HEMATOLOGIA ºAno. 10ª Aula. Prof. Leonor Correia

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1 HEMATOLOGIA ºAno Prof. Leonor Correia 10ª Aula Hematologia 2010/2011 Tumores dos tecidos hematopoiético e linfático Classificação OMS 2008: Interesse e objectivos da classificação Neoplasias mieloproliferativas Neoplasias mieloproliferativas/mielodisplásicas Síndromes mielodisplásicas Leucemias agudas mielóides e neoplasias afins Leucemias agudas de linhagem ambígua Neoplasias linfóides,das células B,T e NK,,maduras e imaturas. Linfomas de Hodgkin Doenças linfoproliferativas associadas a imunodeficiências Neoplasias das células dendríticas e dos histiócitos Classificação FAB 1

2 Tumores do tecido hematopoiético Mecanismos básicos O termo leucemia uma designação muito ampla. A leucemia é uma neoplasia maligna (cancro) que atinge o sangue mas que tem origem na medula óssea, tendo causas desconhecidas, mas que envolvem alterações genéticas como translocações, deleções e alterações das vias apoptóticas, que conduzem a uma maior resistência das células neoplásicas Leucemia 2

3 Clinicamente e patologicamente a leucemia pode ser aguda e crónica. A leucemia aguda é caracterizada pelo crescimento rápido de células imaturas do sangue. O tratamento deve ser imediato pela rápida progressão e acumulação de células malignas que invadem a circulação periférica e outros órgãos. Geralmente ocorre em crianças, adultos e jovens. A leucemia crónica é caracterizada pelo aumento de células maduras, mas anormais. A sua progressão pode demorar de meses a anos. Geralmente ocorre em pessoas mais velhas. A combinação dessas duas classificações gera Leucemia linfocítica aguda (LLA) Leucemia linfocítica crónica (LLC) Leucemia mielóide aguda (LMA) Leucemia mielóide crónica (LMC) Leucemia FAB (French, American, British) 3

4 Leucemias agudas Falha medular. Doença progressiva com prognóstico reservado. (anemia normocrómica e normocítica. Neutropénia e trombocitopénia frequentes Clínica: palidez, astenia, febre, mal-estar, infecções osteolíticas frequentes. Massas mediastinais e adenopatias Nº de leucócitos: N, < ou > (por vezes > que 200x10 9 /l) SP : > 20% de blastos. MO: hipercelular Soro: com aumentos de ácido úrico, LDH e Ca. Fluído cerebrospinal com aumento de pressão e células leucémicas. As alterações genéticas na leucemia resultam num bloqueio de maturação e diferenciação. As células leucémicas continuam a proliferar mas não de diferenciam nem morrem por apoptose. Leucemias mieloblásticas agudas (FAB) M0 M1 M2 M3 M4 M5 M6 M7 4

5 Leucemia linfoblásticas agudas (FAB) LA com celularidade mista L1 L2 L3 Leucemia mielóide crónica Sinais clínicos Em + de 50% dos casos o diagnóstico pode ser feito no SP As LMC constituem 15 % do total das leucemias. Na maioria dos casos as LMC são cromossoma Philadelphia + Mais comum entre anos. Os doentes apresentam frequentemente, anemia, esplenomegalia e hemorragias. Alterações renais provocadas pela hiperuricémia. Quadro hematológico Leucocitose geralmente >50x10 9 L Presença sanguínea de elementos mielóides nas diferentes fases de maturação Anemia normocítica e normocrómica habitual Fosfatase alcalina leucocitária (PAL) diminuída (o que permite o diagnóstico diferencial de uma reacção leucemóide MO hipercelular 5

6 LEUCEMIA MIELÓIDE CRÓNICA LMC é caracterizada por uma fase inicial da hematopoiese clonal expandida, em que a diferenciação continuou até às células mielóides maduras. O cromossoma Philadelphia (Ph), t (9; 22), caracteriza a maioria das LMC. Isso resulta na criação de um gene quimérico BCR-ABL. A expressão de BCR-ABL afeta a expansão clonal na LMC por desregulação da proliferação celular. A diminuição da taxa de apoptose parece ser o principal mecanismo pelo qual BCR-ABL afeta expansão do clone leucémico na LMC Cr. Philadelphia LEUCOCITOSE ELEVADA COM FORMAS IMATURAS DA GRANULOPOIESE EM CIRCULAÇÃO Leucemia linfocítica crónica Linfocitose crónica e persistente. As células tumorais são maduras com expressão de Igs de superfície. É a mais comum das LLC. Com pico entre os anos, rara antes dos frequente no homem. As células tumorais acumulam-se no SP, MO e orgãos linfóides. Adenopatias, anemia e trombocitopenia frequentes. Deficiências imunológicas (neutropenia) - infecções frequentes. 6

7 SÍNDROMES MIELODISPLÁSICAS SÉRIE VERMELHA Sangue periférico Anemia, macrocitose Pontuado basófilo, Eritroblastos circulantes Medula óssea Eritropoiese macrocítica, sideroblastose SÉRIE BRANCA Neutropénia, Pelger- Huett, metamielócitos circulantes Hiperplasia mielóide com aumento de monócitos SÉRIE PLAQUETÁRIA Trombocitopénia, plaquetas dismórficas Megacarioblastos atípicos SÍNDROMES MIELODISPLÁSICAS 7

8 Linfoma de Hodgkin Neoplasma do tecido linfóide monoclonal, composto por células mononucleadas de Hodgkin e células multinucleadas de Sternberg-Reed Constituem cerca de 30% da totalidade dos linfomas As células de SR tem origem nos linfócitos B e em 50% dos casos estão associadas ao vírus de Epstein-Barr. Mais frequente no homem e entre os anos. Adenopatias cervicais (60-70%) que inicialmente surgem isoladas e depois se disseminam por todo o sistema linfático. Doença de Hodgkin Neoplasia do tecido linfóide monoclonal e composto por células mononucleadas de Hodgkin e células multinucleadas de Reed- Sternberg incluídas em infiltrados contendo uma mistura de células não neoplásicas tais como: pequenos linfócitos, eosinófilos, neutrófilos, histiócitos, plasmócitos, fibroblastos e fibras de colagénio 8

9 Linfoma de Hodgkin Classificação de Ann Harbor PET Classificação WHO Clínica Fenotípica Morfológica Genotípica Neoplasias de células precursoras L. Linfoblástico T/ LLA-T; L. Linfoblástico B/ LLA-B, Linfoma blástico NK Neoplasias de células maduras LNH B (90%); LNH T (10%) Linfomas LNH - Tumores do sistema imunitário ~ 4% neoplasias Homens Mulheres; idade; Incidência em mais de 40% nos últimos 40 anos Linfomas + frequentes L. B difuso grandes células 30 a 40% L. Folicular 20 a 30% LLC/L. Linfocítico - 5 a 7% L. Manto 5 a 8% L. Extranodais 20 a 30%, ++ estômago - (MALT 7 a 8% LNH) 9

10 Linfoma difuso de grandes células B (DLBCL) É o linfoma não Hodgkin mais comum nos adultos, nos países ocidentais São linfomas caracterizados por serem heterogénios sob ponto de vista clínico, histológico, imunofenotípico e genético Apresentam alterações genéticas em moléculas implicadas na proliferação e apoptose celulares. DLBLC Linfoma B folicular Bcl-2 Linfoma Folicular (a) Células linfóides reactivas (b) Bcl-2 - Bcl

11 SÍNDROMES LINFOPLASMOCITÁRIAS SÍNDROMES LINFOPLASMOCITÁRIAS Gamapatias policlonais e monoclonais -MGUS (gamapatia monoclonal de significado indeterminado) -infoma linfoplasmocítico Doenças das cadeias pesadas Neoplasias dos plasmócitos 11

12 Mieloma múltiplo Mieloma Múltiplo ou doença de Kahler Tumor maligno com localização predominantemente medular caracterizada pela presença de uma proliferação plasmocitária e monoclonal

13 Mielograma Citologia DIAGNÓSTICO HEMATO-ONCOLÓGICO Citogenética Biópsia osteomedular Histologia Imunofenotipagem Biologia molecular Tumores hematopoiéticos e do tecido linfóide Classificação OMS Objectivo: Definir situações reais que possam ser reconhecidas pelos patologistas clínicos, por recurso às técnicas disponíveis. Multiparamétrica Validada por estudos internacionais Altamente reprodutível Melhora a interpretação clínica Classifica de forma precisa diferentes entidades Permite o conhecimento das bases moleculares das neoplasias. É revista periodicamente 13

14 Tumores hematopoiéticos e do tecido linfóide Classificação OMS Critérios Morfológicos Sempre importante. Muitas patologias têm morfologias características Imunofenotípicos Usados na rotina para distinguir patologias malignas de não malignas e determinar a linhagem das células neoplásicas. Genéticos Algumas neoplasias têm anomalias genéticas específicas que permitem os seus diagnósticos. Outras não têm alterações específicas Clínicos Algumas situações requerem o conhecimento da história clínica para o diagnóstico

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