Avaliação da Política Agrícola e as perspectivas dos instrumentos de comercialização. Silvio Isopo Porto Fev/2006

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1 Avaliação da Política Agrícola e as perspectivas dos instrumentos de comercialização Silvio Isopo Porto Fev/2006

2 1. Contexto

3 MODELO AGROEXPORTADOR TECNOLOGIA (CONCENTRAÇÃO) TRADING COOPERATIVA MERCADO 1. INSUMOS (CONCENTRAÇÃO) 2. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS 3. INFORMAÇÕES AGRÍCOLAS E AS PERSPECTIVAS DE MERCADO UNIDADE DE PRODUÇÃO CONCENTRADAS NOS PRODUTOS ARROZ, MILHO, SOJA, CANA E LARANJA INTERNO 1. INDÚSTRIA 2. TRADING (CONCENTRAÇÃO) 3. SUPERMERCADOS (CONCENTRAÇÃO) 4. PROGRAMAS SOCIAIS BANCOS TRADING (CONCENTRAÇÃO) FAZENDA/LOTE REF. AGRÁRIA ASSOCIAÇÃO/COOPERAITVA MOMENTO DA INTERVENÇÃO EXTERNO 1. TRADINGS (CONCENTRAÇÃO) 2. OUTROS AGENTES LOGÍSTICA

4 Liberalização dos mercados de produtos agrícolas (anos 90) Ajuste estrutural da economia Intenso processo de concentração de capitais no setor agroalimentar Restrições quanto à disponibilidade de recursos para a operacionalização da política agrícola frente à demanda existente Exclusão de uma parcela significativa de produtores da atividade agrícola

5 Mundo Concentração de capitais no setor de insumos As dez maiores empresas do mundo concentravam, em 2005 perto de 50% do mercado mundial de sementes comerciais estimado em US$ 21 bilhões de dólares As dez maiores empresas controlavam, em 2004, 84% do mercado global de agrotóxicos equivalente a US$ 29,5 bilhões Fonte: ETC Group

6 Concentração de capitais no setor de insumos Brasil Em , aproximadamente 77% do mercado de sementes de milho híbrido no Brasil era controlado por 4 grandes empresas transnacionais Em 2000, quatro grandes empresas concentravam 93% do mercado de fungicidas destinados à soja Fonte: SEAE

7 Concentração capitais no setor de processamento de alimentos Mundo Em 2005 as 10 principais companhias de processamento de bebidas e alimentos dominavam 24% do mercado global de alimentos embalados, estimado em US$ 1,25 bilhões de dólares Fonte: ETC Group Brasil Em 2003, três grandes empresas respondiam por 68% do processamento da soja no Brasil FONTE: SEAE

8 Mundo As 10 principais distribuidoras de alimentos controlava, em 2004, 24% das vendas globais do setor, estimadas em US$ 3,5 bilhões Fonte: ETC Group Brasil Concentração capitais no setor de distribuição de alimentos Em 1994, 20,9% do varejo de alimentos no Brasil era dominado por quatro grandes empresas. Em 2004, como resultado de diferentes fusões e aquisições, as quatro grandes (CBD, Carrefour e Wal-Mart) já concentravam 38,8% do mercado Fonte: ABRAS

9 Produção Nacional de leite X Nº produtores Produção de leite X Nº produtores Diferença Produção ( Bilhões de Litros) 19,07 23, ,75% Nº Produtores (10 principais) ,98% Produção X Produtores (Nestlé) Diferença Produção Nº Produtores Fonte: Leite Brasil, CNA, CBCL, Embrapa Gado Leite, pesquisa feita pelo DESER

10 Consumo: tendências recentes

11 Taxa de desocupação 14,0 13,0 12,0 11,0 12,9 11,9 12,5 11,6 11,9 12,4 12,1 11,7 11,5 11,6 11,2 11,2 10,9 10,5 12,8 13,0 12,8 13,0 12,9 12,9 12,2 12,0 10,9 12,8 11,7 13,1 12,2 11,2 11,7 10,9 11,4 10,5 10,6 10,6 9,6 10,8 10,2 10,8 Percentual 10,0 9,0 8,0 9,4 10,2 9,4 9,4 9,6 9,6 9,6 8,3 mar/02 abr mai jun jul ago set out nov dez jan/03 fevmar abr mai jun jul ago set out nov dez jan/04 fevmar abr mai jun jul ago set out nov dez jan/05 fevmar abr mai jun jul ago set out nov dez Fonte: IBGE Elaboração: Conab/Digem/Sugof EFEITO EMPREGO

12 Rendimento médio real da população ocupada A RENDA SERÁ ENCORPADA PELO CRESCIMENTO DO RENDIMENTO MÉDIO DO PESSOAL OCUPADO E PELA RECUPERAÇÃO DO PODER DE COMPRA DO SALÁRIO MÍNIMO. O CONSUMO DAS FAMÍLIAS DEVE CRESCER EM 2006 POR CONTA, TAMBÉM, DA QUEDA DA INFLAÇÃO E DO JURO REAL. R$ EFEITO RENDA 860 mar.02 dez.02 jun.03 Fonte: IBGE Elaboração: Conab/Digem/Sugof dez.03 abr.04 dez.04 jan.04 fev.04 mar.04 abr.04 mai.04 jun.04 jul.04 ago.04 set.05 out.05 nov.05 dez.05

13 Políticas de transferência de renda Revista Brasil, Ano III - número 6 Prestação de Contas de 3 Anos do Governo Federal

14 Valor Bruto da Produção Alimentos Básicos Arroz Var.: 40,4% Part.: 7,4% R$ Bilhões Var.: 19,1% Part.: 3,2% Feijão Trigo Var.: 58,1% Part.: 2,2% Fontes: Produção - IBGE, Conab, CNA; Preços - FGV, Cepea Elaboração: Conab/Digem/Sugof/Gerab

15 2. Avaliação da intervenção governamental no mercado de produtos agrícolas

16 2.1 Apoio à produção Recuperação do crédito de custeio e investimento Recuperação dos preços mínimos Ampliação dos recursos do PRONAF Mantém-se um perfil de concentração do crédito em um número reduzido de produtos Aperfeiçoamento dos instrumentos de seguro agrícola (agricultura empresarial e familiar)

17 Evolução do Crédito Rural Em R$ milhões correntes % Custeio Lavoura 68% Comercialização Investimento Custeio 19% % 61% Soja 35% Milho 24% Arroz 7,2% Fumo 6,3% Trigo 5,5% 16% 17% % 17% % 13% 15% 16% 6% Fonte: Bacen Obs.:% da comercialização sobre o total do crédito rural

18 CONTRATOS DO PRONAF Número, tamanho médio e Valor em mil R$ ou unidade de contrato R$/contrato Nº de contratos Valor (R$ mil) Tamanho médio do Contrato Fonte: Bacen/MDA 0

19 45 Arroz Rio Grande do Sul R$/50 kg fev/00 fev/01 fev/02 fev/03 fev/04 fev/05 fev/06 Fonte: Conab Preço Mercado Preço Mínimo

20 120 Feijão Cores Paraná R$/60 kg fev/00 fev/01 fev/02 fev/03 fev/04 fev/05 fev/06 Fonte: Conab Preço Mercado Preço Mínimo

21 25 Milho Mato Grosso R$/60 kg fev/00 fev/01 fev/02 fev/03 fev/04 fev/05 fev/06 Fonte: Conab Preço Mercado Preço Mínimo Linha 3

22 2.2 Apoio à comercialização

23 PGPM Principais Instrumentos: AGF Aquisição do Governo Federal EGF Empréstimo do Governo Federal PEP Prêmio para Escoamento de Produto VEP Valor de Escoamento de Produto Contrato de Opção de Venda PROP Prêmio de Risco para Aquisição de Produto Agrícola Oriundo de Contrato Privado de Opção de Venda

24 Recuperação do AGF enquanto um instrumento de apoio à comercialização Formulação e implantação de um programa específico de apoio à comercialização para os agricultores familiares (PAA) Recuperação dos estoques públicos Recuperação dos preços mínimos

25 AGF + Contrato de Opção Quantidades Adquiridas tonelada Algodão Arroz Feijão Milho Trigo Fonte: Conab

26 Crédito à Comercialização X EGF R$ milhões % % % 80% % 40% % 0 0% Fonte: BACEN Comercialização EGF EGF/TOTAL

27 Quantidade de Operações com PEP toneladas Fonte: Conab

28 Apoio à Comercialização Operações Oficiais de Crédito (Valores Executados) R$ m il AGF+C.Opção+ Desp.Carregamento PEP + PROP + Recompra, repasse de Cont.Públ.de Opção de Venda Fonte: MF/STN/COPEC/DIEFI

29 R$ 21 APOIO DO GOVERNO À COMERCIALIZAÇÃO DE TRIGO Safra 2005/06 - PARANÁ 350 R$ 20 PEP AGF PROP SEAB/PR R$ R$/60Kg R$ mil t R$ R$ R$ a 08/08 22 a 26/08 12 a 16/09 03 a 07/10 24 a 28/10 14 a 18/11 05 a 09/12 26 a 30/12 Fonte: CONAB e SEAB/PR Elaboração: CONAB/DIGEM/SUGOF/GERAB

30 APOIO DO GOVERNO À COMERCIALIZAÇÃO DE TRIGO Safra 2005/06 - BRASIL R$ R$ 20 AGF PROP PEP Preço médio trigo BR 300 R$ R$/60K R$ mil t R$ R$ R$ a 08/08 22 a 26/08 12 a 16/09 03 a 07/10 24 a 28/10 14 a 18/11 05 a 09/12 26 a 30/12 Fonte: CONAB Elaboração: CONAB/DIGEM/SUGOF/GERAB

31 ARROZ EM CASCA RIO GRANDE DO SUL Comparativo dos preços ao produtor em 2005 e datas do PROP 03/01 a 07/01/ /01 a 21/01/ /01 a 04/02/ /02 a 18/02/ /02 a 04/03/ /03 a 18/03/ /03 a 01/04/ /04 a 15/04/ /04 a 29/04/ /05 a 13/05/ /05 a 27/05/ /06 a 10/06/ /06 a 24/06/ /07 a 08/07/ /07 a 22/07/ /08 a 05/08/ /08 a 19/08/ /08 a 02/09/ /09 a 16/09/ /09 a 30/09/ /10 a 14/10/ /10 a 28/10/ /11 a 11/11/2005

32 II Agricultura Familiar - PAA Conab 1. Compra Antecipada da Agricultura Familiar 2. Compra Direta da Agricultura Familiar 3. Compra Antecipada Especial da Agricultura Familiar 4. Contrato de Garantia de Compra MDS 5. PAA - Leite 6. Compra Direta Local da Agricultura Familiar

33 II Agricultura Familiar - PAA PAA Fonte: Conab Mecanismo Valor em R$ mil CAAF CDAF CAEAF CDAF CAAF CAEAF CDAF CAEAF Famílias beneficiadas

34 3.Concepção: papel da política agrícola e dos instrumentos de comercialização

35 Lei Agrícola de /01/1991 Art 3 o São objetivos da política agrícola: na forma como dispõe o art. 174 da Constituição, o Estado exercerá função de planejamento, que será determinante para o setor público e indicativo para o setor privado, destinado a promover, regular, fiscalizar, controlar, avaliar atividade e suprir necessidades, visando assegurar o incremento da produção e da produtividade agrícolas, a regularidade do abastecimento interno, especialmente alimentar, e a redução das disparidades regionais; II - sistematizar a atuação do Estado para que os diversos segmentos intervenientes da agricultura possam planejar suas ações e investimentos numa perspectiva de médio e longo prazos, reduzindo as incertezas do setor; III - eliminar as distorções que afetam o desempenho das funções econômica e social da agricultura; IV - proteger o meio ambiente, garantir o seu uso racional e estimular a recuperação dos recursos naturais;

36 Lei Agrícola de /01/1991 cont. V - (Vetado); VI - promover a descentralização da execução dos serviços públicos de apoio ao setor rural, visando a complementariedade de ações com Estados, Distrito Federal, Territórios e Municípios, cabendo a estes assumir suas responsabilidades na execução da política agrícola, adequando os diversos instrumentos às suas necessidades e realidades; VII - compatibilizar as ações da política agrícola com as de reforma agrária, assegurando aos beneficiários o apoio à sua integração ao sistema produtivo; VIII - promover e estimular o desenvolvimento da ciência e da tecnologia agrícola pública e privada, em especial aquelas voltadas para a utilização dos fatores de produção internos; IX - possibilitar a participação efetiva de todos os segmentos atuantes no setor rural, na definição dos rumos da agricultura brasileira; X - prestar apoio institucional ao produtor rural, com prioridade de atendimento ao pequeno produtor e sua família;

37 Lei Agrícola de /01/1991 cont. XI - estimular o processo de agroindustrialização junto às respectivas áreas de produção; XII - (Vetado); XIII promover a saúde animal e a sanidade vegetal; (Inciso incluído pela Lei nº , de ) XIV promover a idoneidade dos insumos e serviços empregados na agricultura;(inciso incluído pela Lei nº , de ) XV assegurar a qualidade dos produtos de origem agropecuária, seus derivados e resíduos de valor econômico;(inciso incluído pela Lei nº , de ) XVI promover a concorrência leal entre os agentes que atuam nos setores e a proteção destes em relação a práticas desleais e a riscos de doenças e pragas exóticas no País; (Inciso incluído pela Lei nº , de ) XVII melhorar a renda e a qualidade de vida no meio rural. (Inciso incluído pela Lei nº , de )

38 Papel dos instrumentos de apoio à comercialização Assegurar a qualidade e regularidade do abastecimento interno, possibilitando o acesso regular e permanente da população brasileira a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde e que respeitem a diversidade cultural Promover, em sinergia com outros instrumentos de política pública, formas sustentáveis de produção, processamento, distribuição e consumo de alimentos e de ocupação territorial do meio rural Propiciar melhor distribuição dos resultados gerados pela atividade agrícola entre os diferentes elos da cadeia produtiva, eliminando ou reduzindo formas abusivas de intermediação mediante a criação de canais adequados de escoamento da produção

39 Contribuir para o equilíbrio oferta e demanda Sinalizar preços para o mercado, estabelecendo um sistema de preços mínimos com abrangência nacional Possibilitar a formação de estoques, visando regularizar o abastecimento e o atendimento às demandas sociais Promover a sustentação de renda ao produtor Potencializar o surgimento de circuitos locais e regionais de abastecimento Estimular a oferta organizada da produção oriunda da agricultura familiar, melhorando as condições de acesso desses produtores ao mercado e incentivando melhorias em qualidade, capilaridade e regularidade da produção Fortalecer a condições de inserção no mercado dos pequenos varejistas, garantindo sua rentabilidade e reforçando sua atuação junto aos consumidores

40 4. Perspectivas futuras e propostas de intervenção

41 Limites de intervenção Capacidade de intervenção do Estado na economia (marco regulatório) Volume de recursos orçamentários e financeiros para a implementação das políticas Resistências à formação de estoques públicos de alimentos

42 Alternativas Revitalização dos instrumentos tradicionais da PGPM Fortalecimento e ampliação do PAA Estoques governamentais Fortalecimento do sistema público de informações de mercado Apoio ao armazenamento na agricultura familiar Reforço às ações de apoio à comercialização nos assentamentos de reforma agrária Fortalecimento de circuitos locais e regionais de comercialização através de um programa integrado envolvendo pequenos investimento, capacitação, assistência técnica e PAA Apoio e proteção ao pequeno e médio empreendedor varejista (REFAP) Reestruturação do mercado de produtos hortícolas (PROHORT)

43 Papel da Conab Criação de uma subsidiária da Conab e criação de um fundo específico de pelo menos R$ 3 bilhões (R$ 2 bilhões para a agricultura patronal e R$ 1 bilhão para a agricultura familiar)

44 Conab enquanto agente de negócios no mercado externo Exportação comercial Mercado institucional Comercialização ex: PROEX (Cuba) Doaçãos (Haiti, atingidos pela Tsunami e outros)

PGPM A. EGF B. AGF C. CONTRATO DE OPÇÃO SOV COV. Aquisições via Preços Mínimos. Via Leilões

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