FUNDAMENTOS DA PREVENÇÃO AO USO INDEVIDO DE DROGAS ENTRE ESTUDANTES

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1 FUNDAMENTOS DA PREVENÇÃO AO USO INDEVIDO DE DROGAS ENTRE ESTUDANTES Saulo Rios Mariz' Josilene Pinheiro Mariz' Maria Esther Candeira Valois'" Érico Brito VaI' RESUMO Este trabalho apresenta uma revisão sobre os fundamentos teóricos da prevenção ao uso indevido de drogas, analisando aspectos como: padronização conceitual; trajetória e ideologia de ações preventivas; modelos de prevenção propostos para a escola; o controle do uso de drogas no ambiente de trabalho e ainda, o meio universitário como fator de risco ao abuso de drogas. Apresentam-se diretrizes essenciais para a implementação de _ programas preventivos ao uso indevido de drogas a fim de contribuir para que tais ações sejam otimizadas racionalizando recursos e maximizando resultados. Palavras-chave: Uso indevido de drogas, prevenção, escolas, educação. ABSTRACT This work presents a review of the theoretical basis for drug abuse prevention. It analyzes aspects such as the standardization of concepts, the trajectory and ideology of preventive measures, proposed prevention models for schools, the control of drug abuse in the workplace, and the university environment as a breeding Professor de Toxicologia - Departamento de Farmácia - UFMA. Mestre em Toxicologia - USP. R. dos Duques, Q M, BI 01, Ap São Luís-MA. CEP: \40. sj Professora do Colégio Universitário - UFMA. Mestre em Letras - USP Professora de Toxicologia - Departamento de Farmácia - UFMA. Doutora em Toxicologia - USP. Graduando em Farmácia-Bioquímica - UFMA. Bolsista de Extensão - UFMA Cad. Pesq.. São Luís. v. 14. n 1. p , jan.ijun

2 ground for drug abuse. It presents essential pattems for the implementation of drug abuse prevention programmes in order to ensure that measures are as effective as possible, through rationalising resources and maximising results. Keywords: drug abuse, prevention, schools, education. 1 INTRODUÇÃO o uso de substâncias psicoativas com o objetivo de obtenção de efeitos subjetivos, denominado de uso indevido (MOREAU, 1996, p. 233), tem acompanhado o ser humano ao longo de sua história. Talvez, tal fato se deva, entre outros fatores, ao desejo (ou necessidade) latente que cada indi víduo tenha de "autotranscender", de romper com a "armadura de pele" que o limita, ou ainda, de "tirar umas férias químicas de si mesmo" (AQUINO, 1998, p.ll; SÃO PAULO, 2000, p.25)..ultimamente, tal prática tem crescido e se iniciado cada vez mais cedo na vida humana, constituindo-se como um problema de saúde pública significativoem:fi.mção dos prejuízos individuais e coletivos que acarreta (GALDUROZ et ai, 1997, p. 105; NOTO et ai, 1999, p.38). Entre os vários níveis de combate ao uso de drogas, destaca-se a prevenção, face aos evidentes fracassos da priorização de investimentos exclusivamente em repressão e as dificuldades inerentes ao tratamento da farmacodependência, um dos principais malefícios do uso indevido de psicoativos, que hoje é compreendida como uma patologia de etiologia complexa e que tem na interdisciplinaridade, um dos pilares da moderna intervenção terapêutica (CONTRIM, 1999, p.58; SAAD, 2001, p.28; SILVAeMARIZ,2000,p.171). Na perspectiva da prevenção ao uso de drogas, o meio estudantil, inclusive o universitário, destaca-se como clientela prioritária pois tem sido apresentado como estimulante à experimentação de drogas em função das oportunidades, desafios, frustrações e influências que oferece aos jovens, associado às peculiaridades desta faixa etária 70 càd. Pesq., São Luís, v. 14, n. 1, p , jan.rjun. 2003

3 (CONTRIM, 1999, p.62; FREITAS, 1999, p.50; PIMONT, 1982, p.1279). Por outro lado, o uso de drogas no ambiente de trabalho tem despertado a preocupação de empregadores e instituições sindicais de tal modo que, atualmente, o combate ao uso de drogas tem sido incluído em sistemas de qualidade empresarial (BARRETO,. 2000, p.55). Atualmente está bem estabelecido que a prevenção ao uso indevido de drogas deve constar de ações sistemáticas desenvolvidas em um programa através da viabilização de projetos diversos considerando pontos indispensáveis entre os quais destacamos: a necessidade de uma equipe coordenadora devidamente treinada sobre o assunto e capacitada areproduzir ações de formação de novos agentes multiplicadores; a realização de inquéritos. epidemiológicos sobre o uso de droga para diagnóstico de realidades específicas e posterior acompanhamento; realização de eventos de sensibilização da população alvo a fim de estimular a discussão sobre o tema e o surgimento de sugestões aproveitáveis além de diversas outras atividades que objetivem fornecer ao ser humano forrnasaltemativas (às drogas) de obtenção de prazer, tais como: engajamento em projetos sociais, desenvolvimento artístico-cultural, práticas esportivas, entre outras (AQUINO,1998,p.27;PEREIRA efiglie,2002,p.02; CONTRIM, 1999, p.63; NIDA, 2002, p.oi; SÃO PAULO, 2000, p. 83) que não se pode mais admitir é o reducionismo da prevenção a ações informativas esporádicas sobre eventuais maleficios do uso de drogas, considerando-se que o simples fato de estar informado sobre os prejuízos de determinado comportamento não se constitui como fator determinante para abandono deste pelo ser humano. (AQUINO, 2001,p.186). Além disso, tal procedimento pode funcionar como uma "droga" para os responsáveis pela comunidade trabalhada, entorpecendo-os, anestesiando as consciências, fazendo-os pensar que cumpriram com sua missão de "proteger" a saúde de seus atendidos quando, na verdade, nenhum resultado concreto pode ser evidenciado. Sendo assim, este trabalho pretende, mediante uma ampla re- Cad. Pesq., São Luís, v. 14,-n. l, p , jan.rjun

4 visão bibliográfica, aglutinar informações e reflexões sobre os principais aspectos a serem considerados quando da realização de um programa de prevenção ao uso indevido de drogas psicotrópicas. 2 PADRONIZAÇÃO CONCEITUAL Nos últimos anos muitos conceitos têm mudado no estudo da dependência química pelo uso de substancias que alteram a atividade mental. Desse modo, esclarecer o significado de alguns termos é de fimdamental importância para comunicação de experiências sobre o assunto. A Organização Mundial da Saúde (OMS) defrne droga como toda e qualquer entidade química (ou conjunto de entidades) que produzem uma ou mais modificações no fimcionamento normal do organismo. Se tais alterações são benéficas para o usuário a droga é chamada de medicamento, se maléficas, estamos diante do tóxico, sempre considerando-se que um medicamento pode se tomar em um agente tóxico e vice- versa' dependendo do uso dado ao produto. Quando a droga tem a propriedade de agir alterando as funções cerebrais recebe o nome de droga psicoativa ou psicotrópica (MOREAU, 1996, p.231; SÃO PAULO, 2000, p.4). Contudo, alguns autores ressaltam a importância da diferenciação entre Droga e Fármaco. Segundo estes, ao nos referirmos ao produto deveríamos usar o termo Droga, enquanto que Fármaco seria um termo mais apropriado para a substância química com atividade biológica, ou seja o princípio ativo. Desse modo, só para citar alguns exemplos, as folhas ou o cigarro de maconha seriam a droga enquanto que o tetrahidrocanabinol seria o principal fármaco responsável pelos efeitos subjetivos desta droga; o pó de cocaína ou as pedras de Crack: as drogas, enquanto que a cocaína (substância química): o fármaco (MOREAU, 1996, p.233). Apesar disso, é comum entre profissionais da área e diversos autores de textos científicos, o uso dos termos: "Droga" e "Fármaco" como sinônimos, referindo-se à substância química. biologicamente ativa. Os fármacos psicotrópicos são substâncias que, após absor- 72 Cad. Pesq., São Luís, v. 14, n. 1, p.69-87,jan.ljun. 2003

5 vidas, agem em regiões específicas do cérebro (especialmente núcleo acúrnbens) aumentando a concentração de neurotransmissores (especialmente doparnina) e conseqüentemente o funcionamento deste orgão. O usuário experimenta sensações extremamente agradáveis denominadas genericamente de efeitos de recompensa. Estes englobam sensações de prazer intenso (semelhante ao sexual, porém mais intenso e generalizado), alterações agradáveis do humor e da percepção, ou ainda, alívio de tensões. Quanto maior for a capacidade da droga de produzir recompensa, maior será o desejo incontrolável do indivíduo em repetir e prosseguir com o uso desta droga. Esta capacidade é conhecida corno propriedade reforçadora ou simplesmente reforço (MOREAU, 1996,p.236). A utilização de drogas para alteração da consciência e do comportamento é chamado de uso indevido, considerando-se que alguns psicotrópicos podem ser utilizados com finalidade terapêutica, ou seja, de modo devido. Contudo, nem todos os usuários de psicotrópicos são dependentes destes. O indivíduo com um uso experimental, inicia onde se dá o primeiro contato com a droga. Dependendo de quão agradável for esta experiência e de outros fatores influentes corno os ligados ao meio social ou às suscetibilidades individuais, o usuário poderá nunca mais voltar a usar o produto ou então aumentar a freqüência de uso indo para outra categoria chamada de ocasional, onde a droga é usada quando se tem urna ocasião estimuladora ou favorecedora. Se a utilização se dá independente de motivações externas e com uma determinada periodicidade temos o uso freqüente. No momento em que o usuário já não tem mais controle sobre o usar ou não a droga é porque muito provavelmente já se tenha instalado a farrnacodependência (SÃO PAU- LO, 2000, p.l0). A Dependência química, j á reconhecida pela OMS corno doença primária, pode ser entendida como[...] um comportamento de busca ativa pela droga tão intenso e fortemente reforçado que se torna dominante [... ] (MOREAU, 1996, p.234). Para diagnóstico preciso desta patolo- Cad. Pesq., São Luís, v. J 4, n. J, p , jan.ijun

6 gia temos estabelecidos alguns critérios bem específicos tais como, segundo Palhano (2000, p.26 ): - Forte desejo de consumo: Varia em função do potencial de reforço da substância, ou seja, da capacidade desta em causar dependência. Este desejo incontrolável de usar a droga é popularmente conhecido como "fissura". - Priorização de consumo: No momento em que o organismo reclama pela droga, nada mais é importante para o dependente além de usar mais uma dose. O indivíduo fará o que for preciso para conseguir outra dose. Outras atividades, antes importantes, passam a ocupar um lugar secundário. Pode-se observar queda de desempenho nos estudos ou trabalho, além de graves problemas de relacionamento fumiliar. - Síndrome de Abstinência: conjunto de sinais e sintomas decorrentes da falta da substancia no organ ismo. Geralmente são opostos aos efeitos da droga no organismo. - Tolerância: necessidade de usar doses do fármaco psicotrópico cada vez maiores para obtenção dos efeitos conseguidos no início do processo. Chega-se a um nível de desgaste orgânico tal que o usuário passa a consumir o produto apenas para manutenção do equilíbrio psíquico. Além destes, outros pontos podem ser considerados como por exemplo, a possibilidade de recaídas após um período de abstinência evidenciando a dificuldade em manter-se em abstinência e a continuidade da utilização apesar da constatação de danos evidentes ao próprio paciente. Deve-se atentar para o fato de que termos como dependência fisica e psicológica, drogado, viciado, alcoólatra, entre outros, tornaram-se obsoletos devendo ser evitados, ou por serem pejorativos ou simplesmente por não colaborarem com a compreensão dos complexos mecanismos de instalação e progressão da farmacodependência, 3 TRAJETÓRIA E PERSPECTIVAS o uso de drogas psicotrópicas pelo homem é bastante antigo. Contudo, somente no século passado a compreensão dos maleficios do uso indevido de drogas se tornou mais significativa ao 74 Cad. Pesq., São Luís, v. 14, n. 1, p.69-87,jan./jun

7 ponto da sociedade se movimentar no sentido de combater, controlar ou prevenir o uso destas substâncias com atividade especial sobre a mente. A idéia de se exercer controle social sobre o uso de drogas manifestou-se inicialmente no início do século XIX em países como Estados Unidos (EUA) e alguns da Europa. Os movimentos de combate às drogas cresceram não somente porque contavam com o esforço de pessoas comprometidas com a melhoria da saúde pública, mas muitas vezes porque determinado discurso era útil à ideologia dominante. Podese citar como exemplos a proibi-. ção ao uso de bebidas alcoólicas nos EUA como forma de encontrar um "responsável" para os insucessos do propalado "sonho americano" de prosperidade ejustiça social e ainda a proibição, neste mesmo país e ao final do mesmo século, do uso do ópio como uma forma de expulsar os imigrantes chineses que, em função do término da construção de ferrovias e da exploração de minérios no oeste americano, já começavam a competir pelos mesmos postos de trabalho que os americanos (CONTRIM, 1999, p.58). -Isso deve nos fazer refletir sobre quais os verdadeiros interesses que motivam ações de combate ao uso indevido de drogas a fim de não sermos manipulados em nossas boas intenções. Atualmente em nosso país as políticas de combate ao uso de drogas são fundamentadas na redução da oferta mediante a repressão policial ao tráfico e em termos de prevenção, autoridades e mídia esforçam-se em repassar informações sobre os diversos prejuízos das drogas ilícitas observando-se uma conivência aparentemente inexplicável com o uso indiscriminado de drogas lícitas como medicamentos, solventes, tabaco e, principalmente, bebidas alcoólicas. Alguns autores explicam que esta postura de maximização dos danos de drogas ilícitas, chegando-se a falar de uma "epidemia de uso de drogas", teria uma motivação politico-ideológica Em uma ideologia neoliberal prega-se a redução do estado e conseqüentemente da sua interferência na vida do cidadão passando este, a ser responsabilizado por seus pró-. Ca{L Pesq., São Luís, v. 14, n. 1, p.69-87,jan./jun

8 prios sucessos e fracassos. Considerando-se que os socialmente excluídos estão mais suscetíveis aos maleficios do uso de drogas ilícitas, tal política de "guerra às drogas" pode constituir-se como um aliado para legitimar o abandono social (CONTRIM, 1999, p.60). Recentemente, uma nova forma de compreender o problema tem sido apresentada pelos especialistas, denominada de Política de Redução de Danos. Esta visão parte do pressuposto que a construção de uma sociedade completamente isenta do uso de drogas é utopia e que mesmo que isso fosse possível, um adulto poderia exercer o seu livre arbítrio de dispor do seu próprio corpo conforme melhor lhe convier, desde que não prejudicasse a outro (BUCHER, 1992, p. 140). O que se precisa fazer é trabalhar para que os maleficios do uso destes produtos sejam ao máximo minimizados, com ênfase na redução da demanda por drogas através da educação não apenas informativa sobre maleficios das drogas, mas com finalidade de mudança de comportamento. Ainda deve-se priorizar esforços preventivos sobre as drogas lícitas que, estatisticamente, são muito mais prejudiciais para o indivíduo e a sociedade e, em se tratando de drogas ilícitas, a maior preocupação passa a ser com as drogas injetáveis pelos riscos de proliferação de doenças infecciosas. A redução de danos não é sinônimo de legalização de drogas, até porque compreende que o ideal seria a abstinência total ao uso de drogas, contudo, admite que, em alguns casos, pode ser proveitoso para a recuperação do indivíduo a substituição da droga usada por outra menos nociva e com menor propriedade reforçadora, como por exemplo a utilização de metadona (via oral) no tramento de dependentes de fármacos opiáceos como a heroína (BRASIL, 2001, p.11; CONTRIM, 1999, p.61). 4 A PREVENÇÃO NO MEIO ESTUDANTIL De um modo geral, a prevenção ao uso indevido de drogas deve ser uma preocupação de vários grupos sociais, em vários ambientes e níveis (VARGAS; NUNES; VARGAS, 1993, p.47). 76 Cad. Pesq., São Luís, v. 14, n. 1, p , jan./jun. 2003

9 Uma educação que priorize o diálogo, o respeito e a compreensão entre pais e filhos, sem dúvida contribuirá para a formação de indivíduos mais preparados para a rej eição de modelos artificiais e imediatistas de satisfação pessoal. Em nível comunitário o indivíduo deve ser, desde cedo, estimulado a inserção social através atividades diversas que visem o bem-estar da coletividade. No ambiente de trabalho, em função de questões ligadas principalmente à saúde e segurança do trabalhador, mas também relacionadas ao desempenho e à produtividade, o uso de drogas tem sido combatido inclusive com a implementação de programas específicos (SILVA, 1999, p.29). Alguns destes lançam mão de recursos bastante objetivos como, por exemplo, a realização de análises toxicológicas em amostras de urina para diagnóstico precoce do uso de drogas por parte dos indivíduos que formam a corporação. Contudo, deve-se cuidar para que isso não se constitua como forma de demissão sumária ou de exclusão, mas como meio de diagnóstico precoce do problema para encaminhamento adequado. Entre os diversos ambientes que requerem prevenção ao uso de drogas, a escola de ensino fundamental e médio tem sido apresentada como um dos mais propícios para ações desta natureza considerando-se diversas peculiaridades. (CENTRO..., 2000,p.34; GROSSO, 2000, p.26; MARIZ, 2000, p.95; MENEZES, 1998; NISKIER, 2000, p.41). Inicialmente, a clientela atendida pela escola encontra-se em uma faixa-etária que corresponde, segundo as estatísticas, à fase da vida onde a grande maioria das pessoas começa a experimentar alguma droga. Portanto, uma intervenção preventiva neste momento será muito mais eficaz no sentido de se interromper a tendência do usuário em prosseguir para outros níveis de utilização da droga em maior freqüência. Outras várias características da adolescência têm sido apresentadas como fatores de risco para o início do uso de drogas entre as quais podemos destacar a tendência de contestar o que é estabelecido como certo e a necessidade de inserção no grupo social, de ser aceito. (ASSOCI- AÇÃO..., 2002, p.l; CARPER Cad. Pesq., São Luís. v. 14, n. 1, p , jan./jun

10 e DIMOFF, 1992, p.82; INEM, 2001, p.122; OLIVEIRA e MELCOP, 2001, p.240) Outro ponto importante é que a escola representa um ambiente onde o adolescente passa grande parte do seu dia e ali está ávido pelo novo, aberto ao aprendizado, disposto a canalizar as efervescências pessoais para novas experiências. Se por um lado estas constatações podem funcionar como fatores de risco ao uso de drogas, por outro, ao conseguirse interceptá-ias pode-se encontrar formas objetivas de prevenir o uso de dro gas. Vários modelos de prevenção ao uso de drogas tem sido propostos, conforme: Bucher (1992, p. 148), Imesc (2001, p.1), Pereira e Figlie (2002, p.1) e Pereira e Silva (2002, p.1): - Modelo do conhecimento científico: acredita que o mais importante é informar, de modo exato e imparcial, os adolescentes quanto aos efeitos de cada droga sobre o organismo, inclusive sobre os efeitos prazeirosos quando do início da utilização, mas também sobre o processo de tolerância que induz a um desgaste destas sensações agradáveis iniciais. Segundo este modelo, um dos mais graves erros das ações preventivas no passado foi a ênfase apenas nos malefícios causados por psicoativos, ou seja a "demonização" das drogas sem reconhecimento dos efeitos agradáveis no início do uso. Quando o adolescente começava a experimentar e obtinha sensações prazerosas, desqualificava os seus educadores como pessoas que combatiam o uso de drogas por nunca terem experimentado seus efeitos. Ao começar a experimentar os efeitos desagradáveis, na grande maioria dos casos, o jovem já se encontrava em estágios mais avançados de utilização. - Modelo da educação para a saúde: prega que a prevenção ao uso de drogas deve ser apenas mais um dos temas trabalhados visando a adoção de um estilo de vida saudável, onde também seriam incluídas questões como reeducação alimentar e alimentação alternativa; preservação do meio ambiente; realização de atividades anti-estresse e orientação sobre sexualidade, entre outros temas transversais. Nesta perspectiva, é importante sincronizar as ações dos professores de cada disciplina fazendo com que estes, propiciem aos alunos não só a aplicação de co- 78 Cad. Pesq., São Luís, v. 14, n. J,p.69-87,jan./jun. 2003

11 nhecimentos adquiridos em sala de aula como também, a oportunidade de c~l!r.reender o problema sob óticas variadas. - Modelo da oferta de alternativas: ressalta a importância de se oferecer ao adolescente, formas alternativas de obtenção de prazer e realização pessoal, fazendo com que este não seja levado a usar a droga como recurso imediatista e egoísta para obtenção de um prazer transitório. De modo objetivo recomenda: atividades artísticas, culturais e esportivas; inserção em programas de orientação escolar para alunos de séries anteriores e ainda o estímulo ao desenvolvimento de um perfil empreendedor através da criação de núcleos empresarias ou programas comunitários, - Modelo da educação afetiva: destaca a necessidade urgente da modificação das condições de ensino a fim de melhorar a vivência escolar contribuindo para uma formação integral e sadia. Isso pode ser obtido por atitudes específicas e relativamente simples como o cuidar da auto-estima; das relações em grupo e do relacionamento entre professor e aluno; o desenvolvimento da habilidade em trabalhar ansiedades e frustrações; o estímulo à expressão oral e escrita; a democratização do ambiente escolar com uma maior participação tanto dos pais e responsáveis como da comunidade na qual a escola está inserida. Não é possível considerar que um modelo seja melhor que o outro. Obviamente que, dependendo das peculiaridade de cada realidade, talvez seja possível propor um destes como o mais apropriado, contudo, o ideal é que se consiga implementar o que de melhor é apresentado por cada um deste modelos preventivos. Isso nos faz constatar que, de fato, a prevenção ao uso de drogas na escola não deve fundamentar-se em eventos esporádicos, mas sim em um programa duradouro e consistente com ações que gerem resultados a curto, médio e longo prazo A simples realização de eventos informativos como palestras por especialistas de fora, portanto alheios à realidade escolar, não basta pois já está provado que o simples fato de saber que determinado comportamento é prejudicial não é, por si só, suficiente para que o indivíduo abandone tal prática. Além disso, estas palestras esporádicas e descontextualizadas podem despertar curiosidades desnecessárias e funcionar como uma "droga" Cad. Pesq.. São Luís. v. 14. n. 1. p jan./jun

12 entorpecendo a direção escolar, anestesiando suas consciências e trazendo urna falsa sensação de - "dever cumprido". No ensino superior, muito se tem discutido sobre a real influencia que o meio universitário teria no início ou expansão do uso de drogas entre jovens, considerando-se óbvios fatores de risco, como, por exemplo, a maior sensação de liberdade e independência experimentada pelo jovem ao ingressar na Universidade, além do estresse ao qual este é constantemente submetido em função dos constantes desafios oferecidos, necessidade de superação, competição, etc. Inquéritos epidemiológicos sobre o uso de drogas entre universitários têm mostrado que, ao ingressar no ensino superior, a grande maioria dos jovens já traz consigo urna experiência quanto ao uso de drogas, contudo, o quanto esta experiência foi ampliada ao longo da vida universitária e a influência do meio universitário nesta eventual expansão é, sem dúvida, algo que precisa ser melhor avaliado (CUTRIM e MARIZ, 2000, p.75; BRASIL, 2002, p.55). Mesmo assim, deve-se atentar que qualquer ação preventiva ao uso de drogas entre estudantes do ensino superior precisa estar fundamentadana ampla discussão sobre o assunto, desprovida de clichês sociais, estereótipos ou dogmas, e cada item deve ser debatido a exaustão com toda a comunidade universitária, desde a motivação que nos leva a trabalhar este tema até a eficácia de medidas concretas como, por exemplo, a restrição ao uso e comercialização de drogas lícitas como bebidas alcoólicas e tabaco no ambiente do campus. 5 SUGESTÕES PARAA IMPLANTAÇÃO DE UM PROGRAMA DE PREVENÇÃO Cada instituição, de acordo com suas peculiaridades, terá que desenvolver a sua própria experiência a) definição de uma política institucional É fundamental que a instituição defma a sua posição em relação ao assunto. É preciso decidir. atuar no sentido de desestimular o uso de drogas e resolver fazê-lo de 80 Cad. Pesq., São Luís, , n. J, p , jan.ljun. 2003

13 modo programado, não somente mediante ações esporádicas. Considerando-se a interdisciplinaridade do tema, há que se relacionar possíveis parceiros, executando-se um trabalho integrado com outras instituições atuantes no combate ao uso de drogas contribuindo-se com a criação de redes de atenção aos usuários de drogas. b) definição da equipe coordenadora É necessário que haja uma coordenação não somente para manter o programa por um período longo de tempo, mas também para viabilizar avaliações e redirecionamentos que otimizem resultados. Esta equipe deve ser o primeiro grupo de pessoas da instituição a receber um treinamento específico sobre os diversos aspectos interdisciplinares que envolvem a questão do uso de drogas e da dependência química a fim de que esteja preparada a trabalhar o tema dentro dos mais atuais princípios teóricos e também para que seja capaz de organizar outros treinamentos dando seqüência à formação continuada de agentes multiplicadores. É estratégica a composição desta equipe com indivíduos representantes dos diferentes segmentos da instituiçãoeducacional, principalmente professores por serem aqueles que, na grande maioria dos casos, se constituem como referência aos adolescentes e jovens, estando em contato direto com estes, sendo os responsáveis primeiros pelo repasse de informações e esclarecimento de questões do cotidiano. Contudo, devem estar presentes na coordenação do programa representantes de alunos, funcionários, pais e responsáveis, membros da comunidade e, indispensavelmente, a direção da instituição que deve estar à frente em cada etapa da implantação do projeto. c) diagnóstico preliminar através de inquéritos epidemiológicos A aplicação de questionários de auto-preenchimento para estimar o uso de drogas entre estudantes tem se constituído como um valioso instrumento de pesquisa. Críticas anteriores sobre a validade das informações coletadas tem sido invalidadas através de diversos estudos sobre confiabi- Cad. Pesq., São Luís, v. 14, n. 1, p , jan.rjun

14 lidade de relato os quais tem demonstrado que, quando o caráter sigilosodas respostasé plenamente assegurado, o entrevistado se sente plenamente à vontade para responder, de modo transparente, as perguntas que lhe são feitas. Além disso, o próprio instrumento de coleta de dados pode conter perguntas sobre o uso de substâncias que não existem como forma de avaliar a sinceridade das respostas. Se o entrevistado responde já ter usado tais substâncias, seu questionário é descartado entrando este em um percentual de perdas estatisticamente aceitável e já previsto quando da amostragem aleatória para coleta de dados em determinada população-alvo. As estatístisticas sobre uso de drogas, realizadas em realidades distintas, apesar de apresentarem diversos resultados semelhantes, são extremamente úteis por evidenciarem peculiaridades do perfil de utilização de drogas por determinado segmento populacional, que podem contribuir significativamente com a otimização de ações preventivas mediante a canalização da aplicação de recursos em atenção a aspectos que se mostrem mais significativos em dada realidade (SOUZA e MARIZ, 2001, p.65; BRASIL, 2002, p.l O; CUTRlM e MARlZ, 2000, p.75). d) ações de sensibilização São propostas como forma de despertar a intenção dos integrantes da instituição para a discussão do tema. A realização de eventos científicos como Jornadas, Seminários, Debates, entre outros, é recomendável desde que conte com a participação de especialistas diversos a fim de transmitir várias visões do problema e enriquecer a compressão da clientela trabalhada sobre o quanto o uso de drogas é um tema interdisciplinar e exige uma abordagem multiprofissional. É firndamental que estes especialistas estej am plenamente comprometidos com a verdade científica sobre o assunto e não com a reprodução de idéias pré-concebidas que servem apenas como sustentação ideológica e não para a promoção da saúde integral. e)formação de multiplicadores O treinamento recebido inicialmente pela equipe coordena- 82 Cad. Pesq., São Luís, v. 14, n. 1, p , jan./jun. 2003

15 dora deve ser periodicamente repassado por esta, obviamente com a-ajuda de especialistas, a outras pessoas da instituição interessadas não apenas em trabalhar na linha de frente das ações do programa como simplesmente se sentirem mais preparadas para abordar a questão com alunos, amigos e até mesmo familiares. Em pouco tempo a insti tuição terá grande parte do seu contingente bem melhor preparado para se relacionar como o problema, evitando erros graves cometidos ao longo dos anos, na grande maioria das vezes, simplesmente por falta de informação. f) projetos específicos Um programa deve englobar projetos planejados e executados de modo sincronizado. Cada projeto deve ter sua própria identidade, a qual não pode fugir, em essência, das diretrizes gerais do programa Épreciso um planejamento específico onde se defina itens como: tema; público-alvo; justificativa, objetivos; metodologia; previsão de recursos humanos e materiais (inclusive traduzida em orçamento) e cronograma de atividades, entre outros. A avaliação deve ser contínua não apenas de modo informal, através de reuniões dos coordenadores do projeto, como também mediante a elaboração de relatórios a fim de registrar a superação de eventuais obstáculos. Este portanto, é o momento ideal para a aplicação dos modelos de prevenção propostos atualmente. Entre as diversas possibilidades podemos destacar arealização de eventos que possibilitem ao jovem expressar sua forma de compreender o problema do uso de drogas nos dias de hoje, através de mostras artísticas e/ou culturais; concursos de cartazes e slogan (que podem, inclusive, contribuir para a criação da imagem visual do programa). Ainda são importantes, conforme já mencionado, projetos que insiram o jovem em atividades esportivas, de ação comunitária, artísticas, de desenvolvimento da espiritualidade, de orientação escolar e iniciação empresarial, além de outras. 6 CONCLUSÃO Épossível constatar que a prevenção é a forma mais eficaz de Cad. Pesq., São Luís, v. 14, n. 1,p.69-87,jan.ljun

16 combate ao uso indevido de drogas, sendoimportantenão somente pelosprejuízosindivíduais,masprincipalmente coletivos, que o uso de psicotrópicos pode acarretar. Vários princípios teóricos e ações objetivas têm sido propostos por especialistas no assunto ao longo dos anos, contudo, tal conhecimento deve servir como ponto de partida e de apoio aos interessados em trabalhar com prevenção nesta área, pois as peculiaridades e possibilidades de cada realidade é que devem nortear as ações. Na escola e na universidade. as ações devem ser constituintes de um programa, portanto, continuadas. Deve-se buscar resultados não somente a curto prazo. É consenso que, associado ao fornecimento de informações sobre os efeitos das drogas no organismo, o adolescente e/ou jovem deve receber a oportunidade e ser estimulado a encontrar prazer mediante atividades que o ajudem a expandir-se enquanto pessoa, contribuindo com o desenvolvimento social e a melhoria da qualidade de vida individual e comunitária REFERÊNCIAS AQUINO, J. G. (Org). Drogas na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, p. AQUINO, M. T. Prevenção ao abuso de drogas: o possível e o impossível. In: CRUZ, Marcelo Santos;FERRElRA, SaletteMaria Barros (Org). Álcool e Drogas: usos, dependência e tratamentos. Rio de Janeiro:Ed. IPUB-CUCA, p.l ASSOCIAÇÃO PARCERIA CONTRA AS DROGAS. Drogas na adolescência. Disponível em: http// sites.uol.com.br/ juventudeedrogas/>. Acesso em: 29 jan BARRETO, L. M. Dependência Química: nas escolas e nos locais de trabalho. Rio de Janeiro: Qualitymark Ed., p. B~SIL Ministério da Saúde. Coordenação Nacional de DST e Aids. Manual de redução de danos: saúde e cidadania Brasilia: Ministério da Saúde, p. BRASIL, V. V. L. Avaliação do uso de drogas lícitas e ilícitas 84 Cad. Pesq., São Luís, v. 14, n. 1, p , jan.rjun. 2003

17 entre os alunos concludentes dos cursos da área de ciências biológicas e da saúde- UFMA, f. Monografia (Graduação em Farmácia) -.Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade Federal do Maranhão, São Luís. BUCHER, R. Drogas e drogadiçãonobrasil PortoAlegre: Artes Médicas, p. CARPER, S.; DIMOFF, T. Vos enfants consomment-ils des drogues? Québec: Les Êditions de L'homme, p. CENTRO DE INTEGRAÇÃO EMPRESA ESCOLA (CIEE)- NACIONAL. I Seminário Nacional Antidrogas. Revista Agitação. São Paulo: CIEE. n 34. p jul.lago CONTRIM, B. C. A prevenção ao uso indevido de drogas nas escolas In: SEIDL, E. M. F.(Org). Prevenção ao uso indevido de drogas: diga SIM à vida Brasília: CEARDlUnB; SENAD/ SGJIPR, V.1.p CUTRIM, M. D.; MARIZ, S. R. Prevalênciado uso de drogas entre estudantes ingressantes em cursos da área de saúde - UFMA, In: CONGRESSO LATINO- AMERICANO DE TOXI- COLOGIA (ALATOX), 11., 2000, Campinas-Si', Revista Brasileira de Toxicologia v.l3. p FREITAS, C. C. As drogas na adolescência: risco e proteção. In: SEIDL, E. M. F. (Org). Prevenção ao uso indevido de drogas: diga SIM à vida. Brasília: CEARD/UnB; SENAD/ SGJ/ PR, 1999, V.1. p GALDURÓZ, J. C. F; NOTO, A R.; CARLINI, E. A. IV Levantamento sobre o uso de drogas entre estudantes de 1 0 e 2 0 graus em 10 capitais brasileiras São Paulo: UNIFESP, l30p. GROSSO, A B. Independência ou morte: família, escola e sociedade unem-se no combate às drogas e à dependência química. Revista Educação. São Paulo, n. 227, p IMESC. Info Drogas: modelos de prevenção. Disponível em: modelos.htm>. Acesso em: 29 jan INEM, C. L.. Adolescência e suas viscissitudes: impasses do desejo. Ca{L Pesq., São Luís, v. 14, n. i,p , jan.rjun

18 In: CRUZ, Marcelo Santos; FERREIRA, SaletteMaria Barros (Org). Álcool e Drogas: usos, dependência e tratamentos. Rio de Janeiro: Ed. IPUB - CUCA, p MARIZ, S. R. et al. Programa de prevenção ao uso indevido de drogas no Colégio Universitário (COLUN/UFMA). In: CON- GRESSO LATINO-AMERI- CANO DE TOXICOLOGIA (ALATOX), 11.,2000, Campinas- SP. Revista Brasileira de Toxicologia, [S.l], v.l3. p MENEZES, M. S. Uso de drogas: escola deve preparar-se para agilizar ações preventivas. Rev. do Professor. Porto Alegre, v. 14, n.55, MOREAU, R. L. de M. Fármacos e drogas que causam dependência. In: OGA, S. (Org.).Fundamentos de Toxicologia. São Paulo: Atheneu, capo4.1. NIDA - NATIONAL INSTI- TUTE ON DRUG ABUSE. Lessons from Prevention Research. Disponível em: <http:/ /www.drugabuse.gov/intotax/ lessons.htm.> Acesso em: 25 novo NISKIER,AAdroga vai à escola. Revista Agitação. São Paulo: CIEE. n 34. p.41. jul./ago NOTO, A R.; GALDURÓZ, J. C. F.; NAPPO, S. O Consumo de drogas psicotrópicas na sociedade brasileira. In: SEIDL, E. M. F. (Org). Prevenção ao uso indevido de drogas: diga SIM à vida. Brasília: CEARD/ UnB; SENAD/ SGJ/PR, 1999, V.1. p OLIVEIRA, E. M.; MELCOP,A G. Adolescência: rumos e metamorfoses. In: CRUZ, Marcelo Santos; FERRElRA, Salette Maria Barros (Org). Álcool e Drogas: usos, dependência e tratamentos. Rio de ~ Janeiro: Ed. IPUB - CUCA, p PALHANO, R. Drogas: saiba mais a seu respeito. São Luís: Lithograf, p. PEREIRA, C; FIGLIE, B. A prevenção na prática - o que fazer? Disponível em: <http:// wwwuniad.org.br.independencia/. matprevencaonapratica.htrn.> Acesso em: 25nov PEREIRA, C.; SILVA, C. J. Conceitos e prática em prevenção. Disponível em: 86 Ca(L Pesq., São Luís, v. 14, n. 1, p , jan.rjun. 2003

19 <http://www.uniad.org.br. independencia/mat_ concei tosprevencao.htm.> Acesso em: 25 novo2002. PIMONT, R. P.; BARRERA, L. O universitário brasileiro frente ao problema dos tóxicos. Revista Ciência e Cultura, [S.l.], V. 34, n. 10, p , out SAAD, A C. Tratamento para a dependência de drogas: uma revisão da história e dos modelos. In: CRUZ, Marcelo Santos; FERREIRA, Salette Maria Barros (Org). Álcool e Drogas - usos, dependência e tratamentos. Rio de Janeiro: Ed. IPUB - CUCA, p SÃO PAULO (Estado): Secretaria de Educação. ~ Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania. I Curso de Capàcitação para educadores da rede pública: prevenção ao uso de drogas. São Paulo, / 117p. (apostila). SILVA, E. L. Q. A.; MARIZ, S. R. Atualidades no tratamento da farmacodependência: análise de um modelo local. In: SEMI- NÁRIO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, 12., 2000, São Luís. Resumos... São Luís: EDUFMA, p SILVA, O. A. Drogasde abuso no ambiente de trabalho no Brasil. Revista Brasileira de Toxicologia, [S.l],, v.12, n.2, p SOUZA, A. L. O; MARIZ, S. R. Levantamento sobre o uso indevido de drogas entre os estudantes do Colégio Universitário da Universidade Federal do Maranhão (COLUN-UFMA). In: CONGRESSO BRASILEIRO DE TOXICOLOGIA, 12.,2001, Porto Alegre. Revista Brasileira de Toxicologia, [S.l], V. 14. p VARGAS, H. S.; NUNES, S. V; VAR<:;TAS,H. O. Prevenção geral das drogas. São Paulo: Ed. Ícone, p. Cad. Pesq., São Luís, v. 14, n. J, p_69-87,jan/jun

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