Estudo Longitudinal do Desenvolvimento Neuropsicomotor de Bebês Trigemelares Pré Termo

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1 a de novembro de Estudo Longitudinal do Desenvolvimento Neuropsicomotor de Bebês Trigemelares Pré Termo Thailyne Bizinotto ; Bruna de Oliveira Borges ; Renan Neves Urzêda ; Martina Estevam Brom Vieira 4 ; Cibelle Kayenne Martins Roberto Formiga 5 ; Maria Beatriz Martins Linhares 6. PIBITI/CNPq, graduanda do Curso de Fisioterapia. PIBIC-AF/CNPq, graduanda do Curso de Fisioterapia. PVIC/UEG, graduando do Curso de Fisioterapia 4. Colaboradora, docente do Curso de Fisioterapia 5. Orientadora, docente do Curso de Fisioterapia 6. Colaboradora, docente da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto/Universidade de São Paulo - FMRP/USP Universidade Estadual de Goiás Escola Superior de Educação Física e Fisioterapia do Estado de Goiás Av. Anhanguera, nº.4, Setor Vila Nova, Goiânia-Goiás, Brasil PALAVRAS-CHAVE: Desenvolvimento neuropsicomotor, trigêmeos, Teste de Denver II. INTRODUÇÃO A prematuridade e o baixo peso ao nascer são os fatores mais importantes na determinação da mortalidade neonatal e estão relacionados com o retardo do crescimento intra-uterino e a imaturidade dos sistemas biológicos (SUGAHARA et al., ). Em decorrência do nascimento prematuro, o processo natural do desenvolvimento é alterado, estando esses bebês mais vulneráveis ao risco de apresentar deficiências cognitivas e neuropsicomotoras no futuro (RATLIFFE, ). O peso ao nascer está relacionado com a aquisição de habilidades motoras do recém nascido pré-termo, já que bebês com peso adequado para a idade gestacional apresentam melhores respostas neurológicas do que bebês com baixo peso ao nascer (SAMSON; GOOT ). Segundo Lopes (8) crianças que ao

2 a de novembro de nascer apresentam peso inferior a.5g possuem probabilidade vezes maior de mortalidade quando comparadas com crianças de maior peso. De acordo com Ferreira et al. (8), a frequência de gestações múltiplas tem aumentado em todo mundo na última década, trazendo maiores riscos para alterações no desenvolvimento neuropsicomotor. Verifica-se que a incidência de malformações congênitas em gêmeos é o dobro quando comparada com crianças provenientes de gestações únicas (BRIZOT et al., ). A gemelaridade quando associada à prematuridade tem aumentado as taxas de mortalidade e morbidade, estando relacionadas com o aumento da prevalência de anemia, pré-eclampsia, polidrâmnio, malformações fetais, crescimento intrauterino restrito e distocias fetais. O maior número de partos cesáreas em relação à gestação única também pode estar associado à maior morbimortalidade (RAMOS et al., ). A utilização de instrumentos com capacidade preditiva para manifestações anormais do desenvolvimento neurológico permite detectar crianças com possíveis desvios neuromotores e que apresentarão algum déficit no desenvolvimento. Sendo assim, a partir desta identificação de fatores anormais torna-se possível o encaminhamento para uma avaliação mais específica e, consequentemente, o planejamento de uma intervenção precoce (SWEENEY; SWANSON, 4). O teste de Triagem do Desenvolvimento de Denver II é utilizado com freqüência para seleção de crianças com problemas no desenvolvimento, foi desenvolvido por Frankenburg e Dodds em 967, no estado do Colorado, Estados Unidos. Consiste em 5 itens distribuídos em quatro áreas do desenvolvimento: pessoal-social, linguagem, motor fino-adaptativo e motor-grosseiro (FRANKENBURG et al., 99). Por meio da aplicação do referido teste pode ser observado se a criança está com o desenvolvimento esperado para sua idade cronológica ou se existe a necessidade do planejamento de estratégias de atuação terapêutica junto a criança, com conseqüente encaminhamento a profissionais especializados (BISCEGLI et al., 7). O objetivo do estudo foi analisar a evolução do desenvolvimento neuropsicomotor de crianças nascidas pré-termo de gestação trigemelar.

3 a de novembro de MATERIAIS E MÉTODOS Participaram do estudo crianças trigêmeas (dois meninos e uma menina), que nasceram pré-termo (idade gestacional menor que 7 semanas) e com baixo peso (peso ao nascer menor que.5g), no Hospital Materno Infantil de Goiânia (HMI- GO). Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Goiás (UFG) de acordo com o protocolo número 95. Os responsáveis pelas crianças foram informados sobre as intenções da pesquisa e assinaram o Termo de Consentimento Livre Esclarecido, autorizando a participação destas no estudo. A coleta de dados foi realizada em duas oportunidades, com as crianças aos seis meses de idade cronológica corrigida e aos seis anos de idade. As crianças foram avaliadas por meio do Teste de Triagem do Desenvolvimento de Denver II que contempla quatro áreas do desenvolvimento (motor amplo e fino, linguagem e pessoal-social) e o classifica em risco ou normal (FRANKENBURG et al., 99). Na primeira avaliação as crianças foram examinadas no Ambulatório de alto risco do referido hospital. A segunda avaliação aconteceu no ambiente domiciliar dos participantes. O nível sócio-econômico da família foi classificado pelo questionário da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) nas duas oportunidades ocorridas. A organização e análise dos dados foram realizadas no Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa da Escola Superior de Educação Física e Fisioterapia do Estado de Goiás (NIPE), na Universidade Estadual de Goiás, unidade universitária de Goiânia. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os trigêmeos apresentaram idade gestacional de semanas, média de peso ao nascer de.46g (DP= 46g), portanto foram classificados como pré-termo extremos e com muito baixo peso, sendo dois meninos (G e G) e uma menina (G), com mãe apresentando anos no momento do parto, sem a presença de tratamentos para fertilidade, apresentando parto tipo cesárea. A tabela apresenta o peso e altura das crianças aos de idade.

4 a de novembro de Tabela - Dados biológicos dos trigêmeos aos de idade Peso (kg) Altura (cm) 8 8 De acordo com o referencial da Organização Mundial de Saúde (7), que classifica o peso e a altura através de curvas de crescimento em relação à idade, pode-se verificar que apenas a criança G apresenta perigo para o seu peso e altura. Sendo que G e G necessitam de atenção para o peso e apenas a altura de G mostrou-se adequada. A Figura apresenta a classificação do desenvolvimento neuropsicomotor das crianças no Teste Denver II aos seis meses de idade corrigida e aos de idade. a 6 meses de idade corrigida Linguagem 6 meses de idade corrigida Pessoal-Social 6 meses de idade corrigida Motor Fino-adaptativo 6 meses de idade corrigida Motor grosseiro Figura - Análise do desenvolvimento neuropsicomotor em suas principais áreas.

5 a de novembro de Pode-se verificar que todas as crianças apresentaram risco para o desenvolvimento neuropsicomotor quando avaliadas aos 6 meses de idade corrigida e que todas as áreas do desenvolvimento mostraram-se comprometidas. Já quando avaliadas aos de idade todas as crianças apresentaram risco para a área pessoal social, sendo que apenas a criança G demonstrou risco para a áreas da linguagem e motora fina-adaptativa. Vale ressaltar que todas as crianças foram classificadas como normal na área motora grosseira. Os atrasos detectados nos seis primeiros meses de idade das crianças podem ter sido considerados transitórios e também recebem influencia maior dos fatores de risco biológicos decorrentes da prematuridade e do baixo peso ao nascimento. Com o passar dos anos, verifica-se que as crianças tiveram crescimento adequado e o desenvolvimento neuropsicomotor aos de idade parece ser mais influenciado pelos fatores ligados ao ambiente em que a criança vive. Através da análise sócioeconômica realizada pelo instrumento da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) pôde-se constatar a evolução econômica da família em 5 anos. Quando com os trigêmeos apresentavam seis meses de idade corrigida a família encontrava-se na classe D e com as crianças aos seis anos de idade encontrava-se na classe B. A melhora das condições socioeconômicas da família pode ter refletido em uma melhor nível nutricional das crianças, melhores oportunidades de estimulação das crianças por parte da família e maior acesso aos bens e serviços da comunidade. 4 CONCLUSÃO Com base nos resultados verifica-se a importância de acompanhar longitudinalmente o desenvolvimento de crianças nascidas de gestação múltipla, de forma que se torne possível a detecção precoce de problemas para o desenvolvimento neuropsicomotor e o encaminhamento para tratamentos específicos, maximizando o efeito da intervenção precoce e aproveitando da plasticidade cerebral destas crianças.

6 a de novembro de REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BISCEGLI, T. S.; POLIS, L. B.; SANTOS, L. M.; VICENTIN, M. Avaliação do estado nutricional e do desenvolvimento neuropsicomotor em crianças freqüentadoras de creche. Rev. Paul. Pediatr., v.5, n.4, p.7-4, 7. BRIZOT, M. L.; FUJITA, M. M.; REIS, N. S. V.; NETO, J. D. B.; SCHULTZ, R.; MIYADAHIRA, S.; ZUGAIB, M. Malformações Fetais em Gestação Múltipla. Rev. Bras. de Ginecologia. e Obstetrícia, v., n.8, p. 5-57,. FERREIRA, A. T.; SILVA, M. M. A.; SILVA, L.; MERIGHI, L. B. M.; MIRANDA, A. M.; DE- VITTO, L. P. M.; LAMÔNICA, D. A. C. Desempenho comunicativo em trigêmeos prematuros. Rev. CEFAC, São Paulo, v., n., 5-, 8. LOPES, A. A. T. Influência da prematuridade e baixo peso à nascença no desempenho neuromotor um estudo em gêmeos. Dissertação (Mestrado em Ciências do Desporto no âmbito do Mestrado de Desenvolvimento Motor) Universidade de Porto, Porto, 8. FRANKENBURG, W. K.; DODDS, J.; ARCHER, P.; SHAPIRO, H.; BRESNICK, B. The Denver II: a major revision and restandardization of the Denver Developmental Screening Test. Pediatrics, v. 89, n., p. 9-97, 99. RAMOS, J. G.; COSTA, S. M.; FILHO, J. S. C; SOUZA, C.; CASTILHOS, M.; CASTILHOS, F. Complicações da gemelaridade em um hospital universitário. Revista HCPA, vol., n.,. RATLIFFE, K. T. F. Fisioterapia na Clínica Pediátrica: guia para a equipe de fisioterapeutas. São Paulo: Santos Livraria Editora,. SAMSON, J.; GOOT, L.; Study of a Group of Extrmely Preterm infants (5-7 weeks); how do the Function ate Year of Age. Journal of Child Neurology, v.6,. SUGAHARA, G. T. L et al. Assistência pré-natal, baixo peso e prematuridade no Estado de São Paulo. Rev. Saúde Pública, v.7, n., jun,. SWEENEY, J. K.; SWANSON, M. W. Crianças com baixo peso ao nascer. In: UMPHERD, D. A. Reabilitação Neurológica. 4. ed. São Paulo: Manole, 4. p. -7.

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