INTERAÇÕES MACRO E MICRO ECONÔMICAS E SEUS REFLEXOS QUANTO À INSERÇÃO DA ECONOMIA BRASILEIRA NO PROCESSO DE GLOBALIZAÇÃO

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1 INTERAÇÕES MACRO E MICRO ECONÔMICAS E SEUS REFLEXOS QUANTO À INSERÇÃO DA ECONOMIA BRASILEIRA NO PROCESSO DE GLOBALIZAÇÃO Ricardo Leonardo Rovai Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo; Av. Prof. Almeida Prado, trav.2, n. 271 CEP São Paulo SP Brasil. Abstract The Global Chains of Production of Commodities are great agents of economical and social development. The countries of the Asian Southeast are the great hosts of these chains. GCC s appeared in function of the change needs in the profile of the American consumer's income. The North American companies of marks and the great department stores needed prices of sale bass and they had to develop strategies of competitive costs. GCC s appeared in the middle of the seventies in the Asian Southeast and later they were diffused by great part of the outlying countries of the Àsia. GCC s were great dealers and developers of the development of the area and they also incorporate countries of Latin America in the process, although in a very discreet way. Brazil interfered discreet and later in GCC s and in way a little dynamics, not enjoying therefore of the benefits at the level of economical growth, that these countries tried. After the end of the expansible cycle in Brazil, there were just spasmodic cycles and no systematic of growth, what can be explained partly by the fact of the insert. late and little it executes in GCC s Key words: Global Commodities Chains, producen driven, buyer drive. 1. INTRODUÇÃO A industrialização global é o resultado de um integrado sistema de produção e comércio. A abertura do comércio internacional tem encorajado nações a se especializarem em diferentes tipos de manufaturas refletindo diferentes processos industriais em sua especificidade. Este processo sustentou a explosão de novos produtos e novas tecnologias desde a Segunda Guerra Mundial, possibilitando a emergência de um sistema global de manufatura, no qual a capacidade de produção é dispersa através de um sem precedentes número de desenvolvedores, assim como de países industrializados (Gereffi,1994). A revolução tecnológica nos sistemas de transporte e de comunicações tem permitido aos fabricantes e varejistas da mesma forma, a estabelecerem um sistema internacional de produção e redes de comércio que cobre vastas distancias geográficas. Segundo Gereffi (2001), as Global Commodities Chains (GCC s) ou Cadeias de Produção Global de Commodities tem sido um dos grandes agentes propulsores do processo de globalização. A dinâmica dos producen driven x buyer driven tem configurado e moldado as GCC s ampliando os horizontes e generalizando o processo de globalização numa escala de progressividade inaudita. ENEGEP 2002 ABEPRO 1

2 Estudar a gênese, o desenvolvimento e as transformações das GCC s é bastante útil para a compreensão do próprio processo de globalização, sobretudo quando se pretende assinalar os fatores explicativos de porquê alguns países aprofundaram sua inserção nas GCC s e experimentaram grandes níveis de geração de produto agregado, e outros se inseriram de forma tardia e muito discreta, obtendo resultados bem aquém daqueles países e mergulhando inclusive em profundas crises. O Brasil claramente se encontra no último grupo, ou seja, inseriu-se de forma tardia e muito discreta nas GCC s e alguns autores como (Krugman, 1999), (Fischer, 1998) crêem que esta seja uma das principais razões pelas crises de endividamento e deterioração do Balanço de Pagamentos de alguns países como Brasil, Argentina e México. Assim analisar o processo evolutivo das GCC s e suas principais correlações com o processo de globalização é crucial para entender porque alguns países por se inserirem de forma tardia e inadequada se encontram a mercê de fatores macroeconômicos conjunturais dependendo da entrada de capitais voláteis para a preservação de seus respectivos equilíbrios macrodinâmicos. 2. OBJETIVOS O objetivo principal deste trabalho consiste em explicitar a dinâmica evolutiva das GCC s e suas principais correlações com o processo de globalização. Como objetivos secundários pretende-se assinalar os principais fatores macro e microeconômicos interativos que tem restringido à inserção do Brasil nas GCC s ou o porquê a inclusão da economia brasileira nas GCC s de forma tão tardia e tênue. 3. GLOBAL COMMODITIES CHAINS (GCC S) As GCC s são originadas nos sistemas de produção que possibilitam o surgimento de modelos particulares de comércio de forma coordenada. Um sistema de produção que vincula as atividades econômicas de firmas tecnológicas e redes de distribuição que permite às companhias desenvolver, um sistema integrado de produção e manufatura de commodities globais. No sistema produtivo transnacional que caracteriza o capitalismo global, as atividades econômicas não possuem apenas escopo internacional, são também globais quanto à sua organização. Enquanto o termo internacionalização, refere-se simplesmente a dispersão geográfica das atividades econômicas em função das respectivas fronteiras nacionais. O requisito administrativo da coordenação é executado fora da corporação, por diversos atores, de forma centralizada ou descentralizada de acordo com suas políticas econômicas e políticas corporativas. Grandes empresas nos sistemas de produção globalizados participam simultaneamente de diferentes formas, em diferentes países, não apenas de forma isolada neste ou naquele segmento, mas como parte de seu sistema estratégico de produção e distribuição global. A perspectiva das GCC s ressalta a necessidade de se observar não apenas a divisão geográfica dos sistemas e arranjos físicos transnacionais, mas também o seu escopo organizacional, isto é os vínculos entre os vários agentes econômicos, fornecedores de matéria-prima, fábricas, agentes comerciais atacadistas e varejistas, para se entender suas fontes de estabilidade e mudanças. As GCC s possuem três diferentes dimensões: 1)Uma estrutura de inputs e outputs, ou seja como os produtos e serviços são vinculados juntos numa seqüência de valor ENEGEP 2002 ABEPRO 2

3 adicionado das atividades econômicas; 2) Territorialidade (isto é, dispersão espacial ou concentração de produção e redes de distribuição, compreendidas as empresas de diferentes tamanhos e tipos; e 3) Estrutura de Governança (isto é, a autoridade e a estrutura das relações de poder que determinam os critérios de alocação dos recursos e o fluxo interno com o restante da cadeia. A estrutura de governança das GCC s, a qual é essencial para a coordenação dos sistemas de produção transnacionais, tem recebido relativamente pouca atenção na literatura (Storper e Harrison,1991). Dois diferentes tipos de estrutura de governança emergiram nas últimas duas décadas passadas, as quais de uma forma simplificada são denominadas producer-driven e buyer-driven das GCC s. O termo producer-driven commodity chains refere-se à todas as indústrias para as quais as corporações transnacionais (TNC s) ou outros grandes e integrados blocos de empresas industriais, jogam um papel decisivo no controle dos sistemas de produção (incluindo as integrações para frente e para trás). Esta é a maior característica de indústrias capital e tecnologicamente intensivas, como as indústrias do tipo automobilística, de computadores, indústria aeronáutica, de maquinaria elétrica, eletrônica. A dispersão geográfica destas indústrias é transnacional, todavia o número de países inseridos nas GCC s e seu nível de desenvolvimento é variado. No processo internacional de sub-contratações de componentes, não raro e principalmente nos casos dos processos de produção trabalhointensivos, alianças estratégicas entre rivais são frequentes. O que distingue sistemas de produção producer-driven é o controle exercido pela administração geral das TNC s. Por sua vez o termo buyer-driven commodity chains refere-se a todas as indústrias nas quais os grandes varejistas, as empresas de marca e as trading companies jogam o papel de pivô na configuração das cadeias de produção em uma grande variedade de países exportadores, tipicamente localizados no terceiro mundo. Este modelo de industrialização baseado na liderança comercial tem-se tornado comum em setores produtores de mercadorias de consumo tais como vestuário, moda, calçados, brinquedos, eletroeletronicos, utilidades doméstica, e uma longa gama de produtos tipo hand-crafted, móveis e ornamentos. Novamente os contratos internacionais de manufatura prevalecem, mas a produção é geralmente deslocada para fábricas independentes do Terceiro Mundo, que terminam produtos (tanto de componentes ou partes destes) sob a égide do equipamento original de manufatura, Original Equipment Manufacturer (OEM). As especificações são fornecidas pelos buyers e branded companies (cias de marca) que elaboram o design dos produtos. Uma das principais características das firmas que modelam o buyer-driven model, que inclui empresas de atletic footwear, como Nike, Reebok, L.A. Gear e também as fashion oriented clothing companies como The Limited, The Gap, Liz Clairborne, é que freqüentemente estes tipos de cadeias de negócios não fabricam o que produzem. Não são manufacters porque simplesmente não possuem fábricas. Estas empresas são empresas de merchandising que elaboram o design, as estratégias de marketing e vendas, mas não fabricam o que vendem. Estas empresas dependem em sua complexidade das redes de contratantes que desenvolvem todas as suas especializadas tarefas. As Branded Merchandisings podem empreitar parte toda sua linha de produtos, desenvolvimento de atividades, fabricação, embalagem, distribuição, propaganda, cash management, e diferentes outros tipos de atividade por todas as partes do mundo. A distinção entre producer-driven e buyer driven está inserida no contexto do debate entre a produção em massa e a especialização flexível de um sistema de manufatura ou organização industrial. A produção de massa é claramente um producer-driven model, enquanto que a especialização flexível é gerada em parte pelo crescimento da demanda ENEGEP 2002 ABEPRO 3

4 segmentada e específica criada pelos buyers no processo de desenvolvimento de seus mercados. Uma das principais diferenças entre as GCC s e a perspectiva da especialização flexível é a que Piore & Sabel delinearam com a organização da produção nas economias domésticas e distritos industriais, enquanto que a noção de producer-driven commodity chains é focada nas possibilidades da indústria global. Além disto uma abordagem do buyer-driven commodity chain poderia explicar a emergência da especialização flexível das formas de produção em termos de mudança na estrutura de varejo, a qual reflete mudanças demográficas e novos imperativos organizacionais. Finalmente, enquanto algumas das primitivas discussões da especialização flexível implica que se trata de sistema superior que poderá eventualmente substituir a produção em massa, buyerdriven e supply-driven commodity chains são vistas como antagônicas, porém não mutuamente exclusivos pólos no espectro das possibilidades organizacionais na indústria. Nossa análise do buyer-driven commodity chains será focada no modo pelo qual as principais companhias, ou os grandes varejistas dos EUA coordenam este processo. Uma vez que no modo de industrialização baseado no producer-driven os sistemas de produção moldam a demanda, no buyer-driven commodity chains é a organização do consumo que determina onde e como o sistema global de manufatura tomará lugar. Os agentes econômicos da oferta e da demanda não operam no vácuo político, entretanto, eles ao seu turno, respondem as pressões políticas por parte do Estado. 4. O PAPEL DAS POLÍTICAS ESTATAIS NAS GCC S Estratégias de desenvolvimento nacional jogam um importante papel na determinação das novas relações no sistema de manufatura global. A economia convencional proclama que as nações do Terceiro Mundo tem seguido uma das duas alternativas de estratégias de desenvolvimento: a. A relativamente ampla zona de economias ricas em recursos naturais na América Latina (Brasil, México e Argentina), Sul da Ásia (Índia e Bangladesh), e Leste Europeu tem perseguido o Modelo de Substituição de Importações (MSI) cuja característica básica é o crescimento da produção com base nas necessidades do mercado doméstico. b. Nações mais pobres em termos de recursos naturais como os New Industrialized Countries (NIC) adotaram o Modelo de Industrialização Baseado na Exportação de Manufaturas (EOI) que são inteiramente dependentes do crescimento do mercado mundial. Entretanto a análise histórica destas tendências transitórias tendem a ser muito simplificadas, hoje isto é bastante claro que muitas economias tem optado por uma expansão de manufaturados ou exportações não-tradicionais para ganharem mercados além-mar e atender a demanda dos mercados mundiais e encontrar estratégias de sobrevivência. Os NIC s exemplificam muito bem os ganhos obtidos por tais estratégias de desenvolvimento. O Modelo baseado nas Exportações se distingue do Modelo de Substituição de Importações pelo fato de ser baseado na cadeia de commodities do Buy-Driven configurado a partir de pequenas e médias empresas privadas, locais e domésticas localizadas no Terceiro Mundo. Historicamente o modelo baseado nas Exportações alavancou o desenvolvimento estratégico dos NICs a também do buy-driven commodity chains emergindo juntos nos anos 70, sugerindo uma conexão fechada entre a rede de indústrias dentro da cadeia de commodities do buyer-driven. ENEGEP 2002 ABEPRO 4

5 A política dirigida de Estado teve um papel crucial na alavancagem industrial das GCC s no Modelo de Exportações Incentivadas, o governo foi o grande patrocinador das facilidades de infra-estrutura através da criação de um sistema de comunicações e transportes que pudesse suportar tal processo de acumulação, criou também ZPES, Zonas Francas, subsídios fiscais para a produção de matérias-primas básicas, como o aço, e produtos químicos, incentivou a criação de uma rede de bancos destinados ao financiamento das exportações, através da práticas dos ACC s e Cartas de Crédito. O papel do Estado foi crucial e sempre foi o de grande promotor e patrocinador, eis porque hoje sua falência fiscal relativa em muitos países. Em resumo o papel do Estado foi de um grande leverager do buy-driven commodity chain nos países denominados NIC s. 5. O COMMODITY CHAIN DO VESTUÁRIO Em muitos países do Terceiro Mundo os setores têxteis e de peças de roupa de vestuário foram a base do processo de industrialização, na verdade lideram os processos de exportações intensivas, primeiro pelo protecionismo interno destes países, que desenvolveu o mercado doméstico e foi a base para o processo de incremento das exportações. O setor de peças de roupa possui uma dinâmica em termos de buyer-driven commodity chain que constitui-se num estudo de caso ideal a explanação da essência do próprio buyerdriven commodity chain Para Gereffi (2001) pode-se bifurcar a cadeia de commodities do setor de peças de roupas em duas dimensões: a. Fabricantes de Têxteis Vs. Fabricantes de Peças de Roupa: Ambos os setores possuem configurações distintas, os produtores de têxteis são em geral fabricantes de produtos terminados, e são baseados nas economias de escala e bastante integrados vertical e horizontalmente, empresas de grande porte capital intensivas, como a gigante americana Burlington Mills. Por sua vez o setor de peças de roupa é fragmentado, constituído de pequenas e médias empresas de mão-de-obra intensivas e que inclusive tendem a buscar custos baixos de mão-de-obra, ou àquelas vantagens competitivas de segunda categoria. b. Standardized Vs Fashion Segments: A segunda maior divisão no setor de vestuário é a divisão entre o setor de roupas padronizadas, como jeans, roupas íntimas, sutiens; o qual é geralmente integrado pelas grandes empresas produtoras de matérias-primas do setor têxtil. Já o setor de fashion-oriented possui uma configuração bastante diferente, pois segue as mudanças e a sazonalidade das estações e a dinâmica do próprio perfil de consumo do varejo. 6. A REVOLUÇÃO DO VAREJO NO MERCADO DOS EUA A estrutura de governança do buyer-driven commodity chains é determinada em parte pelas mudanças ocorridas no perfil do mercado varejista dos EUA nos anos 80/90, os padrões de consumo do mercado americano mudaram e provocaram o incremento da especialização flexível na GCC do setor de vestuário. A partir da segunda metade dos Anos 80, começa a declinar o setor de Lojas de Departamento (Sears), o velho modelo da mãe compradora, tomadora de decisões de compra para a família, passa a dar lugar às lojas de desconto (Wall Mart), cuja ênfase recaia em baixos preços, conveniência, escolha individual de produtos, baixa propaganda. ENEGEP 2002 ABEPRO 5

6 Por um lado cresciam as lojas de descontos, em detrimento das lojas de departamento, por outro surgia o conceito de lojas personalizadas com produtos de maior valor agregado voltados às necessidades da classe média alta. As mudanças estruturais no mercado de varejo americano foram decorrentes e também determinaram as próprias mudanças no perfil de renda da classe média americana. Crescem as diferenças sociais e os níveis de desigualdades na população economicamente ativa dos EUA, e este fato é decisivo para a reconfiguração da GCC s do vestuário de um lado producer-driven commodity chains produzindo para as lojas de desconto e o buyer-driven commodity chains produzindo para as lojas segmentadas, mais personalizadas. 7. O PERFIL DOS AGENTES ECONÔMICOS NO BUYER-DRIVEN COMMODITY CHAINS Os Big Buyers estão estrategicamente inseridos nas GCC s através das redes de exportações e distribuição eles estabelecem relações com as fábricas e tradings companies, para melhor compreendermos as GCC s é necessário entendermos a teia de relações entre os diversos agentes que compõem as GCC s: a. Varejistas: O perfil de consumo do mercado dos EUA é organizador dos vários tipo de varejo: grandes volumes, preços baixos, lojas de desconto, propaganda de massa, lojas de departamento, fashion-oriented, brand-named products. Estão no topo da cadeia e determinam a dinâmica das relações das outras partes da cadeia, traders, compradores offshore, fábricas offshore e também condicionam o próprio nível e estágio de desenvolvimento dos países exportadores. b. Traders: As tradings companies são o grande agente comercial do sistema, representam a linha de tráfego dos canais de importação e exportação das GCC, geralmente são empresas controladas pelas próprias brand-named products companies. c. Overseas Buyers: São as grandes centrais de compra situadas fora dos EUA, que em função do conhecimento dos mercados, da especialização, do conhecimento do contrato, da cultura local, efetuam as compras para os big buyers situados nos EUA, muitas das empresas de Overseas Buyers foram constituídas para também eliminar a comissão das tradings companies. d. Fábricas: Representam as manufaturas estabelecidas nos NICs e respondem por quase toda a produção comprada pelos big buyers nos EUA e possuem uma configuração bastante diversificada abrangendo grandes plantas na Coréia do Sul e uma multiplicidade de pequenas fábricas nos demais países. 8. DINÂMICA DAS INTERAÇÕES MACRO E MICROECONÔMICAS CONDICIONANTES DA INSERÇÃO TARDIA DO BRASIL NO PROCESSO DE GLOBALIZAÇÃO Ferraz (1998) evidencia alguns fatores condicionantes da limitação da profundidade da inserção do Brasil nas GCC s, a postergação do processo de abertura econômica decorrente da própria estrutura rígida do Modelo de Substituição de Importações talvez seja um dos fatores de maior impacto quanto à inserção tardia e em condições fragmentadas e pouco orientadas para resultados do Brasil na Globalização, outro fator condicionante de grande peso são os níveis de risco e incertezas macroeconômicas predominantes nos anos 80 e 90 ENEGEP 2002 ABEPRO 6

7 na economia brasileira, os quais foram responsáveis pelo incremento da curva de indecisão dos inversores e o conseqüente direcionamento de capitais para o investimento produtivo e a relativa escassez de disponibilidades de fonte de recursos. A configuração da estrutura das cadeias de valores da indústria brasileira também constitui-se num fator de importância para a explicação de porquê as cadeias produtivas de amplos setores da indústria brasileira não se direcionaram para o mercado externo. Como explicar as transformações imensas da indústria, quanto à sua reestruturação, incremento da terceirização, maior flexibilidade, foco no cliente, redes enxutas, maiores níveis de automação e informatização e o paradoxo da inserção não orientada para o mercado externo, a não constituição de clusters e cadeias de produção orientadas para as GCC s. A inserção tardia e pouco orientada da economia brasileira é decorrente de outros tantos aspectos dos quais podemos destacar o custo de capital, o desalinhamento dos resultados de produtividade, conflito distributivo, políticas governamentais desarticuladas, falta de cultura de exportação, não orientação para o mercado externo, posicionamento competitivo externo inadequado, dentre inúmeros outros fatores. A. Modelo de Substituição de Importações O grau de alinhamento da economia brasileira com a lógica do modelo de substituição de importações constitui-se num fator explicativo importante para o entendimento da sua longevidade e do seu grau de profundidade. Buscar a compreensão dos fatores estruturais que prorrogaram por décadas o modelo de substituições de importações poderá ser bastante útil para a compreensão da inserção da economia brasileira de forma pouco direcionada às GCC s. Dornbusch (1990) aponta o populismo dos países latino-americanos como o grande responsável pela longevidade do Modelo de Substituição de Importações e a inserção tardia de muitos países latino-americanos no processo de globalização. Ferraz acredita que a flexibilidade advinda da reestruturação e da incorporação de novas tecnologias criou a base fundamental para a abertura econômica e a ruptura do modelo de substituição de importações. Kupfer(1998) assinala os padrões de avanço tecnológico e especialização como condicionantes do impulso à abertura da indústria brasileira à competição internacional, a flexibilização das estruturas a busca da eficiência e da qualidade aliadas à redução do Custo Brasil foram decisivas para o incremento do grau de abertura e a posterior transformação estrutural de alguns setores. Assim o fato de perdurar por décadas indefinidamente o Modelo de Substituição de Importações constitui-se num grande obstáculo à inserção do Brasil nos GCC s e tal fato fenômeno conduziu à enormes dificuldades posteriores quanto ao incremento da dívida, impossibilidade de reestruturação flexibilização e enxugamento, redução de carga fiscal, declínio de produtividade, inserção nas GCC s dentre inúmeros outros reflexos negativos quanto ao desenvolvimento econômico. B. Incertezas e Risco Macroeconômicos da Economia Brasileira Para Franco(1996) a inserção do Brasil na rota da globalização passa necessariamente pelas transformações macroestruturais, leia-se reformas monetárias, fiscal e produtivas, que para o referido autor foram levados a cabo pelo Real. ENEGEP 2002 ABEPRO 7

8 O real na verdade foi um grande ponto de inflexão para a inserção discreta do Brasil no processo de globalização, porém não como economia exportadora, mas sim como receptor de investimentos externos diretos através do processo de privatização e também como receptor de investimentos provenientes de capitais voláteis, que a partir dos anos 90 começaram a se inserir de forma planetária nos países emergentes através do processo de especulação com ativos exóticos. As incertezas macroeconômicas decorrentes de sucessivos plano de estabilização e desenvolvimento sucessivamente fracassados foi crucial para a inconsistência das tentativas de inserção do país na rota das GCC s, como tentativa de direcionamento para o modelo exportador. 9. CONCLUSÕES As modificações no perfil do consumidor americano no final dos anos 70, criou condições para o surgimento das cadeias de produção globais de commodities que por sua vez deram surgimento às relações muito dinâmicas em termos de expansão econômica difundindo o desenvolvimento não somente para o Sudeste Asiático, mas também para a China Continental e América Latina. O Brasil teve uma inserção discreta e tardia nestas cadeias e portanto não experimentou os mesmos níveis de desenvolvimento daqueles países. 10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DEDRICK, J. & KRAEMER, K. Asia s Computer Challenge: Treat or Opportunity for the USA and the World, Oxford: Oxford University Press, DICKEN, C. Global Shift: Transforming the World Economy ; N. York:Guilford Press, GEREFFI, G. International trade and industrial upgrading in the apparel commodity chain ; Journal of International Economics, vol. 48. no. 1:37:57 GEREFFI, G. Commodity Chains and Global Capitalism, Westport. Praeger, London, HUMPREY, J. Governance and Upgrading: linking industrial cluster and global value chain research IDS Working, no.120. ENEGEP 2002 ABEPRO 8

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