PREVALÊNCIA DE EXCESSO DE PESO EM IDOSOS HIPERTENSOS E DIABÉTICOS CADASTRADOS NO SISTEMA HIPERDIA NO MUNICÍPIO DE CASCAVEL/PR

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1 1 PREVALÊNCIA DE EXCESSO DE PESO EM IDOSOS HIPERTENSOS E DIABÉTICOS CADASTRADOS NO SISTEMA HIPERDIA NO MUNICÍPIO DE CASCAVEL/PR VOLKMANN, Valdineis P. 1 RUIZ, Fabiana S. 2 RESUMO O excesso de peso é considerado uma alteração do estado nutricional, caracterizado pelo sedentarismo e a ingestão elevada de alimentos energéticos. É de fundamental importância investigar e combater as causas da obesidade, pois é a terceira doença de caráter nutricional no Brasil, superada apenas pela anemia e desnutrição. O objetivo deste estudo foi identificar a prevalência de excesso de peso em idosos diabéticos e hipertensos cadastrados no Sistema Hiperdia, no município de Cascavel/Pr. Para avaliação do estado nutricional utilizou-se o peso e a altura de 92 idosos e o Índice de Massa Corpórea (IMC), seguindo os pontos de corte propostos pelo Ministério da Saúde. Os resultados obtidos confirmaram a prevalência de excesso de peso, visto que o percentual encontrado foi de 71,74%. Por esse motivo, a intervenção nutricional é necessária, pois indivíduos com certos graus de obesidade têm maiores riscos de danos à saúde, além de favorecer o aumento da prevalência de doenças crônicas não transmissíveis. Palavras-chave: Excesso de Peso; Idosos; Estado Nutricional. INTRODUÇÃO Segundo dados do IBGE (2002), a proporção de idosos no Brasil está crescendo mais rápido que a de crianças. O contingente de pessoas com idade de 60 anos ou mais atinge quase 15 milhões. Este número equivale a 8,6% de toda 1 Graduanda do Curso de Nutrição da Faculdade Assis Gurgacz (FAG). ² Docente do Curso de Nutrição da Faculdade Assis Gurgacz (FAG).

2 2 população brasileira, sendo provocado pela redução na taxa de fecundidade e o aumento na qualidade de vida. O grupo com 75 anos ou mais teve maior crescimento, na faixa de 49,3 %, nos últimos 10 anos. Cabe ainda destacar a importância da mulher (62 % do total de idosos do Brasil), cujo papel está diretamente ligado à qualidade de vida dos lares. A qualidade de vida dos idosos pode estar relacionada a diversas variáveis, como bem-estar, felicidade, realização pessoal e saúde (VECCHIA, 2005). Os idosos possuem hábitos alimentares fortemente ligados ao estado nutricional, com isso, desencadeia-se uma complexa rede de fatores associados às doenças de risco, sendo a maioria delas desenvolvidas na terceira idade (OLIVEIRA, 2006). Considerada um dos principais fatores de risco que influenciam diretamente o estado de saúde de um indivíduo, a obesidade é uma doença crônica não transmissível que acarreta inúmeros prejuízos diretos e indiretos à saúde. Atingindo tanto ricos quanto pobres, e vem se agravando devido ao perfil urbano da população, redução da atividade física, mudanças nos padrões de alimentação e, é claro, ao envelhecimento populacional. É uma das principais causas de problemas de saúde na população idosa, sendo proporcionalmente maior em famílias de baixa renda, que são as que mais dependem de políticas públicas. Tais políticas até pouco tempo preocupavam-se somente com a desnutrição, isto é, atacava-se o oposto do problema (PINHEIRO, FREITAS E CORSO, 2004). A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada através de questionários investigativos, verificou como a obesidade na população adulta vem se manifestando e relevou que não há diferenças entre homens e mulheres. A

3 3 obesidade é um fator de risco muito importante para o desenvolvimento de doenças, consequentemente um sério agravante da saúde pública (IBGE, 2002). Dentre as doenças que podem ser ocasionadas pela obesidade ou consideradas conseqüentes do processo de envelhecimento corporal, destacam-se a Hipertensão e o Diabetes mellitus. Para Freitas (2002), a Hipertensão é um dos agravantes de maior risco, que está presente em mais de 60% da população idosa. Nessa faixa etária, pode estar associada a várias outras doenças, onde o risco de mortalidade cardiovascular fica ainda muito mais alto. De acordo com Troncon et al (2001), o Diabetes Mellitus é uma doença de grande importância para a saúde pública, por ser considerada uma das maiores causas de morbimortalidade na população brasileira. Diagnosticada como metabólica crônica que afeta vários órgãos. Com o objetivo de reduzir a morbimortalidade associada a doenças crônicas degenerativas, o Ministério da Saúde lançou o Hiperdia, que é um sistema de cadastro realizado nas Unidades Básicas de Saúde, a fim de acompanhar os diabéticos e hipertensos, mensalmente. Este programa promove reuniões, orientações e fornecimento de medicamentos gratuitamente, com intuito de promover e proteger a saúde da população (DATASUS, 2005). Considerado um instrumento de grande importância, a avaliação nutricional é um excelente indicador de qualidade de vida. Quando ela é avaliada de maneira adequada, expressa um diagnóstico antropométrico e possibilita verificar se há risco nutricional em um indivíduo (MELLO, 2002). Segundo Kamimura et al (2005), os dados antropométricos são fundamentais para conhecer a saúde tanto individualmente quanto coletivamente. A antropometria pode ser efetuada através do Índice de Massa Corporal (IMC), por ser

4 4 de fácil aplicação, baixo custo e não evasivo. O IMC é calculado através do peso atual e estatura ao quadrado, considerando os pontos de corte de acordo com a faixa etária do indivíduo. Entretanto, Deurenberg et al (1989) preconiza que para idosos o IMC seja adaptado, indicando assim um percentual de gordura corporal muito maior do que para indivíduos jovens. Neste contexto, este trabalho de pesquisa teve como principal objetivo verificar a prevalência de excesso de peso em idosos hipertensos e diabéticos cadastrados no Hiperdia, visto que a obesidade é um problema crescente de saúde pública vivido nos dias atuais. METODOLOGIA Trata-se de um estudo transversal, realizado com 118 idosos na faixa etária entre 60 e 80 anos, usuários de Unidades Básicas de Saúde, do município de Cascavel Pr. Esta pesquisa foi autorizada pela Secretaria Municipal de Saúde e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), da Faculdade Assis Gurgacz (FAG) sob o Parecer nº 284/2007. Todos os participantes receberam e assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) para poderem participar. Além disso, todos tiveram acesso às informações sobre procedimentos, riscos e benefícios relacionados à pesquisa, inclusive para diminuir eventuais dúvidas, bem como, liberdade de retirar o consentimento a qualquer momento e deixar de participar do estudo quando quisesse, sem que isto trouxesse prejuízo ao seu estado nutricional.

5 5 Destaca-se que todas as informações cedidas foram salvaguardadas da confidencialidade, sigilo e privacidade. Como critérios de exclusão foram desconsiderados os idosos com idade superior a 80 anos, que fossem impossibilitados de andar e os que não possuíssem o TCLE devidamente assinado no momento da coleta de dados. Para a seleção da população desta pesquisa foi utilizada a lista do cadastro dos participantes do sistema Hiperdia, fornecida pela Secretaria de Saúde do Município. Após, ocorreu à seleção aleatória da amostra. A coleta dos dados foi realizada durante o mês de julho de 2007, por três semanas consecutivas, onde os idosos foram avaliados individualmente em seus domicílios. Os dados antropométricos (peso e altura) foram coletados após o consentimento dos participantes através da assinatura do TCLE. Para tomada do peso foi utilizada balança digital, marca Glicomed, com capacidade de 150 Kg. O peso foi tomado com o idoso descalço e vestindo roupas leves. Na tomada da estatura utilizou-se fita métrica inelástica dividida em milímetros e fixada em parede sem rodapé. O idoso foi colocado em posição ereta, descalço, com as mãos espalmadas sobre as coxas, calcanhares unidos, joelhos e tornozelos em contato, glúteos e ombros em contato com a parede e inspiração profunda. A partir dos valores de peso e estatura foi calculado o IMC utilizando a fórmula peso/altura 2. O estado nutricional foi classificado segundo o critério proposto pelo Ministério da Saúde, que define baixo peso se IMC < 22 Kg/m 2 ; eutrofia valores entre 22 e <27 e excesso de peso o IMC 27 Kg/m 2 (LIPSCHITZ, 1994).

6 6 RESULTADOS E DISCUSSÕES Dos 92 idosos avaliados, 65,22% (60/92) eram do gênero feminino e 34,78% (32/92) do sexo masculino. A média de idade foi de 69 anos. Encontrou-se dificuldade durante a realização da coleta de dados, pois a maioria dos idosos estavam ausentes no dia e hora marcados para avaliação, além da desatualização dos cadastros (endereços errados e indivíduos falecidos) acarretando em uma perda de 22,03% (26/118). A Tabela 1 apresenta o IMC desta população e mostra que aproximadamente 71,74% (66/92) dos idosos de ambos os sexos apresentaram excesso de peso. Sendo que 5,44% (5/92) foram considerados magros e 22,82% (21/92) com peso adequado. TABELA 1: Classificação do estado nutricional dos idosos de ambos os sexos. FEMININO MASCULINO TOTAL Classificação N % N % n % Magreza 3 5,00 2 6,25 5 5,44 Eutrofia 15 25, , ,82 Excesso Peso 42 70, , ,74 TOTAL % % % Fonte: Dados coletados. No presente estudo o percentual de excesso de peso encontrado foi de 71,74%, apresentando resultados significativos se comparados com outros trabalhos: da literatura Cruz et al (2003) encontraram em idosos residentes no

7 7 município de Veranópolis/RS, onde 45% deles apresentaram certo grau de obesidade; e outro estudo realizado por Abreu (2003) com 183 idosos residentes em Viçosa/MS, onde a prevalência de excesso de peso foi de 40,8% em ambos os sexos. Entretanto, este estudo apresenta resultados satisfatórios se comparados com outros estudos da literatura: Tavares e Anjos (1999), que encontraram um percentual de 80,6% de excesso de peso em ambos os sexos; e o segundo realizado por Mincarone (2005), com idosos do Hiperdia, onde o excesso de peso encontrado foi de 76,35%. É importante ressaltar que os dados coletados revelam que houve uma maior prevalência de excesso de peso no gênero masculino, diferentemente do estudo semelhante realizado por Sampaio e Figueiredo (2005), que encontrou predomínio de excesso de peso no gênero feminino. A prevalência de excesso de peso encontrada neste trabalho vem de encontro com o relato de Santos e Sichieri (2005), que afirma que a diferença entre o aumento de excesso de peso em relação à magreza, nos últimos anos, é uma tendência do processo de envelhecimento, confirmada entre a maioria dos inquéritos nacionais. Segundo Cabrera e Filho (2001), o percentual de mais de 50% de excesso de peso entre idosos tem prevalecido muito nos últimos anos. Na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), os indicadores antropométricos revelaram a prevalência de excesso de peso, superando os déficits ponderais. A diferenciação entre os distúrbios da nutrição para ambos os gênero teve uma prevalência de excesso de peso, que duplicou entre a primeira e a terceira pesquisa (IBGE, 2003).

8 8 A Tabela 2 apresenta a relação das comorbidades com o estado nutricional dos idosos, onde todos os indivíduos diabéticos apresentaram excesso de peso 4,35% (4/92). Já nos idosos portadores de hipertensão o percentual de excesso de peso foi de 26,09% (24/92). Quanto aos idosos cadastrados como diabéticos e hipertensos o excesso de peso encontrado foi de 43,50% (40/92). TABELA 2 : Relação das comorbidades, com o estado nutricional dos idosos avaliados. DIABETES / DIABETES HIPERTENSÃO HIPERTENSÃO TOTAL Classificação n % n % n % n % Magreza 0 0,00 4 4,35 1 1,08 5 5,43 Eutrofia 0 0,00 9 9, , ,65 Excesso Peso 4 4, , , ,92 TOTAL 4 4,35% 37 40,22% 51 55,43% % Fonte: Dados coletados. A pesquisa de Masaki et al (1997) identificou uma relação direta entre IMC e os níveis de Hipertensão Arterial em idosos. Os indivíduos com excesso de peso apresentaram prevalência desta patologia, confirmando o estudo de Klapan (1998), que afirma que uma das maiores diferenças entre indivíduos normotensos para hipertensos é o aumento do peso. No estudo realizado por Cabrera e Filho (2001), os idosos também apresentaram relação direta entre o IMC e a hipertensão arterial em ambos os sexos. Tais resultados são semelhantes aos encontrados neste trabalho de pesquisa.

9 9 Segundo Souza et al (2003), em estudo realizado com indivíduos obesos, a hipertensão arterial foi de 1,8 vezes maior que em indivíduos eutróficos. No caso de portadores de diabetes, houve um aumento de 1,2 vezes em relação aos não obesos, confirmando os resultados do presente estudo onde houve prevalência destas patologias nos idosos com excesso de peso. Evidências cientificas mostram que é muito freqüente indivíduos portadores de Diabetes Mellitus apresentarem também Hipertensão Arterial (FARIA et al, 2002). Em uma pesquisa realizada por Tardido e Falcão (2006) os resultados confirmaram os achados do presente estudo, onde observa-se que diante de um quadro de obesidade existem evidências de uma associação positiva para o desenvolvimento de diversas doenças, demonstrando assim uma relação entre excesso de peso e as patologias de Diabetes Mellitus e Hipertensão Arterial. CONSIDERAÇÕES FINAIS Com os resultados obtidos no presente estudo em relação ao estado nutricional pode-se verificar a predominância do excesso de peso principalmente em homens. Assim entende-se que a questão obesidade está cada vez mais presente no cotidiano. Por esse motivo, a reeducação alimentar através da orientação nutricional e incentivo à prática de atividade física é de total importância para obter uma vida mais saudável. Contudo, a preocupação não deve ser sobre quantos anos se irá viver, mas sim, de que forma esses anos serão vividos e em que estado de saúde e de espírito.

10 10 REFERÊNCIAS ABREU, W. C. Aspectos socioeconômicos, de saúde e nutrição, com ênfase no consumo alimentar, de idosos atendidos pelo Programa Municipal da Terceira Idade (PMTI), de Viçosa-MG. Viçosa: Universidade Federal de Viçosa, CABRERA, M. A. S. Jacob Fillho W. Obesidade em Idosos: Prevalência, Distribuição e Associação Com Hábitos e Co-Morbidades. Arq Bras Endocrinol Metabolismo. Vol. 45 no.5, p : São Paulo Oct CRUZ, I. B. M. et al. Prevalência de obesidade em idosos longevos e sua associação com fatores de risco e morbidades cardiovasculares. Cad. Saúde Pública, vol.19 no.3 Rio de Janeiro, DEURENBERG, P.; KOOY, K.; HULSHOK, T.; EVERS, P. Body mass index as a measure of body fatness in the elderly. Eur. J. clin. Nutr., 43:231-6, FARIA et al. Tratamento de Diabetes e Hipertensão no paciente obeso. Arq. Bras. Endocrinol. Metab. vol.46: São Paulo, FREITAS, E. V.; PY, L. Tratado de Geriatria e Geriontologia. Rio Janeiro. Ed. Guanabara, INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Perfil dos Idosos Responsáveis pelos Domicílios. Disponível em. <http://www.ibge.gov.br/home/presidência/noticias/ pidoso.shtm> Acesso em 02/04/2007. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa de Orçamentos Familiares: 2002/2003. Disponível em <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/pof/2002analise/ pof2002analise.pdf> Acesso em: 07/04/2007.

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