Cláudia Efe em entrevista Gabinetes de imprensa e showrooms Zazous, moda e jazz Shopping Personal Work by Tatiana Macedo Cinema verde

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1 pure Pure Magazine / Edição quatro / Outono 2009 / Cláudia Efe em entrevista Gabinetes de imprensa e showrooms Zazous, moda e jazz Shopping Personal Work by Tatiana Macedo Cinema verde

2 / PURE MAGAZINE / EDIÇÃO QUATRO / OUTONO 2009 CATARINA WALLENSTEIN em entrevista Moda em evolução Tendências FABIEN BARON Revolução Francesa MIKIO NARUSE O ilustre desconhecido Vestuário e tecnologia / EDITORIAL Esta edição marca o início da nova estação Outono/ Inverno, mas na realidade os criadores acabaram de apresentar as suas colecções de Verão. Na Moda trabalha-se em avanço e quase nunca em tempo real. Na realização de editoriais, nada poderia ser mais injusto: No Verão fotografa-se Inverno e no Inverno fotografa-se Verão. Se me perguntarem, não saberei dizer qual das situações a pior, porque ambos os extremos são difíceis. Já fotografei sedas e vestidos esvoaçantes na costa da Normandia com um frio cortante e temperatura a rondar os 2ºC assim como aconchegantes lãs e confortáveis peles no pico do Verão onde o calor queima e o sol é vertical. O trabalho de equipa é neste caso primordial. A coordenação de toda a história tem de ser trabalhada com antecipação para evitar atrasos e impasses que originam cansaço e situações de stress nos manequins que são os principais alvos. Mas a fronteira entre colecções está a tornar-se mais ténue. Tanto o Verão como o Inverno tendem a diluir-se. As grandes marcas de distribuição já não trabalham duas colecções mas muitas mais e os chamados previews funcionam como ponte entre os dois picos de calor e frio. Felizmente já há sedas no Inverno e lãs no Verão. Os Showrooms de imprensa são importantíssimos, porque acompanham e dão apoio aos Produtores de Moda em todo este processo de escolha e divulgação das colecções. Embora todos nós, profissionais, saibamos a importância que um showroom tem na nossa área, a grande parte do público desconhece o verdadeiro objectivo deste processo. Foi por isso que decidimos nesta edição, falar dos Showrooms e do seu funcionamento. Levantamos a ponta do véu para darmos a conhecer uma área discreta mas de importância primordial no funcionamento desta máquina que é a Moda. Helga Carvalho capa : Vera Fonseca (L Agence) fotografada por Ricardo Cruz / Styling: Helga Carvalho / Maquilhagem: Chung Joo para AR Atelier / Cabelos: Wallace Marques para Samuel Rocher - Atelier de Coiffure FICHA TÉCNICA DIRECção / edição Helga Carvalho DESIGN gráfico Paulo Condez, Marta Branquinho, Neuza Campos e Lourenço Salgueiro WEB design Ivo Fernandes RELAÇÕes PÚbliCas: Hugo Tiburccio COLABORADORES Edição / Texto Ana Rita Clara Carlos Natálio Chiara Vecchio Francisco Vaz Fernandes Michele Santos Miguel Ângelo Matos Milene Matos Soraia do Carmo Patrícia Boto Cruz Sara Andrade Soraia do Carmo Susana Lage Fotografia CG Watkins Pedro Pacheco Ricardo Cruz Tatiana Macedo Ilustração Marco Godinho Teresa Abrunhosa pure / COLABORADORES Sara Andrade Pensou em ir para artes, mas acabou em humanidades. Estava decidida em seguir Direito, mas licenciou-se em Comunicação Social. Ironia do destino, hoje alia as duas vertentes e faz jornalismo em moda. Integra o departamento de Moda da Vogue Portugal há cerca de 4 anos e confessa que é o seu lugar ideal, porque combina o melhor dos dois mundos que adora: Continuo a escrever sobre o que mais gosto, estilo e tendências, mas também tenho a oportunidade de acompanhar em primeira fila a realização de editoriais de moda, bem como interagir com os profissionais que fazem da indústria o que ela é. Neste número, assina adequadamente o artigo sobre os Showrooms e a sua importância para a moda e Imprensa. Ivo Fernandes Português de 32 anos. Licenciado em engenharia Electrotécnica e computadores no ist, trabalhou durante 2 anos nesta área, quando decidiu mudar... Deixou Portugal e foi à descoberta de Barcelona em 2003, onde tirou um master em Interfaces Interactivas na Elisava. Voltou a Portugal um ano e meio de depois para vir traballhar na Action 4, como coordenador de eventos, não deixando de trabalhar em multimedia como freelance. Trabalhou 1 ano numa agência como web designer. Em 2006 dedica-se em exclusivo a ser freelance. Colabora com váias agências em Portugal, não perdendo a esperança de poder voltar a Barcelona de novo... CG Watkins Nasceu em Londres, cresceu nos subúrbios de Perth, e tentou amadurecer em várias cidades do Reino Unido. Actualmente vive em Paris onde fotografa para revistas e publicidade, mas o que mais adora é a oportunidade de fotografar as suas experiências de roadtrips, viagens ao estrangeiro e divertir-se com as pessoas que encontra pelo caminho. Esta é provavelmente uma das razões pelas quais gostou tanto da viagem Paris-Lisboa que fez no seu Lada para fotografar para a Pure! Marco Godinho Nasceu em Espinho em Estudou design de moda no Centro profissional da indústria têxtil (CiteX) no Porto. Ainda durante o curso faz estágio curricular na marca de vestuário red oak como designer de moda. Após concluir o curso aceita o convite de entrar na equipa de design da red oak para deselvolver as colecções de Jeanswear. Paralelamente desenvolve e apresenta colecções próprias com o nome próprio como jovem criador e desenvolve ilustrações. Vive entre Espinho e Porto Miguel Ângelo Matos Nasceu em Lisboa em 1977, mas passa mais tempo na zona de Sintra onde gosta de praticar bodyboard. Depois de se licenciar em Ciências da Comunicação pela Universiade Autónoma de Lisboa, segue para Londres com o pretexto do PG Cert em Fashion and Lifestyle do London College of Fashion, University of the Arts of London. Colaborou com as revistas Lux e LuxdeCO como editor de shopping, redactor e produtor de ambientes. Agora surge a versão web, com regulares presenças no site Rua de Baixo e na Pure Magazine. Gosta de cinema realista, francês, contemporâneo. Gosta de música pop e electrónica e de rock também. E roupas claro, muitas!

3 cláudia efe Começou a cantar através da dança e hoje é um elemento chave dos Micro Audio Waves, uma das bandas mais internacionais portuguesas. Quando entra em palco tudo brilha. Projectos não lhe faltam, como a da participação o nos desfiles de moda do criador Ricarto Preto. Temos musa! por Milene Matos FOTOGRAFADO POR: CG WATKINS / ASSISTIDO POR: CRISTINA PEDRO / STYLING: HELGA CARVALHO / MAKE UP& HAIR: MIGUEL MOLENA Cláudia veste vestido em veludo e organza, psc. Blazer masculino, psc, ambos, RICARDO PRETO

4 Cláudia veste Blazer sem mangas e leggings em chifon, psc, ambos, RICARDO PRETO Cláudia veste vestido em lamé estampado, psc, RICARDO PRETO / Chapéu em feltro, 30, PEPE JEANS

5 Cláudia veste Blazer, 120, PEPE JEANS / Meias, WOOLFORD Cláudia veste t-shirt em algodão e seda estampada, 65, TWENTY 8 TWELVE / Colete em pele, 498, BCBG MAX AZRIA

6 Cláudia veste Blazer, 120, PEPE JEANS / T-shirt em algodão estampado, 31, DIESEL / Meias WOOLFORD / Sandálias em pele, 55, MANGO

7 Cláudia veste Blazer masculino, psc, RICARDO PRETO / Chapéu em feltro, 30, PEPE JEANS

8 De que forma é que a música entrou na tua vida? Começaste cedo a cantar? Não me lembro de cantar. O desenho e a dança foram os primeiros a seduzirem-me. A música entrou porque sempre gostei de dançar. Lembro-me de aos cinco anos ter feito um bailado para o meu pai e para a minha irmã mais velha, depois de ter visto um filme com a Vanessa Redgrave a fazer de Isadora Duncan. O disco era o Tubullar Bells do Mike Oldfield e fez a fortuna do magnata extravagante da Virgin. Aos sete já me lembro de cantar as Doce e os sucessos todos dos festivais da canção. Depois, havia ainda as viagens. No carro da minha mãe ouvia-se a Barbara Streisand. Já no do meu pai ouvia-se os Supertramp. Quando viajávamos com os dois havia sempre uma cassete que tinha uma colectânea feita por eles com Otis Redding, Roberta Flak, Shirley Bassey entre outros. A caixa de música da minha avó Ofélia tinha uma bailarina com espelhos. O Casio portátil, um teclado de bolso, foi presente do meu pai num aniversário. Depois, a adolescência encarregou-se de tudo. Comecei a cantar entre amigos. O facto de teres crescido na Zona J, um bairro social pensado por Tomás Taveira, influenciou de alguma forma a tua maneira de ser? E teve alguma influência nos teus projectos musicais? Sim. Foi sempre para mim a perfeição da infância. A liberdade (no bairro) era total. As brincadeiras, os amigos, as horas... tudo. Entendo que nem toda a gente tenha ideia de que fosse perfeito, mas era. As casas ainda por construir. Os novos vizinhos que agora são velhos. Comidas exóticas. A música alta a sair pelas janelas. A minha avó a gritar o meu nome à janela para ir para casa. Os cães, os rebuçados e caramelos atirados por uma janela para uma multidão de crianças. Histórias de outros mundos. As minhas amigas de infância foram e são cinco lindas irmãs angolanas e que se vestiam como nos vídeos da Mel and Kim. Era perfeito. Acho que essa liberdade continua a fazer parte daquilo que acho obrigatório na vida e em qualquer actividade que tenha. Deu-me a habilidade de descobrir facilmente o lado especial de um sítio qualquer, mas também fora e dentro das pessoas. Vem de lá toda a minha amplitude social. A violência a que se assististe, de alguma forma condicionou as tuas escolhas profissionais? A violência a que assisti no cinema? Na televisão? (risos) no bairro não era nada de anormal, ou pelo menos nunca a entendi dessa forma. Vizinhos aos berros. Será que isso conta?! Nunca vi ninguém esfaquear alguém, como já vi no Bairro Alto (no centro histórico de Lisboa). Nem ninguém espancar alguém, como já vi no Príncipe Real! Francamente, acho que é um bairro tranquilo e surpreendente. De vez em quando há uns filmes de acção mais de show off policial do que de violência, Os criminosos não usam colarinho branco mas também sabem ser discretos e têm família e amigos como toda a gente e todo o bom criminoso rico ou pobre, de famílias nobres ou mais ou menos. Quanto às escolhas profissionais serem condicionadas, para além da genética, karma, ambiente familiar, aspecto socio-cultural-económico e ainda morar na Zona J, acho que pode fazer parte de uma longa equação em conjunto com gatos e cães e uma quantidade de estranhos que se cruzaram comigo na vida e na rua. Tudo é importante, mas é só um elemento no meio de tantos. Nessa altura só queria ser pintora, o que me parece uma actividade bastante libertária e rebelde, desejo este, que nunca foi fruto de uma luta, mas sim de uma aventura. Cláudia veste vestido em malha, 104, DIESEL / Casaco em malha, 192, TWIN-SET / Sapatos em camurça, 69, PEPE JEANS

9 Quais as bandas que te influenciaram? Todas as que gosto. Que por razões óbvias são demasiadas para enumerar. Todos os reis, rainhas, príncipes, princesas, lordes, duques e cavaleiros do Pop, do Rock, do Punk, Krautrock Hard-speed-heavy-Psicho- -Billy, do Glam-Rock, do Trash, do 2-Step, Cabaret, Bafon, Clássico, Minimal, Experimental, Jazz Progressivo, Étnico, Psicadélico, Trip, Hips e Hops, Soul, Funky, Spacies, Gótico, Metal ou nem tanto. Todos os géneros e subgéneros, toda a cadeia e rede de vivos e mortos. Todos eles são grandes. Todos eles têm o seu croissant com creme. Para quem aprecia croissant com creme, obviamente. Mas concretamente tudo começou com a Yoko Ono, a Laurie Anderson e a Mae West. Preocupas-te em estar na Moda? Não é uma preocupação. É um prazer altamente supérfluo e alegre (não menosprezando toda a indústria e movimentação de capitais). Estou atenta às tendências, quanto mais frescas melhores! Em palco é diferente... Senão, não havia palhaços no mundo. Qual o teu criador/criadora favorita? Criador nacional é o Ricardo Preto. Internacionais são: Stella McCartney, M.M. Margiela, Jeremy Scott, Gareth Pugh, Hussein Chalayan. Como diria a minha avó: Muito gostas tu de traparia, rapariga!. Sendo que ela foi costureira de alta-costura e chefe de atelier, o que é que ela queria?! Como é que surgiu a parceria com Ricardo Preto? Foi muito espontânea. Há uns anos eu rebentava a cabeça cada vez que tinha de pensar o que iria vestir para um concerto e pedi ajuda à minha amiga Andrea Probosch. E ela disponibilizou-se de imediato. Tinha lá umas roupas de um novo criador chamado Ricardo Preto. Eu gostei e levei. Convidei-o para o concerto, mas não apareceu. E assim continuou durante um ano. Já o imaginava: baixo, magrinho, moreno. Um dia, a Andrea e eu, estávamos a passear e ela lembrou-se vamos ver se o Ricardo está no atelier. (risos) Quando o vi, foi a antítese da minha imaginação. Saudável, simpático, ultra-divertido e educado. Trocámos contactos e evoluímos para uma relação de dependência saudável. Inspiramo-nos no trabalho um do outro com grande prazer. Nesta altura, fazemos parte duma fórmula matemática cujo o resultado é cem por cento. Alguma vez perdeste a cabeça por alguma peça de roupa ou acessório? Não perco a cabeça muitas vezes, lembro-me de uns sapatos da Stella McCartney. Comprei-os! Mas não me lembro assim mais nada... Achas que a moda também é ditada pelos músicos? Hoje, já não muito... Há cabeças demasiado especializadas a pensar nisso (na Moda) o que deixa tempo aos músicos para fazerem aquilo que lhes interessa mais, que é música. Agora, somos também veículos da moda. Lembro-me dos MGMT que fundiram uma série de géneros num Hipie Chic Careless (lolly-)pop caseiro. Como surge o projecto dos Micro Audio Waves? E como é que conseguem a internacionalização? Veio de uma sugestão do Dinis Guarda que fazia a revista Número e organizava também o Festival Número. Começou com o Carlos (C.Morg) e o Flak numa electrónica muito minimal (só para os mais duros!). Nesse festival tocaram uns temas que mais tarde fizeram parte do primeiro álbum homónimo. Nesse disco há uma faixa que tem voz. É a minha. Veio de uma brincadeira que tinha feito com o Carlos no seu estúdio improvisado. Na altura, para experimentar o novo computador. Depois foram tocar ao Pavilhão do Futuro (Parque das Nações, Lisboa) numa festa da ETIC ( Escola Técnica de Imagem e Comunicação) e o Carlos telefonou-me para ir. Eu julgava que era para os ir ver, mas depois frisou que era para ir para cima do palco. Ingenuamente aceitei. Passados uns dias estava a telefonar-me para marcar mais datas. De uma performance em palco, passou para duas, e depois para três, e depois mais um disco e mais outro. Pelo meio aconteceram coisas interessantes. Desde o Carlos estar a falar com o John Peel sem saber quem ele era, que nos transformou na única banda portuguesa com uma Peel Session gravada em Barcelona na abertura do festival SONAR, ao convite para participarmos nos Qwartz Awards. De onde trouxemos dois prémios para Portugal, no meio de grandes nomes da electrónica mundial. E na terceira edição do Prémios Qwartz arrecadámos a melhor musica! É um boca-à-boca simpático que nos faz andar por aí a brincar aos artistas... Em conjunto com o Rui Horta, os Micro Audio Waves, apresentaram o espectáculo transdisciplinar Zoetrope, que envolve a dança, a música, o teatro, etc. Como surgiu a ideia deste projecto? Foi uma ideia do Pedro Santos, o nosso manager, agente e co- -produtor, que em conjunto com o João Aidos, director do Teatro Virgínia, pensaram neste espectáculo. Fizeram a proposta ao Rui Horta e ao Espaço do Tempo, que também co-produziram, em conjunto com o Teatro São João do Porto e a Culturgest. A ideia soou bem e embarcámos. Foi uma experiência fantástica e nova para todos. Acho que conseguimos apresentar um objecto interessante, mágico, invulgar e despretensioso, de grande rigor e profissionalismo. Que foram sempre os nossos objectivos! É bom concretizar ideias e conceitos. Foi bastante intenso para todos. Para o Rui, trabalhar com músicos indisciplinados e para nós, que de repente tínhamos de estar ao serviço de um grande rigor em palco! Hoje, morremos de saudades uns dos outros quando paramos por algum tempo. Acho que houve paixão! Quais os novos projectos dos Micro Audio Waves? E os teus? Estamos a preparar um DVD do Zoetrope. E com o lançamento deste DVD vamos fazer um segundo espectáculo em Lisboa na Culturgest, dia 11 de Novembro. Percebemos que houve muitas pessoas que gostavam de ter ido ver, mas não foi possível porque esgotou. Desejamos, com o DVD, apresentar um objecto que esteja à altura do espectáculo a que tantas pessoas aderiram com prazer. Para nós é bom poder haver algo que as pessoas possam levar consigo para casa. Vamos incluir neste DVD um CD áudio com versões de estúdio do espectáculo, em que estamos a trabalhar agora. Queremos também lançar um novo disco no próximo ano. Eu sozinha, ou melhor, acompanhada por outras gentes, estarei em versão Special Guest ao lado do Legendary Tigerman no seu novo disco Femina. Com os Double Blind no projecto Woman in Panic. E outros convites que vão surgindo sempre... E nas bandas sonoras dos desfiles do Ricardo Preto que é o meu must have duas vezes por ano. E ser feliz para sempre como nos contos da Disney.

10 news por Patrícia Boto Cruz MARC JACOBS ADVERTISING Foi editado um livro que reúne imagens de algumas campanhas de publicidade realizadas por Juergen Teller desde 1998 das colecções de Marc Jacobs. A peculiaridade das fotografias captadas foi decisiva na afirmação da marca e contou com modelos como Sofia Coppola, Cindy Sherman, Winona Rider e o próprio Juergen Teller. Do livro de 256 páginas (30x38x6) publicado pela Steidl, resulta clara a importância que a parceria entre os dois artistas teve, não só no mundo da moda mas também no da cultura visual. Marc Jacobs Advertising by Juergen Teller Publicado pela Steidl PHUNK e THOMAS LéLU Thomas Lélu, escritor e designer gráfico teve oportunidade de voltar à sua primeira paixão, as colagens. O artista fez 6 pósters com as imagens das capas dos CDs, vinil, flyers, etc, relativos a uma compilação discográfica. Fotos de homens, e também mulheres, viris mas que aceitam a sua feminilidade. Como exemplo, há a imagem de um corpo de mulher em biquini, com a foto da cara de um homem de bigode sobreposta à sua. O convite para Thomas Lélu fazer essas colagens veio de Phunk, importante produtora musical em Paris e responsável pela divulgação de grandes nomes da música. Digigraphie Epson 9880 em papel rag Formato: 59,4 x 84,1 cm Edição Limitada de 30 exemplares numerados, à venda na Colette. SELO BULGARI Para comemorar os seus 125 anos, a Bulgari associou-se aos Correios italianos e fez uma edição limitada de selos. Têm a imagem do colar Bulgari criado em 1965 em ouro e pedras ametistas, esmeraldas e turquesas. Serão emitidos 3,5 milhões de selos, cada um acompanhado da história da casa de joalharia, assinada por Paolo Bulgari, chairman do grupo. Desde Maio que estão disponíveis, mas apenas nos serviços postais de algumas cidades italianas (0,60 cada). FILME DE ANIMAção LOUIS VUITTON Superflat First Love assinala a colaboração de seis anos de Takashi Murakami com a Louis Vuitton. É o segundo filme do criador japonês para a marca e através do qual somos levados numa máquina do tempo. Uma menina viaja da porta de uma loja lv nos dias de hoje até ao atelier onde Gaston Louis Vuitton com 14 anos fazia o baú de porão com o monograma. Na ida e volta dessa viagem o universo é colorido, romântico, infantil e psicadélico. Partidas em: LIVRO PICTURES FOR PHOTOGRAPHS - MILES ALDRIDGE Com fotos de estilo decadente e cores saturadas, o fotógrafo apresenta uma compilação dos seus trabalhos publicados na Vogue Itália e na Numéro. Dividido em duas partes, o livro transporta-nos para a imaginação do autor. Na primeira parte surgem os esboços, desenhados por Miles a preto e branco, do que ele pretende que venham a ser as fotos. Vemos a concepção da ideia e o cenário onde a mesma evoluí. Na segunda parte, o fotógrafo explica a evolução do processo até à imagem final. São fotos entre a inocência e o erotismo que retratam a visão do artista sobre as mulheres. O que começa com o desenho de um corpo rodeado de notas escritas à volta, acaba numa fotografia de uma loura voluptuosa a comer lagosta. Steidl, 176 págs, 39x27 cm, 85. BOUCHERON à MEDIDA Em é possível costumizar jóias. A marca permite-nos ser artesãos de um anel, de um relógio ou de botões de punho. Na opção personalize a sua jóia, estão disponíveis os materiais e as peças dos joalheiros da marca. Se pretende um solitário de noivado, depois de escolher o diâmetro do anel, pode seleccionar ouro branco ou rosa e o tamanho do diamante. Para fazer um relógio, pode optar por um de três mostradores e a cor das correias. Já ao icónico anel do camaleão pode ser aplicado rubi, safira ou esmeralda (ou todas), nas diferentes partes do réptil. À medida que se vão combinando os elementos vê-se o aspecto da jóia de acordo com as opções seleccionadas. FRED FARRUGIA O antigo director artístico da Lancôme lança a sua própria colecção de cosméticos. À venda em exclusivo na Sephora desde Setembro, é uma maquilhagem muito fácil de usar. Todas as texturas, mesmo o fond de teint, se podem aplicar com os dedos ou com pincel, com a vantagem de se venderem em doses individuais. É ainda possível misturar as cores disponíveis para criar uma paleta personalizada. O aspecto final das plaquetas onde se faz as misturas é o de um canivete suíço com várias lâminas abertas. Pictures for Photographs - Miles Aldridge Publicado pela Steidl /

11 gabinetes de impren sa e showrooms Como surgiram na área da moda, o que são, o que fazem e como se tornaram vitais para a imprensa... e para as marcas. por Sara Andrade No curso de Comunicação Social (o meu), é instintivo pensarmos na vertente de assessoria de imprensa associada a altos cargos do governo e política em geral. Não é costume pensarmos em Moda como uma área necessitada de intermediários na sua divulgação e é muito menos usual considerarmos a hipótese de que a roupa precisa de Relações Públicas. Mas o facto de não ser falado ou assumido, não invalida a extrema necessidade e importância de esta situação existir: numa indústria que move milhões e que parece estar sempre em franco crescimento, é notória a cada vez maior importância de existirem estes diplomatas do vestuário, que ajudam a mensagem de uma marca a ser melhor e mais selectivamente divulgada junto do público. Um Relações Públicas (RP) é um interlocutor e faz a ponte entre as marcas e a sociedade. Luís Pereira estava do outro lado da barricada quando decidiu abrir um gabinete de imprensa e showroom, o ShowPress. Foi durante muitos anos produtor de moda freelancer no nosso país e sentia que o mercado português funcionava de forma muito dispersa e que a oferta para os editores e produtores era reduzida, centrava-se nas lojas e as informações sobre a marca e os seus produtos perdiam impacto ou eram inacessíveis. A oportunidade de preencher este nicho de mercado era apelativa e, por isso, hoje sabe do que fala quando acrescenta que o trabalho primário de um relações públicas consiste em saber interpretar eficazmente o perfil de cada marca e eleger os melhores canais de comunicação para promover a personalidade adjacente a cada uma delas. No caso da Showpress, continua, porque é direccionada ao âmbito de moda e lifestyle, o seu trabalho é materializado em produtos, implicando a existência de um espaço físico de exposição - o showroom. Em género de episódio do Lost, a definição de Luís Pereira esclarece tantas questões como as que levanta. Erro da autora: talvez tivesse sido sábio começar por distinguir um gabinete de imprensa do papel de um relações públicas e estes de um showroom... e daqui explicar porque, nesta área, os três andam de mãos dadas. Inês Fontoura, gerente do showroom da H&M, sabe distingui-los: Um RP não é mais do que um funcionário administrativo que ajuda a manter linhas de comunicação entre a organização e os seus públicos. Envolve a gestão de problemas ou temas importantes e ajuda a organização a manter- -se informada sobre a opinião pública e pronta a responder perante ela, define. Já um assessor de imprensa trabalha a instituição enquanto fonte de informação organizada, permanente e credível. No gabinete de imprensa, divulgamos informações de interesse público aos media e analisamos tudo o que é publicado sobre a nossa empresa, continua. E num showroom, a fonte de informação é a própria roupa, as tendências e por isso, apresentamos a nossa colecção aos especialistas da área da moda a fim destes comunicarem o nosso produto nos meios onde trabalham. Ou seja, trocando por miúdos, e de uma forma muito simplista, um RP mantém a boa comunicação entre Imprensa e marca, e está sempre preparado para resolver falhas no entendimento, recorrendo a diplomacia e, vá, admita-se, algum charme; o gabinete de imprensa é mais técnico e prende- -se com a gestão da informação e a sua divulgação e promoção; o showroom é um género de closet, um guarda-roupa ou armário onde se pode ver em primeira mão e requisitar os produtos que o gabinete de imprensa divulga. Em assessoria de Imprensa de Moda, os três não se podem dissociar - estas agências de comunicação incluem as três vertentes, que podem ser acumuladas por uma pessoa ou desempenhadas por várias: um assessor tem que ter a informação bem organizada dentro da instituição ou casa que representa para ser de fácil acesso e fornecê- -la rapidamente aos órgãos de comunicação social quando lhes é exigido; tem que ter algum charme e simpatia porque, sejamos francos, é atributo obrigatório quando se lida com o público e, além disso, é de interesse mútuo a publicação dos seus produtos; e o showroom é o apêndice que é absolutamente necessário - as revistas de moda trabalham não só com informação, mas também imagem. Imagens que não são meras representações do produtos, mas veiculam mais que isso e, muitas vezes, é necessário ter a peça em si para fotografá-la de acordo com a linha editorial desse meio (leia-se, em editoriais e instalações ou still lifes). Para além disso, esta é uma indústria que vive de acordo com a aparência e as texturas: o ver, tocar e sentir é fulcral para um editor de moda poder fotografar determinado item de vestuário ou aconselhar a leitora a investir nesta ou naquela peça. Inês Quartín, assessora de Imprensa no gabinete de comunicação GCI, suporta esta ideia: sempre fez sentido ter um showroom, um espaço de exposição e comunicação específica, para editores de moda, beleza e jornalistas, que testam os produtos antes de escrever sobre eles. BIRdsong e global Presse, fotografia: bárbara Claustre H&M e olindo Moura, fotografia: bárbara Claustre

12 Para perceber a importância dos showrooms para a Imprensa, é necessário primeiro estabelecer a conjuntura que permitiu a emergência destes embaixadores de guarda-roupa e perceber porque uma vertente tão importante da moda é também tão jovem neste negócio (nomeadamente, em Portugal). O Press Club foi o primeiro showroom de Imprensa em Portugal, orgulha-se Ricardo Figueiredo, o seu fundador e actual Director de RP. Com o aumento de revistas de moda, senti logo necessidade de oferecer este serviço, porque cada vez tinha mais solicitações de produtores da área. No fundo, segui a tendência internacional das agências de comunicação especializadas em Moda, continua, explicando a origem do negócio cá dentro. E mantém-se na linearidade histórica: Nos anos noventa houve um grande crescimento dos meios de comunicação, nomeadamente na área da imprensa feminina. Paralelamente, uma maior consciencialização do mundo da moda e um aumento das marcas importadas. Foi o contexto perfeito para a criação dos elos de ligação entre os meios de comunicação e as marcas. É a lei da oferta e da procura - o aparecimento de revistas cuja linha editorial ia além do estatuto de revista feminina, entrando num campo de moda com franca visibilidade, despoletou também a necessidade de se criarem mecanismos que pudessem responder a este tipo de demanda de roupa, com um tempo de reacção muito mais veloz do que aquele que se fazia até aqui, no nosso país. O aparecimento da Marie Claire, nos anos 90, foi quase como um rastilho para esta tendência e as suas sucessoras vieram confirmar o sucesso deste tipo de organizações. Aliás, na verdade, a realidade portuguesa veio seguir o cenário internacional, mas com algum atraso, simplesmente porque a indústria da moda e sua consequente divulgação periódica ainda não estava no estado ideal de maturidade para esta emergência. Manuela Furtado, proprietária e RP da BirdSong tem noção da importância de se ter vindo a preencher esta lacuna no mercado: [Os gabinetes de imprensa/showroom] surgiram pela necessidade que as marcas de moda tiveram em ter melhor visibilidade nos meios de comunicação social. Em vez de o fazerem internamente, preferiram procurar fornecedores externos para este serviço, diz a RP. O facto da maioria das marcas estar sedeada fora de Portugal também faz com que essas procurem representação externa dentro do nosso país continua. Descrições técnicas e gramaticalmente correctas, mas que não passam a dimensão da coisa. Antes de mais, é preciso perceber que a Moda tem necessidades que as outras indústrias não têm: e não é capricho ou elitismo, é pura realidade. A começar pela dimensão imagética com que tem que lidar e os parâmetros de qualidade a que tem que obedecer: uma qualquer fotografia de paparazzi pode satisfazer a imprensa do social, mas jamais entraria nas páginas de um periódico de moda - não por ser algo de sociedade (afinal, a moda também tem festas), mas pela resolução, enquadramento, pixelização da imagem; e a ilustração de um cenário tem que ter um enquadramento fantástico, boa definição e fantástico jogo de cor, exigências que não acontecem em semanários ou diários noticiosos. Das imagens em still life (naturezas mortas ou recortes de acessórios e peças de roupas que são usadas em páginas de compras) aos editoriais de moda, que exigem as próprias peças de vestuário para figurar em modelos, tudo seria impossível (bom, ou lá muito perto do reino da impossibilidade) de obter, sem que houvesse intermediários com conhecimentos para fazer a coisa acontecer. É mais ou menos como ter uma cunha junto de designers, criadores e marcas... ajuda sempre ter alguém que conhece alguém. E é graças a estes contactos que se conquistam vestidos de valor incalculável e calças que parecem banhadas a ouro (ou que custam o equivalente a), bem como as mais mundanas t-shirts de high street, para fazer as imagens que os leitores exigem quando compram uma revista. Este género de urgências requerem infraestruturas diferentes das agências de comunicação que apoiam outras áreas comerciais - nomeadamente, a existência do showroom, exactamente para se poder obter a roupa para fotografar nos supra-citados editoriais, componente indispensável deste género de imprensa. Há outro aspecto que torna imperativo a existência de um showroom. É um lado que uma minoria conhece, poucos se lembram e a maioria não concebe: a fotografia de peças em modelos está sujeita a acidentes de percurso, porque um modelo salta, corre, mexe-se dentro dos looks, e surge muitas vezes a necessidade de apertar silhuetas com alfinetes ou molas... ossos do ofício, a roupa é que sofre e é quase impensável usar-se uma peça de loja para sujeitar-se a estes ajustes. Os protótipos existentes em showroom são, por isso, os items todo-o-terreno da moda: não se entenda que são feitos para serem maltratados, mas são tolerantes a abusos menores, porque são looks que rodam de revista para revista (no caso internacional, de país para país) e é inevitável os materiais e o design sofrer algum desgaste. Com os showrooms, confirma Isabel Jorge de Carvalho, co-fundadora e directora da Global Press, a Imprensa dispõe de parceiros fundamentais na concretização do seu trabalho ao terem disponíveis as colecções permanentemente, e poderem usufruir das mesmas para fazer um trabalho cada vez melhor. Inês Quartín vai mais longe nesta ideia: Ao comunicar na Moda e na Beleza, as necessidades dos editores e imprensa destas áreas incluem a utilização de peças reais para produções de moda ou para testar e fotografar; estarem reunidos num espaço várias marcas de Moda e, para cada uma, existir uma selecção da colecção, é um serviço que se tornou vital para conseguir maior visibilidade das marcas que representamos. Xana Nunes, fundadora e directora da agência XN, corrobora: Deixou de Press Club e showpress, fotografia (showpress): bárbara Claustre TRIÂngulo das bermudas

13 ser viável que os produtores de moda vão às lojas buscar roupa para as produções, e as marcas, ao se profissionalizarem, ou têm gabinetes de comunicação internos, ou têm que encontrar externos. A afirmação acaba por responder também à questão do porquê da criação de showrooms/ gabinetes de imprensa e da conjuntura em que surgiram. No caso da H&M, segue Inês Fontoura, é fundamental ter um showroom onde possamos mostrar as novas tendências aos jornalistas e produtores de moda, pois com a quantidade e variedade de produto que temos, a atenção dispersa- -se. No showroom, conseguimos centralizar essa informação. Fontoura toca num ponto fulcral que Luís Pereira, inclusive, já tinha abordado, que passa pela vasta oferta de informação versus linha editorial de uma revista. Eu trabalho numa revista de moda há alguns anos... acredito que estou preparada para reconhecer determinados nomes e palavras que instintivamente despertam o meu interesse quase de uma maneira subliminar, e talvez até me sinta programada para gostar de determinado tipo de imagem especial, influenciada pela linha editorial que me habituei a seguir. Os gabinetes de imprensa sabem disso e têm o seu papel de influência ao editarem e adequarem a mensagem da marca ao meio em que se destinam: O principal desafio consiste em conseguir fazer chegar a nossa mensagem, adaptando-a a cada meio e a cada receptor, afirma Fernanda Lamelas, directora e RP da agência Olindo Moura. Carla Soveral e Célia Fernandes, assessoras no gabinete de imprensa Triângulo das Bermudas, completam: É de extrema importância para qualquer marca (seja em que área for), que não tenha na sua estrutura a componente de comunicação, recorrer aos serviços de uma agência porque, actualmente, com o excesso de informação que nos rodeia, há que saber transmitir emoções e estilos de vida ao público-alvo. De facto, hoje em dia, cada profissional dos media centra em si uma série de funções e tudo o que precisa é para ontem. O facto da mensagem chegar já editada e de acordo com os parâmetros que persegue é meio caminho andado para ganhar um spot em espaço editorial - pontos extra se chegar atempadamente. E esta noção é relevante: as revistas de moda trabalham com uma agenda que difere do calendário solar, o que significa que tudo o que são colecções cápsula para datas especiais ou novidades sazonais têm que chegar com meses de antecedência às redacções. Para responder a esta necessidade, é obrigatória a existência de uma máquina bem oleada a tratar da informação que a Imprensa pretende: um gabinete de imprensa/showroom facilita a obtenção de produtos e informação, bem como as novidades são direccionadas de uma forma sistematizada, facilitando o trabalho do jornalista ou editor, explica Manuela Furtado, da Birdsong. Reunir num mesmo espaço várias colecções, marcas e clientes, fornecer a informação filtrada e apresentada da forma mais efectiva são algumas das mais valias destas agências para a imprensa, sumariza Inês Quartín. Luís Pereira também passa de forma clara a ideia: Em termos práticos, a acessibilidade é essencial. Somos um showroom multi-marcas, logo, proporcionamos à imprensa um conjunto de alternativas e informações que estão disponíveis num mesmo espaço, defende. E continua: Enquanto intermediários, interessa-nos que toda a imprensa que nos procura encontre uma resposta rápida e prática, e que os nossos clientes fiquem satisfeitos com as estratégias de divulgação que ajudamos a construir. Confesso: quando comecei a trabalhar nesta vertente do jornalismo, era completamente leiga no que diz respeito à origem das roupas em editoriais... não tinha nenhuma ideia oposta ao que na realidade acontece, mas nunca me tinha dedicado a pensar nisso. Não sabia o que eram amostras têxteis, além das que há em estofadores de sofás, e a palavra showroom não constava do meu vocabulário. Hoje, repito-a diariamente e manter-me em contacto com press offices (o termo para gabinetes de imprensa em inglês) é tarefa regular. Porque, realmente, é deles que advém a matéria bruta para transformar em conteúdo editorial e, admito, por experiência própria, que quando uma marca não tem um departamento de comunicação por trás, é muito difícil conseguir material de qualidade e adequado para figurar nas páginas de uma revista - e não se trata de uma falta de vontade de quem está a responder na ausência de um órgão destacado para o efeito, é por pura falta de preparação ou conhecimento dos meandros e necessidades de uma revista de moda: fotos em alta resolução, preços, roupa... E será cada vez mais difícil sobreviver nesta indústria sem o apoio de um gabinete de imprensa, tanto da parte dos media como da parte das marcas, porque os próprios showrooms e departamentos de comunicação têm evoluído cada vez mais, têm vindo a multiplicar as suas tarefas e obrigações e a desdobrarem-se em divulgadores, intermediários, representantes, promotores, enfim, tudo para garantir a chegada personalizada de informação sobre uma casa à imprensa e garantir a sua visibilidade nos meios certos. Todos os dias estamos a aprender, confessa Ricardo Figueiredo. Gosto muito de saber o que as outras agências estrangeiras andam a fazer. Em qualquer PR meeting internacional, sou um aluno atento. Estou sempre a guardar convites elegantes e originais ou Press Releases de qualidade. Tudo isto faz-nos crescer. Internamente, estamos sempre a tentar encontrar as melhores formas para sermos o mais eficiente possível para os meios de comunicação. O facto do mercado estar a crescer, também anula monopólios e permite que estas agências sintam necessidade de inovar devido aos ambientes competitivos, consagrando-as como camaleónicas e conferindo-lhes, assim, mais uma mais-valia que as categoriza de indispensáveis. Luís Pereira é mais certeiro a explicá-lo: Ao longo dos anos, as agências de comunicação tornaram-se mais elásticas e adaptaram o seu modus operandi de acordo com a emergente criação de nichos de mercado, quer das marcas, quer da imprensa. E é devido a esta elasticidade e capacidade de se adaptarem aos novos tempos que os gabinetes de imprensa vieram para ficar e para se multiplicar. GCI XN

14 press lub / birdsong RICARDO FIGUEIREDO - PRESS CLUB Data em que foi criado:1997 Membros da equipa: 5 Marcas que representam: Grupo Sáfilo ( Óculos YsL, Gucci, Valentino, Marc Jacobs, Carrera, Giorgio Armani, Bottega Veneta, Dior, MaxMara...), Atelier Graça Viterbo, Massimo Dutti, Hackett London, Gérard Darel, Tara Jarmon, New Balance, Weill, Hoss Intropia, Patrizia Pepe, Malene Birger, Casa do Passadiço, tous. Mas são também nossos clientes outras marcas, sobretudo para eventos, como Bulgari, Chopard, Jaeger LeCoultre, Raymond Weill entre outras. Para breve uma grande parceria Quais são os principais desafios de gerir um showroom/gabinete de imprensa? Num showroom são sobretudo os timings, gerir a imagem e controlar a rotação dos Looks. No resto da agência, os desafios são outros. Em termos de assessoria de imprensa, o desafio é chegar e ultrapassar os nossos objectivos em função da estratégia dos clientes. Qual é o segredo para um showroom/gabinete de imprensa singrar no mercado português? Conhecer bem as revistas do mercado, targets e também os produtores e editores de moda. É muito importante saber quais as futuras produções de moda e quais os temas das revistas para antecipar as necessidades dos jornalistas. MANUELA FURTADO BIRDSONG Data em que foi criado: 1998, com o nome Arranca Corações e alterou, em 2006, para BirdSong Membros da equipa: 3 accounts, 1 responsável de clipping Marcas que representa: Louis Vuitton, Mango, Pepe Jeans, Nike Sportswear, Nikewomen, Havaianas, Twenty8Twelve by S.miller, Andy Warhol by Pepe Jeans, Cia Marítima, Água Doce, Zero2, Miguel Viana. Porquê a abertura de um showroom/gabinete de imprensa? Aconteceu um pouco por acaso... foi em 1998 quando a Marie Claire, revista onde trabalhava encerrou. O nosso primeiro cliente foi a Mango que na altura sabíamos que procurava um gabinete de imprensa. Lá fora era comum a existência de gabinetes de imprensa especializadas nesta área... Cá, nessa altura havia 1 ou 2. Então eu a Isabel Carmona, minha amiga e colega na Marie Claire resolvemos abrir uma agência de rrpp e a Mango aceitou ser o nosso 1º cliente. Nessa altura a agência chamava Arranca Corações. Qual é o segredo para um showroom/gabinete de imprensa singrar no mercado português? Perspicácia, organização, consolidação da relação agência/ cliente e agência/imprensa. RICardo figueiredo, fotografia: PEDRO FERREIRA Manuela furtado, fotografia: BÁRBARA CLAUSTRE

15 global / olindo moura ISABEL JORGE DE CARVALHO GLOBAL PRESS Data em que foi criado: 2000 Membros da equipa: 11 Marcas que representam: Na Global Fashion: Levi s, Carolina Herrera, Purificacion Garcia, Zilian, Segue, Puma, Marlboro Classics, Tommy Hilfiger, Ermenegildo Zegna, Piaget, ysl, ysl Parfums, Elite Model Look, Stella MacCartney Perfumes, Boucheron perfumes, Zegna Perfumes, Roger et Gallet. Porquê a abertura de um showroom/gabinete de imprensa? A Global Press nasceu no ano 2000, fruto da necessidade minha e do meu sócio de criar um projecto empresarial e de trabalho que reflectisse os nossos valores, enquanto profissionais da área da comunicação - era um segmento que, na altura, não estava ainda muito profissionalizado. A Global Fashion, parte da Global juntamente com a parte de Press Com é especializada nos segmentos de Moda, Alta Relojoaria e Joalharia e beleza. Disponibiliza também serviço de showroom aos seus clientes na área da Moda, uma mais-valia de comunicação que reforça e complementa os resultados dos planos de Relações Públicas e Comunicação. Qual é o segredo para um showroom/gabinete de imprensa singrar no mercado português? Profissionalismo, profissionalismo e profissionalismo. FERNANDA LAMELAS OLINDO MOURA Data em que foi criado: Há cerca de 10 anos Membros da equipa: Fernanda Lamelas e Catarina Marrecas Ferreira Marcas que representam: Chaumet, H.Stern, Dior, Mikimoto, Mimi Porquê a abertura de um showroom/gabinete de imprensa? Porque hoje em dia comunicar para além das campanhas publicitárias, é fundamental. Qual é o segredo para um showroom/gabinete de imprensa singrar no mercado português? Ter bons produtos e uma boa estratégia RP, saber comunicar com os jornalistas e saber inovar com acções que interessem ao público. ISABEL jorge de Carvalho, fotografia: BÁRBARA CLAUSTRE FERNANDA lamelas, FOTOGRAFIA: BÁRBARA CLAUSTRE

16 gci / showpre- -ss INÊS QUARTÍN - GCI Data em que foi criado: 1994 Membros da equipa: Beatriz Almeida (supervisora), Rita Silva, Inês Quartin (showroom Manager), Andreia Gomes e Rita Feio (Lifestyle) Marcas que representa: Converse, Luxottica (D&G, Versace, Versus, Ray Ban, Vogue, Prada Miu Miu, Dolce Gabbana, Tiffany, Persol, Bvlgari, Arnette, Burberry), Chicco, Rip Curl, Pedro Garcia, Agatha Ruiz de la Prada, Sportzone Deeply e Berg, Modalfa, Zippy e Loop. Quais são os principais desafios de gerir um showroom/gabinete de imprensa? Passa por encontrar os profissionais competentes e indicados para a área. Depois, com eles construir a melhor estratégia para casa marca / cliente e implementá-la. Qual é o segredo para um showroom/gabinete de imprensa singrar no mercado português? O mesmo que qualquer empresa: responder a uma necessidade de mercado, com um serviço de qualidade e a um preço apelativo. Nesta área, primeiro conquistar marcas / clientes que são apelativos para a imprensa e tornar os que são menos, mais interessantes. Depois, junto da imprensa, prestar um serviço eficiente, rápido, que responda à necessidades que esta têm, que seja inovador e original, e que forneça conteúdos pertinentes, de preferência concebidos para cada meio em particular. Esta é a nossa forma de trabalhar: não massificado (e, o mesmo para todos) mas direccionado. LUÍS PEREIRA SHOWPRESS Data em que foi criado: Outubro de 2002 Membros da equipa: 5 Marcas que representam: Chilli Beans, Decénio, Diesel, Dkode, Fly London, Gant, Henry Cotton S, Lacoste, Lee, Victoria Couture Criadores- Aforest-Design, Ana Salazar, Isilda Pelicano, Luís Buchinho, Miguel Vieira, Nuno Baltazar, Pedro Pedro, Ricardo Preto, Valentim Quaresma, White Tent Qual é o segredo para um showroom/gabinete de imprensa singrar no mercado português? Elasticidade e criatividade. Elasticidade pela adaptação às necessidades de cada momento sem que interfira com o desempenho global da equipa. A criatividade é fundamental em cada nova exposição de conteúdos, onde a inovação e originalidade são os principais motores do fascínio. Como em todos os negócios, temos de ser competentes, versáteis e atentos a quem nos procura. Nós somos intermediários na divulgação de uma mensagem, logo temos de perceber ambas as sensibilidades com que lidamos. Se por um lado temos uma marca que pretende transmitir uma mensagem, temos no outro lado a imprensa que tem agendas e interesses próprios que devemos tentar aliciar. INÊS quartín, FOTOGRAFIA: BÁRBARA CLAUSTRE LUÍS Pereira, FOTOGRAFIA: BÁRBARA CLAUSTRE

17 h&m / xn INÊS FONTOURA H&M Data em que foi criado: 27/03/2003 Membros da equipa: Inês Fontoura. Marcas que representam: H&M Quais são as mais valias de um showroom/gabinete de imprensa para a Imprensa? Ter a informação centralizada num só local e numa só fonte. Poder prestar um serviço personalizado a qualquer momento e com informação credível e completa. Podermos mostrar a colecção de uma forma mais cuidada e personalizada. Qual é o segredo para um showroom/gabinete de imprensa singrar no mercado português? Eu não sei se existe alguma poção mágica ou segredo e conheço pouco o funcionamento dos outros showrooms, mas penso que um showroom/gabinete de imprensa é um prestador de serviços e fonte de informação e como tal, deve procurar responder às necessidades do mercado de uma forma clara, eficaz e rápida. No caso do showroom, esse espaço deve ser o mais atractivo e agradável de se estar. Um jornalista/ produtor de moda deve sentir- -se bem quando entra no nosso showroom e acima de tudo, gostar do que vê. Recebemos mercadoria três vezes por semana e por isso, é fundamental que o showroom esteja arrumado e actualizado. Há sempre algo novo no showroom e por isso, é sempre uma surpresa entrar no showroom da H&M. Relativamente ao gabinete de imprensa, penso que o serviço prestado tem de ser rápido, credível e transparente. Acessibilidade, organização e simpatia também imperam nas características de um gabinete de imprensa. XANA NUNES XN Data em que foi criado: 1999 Membros da equipa: 11 Marcas que representam: Cartier, Hermès, Custo, ElCaballo, Hotel Vila Joya, Art Allgarve, entre muitos outros. Quais são os principais desafios de gerir um showroom/gabinete de imprensa? Um dos obstáculos, é ter algumas vezes peças no showroom que depois não se encontram à venda no mercado nacional, pois nem sempre as lojas conseguem num mercado pequeno, encomendar algumas das peças mais emblemáticas. Qual é o segredo para um showroom/gabinete de imprensa singrar no mercado português? Variedade de marcas, competência e simpatia. INÊS fontoura, fotografia: BÁRBARA CLAUSTRE

18 triângulo as bermudas CARLA SOVERAL E CÉLIA FERNANDES TRIÂNGULO DAS BERMUDAS Data em que foi criado: Janeiro 2008 Membros da equipa: Carla Soveral e Célia Fernandes Marcas que representam: Vans, Poufmamma, Griffe Hairstyle, Companhia das Soluções; Marcas em Showroom: 2Me; Atikin; Camel; Citizen; Cohibas; Fred Perry; Jee Vice; Jersey Company; Lacoste Relógios; Levi s Relógios; Lightning Bolt; Lilica Ripilica; Miss Xip; Missanga; Nikita; Striipe; Surkana; Sweet Years; Tommy Hilfiger Relógios; Vaho; Wedoble; Wesc Quais são as mais valias de um showroom/gabinete de imprensa para a Imprensa? O facto das agências abrirem as portas às marcas, aos seus criadores e história, o acesso às colecções quer em showroom, quer em assistir aos desfiles Qual é o segredo para um showroom/gabinete de imprensa singrar no mercado português? Não se fechar no seu próprio país, ir além fronteiras, ser criativo, atento, paciente e acima de tudo, ser neutro e profissional. Carla soveral E CÉlia fernandes, TIME OUT LISBOA / FOTOGRAFIA: GONÇALO F. SANTOS

19 zazous, moda e jazz estilos de vida por Patrícia Boto Cruz Za Zou, Za Zou Ze era o refrão da música Je suis swing, a mais vendida em França durante a ii Guerra Mundial. Terá sido daí que nasceu o nome de um grupo cujos pilares eram a forma de vestir, o Jazz e a resistência à ocupação alemã. Os zazous copiaram dos afro-americanos do Harlem, a música e a sua imagem de marca: o zoot suit. Um blazer muito largo, pelos joelhos e de enormes chumaços. Este era o fato com que nos anos 40 os jovens de Paris se vestiam e que embora na época ter sido considerado extravagante, foi um símbolo da reacção sócio-económica e política dos Zazous. Estava-se no seguinte: o governo francês aceitara a submissão à autoridade germânica. Hitler queria educar os povos da Europa impondo uma moral violenta que eliminava a liberdade de cada um. De acordo com o governo instalado, as pessoas deviam vestir-se de modo formal, de preferência uniforme e cores escuras em sinal de respeito pelas vidas que a guerra levava. Foi imposto o racionamento obrigatório dos tecidos, pela necessidade de os usar nas fardas militares e pára-quedas. Mas, este grupo auto-determinado não aceitava viver em função de uma guerra com que não concordava, pelo que recusava, desde logo, o modo engomado e sombrio de vestir. Usavam sim, roupa pingona, que exigia quantidades avantajadas de tecidos, boicotando a proibição de comprar materiais supostamente só à disposição de alfaiates. O corte daqueles blazers, de fazenda, geralmente aos quadrados, lembrava o fato da máfia. Eram vestidos com calças de pinças abauladas a terminar numa dobra pequena e justa pouco acima do tornozelo. Calçavam elegantes sapatos de uma ou duas cores, com atacadores e pespontos na biqueira. Os acessórios obrigatórios eram os relógio pendurados numa corrente comprida que saía do bolso, chapéus e gravatas de lã. Cabelo com brilhantina, popa na franja e bigode fininho completavam o género, fortemente propagado pelos média. Sempre sempre, um guarda-chuva fechado, mesmo em dias de sol. Contra o cinzento da guerra usavam meias às riscas de cores fortes e lenços de cores garridas. Os abastados compravam tudo isto no mercado paralelo, os outros, alteravam as roupas que tinham para ficarem idênticas. Quanto a elas, usavam conjuntos de saia plissada e casaco (lisos ou de xadrez) por cima de camisolas de riscas berrantes ou vestidos pouco abaixo do joelho para se ver as cores alegres das meias. Esforçavam-se também pela popa no cabelo descolorado, por vezes parcialmente coberto por boina ao lado. Não usavam maquilhagem ou só um forte batom vermelho. Andavam de botins ou sapatos de presilha com costuras na biqueira. Homens e mulheres traziam nos casacos a insígnia do Hot Club de França, o primeiro a oferecer um concerto de Jazz. Os zazous juntavam-se em cinemas, bares e nas universidades. Havia a geração de zazous classe média, mais clássicos e trabalhadores, que se concentravam no café Pam Pam nos Champs Élysées e no Boulevard Saint Michele e os zazous mais novos e boémios no Quartier Latin. Ao mesmo tempo, chegavam a Paris afro-americanos para aí estudar arte, escapar ao racismo da América e tocar Jazz. Do contacto com estes povos, os zazous tiravam inspiração e a criatividade para afirmar a sua independência. E faziam-no tocando músicas que serviam de propaganda política contra a austeridade existente. Adoravam a dança frenética daquelas minorias e contagiavam-se pela evidente alegria que as mesmas sentiam enquanto compunham. Era vê-los num balançar, chamado Swing e Bebop. Felizes momentos da liberdade possível. As festas onde tudo isto se passava só eram conhecidas em cima da hora, para não serem proibidas. Não raro era, por isso, os zazous passearem com discos debaixo do braço. Hits americanos traduzidos para francês e com uns títulos mais dignos para enganar a censura. Isto porque Hitler odiava o Jazz! Considerava-o ofensivo e decadente por questionar a ideologia nazi, pregar o amor livre e ser feito por negros. Para os apoiantes do conflito mundial, os comportamentos dos zazous eram de gente egoísta, libertina e anti-nacionalista que queria escapar ao dever da guerra. Por isso os políticos quiseram impedir que os zazous se divertissem, tomando como medida o fecho dos clubes de dança. Já os cursos de dança escaparam à Gestapo e mantiveram-se, ainda que com restrições: cada escola apenas podia ter um número limitado de alunos, a duração dos cursos era breve, só podia entrar na escola quem lá estivesse inscrito, não podiam aprender a dançar ao som de trombone ou trompete, mas de piano e gramofone. Alcóol e fumo nem pensar. Logo, não sendo os cursos de dança proibidos, proliferavam as falsas escolas com falsos professores, que camuflavam salões de baile, ainda que em caves. Acontecia que quanto mais os governantes impunham disciplina e chamavam os franceses ao trabalho forçado de que dependia a guerra, mais os zazous extravasavam. Com o tempo, a maneira excêntrica de se vestirem e o hedonismo em clima de perseguições despoletaram as zoot suit riots : rixas entre os marinheiros e militares e os dos zoot-suits. O crachá dos clubes de jazz deu lugar à estrela de David e alguns zazous pintavam a cara de preto, em sinal de solidariedade com judeus e negros. Preocupados com o espaço que estes jovens conquistaram, a Jeunesse Populaire Française, simpatizante do fascismo, começou a ser mais explícita. Iniciou espancamentos e o rapar de cabelos dos zazous com que se cruzavam na rua (auto chamavam-se cabeleireiros voluntários ) Restava-lhes tocar e dançar em caves transformadas em salas de baile clandestinas. Continuar confinados a uma existência ilegítima e aguardar o fim da guerra. ILUSTração: MARCO GODINHO -

20 simon foxton 2 3 Um stylist é um artesão, um editor de moda, um político por Miguel Ângelo Matos 6 Em Londres terminou recentemente uma exposição pioneira, histórica, na Photographers Gallery, no Soho da capital inglesa. Já vários fotógrafos de moda conseguiram elevar a sua obra fotográfica ao estatuto de arte ao passarem das revistas de moda para galerias. O americano David LaChapelle e o peruano mais global, Mario Testino são alguns exemplos disso. O primeiro, entre outros momentos, teve uma grande retrospectiva em 2002 na Barbican Gallery, e o segundo a famosa Portraits na National Portrait Gallery no mesmo ano. Mas, por detrás de imagens marcantes, de sonho, que fazem parte da paisagem mais refinada da imprensa mundial, estão os agentes que as produzem. 1 Começando a ser cada vez mais reconhecidos, objecto de admiração e atenção nestes contextos, são eles que inventam as histórias, preparam o casting, desenham tudo no seu cérebro para que os fotógrafos possam fazer o clique e darem vida a essas imagens, muitas vezes inesquecíveis, super sensuais, provocadoras, perturbadoras e que podem, como neste caso, ter conotações políticas incluindo a identidade nacional britânica, chamando a atenção para temas como género, raça, guerra, causas sociais, numa mistura explosiva que tem como motor, o nem sempre devidamente reconhecido e legitimado em Portugal, poder da indústria da moda. Simon Foxton, de 43 anos, é esse artista, ou antes o agente, que contribui para que a arte das imagens de moda possa existir e que é o objecto de When you re a boy: Men s fashion styled by Simon Foxton. Simon começou por estudar design de moda na Central St Martins College of Art da University of the Arts of London, mas depois, acaba por ser convidado por amigos da ultra aclamada e ainda muito pertinente revista i-d para uma colaboração que o orientou noutro sentido e que o levou a estar presente também na mítica e extinta The Face e ainda na relevante Arena Homme +, passando na década seguinte, os anos 90, para colaborações mais esporádicas, encetando relações mais fortes com marcas como a Levi s e a Caterpillar, e agora estando mais focado na sua empresa multifacetada &Son, onde, conjuntamente com Nick Griffiths, operam styling e consultadoria para a indústria da moda e para o mundo da publicidade. Foi uma opção mais fácil do que desenhar, coisa que fiz durante algum tempo. Nunca tinha pensado nisto antes mas quando fui convidado para fazer styling pelos amigos da i-d, depressa percebi que seria um caminho mais fácil para colocar as minhas ideias em prática. O design é um processo muito laborioso, enquanto que o styling é comparativamente mais rápido. Durante várias insistências, sobretudo nos anos 80, Foxton mostrou modelos que não eram modelos, apostou fortemente em modelos africanos e vestiu-os com os mais elegantes fatos ingleses, usou temas como a cultura de rua, a iconografia gay, forçou a entrada do vintage misturado com as mais caras designer labels e usou pessoas comuns com estilos punk mas próprios. Revelou, que, sobretudo no domínio da fotografia de moda masculina, havia muitas regras para quebrar e que hoje continuam a ser violadas graças à sua imaginação, força de inovar e vontade de criar imagens fortes e memoráveis. Se nos focarmos na utilização de modelos africanos, descobrimos que apenas pareceu uma coisa muito natural para fazer, não tentei ser deliberadamente provocador. Via todos estes tipos fantásticos, mas raramente os via em revistas de moda, o que é uma vergonha. Mas é só uma questão de escolher caras que eu gosto e que quero ver nas fotografias. Penny Martin, curadora da exposição acrescenta que o que é extraordinariamente inteligente em Simon Foxton é que, embora as suas imagens lidem com temas tão relevantes e politizados, são extremamente belas e iluminadas. Por vezes relação entre stylist - entre nós, o produtor de moda - e fotógrafo nem sempre é a mais simples. Mas no caso de Foxton, a minha relação com aqueles que colaboro regularmente é de uma grande amizade, claro que o tipo de amizade também difere conforme o fotógrafo. Sugere-se o equilíbrio total e, segundo o artista, as suas sessões preferidas são as que são um diálogo. Quando prepara uma sessão, o processo habitual para si é o de trazer inspiração e o seu nível de gosto para o projecto. Essencial - o mais importante mesmo - é o casting, boas roupas e aquele factor que vai atirar o editorial para fora da norma. Entre os fotógrafos que colaboraram com Foxton e que entram na carruagem desta homenagem estão Nick Knight, Jason Evans e Alasdair Maclellan. Em relação a ser alvo deste show que teve um número alargado de visitantes, Foxton sentiu-se excitado, ultra-delighted e nervoso, ele que, ainda por cima não vai muito em adorações nem idolatrias. Mas é isso que já aconteceu entre os seus pares e que esta exposição reforçou. A curadora diz que, mesmo assim há muita gente que ainda não tem claro qual o papel do stylist e aquilo que diferencia um bom stylist de um que é meramente profissional. Martin acrescenta que apesar de se poder ver nas peças da exposição o trabalho de designers, moda não será o que vem primeiro à cabeça. Mas no fundo será isso que lá está. Concretamente, o que esta exposição apresentou, foi uma mistura de impressões fotográficas e tearsheets em conjunto com um grupo de notas e apontamentos visuais que Foxton tem vindo a recolar desde Não haverá muitas roupas no sentido em que Anna Wintour disse, quando foi nomeada para editora da Vogue americana, que a função da fotografia de moda era mostrar a roupa, obviamente... Está muito para além disso o que When you re a boy: Men s fashion styled by Simon Foxton mostrou. When you re a boy: Men s fashion styled by Simon Foxton na Photographers Gallery patente até 4 de Outubro de Ramillies Street London W1F 7lw +44 (0) Simon Foxton 5 1 SIMON FOXTON / 2 TOOLING AROUND, Fotografia: DUNBAR-BRUNTON, Styling: SIMON FOXTON. Publicado na i-d, Fevereiro 2009 / 3 GALLIANO s WARRIORS, Fotografia: NICK KNIGHT, Styling: SIMON FOXTON. Publicado na Arena HoMMe Plus, Verão/Outono 2007 / 4 ATLAS, Fotografia: ALASDAIR McLELLAN, Styling: SIMON FOXTON. Publicado na Arena HoMMe Plus, Outono/Inverno 2003 / 5 ARMANDO, Fotografia: GILES PRICE, Styling: SIMON FOXTON. Publicado na i-d, Fevereiro 2008 / 6 I WISH I HAD INVENTED BLUE JEANS, Fotografia: SIMON THISELTON, Styling: SIMON FOXTON. Publicado na i-d, Agosto

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