PADRÃO DE RESPOSTA DA PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL MEMORIAIS/MEMORIAIS DEFENSÓRIOS/MEMORIAIS FINAIS

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1 PROVA SIMULADA OAB - DIREITO PENAL PADRÃO DE RESPOSTA DA PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL MEMORIAIS/MEMORIAIS DEFENSÓRIOS/MEMORIAIS FINAIS Peça - MEMORIAIS, com fundamento no art. 403, 3o, do Código de Processo Penal. Endereçamento - EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA DO TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA Preliminares - Indicação da preliminar de ausência de justa causa para o exercício da ação, nos moldes do art. 395, III do Código de Processo Penal. - Indicação da preliminar de nulidade constante no artigo 564, inciso IV pois houve inversão no interrogatório do réu, havendo desarmonia com o que dispõe o art. 400 do CPP. Aduzir, no caso da nulidade relativa, grave prejuízo ao ora acusado, pois infringiu o devido processo legal, e sobremaneira à ampla defesa. Mérito - Desenvolvimento fundamentado de que o agente não cometeu o crime (negativa de autoria), conforme comprovação nos autos do processo. - Reafirmar as preliminares arguidas, e no tocante à nulidade, ressaltar a desarmonia com o que dispõe o art. 400 do CPP. Aduzir grave prejuízo ao ora acusado; pois, agindo o Magistrado daquela forma, infringiu-se o devido processo legal e, sobremaneira, a ampla defesa. Pedido - Absolvição sumária, com fundamento no art. 415, II, do Código de Processo Penal, por estar provado não ser ele o autor ou partícipe do fato.

2 _ Ou caso o Julgador entenda de forma diversa, o reconhecimento da preliminar arguida de nulidade, possibilitando a realização de novo interrogatório do réu. DISTRIBUIÇÃO DE PONTOS: Item Estrutura correta (divisão das partes / indicação de local, data, assinatura). Indicação correta do prazo e dispositivos legais que dão ensejo à peça (art. 403, 3º, do CPP). Endereçamento correto da interposição Vara do Tribunal do Júri. Pontuação 0 / 0,50 0 / 0,50 0 / 0,50 Arguição das preliminares: Ausência de Justa Causa e Nulidade 0 / 0,2 / 0,8 / 1,0 /1,5 Desenvolvimento jurídico acerca da negativa de autoria e reafirmação das preliminares 0 / 0,4 / 0,6 / 1,0 / Pedido: Absolvição + argumento + base legal. 0 / 0,5 Pedido subsidiário de nulidade 0 / 0,5

3 SITUAÇÃO PROBLEMA Questão 1 Hugo é inimigo de longa data de José e há muitos anos deseja matá-lo. Para conseguir seu intento, Hugo induz o próprio José a matar Luiz, afirmando falsamente que Luiz estava se insinuando para a esposa de José. Ocorre que Hugo sabia que Luiz é pessoa de pouca paciência e que sempre anda armado. Cego de ódio, José espera Luiz sair do trabalho e, ao vê-lo, corre em direção dele com um facão em punho, mirando na altura da cabeça. Luiz, assustado e sem saber o motivo daquela injusta agressão, rapidamente saca sua arma e atira justamente no coração de José, que morre instantaneamente. Instaurado inquérito policial para apurar as circunstâncias da morte de José, ao final das investigações, o Ministério Público formou sua opinião no seguinte sentido: Luiz deve responder pelo excesso doloso em sua conduta, ou seja, deve responder por homicídio doloso; Hugo por sua vez, deve responder como partícipe de tal homicídio. A denúncia foi oferecida e recebida. Considerando que você é o advogado de Hugo e Luiz, responda: a) Qual peça deverá ser oferecida, em que prazo e endereçada a quem? (Valor: 0,3) b) Qual a tese defensiva aplicável a Luiz? (Valor: 0,5) c) Qual a tese defensiva aplicável a Hugo? (Valor: 0,45) (Disponibilizar 30 linhas para resposta). Padrão de Resposta a) Resposta à acusação, no prazo de 10 dias (art. 406 do CPP), endereçada ao juiz presidente do Tribunal do Júri, ou Habeas Corpus para extinção da ação

4 penal; ação penal autônoma de impugnação que não possui prazo determinado; endereçado ao Tribunal de Justiça Estadual. b) A tese defensiva aplicada a Luiz é a da legítima defesa real, instituto previsto no art. 25 do CP, cuja natureza é de causa excludente de ilicitude. Não houve excesso, pois a conduta de José (que mirava com o facão na cabeça do Luiz) configurava injusta agressão e claramente atentava contra a vida de Luiz. c) Hugo não praticou fato típico, pois, de acordo com a Teoria da Acessoriedade Limitada, o partícipe somente poderá ser punido se o agente praticar conduta típica e ilícita, o que não foi o caso, já que Luiz agiu amparado por uma causa excludente de ilicitude, qual seja, legítima defesa (art. 25 do CP), ou, não havia liame subjetivo entre Hugo e Luiz, requisito essencial ao concurso de pessoas, razão pela qual Hugo não poderia ser considerado partícipe. Distribuição dos Pontos: Item a) Resposta à acusação (0,1), no prazo de 10 dias (art. 406 do CPP) (0,1), endereçada ao Juiz da Vara Criminal / do Júri (0,1), ou, Habeas Corpus para extinção da ação penal (0,1); que não possui prazo determinado (0,1); endereçado ao Tribunal de Justiça (0,1). b) Legítima defesa (0,3). Não houve excesso, pois a conduta de José configurava injusta agressão e atentava contra a vida de Luiz (ou fundamentação jurídica da legítima defesa) (0,2). Obs.: A mera indicação de artigo não é pontuada. c) Não praticou crime (0,2), pois, de acordo com a Teoria da Acessoriedade Limitada, o partícipe somente poderá ser punido se o agente praticar conduta típica e ilícita, o que não foi o caso, já que Luiz agiu amparado por uma causa excludente de ilicitude (0,25), ou, não havia liame subjetivo entre Hugo e Luiz (0,2), razão pela qual Hugo Pontuação 0 / 0,1 / 0,2 / 0,3 0 / 0,2 / 0,3 / 0,5 0 / 0,2 / 0,25 / 0,45

5 não poderia ser considerado partícipe (0,25). Questão 2 Maria, jovem extremamente possessiva, comparece ao local em que Jorge, seu namorado, exerce o cargo de auxiliar administrativo e abre uma carta lacrada que havia sobre a mesa do rapaz. Ao ler o conteúdo, descobre que Jorge se apropriara de R$ 4.000,00 (quatro mil reais), que recebera da empresa em que trabalhava para efetuar um pagamento, mas utilizara tal quantia para comprar uma joia para uma moça chamada Júlia. Absolutamente transtornada, Maria entrega a correspondência aos patrões de Jorge. Com base no relatado acima, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso. a) Jorge praticou crime? Em caso positivo, qual(is)? (Valor: 0,35) b) Se o Ministério Público oferecesse denúncia com base exclusivamente na correspondência aberta por Maria, o que você, na qualidade de advogado de Jorge, alegaria? (Valor: 0,9) (Disponibilizar 30 linhas para resposta). Padrão de Resposta a) Sim. Apropriação indébita qualificada (ou majorada) em razão do ofício, prevista no art. 168, parágrafo 1º, III do CP. b) Falta de justa causa para a instauração de ação penal, já que a denúncia se encontra lastreada exclusivamente em uma prova ilícita, porquanto decorrente de violação a uma norma de direito material (artigo 151 do CP).

6 Distribuição de Pontos: Item a) Sim. / Apropriação indébita qualificada (ou majorada) em razão do ofício, (0,2) / art. 168, 1º, III, do CP (0,15). b) Falta de justa causa para a instauração de ação penal, (0,3) / já que a denúncia se encontra lastreada exclusivamente em uma prova ilícita, (0,3)/ porquanto decorrente de violação a uma norma de direito material (art. 151 do CP OU art. 395, III, do CPP OU art. 5º, XII e LVI, da CRFB) (0,3). Pontuação 0 / 0,15 / 0,2 / 0,35 0 / 0,3 / 0,6 / 0,9 Questão 3 O Ministério Público, tomando conhecimento da prática de falta grave no curso de execução penal, pugna pela interrupção da contagem do prazo para efeitos de concessão do benefício do livramento condicional, fundamentando seu pleito em interpretação sistemática do Art. 83, do CP, e dos artigos 112 e 118, I, ambos da Lei n /84. Levando em conta apenas os dados contidos no enunciado, com base nos princípios do processo penal e no entendimento mais recente dos Tribunais Superiores, responda à seguinte questão: O Ministério Público está com a razão? (Valor: 1,25) Padrão de Resposta

7 A questão objetiva do examinando demonstração de conhecimento acerca de institutos relativos à execução penal, bem como de entendimento jurisprudencialmente consolidado acerca do tema. Com efeito, existe jurisprudência no sentido de que o cometimento de falta grave interrompe o prazo de concessão do benefício de progressão de regime. Todavia, tal situação (progressão de regime) é diversa daquela narrada na questão, que trata de instituto distinto, qual seja, o livramento condicional. Nesse sentido, a resposta do examinando deve ser dividida em duas alegações complementares: partindo-se da premissa que o art. 83 do CP não prevê a interrupção do prazo se cometida falta grave, é forçoso reconhecer a total ausência de previsão legal. Aliás, é pacífico o entendimento, tanto na doutrina quanto na jurisprudência, no sentido de que o cometimento de falta grave, por falta de previsão legal, não interrompe o prazo para aquisição do benefício do livramento condicional, o que se subsume, inclusive, pelo teor do Verbete 441 da Súmula do STJ, in verbis: A falta grave não interrompe o prazo para obtenção de livramento condicional. Por fim, levando-se em conta o comando da questão, o examinando deve concluir seu raciocínio acerca da impossibilidade do pleito Ministerial com base em institutos principiológicos. Nesse sentido, cabe ressaltar que a alegação do Ministério Público configura ofensa ao princípio da legalidade; ofende, outrossim, a vedação de dupla punição (princípio do ne bis in idem). Ressalte-se que com a finalidade de privilegiar a demonstração de conhecimento jurídico também poderá ser aceito desenvolvimento no sentido de que o objetivado pelo Parquet permitiria, em última análise, analogia in malam partem, o que também é vedado pelo Direito Penal, tendo em vista o já mencionado princípio da legalidade.

8 Distribuição dos Pontos: Item A1) Não, por falta de previsão legal (0,85), OU; Não, porque o art. 83 do CP não prevê tal possibilidade (0,85), OU; Não, com base no Verbete 441 da Súmula do STJ, verbis: A falta grave não interrompe o prazo para obtenção de livramento condicional (0,85). OBS.: A mera indicação ou reprodução literal de dispositivo legal ou verbete sumular impede a atribuição de pontos. A2) Admitir tal possibilidade seria ferir o princípio da legalidade (0,40), OU; Admitir tal possibilidade seria ferir o princípio do ne bis in idem (0,40), OU; Admitir tal possibilidade seria permitir analogia in malam partem, o que é vedado em Direito Penal (0,40). Pontuação 0,00/0,85 0,00/0,40 Questão 4 Em determinada ação fiscal procedida pela Receita Federal, ficou constatado que Lucile não fez constar quaisquer rendimentos nas declarações apresentadas pela sua empresa nos anos de 2009, 2010 e 2011, omitindo operações em documentos e livros exigidos pela lei fiscal.

9 Iniciado processo administrativo de lançamento, mas antes de seu término, o Ministério Público entendeu por bem oferecer denúncia contra Lucile pela prática do delito descrito no art. 1º, inciso II da Lei n /90, combinado com o art. 71 do Código Penal. A inicial acusatória foi recebida e a defesa intimada a apresentar resposta à acusação. Padrão de Resposta O examinando deverá desenvolver raciocínio acerca da atipicidade do fato, eis que, conforme entendimento pacificado no STF, não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei n /90, antes do lançamento definitivo do tributo (verbete 24 da Súmula Vinculante do STF). Diante da inexistência de crime, em sede de resposta à acusação, deve-se alegar hipótese de absolvição sumária, conforme art. 397, III do CPP. Por fim, cumpre destacar que em virtude de o enunciado da questão ser expresso ao exigir fundamentação na resposta, a mera transcrição da referida Súmula (seja de forma direta, seja de forma indireta, dos termos da frase), bem como a mera indicação do art. 397 do CPP, não autorizam a pontuação integral. Distribuição dos Pontos: Item Pontuação A1) O fato é atípico (0,40), nos termos da súmula vinculante 24 do STF (0,40), OU; o fato é atípico (0,40), pois não se tipifica o crime do art. 1ª, incisos I a IV, da 0,00/0,40/0,80 Lei n /90, antes do lançamento definitivo do tributo (0,40). OBS.: A mera reprodução do texto da Súmula Vinculante 24 do STF não permite pontuação integral. A2) Absolvição (0,20), OU; absolvição sumária (0,45), OU; absolvição nos termos do art. 397, III do CPP 0,00/0,20/0,45

10 (0,45). OBS.: A mera indicação do dispositivo legal não pontua.

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