ALMEIDA GUILHERME Advogados Associados

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1 DIREITO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA AOS FILHOS MAIORES DE IDADE por Priscilla Bitar D Onofrio Sócia de Almeida Guilherme Advogados e Natalia Barbieri Bortolin Membro de Almeida Guilherme Advogados SUMÁRIO: I. Introdução; II. Alimentos; III. Alimentos aos filhos maiores de idade; IV. Requisitos para a obtenção da pensão; V. Decisões que confirmam o posicionamento; VI. Conclusão; I Introdução O presente artigo tem o escopo de discorrer sobre a possibilidade de êxito no requerimento judicial de pensão alimentícia aos filhos maiores de idade, ou mesmo continuar o recebimento de pensão após completar a maioridade e até mesmo o curso superior. É notório que, em relação aos filhos menores, os pais têm o dever de seu sustento em razão do pátrio poder que lhes é conferido. Contudo, no tocante aos filhos maiores, o direito de pensão alimentícia é restrito a algumas hipóteses, porque a obrigação não decorre mais do poder familiar, mas tão somente do vínculo de parentesco entre eles existente. O filho incapaz, ainda que maior, possui assegurado o direito de pensão alimentícia da mesma forma. Já ao filho maior é garantido auxílio dos pais em sua formação profissional, em casos de doença ou quando não possui meios de prover sua própria subsistência, conforme entendimento que será demonstrado no presente artigo. P á g i n a 1 d e 8

2 II Alimentos Inicialmente é necessário discorrer sobre o conceito de alimentos no mundo jurídico. A doutrina apresenta o termo como: alimentos são prestados para satisfação das necessidades vitais de quem não pode provê-las por si 1. A legislação brasileira traz em seu bojo duas possibilidades de prestação de alimentos, as quais podemos denominar obrigação de sustento e dever de alimentar. A obrigação de sustento vincula-se ao pátrio poder e pode ser definida como unilateral, ou seja, o genitor tem obrigação de prover o sustento dos filhos, independente de sua condição financeira até a sua maioridade. Pode-se resumir pela obrigação genérica de alimentar os filhos, transformando-se em prestação pecuniária somente quando não há possibilidade de ambos os pais conviverem sob o mesmo teto ou, ainda, quando mesmo assim convivendo um se negue a contribuir com o necessário para a sobrevivência do filho. O dever alimentar vincula-se ao parentesco e pode ser considerado recíproco, ou seja, pode ser pago pelo ascendente ao descendente,vice-versa, ou ainda à outros parentes, e será devido dependendo das possibilidades do obrigado a proporcioná-los, e só é exigível se o credor potencial estiver necessitado. Pode, ainda, durar a vida toda. III - Alimentos aos filhos maiores de idade No presente parecer defende-se o dever alimentar para os filhos maiores de dezoito anos e os maiores de idade mesmo que com formação universitária, com fundamento no artigo do atual Código Civil brasileiro. Art Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo 1 GOMES, Orlando. Direito de Família. 3ª. ed. Rio de Janeiro, Forense, P á g i n a 2 d e 8

3 compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. 1 o Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada. 2 o Os alimentos serão apenas os indispensáveis à subsistência, quando a situação de necessidade resultar de culpa de quem os pleiteia. Art O direito à prestação de alimentos é recíproco entre pais e filhos, e extensivo a todos os ascendentes, recaindo a obrigação nos mais próximos em grau, uns em falta de outros. O fundamento desta obrigação é o princípio da preservação da dignidade da pessoa humana (CF, art. 1º, III) e o da solidariedade social e familiar (CF, art. 3º), pois vem a ser um dever personalíssimo, devido pelo alimentante, em razão de parentesco, vínculo conjugal ou convencional que o liga ao alimentado. A fim de embasar o presente parecer é necessário trazer à baila os conceitos e definições de relevantes doutrinadores do Direito brasileiro. Arnaldo Rizzardo 2 para melhor definir tal conceito cita Carlos Alberto Bittar nos seguintes termos: Relacionada ao direito à vida e no aspecto da subsistência, a obrigação alimentar é um dos principais efeitos que decorrem da relação de parentesco. Maria Helena Diniz 3 aduz: Há uma tendência moderna de impor ao Estado o dever de socorrer os necessitados, através de sua política assistencial e previdenciária, mas com o objetivo de aliviar-se desse encargo, o Estado o transfere mediante lei, aos parentes daqueles que precisam de meios materiais para sobreviver, pois os laços que unem membros de uma mesma família impõem esse dever moral e jurídico. 2 RIZZARDO, Arnaldo. Direito de Família: Lei nº , de ª ed. Rio de Janeiro: Forense, DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro, volume 5: Direito de Família. 25ª ed. São Paulo: Saraiva, p P á g i n a 3 d e 8

4 No mesmo sentido Caio Mário da Silva Pereira 4 discorre: Todo indivíduo tem direito à subsistência. Primordialmente pelo trabalho, cujo exercício livre é assegurado constitucionalmente (Constituição de 1988, art. 5º, XIII), integra o desenvolvimento nacional o princípio de sua valorização como um direito social. Quem não pode prover a sua subsistência, nem por isso é deixado à própria sorte. A sociedade há de propiciar-lhe sobrevivência, através de meios ou órgãos estatais ou entidades particulares. (...) Mas o direito não descura o fato da vinculação da pessoa ao seu próprio organismo familiar. E impõe, então, aos parentes do necessitado, ou pessoa a ele ligado por um elo civil, o dever de proporcionar-lhe as condições mínimas de sobrevivência, não como favor ou generosidade, mas como obrigação judicialmente exigível. A obrigação de fornecer alimentos legítimos, a ser evocada n nessas hipóteses tem origem no Direito Romano, sendo o vínculo de solidariedade familiar, o vínculo de sangue e a lei natural seus fundamentos. Diante desses argumentos não restam dúvidas em relação à possibilidade de sucesso na obtenção da Pensão Alimentícia, necessário observar ainda as peculiaridades envolvidas nos casos concretos, eis que não existe remota probabilidade de intervenção estatal, conforme ressaltado anteriormente por Maria Helena Diniz. Isso porque, o dever de sustento é primeiro da família. E somente quando este inexistir é que será admitida intervenção estatal. Havendo incapacidade de filho é dever dos pais não só o pagamento de seu tratamento, como também de sua medicação e de tudo o que for necessário para lhe assegurar uma vida digna. A incapacidade em alguns casos, acaba por implicar também em dificuldades no ensino e na vida profissional, um fator a mais que justifica a necessidade de auxílio dos pais ou de qualquer pessoa com que mantenha um vínculo de parentesco, como preconiza o artigo do Código Civil. 4 PEREIRA, Caio Mario da Silva. Instituições do Direito Civil V. 5 Direito de Família. 17ª ed. Rio de Janeiro: Forense, p 523. P á g i n a 4 d e 8

5 Ressalta-se que, o apoio devido aos descendentes não se restringe ao quesito econômico, é de suma importância o amparo moral que os genitores devem dar aos seus filhos, principalmente diante de uma eventual incapacidade, hipótese em que, o abandono dos pais somente tende a agravar a situação do incapaz. No que tange ao auxílio ao filho maior, como já dito, ele decorre do dever de auxílio dos genitores. Em regra, atingida a maioridade, extingue-se a obrigação de alimentar, todavia, não cessa o dever de auxílio devido pelos pais aos filhos. Como expõe Arnaldo Rizzardo 5 : Todavia, surgem situações especiais doença do filho, prolongamento dos estudos, total inexistência de empregos e etc. - em que deve prosseguir a manutenção pelos pais. Cumpre, porém, ao credor que justifique a sua incapacidade de se sustentar. É orientação jurisprudencial (.). IV Requisitos para a obtenção da pensão A pensão alimentícia, em qualquer caso, deve obedecer alguns requisitos para ser concedida. No presente caso, ou seja, dever alimentar, os requisitos são: (i) Necessidade: são devidos os alimentos na hipótese do parente que os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover pelo trabalho, à própria mantença. Não importa a causa da incapacidade, seja ela devida a menoridade, ao fortuito, ao desperdício, aos maus negócios, à prodigalidade. A doutrina entende melhor que a incapacidade seja involuntária. (ii) Possibilidade: os alimentos são prestados por aquele que os forneça sem desfalque do necessário ao próprio sustento. A incapacidade relativa ou absoluta, como já explicado, na maioria das vezes, impossibilita o ensino e a vida profissional da pessoa, sendo inviável seu auto-sustento. Tal fato, por si só, já configura a necessidade de pensão alimentícia. Da mesma forma, não possuindo o filho maior meios para prover sua subsistência, 5 RIZZARDO, Arnaldo. Direito de Família: Lei nº , de ª ed. Rio de Janeiro: Forense, p. 765 P á g i n a 5 d e 8

6 ou se ainda não concluiu seus estudos, notória a necessidade de auxílio, pois não há como se manter no mercado de forma digna a garantir sua sobrevivência. Desse modo, o quantum da pensão alimentícia será fixado conforme a necessidade do alimentando e a possibilidade por parte do obrigado. Destaca-se, ainda, a possibilidade de requerer, conforme caso específico, que a pensão seja compatível com o padrão de vida do alimentando. V Decisões que confirmam a presente tese Abaixo ementas sobre o dever de alimentar e a possibilidade de requerer pensão alimentícia aos filhos maiores de idade. "OBRIGAÇÃO ALIMENTAR DECORRENTE DE PÁTRIO PODER. DEVER DE SUSTENTO. CESSAÇÃO COM A MAIORIDADE DO FILHO. 1. Aos pais é exigida pela Carta Política a mantença dos filhos, sobre os quais não pesa mais qualquer tipo de distinção discriminatória (cf. art. 229). 2. No mesmo,sentido dispõe o inciso IV do artigo 1566 do novo Código Civil, que corresponde ao inciso IV do artigo 231 do Código Civil de Os filhos, enquanto menores, podem exigir dos pais a prestação alimentícia com base no dever de sustento decorrente do pátrio poder. 4. Tendo a alimentada completado 24 anos, ultrapassou o limite fixado pela jurisprudência para a conclusão do curso superior, razão pela qual, está o alimentante exonerado do dever de sustento ao qual estava obrigado. 5. Com a maioridade, ou cessado o der familiar por qualquer outra causa, o filho pode de requerer alimentos com base na obrigação alimentar recíproca decorrente do parentesco ou do jus sanguinis, competindo ao requerente a prova da necessidade. 6. Manutenção do P á g i n a 6 d e 8

7 decisum. 7. Desprovimento do recurso. (AC , Des. Letícia Sardas, j. 12/09/2006, 8a CC). CIVIL. FAMÍLIA. ALIMENTOS. EXONERAÇÃO. MAIORIDADE. EXTINÇÃO DO PODER FAMILIAR. Somente é possível extinguir a obrigação paterna de prestar alimentos se provada a absoluta impossibilidade do alimentante ou inexistência de necessidade do alimentado. Presume-se a necessidade do alimentado que ainda freqüenta curso universitário, embora tenha atingido a maioridade, até completar 24 anos de idade. Recurso desprovido. (AC , Des. Henrique de Andrade Figueira, j. 09/08/2006, 17a CC). VI Conclusão Sendo assim, conclui-se pela possibilidade de pagamento de pensão, pelos genitores aos filhos maiores assim como aos incapazes, inclusive o mesmo poderá ser fixado com o intuito de manter o padrão de vida mantido pelo último. Ressalta-se que, a obrigação de prestar alimentos não é limitada aos genitores, como reza o artigo 1.696, do Código Civil. Esta obrigação se estende a todos os ascendentes e aos parentes mais próximos. casos concretos. Destaca-se que devem ser observados os requisitos específicos, aqui descritos, nos P á g i n a 7 d e 8

8 BIBLIOGRAFIA DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro, volume 5: Direito de Família. 25ª ed. São Paulo: Saraiva, GOMES, Orlando. Direito de Família. 3ª. ed. Rio de Janeiro, Forense, PEREIRA, Caio Mario da Silva. Instituições do Direito Civil V. 5 Direito de Família. 17ª ed. Rio de Janeiro: Forense, de Janeiro: Forense, RIZZARDO, Arnaldo. Direito de Família: Lei nº , de ª ed. Rio P á g i n a 8 d e 8

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