CONTRIBUIÇÕES REFERENTES À CONSULTA PÚBLICA Nº 012/2010 NOME DA INSTITUIÇÃO:

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1 CONTRIBUIÇÕES REFERENTES À CONSULTA PÚBLICA Nº 012/2010 NOME DA INSTITUIÇÃO: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE GRANDES CONSUMIDORES INDUSTRIAIS DE ENERGIA E DE CONSUMIDORES LIVRES ABRACE AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA ANEEL ATO REGULATÓRIO: Consulta Pública nº 012/2010 OBJETO: Obter subsídios e informações adicionais sobre a terceira parte da proposta de alteração da metodologia de definição da estrutura tarifária aplicada ao setor de distribuição de energia elétrica no Brasil referente ao tema de estudo II - Uso da Rede. A Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres ABRACE apresenta a seguir suas contribuições à proposta de metodologia de estimação dos custos marginais de expansão das redes de distribuição de energia elétrica. Utilização de Valores Padrão de Custo Incremental Médio de Longo Prazo (CIMLP) Os parágrafos 20 e 21 informam que embora determinado pela Resolução ANEEL nº 594, de 21 de dezembro de 2001, a ANEEL não obteve sucesso em calcular o CIMLP para cada concessionária de distribuição, em virtude da grande variedade de custos encontrados a partir dos planos de expansão apresentados pelas concessionárias. Devido à incerteza dos resultados obtidos e ao significativo impacto tarifário que poderia advir da utilização de alguns dos CIMLP calculados, a ANEEL optou por utilizar valores padrão médios de CIMLP. Desde então, esses CIMLP têm sido 1

2 utilizados como valor de referência dos custos marginais de expansão das redes de distribuição para todas as distribuidoras do Brasil. A ABRACE entende que a utilização de valores médios para todo o país mascara as diferenças e particularidades de utilização da rede e a assimetria das estruturas operacionais entre as distribuidoras. Da mesma forma, no parágrafo 25, a NT comenta que a utilização dos CIMLP únicos para todas as distribuidoras pode fazer com que a estrutura tarifária resultante provoque a existência de subsídios cruzados entre os diferentes grupos tarifários, reduzindo a eficiência de alocação dos custos. A existência desses subsídios, embora não explicitamente demonstrada pela ANEEL, pode ser percebida pelo comportamento dos consumidores que estão sendo induzidos a uma utilização nãoótima dos sistemas de distribuição como, por exemplo, na busca por conexão direta dos consumidores A2 à Rede Básica. Quando realizada por razões não técnicas, esta migração requer investimentos por parte do consumidor e resulta em ativos ociosos no sistema de distribuição, o que caracteriza um resultado econômico não-otimizado. A correta alocação dos custos entre os postos tarifários bem como sua atualização constante é de fundamental importância. Em 2008, durante os processos da segunda revisão tarifária das distribuidoras, a ABRACE apresentou diversas contribuições no sentido de que a atual estrutura tarifária impacta indevidamente os agentes com unidades conectadas às redes de alta tensão. Como exemplo, em 23/08/2007, a ABRACE teve a oportunidade de apresentar ao Grupo de Estrutura Tarifária desta Agência, um estudo indicando que as tarifas de CEMIG D estavam aproximadamente 30 % (trinta por cento) acima do que seriam as tarifas calculadas para o nível A2 a partir de metodologia nodal. Destaque-se também outro estudo encaminhado à Agência por meio de Nota Técnica da Associação, datada de junho de 2008, em que foram apurados os custos de O&M e de Faturamento atribuídos aos consumidores nos diferentes níveis de tensão. A referida Nota Técnica evidencia que os valores correspondentes cobrados nas tarifas dos consumidores da alta tensão são muito superiores aos custos apurados, caracterizando assim, a distorção da estrutura tarifária atual. 2

3 Cálculo dos Custos Médios das Redes de Distribuição de Energia Elétrica a) Proposição da Unificação dos Subgrupos Tarifários A4 e A3a A ABRACE entende que o impacto dessa unificação para os consumidores não foi devidamente apresentado para que os mesmos possam se posicionar. Como exemplo, uma vez que os custos dos níveis tarifários individualizados por distribuidora não podem ser visualizados, não há como inferir se o resultado da fusão do A4 e do A3a, para algumas distribuidoras, resulta em um valor otimizado para o consumidor. É muito provável que os consumidores atendidos no subgrupo A3a deverão apresentar um incremento na sua tarifa. Ao mesmo tempo, dependendo da estrutura da concessionária, pode ocorrer que mesmo o subgrupo A4 apresente crescimento na tarifa. Ou seja, a aplicação do valor médio pode gerar o efeito de diluir distorções existentes na estrutura tarifária de uma determinada concessionária. b) Rateio da Capacidade Instalada dos Transformadores entre Rede Urbana e Rede Rural No parágrafo 114, a NT propõe o rateio das redes de 70% para a rede urbana e 30% para a rede rural, sem, no entanto, justificar a proporção sugerida. A ABRACE acredita que a ANEEL deveria esclarecer o porquê dessa arbitragem de rateio e qual o impacto tarifário quando o valor real de uma distribuidora for discrepante do arbitrado. c) Rateio dos Custos das Redes entre Baixa Tensão e Média Tensão No parágrafo 115, a NT propõe o rateio do comprimento das redes em 2/3 para os segmentos de Baixa Tensão e 1/3 para os de Média Tensão. Da mesma forma que no item anterior, uma vez que a intenção das alterações propostas é eliminar, até onde possível, a incerteza dos dados utilizados no cálculo dos custos de expansão, o rateio arbitrário não se justifica, já que a divisão correta do tamanho das redes é uma informação disponível na Empresa de Referência. Esse entendimento parece refletir o exposto no parágrafo 147, o qual menciona que o rateio das redes será feito por meio de percentuais calculados através dos dados utilizados no modelo de Empresa de Referência. Mesmo que esse modelo não seja mais utilizado no terceiro ciclo de 3

4 revisões tarifárias, como propõe a audiência pública 040/2010, o levantamento das redes de cada uma das distribuidoras já foi realizado e, portanto, a mesma proporção pode ser empregada sob outras circunstâncias, como é o caso da estrutura tarifária. A ABRACE solicita que o regulador deixe claro qual a metodologia a ser utilizada. d) Cálculo das Energias Totais No parágrafo 116 é importante que seja esclarecido qual ano será utilizado para o cálculo das energias totais que transitam nos níveis A4 e BT. e) Fatores de Perdas No parágrafo 118 foi considerado que as redes BT urbanas apresentam um nível três vezes maior de perdas do que as redes rurais. Não há qualquer indicação na NT sobre o critério considerado para chegar a esse multiplicador. Mais adiante, no mesmo parágrafo, a NT afirma que serão utilizados os fatores 1,1 e 1,2 para as redes urbanas e rurais do nível A4, respectivamente. O texto que indica perdas para as redes urbanas A4 duas vezes maiores do que perdas das redes rurais está em desacordo com o multiplicador indicado. Essa discrepância deve ser esclarecida, bem como o critério utilizado para calcular essa diferença. A ABRACE questiona a metodologia proposta que considera valores estimados (não justificados na NT) do rateio da capacidade de transformação dos transformadores e do rateio do comprimento das redes de baixa e média tensões em urbanas e rurais. Como decorrência natural, o cálculo das perdas acaba sendo também estimado sem qualquer justificativa na presente NT. A multiplicação de dados estimados sem que haja uma justificativa plausível pode levar a uma propagação de erros que será totalmente contrária ao espírito desejado de aumentar a transparência das informações e a confiabilidade da metodologia. 4

5 f) Custos Unitários dos Agregados de Equipamentos das Linhas e Redes da Distribuidora No parágrafo 122 a NT estabelece que Nos itens 29 a 36 da Tabela 2 são informados os valores dos custos unitários dos agregados de equipamentos das linhas e redes da distribuidora. Estes agregados correspondem aos módulos básicos de componentes utilizados neste trabalho para valorar alimentadores, linhas de transmissão e equipamentos de subestação pertencentes aos subgrupos tarifários A4 e B que compõem as redes elétricas das concessionárias de distribuição. No parágrafo 123 são indicados os itens que devem ser considerados nos cálculos dos valores dos custos unitários dos agregados de equipamentos dos subgrupos tarifários A4 e B. Sobre este aspecto questiona-se: Como serão estimados os valores dos custos unitários destes agregados? Qual a fonte ou banco de dados que será utilizado? Serão custos médios para todo o país ou por distribuidora? A ABRACE considera de fundamental importância que a metodologia que será utilizada para esse cálculo seja claramente indicada pela ANEEL, uma vez que a mesma pode levar à perpetuação das distorções existentes atualmente caso não seja apresentada e amplamente discutida. O parágrafo 124 não fornece esclarecimentos sobre a metodologia e o critério que será utilizado, bem como afirma que será adotado um valor padrão de 5% para a taxa de O&M. Porém não foi informado o critério para a adoção desse valor ou indicada a fonte em que se baseou a adoção desse percentual. Entende-se que o modelo de Empresa de Referência utilizado no segundo ciclo de revisões tarifárias, ainda que deixe de ser usado no terceiro ciclo, possui detalhamento suficiente para o cálculo desses percentuais, que podem ser distintos para cada distribuidora. Ainda, no parágrafo 136, é indicado que as redes e transformações associadas aos subgrupos tarifários A2, A3 e A4 serão valoradas pelos custos unitários dos agregados de equipamentos e deverão ser informados considerando uma série de itens relacionados na NT. Sobre tal proposição pergunta-se: Quem deverá informar esses dados? Com base em que critérios? 5

6 g) Metodologia para Estimação dos Custos Marginais de Expansão No parágrafo 107 justifica-se que para a proposta de metodologia para estimação dos custos marginais de expansão através do cálculo dos custos médios das redes de distribuição, o método permite que o cálculo seja feito com base no uso de dados que, em sua maioria, já são utilizados em outras etapas do processo de revisão tarifária. Assim, a ABRACE destaca a importância de se indicar claramente as fontes dos dados que serão utilizados e até que ponto já estão compilados e tratados, ou ainda serão produzidos e por quais entidades. O parágrafo 141 destaca a observação de que transformadores com baixo carregamento podem apresentar custos médios elevados fazendo com que a sinalização econômica seja contrária à teoria marginalista, encarecendo as redes que operam no vazio e reduzindo ainda mais a sua utilização. De forma a evitar essa situação, fixou-se um carregamento mínimo das transformações, estabelecendo a relação MVA/MW em 1,7, isto é, um carregamento médio de 59%. Embora concorde que o sinal econômico possa ser contrário ao pretendido, a ABRACE questiona se tal procedimento não estaria distorcendo a realidade de um dimensionamento não adequado da rede, o qual não se apresenta favorável para a distribuidora. Adicionalmente, qual é o embasamento para a obtenção do valor de 1,7 e, consequentemente, de 59% para a relação MVA/MW e carregamento médio, respectivamente? Considerações Finais: A ABRACE acredita que é muito bem vinda e oportuna a discussão sobre a estrutura tarifária e acredita que as proposições estão sendo feitas no sentido de melhorar a transparência do processo e aumentar a eficiência alocativa dos sistemas de distribuição. É importante ressaltar, no entanto, que as contribuições dos agentes e dos consumidores, em particular, poderiam se beneficiar da apresentação comparativa entre os dois métodos, partindo de uma atualização do CIMLP para que as bases fossem comparáveis. 6

7 Conceitualmente, a aproximação do custo marginal com o custo médio ocorre em condições de ganhos constantes de escala e uma das possíveis razões para esta situação é o fato do setor estar operando próximo da sua capacidade instalada. Dessa forma, os custos associados a acréscimos de demanda (carga) - mensurados pelo custo médio - apresentariam resultados próximos daqueles obtidos pela metodologia do custo marginal, com a vantagem de serem melhor reprodutíveis, utilizarem dados disponíveis e reduzirem a assimetria de informações. No entanto, a confiabilidade da metodologia firma-se nos dados que serão utilizados para mensurar os custos unitários médios. Enfim, a ABRACE não é contrária à proposta da ANEEL em se utilizar os custos médios. Porém, reforça seu entendimento quanto à importância de uma apresentação mais detalhada da metodologia, por parte do regulador, para obtenção dos dados referentes aos custos de aquisição das distribuidoras para que os agentes interessados possam realizar a validação dos custos médios calculados. 7

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