Um olhar sobre a Educomunicação enquanto prática em expansão

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1 Um olhar sobre a Educomunicação enquanto prática em expansão Cláudio Messias 1 Resumo Investigamos, por meio de pesquisa quantitativa e qualitativa, referenciais que dão sustentação à expansão da prática educomunicativa no Brasil, a partir de análise comparativa de dissertações e teses sobre o tema, defendidas na ECA/USP, bem como de papers produzidos para o GT Comunicação e Educação da Intercom, nos últimos 10 anos. Buscaremos, ao final, identificar se há relação entre o que pesquisadores/aplicadores de projetos das mais diversas regiões do país justificam como sendo práticas educomunicativas e o que preconizam, epistemologicamente, os teóricos do Núcleo de Comunicação e Educação da ECA/USP. Palavras-chave Educomunicação; educação; comunicação. Um olhar sobre a Educomunicação enquanto prática em expansão MESSIAS, Cláudio. Duas décadas de Educomunicação: da crítica ao espetáculo. ECA/USP, mestrado, Orientador: Prof. Dr. Ismar de Oliveira Soares 1 Cláudio Messias, 39 anos, possui graduação em História (2007) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Unesp, campus de Assis; encontra-se em fase de conclusão do curso lato sensu Comunicação Popular e Comunitária pela Universidade Estadual de Londrina/PR, UEL, e ingressou, em 2009, no mestrado em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, ECA/USP, com o projeto Duas Décadas de Educomunicação: da Crítica ao Espetáculo, com orientação do prof. dr. Ismar de Oliveira Soares; atua como professor no ambiente da escola formal da rede oficial de ensino do Estado de São Paulo nas disciplinas de História, Geografia, Sociologia e Filosofia, e, no ensino superior, na Uniesp/Presidente Prudente e Unip/Assis, respectivamente nos cursos de Comunicação Social/Jornalismo e Publicidade e Serviço Social. 1

2 1. Introdução Nosso projeto consiste na investigação, por meio de uma pesquisa qualitativa, quanto à maneira como a Educomunicação, enquanto área de intervenção em espaços educativos, tem sido abordada por pesquisadores e/ou profissionais que implantam projetos nas mais diversas regiões do país e atribuem suas práticas e resultados aos preceitos educomunicativos. Nossa plataforma de pesquisa são o banco de dissertações e teses do programa de pós-graduação da ECA/USP, mediante a análise de uma amostragem de trabalhos classificados como pertencentes à linha de pesquisa em Educomunicação, bem como os arquivos da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), referentes aos papers apresentados no GT Comunicação e Educação, tanto no congresso nacional da entidade quanto nos eventos regionais. Nestas bases de dados da instituição procuraremos identificar, nos resumos de trabalhos apresentados em grupos temáticos, ações que remetam nominalmente à Educomunicação e, em seqüência, verificar o conteúdo das publicações, comparando a aplicação científica dos pesquisadores ao viés teórico. Tais fundamentos teóricos, por sua vez, nós encontramos naquilo que conceituam pesquisadores do Núcleo de Comunicação e Educação da ECA/USP. Nosso interesse por tal pesquisa surge quando somos aprovados em seleção para o curso de Especialização lato sensu Comunicação Popular e Comunitária da Universidade Estadual de Londrina/PR (UEL), ano letivo de Cumprindo créditos de tal curso de pósgraduação mantivemos contato com pesquisadores que, vinculados ao mesmo programa, apresentaram-se como desenvolvedores de projetos de Educomunicação, área do conhecimento pela qual nos interessamos desde 2006, quando implantamos projeto de produção de jornal impresso de sala de aula junto a escolas públicas vinculadas à Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Conceituamos as práticas educomunicativas a partir do que preconizam teóricos do Núcleo de Comunicação e Educação da ECA/USP e nos deparamos com outras propostas na prática de pesquisa realizada na UEL/Londrina, fazendo surgir nosso interesse por investigar os parâmetros teóricos através dos quais pesquisadores de todo o país conceituam a Educomunicação. 2. Objeto Exposta a natureza do debate sobre teoria e prática em Educomunicação, agregamos algumas informações sobre o aprofundamento das discussões acerca do tema no espaço do Centro de Educação, Comunicação e Artes da UEL/Londrina. Identificamos, no CECA, modos diferentes de refletir a Educomunicação. Alguns docentes defendem a eventual 2

3 existência de três vertentes de concepção sobre esta emergente área do conhecimento, exatamente no momento em que a mesma pode ser aprovada enquanto licenciatura na Universidade de São Paulo. Ou seja, além da própria USP existiriam modos peculiares de entender a relação comunicação/educação nos programas de pós-graduação de universidades como as federais de Santa Catarina (UFSC) e Rio de Janeiro (UFRJ). Buscamos, no cumprimento dos créditos do programa de pós-graduação em Ciências da Comunicação, especificamente na área de concentração de interfaces sociais da comunicação, leituras e discussões teóricas que somem em esclarecimento o problema de pesquisa colocado em projeto. Acreditamos que, inseridos no ambiente da prática de pesquisa das relações entre comunicação e educação, possamos agregar novos referenciais para as demais etapas de investigação. Somaremos estas novas experiências à vivência anterior de quando, ao mantermos o primeiro contato com a Educomunicação enquanto área do conhecimento que fundamentava, teoricamente, a nossa prática científica no ambiente escolar formal, em 2006, recorremos inicialmente ao que preconizava Soares (1996), distinguindo as sociedades da informação e da comunicação a partir de uma análise de recepção, com ênfase à peculiar interpretação das condições, neste contexto, dos países latino-americanos. Encontramos outro viés importante, neste contexto, em Moran (1993), especialmente pelo fato de este inserir o debate do uso dos meios massivos de comunicação no ecossistema educativo, adotando a proposta metodológica de educar para os meios. 3. Procedimentos metodológicos No percurso de nossa pesquisa utilizaremos métodos diversos, complementados de acordo com cada fase da investigação. Assim, durante o levantamento bibliográfico utilizamos o método de investigação hipotético-dedutivo que, segundo Cruz e Ribeiro (2003, p. 35), se inicia por uma percepção de uma lacuna nos conhecimentos, acerca da qual formula hipóteses e, pelo processo de inferência dedutiva, testa a predição da ocorrência de fenômenos abrangidos pela hipótese. Concluída esta etapa realizaremos uma pesquisa quantitativa de conteúdo de uma mostragem representativa de dissertações e teses defendidas na ECA/USP, assim como de papers aprovados e apresentados no GT Comunicação e Educação da Intercom nos últimos 10 anos. Buscamos, com isso, traçar um perfil da produção e da pesquisa em Educomunicação no Brasil, tendo como resultado agregado os referenciais teóricos utilizados, assim como obras e autores citados. 3

4 Na coleta de dados teremos informações por classificação, identificando, por exemplo, as obras, os autores, os conceitos-chaves e as metodologias empregadas pelos pesquisadores investigados, propiciando material que servirá de parâmetro para entender, em nível nacional, o que está explicitado como suporte a partir dos estudos e pesquisa do Núcleo de Comunicação e Educação da ECA/USP. Saber-se-á, por exemplo, que autor predomina na ECA/USP e nos demais programas de pesquisa do país, ou mesmo os paralelos existentes, ou não, nas investigações envolvendo comunicação e educação. Aplicaremos, neste ínterim, o método comparativo que, também de acordo com Cruz e Ribeiro (2003, p. 35), é utilizado para comparações de grupos (...) entre sociedades de iguais ou de diferentes estágios de desenvolvimento. Encerramos, pois, esta etapa de coleta de dados e partimos para uma outra proposta, distinta. Entramos, então, nos moldes da pesquisa qualitativa. Ao fazermos a análise de conteúdo teremos coletado os dados através da descrição feita pelos sujeitos observados no banco de dados da Intercom. Conforme nos mostra Martins (1989), neste contexto a pesquisa qualitativa descreve-se e determina-se com precisão conceitual rigorosa e essência genérica de percepção, diferente da primeira proposta de levantamento bibliográfico. Não nos limitaremos ao que estiver explícito em relatos identificados em resumos e, posteriormente, nos artigos. Concordamos com Lüdke & André (1986, p. 48)), quando estas, ao abordar a análise de dados em uma pesquisa qualitativa, sugerem que é preciso que a análise não se restrinja ao que está explícito no material, mas procure ir mais fundo, desvelando mensagens implícitas, dimensões contraditórias e temas sistematicamente silenciados. Assim, será possível, em conformidade com o conceito das autoras, que nós cheguemos, enquanto pesquisadores, tendo feito essas leituras sucessivas, encontrar uma classificação de dados de acordo com as categorias teóricas empíricas da Educomunicação. Ainda segundo Lüdke & André, essa classificação pode ser atingida de acordo com as categorias teóricas iniciais ou segundo conceitos emergentes. 4. Conclusões Entendemos que a referida pesquisa acrescente em parâmetros sobre os conceitos de Educomunicação colocados em prática nas mais diversas regiões do país. No momento em que esta nova área do conhecimento chega à condição de curso de licenciatura podemos 4

5 nortear os referenciais teóricos adotados a partir de autores e métodos presentes em pesquisas e programas vinculados a instituições de ensino superior das mais variadas regiões do país. Iniciamos a investigação na condição de profissional da comunicação atuando há 23 anos e de professor na escola formal há 4 anos, período em que encontramos na relação comunicação/educação um instrumento que, muito mais do que resultados pedagógicos, ajudou a transformar realidades. Agindo, inicialmente, como educomunicador auto-didata e, depois, como educomunicador com pressupostos teóricos balizados pelo NCE/ECA/USP, passamos a observar com mais criticidade projetos que envolvem produção midiática no ambiente escolar. Confiamos sobremaneira na Educomunicação e nas propostas originadas mediante anos e, agora, décadas de debates acerca de sua estruturação enquanto nova área do conhecimento. A Educomunicação, desta forma, bem como a educação em si, precisa, sim, ser difundida, pois sua competência na reversão de realidades sociais desfavoráveis está estampada em resultados empíricos, e não em especulações. Entretanto, começamos a balizar elementos que nos conduzam ao estabelecimento de parâmetros para o emprego do que anos atrás era meramente chamado de neologismo. 5

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