Palavras-chave: Informática Educativa. Ferramenta pedagógica. Formação.

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1 1 ARTE DIGITAL: O MUNDO DAS TELAS NA TELA DO COMPUTADOR Gláucio Odair Xavier de ALMEIDA Licenciado em Letras e Licenciando em computação Universidade Estadual da Paraíba/CCEA- Patos Orientadora: Rosângela de Araujo MEDEIROS Professora do curso de Licenciatura em Computação - Universidade Estadual da Paraíba/CCEA- Patos RESUMO O universo digital compõe a vida na atualidade e proporciona diversas alternativas para o trabalho pedagógico. No presente estudo, discute-se as possibilidades do uso da informática na escola. Assim, tem-se o objetivo de refletir sobre a importância do estágio supervisionado de intervenção no curso de Licenciatura em Computação, na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) Campus VII Patos. Para tanto, relata-se as atividades de intervenção desenvolvidas no laboratório de informática de uma escola pública de ensino fundamental localizada na cidade de Patos PB, explorando conteúdos de artes visuais e linguagens. Nesta experiência, percebeu-se a importância do planejamento das ações, quando organizou-se um Projeto Didático Digital, intitulado Arte e Linguagem - Nós no Mundo de Tarsila. Constatou-se também a facilidade e a motivação dos alunos ao explorar os conteúdos trabalhados utilizando o computador como ferramenta pedagógica, quando tiveram contato com formas e linguagens diversas, aproximando os alunos do mundo das artes e explorando a língua portuguesa, em um processo de ensino-aprendizagem significativo. A referida experiência possibilitou a vivência docente para o licenciando em computação, no laboratório de informática, contribuindo para sua formação, reafirmando a importância deste profissional no campo educativo e mostrando uma das muitas possibilidades de se trabalhar com esta área. Palavras-chave: Informática Educativa. Ferramenta pedagógica. Formação.

2 2 1 Considerações Iniciais O presente artigo trata do tema informática na educação e tem o objetivo de refletir sobre a importância do estágio supervisionado de intervenção no curso de Licenciatura em Computação, na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) Campus VII Patos. Para tanto, relata-se as atividades de intervenção desenvolvidas no laboratório de informática de uma escola pública de ensino fundamental localizada na cidade de Patos PB, explorando conteúdos de artes visuais e linguagens, com crianças do 2º ano do Ensino Fundamental I com idades entre 7 e 10 anos, no projeto didático intitulado Arte Digital: o mundo das telas na tela do computador. O estágio supervisionado possibilita aos licenciandos em computação o contato com problemas da comunidade escolar, inclusive as dificuldades e entraves na utilização dos laboratórios de informática, contribuindo para aquisição e aprimoramento de conhecimentos e de habilidades essenciais ao exercício profissional. Nesse sentido, permite integrar teoria e prática para construção da identidade docente (PIMENTA; LIMA, 2004), na compreensão de que a informática deve ser inserida no universo escolar, contribuindo para o processo de ensino-aprendizagem no ensino de arte, para que seja significativa e contextualizada. 2 Estágio Supervisionado e a Informática Educativa No curso de Licenciatura em Computação, o Estágio Supervisionado envolve atividades de extrema importância para a formação do futuro professor, já que propicia ao estagiário um acesso direto a sua futura área de atuação. Durante todo o período de estágio, o acadêmico pode observar como funciona a realidade e a rotina escolar, construindo um olhar reflexivo sobre os diversos desafios enfrentados na escola-campo. Além disso, pode analisar as dificuldades existentes na educação relacionadas a informática educativa, como a falta de laboratórios estruturados nas escolas, com internet de qualidade e número de máquinas compatível ao número de alunos, motivos que muitas vezes distanciam os professores do trabalho pedagógico c om as ferramentas digitais. Também por não estarem preparados em sua formação inicial. A integração com os licenciandos em computação nas atividades de estágio supervisionado realizadas no laboratório de informática pode contribuir para que os

3 3 professores da escola vislumbrem as possibilidades de trabalhar diferentes componentes curriculares e conteúdos no referido espaço, concretizando a informática educativa, para além dos entraves existentes. Estágio supervisionado também é o momento fundamental que contribui com a construção de conhecimentos técnico-didáticos do futuro professor. Este espaço possibilita uma aprendizagem significativa ao estagiário, quando pode observar, analisar e construir um olhar reflexivo sobre o cotidiano da escola-campo e a rotina docente. No caso de Licenciatura em Computação as experiências vivenciadas pelos os estagiários na escola-campo permite que percebam a grande relevância sobre o papel do licenciado em computação para que a informática educativa seja efetivada. Neste sentido, a informática aplicada na educação é um meio que transforma as práticas educativas, permitindo experimentações supervisionadas. Outro aspecto diz respeito à vivência do estágio, através do qual o estagiário enriquece sua formação e a Universidade apropria-se, a partir destas vivências, para corrigir suas trajetórias curriculares. Embora tudo isto, em teoria, seja objetivado de forma ideal, na realidade, não é bem é assim que ainda vem acontecendo, tendo em vista que [...] estabelecer tal parceria com os profissionais das escolas-campo é uma situação delicada e conflituosa na realização dos estágios, uma vez que a relação entre professores e estagiários ainda não é vista como uma situação de complementaridade, de interdependência entre os indivíduos envolvidos no processo para construção de conhecimento. (SANTOS, online). Quando os estagiários chegam à escola podem perceber a reação de alguns professores que demonstram insegurança e constrangimentos, muita das vezes por não estarem realmente preparados para explorar as ferramentas informáticas. Em outras palavras, esses professores não se sentem seguros para utilizar o laboratório e acabam desconsiderando recursos que possibilitam uma aula permeada mais pela interatividade, acesso a museus e obras de arte, tornando a aula mais construtiva e atrativa. Segundo Campos, Guimarães e Junior (Online): [...] o manuseio do computador como ferramenta educacional permite ao aluno construir e organizar seu próprio raciocínio lógico, ampliando e refletindo sobre sua aprendizagem formal e informal, a partir da utilização de softwares aplicativos (editores de texto e de gráficos, planilhas, banco de dados, calculadores numéricos), e/ou de linguagens de programação, as quais

4 4 podem auxiliar em diferentes tipos de resolução de problemas, nas mais variadas áreas do conhecimento. A relação estabelecida entre a teoria e prática está associada ao fato de que os estagiários podem verificar como se constrói um espaço de produção de conhecimento na prática pedagógica, desenvolvida no cotidiano da escola, de acordo com todos os conteúdos adquiridos na teoria durante o curso. Tais experiências vivenciadas no estágio proporcionam um ambiente rico de aprendizagens para a formação docente, sobretudo perceber a necessidade em assumir uma postura não só crítica, mas também reflexiva da prática educativa e da realidade da escola-campo. 3 A exploração da arte com recursos digitais No Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9.394/96) estabeleceu em seu artigo 26, parágrafo 2º que: O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos. A arte é um patrimônio cultural da humanidade, e todo ser humano tem direito ao acesso a esse saber. (BRASIL, 1996). De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais- PCN (BRASIL, 1997), a educação em arte propicia o desenvolvimento do pensamento artístico e da percepção estética, que caracterizam um modo próprio de ordenar e dar sentido à experiência humana: o aluno desenvolve sua sensibilidade, percepção e imaginação, tanto ao realizar formas artísticas quanto na ação de apreciar e conhecer as formas produzidas por ele e pelos colegas, pela natureza e nas diferentes culturas. (BRASIL, 1997). Porém, não há clareza por parte de muitos professores, diretores e gestores de como se planeja e operacionaliza o currículo na área de arte (IAVELBERG, online), mesmo sendo o ensino da arte de fundamental importância para o desenvolvimento cultural dos alunos. Nos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1997), sugere-se explorar a observação, a fruição da obra de arte visual, em um primeiro momento, para que os

5 5 alunos possam sentir e enxergar além dos olhos o que está diante deles, tendo a oportunidade de questionarem sobre os diferentes significados e contextos das telas que podem ser trabalhadas em sala de aula. Em seguida, a produção de releituras de formas variadas tornam o processo de ensino-aprendizagem dinâmico, voltado para a exploração cultural, a autoexpressão, a vivência da sensibilidade. Assim, muitos recursos digitais podem ser trabalhados no ensino de artes visuais. A apresentação de obras no projetor multimídia, a visita a museus virtuais, perpassando espaços locais, bem como aqueles históricos e de importância nacional e outros até mundial são algumas possibilidades. A visita a sites de artistas brasileiros, renomados ou locais, bem como a exploração de sites temáticos de pesquisa no mundo da pintura, além do trabalho com múltiplas mídias para o registro das impressões e a utilização de editores de desenho, para produção de releituras, de desenhos com interferência são outros exemplos. 4 Experiências com ferramentas digitais No estágio supervisionado II, foram realizadas oficinas durante quatro dias, efetivando o planejamento do Projeto Didático Digital Arte e Linguagem - Nós no Mundo de Tarsila. Iniciou-se o estágio supervisionado com o grupo de alunos do 2º ano participante, explicando-lhes o projeto de intervenção por meio de exibição no telão do resumo do mesmo, seguido das principais obras da artista trabalhada. Depois, as crianças criaram uma pasta e salvaram as obras pesquisadas na internet, podendo ter noções de hardware e software. Neste sentido, explorou-se conceitos de informática básica, mas em um contexto pedagógico. A pesquisa orientada foi muito importante, porque mesmo sem terem domínio avançado de acesso a internet e sites de busca (até porque alguns não tinham pleno domínio de habilidades de leitura e escrita), os alunos puderam completar suas atividades a contento, porque estavam sendo orientados e direcionados. Também porque a professora da turma acompanhou as atividades e colaborou na realização do projeto. O segundo dia de atividades tinha uma motivação especial para os estagiários, que temiam que os alunos tivessem esquecido das produções. As atividades

6 6 planejadas para aquele dia eram bem atrativas: pesquisar no site da Tarsila do Amaral informações sobre as obras trabalhadas e procurar um quebra-cabeça, disponível no site, relacionado à obra que cada um escolheu para que pudessem montar e expor suas opiniões diante delas. No dia seguinte, as crianças produziram releituras e visitaram a biografia da artista trabalhada, no programa de edição de desenho Tux Paint, disponível nos computadores da escola visitada e que compõem o pacote de softwares de propriedade livre. Finalizou-se o projeto com uma atividade de encerramento, cm entrega de alguns desenhos produzidos, que foram impressos e outros alunos apresentaram suas obras no telão, demonstrando domínio não só do manuseio do computador quanto das informações sobre a artista brasileira trabalhada. 5 Considerações Finais Vivenciar no Estágio Supervisionado II momentos de planejamento e intervenção didática representaram, de fato, espaços de aprendizagens, tal como propõe Santos (online). O que parecia difícil acabou acontecendo de forma prazerosa e envolvente para todos os participantes. Isso porque ao iniciar o projeto de intervenção, vivenciou-se a experiência de trabalhar em um laboratório de informática com muitas crianças, ávidas por aprender. Além disso, trabalhar Arte com softwares livres e sites disponíveis em qualquer computador mostrou que não é necessário investir em programas ou equipamentos caros. É preciso planejar e enxergar a arte como expressão de cultura e como componente curricular multidisciplinar, que permite o trabalho com diferentes áreas do conhecimento. Esta experiência possibilitou reflexão e, sem dúvida, elucidou a importância do planejamento e do trabalho com projetos didáticos na sala de informática, para atender as metas de ensino-aprendizagem e garantir um conhecimento contínuo e para toda a vida. Por fim, deve-se considerar que o estágio supervisionado realizado e aqui relatado atingiu as expectativas esperadas, também porque a recepção e o acolhimento na escola-campo acabou dando segurança para, mais adiante, fazer desta prática uma

7 7 contribuição na qualidade de ensino para esta, ou em outra escola e, de uma forma indireta, para a sociedade. Referências BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental Arte. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/arte.pdf>. Acesso em: 20 set BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Lei nº 9.394/96. Disponível em: <portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf>. Acesso em: 20 set CAMPOS, Kelis Estatiane de; GUIMARÃES, Tânia Maria Maciel; JUNIOR, Antônio Carlos Pereira dos Santos. Formação de Professores: Uma Experiência dos Alunos do Estágio Supervisionado do Curso de Licenciatura em Computação da Universidade do Estado do Mato Grosso - Cáceres - MT. Scientific Magazine. Disponível em: <http://www.scientificmagazine.com.br/artigos%20pdf/forma%c3%87%c3%83o %20DE%20PROFESSORES%20UMA%20EXPERI%C3%8ANCIA.pdf>. Acesso em: 11 out IAVELBERG, Rosa. O ensino da arte nas escolas do século XXI. Entrevista concedida via para o site revistapontocom. Disponível em: <http://www.revistapontocom.org.br/edicoes-anteriores-entrevistas/o-ensino-da-arte-nas -escolas-do-seculo-xxi>. Acesso em: 18 fev PIMENTA, Selma Garrido; LIMA, Maria Socorro Lucena. Estágio e docência. São Paulo: Cortez, SANTOS, Helena Maria. O estágio curricular na formação docente: diversos olhares. Disponível em: <http://28reuniao.anped.org.br/textos/gt08/gt0875int.doc.>. Acesso em 20 out

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