VESTIBULAR DE VERÃO 2011 LÍNGUA PORTUGUESA

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1 VESTIBULAR DE VERÃO 2011 LÍNGUA PORTUGUESA QUESTÕES DE 1 A 10 TEXTO: A ideia de se poder definir o gênero homo atribuindo-lhe a qualidade de sapiens, ou seja, de um ser racional e sábio, é sem dúvida uma ideia pouco racional e sábia. Ser Homo implica ser igualmente 5 demens: em manifestar uma afetividade extrema, convulsiva, com paixões, cóleras, gritos, mudanças brutais de humor; em carregar consigo uma fonte permanente de delírio; em crer na virtude de sacrifícios sanguinolentos, e dar corpo, existência e poder a mitos 10 e deuses de sua imaginação. Há no ser humano um foco permanente de Ubris, a desmesura dos gregos. A loucura humana é fonte de ódio, crueldade, barbárie, cegueira. Mas sem as desordens da afetividade e as irrupções do imaginário, e sem a loucura do 15 impossível, não haveria élan, criação, invenção, amor, poesia. O ser humano é um animal insuficiente, não apenas na razão, mas é também dotado de desrazão. Temos, entretanto, necessidade de controlar o homo demens para exercer um pensamento racional, 20 argumentado, crítico, complexo. Temos necessidade de inibir em nós o que o demens tem de homicida, malvado, imbecil. Temos necessidade de sabedoria, o que nos requer prudência, temperança, comedimento, desprendimento. 25 O mundo em que vivemos talvez seja um mundo de aparências, a espuma de uma realidade mais profunda que escapa ao tempo, ao espaço, a nossos sentidos e a nosso entendimento. Mas nosso mundo da separação, da dispersão, da finitude significa também 30 o mundo da atração, do reencontro, da exaltação. E estamos plenamente imersos nesse mundo que é o de nossos sofrimentos, felicidades e amores. Não experimentá-lo é evitar o sofrimento, mas também não haverá o gozo. Quanto mais estamos aptos à felicidade, 35 mais nos aproximamos da infelicidade. [...] Se a sabedoria nos incita ao desapego do mundo, da vida, será que ela está sendo verdadeiramente sábia? Se aspiramos à plenitude do amor, isso significa que somos verdadeiramente loucos? 40 O amor faz parte da poesia da vida. A poesia faz parte do amor da vida. Amor e poesia engendram-se mutuamente e podem identificar-se um com o outro. Se o amor expressa o ápice supremo da sabedoria e da loucura, é preciso assumir o amor. 45 O excesso de sabedoria pode transformar-se em loucura, mas a sabedoria só a impede, misturando-se à loucura da poesia e do amor. Nosso cotidiano vive sempre em busca do sentido. Mas o sentido não é originário, não provém da 50 exterioridade de nossos seres. Emerge da participação, da fraternização, do amor. O sentido do amor e da poesia é o sentido da qualidade suprema da vida. Amor e poesia, quando concebidos como fins e meios do viver, dão plenitude de sentido ao viver por viver. 55 A partir daí, podemos assumir, mas com plena consciência, o destino antropológico do homo sapiens-demens, que implica nunca cessar de fazer dialogar em nós mesmos sabedoria e loucura, ousadia e prudência, economia e gasto, temperança e 60 consumação, desprendimento e apego. MORIN, Edgar. Amor, poesia, sabedoria. São Paulo: Bertrand Brasil, 2003, Prefácio. Adaptado. Não paginado. QUESTÃO 1 Do ponto de vista temático, o texto põe em destaque A) a valorização da loucura em detrimento da razão. B) a necessidade de relacionar a sabedoria à afetividade. C) as consequências de quem vive uma rotina pautada na sabedoria. D) a importância do amor que resulta numa atitude essencialmente sábia. E) a contradição entre um comportamento sapiens e um comportamento demens. QUESTÃO 2 Da leitura do texto, pode-se concluir que A) o homem racional é tão emocional quanto o homem afetivo. B) o ser humano mede sua felicidade em função de sua infelicidade. C) a qualidade da vida está diretamente relacionada ao amor e à poesia. D) a criação, o amor, a poesia resultam da atitude comedida do ser humano. E) a sabedoria humana está pautada na possibilidade de se resgatar o gênero homo sapiens. QUESTÃO 3 A leitura do texto permite afirmar que o amor A) é a própria poesia, logo surge da loucura do homem. B) gera, em excesso, a qualidade de vida esperada por todo ser humano. C) precisa ser considerado incondicionalmente para que haja qualidade de vida. D) é a culminância da relação consciente entre o racional e o afetivo no ser humano. E) é parte essencial da poesia que, por sua vez, resulta da atitude racional diante da vida.

2 QUESTÃO 4 Quanto à linha de raciocínio desenvolvida pelo autor, é coerente a análise da alternativa A) A tese do texto refere-se à necessidade de desvincular a razão do afeto. B) O segundo parágrafo apresenta uma crítica ao comportamento de desrazão do ser humano. C) O terceiro parágrafo inicia uma ideia ressalvando as informações do parágrafo anterior. D) O quarto parágrafo contextualiza o mundo contemporâneo caracterizado prioritariamente pela atitude racional dos indivíduos. E) O último parágrafo desconstrói as ideias desenvolvidas no parágrafo anterior QUESTÃO 5 A alternat iva que relaciona, respect ivamente, as palavras sapiens (l. 2) e demens (l. 5) a referências adequadas, de acordo com o contexto, é a A) racional (l. 3) e afetividade (l. 5). B) desrazão (l. 17) e comedimento (l. 23). C) homicida (l. 21) e imbecil (l. 22). D) prudência (l. 59) e economia (l. 59). E) sabedoria (l. 58) e temperança (l. 59). QUESTÃO 6 Os termos desmesura (l. 11) e temperança (l. 23) sugerem, respectivamente, ideias de A) insegurança e equilíbrio. B) descortesia e sobriedade. C) desconforto e sinceridade. D) desequilíbrio e afetividade. E) desorganização e ousadia. QUESTÃO 7 A oração Se o amor expressa o ápice supremo da sabedoria e da loucura (l ), sem alterar o sentido original do contexto, pode ser reescrita da seguinte forma: A) Caso o amor expresse o ápice supremo da sabedoria e da loucura. B) Já que o amor expressa o ápice supremo da sabedoria e da loucura. C) Embora o amor expresse o ápice supremo da sabedoria e da loucura. D) Conforme o amor expresse o ápice supremo da sabedoria e da loucura. E) Desde que o amor expresse o ápice supremo da sabedoria e da loucura. QUESTÃO 8 Sobre a análise linguística dos termos transcritos, é correto o que se afirma em A) ou seja (l. 2) denota dúvida. B) Mas (l. 13) evidencia uma explicação. C) para (l. 19) encerra a noção de limite. D) também (l. 29) exprime uma contradição. E) excesso (l. 45) expressa a ideia exagero. QUESTÃO 9 É verdadeira a análise sobre o termo transcrito na alternativa A) a desmesura dos gregos (l. 11) é um termo que completa o sentido do nome Ubris, cujo significado só pode ser apreendido por meio desse elemento. B) talvez (l. 25) evidencia a condição para que o mundo seja caracterizado como um lugar de superficialidades. C) a espuma de uma realidade mais profunda que escapa ao tempo, ao espaço, a nossos sentidos e a nosso entendimento. (l ) simboliza a imagem de dimensão superficial do mundo contemporâneo. D) mas também (l. 33) expressa uma adição de idéias convergentes. E) Quanto mais estamos aptos à felicidade, mais nos aproximamos da infelicidade. (l ) denota ideia de tempo. QUESTÃO 10 A partir daí, podemos assumir, mas com plena consciência, o dest ino ant ropológico do homo sapiensdemens, que implica nunca cessar de fazer dialogar em nós mesmos sabedoria e loucura, ousadia e prudência, economia e gasto, temperança e consumação, desprendimento e apego. (l ) Sobre o fragmento em destaque, pode-se afirmar: A) daí resgata uma ideia presente no próprio período. B) podemos assumir é uma ação que se desenvolve no pretérito e evidencia o interlocutor da voz enunciadora do texto. C) mas com plena consciência contradiz a informação anterior. D) o destino antropológico do homo sapiens-demens modifica o sentido da forma verbal podemos assumir, explicitando a opinião principal desenvolvida no texto. E) ousadia e prudência são termos que compõem o complemento da forma verbal fazer dialogar e exemplificam a proposta de união entre o sapiens e o demens

3 QUESTÃO 11 A) Calvin e Haroldo contradizem-se quanto à concepção sobre as relações humanas. B) A ironia de Haroldo em relação à crítica de Calvin está presente no terceiro quadrinho. C) A pergunta de Haroldo, no terceiro quadrinho, é retórica, pois ele já sabe a resposta de Calvin. D) A solução proposta por Calvin, contraditoriamente, expressa a impossibilidade de seus planos. E) Calvin compreende a necessidade de isolamento como forma de recuperar as relações humanas. UM DIA por um mundo melhor. Disponível em: <http://amorconsciente.files.wordpress.com/2009/05/ac_um dia_porummundomelhor.jpg>. Acesso em: 20 de maio Essa campanha social tem como objetivo sensibilizar o cidadão para desenvolver atitudes de respeito e amor ao próximo. Para tanto, no jogo de ideias desenvolvidas na expressão Um dia por um mundo melhor, a palavra por denota A) limite. B) motivo. C) finalidade. D) proporção. E) consequência. QUESTÕES 12 E 13 TEXTO: As pessoas são um saco! Quando eu crescer, vou viver a um milhão de quilômetros de todo mundo! Como você vai sobreviver? O que vai comer? Bem, mamãe poderia ir duas vezes por dia pra cozinhar, acho. Seria uma tremenda viagem! WATTERSON, Bill. Calvin e Haroldo. Disponível em: <leituraproducaotextos.blogspot.com/>. Acesso em: 21 maio QUESTÃO 13 Com relação ao último quadrinho da tira, pode-se inferir: A) Todo ser humano é egoísta. B) A vida afastada das relações sociais é muito difícil. C) Um comprometimento ético é perceptível na atitude de Haroldo. D) As divergências culturais continuarão existindo entre as relações humanas. E) O ser humano não tem mais o que fazer para se harmonizar com seu próximo. QUESTÃO 14 Sexta-feira, 7 de agosto de Querida Alice, Recebi seu e sei que você está legal, física e emocionalmente. Mas esta cartinha mais formal é para comemorar nossa amizade, que nasceu recentemente, mas já é forte, quem sabe, indestrutível. Há momentos em que a gente sente a necessidade de se comunicar com os nossos verdadeiros amigos. Parece que você já percebeu que o amigo de verdade é mais precioso do que qualquer parente. Acredite, pois apenas o fato de se ter tido a liberdade para escolher essa amizade já é um ponto favorável no placar que indica a escala de estima. Orgulho-me de ter sido escolhida por você como amiga do peito. É preciso comemorar esta amizade preciosa, e qualquer manifestação vale a pena. Amanda RECEBI seu . Disponível em: <http://ofice.microsoft.com/pt-br/templatas/ct aspx>. Acesso em: 21 maio Adaptado QUESTÃO 12 Calvin, o menino, expressa para Haroldo, o tigre, sua indignação diante das relações humanas. A leitura da tira permite afirmar: O texto em evidência caracteriza-se como carta pessoal por uma série de razões dentre as quais se excetua a indicada em

4 A) Envolve um remetente e um destinatário. B) Apresenta linguagem adequada ao destinatário. C) Estrutura-se a partir de data, seguida de vocativo, corpo do texto e assinatura. D) É normalmente escrita em primeira pessoa e sempre visa a um interlocutor real. E) Tem como objetivo convencer o destinatário a assumir o mesmo posicionamento ideológico do remetente. GABARITO 1. B 6. B 11. B 2. C 7. B 12. D 3. D 8. E 13. B 4. C 9. C 14. E 5. A 10. E 15. D QUESTÃO 15 MOVIMENTO pró-democracia. Disponível em: <www.pródemocracia.com/comunidadeorkut.movimentopródemocracia>. Acesso em: 19 jun O principal objetivo desse texto é A) criticar os cidadãos que não se posicionam politicamente. B) denunciar os desmandos administrativos e governamentais do país. C) dispor ao público leitor uma fonte de consulta sobre a história política do país. D) convidar os interlocutores a se posicionarem contra as atitudes ilícitas dos políticos. E) convencer os interlocutores de que os crimes eleitorais precisam ser denunciados e punidos pelos políticos que acreditam na democracia.

5 VESTIBULAR DE INVERNO LÍNGUA PORTUGUESA QUESTÕES DE 1 A 8 TEXTO: Incivilizado, bárbaro, órfão de sensibilidade e pobre de palavra, ignorante e grave, alheio à paixão e ao erotismo um mundo sem literatura teria como traço principal o conformismo, a submissão dos seres humanos ao estabelecido. Seria um mundo animal. Muitas vezes me ocorre, nas feiras de livros ou nas livrarias, que um senhor se aproxime de mim com um livro meu nas mãos e me peça para autografá-lo, especificando: é para a minha mulher, ou minha filha, 5 ou minha irmã, ou minha mãe; ela, ou elas, são grandes leitoras e são apaixonadas por literatura. E eu lhe pergunto, de imediato: E o senhor? Não gosta de ler? A resposta chega pontual, quase sempre: Bem, sim, é claro que gosto, mas sou uma pessoa muito 10 ocupada, sabe como é. Sim, sei muito bem, porque ouvi essa explicação dezenas de vezes: esse senhor, esses milhares de senhores iguais a ele têm tantas coisas impor tantes, tantas obrigações e responsabilidades na vida, que não podem desperdiçar 15 seu tempo precioso passando horas e horas imersos num romance, num livro de poemas ou num ensaio literário. Segundo essa concepção, a literatura é uma atividade da qual se pode prescindir, um entretenimento elevado e útil para cultivar a sensibilidade e as boas 20 maneiras, um ornamento que se podem permitir os que dispõem de tempo livre para a recreação, e que seria necessário computar na categoria dos esportes, do cinema, do bridge ou do xadrez, mas que pode ser sacrificado sem escrúpulos no momento de estabelecer 25 uma escala de prioridades nos afazeres e compromissos indispensáveis da luta pela vida. Nada, além que bons romances, ensina a ver nas diferenças étnicas e culturais a riqueza do patrimônio humano e a valorizá-las como uma manifestação de sua 30 múltipla criatividade. Ler boa literatura é divertir-se, com certeza; mas também aprender, dessa maneira direta e intensa que é a da experiência vivida através das obras de ficção, o que somos e como somos em nossa integridade humana, com os nossos atos, os nossos 35 sonhos e os nossos fantasmas, a sós e na urdidura das relações que nos ligam aos outros, em nossa presença pública e no segredo de nossa consciência, essa soma extremamente complexa de verdades contraditórias como as chamava Isaiah Berlin de que é feita a 40 condição humana. Esse conhecimento totalizador e imediato do ser humano, hoje se encontra apenas no romance. Nem mesmo os outros ramos das disciplinas humanistas como a filosofia, a psicologia, a história ou as artes 45 puderam preservar essa visão integradora e um discurso acessível porque, por trás da pressão irresistível da cancerosa divisão e fragmentação do conhecimento, acabaram por sucumbir também às imposições da especialização, por isolar-se em territórios cada vez mais 50 segmentados e técnicos, cujas ideias e linguagens estão fora do alcance da mulher e do homem comuns. Não é nem pode ser o caso da literatura, embora alguns críticos e teóricos se empenhem em transformá-la em uma ciência, porque a ficção não existe para investigar uma 55 área determinada da experiência, mas para enriquecer de maneira imaginária a vida, a de todos, a vida que não pode ser desmembrada, desarticulada, reduzida a esquemas ou fórmulas, sem que desapareça. LLOSA, Mário Vargas. Mojinho na cabeça polonesa. Disponível em: <http://www.revistapiaui.com.br/edicao_37/artigo_1149/miojinh o_na_cabeca_polonesa_.aspx>. Acesso em: 30ago QUESTÃO 1 Do ponto de vista temático, o texto A) critica as produções acadêmicas que não valorizam a literatura em suas análises. B) conclui que somente os indivíduos do sexo feminino têm tempo para ler textos literários. C) valoriza a produção literária como elemento fundamental para a compreensão totalizadora do ser humano. D) revela a principal função da literatura no mundo acadêmico, que é a de reiterar a fragmentação do conhecimento. E) apresenta o papel básico da literatura, que está voltado para o gosto pela lei tura e o prazer encont rado nas experiências vividas através dos livros lidos. QUESTÃO 2 Para o autor do texto, o senhor que se aproxima com um de seus livros para ser autografado A) não tem tempo para ler ficção, porque já lê bastantes textos não literários. B) vê a literatura como um conhecimento válido para a solução dos problemas cotidianos. C) tem visão totalizadora do ser humano, por isso não vê a necessidade de ler romances para se compreender melhor. D) identifica-se com a concepção de literatura como uma atividade que pode ser suprimida diante de prioridades mais emergenciais. E) compreende literatura como uma atividade imprescindível para as mulheres e para suas filhas, como forma de compreender o mundo em que estão inseridas.

6 QUESTÃO 3 Segundo o autor do texto, os outros ramos das disciplinas humanistas A) ratificam a visão holística do romance. B) comprometem a valorização da literatura. C) sucumbiram à necessidade de ver a literatura como uma ciência integralizadora. D) perderam a visão conjunta do ser humano, reduzindo-se a estudos fragmentados. E) afastaram-se da literatura porque usam uma linguagem científica, distante do mundo ficcional. QUESTÃO 4 A fala do locutor do texto E o senhor? Não gosta de ler? (l. 7) traz subentendida uma A) cobrança indireta quanto ao envolvimento cultural de seu interlocutor. B) denúncia de como o ser humano se comporta no âmbito social. C) ironia diante da ingenuidade da pessoa com quem fala. D) reflexão da atitude materialista daquele homem. E) crítica ao papel social do homen na literatura. QUESTÃO 5 Sobre o texto, está correto o que se afirma em A) Possui linguagem predominantemente plurissignficativa. B) Tem como principal objetivo descrever as funções essenciais da litertura. C) Utiliza a citação de outras ideologias como recursos para reiterar a ideia desenvolvida pelo autor. D) Apresenta, através do tema abordado, a garant ia da predominância da função poética no texto. E) Trata-se de uma produção textual predominantemente argumentativa, à medida que defende um ponto de vista sobre a literatura. QUESTÃO 7 A expressão sem escrúpulos (l. 24), no contexto, denota ideia de A) meio. B) modo. C) efeito. D) causa. E) finalidade. QUESTÃO 8 Segundo essa concepção, a literatura é uma atividade da qual se pode prescindir, um entretenimento elevado e útil para cultivar a sensibilidade e as boas maneiras, um ornamento que se podem permitir os que dispõem de tempo livre para a recreação, e que seria necessário computar na categoria dos esportes, do cinema, do bridge ou do xadrez, mas que pode ser sacrificado sem escrúpulos no momento de estabelecer uma escala de prioridades nos afazeres e compromissos indispensáveis da luta pela vida. (l ) Sobre o fragmento em destaque, é correto afirmar: A) Segundo essa concepção explicita ideia de dúvida. B) da qual modifica o sentido da forma verbal prescindir. C) para cultivar a sensibilidade e as boas maneiras denota ideia de consequência. D) computar na categoria dos esportes, do cinema, do bridge ou do xadrez é uma oração com função subjetiva na estrutura do período em que está inserida. E) pela vida modifica o vocábulo luta, que se caracteriza por uma derivação regressiva. QUESTÃO 9 QUESTÃO 6 A alternativa em que o fragmento transcrito expressa ideia de contraste ao que foi explicitado anteriormente é A) E o senhor? Não gosta de ler? (l. 7). B) porque ouvi essa explicação dezenas de vezes (l ). C) mas que pode ser sacrificado sem escrúpulos no momento de estabelecer uma escala de prior idades (l ). D) e a valorizá-las como uma manifestação de sua múltipla criatividade. (l ). E) mas também aprender, dessa maneira direta e intensa que é a da experiência vivida através das obras de ficção, o que somos e como somos em nossa integridade humana (l ). Você lembra em quem votou nas últimas eleições? Não não faço a minima ideia! Tudo certo, deputado, pode sair sem medo BENETT. Disponível em: <http://www.charge-omatic.blogger.com.br/2006_07_01_archive.html>. Acesso em: 30 set

7 A tira sugere uma denúncia A) de eleitores que não têm consciência de seu papel cidadão e votam de forma irresponsável em quem oferece benefícios pessoais. B) do esquecimento dos eleitores que, após as eleições, não cumprem seu papel cidadão de cobrar as promessas políticas. C) do discurso demagogo de alguns políticos que só prometem o que não podem cumprir. D) das manobras políticas de alguns candidatos que estão sempre distantes de seus eleitores. E) dos candidatos políticos que se apropriam dos bens sociais para angariar votos. QUESTÕES DE 10 A 13 TEXTO: Não chore pelo ensino público, vestibulando O ensino superior privado tem hoje papel importante no desenvolvimento econômico das regiões em que se instala, pois gera emprego em vários níveis, intensifica a procura por qualificação dos professores, desenvolve 5 o comércio e a estrutura de lazer local, promove abertura de livrarias e outros locais dedicados à cultura. Entretanto, enfrenta até hoje resistência de parte da sociedade, por várias razões, algumas delas de fundo político-ideológico, outras devido a realidades já 10 ultrapassadas, e algumas ligadas a aspectos práticos. A qualidade da educação superior privada vem crescendo exponencialmente nos últimos anos. Há poucos segmentos da Economia tão fiscalizados, avaliados e cobrados quanto este, através de 15 mecanismos eficazes, algumas vezes draconianos, do Ministério da Educação. Para credenciamento de uma nova instituição e abertura e reconhecimento de novos cursos, avaliam-se as condições acadêmicas, de pessoal, de infraestrutura e de sustentabilidade financeira. 20 E a cada três anos a instituição e os cursos são reavaliados. As inadequações são apontadas e corrigidas, e, no limite, há descredenciamentos e fechamento de cursos. Um fator mencionado sempre como impeditivo para 25 cursar uma instituição particular é a mensalidade. De fato, dependendo do curso escolhido, da infraestrutura necessária, as mensalidades podem ser altas. Existem, no entanto, mecanismos de financiamento e de bolsas que permitem ao estudante realizar seu curso, através 30 dos programas do governo federal, de bancos estatais e agora até de bancos privados que iniciam seus programas de crédito educativo. Algumas instituições de ensino também ofertam programas próprios de financiamento, sem carência e sem juros, e muitas 35 vezes o estudante beneficiado conta inclusive com acompanhamento pedagógico, que contribui para com o sucesso acadêmico e a preservação do investimento realizado. Com qualidade e possibilidade financeira, cresce 40 a inclusão qualificada do jovem no mercado de trabalho, melhorando o país como um todo. Não é fundamental o fato de a instituição de ensino superior ser pública ou privada, mas, sim, de sua capacidade de formar esse profissional e cidadão de 45 excelência. CAMARGO, Wanda. Não chore pelo ensino público, vestibulando. Disponível em: <http://www.bemparana.com.br/index.php?n=134284&t=nao -chore-pelo-ensino-publico-vestibulando>. Acesso em: 30 ago Wanda Camargo é presidente da Comissão do Processo Seletivo das Faculdades Integradas do Brasil UniBrasil. QUESTÃO 10 Para a enunciadora, a instituição de ensino superior privado A) distancia-se da qualidade de ensino das instituições públicas, já que forma profissionais de excelência. B) garante a inserção social da maioria dos jovens que estão chegando ao mercado de trabalho. C) oferece qualidade de ensino, mesmo diante da cobrança injusta do Ministério da Educação. D) é melhor do que a instituição pública, já que apresenta uma infraestrutura mais moderna. E) contribui para a inserção de jovens qualificados no mercado de trabalho. QUESTÃO 11 Considerando-se a estrutura do texto, sobre os parágrafos que o compõem, é verdadeiro o que se afirma em A) O primeiro apresenta uma enumeração de fatos que podem ser considerados a causa do desenvolvimento econômico das regiões. B) O segundo expõe uma ideia que enfraquece o argumento desenvolvido no parágrafo anterior. C) O terceiro ratifica as ideias desenvolvidas no segundo parágrafo. D) O quarto apresenta uma relação de causa e consequência em relação à atitude daqueles que não valorizam a educação superior privada. E) O último sinaliza uma solução para os problemas apresentados nos parágrafos anteriores.

8 QUESTÃO 12 A alternativa cujos vocábulos se equivalem semanticamente, no contexto em que estão inseridos, é a A) ensino (l. 1) educação (l. 11). B) resistência (l. 7) impeditivo (l. 24). C) qualidade (l. 11) exponencialmente (l. 12). D) segmentos (l. 13) cursos (l. 23). E) mecanismos de financiamento (l. 28) investimento realizado (l ). C) redução de palavras, concordância inadequada, ortografia padrão. D) estruturas frasais ortodoxas, escrita neológica, pontuação formal. E) escrita semialfabética, sintaxe culta, frases fragmentadas. QUESTÃO 15 QUESTÃO 13 Quanto aos elementos linguísticos presentes no texto, é correto afirmar: A) A forma verbal tem (l. 1) caracteriza-se como presente habitual. B) O termo devido a realidades já ultrapassadas (l. 9-10) permite o uso do sinal indicativo de crase no a, sem transgredir a norma culta. C) A expressão já ultrapassadas (l. 9-10) explicita um juízo de valor. D) A palavra poucos, em poucos segmentos (l. 13), denota ideia de intensidade. E) A locução do investimento realizado (l ) modifica e qualifica o termo preservação (l. 37). QUESTÃO 14 TROQUE seu carro por um planeta mais saudável. Disponível em: < Acesso em: 30 ago TWITTER. Diponível em: <http://empautaufs.wordpress.com/2009/11/12/naocompliq ue%e2%80%9ctwitte%e2%80%9d/>. Acess o em: 2 out Uma das mais populares redes de relacionamento vem tomando conta do mundo das relações midiáticas: o Twitter. É rápido, fácil, e tem milhares de famosos participando e contando detalhes da sua vida cotidiana. Esse gênero digital apresenta uma linguagem que se caracteriza por A) frases completas, utilização de recursos da oralidade, sinais de matemática. B) pontuação minimalista, menor índice de nominalização, abreviações. O texto traz como principal objetivo A) apresentar soluções para os problemas ambientais. B) convocar todos os cidadãos a lutar por um mundo sustentável. C) demonstrar os mecanismos de preservação ambiental utilizados pela intituições que cuidam do meio ambiente. D) convidar os leitores à reflexão sobre as implicações do uso de automóveis e a contribuição para diminuir a poluição. E) convencer os leitores a participar de uma campanha político-pedagógica que poderá mudar as estrutruras e as organizações urbanas. GABARITO 1. C 6. C 11. B 2. D 7. B 12. A 3. D 8. D 13. C 4. A 9. B 14. B 5. E 10. E 15. D

9 VESTIBULAR DE VERÃO 2010 LÍNGUA PORTUGUESA TEXTO: O Rei dos Animais - Millôr Fernandes Saiu o leão a fazer sua pesquisa estatística, para verificar se ainda era o Rei das Selvas. Os tempos tinham mudado muito, as condições do progresso alterado a psicologia e os métodos de combate das feras, as relações de respeito entre os animais já não eram as mesmas, de modo que seria bom indagar. Não que restasse ao Leão qualquer dúvida quanto à sua realeza. Mas assegurar-se é uma das constantes do espírito humano, e, por extensão, do espírito animal. Ouvir da boca dos outros a consagração do nosso valor, saber o sabido, quando ele nos é favorável, eis um prazer dos deuses. Assim o Leão encontrou o Macaco e perguntou: "Hei, você aí, macaco - quem é o rei dos animais?"o Macaco, surpreendido pelo rugir indagatório, deu um salto de pavor e, quando respondeu, já estava no mais alto galho da mais alta árvore da floresta: "Claro que é você, Leão, claro que é você!. Satisfeito, o Leão continuou pela floresta e perguntou ao papagaio: "Currupaco, papagaio. Quem é, segundo seu conceito, o Senhor da Floresta, não é o Leão? E como aos papagaios não é dado o dom de improvisar, mas apenas o de repetir, lá repetiu o papagaio: "Currupaco... não é o Leão? Não é o Leão? Currupaco, não é o Leão?". Cheio de si, prosseguiu o Leão pela floresta em busca de novas afirmações de sua personalidade. Encontrou a coruja e perguntou: "Coruja, não sou eu o maioral da mata? "Sim, és tu", disse a coruja. Mas disse de sábia, não de crente. E lá se foi o Leão, mais firme no passo, mais alto de cabeça. Encontrou o tigre. "Tigre, - disse em voz de estentor - eu sou o rei da floresta. Certo?" O tigre rugiu, hesitou, tentou não responder, mas sentiu o barulho do olhar do Leão fixo em si, e disse, rugindo contrafeito: "Sim". E rugiu ainda mais mal humorado e já arrependido, quando o leão se afastou. Três quilômetros adiante, numa grande clareira, o Leão encontrou o elefante. Perguntou: "Elefante, quem manda na floresta, quem é Rei, Imperador, Presidente da República, dono e senhor de árvores e de seres, dentro da mata?"o elefante pegou-o pela tromba, deu três voltas com ele pelo ar, atirou-o contra o tronco de uma árvore e desapareceu floresta adentro. O Leão caiu no chão, tonto e ensanguentado, levantou-se lambendo uma das patas, e murmurou: "Que diabo, só porque não sabia a resposta não era preciso ficar tão zangado". MORAL: CADA UM TIRA DOS ACONTECIMENTOS A CONCLUSÃO QUE BEM ENTENDE. Disponível em <http://www.releituras.com/millor_rei.asp>. Acesso em 23 jul QUESTÃO 1 O texto de Millôr Fernandes se enquadra tipicamente no gênero fábula. Assinale a alternativa que NÃO caracteriza esse gênero como tal. A) Ficção alegórica para sugerir uma verdade ou reflexão. B) Resolução de conflitos morais e comportamentais. C) Crítica ao comportamento humano. D) História sem tempo determinado. E) História breve com ensinamento moral. QUESTÃO 2 Assinale a alternativa cujo fragmento se relaciona diretamente com a moral da história. A) Cheio de si, prosseguiu o Leão pela floresta em busca de novas afirmações de sua personalidade. B) Os tempos tinham mudado muito, as condições do progresso alterado a psicologia... C) Saiu o leão a fazer sua pesquisa estatística, para verificar se ainda era o Rei das Selvas. D) Satisfeito, o Leão continuou pela floresta e perguntou ao papagaio... E) " Que diabo, só porque não sabia a resposta não era preciso ficar tão zangado ". QUESTÃO 3 A principal motivação para a pesquisa estatística do leão foi a A) mudança do comportamento entre os animais. B) condição de vida dos animais na selva. C) relação de reconhecimento de sua autoridade. D) fascinação pelo prestígio devotado pela opinião alheia. E) insegurança quanto ao próprio valor de autoridade. QUESTÃO 4 "Elefante, quem manda na floresta, quem é Rei, Imperador, Presidente da República, dono e senhor de árvores e de seres, dentro da mata?" A função sintática desempenhada pelos elementos destacados é a de A) complementos nominais. B) sujeitos. C) predicativos do sujeito. D) objetos diretos. E) objetos indiretos.

10 QUESTÃO 5 Os tempos tinham mudado muito, as condições do progresso alterado a psicologia e os métodos de combate das feras, as relações de respeito entre os animais já não eram as mesmas, de modo que seria bom indagar. A locução conjuntiva destacada introduz uma idéia de A) conformidade. B) concessão. C) condição. D) consecução. E) comparação. QUESTÃO 6 Assinale a alternativa em que a preposição de traduz uma relação de causa. A)...os métodos de combate das feras, as relações de respeito entre os animais já não eram as mesmas. B) Tigre, - disse em voz de estentor - eu sou o rei da floresta. Certo? " C) Sim, és tu, disse a coruja. Mas disse de sábia, não de crente. E lá se foi o Leão, mais firme no passo... D) E como aos papagaios não é dado o dom de improvisar, mas apenas o de repetir, lá repetiu o papagaio... E) Cheio de si, prosseguiu o Leão pela floresta em busca de novas informações de sua personalidade. QUESTÃO 7 Em O tigre rugiu, hesitou, tentou não responder, mas sentiu o barulho do olhar do Leão fixo em si..., a expressão destacada é denominada de A) sinestesia. B) metonímia. C) metáfora. D) catacrese. E) prosopopeia. AS QUESTÕES 9 E 10 REFEREM-SE ÀS SEGUINTES EXPRESSÕES: Disponível em <http:// Acesso em 23 jul Expressão popular QUESTÃO 9 No contexto (1), Millôr Fernandes convida o leitor à A) cautela. B) fantasia. C) incoerência. D) inconstância. E) indecisão. QUESTÃO 10 As palavras divagar e devagar, nos contextos (1) e (2), são, respectivamente, A) verbo e advérbio. B) advérbio e verbo. C) verbo e verbo. D) verbo e adjetivo. E) adjetivo e verbo. AS QUESTÕES 11 E 12 REFEREM-SE À TIRINHA ABAIXO: QUESTÃO 8 Assinale a alternativa em que ocorre zeugma ou elipse. A) Saiu o leão a fazer sua pesquisa estatística, para verificar se ainda era o Rei das Selvas. B) Os tempos tinham mudado muito, as condições do progresso alterado a psicologia... C) Cheio de si, prosseguiu o Leão pela floresta em busca de novas afirmações de sua personalidade. D) Três quilômetros adiante, numa grande clareira, o Leão encontrou o elefante. E) Cheio de si, prosseguiu o Leão pela floresta em busca de novas afirmações de sua personalidade.

11 QUESTÃO 11 O humor da tirinha reside no fato de A) o sol que ilumina Mafalda e seu amigo ser o mesmo que iluminou grandes personagens da história. B) o verbo iluminou apresentar tanto para Mafalda quanto para seu amigo o sentido de clareou. C) o amigo de Mafalda atribuir ao Sol uma ancestralidade que só se pode atribuir a seres animados. D) o amigo de Mafalda entender que Colombo foi tão importante quanto os antigos romanos e egípcios. E) Mafalda ver Colombo como uma figura menos importante do que a dos antigos romanos e egípcios. QUESTÃO 12 Olha que ser o mesmo sol que iluminou os antigos romanos... Assinale a alternativa que apresenta a análise correta do elemento destacado. A) Trata-se de uma conjunção integrante introdutora de oração subordinada adverbial. B) Trata-se de pronome relativo introdutor de oração subordinada adjetiva explicativa. C) Trata-se de uma interjeição introdutora de contrariedade ou espanto. D) Trata-se de conjunção integrante introdutora de oração subordinada substantiva. E) Trata-se de um pronome relativo introdutor de oração subordinada adjetiva restritiva. QUESTÃO 13 Mas assegurar-se é uma das constantes do espírito humano... Assinale a alternativa correta quanto aos processos ocorridos na formação do verbo assegurar. A) Ocorre o acréscimo do prefixo as- ao verbo segurar. B) Ocorre o acréscimo do prefixo a- ao verbo segurar e redobro do grafemas. C) Ocorre o acréscimo do prefixo as- ao verbo segurar e redobro do grafema s. D) Ocorre o acréscimo do prefixo a- e do sufixo ar ao substantivo seguro. E) Ocorre o acréscimo do prefixo as- e do sufixo ar ao adjetivo seguro. Assinale a alternativa correta quanto à classificação das orações destacadas acima, na ordem em que ocorrem. A) (1) Oração coordenada assindética, (2) oração subordinada substantiva objetiva indireta reduzida de infinitivo em relação a (1), (3) oração subordinada adverbial final em relação a (1), (4) oração subordinada adverbial condicional em relação a (3). B) (1) Oração coordenada assindética, (2) oração subordinada substantiva objetiva indireta reduzida de infinitivo em relação a (1), (3) oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo em relação a (1), (4) oração subordinada adverbial condicional em relação a (3). C) (1) Oração principal, (2) oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo em relação a (1), (3) oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo em relação a (1), (4) oração subordinada substantiva objetiva direta em relação a (3). D) (1) Oração coordenada assindética, (2) oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo em relação a (3), oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo em relação a (1), (4) oração subordinada substantiva objetiva direta em relação a (3). E) (1) Oração principal, (2) oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo em relação a (1), (3) oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo em relação a (1), (4) oração subordinada adverbial condicional em relação a (3). QUESTÃO 15 Assinale a alternativa cujas palavras estão acentuadas conforme a mesma regra. A) Estatística, dúvida, método B) Indagatório, quilômetros, favorável C) Árvore, República, você D) Espírito, estatística, indagatório E) Três, só, aí GABARITO 1. B 6. C 11. E 2. E 7. A 12. E 3. D 8. B 13. B 4. C 9. B 14. C 5. D 10. A 15. A QUESTÃO 14 Saiu o leão (1) a fazer sua pesquisa estatística, (2) para verificar (3) se ainda era o Rei das Selvas. (4)

12 VESTIBULAR DE INVERNO LÍNGUA PORTUGUESA Somos muito atrasados (literalmente) As estatísticas mostram que a ineficiência dos serviços públicos e privados no país rouba horas preciosas dos cidadãos. A origem disso é também cultural: o Brasil tem um dos povos menos pontuais do mundo -Kalleo Coura Esperar é sofrer. Tanto pela ansiedade associada à expectativa de ver algo se realizar como pela sensação, na maioria das vezes correta, de que se está desperdiçando algo valioso: tempo. Estima-se que um americano médio gaste cinco anos de sua vida parado em filas e seis meses esperando semáforos se abrirem. Se o mesmo estudo fosse feito no Brasil, as conclusões seriam ainda mais desanimadoras. A burocracia, a ineficiência de alguns serviços e o trânsito sobrecarregado fazem com que os brasileiros percam uma parcela muito maior de sua vida em atividades improdutivas do que, por exemplo, os americanos. Como a jornada de trabalho no Brasil também é maior, o resultado é que sobra menos tempo para a diversão. A cena de aeroportos abarrotados por causa do atraso de voos retrata o confisco de tempo livre a que os brasileiros costumam ser submetidos. Na quinta-feira 19, as companhias aéreas registraram um pico de 23% de voos com mais de trinta minutos de atraso. A média de outubro, que já foi alta, chegou a 14%. A população lida com essa realidade das duas únicas maneiras possíveis: ou incorpora a lentidão ao seu ritmo de vida, ou se exalta e perde a paciência. "A primeira postura é a que predomina no Brasil", diz o psicólogo social americano Robert Levine, autor do livro Uma Geografia do Tempo, inspirado na sua experiência como professor visitante em Niterói. No fim da década de 90, atormentado pelos chás de cadeira que enfrentou no Brasil, Levine resolveu fazer um levantamento em grandes cidades de 31 países para descobrir como diferentes culturas lidam com a questão do tempo. A conclusão foi que os brasileiros estão entre os povos mais atrasados do ponto de vista temporal, bem entendido do mundo. Foram analisadas a velocidade com que as pessoas percorrem determinada distância a pé no centro da cidade, o número de relógios corretamente ajustados e a eficiência dos correios. Os brasileiros pontuaram muito mal nos dois primeiros quesitos. No ranking geral, os suíços ocupam o primeiro lugar. O país dos relógios é, portanto, o que tem o povo mais pontual. Já as oito últimas posições no ranking são ocupadas por países pobres. O estudo de Robert Levine associa a administração do tempo aos traços culturais de um país. "Nos Estados Unidos, por exemplo, a ideia de que tempo é dinheiro tem um alto valor cultural. Os brasileiros, em comparação, dão mais importância às relações sociais e são mais dispostos a perdoar atrasos", diz o psicólogo. Uma série de entrevistas com cariocas, por exemplo, revelou que a maioria dos brasileiros considera aceitável que um convidado chegue mais de duas horas depois do combinado a uma festa de aniversário. Pode-se argumentar que os brasileiros são obrigados a ser mais flexíveis com os horários porque a infraestrutura não ajuda. Como ser pontual se o trânsito é um pesadelo e não se pode confiar no transporte público? Ou se, antes de ir a uma reunião, foi necessário gastar um tempo excessivo na fila de um posto de atendimento de uma operadora de celular para resolver um problema qualquer? Pôr a culpa apenas na burocracia e nos atrasos causados pelo subdesenvolvimento é compreensível só até certo ponto. Afinal de contas, as companhias aéreas, as empresas de telefonia e o sistema de tráfego são comandados e operados por indivíduos cuja melhor qualidade também não é a pontualidade brasileiros, portanto. É impossível saber o que veio primeiro: a cultura do atraso ou a infraestrutura que provoca atrasos. Conclui-se daí que o Brasil está preso num círculo vicioso. A relação flexível com o relógio afeta a qualidade dos serviços do dia a dia, o que, por sua vez, rouba tempo da população e, assim, perpetua o desprezo generalizado pela pontualidade. Nos consultórios médicos, em especial, a permissividade com os horários é um espanto e enseja situações desagradáveis. O infectologista Esper Georges Kallás, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, diz aceitar bem o atraso de seus pacientes, porque ele reconhece que às vezes não os atende no horário combinado. "Nem todos, porém, entendem isso. Certa vez, uma senhora se irritou porque eu me atrasei por mais de uma hora, brigou com a secretária e foi embora antes de ser atendida", diz Kallás. O descompasso entre a maioria que se conforma com e causa atrasos e a minoria que se esforça em planejar melhor o seu tempo é uma grande fonte de stress para os brasileiros. Uma pesquisa feita pela International Stress Management Association (Isma-Brasil) com executivos mostra que 62% deles consideram a dificuldade em administrar seu tempo o principal fator de stress. "Como a síndrome de burnout, o grau extremo de stress, é mais comum entre os brasileiros do que entre os ingleses ou americanos, povos com uma relação mais rígida com o tempo, isso indica que

13 nossa condescendência com a impontualidade não nos torna mais relaxados", diz a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da Isma-Brasil. Perder tempo, assim, é um atraso de vida em todos os sentidos. Texto adaptado de <http://veja.abril.com.br/021209/somosmuitoatrasados-literalmente-p-110.shtml>. Acesso em 20 dez QUESTÃO 1 Qual a palavra do título/subtítulo que, se subtraída, causaria ambiguidade para o entendimento do texto? A) Públicos B) Literalmente C) Privados D) Origem E) Ineficiência QUESTÃO 2 Todas as alternativas abaixo apresentam CAUSAS para o pouco rendimento do dia de um brasileiro, EXCETO A) ansiedade e expectativa. B) burocracia e ineficiência de serviços. C) lentidão e ritmo de vida. D) falta de administração do tempo. E) flexibilidade de horários. QUESTÃO 3 Assinale a alternativa cuja expressão destacada NÃO tem função anafórica no texto. A) "... povos com uma relação mais rígida com o tempo, isso indica que nossa condescendência... B)... expectativa de ver algo se realizar como pela sensação [...] de que se está desperdiçando algo valioso: tempo. C) A primeira postura é a que predomina no Brasil, diz o psicólogo social americano Robert Levine... D) Se o mesmo estudo fosse feito no Brasil, as conclusões seriam ainda mais desanimadoras. E)... porque ele reconhece que às vezes não os atende no horário combinado. QUESTÃO 4 Segundo o texto, a principal consequência da nãopontualidade para a vida do brasileiro é A) a condescendência. B) a burocracia. C) o ritmo de vida. D) o stress. E) a atividade improdutiva. QUESTÃO 5 Assinale a alternativa em que o autor utiliza a generalização irônica como recurso argumentativo para firmar sua tese sobre o atraso dos brasileiros. A) A burocracia, a ineficiência de alguns serviços e o trânsito sobrecarregado fazem com que os brasileiros percam uma parcela muito maior de sua vida em atividades improdutivas do que, por exemplo, os americanos... B) A população lida com essa realidade das duas únicas maneiras possíveis: ou incorpora a lentidão ao seu ritmo de vida, ou se exalta e perde a paciência. A primeira postura é a que predomina no Brasil... C) Os brasileiros, em comparação, dão mais importância às relações sociais e são mais dispostos a perdoar atrasos, diz o psicólogo... D) A relação flexível com o relógio afeta a qualidade dos serviços do dia a dia, o que, por sua vez, rouba tempo da população e, assim, perpetua o desprezo generalizado pela pontualidade. E)... as empresas de telefonia e o sistema de tráfego são comandados e operados por indivíduos cuja melhor qualidade também não é a pontualidade brasileiros, portanto. QUESTÃO 6 A média de outubro, que já foi alta, chegou a 14%. A população lida com essa realidade das duas únicas maneiras possíveis: ou incorpora a lentidão ao seu ritmo de vida, ou se exalta e perde a paciência. A relação lógico-semântica estabelecida pelos conectivos destacados é a de A) explicação. B) conclusão. C) adição. D) adversidade. E) alternância. QUESTÃO 7 Em Nem todos, porém, entendem isso., no início do último parágrafo, o infectologista A) conclui o que expõe anteriormente, ou seja, os pacientes devem aceitar os atrasos dos médicos, pois isso faz parte do cotidiano dos brasileiros. B) adiciona um comentário relacionado ao fato de alguns pacientes não entenderem que os médicos não são capazes de atender seus pacientes na hora marcada. C) explica que a falta de paciência dos pacientes vai contra a atitude deles próprios que, muitas vezes, também se atrasam para as consultas médicas. D) apresenta uma contrariedade em relação ao que afirma anteriormente, ou seja, os pacientes nem sempre entendem que tanto médicos quanto pacientes se atrasam. E) alterna entre duas opiniões sobre o comportamento dos pacientes que, por se atrasarem para as consultas, também deveriam entender o atraso dos médicos. QUESTÃO 8 Assinale a alternativa correta quanto aos elementos linguísticos empregados na construção do texto.

14 A) Em Afinal de contas, as companhias aéreas, as empresas de telefonia e o sistema de tráfego são comandados e operados por indivíduos cuja melhor qualidade também não é a pontualidade brasileiros, portanto., a expressão destacada é empregada para inserir uma explicação sobre os indivíduos que não apresentam pontualidade. B) Em Como a síndrome de burnout, o grau extremo de stress, é mais comum entre os brasileiros do que entre os ingleses ou americanos..., as expressões destacadas introduzem uma comparação entre brasileiros e ingleses ou americanos. C) Em Como a jornada de trabalho no Brasil também é maior, o resultado é que sobra menos tempo..., a expressão destacada é empregada para introduzir uma comparação entre a jornada de trabalho do Brasil e a de outros países. D) Em Se o mesmo estudo fosse feito no Brasil, as conclusões seriam ainda mais desanimadoras., a expressão destacada introduz uma conclusão sobre os estudos desanimadores no Brasil. E) Em Pode-se argumentar que os brasileiros são obrigados a ser mais flexíveis com os horários porque a infraestrutura não ajuda., a expressão destacada introduz uma conclusão para o fato de os brasileiros não serem pontuais. QUESTÃO 9 Assinale a alternativa INCORRETA quanto ao emprego dos elementos linguísticos e seus sentidos na construção do texto. A) Em Perder tempo, assim, é um atraso de vida em todos os sentidos., o elemento destacado indica uma conclusão do autor. B) Em Se o mesmo estudo fosse feito no Brasil, as conclusões seriam ainda mais desanimadoras., o elemento destacado indica acréscimo. C) Em Já as oito últimas posições no ranking são ocupadas por países pobres., o elemento destacado indica o momento em que os países pobres ocuparam as últimas posições. D) Em A relação flexível com o relógio afeta a qualidade dos serviços do dia a dia, o que, por sua vez, rouba tempo da população e, assim, perpetua o desprezo generalizado pela pontualidade., o elemento destacado indica conclusão do autor. E) Em A média de outubro, que já foi alta, chegou a 14%. A população lida com essa realidade das duas únicas maneiras possíveis..., o elemento destacado indica o momento passado. QUESTÃO 10 Assinale a alternativa cujo elemento destacado NÃO foi analisado corretamente quanto ao sentido que apresenta no contexto. A) Se o mesmo estudo fosse feito no Brasil, as conclusões seriam ainda mais desanimadoras. (sentido contrário) B) O descompasso entre a maioria que se conforma com e causa atrasos... (sentido de privação/ausência) C)... nossa condescendência com a impontualidade não nos torna mais relaxados... " (sentido de privação/ausência) D) A burocracia, a ineficiência de alguns serviços e o trânsito sobrecarregado fazem... (sentido de privação/ausência) E)... na maioria das vezes correta, de que se está desperdiçando algo valioso: tempo. (sentido contrário) QUESTÃO 11 Em É impossível saber o que veio primeiro: a cultura do atraso ou a infraestrutura que provoca atrasos., o valor semântico do elemento destacado também é encontrado em A) Pôr a culpa apenas na burocracia e nos atrasos causados pelo subdesenvolvimento é compreensível... B)... isso indica que nossa condescendência com a impontualidade não nos torna mais relaxados... " C) Foram analisadas a velocidade com que as pessoas percorrem determinada distância a pé no centro da cidade... D) A burocracia, a ineficiência de alguns serviços e o trânsito sobrecarregado fazem com que os brasileiros... E) É impossível saber o que veio primeiro: a cultura do atraso ou a infraestrutura que provoca atrasos. QUESTÃO 12 Assinale a alternativa em que a colocação do pronome oblíquo é opcional, segundo a norma padrão. A) Estima-se que um americano médio gaste cinco anos de sua vida parado em filas... B)... ele reconhece que às vezes não os atende no horário combinado... C) Certa vez, uma senhora se irritou porque eu me atrasei por mais de uma hora... D)... a minoria que se esforça em planejar melhor o seu tempo... E)... não se pode confiar no transporte público? QUESTÃO 13 Assinale a alternativa em que pode haver a variação da concordância verbal. A) Nos consultórios médicos, em especial, a permissividade com os horários é um espanto... B) A maioria dos brasileiros considera aceitável que um convidado chegue (...) depois do combinado... C) Nem todos, porém, entendem isso (...) diz o infectologista Esper Georges Kallás. D) A burocracia, a ineficiência de alguns serviços e o trânsito sobrecarregado fazem com que os brasileiros... E) A conclusão foi que os brasileiros estão entre os povos mais atrasados do ponto de vista temporal...

15 QUESTÃO 14 A regência verbal e nominal, segundo a norma padrão, obriga o uso da preposição em todas as alternativas abaixo, EXCETO em A) A cena (...) retrata o confisco de tempo livre a que os brasileiros costumam ser submetidos. B) O estudo de Robert Levine associa a administração do tempo aos traços culturais de um país... C) Pode-se argumentar que os brasileiros são obrigados a ser mais flexíveis com os horários... D)... aceitável que um convidado chegue mais de duas horas depois do combinado a uma festa de aniversário. E) Foram analisadas a velocidade com que as pessoas percorrem determinada distância a pé no centro... A questão 15 refere-se à charge a seguir. QUESTÃO 15 Os elementos responsáveis pela possível construção do humor da charge são A) o contexto evocado pelo título e a venda de mudas. B) a venda de mudas e a relação de contigüidade expressa pelo nome arruda.. C) a venda de mudas e a moeda que cai do vaso, que representa a fortuna. D) os traços caricaturescos das personagens e a venda de mudas. E) o contexto evocado pelo título e os traços caricaturescos das personagens. GABARITO 1. B 6. E 11. A 2. A 7. D 12. C 3. B 8. B 13. B 4. D 9. C 14. E 5. E 10. E 15. B VESTIBULAR DE VERÃO LÍNGUA PORTUGUESA MEU IDEAL SERIA ESCREVER Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse ai meu Deus, que história mais engraçada! E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria mas essa história é mesmo muito engraçada! Que um casal que estivesse em casa, malhumorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua mávontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos. Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera, a minha história chegasse e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria, que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aquelas pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse por favor, se comportem, que diabo! Eu não gosto de prender ninguém! E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história. E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e fosse atribuída a um persa, na Nigéria, a um australiano, em Dublin, a um japonês, em Chicago mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente, e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la: essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem: foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto: sim, deve ser uma história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento: é divina.

16 E quando todos me perguntassem mas de onde é que você tirou essa história? eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi, por acaso, na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: Ontem ouvi um sujeito contar uma história... E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro. (Rubem Braga. 200 Crônicas Escolhidas 2 ed. Rio de Janeiro: Record, 1978, p ). QUESTÃO 1 Sobre essa crônica, é INCORRETO afirmar que A) tem como tema central a solidariedade humana. B) o autor pretende que sua histór ia se torne universal. C) os quatro primeiros parágrafos focalizam locais diferentes. D) está estruturada em causa única e diversas conseqüências. E) a solidão, a tristeza, o luto da moça e a cor cinzenta da casa sugerem tratar-se de uma viúva. QUESTÃO 2 Uma das afirmativas abaixo é improcedente. Assinale-a. A) (...) e todos a quem ela contasse rissem e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. O adjetivo espantados estabelece concordância nominal com o pronome substantivo todos. B) Mas depois que esta, apesar de sua má-vontade, tomasse conhecimento da história (...) Da história é complemento nominal do substantivo conhecimento. C) No último parágrafo, o verbo está caracteriza o estado permanente e definitivo em que se encontra a moça da casa cinzenta. D) Em (...) que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados (...). O termo do distrito é adjunto adnominal de comissário. E) Não importa a Rubem Braga que sua crônica seja universalmente divulgada, contanto que conserve seu vigor. A segunda oração dessa afirmativa classifica-se como subordinada substantiva subjetiva. QUESTÃO 3 Ela continuava a olhar para a janela da casa cinzenta. Por trás da vidraça da janela passavam vultos. Transformando a segunda oração numa subordinada adjetiva, a estruturação CORRETA é a seguinte A) Ela continuava a olhar para a janela da casa cinzenta através da mesma vidraça passavam vultos. B) Ela continuava a olhar para a janela da casa cinzenta, por trás da sua vidraça passavam vultos. C) Ela continuava a olhar para a janela da casa cinzenta, por trás da vidraça dela passavam vultos. D) Ela continuava a olhar para a janela da casa cinzenta por trás dessa vidraça passavam vultos. E) Ela continuava a olhar para a janela da casa cinzenta, por trás de cuja vidraça passavam vultos. QUESTÃO 4 Em todos os pares abaixo, as considerações propostas são válidas EXCETO em A) - Se todas as palavras terminadas em ditongo crescente devem ser graficamente acentuadas, então as seguintes servem de exemplo: história, próprio, Nigéria. - (...) moça reclusa, doente, enlutada (...) e (...) como um raio de sol, irremediavelmente louro, quente, vivo (...). Os substantivos vêm modificados por três adjetivos qualificadores de estado e/ou qualidade. B) - O marido a leria e começaria a rir (...) O pronome a refere-se à esposa do marido. - (...) e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o outro sem rir mais (...), os termos sublinhados denotam o término do riso. C) - (...) quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar (...) A iteração de risse, risse denota idéia superlativa. - Em (...) tomasse conhecimento da história (...), o substantivo conhecimento indica idéia de ação. D) - (...) contou aos ouvidos de um santo (...). A palavra em negrito é um adjetivo substantivado, graças ao indefinido um. - Em (...) e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o outro (...), os termos em negrito exercem a função de sujeito, cujo núcleo é dois. E) - (...) aquelas pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse (...). O pronome lhes exerce a função de objeto indireto. - (...) aquela moça que está doente naquela casa cinzenta (...), os pronomes demonstrativos localizam seres afastados tanto do cronista quanto dos leitores. QUESTÃO 5 Uma das afirmativas abaixo é improcedente. Assinale-a. A) No último parágrafo, o cronista diz que inventou sua história em um só segundo, então ele acabou realmente escrevendo a história. B) Não importa ao cronista que a sua história seja contada de diversas maneiras e em outras línguas, desde que conserve a ternura de seu conteúdo e finalidade.

17 C) Mas depois que esta, apesar de sua má-vontade, tomasse conhecimento da história (...). O verbo sublinhado concorda com o pronome substantivo esta. D) (...) e todos a quem ela contasse rissem e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. O advérbio alegremente acrescenta idéia de modo ao adjetivo e o advérbio tão é intensificador. E) Em (...) que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados (...) Nota-se, separada pelas vírgulas, uma oração subordinada adverbial temporal. QUESTÃO 6 E então a contasse para a cozinheira (...) Assinale a opção cujo verbo tem a mesma regência do verbo acima. A) Ah, que minha história fosse como um raio de sol (...) B) E eu esconderia completamente a humilde verdade (...) C) (...) limpassem seu coração com lágrimas de alegria (...) D) (...) que eu a ouvi, por acaso, na rua, de um desconhecido (...) E) (...) todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes (...) QUESTÃO 7 Em todos os pares abaixo, a presença ou a ausência do sinal indicador de crase altera o sentido da frase, EXCETO em A) - A casa toda cheirava à galinha que D. Amélia caprichara para o almoço. - A casa toda cheirava a galinha que D. Amélia caprichara para o almoço. B) - Frederico apresentou-me à moça do baile. - Frederico apresentou-me a moça do baile. C) - Os jogadores entravam à saída do juiz. - Os jogadores entravam a saída do juiz. D) - Mandei um recado à minha prima. - Mandei um recado a minha prima. E) - Estava linda à luz da Lua. - Estava linda a luz da Lua. QUESTÃO 8 Para resolver essa questão, marque (V) para as afirmativas verdadeiras e (F) para as falsas. ( ) Sinestesia consiste na interpenetração de planos sensoriais na visão da mesma realidade, conforme se vê em Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo (...) ( ) Nos quatro primeiros parágrafos, por exemplo, o autor usa por diversas vezes verbos no imperfeito do subjuntivo. Esses verbos estão, coesamente, conectados ao futuro do pretérito Meu ideal seria (...). ( ) No período Mas depois que esta, apesar de (demonstrar) sua má-vontade, tomasse conhecimento ( ), o emprego das vírgulas se justifica uma vez que a oração concessiva está intercalada. ( ) O comissário mandou soltar aquelas pobres mulheres que, por serem pobres, viviam mendigando na calçada. ( ) Em E que assim todos tratassem melhor seus empregados (...). A palavra em negrito significa desse modo. ( ) No quarto parágrafo deduz-se que o autor deseja que sua histór ia se espalhe, até por imigrantes. A seqüência CORRETA é A) V, V, V, F, V, V B) V, V, F, F, V, V C) F, V, F, F, V, V D) F, F, V, F, V, F E) V, F, F, V, V, V QUESTÃO 9 Assinale a afirmativa INCORRETA. A) Há interjeições em ai meu Deus, Ah, que minha história (...), que diabo! B) E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo (...), a forma sublinhada equivale a fosse espalhada. C) Meu ideal seria escrever uma história (...) O futuro do pretérito refere-se a um fato não realizado e que, provavelmente, não se realizará. D) (...) ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. - A forma pronominal la tem como antecedente referencial o substantivo comum história. E) (...) mandasse soltar aqueles bêbados e também aquelas pobres mulheres (...) - A construção e também além de adicionar acrescenta a idéia de inclusão. QUESTÃO 10 Considerando o significado dos verbos abaixo, relacione as colunas. (1) seguir (2) efetuar (3) acariciar (4) circundar (5) ser agradável (6) ter como objetivo ( ) O rio abraça a vila de lado a lado. ( ) Abraçou, muito cedo, a carreira diplomática. ( ) A decisão do Tribunal não agradou aos requerentes. ( ) O secretário procedeu à chamada de todas as testemunhas. ( ) A menina, com suas mãos de fada, agradava o irmãozinho choroso. ( ) A escola visa ao crescimento moral e intelectual de todos os cidadãos.

18 A seqüência numérica CORRETA é A) B) C) D) E) QUESTÃO 11 Todas as palavras abaixo apresentam dois dígrafos, EXCETO A) próprio B) inventei C) chegasse D) conhecimento E) irresistivelmente QUESTÃO 12 É INCORRETA a afirmativa da opção A) (...) e depois pedisse para si própria (...) - Essa construção indica ação reflexa. B) (...) e que no fundo de uma aldeia da China (...). O substantivo fundo traduz idéia de lonjura, grande distância. C) Em (...) a contasse para a cozinheira (...) a forma para a pode ser corretamente substituída por à, sem prejuízo do sentido. D) (...) depois de ler minha história (...) Substituindose o termo sublinhado pelo pronome átono correspondente, resulta a forma ler-la. E) Em (...) e que um ouvindo aquele riso do outro (...), tanto o indefinido um quanto o pronome outro assumem forma substantiva, pois referemse a pessoas. D) (...) mas que em todas as línguas ela guardasse sua frescura (...) - A conjunção inicial assinala o sentido contrário ao desejo do cronista. E) (...) mandasse soltar aqueles bêbados e também aquelas pobres mulheres (...) - Nesse fragmento há elipse da forma verbal anterior antes do último objeto direto. QUESTÃO 15 É INCORRETO afirmar que A) depreende-se do terceiro parágrafo forte sentimento de compreeensão e ternura para com o próximo. B) E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo (...) - A expressão em itálico corresponde a paulatinamente. C) (...) que esse casal também fosse atingido pela minha história. - Nessa frase, história é o agente da ação verbal, e esse casal, o alvo. D) em valeu a pena ter vivido até hoje para ouvila(...), as duas últimas preposições denotam, respectivamente, idéia de limite e de finalidade. E) (...) foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia (...) - Nota-se o absurdo da afirmação, pois se o santo dormia, logicamente não ouviria a história. GABARITO 1. E 6. D 11. A 2. anulada 7. D 12. D 3. E 8. A 13. B 4. B 9. D 14. D 5. A 10. A 15. E QUESTÃO 13 Em todas as opções há palavras com ditongo decrescente, EXCETO em A) sujeito B) dormia C) poucos D) também E) maneiras QUESTÃO 14 Marque a afirmativa FALSA. A) Há uma hipérbole em (...) e fosse contada de mil maneiras (...). B) (...) e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos. - É a eterna busca do paraíso perdido. C) (...) que minha história fosse como um raio de sol (...). O verbo desse fragmento traduz um desejo, uma aspiração.

19 VESTIBULAR DE INVERNO LÍNGUA PORTUGUESA QUESTÕES DE 1 A 10 TEXTO: Em 1998, 20% dos homens entrevistados na pesquisa Família Brasileira pensavam que a principal qualidade de uma esposa consistisse em saber cuidar da casa. Hoje, esse percentual caiu para 7%. Também 5 em 1998, outros 12% escolheram cuidar bem dos filhos como qualidade principal. Em 2007, foram só 4%. Até aqui poderíamos entender, simplesmente, que, na última década, os homens, enfim, pararam de esperar que suas esposas fossem babás e governantas. 10 A recíproca, digamos assim, também aconteceu: há nove anos, 14% das mulheres diziam que a principal qualidade de um marido consistia em sustentar a família. Agora, são 4% as que pensam o mesmo. [...] Ora, talvez a pesquisa de hoje mostre que estamos 15 amadurecendo, ou seja, reformulando essa utopia impossível: nada de resignação, mas a invenção progressiva de um novo tipo de casamento. Veja só. Os entrevistados tiveram que escolher, entre seis itens, qual seria o mais importante para a felicidade de um 20 casamento. Pois bem, 38% escolheram a fidelidade (contra 23% em 98). Em compensação, a importância do amor diminuiu, de 41% para 35%. Estranho, não é? Afinal, o ciúme não é um complemento do amor-paixão? Como pode diminuir a 25 exigência de amor e aumentar a de fidelidade? A resposta está em outros números oferecidos pela pesquisa. Entre 1998 e hoje, aumentou o percentual das mulheres que consideram como principal qualidade de um marido sua capacidade de ser companheiro e amigo 30 (de 6% para 11%) e de ser atencioso (de 3% para 10%). Que ele ame a esposa é também crucial, mas talvez esteja mudando nossa idéia do tipo de amor que deve acompanhar e sustentar o casamento. Talvez não procuremos mais o amor-paixão (note-se que a vida 35 sexual satisfatória como item necessário para a felicidade da união ficou com um triste 2%), mas um amor companheiro e amigo, um amor tranqüilo, como diz a música. Se isso fosse verdade, a fidelidade, hoje 40 considerada uma qualidade essencial do marido e da esposa, não seria a exigência possessiva da paixão. Existe uma fidelidade que não consiste em evitar aventuras, escapadas e amoricos paralelos; é o tipo de fidelidade que é exigível de um amigo. 45 Talvez, em suma, esteja aparecendo um novo tipo de casamento moderno, baseado, como deve ser, nos sentimentos, mas não no ideal do amor-paixão romântico nem no da satisfação sexual: uma espécie de aliança sentimental para a vida. CALLIGARIS, Contardo. O triunfo de qual amor. Família brasileira/folha de S. Paulo, São Paulo, p , 7 out QUESTÃO 1 A alternativa que apresenta fidelidade às informações do texto é a A) A ressignificação constatada nas relações conjugais, para o homem ou para a mulher, prescinde de respeito às tradições. B) A melhoria das condições socioeconômicas das mulheres, hoje um fato, ocorreu em detrimento de seu papel principal, que deveria ser a maternidade. C) A situação sociocompor tamental da família brasileira revela, hoje, alterações pouco relevantes nos códigos da sexualidade e das normas culturais. D) As mudanças detectadas nas pesquisas em apreço constatam um reforço no lado do amor-paixão, contrariamente aos interesses materiais na relação familiar. E) Alguns valores dos brasi lei ros mudaram, nos últimos anos, nos segmentos sociais mais populares, contudo a família não aumentou em importância como instituição. QUESTÃO 2 No texto, o autor A) enxerga o novo papel masculino dentro da relação familiar reduzido a objeto e não mais como sujeito social. B) acredita na existência de um sistema de autoridade familiar na hierarquia feminina, mas alicerçado no modelo patriarcal. C) considera que a reformulação por que passa a família brasileira subentende contradições no que se refere à fidelidade conjugal. D) indaga o que significa a nova complexidade da vida social brasileira para a mulher e responsabiliza o homem pela desestruturação familiar. E) opina que hoje não existem mais critérios para distinguir o que é lícito e o que é proibido na instituição familiar brasileira e justifica o seu ponto de vista. QUESTÃO 3 Considerando-se as duas pesquisas analisadas no texto, o que se afirma sobre o casamento é correto em A) O medo da solidão, hoje, é um fator crucial nas motivações para o casamento. B) O mais importante, tanto para o marido quanto para a esposa, é a liberdade incondicional. C) O vínculo ent re os parcei ros mat r imoniais, nas duas pesquisas, revelou-se fortalecido no que concerne ao sentimento de amor-paixão. D) Os índices apresentados nas duas pesquisas revelam uma maior flexibilização no relacionamento homem/mulher, mesmo em relação à importância do amor. E) A pesquisa da década de 90 mostrou um homem mais voltado para uma vida social, descomprometido com o lar, enquanto a de hoje mostra-o mais acomodado no lar.

20 QUESTÃO 4 Constitui uma afirmação verdadeira sobre a linguagem desse texto a que está expressa na alternativa A) As expressões referenciais predominam no contexto, muitas vezes indicando pontos de vista e sinalizando dificuldades de compreender o resultado das pesquisas. B) A estratégia argumentativa utilizada pelo autor contempla o constante uso de antíteses para caracterizar o masculino e o feminino. C) O autor elabora a sua argumentação com o objetivo de retificar os dados apresentados pelas pesquisas de 98 e D) O processo argumentativo relaciona dois acontecimentos sucessivos por meio de um vínculo causal entre eles. E) O raciocínio argumentativo realiza-se pelo uso freqüente de termos ou expressões metafóricas. QUESTÃO 5 As expressões Veja só e Pois bem, no quarto parágrafo, ressaltam A) o processo da pesquisa e os seus resultados. B) a contradição do autor no comentário sobre o casamento na contemporaneidade. C) a hesi tação do autor em fazer comentár ios sobre os números comparados. D) a desconfiança do enunciador do discurso sobre a seriedade da pesquisa. E) o desejo do emissor de fazer uma outra análise da pesquisa. QUESTÃO 6 Constitui um exemplo de intertextualidade explícita no texto o fragmento transcrito em A) Em 2007, foram só 4%. (l. 6). B) essa utopia impossível. (l ). C) Estranho, não é? (l. 23). D) (note-se que a vida sexual satisfatória como item necessário para a felicidade da união ficou com um triste2%) (l ). E) um amor tranqüilo (l. 37). QUESTÃO 7 No quarto parágrafo, A) Ora tem valor alternativo. B) ou seja, é uma expressão lingüística que introduz uma explicação de estamos amadurecendo. C) utopia impossível constitui um conjunto de elementos lexicais de conteúdos opostos. D) nada de resignação quer dizer aceite sem revolta. E) mas introduz uma síntese do que se declarou antes no período. QUESTÃO 8 No penúltimo parágrafo do texto, A) o pronome isso refere-se a amor-paixão. B) as formas verbais fosse e seria indicam a perspectiva de tempo futuro. C) o termo aventuras, escapadas e amoricos paralelos completa o sentido da forma verbal consiste. D) a seqüência é o tipo de fidelidade refere-se a exigência possessiva da paixão. E) que é exigível de um amigo exerce função adjetivadora no contexto da frase. QUESTÃO 9 No último parágrafo do texto, A) Talvez é um termo que põe em xeque os dados estatísticos da pesquisa mais recente enfocada. B) em suma é uma expressão que indica seleção. C) como deve ser expressa uma concordância do autor com o novo conceito de fidelidade. D) do é um termo contrato que apresenta o o como pronome objeto. E) uma espécie de aliança sentimental para a vida retoma a idéia contida em um amor tranqüilo (l. 37). QUESTÃO 10 Em relação ao que se informa sobre a felicidade no parágrafo anterior, a frase Se isso fosse verdade, a fidelidade, hoje considerada uma qualidade essencial do marido e da esposa, não seria a exigência possessiva da paixão. (l ) constitui A) uma retificação. B) uma concessão. C) uma conexão causal. D) uma condicionalidade. E) um contraste adversativo. QUESTÕES DE 11 A 14 TEXTO: O culto à frivolidade e a submissão à ditadura dos modismos têm ocupado espaço em alguns setores da mídia. No imenso shopping das futilidades, promovido pela força do negócio do entretenimento que tudo banaliza 5 e transforma em espetáculo, há prateleiras para todos os gostos. Vivemos sob o domínio do inconsistente e sucumbimos à tirania do politicamente correto. O fenômeno, no entanto, não admite explicações unilaterais. Existe, freqüentemente, uma forte relação 10 de amor e ódio, uma paradoxal cumplicidade entre a mídia, suas estrelas e a opinião pública. A obsessão seletiva pelo underground da vida tem transformado páginas de comportamento num autêntico compêndio freudiano.

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