CONSULTORIA EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO: O PROFISSIONAL BIBLIOTECÁRIO

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1 CONSULTORIA EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO: O PROFISSIONAL BIBLIOTECÁRIO Meire Emanuela da Silva Melo/UFRN Rita de Cássia Pereira de Araújo/UFRN Willianny Stephany Coelho Pereira 1 RESUMO A crescente demanda informacional nas instituições e/ou organizações abre espaço para um novo campo de trabalho para o profissional da informação. Diante desse quadro, verificou-se a necessidade de se aprofundar sobre o tema consultoria informacional, como diferencial competitivo na perspectiva do profissional bibliotecário. Assim, o estudo aborda conceitualmente a prática da consultoria e sua importância no âmbito das Unidades de Informação (UI), expondo a utilização dos serviços prestados pelo profissional bibliotecário como ferramenta diferencial nos diversos segmentos organizacionais e/ou institucionais, visto que houve uma valorização no gerenciamento da informação a partir da concepção que a gestão aplicada, adequadamente, nos elementos intelectuais que resguardam a estrutura da organização e/ou instituição, permite melhor desempenho e lucratividade frente aos concorrentes. Objetiva apresentar um novo campo de atuação no mercado de trabalho, no qual o bibliotecário pode inserir-se. Elenca, topicamente, as características éticas que tal profissional deve aportar para obter êxito nesse novo segmento. Traz as definições de consultoria interna e externa, descrevendo como o profissional bibliotecário deve comporta-se nesses segmentos. A metodologia aplicada para efetivar a análise da prática da consultoria no âmbito biblioteconômico pauta-se sobre pesquisas bibliográficas e meios eletrônicos. Considera-se que a atual necessidade de administração das informações nas organizações e/ou instituições, mostra-se como um celeiro de opções para a atuação do bibliotecário como um consultor informacional. Palavras-chave: Consultoria informacional; Unidades de Informação; Profissional bibliotecário. 1 INTRODUÇÃO A partir do surgimento das novas tecnologias, a demanda informacional no âmbito das organizações e/ou instituições tornou-se, visivelmente, crescente. Nesta perspectiva, verifica-se a necessidade do gerenciamento adequado dessa importante ferramenta de competitividade no mercado de trabalho. Diante disso, pensou-se em desenvolver esse trabalho, a fim de esclarecer algumas duvidas sobre a Consultoria Informacional, como um novo campo de atuação do Profissional da Informação, e ainda, dar visibilidade aos âmbitos de atuação profissional que são potencialmente objeto de consultoria informacional. 1 Graduandos do 8º período do Curso de Graduação em Biblioteconomia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. s:

2 2 2 O QUE É CONSULTORIA? A consultoria ganhou destaque no início do século XX, tendo como foco o serviço de apoio e auxilio da melhor alternativa de ação num ambiente de negócios repleto de incertezas, riscos, competição e possibilidades desconhecidas, que representam para os gestores da empresa um problema complexo e de grande importância. Segundo o Institute of Mangement consultants apud Crocco (2005): O serviço prestado por uma pessoa ou grupo de pessoas, independente e qualificadas para a identificação e investigação de problemas que digam respeito a política, organização, procedimentos e métodos, de forma a recomendarem a ação adequada e proporcionarem auxilio na implementação dessas recomendações. Tal serviço constitui-se na transição do conhecimento e da experiência de um homem em prol de um objetivo humano. Nas palavras de Becker ([19--]) a consultoria em sua melhor forma é um ato de amor: o desejo de ser genuinamente útil aos outros. Usar o que sabemos, ou sentimos, ou sofremos no caminho para diminuir a carga dos outros. O setor de consultoria cresceu mundialmente e foi através de suas habilidades que motivaram as organizações a contratá-la, podendo destacar três motivos genérico, os quais, por sua vez, se desdobram em específicos e que usados isolados ou em conjunto para leva à contratação de uma consultoria. São eles: Necessidade de maior conhecimento: visto que quando uma organização contrata esse o serviço de consultoria é por que a mesma não possui o conhecimento do que precisa ou não tem como administrar a gestão do conhecimento. Falta de tempo: esse motivo refere-se a trabalhos que o consultor deverá realizar, desempenhado atividades por um curto tempo, para que a empresa possa alcançar ou se igualar a outras em seu ambiente de competitivo. Política empresarial: o consultor é contratado como observador externo imparcial, opinando sobre algum tópico importante, procura evitar ou solucionar conflitos, usa ferramentas para gerenciar uma séria crise, por meio da capitalização de credibilidade do consultor. 2.1 TIPOS DE CONSULTORIA Para a empresa definir que tipo de consultoria ira precisar é necessário saber quais os tipos que existe no mercado, levando em consideração a vantagem competitiva e porque contratar uma consultoria. O profissional consultor pode estar ou não vinculado a uma organização específica.

3 Consultoria interna É a consultoria realizada por um profissional de dentro da empresa que tem uma maior habilidade na área do problema, assim sendo, ele esta subordinado a algum tipo de hierarquia e precisa responder a seu superior, além de cumprir e observar as metas, os procedimentos e as diretrizes da empresa. Possui vantagens devido o contato diário com os procedimentos internos. Por estar inserido na cultura e nos valores da organização, o consultor interno é considerado um intérprete ou facilitador da cultura organizacional, pois desenvolve, influencia e assessora de forma consistente e articulada os clientes internos (função staff). (PESSOA, [19--?]). Por último, o consultor interno possui certo poder informal que pode facilitar seu trabalho. Possuindo como desvantagem os conhecimentos que são adquiridos de maneira teórica, não tendo oportunidade de aplicar esses novos conhecimentos em diferentes casos e empresas. Por esse mesmo motivo, o consultor interno geralmente possui menos experiência que o consultor autônomo, o qual está em constante interação com diversas outras áreas no mercado de trabalho Consultoria externa É a consultoria realizada por profissionais externos à empresa, tendo a função de contribuir para melhoria de alguma situação dentro da organização, sendo sujeito a normas, procedimento e valores definidos em contrato especialmente estabelecido para a realização de determinados trabalhos, proporcionando meios para alcançar os resultados previstos. Possui vantagens, pois estar sempre em atividade em organizações diferentes, com problemas diferentes. Uma grande vantagem de se contratar uma consultoria externa é a possibilidade de se obter uma visão diferente de alguém que não pratica os vícios da organização. (EMPRESAS, 2010). Por esse motivo, o consultor externo pode trabalhar com maior imparcialidade, tendo dos altos escalões da empresa uma maior confiança. 3 VALORES ÉTICOS O mercado de trabalho toma como um dos requisitos básicos para a manutenção e valorização de um profissional a empregabilidade por meio deste de princípios de ética. Para Ferreira (2000, p. 300) ética é [...] conjunto de normas e princípios que norteiam a boa conduta do ser humano.

4 4 Segundo Agarez (2000), a ética, quando qualificada pelo adjetivo profissão trata de um código moral, um conjunto de regras morais que devem ser respeitadas no exercício de uma determinada profissão. Dessa forma, a utilização da ética no ambiente de trabalho norteia a forma e postura adotada pelos indivíduos na prática de suas ações, dependendo da orientação a que estejam submetidos, tais indivíduos podem vir a ser considerados éticos ou não. Assim, é fato a relevância dada a ética e a sua relação para com o sucesso profissional no mercado de trabalho. No contexto profissional o comportamento ético abrange valores, dentre estes se destacam: Os valores supremos, que se encontram pautados no domínio da teoria e da técnica, por parte do profissional e o engajamento deste em aplicar o seu conhecimento em ações. Os valores básicos que consistem na qualidade intelectual obtida a partir do conhecimento adquirido na formação profissional e prática na área de atuação; O comportamento humano adotado desde aspectos físicos, a moral, a cooperação profissional e o compromisso profissional. Demais valores como; confiança, lealdade, honestidade, liderança, transparência, solidariedade, igualdade, respeito, verdade, justiça e responsabilidade. É necessário que o profissional esteja compromissado com a valorização da ética no desenvolvimento de sua profissão, como também demonstrar consciência na conduta adotada para com as relações humanas. Desse modo, a sociedade é capaz de reconhecer profissionais capacitados não apenas no saber teórico aprendido nas instituições de ensino, mas habilitados em desenvolver ações ligadas diretamente para com o público. 4 O PROFISSIONAL BIBLIOTECÁRIO E A PRÁTICA DA CONSULTORIA O Profissional Bibliotecário tem como fundamental papel ser o mediador da informação, devendo sempre preocupar-se em agregar valor à mesma. Com o surgimento das novas tecnologias, o Bibliotecário passa a desenvolver atividades antes inimagináveis, dentre estas atividades temos a Consultoria Informacional. O Bibliotecário consultor deve evitar o exagero e a poluição informacional, devendo conscientizar-se de que faz parte de suas responsabilidades, buscar as informações que seu cliente/usuário precisa, e que esta seja segura e disponibilizada oportunamente. Para Milano (2009), O bibliotecário, para prestar serviços de consultoria em gestão da informação, não basta saber onde procurar, mas também saber se a informação que está procurando pode atender a necessidade da pessoa que a solicitou, se essa informação está disponível em fonte confiável e se a autoria é verídica. O Consultor Informacional necessita ter, além de seus conhecimentos gerais (adquiridos na formação acadêmica), também conhecimentos específicos, para assim se destacar no mercado de

5 5 consultoria. É necessário que o mesmo seja simpático e bom vendedor, pois terá que convencer as organizações que seu trabalho é indispensável para o desenvolvimento da mesma. Segundo Case (1997, p.3) e Peter (1991, p.5) apud Crispim (2001), Quem trabalhar com consultoria necessita de três habilidades essenciais: habilidades técnicas; habilidades interpessoais e habilidades de consultoria. As habilidades técnicas incluem os conhecimentos específicos da área de atuação. As habilidades interpessoais se enquadram em todas as situações (saber ouvir, liderança de equipes, etc) e habilidades de consultoria dependem de cada fase do trabalho (saber vender, fazer contrato, etc). No momento da contratação o profissional da informação deve fazer suas reivindicações para que o seu trabalho seja melhor desempenhado. Para tanto é necessário que o mesmo demonstre autoconfiança (tendo ciência que ele é capaz de realizar), criatividade (tornando seu serviço mais simples e eficaz possível), dinamismo (convencendo a empresa de que ele é o profissional mais qualificado para realização do serviço) e aperfeiçoamento contínuo, não parando no tempo, procurando saber o que há de novo na sua área e em áreas correlatas. 4.1 SERVIÇO DE CONSULTORIA DESENVOLVIDO PELO BIBLIOTECÁRIO O profissional Bibliotecário, como consultor informacional, desenvolve atividades de gerenciamento de acervos/arquivos. Para desenvolver tal função é interessante que este esteja integrado aos setores da organização, seja um profissional sempre pró-ativo, e multidisciplinar, atentando sempre para qualidade e confiabilidade da mesma. Não basta para o profissional trazer até a organização as informações é também necessário que o mesmo identifique se estas são confiáveis e de qualidade. Quando se deseja uma informação de qualidade é preciso saber geri-la. Na grande maioria das vezes, o usuário não sabe exatamente o que procura, e como são muitas as fontes de informação disponíveis, cabe ao gestor estruturar a informação de modo que o usuário possa vir a usá-la da melhor maneira possível (MILANO e DAVOK, 2009, p. 253). A seguir listaremos alguns serviços, de consultoria informacional, os quais podem ser desenvolvidos pelo profissional Bibliotecário. Gestão documentária; Organização de arquivos ativos e inativos; Projeto físico para instalação de arquivos (plantas, layout, mobiliário etc.), em parceria com o profissional da área; Planejamento e implantação de arquivos, (em parceria com o profissional da área);

6 6 Informatização de arquivos, (em parceria com o profissional da área); Elaboração de tabela de temporalidade, diagnóstico, planejamento, organização e instalação de bibliotecas; Descrição catalográfica e indexação de documentos; Informatização de bibliotecas, (em parceria com o profissional da área); Projeto físico para instalação de bibliotecas (plantas, layout, mobiliário, etc.), em parceria com o profissional da área; Editoração de documentos; Elaboração de vocabulário controlado para tratamento e recuperação de informações; Normalização de documentos técnico-científicos de acordo com as normas brasileiras; Referenciação bibliográfica normalizada de acordo com a ABNT; Formação e manutenção de memórias empresariais, técnicas, científicas, culturais; Elaboração de levantamentos bibliográficos, entre outros. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Conclui-se que a utilização da consultoria em instituições e/ou organizações tornou-se uma prática constante, visto que o propósito almejado pelos serviços oferecidos por tais consultorias é prestar orientação e apoio aos seus clientes/usuários, fornecendo aos mesmos uma estrutura que permita adequar e ou melhorar os serviços que estes desenvolvem. No contexto biblioteconômico a prática da consultoria informacional mostra-se como uma extensão das atividades do profissional bibliotecário. Contudo, vale ressaltar que este deve está preparado para atuar no mercado de trabalho, não apenas munido do conhecimento acadêmico, mas também procurar aprimorar-se através de cursos de atualização e capacitação profissional buscando assim, está preparado para eventuais solicitações de seus serviços.

7 7 REFERÊNCIAS AGAREZ, Luciene Damico, PIMENTA, Sarah Tavares. O Bibliotecário. Rio de Janeiro, BECKER, Peter. Consultoria. [S.l: s.n], [19--]. CRISPIM, Adriana Calegari, JAGIELSKI, Shyrlei Karina. Consultoria e o profissional da informação: um campo em expansão. Disponível em: < revista.acbsc.org.br/index.php/racb/article/.../364. Acesso em: 17 nov CROCCO, Luciano; GUTTMANN, Erik. Consultoria empresarial. São Paulo: Saraiva, EMPRESAS Disponível em: < Acesso em 23 set FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Miniaurélio século XXI: o mini dicionário da língua portuguesa. 4. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, MILANO, Manoelle Cristine Dalri; DAVOK, Delsi Fries. Consultor de informação: serviços prestados por empresas de consultoria nas áreas de biblioteconomia e gestão da informação. Disponível em: < Acesso em: 17 nov OLIVEIRA, Djalma de Pinho Rebouças de. Manual de consultoria empresarial. 8. ed. São Paulo: Atlas, PESSOA, Gerisval Alves. O Papel do Consultor (Facilitador) Interno nas Organizações. Disponível em:< Organizacoes >. Acesso em 23 set. 2010

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