MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO

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1 Ano Base 2006 RELATÓRIO ANUAL DE AVALIAÇÃO DO PLANO PLURIANUAL Exercício 2007 Ano Base 2006 MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO CADERNO 22 1

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3 MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO SECRETARIA DE PLANEJAMENTO E INVESTIMENTOS ESTRATÉGICOS PLANO PLURIANUAL RELATÓRIO ANUAL DE AVALIAÇÃO Ministério do Trabalho e Emprego Caderno 22 EXERCÍCIO 2007 ANO BASE 2006 Brasília, setembro de 2007

4 MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO SECRETARIA DE PLANEJAMENTO E INVESTIMENTOS ESTRATÉGICOS ESPLANADA DOS MINISTÉRIOS, BLOCO K FONE: 55 (61) FAX: 55 (61) Site: CEP: Brasília DF 2007, Secretaria de Planejamento e Investimentos Estratégicos Normalização Bibliográfica: DIBIB/CODIN/SPOA Brasil. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Secretaria de Planejamento e Investimentos Estratégicos - SPI. Relatório de Avaliação do Plano Plurianual : exercício ano base 2006 / Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Secretaria de Planejamento e Investimentos Estratégicos. Brasília: MP, p. : il - (Ministério do Trabalho e Emprego. Caderno 22) 1. Planejamento governamental - relatório. 2 Orçamento público. 3 Administração pública. I Título CDU: (047)

5 LISTA DE CADERNOS PUBLICADOS

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7 LISTA DE CADERNOS PUBLICADOS 01 Avaliação do Plano Plurianual 02 Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento 03 Ministério da Ciência e Tecnologia 04 Ministério da Cultura 05 Ministério da Defesa 06 Ministério da Educação 07 Ministério da Fazenda 08 Ministério da Integração Nacional 09 Ministério da Justiça 10 Ministério da Previdência Social 11 Ministério da Saúde 12 Ministério das Cidades 13 Ministério das Comunicações 14 Ministério das Relações Exteriores 15 Ministério de Minas e Energia 16 Ministério do Desenvolvimento Agrário 17 Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome 18 Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior 19 Ministério do Esporte 20 Ministério do Meio Ambiente 21 Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão 22 Ministério do Trabalho e Emprego 23 Ministério do Turismo 24 Ministério dos Transportes 25 Presidência da República 26 Secretarias Especiais 27 Poderes Legislativo e Judiciário, TCU e Ministério Público da União

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9 ÍNDICE Apresentação....9 Sumário Executivo...11 Avaliação dos Programas...15 Democratização das Relações de Trabalho Desenvolvimento Centrado na Geração de Emprego, Trabalho e Renda...22 Economia Solidária em Desenvolvimento...27 Erradicação do Trabalho Escravo Integração das Políticas Públicas de Emprego, Trabalho e Renda Microcrédito Produtivo Orientado Primeiro Emprego...48 Qualificação Social e Profissional...53 Rede de Proteção ao Trabalho...60 Segurança e Saúde no Trabalho...64 Anexo I - Execução Física e Financeira Anexo II - Ações em Programas Multissetoriais

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11 Ano Base 2006 APRESENTAÇÃO A fim de atender o disposto no art. 9º da Lei nº , de 11 de agosto de 2004 e suas alterações, o Relatório Anual de Avaliação está estruturado em 27 cadernos, distribuídos da seguinte forma: a) caderno 1 - compreende a avaliação do comportamento das variáveis macroeconômicas que embasaram a elaboração do Plano Plurianual, mostrando as razões das eventuais discrepâncias verificadas entre o cenário previsto e a realidade econômica brasileira no exercício de 2006, e uma análise agregada das informações obtidas a partir da avaliação de programas e da gestão dos órgãos setoriais, incluindo um tratamento aos temas transversais relativos a raça, gênero, criança e juventude e pessoas com deficiência; b) cadernos 2 a 27 compreendem as avaliações de programas de tipo finalístico e o Sumário Executivo do respectivo setor, agrupados por órgão setorial. As avaliações referem-se a um conjunto de quesitos relativos aos resultados, concepção e implementação de cada programa, abrangendo, portanto, os resultados obtidos em 2006, os fatores que afetaram o desempenho dos programas e as recomendações para seu aperfeiçoamento. A análise apresentada é resultado da percepção dos gerentes de programas e suas equipes, dentro de uma perspectiva de auto-avaliação. No processo de desenvolvimento dos trabalhos atuam:gerências dos programas;subsecretarias de Planejamento, Orçamento e Gestão (SPOA); Unidades de Monitoramento e Avaliação (UMAs); Secretarias Executivas dos órgãos setoriais e equipes técnicas do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (Departamento de Coordenação e Controle das Empresas Estatais DEST, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada IPEA, Secretaria de Gestão SEGES, Secretaria de Planejamento e Investimentos Estratégicos SPI e Secretaria de Orçamento Federal SOF). As informações para a elaboração do Relatório Anual de Avaliação são obtidas por meio de roteiros de questões respondidas no Sistema de Informações Gerenciais e Planejamento (SIGPlan). Os documentos incluem uma avaliação quanto à possibilidade de alcance dos índices finais previstos para cada indicador de programas e um demonstrativo de execução de ações orçamentária e não-orçamentária que compõem o Plano. Esse demonstrativo inclui os valores referentes às ações desenvolvidas tanto no âmbito do próprio órgão responsável quanto em outros Ministérios, no caso dos programas multissetoriais. As avaliações dos programas de cada Ministério e das Secretarias Especiais são precedidas de um Sumário Executivo que contém informações sintéticas dos resultados e dos principais aspectos da avaliação, da concepção e da implementação do conjunto de programas. A publicação do Relatório Anual de Avaliação do PPA por meio de cadernos específicos por órgão confere maior transparência sobre os resultados da aplicação dos recursos públicos federais. Além disso, facilita a compreensão, a divulgação e a prestação de contas à sociedade. 9

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13 Ano Base 2006 SUMÁRIO EXECUTIVO Em 2006, do total previsto para o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), foram utilizados R$ ,00 para a execução dos programas e das ações sob sua responsabilidade, de acordo com o quadro* a seguir: Recursos orçamentários autorizados (LOA + Créditos): R$ ,00 Realizado orçamentário: R$ ,00 Recursos não-orçamentários previstos: R$ ,00 Realizado não-orçamentário: R$ ,00 Total previsto: R$ ,00 Total realizado: R$ ,00 * Os recursos orçamentários deste quadro incluem somente os valores das ações executadas pelo MTE não incluindo os valores previstos e realizados das ações de responsabilidade de outros órgãos (programas multissetoriais). Além disso, do total de R$ ,00 inscritos em restos a pagar, relativo ao exercício de 2005, foram executados R$ ,00. PRINCIPAIS RESULTADOS As políticas do MTE favoreceram a contínua recuperação do mercado de trabalho formal. Em 2006, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), foram criados 1,23 milhão de empregos com carteira de trabalho assinada. O estímulo ao investimento e à geração de emprego, trabalho e renda também são evidenciados por meio dos resultados da aplicação de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Em 2006, se consideradas apenas as linhas do Programa Desenvolvimento Centrado na Geração de Emprego, Trabalho e Renda, foram contratadas cerca de 2,3 milhões de operações de crédito, com investimentos da ordem de R$ 12,3 bilhões. Considerando-se todas as linhas disponíveis pelo FAT, foram contratadas cerca de 2,8 milhões de operações de crédito, como resultado da aplicação de R$ 25 bilhões. Destaque-se o Programa de Geração de Emprego e Renda no Meio Urbano (PROGER Urbano), cujo público-alvo é composto por micro e pequenos empreendimentos urbanos. Nesta modalidade, foram realizadas 2,2 milhões de operações de financiamento a estes empreendimentos, com a aplicação de R$ 7,1 bilhões. O apoio creditício também foi fortalecido pela operacionalização do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado por meio do qual foram realizados contratos de microcrédito, equivalentes a R$ 832 milhões em recursos financeiros emprestados/ concedidos, principalmente via Banco do Nordeste do Brasil (BNB). No âmbito do Sistema Público de Emprego, Trabalho e Renda (SPETR), foram (re) colocados 878,3 mil trabalhadores no mercado de trabalho por meio de ações de orientação profissional e intermediação de mão-de-obra executadas pelos postos do SPETR, cuja rede de atendimento atingiu a marca de postos. Destaque-se a implantação de convênios únicos com Estados e Municípios, com periodicidade plurianual e que prevêem a execução integrada das ações de intermediação, qualificação social, profissional e habilitação ao 11

14 Relatório Anual de Avaliação seguro-desemprego. Também foram beneficiados cerca de 5,1 milhões de trabalhadores com o pagamento do seguro-desemprego e 11,1 milhões com o abono salarial. E por meio do Programa de Qualificação Social e Profissional foram qualificados 165 mil trabalhadores, sendo encaminhados 87,5% dos educandos pós-qualificação ao mundo do trabalho. No âmbito do Programa Primeiro Emprego foram qualificados 67 mil jovens e foram inseridos no mercado de trabalho por meio, principalmente, da regularização do contrato de aprendizagem, devido à ação de fiscalização do trabalho. Estabeleceu-se termo de cooperação com o Ministério da Cultura (MinC) para o desenvolvimento de ações de capacitação e inserção de jovens no mercado de trabalho por meio do Programa Nacional de Cultura, Educação e Cidadania (CULTURA VIVA). Ao todo, jovens dos Pontos de Cultura receberam auxílios financeiros no âmbito desta parceria. No que tange às iniciativas voltadas para a Economia Solidária, foram apoiados empreendimentos, além da constituição do Conselho Nacional de Economia Solidária e da realização da I Conferência Nacional de Economia Solidária, que reuniu mais de delegados de todos os Estados da federação. Os resultados das ações de fiscalização trabalhista também foram consideráveis. Em 2006, foram registrados 670,03 mil trabalhadores pela ação da fiscalização do trabalho. Destaca-se que, do total de trabalhadores registrados sob ação fiscal, 110,16 mil eram trabalhadores rurais. O total de trabalhadores alcançados pelas ações da fiscalização do trabalho também foi expressivo: 30,68 milhões, superando em quase 11% os números de 2005, cujo total chegou a 27,65 milhões. Quanto às questões de saúde e segurança do trabalho, foram realizadas 162,05 mil ações fiscais específicas da área de segurança e saúde no trabalho, as quais alcançaram o conjunto de 19,45 milhões de trabalhadores e propiciaram a correção de 768,83 mil situações irregulares, as quais apresentavam risco à saúde e à integridade física dos trabalhadores. A fiscalização para prevenir e reprimir a prática de trabalho de crianças e adolescentes com idade inferior a 16 anos resultou, em 2006, no afastamento de crianças do trabalho. A fiscalização do trabalho de adolescentes na faixa etária de 14 a 18 anos resultou na contratação de adolescentes na condição de aprendizes e no registro de adolescentes de 16 a 18 anos. No que tange à fiscalização para erradicação do trabalho escravo foram libertados trabalhadores em condições análogas à escravidão e fiscalizadas 202 fazendas, número quase 10% maior que em 2005, tendo o número de ações fiscais aumentado em cerca de 25% - de 82 para 103. Destaca-se a concessão de assistência financeira ao trabalhador comprovadamente resgatado de regime de trabalho forçado ou da condição análoga à de escravo mediante percepção de três parcelas de seguro-desemprego no valor de um salário mínimo cada. Em 2006, a cobertura superou 80% dos trabalhadores libertados. Na área de relações de trabalho, destaca-se a implementação do Sistema Integrado de Relações do Trabalho (SIRT), que passou a dotar o MTE de uma base de dados atualizada e confiável de informações relativas às entidades sindicais, às negociações coletivas e a outros indicadores de relações de trabalho. O primeiro módulo deste sistema corresponde ao novo Cadastro Nacional de Entidades Sindicais, o qual foi construído com base em uma campanha de atualização das informações sindicais e, atualmente, conta com mais de 14 mil entidades sindicais atualizadas. Além disso, os subsistemas de pedido de registro sindical eletrônico e atualização continuada já estão disponíveis desde novembro de Outras 12

15 Ano Base 2006 iniciativas de valorização da negociação coletiva e composição voluntária de conflitos do trabalho são as capacitações de servidores públicos e de dirigentes sindicais na área de relações do trabalho. Em 2006 foram qualificados técnicos da área de relações de trabalho e houve incremento da mediação de conflitos realizada por auditores fiscais nas delegacias regionais do trabalho (DRTs). Em termos de efetividade, o número registrado de mediações que resultaram em acordo ou seja, não se transformaram em dissídios coletivos foi de (71,19% do total) superior aos 69,86% verificados em ANÁLISE DO CONJUNTO DE PROGRAMAS AVALIAÇÃO DA CONCEPÇÃO Ao avaliar o grau de aderência entre a atual estrutura programática e a estrutura organizacional do MTE percebe-se que a heterogeneidade e a diversidade do mundo do trabalho o desafiam a assumir novas funções refletidas na programação do órgão. No entanto, sua estrutura organizacional não tem acompanhado essa dinâmica, gerando problemas relacionados à inexistência/indefinição de unidades administrativas responsáveis pela execução de novas ações. Diante deste contexto, foi necessária a constituição de diversos arranjos informais, em caráter emergencial para minimizar as disfunções existentes. Ao final de 2006, em parceria com a Secretaria de Gestão do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MP), foi elaborada a proposta de alteração de estrutura organizacional, a qual prevê a criação de novas unidades organizacionais e a reestruturação interna das existentes, adequando a estrutura organizacional do MTE à sua estrutura programática. O balanço da gestão, realizado ao final de 2006, confirmou este diagnóstico e explicitou a necessidade de realizar um esforço de planejamento estratégico, com ênfase no aprimoramento dos mecanismos de gestão - estruturas, processos e indicadores. Acredita-se que a aprovação da nova estrutura organizacional e a implementação do Plano Estratégico, ajustando estratégias, objetivos e metas, contribuirão para uma maior efetividade dos resultados institucionais e maior aderência da estrutura organizacional do MTE à estrutura programática, em um cenário ainda mais favorável ao cumprimento das metas do Plano Plurianual (PPA) em ASPECTOS RELEVANTES As principais restrições que dificultaram a implementação da programação do MTE estão relacionadas às seguintes questões: a) b) c) d) contingenciamento de recursos orçamentários; recursos financeiros liberados ao longo do exercício em fluxo incompatível com a programação; recursos humanos, materiais e de infra-estrutura insuficientes para o cumprimento do objetivo dos programas; inadequada integração/articulação entre ações, comprometendo a qualidade da informação, bem como a otimização dos recursos públicos, em prol do cumprimento do objetivo dos programas. Por fim, destaca-se o diálogo social, estimulado pelo MTE, para viabilizar o acordo entre o Governo Federal e as centrais sindicais, o qual estabeleceu as bases para uma 13

16 Relatório Anual de Avaliação política de valorização do salário mínimo para o período de 2007 a 2023, com revisões quadrianuais, por ocasião da elaboração dos PPAs. O referido acordo fixou o piso legal de remuneração em R$ 380,00 em abril de 2007 e, de 2008 até 2011, os reajustes serão definidos pela reposição da inflação somada ao crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB), com antecipação gradual, até 2010, da data-base para janeiro. O valor de R$ 380,00 deve significar um ganho real acumulado de 32,7% do salário mínimo no período de 2003 a Também foi acordada uma sistemática de correção da tabela e das deduções do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) com a previsão de reajuste de 4,5% ao ano, de 2007 até

17 AVALIAÇÃO DOS PROGRAMAS

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19 Ano Base 2006 DEMOCRATIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO OBJETIVO Promover a democratização e a modernização do sistema brasileiro de relações de trabalho, por meio do diálogo e da negociação tripartite entre trabalhadores, governo e empregadores. PÚBLICO-ALVO Trabalhadores, empresas e organizações sindicais. EXECUÇÃO DO PROGRAMA Empenho Liquidado: R$ ,00 Autorizado (LOA + Créditos): R$ ,00 Pago Estatais: - Total: R$ ,00 Previsto não-orçamentário Realizado não-orçamentário - - INDICADORES 1. TAXA DE RESOLUÇÃO DE CONFLITOS Unidade de medida: % Índice apurado em 2006: 71,1 Índice previsto ao final do PPA: 66 Viabilidade de alcance do índice do indicador ao final do PPA: Alta O índice originalmente previsto para o indicador ao final do Plano Plurianual (PPA) já foi alcançado. 2. TAXA DE EFICÁCIA DAS MEDIAÇÕES Unidade de medida: % Índice apurado em 2006: 82,39 Índice previsto ao final do PPA: 54,82 Viabilidade de alcance do índice do indicador ao final do PPA: Alta O índice originalmente previsto para o indicador ao final do PPA já foi alcançado. 17

20 Relatório Anual de Avaliação CONTEXTUALIZAÇÃO O Sistema Brasileiro de Relações de Trabalho tem origem na década de 1930 e disciplina as condições de contratação, uso e remuneração da força de trabalho por meio de extensa legislação trabalhista, sindical e de regulação do trabalho. As mudanças legais, ocorridas ao longo de décadas, e os avanços nos direitos políticos e sociais ainda não conduziram à plena democratização das relações de trabalho no Brasil. A atuação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) deve ser a de promotor de um regime de liberdade e autonomia sindical, fundada no estímulo à composição direta dos conflitos de trabalho, compatível com as novas exigências do desenvolvimento nacional e com as características atuais do mercado e das relações de trabalho. PRINCIPAIS RESULTADOS Realizadas mediações coletivas de conflitos de trabalho número 17% superior aos registrados em Em termos de efetividade, o número registrado de mediações que resultaram em acordo ou seja, não se transformaram em dissídio foi de (71,19% do total) superior aos 69,86% verificados em Beneficiados 7,98 milhões de trabalhadores pelas mediações realizadas pelo MTE que resultaram em acordo, representando 82,39% do total de trabalhadores abrangidos pelas mediações. Este resultado supera em 52% o índice alcançado em 2005 (54,32%). O aumento deste índice evidencia a importância da mediação pública na solução de conflitos, uma vez que os conflitos solucionados não são transformados em ações judiciais de dissídio coletivo. DESEMPENHO DO PROGRAMA O Programa foi criado com o intuito de propiciar a modernização do sistema brasileiro de relações de trabalho, adequando-o às especificidades atuais do mundo do trabalho. Neste sentido, conta com uma ação-âncora: o Fórum Nacional do Trabalho (FNT), composto por representantes de trabalhadores, empregadores e governo. Como resultado dos debates do FNT, o Poder Executivo encaminhou ao Congresso Nacional a proposta de criação do Conselho Nacional de Relações do Trabalho (CNRT), por meio da Medida Provisória (MP) nº 294/06. Essa MP regulamenta termos previstos na Convenção nº 144 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificada pelo Brasil, que prevê mecanismos de consulta tripartite para as questões referentes às normas internacionais do trabalho e tem como principal objetivo a institucionalização do processo de diálogo social iniciado com o FNT. Outra proposta legislativa resultante dos debates do FNT foi a MP nº 293/06, a qual propõe critérios objetivos para a participação das centrais sindicais de trabalhadores em conselhos ou colegiados de órgãos públicos. Apesar destes atos normativos não terem sido aprovados pelo Congresso Nacional, devido à natureza complexa do tema, seu encaminhamento demonstra o amadurecimento do debate. Em convergência com as iniciativas de fortalecimento do diálogo social, foram assinados decretos presidenciais, resultantes do consenso firmado no âmbito do FNT e, 18

21 Ano Base 2006 posteriormente, ratificados no âmbito do Fórum do Sistema S. Estes decretos prevêem a inclusão das representações de trabalhadores nos Conselhos do Sistema S Serviço Social do Coméricio (SESC), Serviço Social da Indústria (SESI), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). Todas essas entidades são ligadas ao setor patronal brasileiro e, nesse sentido, os decretos viabilizam a composição tripartite desses conselhos, atendendo assim, a uma reivindicação histórica dos trabalhadores. Foram, ainda, realizadas reuniões do Grupo Especial sobre Trabalho aos Domingos, inclusive com ampla plenária, reunindo centenas de representações sindicais dos trabalhadores, a fim de analisar propostas legislativas referentes ao tema. O objetivo é o de construir uma normatização para regulamentar essa questão. Por fim, ainda no âmbito desta ação, a coordenação do FNT promoveu eventos de divulgação e sensibilização dos diferentes atores e do público em geral, quanto a temas relativos à reforma trabalhista e sindical. Esses eventos incluíram uma importante parceria com o Tribunal Superior do Trabalho (TST), que teve como principal objetivo promover encontros de intercâmbio de informações das experiências nacionais e internacionais sobre legislação trabalhista e sistema de relações do trabalho. No que tange à capacitação de técnicos especializados na área de relações do trabalho, optou-se pela realização de apenas algumas ações de capacitação, de nível nacional, executadas diretamente pela Secretaria de Relações do Trabalho, ficando a maior parte das ações a serem realizadas pelas Seções ou Setores de Relações do Trabalho (SERETs) das delegacias regionais do trabalho (DRTs), observadas as diretrizes estabelecidas pela SRT, com recursos descentralizados. Assim, a ação pôde otimizar o número de técnicos capacitados 1.891, número muito superior à previsão de 171, com cerca de 58% da dotação prevista. Na LOA de 2007, novas metas foram apresentadas, objetivando-se a correção das distorções físico-financeiras apontadas. Destaca-se, também, a continuação da implantação do Sistema Integrado de Relações do Trabalho (SIRT). Ao longo de 2006, a SRT deu continuidade ao esforço de reorganização do módulo Cadastro Nacional de Entidades Sindicais, garantindo a adesão de mais de 3 mil entidades sindicais ao longo do ano, totalizando mais de 13 mil entidades atualizadas. Organizou-se, ainda, uma tabela padronizada para a classificação das categorias sindicais a partir dos dados obtidos pela atualização sindical, a qual permitirá o cruzamento com os demais módulos do SIRT e com outros sistemas de governo, como: Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) e Receita Federal. Também foram envidados esforços para a construção do módulo Sistema Mediador, um sistema eletrônico único para o cadastro dos instrumentos coletivos de trabalho, depositados e registrados no MTE - o qual substituiu todos os sistemas manuais ou eletrônicos utilizados pelas SERETs - acessível para a consulta de qualquer servidor do MTE, por meio da Intranet. A ação empreendida pela SRT resultou, assim, na criação do Sistema de Registro e Arquivamento de Acordo e Convenção Coletiva (SIRACC), que entrou em funcionamento em abril de 2006, e contemplou todos os instrumentos depositados no MTE a partir de janeiro do mesmo ano. 19

22 Relatório Anual de Avaliação Em relação à análise do conteúdo de instrumentos coletivos, foi acrescentado artigo à Instrução Normativa (IN) nº 1, de 2004, possibilitando a adoção de procedimentos administrativos, com o objetivo de sanar as irregularidades encontradas antes do encaminhamento da denúncia ao Ministério Público do Trabalho (MPT). Paralelamente à alteração da IN, a capacitação dos técnicos nas SERETs também favoreceu a análise de cláusulas, conferindo maior agilidade e eficiência ao combate à violação de normas trabalhistas. Isto porque, em vez de sanar de forma pontual uma irregularidade praticada, advertindo ou multando um único empregador, o procedimento de análise, de maneira preventiva, permite alterar ou mesmo excluir a cláusula irregular, evitando que a situação se perpetue em prejuízo de todos os alcançados pelo instrumento coletivo. Evita, também, o ajuizamento de diversas ações trabalhistas, com questionamento de tais irregularidades. Para aperfeiçoamento na aferição da eficácia do Programa, foram adicionados outros dois indicadores, por meio da revisão do PPA em 2006: o Número-Índice de Instrumento Coletivo relação entre o número de instrumentos coletivos (acordos e convenções) realizados no ano corrente e o número de instrumentos coletivos realizados no ano-base, multiplicado por 100 e a Taxa de Adesão à Atualização Sindical - relação percentual entre a freqüência absoluta de sindicatos atualizados no SIRT e a freqüência absoluta de sindicatos da pesquisa sindical do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O desempenho físico das ações do Programa é monitorado por meio de reuniões de trabalho trimestrais com os coordenadores da SRT, além de duas reuniões anuais com os chefes das SERETs das 27 Unidades da Federação para planejamento, monitoramento e avaliação das ações da SRT. Além disso, o monitoramento é realizado por sistema informatizado do Programa, por monitoramentos físicos das ações realizados por meio do Sistema de Informações Gerenciais e de Planejamento (SIGPlan) e por relatórios de gestão produzidos para o sistema de metas presidenciais e um relatório de gestão anual das atividades e ações do programa. As metas físicas estão dentro das expectativas, no que diz respeito ao seu cumprimento. Apenas a ação de mediação não conseguiu atingir a meta prevista, apesar do aumento apontado em relação a De fato, das mediações coletivas previstas, ocorreram alcance de mais de 83%. Os recursos orçamentários foram considerados insuficientes, principalmente quando considerados os destinados para o SIRT, pois se faz necessária a aquisição de infra-estrutura, certificação digital e recursos humanos para o desenvolvimento do sistema. Além disso, as ações FNT e SIRT sofreram com o contingenciamento, pois a liberação tardia dos R$ 900 mil provenientes do convênio com a Petrobras causou descontinuidade e a não-realização de algumas atividades previstas. Afora isso, a limitação para gastos com diárias e passagens comprometeram a realização de atividades de formação em nível nacional. As equipes executoras encontram restrições relativas a espaço físico inadequado; escassez de computadores, scanners e impressoras, além da necessidade de melhorar a infra-estrutura de informática para o desenvolvimento do sistema nos quesitos rede e certificação digital. No que concerne aos recursos humanos, a equipe gerencial se encontra 20

23 Ano Base 2006 limitada a cinco pessoas. Faz-se necessária a ampliação do quadro gerencial, bem como sua qualificação com cursos na área de gestão, negociação e mediação. Já nas equipes executoras, faz-se necessária uma reorganização das equipes com o objetivo de trazer técnicos mais qualificados e com menor rotatividade. A SRT está elaborando um plano de qualificação continuada para os servidores ligados às relações do trabalho, com o intuito de suprir esta necessidade, que permitirá a formação de técnicos em pelo menos três níveis: padronização de rotinas e procedimentos, gestão e relações do trabalho. OUTROS ASPECTOS RELEVANTES O Programa conta com parcerias não-governamentais para sua execução. O FNT é um espaço de negociação criado pelo Governo Federal para promover a mudança do Sistema Brasileiro de Relações de Trabalho por meio do diálogo social e da negociação tripartite, o que significa que todo o debate está sendo feito com as representações sindicais de trabalhadores e empregadores, principais parceiros e interessados nessa questão. Depois de formatadas as propostas de alteração na legislação, a Coordenação do FNT realizou encontros acerca dos aspectos jurídicos da reforma sindical, que contaram com a participação de dezenas de advogados atuantes na área de relações sindicais e do trabalho. Diversas reuniões foram realizadas também com as principais federações patronais brasileiras e centrais sindicais, além de outras associações de classe, representantes da academia, dos operadores do direito e representantes de outras instituições ligadas ao mundo do trabalho, tais como Ministério Público do Trabalho, TST, Fórum Nacional de Secretários de Trabalho (FNST) e Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), com o intuito de divulgação da proposta. Em termos de participação social, o Programa conta com Ouvidoria, além de promover reuniões com grupos de interesse. Assim, diversas reuniões foram realizadas com as principais federações patronais brasileiras durante todo o processo de discussão do projeto de reforma sindical, incluindo-se encontros com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP), Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) e Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG). A Coordenação do FNT também se reuniu com o Núcleo de Relações Trabalhistas e Sindicais do Rio de Janeiro, quando o projeto de reforma foi apresentado para importantes lideranças empresariais brasileiras, de empresas que atuam no Estado. Nesse encontro, estavam presentes representantes de empresas com forte expressão na economia nacional, tais como a Coca-Cola, BR Distribuidora, Vale do Rio Doce, TV Globo e Bayer, oportunidade em que foi verificada a receptividade quanto à proposta de reforma discutida no FNT. Dentre as contribuições da participação social para os resultados do Programa, destacam-se a elaboração da proposta de anteprojeto de lei e de emenda constitucional da reforma sindical, as quais foram possíveis pela participação das entidades sindicais, tanto de trabalhadores quanto de empregadores e de diversas outras entidades da sociedade civil que se envolveram no debate. RECOMENDAÇÕES Não há recomendações. 21

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