas institucionais liberalizantes mágicas que permitiriam tornar os mercados mais livres e todo o sistema econômico mais eficiente. Não perderei tempo em relação a esta segunda tolice. Quanto ao nível de poupança, no Brasil, de fato, ele é baixo, mas, de acordo com a lógica keynesiana, para que ele aumente é preciso que antes aumente o investimento 7, o que depende de duas providências: primeiro, que a taxa de juros seja moderada e a taxa de câmbio seja tornada competitiva, localizada no nível do equilíbrio industrial, porque as empresas só investem quando há oportunidades de investimentos lucrativos para os empresários algo que se reduz à medida que se aprecia a taxa de câmbio e sobem os juros; segundo, que o Estado realize uma poupança pública positiva, em vez de apenas alcançar um superávit primário. Ora, não obstante o avanço realizado nos primeiros dois anos do governo Dilma, a taxa de juros real ainda continua alta quando comparada com a dos demais [5] Marconi, Nelson. The industrial equilibrium exchange rate in Brazil: an estimation. Brazilian Journal of Political Economy, 32 (4), 2012, pp [6] Elas começaram de forma sistemática em 2002 com dois trabalhos: Bresser-Pereira, L. C. e Nakano, Y. Uma estratégia de desenvolvimento com estabilidade. Revista de Economia Política, 21(3), 2002, pp ; e Bresser-Pereira, L. C. Financiamento para o subdesenvolvimento: o Brasil e o Segundo Consenso de Washington. In: Castro, Ana Célia (org.). Desenvolvimento em debate: painéis do desenvolvimento brasileiro. Rio de Janeiro: Mauad/bndes, 2002, vol. 2, pp [7] Desde que o empresário conte com financiamento, é o investimento que determina a poupança, e não o inverso como pretende a teoria econômica neoclássica, mais especificamente a teoria do porquinho, segundo a qual é necessário, primeiro, poupar, e, depois de bem enchido o cofre, investir. 10 O governo Dilma frente ao tripé macroeconômico e à direita liberal e dependente Luiz Carlos Bresser Pereira 01_Bresser_95_p4a15.indd 10
7 [8] Endividamento do Estado e setor financeiro no Brasil: interdependências macroeconômicas e limites estruturais ao desenvolvimento. In: Almeida Magalhães, J. P. e outros. Os anos Lula: contribuições para um balanço crítico. Rio de Janeiro: Garamond, 2012, p. 83. países. E a taxa de câmbio continua substancialmente sobreapreciada, muito distante do equilíbrio industrial de R$ 2,75. Mais especificamente, o governo tem dificuldade em promover a desvalorização necessária da taxa de câmbio porque ela conflita com interesses. Em primeiro lugar, porque o poder dos exportadores de commodities tem impedido que se imponha um imposto variável sobre suas exportações que permita que a taxa de câmbio se aproxime do nível de equilíbrio industrial. Segundo, porque o governo teme o pequeno aumento da inflação que decorrerá da depreciação. Terceiro, porque teme as consequência impopulares da redução dos salários que ocorrerá no curto prazo, não obstante ela seja temporária (um pouco adiante, com o aumento dos investimentos e do crescimento, os salários passarão a aumentar fortemente). E, finalmente, porque bancos e empresas endividadas em moeda forte não querem ouvir falar de desvalorização cambial. Quanto à poupança pública para financiar os investimentos públicos esta continua uma questão fora da agenda do país, que aceita e cumpre desde 1999 a meta de superávit primário igual aos juros reais sobre a dívida pública menos a taxa de crescimento do pib. Essa meta permite manter a relação dívida pública/pib constante, e permite que a dívida pública continue a ser um elemento fundamental de liquidez para o sistema financeiro nacional. Mais amplamente, e em conjunto com a política de aumento de reservas que o governo vem realizando através do aumento da dívida pública interna, permite que a dívida pública tenha se tornado, conforme enfatizou Miguel Bruno, o principal eixo da acumulação rentista patrimonial do período É por meio dela que se garante liquidez ao sistema financeiro brasileiro, e se viabiliza a financeirização a multiplicação dos ganhos financeiros através do uso de inovações financeiras principalmente de derivativos. Entretanto, essa meta fiscal não viabiliza o financiamento dos investimentos públicos pela poupança pública, como seria ideal em um quadro em que, neutralizada a doença holandesa e controladas as entradas excessivas de capital, ao invés de apresentar déficit, o país apresentaria um superávit em conta corrente. A meta necessária para que os investimentos públicos voltem a ter importância na formação bruta do capital do país é alcançar um resultado fiscal que seja igual à diferença entre a receita pública e a despesa de consumo, mais os recursos necessários para financiar os investimentos públicos, e menos a taxa de crescimento do pib. Dessa forma a dívida pública permaneceria sob controle e os investimentos públicos poderão representar entre 20% e 25% do investimento total um valor compatível com a necessidade de investimentos do setor não competitivo da economia onde a presença do Estado deve ser dominante. NOVOS ESTUDOS 95 MARÇO _Bresser_95_p4a15.indd 11
8 Enquanto não resolver o desequilíbrio macroeconômico representado por uma poupança pública insuficiente e pela sobreapreciação cíclica e crônica da taxa de câmbio, além de não atingir as taxas de crescimento necessárias para o catching up, o país continuará a se desindustrializar prematuramente. Em outras palavras, enquanto não criar boas oportunidades de investimentos para os empresários, seja mantendo a taxa de câmbio no equilíbrio industrial para tornar competitivas internacionalmente as empresas que utilizam tecnologia no estado da arte mundial, seja realizando investimentos que criam demanda para o setor privado, o país não estará resolvendo o problema do seu desenvolvimento pelo lado da demanda. Em consequência, todos os esforços que o país vem realizando no lado da oferta, no sentido de desenvolver a educação, a ciência, a tecnologia e investir na infraestrutura, serão desperdiçados. Tanto para colocar a taxa de câmbio no nível correto quanto para aumentar a taxa de investimento público, a presidente enfrenta, portanto, problemas econômicos que são, em última análise, políticos, porque nenhum presidente logra governar sem um razoável apoio na sociedade. E esse desafio é sempre maior para um presidente de esquerda, dada a violenta oposição de direita. Esta, seguindo uma velha e conhecida lógica, tentou, durante 2011, cooptar a nova presidente. Quando verificou que isso era impossível que a presidente estava disposta a fazer compromissos mas não se dispunha a abandonar seus princípios, ela passou para o ataque. Aproveitando o processo do mensalão, atacou mais violentamente o ex presidente Lula e o pt, mas afinal esse era um ataque a ela. E quando o pib de 2012 se revelou decepcionante, atacou a competente política industrial da presidente, afirmando que eram tantas as medidas adotadas que os empresários brasileiros ficavam confusos. Ora, isso não é teoria econômica, é voodoo economics, teoria econômica primitiva de quem não tem argumentos sérios a apresentar. É verdade que essas medidas não compensam o juro alto e principalmente a sobreapreciação do real, mas não há dúvida de que elas são positivas. Conclusão A presidente Dilma Rousseff enfrenta, portanto, grandes dificuldades para mudar a equação macroeconômica brasileira. Mas ela tem personalidade e caráter fortes, demonstra sempre um grande espírito público, conhece bem os problemas macroeconômicos que o país enfrenta, e sabe fazer os compromissos políticos necessários. Talvez essas qualidades somadas afinal lhe permitam retomar o desenvolvimento brasileiro. São qualidades diferentes das de seu antecessor. Ambos são políticos de esquerda moderada, social desenvolvimentista, 12 O governo Dilma frente ao tripé macroeconômico e à direita liberal e dependente Luiz Carlos Bresser Pereira 01_Bresser_95_p4a15.indd 12
9 [9] Vianna, Luiz Werneck. O Cachoeira e a gota d água. O Estado de S. Paulo, 22 de abril de ambos são nacionalistas e comprometidos com a construção de um capitalismo social menos injusto, mas Lula é antes um político carismático voltado para os trabalhadores ou os pobres, enquanto Dilma é uma política e uma economista desenvolvimentista dotada de forte capacidade administrativa. Conforme afirmou Luiz Werneck Vianna 9, mais do que gestora, Dilma investe se do papel de primeira executiva em geral do capitalismo brasileiro, concebido como um projeto nacional a ser implementado de modo decisionista pelo Poder Executivo e sua sofisticada tecnocracia. Não sei até que ponto a presidente é mais decisionista do que são os presidentes brasileiros no quadro do presidencialismo de coalizão vigente no Brasil, mas certamente pensa em liderar um projeto nacional com amplo apoio da sociedade. Nessa direção, deu um passo importante quando sensibilizou as classes médias com uma postura ética forte. Sabemos que o capitalismo é uma forma intrinsecamente corrupta de organização da sociedade. O ganho pessoal sob todas as formas possíveis faz parte de sua lógica mais profunda. Por outro lado, a classe capitalista nunca se sente à vontade com a democracia. O financiamento privado de campanhas eleitorais foi sempre a estratégia capitalista para manter dependentes os políticos, e acusá los de corrupção, sua estratégia para desmoralizá los e, assim, limitar a autonomia da democracia. De repente, vimos um governo de esquerda, logo no começo de sua gestão, preocupar se com a corrupção sem, porém, cair no moralismo conservador voltado para a desmoralização da política e dos políticos. A firmeza pela qual a presidente demitiu ministros foi surpreendente e agradou a classe média brasileira uma classe que desde a transição democrática vem abandonando sua postura progressista e votando cada vez mais nos partidos conservadores. Por outro lado, a presidente tem buscado reafirmar seu compromisso e o de seu partido político, o pt, com os trabalhadores e os pobres. É cedo ainda para avaliar o governo Dilma, mas há indicações de que estamos diante de uma estadista em construção. Primeiro, foi a firmeza que vem mostrando em baixar os juros enfrentando para isso muitos interesses, inclusive os de seus eleitores, pequenos poupadores; em seguida, foi o discurso na instalação da Comissão da Verdade, em que fez uma bela defesa dos direitos humanos e do seu caráter suprapartidário; finalmente, foi sua decisão histórica de, aplicando a Lei de Acesso à Informação, publicar os salários dos servidores do Executivo um direito inconteste dos cidadãos, que até então vinha sendo negado. Todos, atos que mostram coragem e firmeza Alguns poderão dizer que meu julgamento em relação à presidente é apressado. De fato, é cedo para dizermos que Dilma Rousseff preenche as condições muito raras que definem um estadista. Mas nos primeiros 26 meses de seu governo ela estava claramente se construindo NOVOS ESTUDOS 95 MARÇO _Bresser_95_p4a15.indd 13
10 como estadista; estava demonstrando a firmeza e a coragem que são necessárias. Mas não basta isso. Conforme disse classicamente Maquiavel, além da virtú, o príncipe necessita da fortuna. Virtú não significa apenas virtude, e sim competência em governar, discernimento ao tomar decisões, capacidade de fazer compromissos, e, finalmente, bom êxito em seu governo; fortuna é a sorte. Estadista é o governante que tem a visão do todo, olha para o futuro, e tem a coragem de buscá lo, confrontando os interesses de muitos, inclusive dos seus seguidores. É quem conhece seu país, sabe quais são seus grandes problemas, e contribui de forma decisiva para resolvê los. Os estadistas são geralmente identificados nas guerras em defesa de seu país, mas podem sê lo em momentos decisivos de seu desenvolvimento econômico e social. O estadista brasileiro do século xx foi Getúlio Vargas, porque comandou a revolução nacional e industrial brasileira. A presidente Dilma Rousseff poderá ser uma nova estadista, agora em um contexto democrático, se lograr vencer os dois grandes males brasileiros: a alienação nacional de suas elites e a armadilha da alta taxa de juros e do câmbio sobreapreciado. Luiz Carlos Bresser Pereira é professor emérito da Fundação Getúlio Vargas. Contato: www. bresserpereira.org.br. Rece bido para publi ca ção em 8 de fevereiro de novos estudos cebrap 95, março 2013 pp O governo DilMA frente AO TRipé MAcROEcONôMicO E à DiREiTA liberal E DEpENDENTE Luiz Carlos Bresser Pereira 01_Bresser_95_p4a15.indd 14
11 01_Bresser_95_p4a15.indd 15
número 3 maio de 2005 A Valorização do Real e as Negociações Coletivas
número 3 maio de 2005 A Valorização do Real e as Negociações Coletivas A valorização do real e as negociações coletivas As negociações coletivas em empresas ou setores fortemente vinculados ao mercado
Uma política econômica de combate às desigualdades sociais
Uma política econômica de combate às desigualdades sociais Os oito anos do Plano Real mudaram o Brasil. Os desafios do País continuam imensos, mas estamos em condições muito melhores para enfrentálos.
O TIGRE E A DEMOCRACIA: O CONTRATO SOCIAL HISTÓRICO
5.11.05 O TIGRE E A DEMOCRACIA: O CONTRATO SOCIAL HISTÓRICO Luiz Carlos Bresser-Pereira Primeira versão, 5.11.2005; segunda, 27.2.2008. No século dezessete, Hobbes fundou uma nova teoria do Estado que
Lições para o crescimento econômico adotadas em outros países
Para o Boletim Econômico Edição nº 45 outubro de 2014 Organização: Maurício José Nunes Oliveira Assessor econômico Lições para o crescimento econômico adotadas em outros países 1 Ainda que não haja receita
Boletim Econômico Edição nº 42 setembro de 2014 Organização: Maurício José Nunes Oliveira Assessor econômico
Boletim Econômico Edição nº 42 setembro de 2014 Organização: Maurício José Nunes Oliveira Assessor econômico Eleição presidencial e o pensamento econômico no Brasil 1 I - As correntes do pensamento econômico
é de queda do juro real. Paulatinamente, vamos passar a algo parecido com o que outros países gastam.
Conjuntura Econômica Brasileira Palestrante: José Márcio Camargo Professor e Doutor em Economia Presidente de Mesa: José Antonio Teixeira presidente da FENEP Tentarei dividir minha palestra em duas partes:
Taxa de Juros para Aumentar a Poupança Interna
Taxa de Juros para Aumentar a Poupança Interna Condição para Crescer Carlos Feu Alvim [email protected] No número anterior vimos que aumentar a poupança interna é condição indispensável para voltar a crescer.
MINISTÉRIO DA FAZENDA GABINETE DO MINISTRO ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL 21/12/2015
MINISTÉRIO DA FAZENDA GABINETE DO MINISTRO ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL 21/12/2015 DISCURSO DO MINISTRO NELSON BARBOSA POR OCASIÃO DA SOLENIDADE DE TRANSMISSÃO DE CARGO Senhoras e Senhores, Em primeiro
INFORMATIVO. Novas Regras de limites. A Datusprev sempre pensando em você... Classificados Datusprev: Anuncie aqui!
INFORMATIVO Novas Regras de limites A Datusprev sempre pensando em você... Classificados Datusprev: Anuncie aqui! A Datusprev abre espaço para divulgação. Aqui você pode anunciar compra, venda, troca,
Política monetária e senhoriagem: depósitos compulsórios na economia brasileira recente
Política monetária e senhoriagem: depósitos compulsórios na economia brasileira recente Roberto Meurer * RESUMO - Neste artigo se analisa a utilização dos depósitos compulsórios sobre depósitos à vista
A necessidade de elevar a incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre cigarros
A necessidade de elevar a incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre cigarros Estudo de Roberto Iglesias, economista, consultor da ACT Maio de 2009 O Poder Executivo, através da Medida
Os altos juros pagos pelo Estado brasileiro
Boletim Econômico Edição nº 91 dezembro de 2014 Organização: Maurício José Nunes Oliveira Assessor econômico Os altos juros pagos pelo Estado brasileiro Neste ano de 2014, que ainda não terminou o Governo
Produtividade no Brasil: desempenho e determinantes 1
Produtividade no Brasil: desempenho e determinantes 1 Fernanda De Negri Luiz Ricardo Cavalcante No período entre o início da década de 2000 e a eclosão da crise financeira internacional, em 2008, o Brasil
3 O Panorama Social Brasileiro
3 O Panorama Social Brasileiro 3.1 A Estrutura Social Brasileira O Brasil é um país caracterizado por uma distribuição desigual de renda. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios
1) a) Caracterize a Nova Ordem Econômica Mundial;
1) a) Caracterize a Nova Ordem Econômica Mundial; A Nova Ordem Econômica Mundial insere-se no período do Capitalismo Financeiro e a doutrina econômica vigente é o Neoliberalismo. Essa Nova Ordem caracteriza-se
Uma estratégia para sustentabilidade da dívida pública J OSÉ L UÍS O REIRO E L UIZ F ERNANDO DE P AULA
Uma estratégia para sustentabilidade da dívida pública J OSÉ L UÍS O REIRO E L UIZ F ERNANDO DE P AULA As escolhas em termos de política econômica se dão em termos de trade-offs, sendo o mais famoso o
A desigualdade de renda parou de cair? (Parte I)
www.brasil-economia-governo.org.br A desigualdade de renda parou de cair? (Parte I) Marcos Mendes 1 O governo tem comemorado, ano após ano, a redução da desigualdade de renda no país. O Índice de Gini,
CONTRATAÇÃO DE MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA PELO COMÉRCIO VAREJISTA
CONTRATAÇÃO DE MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA PELO COMÉRCIO VAREJISTA Pesquisa realizada pela CNDL e SPC Brasil buscou avaliar o perfil de contratação de mão de obra temporária pelos varejistas para o final de
SINCOR-SP 2016 ABRIL 2016 CARTA DE CONJUNTURA DO SETOR DE SEGUROS
ABRIL 2016 CARTA DE CONJUNTURA DO SETOR DE SEGUROS 1 2 Sumário Palavra do presidente... 4 Objetivo... 5 1. Carta de Conjuntura... 6 2. Estatísticas dos Corretores de SP... 7 3. Análise macroeconômica...
Floresta pode ajudar a tirar o Brasil da crise financeira
São Paulo, domingo, 24 de maio de 2009 Floresta pode ajudar a tirar o Brasil da crise financeira País pode ser "melhor que a Suécia" se investir em uso sustentável, diz diretor do Bird CLAUDIO ANGELO EDITOR
O custo financeiro do Estado brasileiro
Boletim Econômico Edição nº 48 novembro de 2014 Organização: Maurício José Nunes Oliveira Assessor econômico O custo financeiro do Estado brasileiro 1 O comportamento dos juros da dívida pública A gastança
CAPITAL DE GIRO: ESSÊNCIA DA VIDA EMPRESARIAL
CAPITAL DE GIRO: ESSÊNCIA DA VIDA EMPRESARIAL Renara Tavares da Silva* RESUMO: Trata-se de maneira ampla da vitalidade da empresa fazer referência ao Capital de Giro, pois é através deste que a mesma pode
DESENVOLVIMENTO E SUBDESENVOLVIMENTO NO BRASIL
DESENVOLVIMENTO E SUBDESENVOLVIMENTO NO BRASIL Luiz Carlos Bresser-Pereira Verbete para o livro Temas clássicos (e não tanto) do Pensamento Social no Brasil, organizado por André Bueno e Lilia Moritz Schwarcz.
ipea políticas sociais acompanhamento e análise 7 ago. 2003 117 GASTOS SOCIAIS: FOCALIZAR VERSUS UNIVERSALIZAR José Márcio Camargo*
GASTOS SOCIAIS: FOCALIZAR VERSUS UNIVERSALIZAR José Márcio Camargo* Como deve ser estruturada a política social de um país? A resposta a essa pergunta independe do grau de desenvolvimento do país, da porcentagem
Discurso de Luiz Inácio Lula da Silva Seminário do Prêmio Global de Alimentação Des Moines, Estados Unidos 14 de outubro de 2011
Discurso de Luiz Inácio Lula da Silva Seminário do Prêmio Global de Alimentação Des Moines, Estados Unidos 14 de outubro de 2011 Estou muito honrado com o convite para participar deste encontro, que conta
Rendimentos e despesas das famílias europeias
Insights precisos para o crescimento europeu Rendimentos e despesas das famílias europeias Como está a crise a afetar a vida quotidiana? Think... nº 6 Janeiro 2013 TNS 2013 Insights precisos para o crescimento
Prefeitura Municipal de Castro
ANEXO DE METAS FISCAIS LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS - 2015 (Art. 4º, 1º, inciso II do 2º da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000) DEMONSTRATIVO I ANEXO DE METAS ANUAIS Em cumprimento ao disposto
3º Seminário Internacional de Renda Fixa Andima e Cetip Novos Caminhos Pós-Crise da Regulação e Autorregulação São Paulo 19 de março de 2009
3º Seminário Internacional de Renda Fixa Andima e Cetip Novos Caminhos Pós-Crise da Regulação e Autorregulação São Paulo 19 de março de 2009 Alexandre A. Tombini Diretor de Normas e Organização do Sistema
LISTA 5A. Conceitos importantes: 1) Determinantes da produção e da produtividade de um país 2) Financiamento do investimento: poupança
LISTA 5A Conceitos importantes: 1) Determinantes da produção e da produtividade de um país 2) Financiamento do investimento: poupança 3) Poupança, crescimento econômico e sistema financeiro 4) Mercado
Entrevista exclusiva concedida pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao SBT
Entrevista exclusiva concedida pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao SBT Brasília-DF, 30 de outubro de 2006 Jornalista Ana Paula Padrão: Então vamos às perguntas, agora ao vivo, com
CONTAS À VISTA Um ano depois, fica a pergunta: quem pagou a conta dos protestos de junho?
CONTAS À VISTA Um ano depois, fica a pergunta: quem pagou a conta dos protestos de junho? 1 de julho de 2014, 8h02 Por José Mauricio Conti Não, não me refiro às vidraças quebradas e outros vandalismos.
CURSO de CIÊNCIAS ECONÔMICAS - Gabarito
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE TRANSFERÊNCIA 2 o semestre letivo de 2006 e 1 o semestre letivo de 2007 CURSO de CIÊNCIAS ECONÔMICAS - Gabarito INSTRUÇÕES AO CANDIDATO Verifique se este caderno contém:
SONDAGEM ESPECIAL PRODUTIVIDADE RIO GRANDE DO SUL. Sondagem Especial Produtividade Unidade de Estudos Econômicos Sistema FIERGS
SONDAGEM ESPECIAL PRODUTIVIDADE 32,1% das empresas da indústria de transformação não aumentaram sua produtividade nos últimos 5 anos. Na indústria da construção este percentual sobe para 46,9%. 25% das
Aumenta a desigualdade mundial, apesar do crescimento econômico
Aumenta a desigualdade mundial, apesar do crescimento econômico Análise Segurança / Economia e Comércio / Desenvolvimento Bárbara Gomes Lamas 22 de setembro de 2005 Aumenta a desigualdade mundial, apesar
Conjuntura Dezembro. Boletim de
Dezembro de 2014 PIB de serviços avança em 2014, mas crise industrial derruba taxa de crescimento econômico Mais um ano de crescimento fraco O crescimento do PIB brasileiro nos primeiros nove meses do
Sobre o Jogo da Economia Brasileira
Sobre o Jogo da Economia Brasileira O Jogo da Economia Brasileira - pretende exercitar conceitos e mecanismos básicos que facilitem o entendimento do que vem acontecendo com a economia brasileira, a partir
UNIDADE 4 A CRISE DO GUERRA MUNDIAL. CAPITALISMO E A SEGUNDA. Uma manhã de destruição e morte.
UNIDADE 4 A CRISE DO CAPITALISMO E A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL. Uma manhã de destruição e morte. No início de agosto de 1945, os Estados Unidos tentavam, sem resultado, conseguir a rendição japonesa. A solução
Conjuntura econômica da Construção civil
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DA CONSTRUÇÃO E DO MOBILIÁRIO RECONHECIDA NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO VIGENTE EM 16 DE SETEMBRO DE 2010 Estudo técnico Edição nº 15 setembro de 2014
Entre 1998 e 2001, a freqüência escolar aumentou bastante no Brasil. Em 1998, 97% das
INFORME-SE BNDES ÁREA PARA ASSUNTOS FISCAIS E DE EMPREGO AFE Nº 48 NOVEMBRO DE 2002 EDUCAÇÃO Desempenho educacional no Brasil: O que nos diz a PNAD-2001 Entre 1998 e 2001, a freqüência escolar aumentou
Discurso do Presidente do Banco Central do Brasil, Ministro Alexandre Tombini, na cerimônia de lançamento do Programa Otimiza BC.
Brasília, 19 de fevereiro de 2013. Discurso do Presidente do Banco Central do Brasil, Ministro Alexandre Tombini, na cerimônia de lançamento do Programa Otimiza BC. Senhoras e senhores É com grande satisfação
Balanço social: diversidade, participação e segurança do trabalho
João Sucupira* INDICADORES Balanço social: diversidade, participação e segurança do trabalho O balanço social está se tornando uma peça importante não só para prestar contas à sociedade das ações das empresas
Conjuntura - Saúde Suplementar
Conjuntura - Saúde Suplementar 25º Edição - Abril de 2014 SUMÁRIO Conjuntura - Saúde Suplementar Apresentação 3 Seção Especial 5 Nível de Atividade 8 Emprego 9 Emprego direto em planos de saúde 10 Renda
05/12/2006. Discurso do Presidente da República
, Luiz Inácio Lula da Silva, no encerramento da 20ª Reunião Ordinária do Pleno Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Palácio do Planalto, 05 de dezembro de 2006 Eu acho que não cabe discurso aqui,
NOTA CEMEC 05/2015 INVESTIMENTO E RECESSÃO NA ECONOMIA BRASILEIRA 2010-2015: 2015: UMA ANÁLISE SETORIAL
NOTA CEMEC 05/2015 INVESTIMENTO E RECESSÃO NA ECONOMIA BRASILEIRA 2010-2015: 2015: UMA ANÁLISE SETORIAL Agosto de 2015 O CEMEC não se responsabiliza pelo uso dessas informações para tomada de decisões
EXERCÍCIOS ON LINE DE GEOGRAFIA 8º 2º TRI. Assinale a única alternativa que não indica uma característica do sistema capitalista.
EXERCÍCIOS ON LINE DE GEOGRAFIA 8º 2º TRI Questão 1 Assinale a única alternativa que não indica uma característica do sistema capitalista. a) Os preços das mercadorias variam de acordo com a procura por
NT-Assessoria da Bancada do PT no Senado Esclarecimentos sobre a Retirada do Grau de Investimento
NT-Assessoria da Bancada do PT no Senado Esclarecimentos sobre a Retirada do Grau de Investimento A retirada do grau de investimento dos papéis da dívida brasileira pela agência Standard and Poors, uma
AS CONTRIBUIÇÕES DAS VÍDEO AULAS NA FORMAÇÃO DO EDUCANDO.
AS CONTRIBUIÇÕES DAS VÍDEO AULAS NA FORMAÇÃO DO EDUCANDO. Autor: José Marcos da Silva Instituição: UFF/CMIDS E-mail: [email protected] RESUMO A presente pesquisa tem como proposta investigar a visão
Dívida Líquida do Setor Público Evolução e Perspectivas
Dívida Líquida do Setor Público Evolução e Perspectivas Amir Khair 1 Este trabalho avalia o impacto do crescimento do PIB sobre a dívida líquida do setor público (DLSP). Verifica como poderia estar hoje
Recupere a saúde financeira e garanta um futuro tranquilo. Campus da UNESP de São José do Rio Preto, 30/09/2015
Recupere a saúde financeira e garanta um futuro tranquilo Campus da UNESP de São José do Rio Preto, 30/09/2015 Objetivo geral Disseminar conhecimento financeiro e previdenciário dentro e fora da SP-PREVCOM
AGÊNCIA ESPECIAL DE FINANCIAMENTO INDUSTRIAL FINAME RELATÓRIO DA ADMINISTRAÇÃO 31 DE DEZEMBRO DE 2008
AGÊNCIA ESPECIAL DE FINANCIAMENTO INDUSTRIAL FINAME RELATÓRIO DA ADMINISTRAÇÃO 31 DE DEZEMBRO DE 2008 Senhor acionista e demais interessados: Apresentamos o Relatório da Administração e as informações
As 10 Melhores Dicas de Como Fazer um Planejamento Financeiro Pessoal Poderoso
As 10 Melhores Dicas de Como Fazer um Planejamento Financeiro Pessoal Poderoso Nesse artigo quero lhe ensinar a fazer um Planejamento Financeiro Pessoal Poderoso. Elaborei 10 dicas para você fazer um excelente
A Influência da Crise Econômica Global no Setor Florestal do Brasil
A Influência da Crise Econômica Global no Setor Florestal do Brasil 1. INTRODUÇÃO Ivan Tomaselli e Sofia Hirakuri (1) A crise financeira e econômica mundial de 28 e 29 foi principalmente um resultado da
EMPREENDEDORISMO. Maria Alice Wernesbach Nascimento Rosany Scarpati Riguetti Administração Geral Faculdade Novo Milênio
EMPREENDEDORISMO Maria Alice Wernesbach Nascimento Rosany Scarpati Riguetti Administração Geral Faculdade Novo Milênio RESUMO: O trabalho visa abordar o que vem a ser empreendedorismo e iconoclastas, bem
Desemprego, salário menor e inflação devem reduzir rendimento médio real
Boletim 820/2015 Ano VII 26/08/2015 Desemprego, salário menor e inflação devem reduzir rendimento médio real Paralelamente, com a redução de produção e folha das firmas, deve crescer o número de pessoas
Discurso do Ministro Alexandre Tombini, Presidente do Banco. Central do Brasil, na Comissão Mista de Orçamento do. Congresso Nacional
Brasília, 18 de setembro de 2013. Discurso do Ministro Alexandre Tombini, Presidente do Banco Central do Brasil, na Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional Exmas. Sras. Senadoras e Deputadas
ELEMENTOS BÁSICOS NA ELABORAÇÃO DO ORÇAMENTO DE CAPITAL
ELEMENTOS BÁSICOS NA ELABORAÇÃO DO ORÇAMENTO DE CAPITAL 16/08/2011 1 CAPITAL: Refere-se aos ativos de longo prazo utilizados na produção; ORÇAMENTO: é o plano que detalha entradas e saídas projetadas durante
www.estrategiaconcursos.com.br Página 1 de 8
Comentários Macroeconomia (Área 3) Olá Pessoal. O que acharam da prova do BACEN? E especificamente em relação à macro (área 3)? A prova foi complexa? Sim! A complexidade foi acima do esperado? Não! Particularmente,
Educação Financeira As Cinco Regras mais Importante da Educação Financeira para Enfrentar a Crise. A Terceira é a Minha Favorita
Educação Financeira As Cinco Regras mais Importante da Educação Financeira para Enfrentar a Crise. A Terceira é a Minha Favorita Flávio José de Almeida Ferreira Fevereiro/2016 Sumário Introdução... 3 Educação
MÓDULO 5 O SENSO COMUM
MÓDULO 5 O SENSO COMUM Uma das principais metas de alguém que quer escrever boas redações é fugir do senso comum. Basicamente, o senso comum é um julgamento feito com base em ideias simples, ingênuas e,
Cartilha do ALUNO EMPREENDEDOR POLITÉCNICA
1 Cartilha do ALUNO EMPREENDEDOR POLITÉCNICA Diretor Acadêmico: Edison de Mello Gestor do Projeto: Prof. Marco Antonio da Costa 2 1. APRESENTAÇÃO Prepare seus alunos para explorarem o desconhecido, para
Avaliação Distribuída 2º Mini-Teste (30 de Abril de 2007 15h00) Os telemóveis deverão ser desligados e guardados antes do início do teste.
LICENCIATURA EM ECONOMIA MACROECONOMIA II LEC 206 (2006-2007) Avaliação Distribuída 2º Mini-Teste (30 de Abril de 2007 15h00) Duração: 60 minutos Não é permitida qualquer forma de consulta. Os telemóveis
Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação
Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação Coordenação de Biblioteca Discurso na cerimónia de entrega
Elaboração de Projetos
Elaboração de Projetos 2 1. ProjetoS John Dewey (1859-1952) FERRARI, Márcio. John Dewey: o pensador que pôs a prática em foco. Nova Escola, São Paulo, jul. 2008. Edição especial grandes pensadores. Disponível
OLIMPIADAS DE MATEMÁTICA E O DESPERTAR PELO PRAZER DE ESTUDAR MATEMÁTICA
OLIMPIADAS DE MATEMÁTICA E O DESPERTAR PELO PRAZER DE ESTUDAR MATEMÁTICA Luiz Cleber Soares Padilha Secretaria Municipal de Educação de Campo Grande [email protected] Resumo: Neste relato apresentaremos
O gráfico 1 mostra a evolução da inflação esperada, medida pelo IPCA, comparando-a com a meta máxima de 6,5% estabelecida pelo governo.
ANO 4 NÚMERO 31 OUTUBRO DE 2014 PROFESSORES RESPONSÁVEIS: FLÁVIO RIANI & RICARDO RABELO 1-CONSIDERAÇÕES INICIAIS O gerenciamento financeiro do governo, analisado de forma imparcial, se constitui numa das
Relatório de Pesquisa. Março 2013
Relatório de Pesquisa SONDAGEM CONJUNTURAL DO VAREJO BRASILEIRO Março 2013 SONDAGEM CONJUNTURAL DO VAREJO BRASILEIRO Pesquisa realizada pela CNDL e SPC Brasil. Foram ouvidos em todo o país 615 varejistas.
Boletim de Conjuntura Econômica Outubro Tema: Emprego
Boletim de Conjuntura Econômica Outubro Tema: Emprego Brasil Atinge mais de 2 milhões de Emprego em 2010 Setor de Serviços lidera com 35% dos empregos Gerados no período Em setembro foram gerados 246.875
RESOLUÇÃO DAS QUESTÕES DE RACIOCÍNIO LÓGICO-MATEMÁTICO
RESOLUÇÃO DAS QUESTÕES DE RACIOCÍNIO LÓGICO-MATEMÁTICO Caro aluno, Disponibilizo abaixo a resolução resumida das questões de Raciocínio Lógico-Matemático da prova de Técnico de Atividade Judiciária do
BRASIL Julio Setiembre 2015
Red Econolatin www.econolatin.com Expertos Económicos de Universidades Latinoamericanas BRASIL Julio Setiembre 2015 Prof. Dr. Rubens Sawaya Assistente: Eline Emanoeli PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE
Aula 8. Política Fiscal: déficit e dívida pública
Aula 8 Política Fiscal: déficit e dívida pública O Crescimento da Participação do Setor Público na Atividade Econômica Crescimento da renda per capita - gera um aumento da demanda de bens e serviços públicos
COMO MINIMIZAR AS DÍVIDAS DE UM IMÓVEL ARREMATADO
PROLEILOES.COM COMO MINIMIZAR AS DÍVIDAS DE UM IMÓVEL ARREMATADO PROCESSOS QUE PODEM FAZER COM QUE VOCÊ CONSIGA QUITAR DÍVIDAS PENDENTES DE UM ÍMOVEL ARREMATADO EM LEILÃO, PAGANDO MENOS QUE O SEU VALOR
A unificação monetária européia
A unificação monetária européia Especial Panorama Celeste Cristina Machado Badaró 06 de julho de 2007 A unificação monetária européia Especial Panorama Celeste Cristina Machado Badaró 06 de julho de 2007
Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação
Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação Coordenação de Biblioteca 40 Discurso na solenidade de sanção
PERSPECTIVAS DA ECONOMIA BRASILEIRA. Henrique Meirelles
PERSPECTIVAS DA ECONOMIA BRASILEIRA Henrique Meirelles 28 de agosto, 2015 AGENDA CURTO PRAZO (2015/2016): AJUSTES MACROECONÔMICOS PROJEÇÕES LONGO PRAZO: OBSTÁCULOS AO CRESCIMENTO PROPOSTAS DE POLÍTICA
COMO CALCULAR A PERFORMANCE DOS FUNDOS DE INVESTIMENTOS - PARTE I
COMO CALCULAR A PERFORMANCE DOS FUNDOS DE INVESTIMENTOS - PARTE I O que é o Índice de Sharpe? Como calcular o Índice de Sharpe? Revisão do conceito de risco. O desvio-padrão como medida de risco. Autor:
INDICADORES ECONÔMICO-FISCAIS
GOVERNO DO ESTADO DE SANTA CATARINA SECRETARIA DE ESTADO DA FAZENDA - SEF DIRETORIA DE PLANEJAMENTO ORÇAMENTÁRIO DIOR NOTA EXPLICATIVA: A DIOR não é a fonte primária das informações disponibilizadas neste
Motivos de transferência do negócio por parte dos franqueados
Motivos de transferência do negócio por parte dos franqueados Por Maria Teresa Somma Com o intuito de entender os motivos que levam franqueados a transferir o seu negócio, foi realizada uma pesquisa exploratória
Depressões e crises CAPÍTULO 22. Olivier Blanchard Pearson Education. 2006 Pearson Education Macroeconomia, 4/e Olivier Blanchard
Depressões e crises Olivier Blanchard Pearson Education CAPÍTULO 22 Depressões e crises Uma depressão é uma recessão profunda e de longa duração. Uma crise é um longo período de crescimento baixo ou nulo,
Planejamento e financiamento para a qualificação das ações de alimentação e nutrição na Atenção Básica à Saúde
Planejamento e financiamento para a qualificação das ações de alimentação e nutrição na Atenção Básica à Saúde Introdução O Município Y tem uma população de aproximadamente 3 milhões de habitantes. A Secretaria
AFETA A SAÚDE DAS PESSOAS
INTRODUÇÃO Como vai a qualidade de vida dos colaboradores da sua empresa? Existem investimentos para melhorar o clima organizacional e o bem-estar dos seus funcionários? Ações que promovem a qualidade
Mercado de Trabalho. O idoso brasileiro no. NOTA TÉCNICA Ana Amélia Camarano* 1- Introdução
NOTA TÉCNICA Ana Amélia Camarano* O idoso brasileiro no Mercado de Trabalho 30 1- Introdução A análise da participação do idoso nas atividades econômicas tem um caráter diferente das análises tradicionais
O maior desafio do Sistema Único de Saúde hoje, no Brasil, é político
O maior desafio do Sistema Único de Saúde hoje, no Brasil, é político Jairnilson Paim - define o SUS como um sistema que tem como característica básica o fato de ter sido criado a partir de um movimento
MENSAGEM DE NATAL PM
MENSAGEM DE NATAL PM Boa noite, Como todos sabemos, os últimos 3 anos foram fortemente marcados pela resposta ao colapso financeiro de 2011. Todos sentimos no nosso dia-a-dia as dificuldades e como nos
Opinião N13 O DEBATE SOBRE AÇÕES AFIRMATIVAS NO ENSINO SUPERIOR NO BRASIL E NA ÁFRICA DO SUL 1
Opinião N13 O DEBATE SOBRE AÇÕES AFIRMATIVAS NO ENSINO SUPERIOR NO BRASIL E NA ÁFRICA DO SUL 1 GRAZIELLA MORAES SILVA 2 O debate sobre ações afirmativas no Brasil é geralmente tratado como uma questão
