TRADIÇÃO. Patriarcado de Lisboa JUAN AMBROSIO / PAULO PAIVA 2º SEMESTRE ANO LETIVO TRADIÇÃO E TRADIÇÕES 2.

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1 TRADIÇÃO JUAN AMBROSIO / PAULO PAIVA 2º SEMESTRE ANO LETIVO TRADIÇÃO E TRADIÇÕES 2. A TRANSMISSÃO DO TESTEMUNHO APOSTÓLICO 3. TRADIÇÃO, A ESCRITURA NA IGREJA Revelação TRADIÇÃO Fé Teologia Patriarcado de Lisboa Instituto Diocesano da Formação Cristã

2 Tradição e tradições Tradição e tradição ou tradições não são o mesmo. Tradição (cf. dicionário online da Porto Editora) 1. Nome feminino. 2. Transmissão oral dos factos, lendas, dogmas, etc., de uma sociedade, de geração em geração. 3. Conjunto de doutrinas e práticas transmitidas de geração em geração. 4. Memória; recordação. 5. Forma de pensar ou de agir herdada de gerações anteriores; uso; hábito.

3 Tradição e tradições Acrescenta ainda o dicionário: 5. RELIGIÃO (religião católica) tradição oral independente da Sagrada Escritura, vinda diretamente de Cristo ou por intermédio dos Apóstolos, considerada como fonte de revelação divina, e, por consequência, tida como transmissora de verdades de fé.

4 Tradição e tradições Esta definição do dicionário, no que diz respeito à religião Católica não está correta. Tradição oral independente da Sagrada Escritura. Vinda diretamente de Cristo ou por intermédio dos apóstolos. Transmissora de verdades de fé (só?)

5 Tradição Diz-nos o Catecismo da Igreja Católica: 78. Esta transmissão viva, realizada no Espírito Santo, denomina-se Tradição, enquanto distinta da Sagrada Escritura, embora estreitamente a ela ligada. Pela Tradição, «a Igreja, na sua doutrina, vida e culto, perpetua e transmite a todas as gerações tudo aquilo que ela é e tudo em que acredita» (DV 8). «Afirmações dos santos Padres testemunham a presença vivificadora desta Tradição, cujas riquezas entram na prática e na vida da Igreja crente e orante» (DV 8).

6 Tradição A relação entre a Tradição e a Sagrada Escritura Uma fonte comum 80. «A Tradição sagrada e a Sagrada Escritura estão intimamente unidas e compenetradas entre si. Com efeito, derivando ambas da mesma fonte divina, fazem como que uma coisa só e tendem ao mesmo fim» Uma e outra tornam presente e fecundo na Igreja o mistério de Cristo, que prometeu estar com os seus, «sempre, até ao fim do mundo» (Mt 28, 20)

7 Tradição duas formas de transmissão distintas 81. A Sagrada Escritura é a Palavra de Deus enquanto foi escrita por inspiração do Espírito divino. A sagrada Tradição, por sua vez, conserva a Palavra de Deus, confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito Santo aos Apóstolos, e transmite-a integralmente aos seus sucessores, para que eles, com a luz do Espírito da verdade, fielmente a conservem, exponham e difundam na sua pregação.

8 Tradição Tradição Apostólica e tradições eclesiais 83. A Tradição de que falamos aqui é a que vem dos Apóstolos. Ela transmite o que estes receberam do ensino e do exemplo de Jesus e aprenderam pelo Espírito Santo. De facto, a primeira geração de cristãos não tinha ainda um Novo Testamento escrito, e o próprio Novo Testamento testemunha o processo da Tradição viva. É preciso distinguir, desta Tradição, as «tradições» teológicas, disciplinares, litúrgicas ou devocionais, nascidas no decorrer do tempo nas Igrejas locais. Elas constituem formas particulares, sob as quais a grande Tradição recebe expressões adaptadas aos diversos lugares e às diferentes épocas. É à sua luz que estas podem ser mantidas, modificadas e até abandonadas, sob a direção do Magistério da Igreja.

9 Transmissão do testemunho apostólico É neste contexto que podemos falar da importância fundamental da credibilidade do testemunho eclesial. Por isso na reflexão eclesiológica se fala na assunção, por parte da Igreja, dos chamados lugares teológicos (Escritura, Tradição, Magistério, Sensus Fidei, ), cujo marco próprio não é puramente metodológico, mas antes, plenamente enraizado no mais profundo da Igreja.

10 Transmissão do testemunho apostólico Isto leva a uma mútua interligação entre: Uma dimensão externa do testemunho eclesial - o testemunho apostólico fundante; Uma dimensão interiorizada - o testemunho vivido; uma dimensão interior e interiorizada - o testemunho do Espírito. Neste interligação, encontramos também pistas para refletir e compreender a identidade e a missão da Igreja hoje (sempre).

11 Tradição, a Escritura na Igreja Relação entre a sagrada Tradição e a Sagrada Escritura A sagrada Tradição, portanto, e a Sagrada Escritura estão intimamente unidas e compenetradas entre si. Com efeito, derivando ambas da mesma fonte divina, fazem como que uma coisa só e tendem ao mesmo fim. A Sagrada Escritura é a palavra de Deus enquanto foi escrita por inspiração do Espírito Santo; a sagrada Tradição, por sua vez, transmite integralmente aos sucessores dos Apóstolos a palavra de Deus confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito Santo aos Apóstolos, para que eles, com a luz do Espírito de verdade, a conservem, a exponham e a difundam fielmente na sua pregação; donde resulta assim que a Igreja não tira só da Sagrada Escritura a sua certeza a respeito de todas as coisas reveladas. Por isso, ambas devem ser recebidas e veneradas com igual espírito de piedade e reverência. (DV 9)

12 Tradição, a Escritura na Igreja A mesma DV recorda dois aspetos da Tradição que não podem ser esquecidos: Mediante a mesma Tradição, conhece a Igreja o cânon inteiro dos livros sagrados, e a própria Sagrada Escritura entende-se nela mais. (DV8). Estes dois aspetos, próprios da Tradição situam-se ao nível concreto na linha do discernimento e, neste sentido, podem ver-se como a Tradição não contém novidades por si só.

13 Tradição, a Escritura na Igreja Apesar de muitas vozes durante o Concílio terem pedido que abertamente se afirmasse a existência de verdades conhecidas só através da Tradição, como por exemplo: A assunção de Maria, A necessidade do Batismo, O número dos Sacramentos, A sacramentalidade da confirmação e do matrimónio.

14 Tradição, a Escritura na Igreja Contudo, a comissão doutrinal, era claramente consciente de que o Magistério sempre reconheceu em todas estas verdades um fundamento bíblico. Esta consciência era suficiente para justificar o que ficou redigido, ou seja, que a Tradição não é, nunca e em situação alguma, autónoma na sua relação particular com a Escritura. Com efeito, não há nenhuma verdade revelada que o Magistério tenha declarado sem algum fundamento na Escritura e, por sua vez, nenhuma foi defendida como contida só na Tradição.

15 Tradição, a Escritura na Igreja Depois do que ficou dito, podemos compreender como a Tradição é testemunhada e edificada a partir de vários núcleos: A Igreja com a sua reflexão e doutrina; A Igreja com a sua vida; A Igreja com o seu culto.

16 Tradição, a Escritura na Igreja Os lugares próprios da Tradição são: Os Padres da Igreja (Testemunho privilegiado da Tradição); Aos quais se une o magistério eclesial (intérprete autêntico do testemunho apostólico); o sensus fidei (o sentido da fé dos fiéis); e a Liturgia (Lex orandi, Lex Credendi).

17 Conclusão Aparece assim, claramente, a compreensão do princípio católico de Tradição a Escritura na Igreja como o princípio do conhecimento teológico. A união de ambos os elementos, ou seja, a Escritura articulada na Igreja, pode ver-se fundamentada na fórmula A voz viva do Evangelho na Igreja, usada pela DV 8 para descrever a Tradição. Os diversos testemunhos da Tradição são sinais na chave sacramental, nos quais se atualiza, sempre de maneira histórica, a tradição/entrega única de Jesus Cristo no Espírito Santo à Igreja e, por ela, ao mundo.

18 A Tradição Orientações bibliográficas: Dicionário On-line da Porto Editora; Catecismo da Igreja Católica PIÉ-NINOT, Salvador La teologia Fundamental. Secretariado Trinitario. Salamanca

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