Novas Formas de Organização do Trabalho

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1 Novas Formas de Organização do Trabalho Nesse cenário tecnológico, os trabalhadores são organizados em um novo conceito de divisão do trabalho que compreende: a) Novas tecnologias de produção; b) Novos processos; c) Novas formas de gerenciamento. Nelas encontramos as formas de participação direta que começam pelas consultas individuais (sugestões, testes, avaliações), consultas de grupo (técnicas de resolução de problemas e propostas de solução) e delegação individual (horário móvel e escolha de tarefa). Há formas, mais avançadas, como as de elevado desempenho e que compreendem a diminuição dos níveis hierárquicos e a reestruturação dos processos de produção ou serviços. O ponto importante da participação direta é o trabalho em grupo. São formados grupos ou times, para realização das tarefas. A fragmentação do trabalho foi revista. São organizados novos formatos de tarefas, nas quais existe uma preocupação em torná-las mais completas, permitindo que o trabalhador detenha mais informação visando a sugestões para o produto, ou processo, dentro do conceito de melhoria contínua. Isso não se consegue da noite para o dia. É um longo processo. Há um aspecto muito importante em tudo isso. Os sistemas de organização do trabalho estão entre as tecnologias que o empregador pode escolher. Algumas atividades têm sua produção melhorada com mais robôs. Outras, com processos e máquinas que eliminam a qualificação. Tudo depende da opção e também do tipo de atividade. Quer dizer, é possível que certas tarefas se tornarem mais simples como apertar botões, por exemplo. Há situações nas quais o controle do processo e do próprio trabalhador fica mais rigoroso. Existem técnicas que permitem uma ocupação mais intensiva da mão-deobra, como por exemplo, a redução do tempo de preparação de máquinas ou, ainda, aumento de solicitações de trabalho por parte do processo. O objetivo maior é o ganho de produtividade. Na maioria das atividades, porém, como regra, temos sofisticação, mesmo porque a máquina é apenas parte da totalidade do trabalho. O empresário em sua opção poderá adotar sistemas mais ou menos participativos. Ele corre o risco do concorrente ser mais feliz nas opções. 1

2 A competitividade deve determinar o sistema de organização do trabalho. O grau de complexidade das atividades também influencia a participação dos empregados nos processos organizacionais. O grau de autonomia das tarefas, sua variedade, o volume de informações e a sua significância dependerão sempre do tipo de sistema organizacional adotado pela empresa. Diante disso, o posto de trabalho mudou e tudo indica que as mudanças não vão mais parar, conforme demonstram o processo de inovação e o conceito de curta maturação tecnológica. O trabalho em grupo libera a chefia que vai ocupar-se da parte estratégica. Isso decorre do fato de o grupo ter metas fixadas a cumprir. Na sua estrutura existe um coordenador ou porta-voz que substitui com vantagens a figura da chefia tradicional. A chefia tradicional, que necessitava conceitualmente de controle e comando para todos os passos do processo de trabalho, era extremamente útil no período taylorista. As novas formas de organização e divisão do trabalho dão aos trabalhadores poder de decisão sobre o que fazem, dispensando a presença do comando tradicional. O grupo trabalhando em colaboração é mais solidário e criativo. Ele discute e planeja o trabalho. Cuida do suprimento. Ocupa-se das necessidades de manutenção, da qualidade e do treinamento dos seus integrantes. Cada sugestão útil é incorporada, melhorando o processo produtivo e o produto. Mas a combinação de todos esses fatores pode contribuir para a redução de mão-de-obra. Em suma, por todos esses motivos, a reestruturação produtiva deixa claro que estamos diante de uma nova organização e divisão do trabalho na empresa e na sociedade. O antigo e o novo posto de trabalho A repercussão da reestruturação produtiva nos postos de trabalho representa uma verdadeira revolução, comparada ao formato de tarefa no conceito taylorista. O modelo taylorista de produção concebia o posto de trabalho com tarefas fragmentadas no mais alto grau. O trabalhador deveria realizar um movimento, conforme o planejamento determinou, dentro de um tempo estabelecido pela cronometragem. Esse formato possibilitava a produção em escala e em massa. O trabalhador, ao ser recrutado, conhecia o processo ou era treinado durante certo tempo para tocar o trabalho. Apenas para algumas funções mais qualificadas era exigida criatividade intelectual. Os postos de trabalho eram planejados rigidamente, cabendo apenas cumprir obedientemente a tarefa. Taylor retirou do trabalhador a função criativa. Consta que Taylor, funcionando como consultor em determinada empresa, foi abordado por um trabalhador que tinha sugestões sobre o seu próprio trabalho. Ante a tamanha insubordinação, Taylor teria respondido; O senhor é pago para trabalhar e não para pensar. Taylor é acusado de ter aumentado o grau de alienação do trabalho. 2

3 As áreas de planejamento eram encarregadas de dissecar e fragmentar as tarefas e de montar o posto de trabalho. O trabalhador que cumprisse bem o que foi estabelecido era considerado um bom profissional. O que se exigia do trabalhador era que ele fizesse a parte que lhe cabia e pronto. É interessante que a legislação dessa fase era coerente com esse formato. Tanto que não se esperava que um homem de produção fizesse manutenção de seu equipamento. O trabalhador deveria ocupar-se daquilo para o que fora contratado. Na função de pedreiro não constava que deveria carregar massa ou tijolos. Se alguma chefia desse um comando para que o pedreiro carregasse tijolos, estaria procedendo arbitrariamente, uma vez que carregar tijolos não compõe o rol de atividades de um pedreiro. O ajudante é quem carrega tijolos. Se o pedreiro não carregasse tijolos, não estaria em falta com o cumprimento de sua obrigação contratual. Fala-se o mesmo de outras funções como, por exemplo, o montador, o torneiro, o datilógrafo. Pela cabeça desses profissionais, jamais passaria a idéia de também fazer o suprimento e a manutenção dos seus equipamentos. Nem o patrão ficaria decepcionado se eles não fizessem outras coisas fora do contratado, pois, era para isso que existiam os setores de suprimento e de manutenção organizados, com pessoal disponível. A maioria das tarefas em oficinas e nos escritórios estavam estruturadas com determinada rigidez, não cabendo ao empregado contestar a organização. O novo posto de trabalho foi reestruturado e ampliado. As células de produção são verdadeiras unidades produtivas. Nelas estão reunidas diversas tarefas. A ênfase é reunir tarefas que preferentemente permitam a produção de um produto completo, ou o mais completo possível. As especialidades foram reunidas. Não há mais tarefas diretas e indiretamente ligadas à produção. Todas as tarefas são agora ligadas ao produto e estão entrelaçadas com outras voltadas ao equipamento e aos outros segmentos da cadeia de produção. No posto de trabalho não passa mais o homem da qualidade. O produto deve sair pronto para uso e aplicação. No posto de trabalho estão reunidas diversas atividades. O homem precisa estar preparado para tocar o posto. Por isso que o trabalhador precisa ser polivalente e/ou multifuncional. O posto de trabalho tem novas características, nele tudo mudou. O processo de melhoria contínua indica que não há limites para a mudança. Estudo acadêmico analisando o trabalho em grupo na FIAT de Betim/MG, empresa com mais de 24mil trabalhadores revela que nas chamadas UTEs Unidades Tecnológicas Elementares, responsáveis pela produção da fábrica, as mudanças decorrentes da reestruturação produtiva dos postos de trabalho representaram: 3

4 a) Polivalência e multifuncionalidade; b) Trabalho em grupo; c) Comunicações verticais e horizontais; d) Liderança baseada na autoridade profissional; e) Delegação do processo decisório; f) Organização e administração por processo. Polivalência e multifunção do trabalhador A polivalência consiste na possibilidade de o trabalhador realizar todas as atividades e tarefas que integram o novo conceito de posto de trabalho. O que se exige é que ele saiba fazer o requerido. Muitas vezes o empregado se torna uma espécie de artesão. Controla a tarefa desde o planejamento até a sua realização, exigindo uma super qualificação. Nem sempre isso é possível em razão da complexidade dos serviços. Nesse caso a tarefa é dividida. Quando as tarefas têm conteúdo semelhante, por exemplo, máquinas com a mesma tecnologia, o trabalhador passa a cuidar de mais de uma, funcionando como um coringa. Há empresas que alteram a denominação da função do trabalho para facilitar a sua polivalência. Estando treinado e realizando suas tarefas a contento tem empregabilidade. Atenção: empregabilidade, não garantia de emprego. Isso é importante porque as mudanças nos postos são rápidas. Seja porque o processo foi alterado, seja porque foi introduzida nova tecnologia. Poderá deixar de ser indispensável ou porque não consegue acompanhar o treinamento progressivo, ou pelo fato de a nova tecnologia introduzida dispensar a necessidade de mão de obra. Esse é o drama do trabalhador empregado na atualidade. A multifunção é muito próxima da polivalência. A diferença é sutil. A multifunção é praticamente conseqüência da polivalência. Para ser multifuncional é preciso ser polivalente. As atividades numa célula compreendem varias funções. Por exemplo, numa célula de usinagem podem estar conjugados uma retífica, um torno e uma furadeira, quando não, todas essas operações já estão numa só máquina, sob a gerência de um sistema programado, sendo que nesse caso o empregado precisa conhecer também informática. Numa situação dessas, sendo o posto assim complexo, em o trabalhador exercendo todas as atividades ali compreendidas, é ele polivalente e multifuncional. Porem é mais multifuncional que polivalente ao exercer as diferentes funções diretas ou indiretas ligadas à produção requeridas no posto de trabalho. Quando, além de realizar as tarefas mencionadas está apto a executar outras funções, como coordenador, porta-voz do grupo, facilitador, líder situacional, entre 4

5 outras habilidades e responsabilidades, esse trabalhador é certamente, além de polivalente, um autêntico multifuncional. Pelos mesmos motivos da polivalência, a multifunção também não significa empregabilidade assegurada e garantia de emprego. Pelo contrário, o medo do desemprego facilita à imposição de trabalho polivalente (qualificante ou não) nas empresas. Esses são os elementos que integram o conceito de profissional moderno para o novo posto de trabalho. Pouco importa o local de trabalho. Vale tanto para postos na produção quanto nos escritórios. Aliás, o escritório teve profundas alterações em seu layout. As mesas estão dispostas agrupadamente para facilitar o contato e a comunicação entre as pessoas. Quando não é dessa maneira, as mesas estão preparadas numa disposição adequada para o grupo de trabalho facilitando a execução das tarefas conjuntas. Com isso, economiza espaço. A multifunção e a polivalência foram intensificadas também nos escritórios. Com o uso do computador e da telemática [comunicação à distância de um conjunto de serviços fornecidos através de uma rede de telecomunicações (telefonia, satélite, cabo, fibra óptica, etc.) e da informática (computadores, periféricos, softwares e sistemas de redes), que possibilitou o processamento, a compressão, o armazenamento e a comunicação de grandes quantidades de dados entre usuários localizados em qualquer ponto do planeta] os profissionais lotados nos escritórios tiveram, como seus colegas da produção, uma ampliação significante das suas tarefas. Como conseqüência, essas mudanças também refletiram nos postos de trabalho. Desapareceram auxiliares, secretárias, datilógrafos e pessoal de apoio. Um engenheiro trabalhando com computador faz também tarefas completas. Elabora projetos, cálculos, plantas, desenhos e memoriais. Antes ele necessitava de uma equipe. Hoje, com a tecnologia disponível, ele pode trabalhar em grupo ou ser autônomo fazendo praticamente a tarefa completa. O enriquecimento profissional dos postos de trabalho e o aumento da autonomia dos trabalhadores diminuíram o peso da hierarquia, fazendo aumentar o grau de responsabilidade na execução das tarefas. A gerência, atualmente, coordena a colaboração, e é fonte de informação, não havendo mais espaço para um comando vertical do tipo disciplinar. Outra prática é a avaliação de desempenho ou análise de desempenho. As chefias sentam-se para estabelecer metas de tarefas e de desenvolvimentos a serem cumpridas dentro de um determinado período. Tudo isso é contratado por escrito. São feitas avaliações e correções necessárias. Tudo o que estamos comentando já aconteceu de algum modo ou está em andamento. O importante é que esse processo não cessará. Alcança todas as atividades dos setores de ponta da economia em todos os países. A competitividade é que vai determinar o ritmo do processo de mudança. Os postos de trabalho adquiriram outra dinâmica: são renovados com muita rapidez. 5

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