em Espanhol: Perspectivas, revista trimestral de educación (Santularia S.A. de Ediciones, calle Elfo 32, Madrid-27, Espagne)

Save this PDF as:
 WORD  PNG  TXT  JPG

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "em Espanhol: Perspectivas, revista trimestral de educación (Santularia S.A. de Ediciones, calle Elfo 32, Madrid-27, Espagne)"

Transcrição

1

2 Director: Henri Dieuzeide Chefe da redacçâo: Zaghloul Morsy Adjunto: Alexandra Draxler Perspectivas publica-se também: em Árabe: Mustaqbal al-tarbiya (Unesco Publications Centre, I Talaat Harb Street, Tahrir Square, Le Caire, Égypte) em Espanhol: Perspectivas, revista trimestral de educación (Santularia S.A. de Ediciones, calle Elfo 32, Madrid-27, Espagne) em Frances : Perspectives, revue trimestrielle de l'éducation (Unesco) cm Inglés: Prospects, quarterly review of education (Unesco) Unesco, 1976 para a traduçào portuguesa, Livros Horizonte, Lda., 1976 Traduçâo realizada sob a responsabilidade de Livros Horizonte Livros Horizonte Rua das Chagas, 17, 1. -Dto. Lisboa Portugal Impresso em Portugal

3 ,1«revista trimestral de educaçâo Sumario A alfabetizaçâo cultural no C. A. Bowers Posiçôes / Controversias A escola: educaçâo e alienaçâo Luiz Navarro de Britta Elementos para um dossier: Aprender a trabalhar: escola e producâo Educaçâo e producâo: posiçâo do problema Patrick van Rensburg A escola contra o trabalho manual René Dumont A iniciaçâo do trabalho manulal ñas escodas do Tertoeiro Mundo Margaret E. Sinclair Como ligar a escola ao trabalho: a experiencia tanzaniana G. R. V. Mmari A iniioiaçao e a ptreparaçâo para o trabalho nias esicolas soviéticas Nicolai Semykine As «escolas d'e producâo» no Panamá Escolas secundarias de «barrio» e colégiosi comunitarios ñas Filipinas Pedro T. Orata Educaçâo e trabalho produtivo na China Yang Tchen Tendencias e casos Ramon Isos Educaçâo em movimento e mobilidade das pessoas Jean Guiton Objectivos, funçôes e problemas dos sistemas de informaçâo sobre a educaçâo Jonathan D. Fife Notas e comunicaçôes Revista de publicaçôes. Algumas publicaçoes recentes da UNESCO

4 Os artigos assinados exprimem a opiniáo dos seus autores e nao necessariamente a da Unesco ou da Redacçâo. Podem ser reproduzidos, sob reserva da autorizaçâo do redactor-chefe. A redacçâo gostaria de receber para publicaçâo contribuiçôes ou cartas contendo opiniöes fundamentadas, favoráveis ou nao, sobre qualquer artigo publicado em Perspectivas ou sobre os teffnias abordados. Toda a correspondencia deve ser dirigidla ao redactor-chafe, Perspectivas, Unesco, 7, Place de Fontenoy, T57CO, Paris, France.

5 C. A. Bowers A alfabetizaçao cultural nos países desenvolvidos C. A. Bowers (Estados Unidos da América). Professor de Educaçao no Center for Educational Policy and Management da Universidade do Oregäo. Autor de Cultural literacy for freedom. A extensäo alcançada simultáneamente pelas crises da populaçâo e do ambiente pôe em causa a cultura ocidental, as premissas em que assenta e, mais particularmente, os postulados culturáis que estâo na base do sistema de crenças dos países desenvolvido, onde as tecnologías e o modo de vida orientado pelo consumo esgotam os recursos energéticos do mundo a um ritmo alarmante. Já lá vai o tempo em que os valores fundamentáis deste sistema de crenças pensamento racional abstracto, eficacia, individualismo, lucro, passavam por ser fonte de progresso da sociedade e do individuo. Mas em sociedades como a dos Estados Unidos e a do Canadá, onde estes valores se desenvolveram a ponto de conduzir a culturas «tecnológicas», a noçâo de progresso perde cada vez mais o seu significado. A complexidade crescente da tecnología e a sua extensäo a todas as esferas da vida social tiveram consequências inquietantes: aceleraran! a corrida ao consumo criando necessidades novas e adaptando as outras aos imperativos da produçâo e do lucro; a utilizaçâo cada vez mais generalizada dos processes científicos de gestäo atribuiu um carácter mais alienante ao trabalho, ao dissociar os seus aspectos físicos dos aspectos intelectuais, transformando estes últimos e m apanágio da classe dos gestores; favorecen o aparecimento de um individualismo atomizado cada vez mais impotente perante as tendencias mais nefastas do progresso técnico; favoreceu o desenvolvimento da burocracia como meio de atenuar os efeitos deletérios da tecnología sobre a vida social. Como estes postulados culturáis estâo muitas vezes associados à modernizaçâo, os países industriáis mais desenvolvidos encontram-se envolvidos num círculo vicioso dramático: o sistema de crenças que contribuiu para elevar o seu nivel de vida é o mesmo que, actualmente, os ameaça de urna catástrofe ecológica. Para por em evidencia as raízes culturáis da crise, vamos começar por tentar mostrar neste artigo que o proprio ensino funciona como veículo das crenças e dos valores culturáis que 315

6 C. A. Bowers formam a visäo tecnológica do mundo x ; procuraremos mostrar em seguida que o processo de socializaçâo na escola transmiste a realidade social sob um aspecto que por vezes dissimula as premissas e m que assenta o sistema de crenças culturáis; tentaremos, por fim, indicar que o processo de socializaçâo ñas sociedades desenvolvidas poderia ser modificado de modo a incutir naqueles a quem a cultura é transmitida urna consciência mais lúcida. Desmistificar, ou penetrar, nos aspectos ocultos do sistema de crenças culturáis constituí urna primeira etapa indispensável para atingir outros aspectos da cultura que estâo na origem da crise actual. A escola, veículo da visäo tecnológica do mundo Os Estados Unidos da América, por constituírem urna das sociedades tecnológicamente mais avançadas, sâo um exemplo do modo como as escolas públicas desempenham um papel de veículo dos valores e das crenças que caracterizam a conseiência tecnológica. No essencial, estes valores e estas crenças têm por origem os valores liberáis que presidiram ao nascimento dos Estados Unidos : o direito dos individuos se elevarem por meio do esf orco da sua razäo e do seu trabalho. Esta visäo do hörnern foi transformada pela revoluçào tecnológica numa outra que privilegia muitas vezes a eficacia e m detrimento do desenvolvimento da pessoa humana, perturba a tradiçâo através de modif icaçôes incessantes e da intervençâo instantánea dos meios de comunicaçâo, coloca ao mesmo nivel a experiencia pessoal e o facto cultural. Se estudarmos o modo como a conseiência tecnológica organiza a realidade, notamos urna tendencia para pensar em termos de mecanizaçâo (o processo trabalho ligado ao processo máquina), de reproduçâo (o trabalho é reproduzível e nao individualmente único), de mediçâo (os diversos dominios da experiencia humana só e m termos quantitativos sao avaliáveis) ; decomponíveis (tudo se pode decompor em elementos interdependentes), de criatividade baseada na soluçâo de problemas concretos (todos os dominios da existencia individual e social sâo considerados como resultando de urna especie de «tarefas» que exige soluçôes puramente tecnológicas) e de autodespersonalizaçâo do trabalhador (que aprende a decompor o seu eu em elementos constitutivos e a submeter-se ao processo de «engenharia» humana que organiza este eu em termos de funçôes tecnológicas 2. O facto de se tomar constantemente a máquina por modelo, como na análise dos sistemas, para 1. A Meia de veículo foi sugeridla por Peter BERGER e outros, The homeless mind: modernization and consciousness, Nova Iorque, Vintage Books, J BERGER, op. cit., pp

7 A alfabetizaçâo cultural nos países organizar as actividades na fábriw em casa, mostra quanto terreno Vstá\tipo de conséiéénéia vai ganhando. Xfr/Vw ^^.^ / Pretendemos mostrar, aqui, a manèir^q^m Cj^dS^e6iisciência tecnológica se transmite ñas escolas amerieafias. Tres dos seus veículos mais importantes sao, respectivamente, o ensino bascado na aquisiçâo de competencias, a modificaçâo do comportamento e os tratados de ciênciasi sociais. O primeiro, isto é, o ensino baseado na aquisiçâo de competencias, está largamente generalizado ñas escolas normáis e representa a aplicaçâo directa da teoría dos sistemas ao processo educativo. Os futuros professores aprendem a dirigir o ensino para objectivos de eficiencia a atingir, para urna instruçâo sequential, para a aquisiçâo de um «lote» de conhecimentos, para módulos, para a tomada de decisoes a partir de um conjunto de dados e de programas de opçôes múltiplas. Na verdade, a turma é-lhes apresentada como um «sistema de gestâo», e o seu papel como consistindo em melhorar a eficacia deste sistema por meioi de uta contrôle constante (em termos de 'comportamiento) Ida relaçâo entre os iconhecimenítois adquiridos pelos aluinos («outputs») e a contribuiçâo fornecida pelo professor e pelo programa de estudos («inputs»). Ñas aulas em que se pratica o ensino baseado na aquisiçâo da competencia, os alunos aprendem a considerar a sua propria instruçâo como qualquer coisa de decomponível e m elementos discretos e mensuráveis e m termos quantitativos, a fim de determinar a eficacia do sistema de transmissäo constituido pela escola. A tendencia do professor para considerar o aluno como urn «output» ou «produto» e a sua preocupaçâo em medir apenas o que no aluno é observável eliminam neste último praticamente todas as possibilidades de reftectür por si plrópirio sobre as prieanissas quie estäo nia base día cultura tecnológica, que o obrigam a considerar como urna realidade. As mensagens culturáis inerentes à utilizaçâo generalizada das técnicas de modificaçâo do 'Comportamiento ñas classes icoai 1 - tribuem também para a cristalizaçâo no espirito do aluno das premissas dominantes da consciência tecnológica. Os professores que utilizam estas técnicas partem do principio de que um comportamento é determinado por aquilo que vem ou nao reforcá-lo. O que se lhe segue é positivo, o comportamento tem todas as possibilidades de se repetir ; no caso contrario, o aluno eliminá-lo-á. Esta teoría foi pormenorizadamente elaborada por especialistas do comportamento, para quem aquilo que reforça o comportamento é também o que o determina. Quem compreender esta relaçâo pode elaborar poderosas técnicas para se tornar senhor do comportamento dos alunos, utilizando a série de «reforços» apropriada. Quando esta técnica é aplicada na classe, o que os alunos aprendem vai muito além dos factos e das técnicas ensinados 317

8 C. A. Bowers pelos professores. Aprendem simultáneamente que a autoridade fácilmente reconhecida como legítima (o professor) só tern em vista os comportamentos que convêm ao que o estabelecimento escolar deseja e que estes comportamentos seräo reforçados. Näo só se lhes apresenta um comportamento mecanista de interpretaçao do seu proprio comportamento (e o professor, ao praticar a modificaçâo do comportamento, näo lhes apresenta mais nenhum), como aínda sao condicionados a aceitar os valores da sociedade de consumo. De facto, a aplicaçâo das técnicas de modificaçâo do comportamento transmite duas mensagens culturáis importantes: para ter éxito, é neicessarda 1 a adapftaçâo a ma miedo dominado pela tecnología e queta aceitar esta doiminaçâo exterior gozará das vantagens da sociedade de comsuimo. O veículo mais tradicional e mais eficaz da consciéncia tecnológica continua a ser o compendio e, singularmente, os compendios de ciencias sociais utilizados ñas classes elementares. Durante os primeiros anos da escola, o aluno aprende a encarar as «necessidades» do hörnern em termos de consumo, a concurrencia como o meio de ser bem sucedido nos negocios, na política e no desporto, o trabalho como urna actividade desagradável, mas necessária, para obter dinheiro. Os compendios nao se limitam a dar a conhecer a tecnología, glorificam-na como um dos maiores éxitos da naçâo. Como se poder 1er num deles, «A revoluçâo tecnológica é um dos episodios mais espantosos da aventura humana *». Este mesmo compendio apresenta a eficacia como um valor em si, subtraindo-a, assim, as dúvidas do espirito. E acrescenta: «Por que é que determinado método de producto substituí outro? A resposta a esta pergunta é quase sempre a mesma: porque é mais eficaz.» O mesmo compendio prossegue, desumanizando o trabalhador, considerando-o como um «input» que deve ser «avahado» em termo de custo de produçâo : «Quando os economistas falam de eficacia, referem- -se à relaçâo 'input'-'output'. Os 'inputs' sâo as quantidades de trabalho, de capital, de materias-primas e de técnicas de gestâo que entram na produçâo. Os 'outputs' sâo as quantidades de ben's produzidoo 2.» Ainda que, recentemente, tenham surgido excelentes programas de ensino das ciencias sociais, continua a ser tendencia dominante a utilizaçâo de compendios que instilam no aluno urna aceitaçâo incondicional da sociedade tecnológica. B e m representativa de tal tendencia é a política que a nivel federal os Estados Unidos recentemente adoptaram para integraçâo do ensino profissional em todas as materias do programa desde o ensino primario. A grande massa dos materiais apresentados 1. EDUCATIONAL RESEARCH COUNCIL OF AMERICA, Tecnalogy: promises and problems, p. 69, Boston, Mass., Allyn and Bacon, , ID., p

9 A alfabetizaçâo cultural nos países desenvolvidos no quadro do ensino profissional faz que a tecnología surja, na sua funçâo e estruturas actuáis, como a pedra angular indiscutível do modo de vida americano. Os materíais sao concebidos de maneira a encorajar as atitudes desejáveis na vida activa dedicaçâo a valores tais como fiabilidade, pontualidade, seriedade e lealdade e a familiarizar os alunos com os diferentes papéis que Ines seräo propostos ao sair da escola. Ensinam- -lhes também, como se pode 1er num manual utilizado ñas escolas secundarías da California, que o éxito «se mede em grande parte pelo éxito no trabalho». Os tradicionais preconceitos de classe sâo reforçados por compendios que persistem em prolongar o mito segundo o qual os «trabalhadores se Servern das mäos» enquanto os «burócratas se servem do cerebro». Apesar de apresentar aos alunos o trabalho como um processo ditado pelos imperativos do lucro e as exigencias da tecnología, o ensino nada diz sobre as causas da alienaçâo no trabalho, sobre as premissas culturáis subjacentes à relaçâo entre trabalho e tecnología, sobre outras formas de organizaçâo e de controle do trabalho experimentadas no estrangeiro, nem soíbre a relaçâo entre a nossa cultura, submetida as exigencias da tecnología e do consumo e a crise ecológica. O programa de ensino como processo de socializaçâo As escolas públicas dos Estados Unidos, que constituem um dos principáis veículos da consciência tecnológica, nao podem contribuir, de modo nenhum, para a soluçâo da crise ecológica. Na verdade, a reforma do ensino deve estender-se a todos os países desenvolvidos se pretendemos reconstruir em novas bases culturáis que se baseiam na exploraçâo dos recursos até ao seu esgotamento. Mas esta reforma nao pode realizar-se se nao compreendermos de que modo a forma de socializaçâo transmitida pelas escolas modela a consciência. A socializaçâo é urna comunicaçâo que implica a transmissâo de interpretaçôes, de postulados e de definiçôes que dizem respeito à maneira de conceber a realidade. Na escola, o processo é continuo, tanto ao nivel implícito como explícito. O objectivo do ensino é fornecer ao aluno respostas para a pergunta «O que é?»; ao nivel mais elementar, tal objectivo é atingido inculcando no aluno as definiçôes oficialmente reconhecidas dos diversos aspectos da experiencia. Piaralefamieinte a esitas definiçôes, que ilustram e cristalizam os significados que corresponden! as representaçôes commis no plano social,, o professor e o programa transmitem-lhe também as regras e as formas de interpretaçâo socialmente admitidas que permitem ligar as respostas «consagradas» (acerca da natureza do tempo, do trabalho, da autoridade, da indignidade, da tecnología, etc.) as 619

10 C. A. Bowers outras respostas que fazem parte do sistema de crenças individuáis. Por exemplo, um curso professado nos Estados Unidos sobre «as necessidades humanas» define as «necessidades» em termos de consumo e, em seguida, alia as «necessidades» aceitáveis à quantidade de dinheiro de que se dispöe. Como o quadro de referencia do aluno (vocabulario, teoría e regras de interpretaçâo) se constrói e se reforça por meio dos contactos com o professor e os materials de ensino, o aluno> aprende a perceber e a interpretar a realidade social num sentido que se adequa à opiniâo dominante, da qual a escola e o corpo docente se fazem eco. Os elementos do processo de socializaçâo que se opera na classe nao sao novos na sua totalidade. Na verdade, o aluno chega à escola depois de ter adquirido, graças à sua inter-relaçâo com outrem, um conhecimento funcional de um grande número de aspectos da realidade. Em muitos casos, porém, näo tern ainda capacidade para identificar objectos discretos e para estabelecer interrogaçôes a respeito dele e acerca das relaçôes e dos processus que formam esta aquisiçao de experiencia cultural que foi a sua na idade em que a si proprio näo punha perguntas. O que a escola faz, entäo, é fornecer-lhe os instrumentos simbólicos que lhe permitiräo reflectir sobre as experiencias culturáis já vividas ao nivel das interacçôes sociais funcionáis. Quando o ensino lhe apresenta urna linguagem e explicaçôes que vêm reforçar a cultura pré-escolar adquirida (por exemplo, identificando tecnología a progresso, trabalho a dinheiro e consumo, concurrencia a éxito, etc.), ela contribuí com u m suplemento de legitimidade para a visäo do mundo que se constrói no seu espirito. Quanto mais o mundo simbólico apresentado na escola sustentar e reforçar esta visäo, mais se lhe torna difícil por em questäo as premissas e os valores em que ela assenta. Urna grande parte do processo escolar de socializaçâo faz-se a partir de assuntos que os alunos desconhecem, e só muito raramente poderäo apreciar à luz da sua experiencia pessoal : a historia da sua propria sociedade, as culturas estrangeiras, as ideias, as práticas e condiçôes sociais que ultrapassam o quadro do seu campo de experiencia. Quando o aluno aborda estes dominios, é obrigado a referir-se quase exclusivamente à representaçâo feita pelo professor e pelo compendio. As descriçôes fornecidas pela maior parte dos compendios (apresentaçao de figuras históricas como a dos Padres fundadores, de inovaçôes tecnológicas como o automóvel, etc.) reflectem as ideias aceites que condicionan! a atitude da maior parte dos prof essores, eles mesmos provenientes da classe média. Se o professor define a cultura de outro povo como primitiva, ou o océano como um inesgotável reservatório de riquezas, é pouco provável que de tal os alunosi façam urna representaçâo diferente, a nao ser que se encontrem perante urna série diferente de ideias igualmente 320

11 A alfabetizaçâo cultural nos países desenvolvidos aceites. Em relaçâo a este aspecto, é essencial reter que a escola näo se limita a controlar a representaçâo das ideias, dos povos e dos acontecimentos, mas que impôe simultáneamente a linguagem que o aluno deverá utilizar sobre o assunto. Reforcé as ideias recebidas pelo espirito do aluno, ou faça aceder este a um mundo simbólico que ultrapasse o quadro da sua experiencia pessoal, a socializaçâo pela escola pode fácilmente transformar-se em mistificaçâo. Quando o professor transmite ao aluno as suas próprias ideias preconcebidas e as suas próprias representaçôes da realidade, é provável que o aluno as aceite sem discutir, sobretudo se nâo possui a experiencia necessária para fazer juízos comparativos. Também existe mistificaçâo quando o professor ou o compendio utilizam urna linguagem que objectiva a realidade social. Frases como: «As cidades saudáveis sao como as crianças, crescem cada vez mais» e: «Os programas de radio e televisäoi sao concebidos para ajudar os consumidores a comprar cada vez mais aparemos» sao características do modo objectivo de comunicaçâo que se encontra na escola. O aluno pensa que descrevem um estado de facto, mas, na realidade, sao interpretaçôes anónimas que reflectem intéresses económicos ocultos e hipóteses culturáis discutíveis. O que se propöe ao aluno é urna explicacäo da realidade social que é objectivamente real, portanto indiscutível. O papel de objectivaçâo da linguagem utilizada pelos professores e pelos compendios encobre perante o aluno a realidade social, que é obra do hörnern. Urna forma de mistificaçâo fréquente em meio escolar resulta do facto de o professor ser o único possuidor do código lingüístico que o aluno utilizará para representar a realidade social. Se, numa aula sobre a natureza do trabalho, o professor utilizar um vocabulario que contenha os termos «fiável», «pontual», «rigoroso», «leal», etc., e ignorar palavras como «alienacao» e «exploraçâo», o aluno disporá de um código lingüístico restrito que o impedirá de reflectir sobre asi contradiçôes e as complexidades do problema do trabalho. O código lingüístico que adquirir limitará, portanto, a sua aptidäo para fazer do trabalho urna simbolizaçâo diferente da apresentada pelo professor. Um código lingüístico restrito, um vocabulario limitado e urna série de modelos explicativos teräo por efeito, também eles, levar a consciência do aluno a pensar únicamente em termos daquilo que pode exprimir. Quando nao se proporcionam ao aluno os utensilios intelectuais necessários à conceptualizaçâo e comunicaçâo da sua experiencia social, o silencio e a distorçâo transformam-se também em fonte de mistificaçâo. A socializaçâo que dissimula a origem humana da cultura é particularmente prejudicial na medida em que limita a aptidäo do individuo para descodificar a sua propria experiencia cultural. Aprender a apresentar as crenças culturáis, as ideias e os postulados que lhes sao subjacentes como realidades objectivas e 321

12 C. A. Bowers naturais conduz a tornar o mundo determinista e imutável. A ideia da «cultura do silencio» laucada por Paulo Freiré faz referencia a esta situaçâo de passividade cultural e existencia! e aplicarse à condiçâo dos homens tanto nos países desenvolvidos como nos países do Terceiro Mundo. Nos países desenvolvidos, este problema ultrapassa a necessidade que o individuo tem de reflectir sobre a sua propria condiçâo, reflexäo que, no contexto ocidental, corre o risco de acentuar o sentimiento de isolamento. As crises do ambiente e da populaçâo pöem em causa todas as premissas em que se fundamenta a cultura dos países desenvolvidos. A escola nao possui os meios para resolver o problema da sua globalidade, mas deve começar a repensar o processo de socializaçâo de modo a limitar a mistificaçâo que acompanhou, no passado, a transmissäo das crenças e dos valores culturáis. Modificando certas linhas de força do processo de socializaçâo, a escola poderia dotar os alunos da simbologia necessária para por em causa aspectos bem escomidos da cultura indiscutida que os rodeia e reconstruí-la em bases que correspondan! mais à capacidade dos ecossistemas. É este o ponto essencial a fixar do recente relatório do Clube de Roma, Reshaping the international order. Para alcançar urna utilizaçâo e uma repartiçâo mais racionáis dos recursos mundiais, é necessário que nos apoiemos no «poder da ideia 1». O mundo só se tornará mais justo e mais pacífico quando os povos dos países desenvolvidos aprenderem a repensar as bases em que construiram a sua prosperidade e o seu progress tecnológico. Por outras palavras, é necessário que se desenvolva um novo limiar de «competencia comunicativa», para retomar a expressâo de Jürgen Habernas, e que se criem as condiçôes sociais que o permitam aplicá-lo efectivamente. A escola nao tem o poder de assegurar as condiçôes sociais indispensáveis, m a s pode contribuir para dotar os jovens membros da sociedade dos instrumentos necessários para decifrar as premissas encobertas da sua cultura. A alfabetizaçâo tradicional, que privilegia a leitura da palavra impressa e a comunicaçâo nos quadros que a tecnocracia impôe à sociedade, nao é suficiente. A concepçâo tradicional da alfabetizaçâo conduz o hörnern a participar mais no sistema socioeconómico dominante. O novo limiar de alfabetizaçâo, de que temos necessidade actualmente, poderia ser denominado limiar de alfabetizaçâo cultural. À concepçâo tradicional de aprendizagem da leitura viria juntar-se a aquisiçâo das aptidôes e dos conhecimentos indispensáveis à expressäo da experiencia cultural. Seria a primeira etapa necessária para dismistificar a cultura e por em evidencia o que ela tem de discutível. 1. CLUB OF ROME, Reshaping the international order, p. Kff, Nova Iorque, E. P. Dutton, Inc.,

13 A alfabetizaçâo cultural nos países desenvolvidos A reforma dos programas de ensino Como já aponíamos, os programas de ensino nos Estados Unidos têm por funçâo difundir e legitimar as definicöes da realidade admitidas pela sociedade dominante. Vêm reforçar no aluno a experiencia já adquirida, ensinando-lhe o vocabulario aprovado para reflectir sobre ela a comunicá-la. Fixam os limites do discurso e da reflexäo admitidos pela sociedade, transmitindo os mitos e as premissas ; desempenham, assim, um papel importante de dominaçâo social. Reformar os programas para os transformar em instrumentos de libertaçâo e nao de dominaçâo social pode fazer-se a diversos níveis. No primeiro nivel, esf orcar-nos-íamos por obter mais exactidäo na maneira como as condiçôes sociais sao apresentadas na materia de ensino. Para dar urna representaçâo exacta da natureza do progresso^ da tecnología, do trabajho, ou de qualquer outra materia inscrita no programa de estudos, seria necessário expô-las em toda a sua complexidade, com todas as suas contradiçôes e nas suas perspectivas actuáis, a fim de incitar à reflexäo. Poderíamos ser levados, assim, a dotar o aluno de um código lingüístico mais extenso e a apresentar-lhe varias teorías para explicar o fenómeno em estudo. Por exemplo, um compendio sobre o Canadá utilizado nalgumas escolas americanas nao faz qualquer referencia, na parte que é consagrada aos problemas económicos do Canadá, ao facto de urna parte substancial da economía canadiana ser dominada por capitals americanos. Daí resulta urna visäo falseada e idealizada das relaçôes entre o Canadá e os Estados Unidos, que deixa os alunos desprovidos dos conceitos e do vocabulario necessários para reflectir sobre as complexidades e as contradiçôes das relaçôes entre estes dois países. Mas urna maior exactidäo na representaçâo das condiçôes sociais tal como a relaçâo entre o apetite de lucro e a crise ecológica, sempre ignorada nos compendios poria em evidencia intéresses económicos e sociais que os programas escolares efectivamente dissimularam no passado. O que conduz ao grave problema das relaçôes entre os programas de ensino e a política da educaçao 1. Também é necessário ver de que modo os programas de ensino objectivam a realidade social. Quando se omite a citaçao do autor de urna afirmaçâo para apresentar aos alunos como um facto objectivo («Henry Ford pretendía construir automóveis 1 baratos», «O século XX caracteriza-se pela explosäo dos conhecimentos»), eles estäo a ser colocados numa situ'açâo de maneabilidade e de passividade. Estas afirmaçôes parecem, com efeito, referir-se a urna realidade objectiva; se os alunos igno- 1. Encontra-se um estudo mais aprofundado sobre os problemas políticos día alfabeitizaçâo cultural em C. A. BOWERS, Cultural literacy for freedom, pp , Eug-ene, Oreg-âio, Elan Publishers,

14 C. A. Bowers ram a sua origem sociológica, sâo praticamente incapazes de contestar a pretensa realidade. Também se introduz um elemento de mistificaçâo no processo de socializaçâo quando se apresentam interpretaçôes como factos objectivos; estes métodos näo devem admitir-se. O aluno deve ser informado da perspectiva em que se situa o autor e das premissas culturáis em que se apoia. É necessário indicar-lhe claramente que as descriçôes contidas nos compendios sao apenas interpretaçôes da realidade. Urna grande parte do que se apresenta como «factos objectivos» ñas materias de ensino é o reflexo das preferencias naturais dos autores, preferencias que coincidem frequentemente com as da maior parte da sociedade; seria, portante, irrealista, acreditar na possibilidade de eliminar todas as formas de objectivaçâo da realidade social. Mas assim como o esforço feito actualmente para eliminar nos Estados Unidos os problemas provocados pelas diferenças de sexo e de raça no ensino vai progressivamente dando frutos, também se poderia verificar um progresso considerável se se desobjectivasse o conteúdo dos programas. Num. outro plano mais fundamental, seria necessário refazer completamente as estruturas dos programas de ensino para lutar contra a tendencia que o individuo tem para confundir os seus preconceitos culturáis com a realidade objectiva. Os alunos ao entrarem para a escola dispoem já de urna quantidade considerável de conhecimentos lingüísticos e sociais que eles enriquecen! constantemente durante o tempo que passam fora da escola. O ensino deveria ser centrado sobre os aspectos familiares da cultura, tais como trabalho, familia, consumo, tempo, espaço, concurrencia, autoridade, métodos de aquisiçâo dos conhecimentos, etc. Como é evidente, o aspecto variará segundo os casos. O conteúdo do programa de ensino nao deveria ser desligado da vida quotidiana. Numa liçâo sobre a natureza do tempo, assunto que é abordado de maneira um pouco diferente ñas classes elementares, pedir-se-ia aos alunos que descrevessem a maneira como sentem o tempo (ou como o tempo intervém na sua experiencia para a modelar) em diversas situaçôes sociais. Esta descriçâo fenomenológica traria a marca de um certo número de ideias preconcebidas e de ideias aceites, mas estas mesmas ideias seriam muito úteis, em seguida, para explicar porque é que, no plano social, económico ou histórico, o tempo é concebido e utilizado como é. Além de fornecer os «dados» necessários à análise ulterior do tempo e das suas relaçôes com os outros aspectos da sociedade (por exemplo, a ideia que o individuo tem de sucesso e de falta, da tecnología, do trabalho, da sua posiçâo no espaço social, etc.), a descriçâo fenómenológica permite ainda que o aluno aprenda a examinar a realidade que o rodeia. Militas explicaçôes preconcebidas vêm sobrepor-se a urna experiencia directamente vivida que pode, por este facto, 324

15 A alfabetizaçâo cultural nos países desenvolvidos ser compreendida de modo diferente ; outra razâo para nao «ver» claramente esta experiencia é o facto delà ser, por vezes, demasiado familiar para nao ser considerada como estando fora de causa. Terminada a descriçâo f enomenológica, seria necessário examinar cuidadosamente (por meio da análise relacional) a influencia e as interacçôes do elemento estudado (o tempo, por exemplo) com os outros aspectos da cultura. Esta parte do ensino teria por fim ajudar os alunos a compreender que a percepçâo cultural do tempo intervém na organizaçâo de toda urna série de exeperiências sociais. A análise poderia centrar-se no modo como a percepçâo cultural do tempo modela as atitudes perante a alimentaçâo, inñui na distinçâo feita entre trabalho e projeeto e forma urna parte integrante da tecnología. Esta fase do ensino deveria também colocar o sujeito numa perspectiva histórica. Para manter o mesmo exemplo, expor-se-iam aos alunos os mitos primitivos e as hipóteses culturáis que presidiram ao aparecimento da concepçâo linear do tempo e à transformaçâo posterior desta concepçâo em concepçâo mecánica. O facto de colocar o sujeito na sua perspectiva histórica permitiría reconstruir a genealogía das hipóteses culturáis fundamentáis e por em evidencia as origens humanas dos valores culturáis. O estudo de urna cultura cuja visäo do mundo e organizaçâo social assentam numa série de premissas diferentes permitiría que os alunos situassem numa perspectiva mais ampia as premissas que fundamentam a sua propria experiencia cultural. Se o programa de ensino prévisse o estudo de urna cultura que nao possuísse a concepçâo mecánica do temipo, os alunos nao só aprenderiam que urna concepçâo diferente do tempo modifica a ideia que as pessoas têm de si próprias, das suas relaçôes sociais, das suas instituiçôes e do seu nivel tecnológico, como ainda ganhariam em poder observar a sua propria experiencia cultural com novos olhos. A compreensäo de urna cultura diferente permitir-lhes-ia ter urna visâo mais clara do que a sua e aperceberem-se de que conceitos täo fundamentáis como o tempo, o espaço e os métodos de conhecimento modificam a percepçâo da realidade no interior de urna cultura. O último elemento de um programa de ensino concebido' para desenvolver a alfabetizaçâo cultural deveria dar aos alunos a pos'sibilidade de examinar as repercussöes sobre o futuro da cultura estudada. O que levaría a considerar a concepçâo mecánica e linear do tempo no interior desta cultura, a maneira como influiu sobre a noçâo de progresso, de desenvolvimento tecnológico, sobre a percepçâo da natureza, etc., em relaçâo' as consequências que teria se esta opiniäo cultural sobre a natureza de tempo nao se modificasse. Esta parte do ensino deveria incitar o aluno a considerar a sua propria cultura em relaçâo as crises da populaçâo e do ambiente e a começar a reflectir sobre 325

16 C. A. Bowers os aspectos do sistema de crenças culturáis que agravam o problema e sobre os que contribuem com elementos de soluçao. Um ensino que toma como ponto de partida a experiencia cultural vivida pelo aluno permite que este se dedique à análise relaciona! das interacçôes entre os diferentes aspectos da sua cultura e à análise da sua influencia sobre a percepçâo dos elementos da realidade, que ele considera indiscutível. O aluno é, assim, menos vulnerável as explicaçôes que encontra nos compendios e que, muitas vezes, consistem apenas num vocabulario e em modelos explicativos sem relaçâo com a situaçâo. A concepçao do progresso, da tecnología e do trabalho ensinado nas escolas públicas constituí um exemplo elucidativo. A reforma da formacäo dos professores Para que a transmissäo da cultura aos jovens dos países desenvolvidos näo seja um factor de agravamento das crises da populaçâo e do ambiente, é necessário repensar nos métodos de formacäo, ou até de selecçâo, dos professores. Até agora, a cultura «indiscutível» adquirida pelos professores durante a sua adolescencia constituía urna parte nao desprezível daquilo que deveriam transmitir aos alunos das classes elementares. Era, pelo menos, o que sucedía nos Estados Unidos e no Canadá. A formacäo para a profissäo de professor compöe-se de um ensino universitario tradicional e de cursos de teoría e pedagogía. Como a formacäo universitaria dos professores tem muito pouca relacäo com a cultura que têm por tarefa transmitir aos alunos das classes elementares, eles sao obrigados a referir-se as m a terias de ensino (das quais a maior parte é, actualmente, produzida por filiáis de firmas nrultinacionais) e aos «a priorismos» em que se baseia a sua carreira quotidiana. Esta situaçâo terá que modificar-se para que a transmissäo da cultura se torne um meio de ajudar os alunos a conhecê-la melhor e a compreender as tradiçôes e as hipóteses de que ela provém. A reforma da formacäo dos professores deve conduzir a uma melhor compreensâo da dinámica do processo de socializaçao. Mais precisamente, é necessário fornecer-lhes as bases teóricas necessárias à compreensâo das diferentes formas de comunicaçao, do modo como esta comunicaçâo permite elaborar e cristalizar a percepçâo da realidade e como se pode revelar obstáculo e mistificaçâo, ou força libertadora. Também é necessário que eles compreendam as consequências existenciais de uma aprendizagem das crenças e das premissas culturáis que as apresenta como realidades objectivas. O estudo teórico da sociología do conhecimento deve proporcionar-lhes os meios de fazerem uma ideia mais clara da origem dos conhecimentos transmitidos na classe, e de compreenderem o processo de transmissäo. É um ponto essencial para a formacäo de professores capazes de re- 326

17 A alfabetizaçâo cultural nos países desenvolvidos mediar a situaçâo de impotencia e de mistif icaçâo que se encentra criada quando se apresenta a cultura que se transmite como realidade objectiva. Um segundo elemento importante na reforma da formaçâo dos prof essores diz respeito ao conhecimento que têm da cultura que transmitem ao aluno. Como já dissemos, os professores têm apenas um conhecimento superficial de urna grande parte da cultura que o ensino vem reforçar e que nao faz parte do seu programa de formaçâo. Transmitem e reforçam no espirito de alunos vulneráveis as ideias preconcebidas e tradicionais sobre o trabalho, o progresso, a sociedade de consumo, a tecnología, etc. Para poder ajudar os alunos a «descodificar» e a compreender a sua propria experiencia cultural, o professor deve aprender a conhecê-la melhor. fi necessário integrar no seu programa de formaçâo muitos aspectos da cultura tradicionalmente ignorados pelo ensino universitario. Estes cursos nao devem limitar- -se ao estudo dos grandes mitos e da sua influencia sobre a cultura, devem tratar também da evoluçâo histórico-cultural das crenças da sociedade no que respeita ao tempo, ao espaço, é tecnología, ao trabalho, à autoridade, à concorrêneia, à colectividade, aos métodos de conhecimento e ao progresso, a fim de por em evidencia algumas das bases em que assenta o sistema de crenças culturáis. Só o conhecimento destas bases permitirá que os professores situem a cultura numa perspectiva histórica e comparativa e levem os seus alunos a urna análise aprofundada das relaçôes entre as crenças culturáis e as crises do ambiente e da populaçâo. Ao apresentar estas propostas para urna reorientaçâo do ensino nos países desenvolvidos, nao ignoramos que professores e alunos nao dispoem dos meios do poder económico e político que sao apanágio das grandes sociedades e das forças socials que elas dominam. A reforma do ensino deve, portanto, contentar nse com o papel mais modesto de elo na transformaçâo fundamental da cultura que devemos efectuar. Mas constituí um elo essencial. 327

18 Posiçoes / Controversias A escola: educaçao e alienaçao Luiz Navarro de Britto Luiz inavarro de Britto (Brasil). Professor de Ciencias Políticas e director do Centro de Recursos Humanos da Huniversidade Federal da Baía A escola 1, como todo o grupo social, é um grupo político. É, em permanencia, o quadro de relaçôes de poder, isto é, de reláceles entre governantes e governados procurando assegurar a integraçâo do grupo. Podemos, sem dúvida, pretender que esta extensäo do fenómeno político se apresenta para a escola como urna especie de facto acessório em relaçâo à finalidade imediata e à existencia desta instituiçâo. No entanto, as relaçôes de poder na escola sao inelutáveis, ilustrando aquilo a que David Easton chamou o «governo privado» dos «sistemas parapolíticos» 2. Este governo regula a vida da escola e define os meios para alcançar o seu objective, que consiste em ministrar urna educaçao. A escola constituí, portante, urna entidade política dispondo de um sistema que lhe é proprio. Além disso, a escola faz parte de urna sociedade mais ampia. O Estado controla-a, assim como regulamenta as relaçôes familiares, a criaçâo de urna empresa ou as manifestaçôes de urna seita religiosa 3. Também é fréquente que, como componente do «ambiente» do sistema político do Estado, a escola pretenda influenciá-lo por intermedio de grupos ideológicos ou professionals. Por outras palavras, a escola suscita grupos de pressâo cuja actividade ultrapassa os limites que lhe sao convencionalmente fixados, e que tentam igualmente intervir ñas decisöes do Estado. Assim, tanto no interior da escola como na sua interacçâo com o Estado, as relaçôes de poder e os seus sistemas de 1. Quaado utilizo a palavra «escola» sem qualificativo, refira- m e à escola ein gérai, sejam quais forem o nivel e a forma histórica que ela reveste. 2. Urna teoría da análise política, p. 81. Rio de Janeiro, Zahar Editores, 19i Duiz N A V A R R O D E BRITTO. O sistema político, p. 58, Salvador, Umiversldade Federal da Baía,

19 A escola: educaçâo e alienaçâo governo impöem certos comportamentos e urna visâo fragmentada do mundo, dos homens e das coisas. O papel atribuido à educaçâo consiste em propagar esta visâo «parcializante», proveniente dos interesses dos detentares do poder na escola. Mas, o proprio saber que a educaçâo, como process, deseja transmitir ou realizar será sempre, devido à sua natureza, urna visâo alienante. Torna-se, portante, evidente, que a escola, promotora da educaçâo, nao deixará nunca de fornecer o exemplo de um comportamento alienado, apesar de poder revestir formas diferente. A verificaçâo desta hipótese sugere um estudo preliminar sobre «O poder na escola» e, em seguida, diferentes reflexoes sobre o binomio «Educaçâo e alienaçâo». Estes dois grandes temas constituiräo os títulos das duas partes do presente artigo. O poder na escola Nao existe escola sem poder, e sao raros os projectos contestatario. A teoría da «descolar izaçâo» esboçada por Ivan Illich pode ser considerada como um deles. Mas o poder existe e exerceu-se ao longo da historia nos mais diversos sistemas de governo. Pelo contrario, os projectos que admitem urna escola sem governantes conduzem à negaçâo de toda a escola, ou defendem novas formas ideáis de autoridade. PODER E SISTEMAS DE GOVERNO O fenómeno político também se manifesta na propria vida da escola. Relaçôes assimétricas, submetidas a mudanças imprevisíveis definem, desde logo, duas categorías de participantes: os que dirigem e os que obedecem. Nao se trata apenas de «dominaçâo» ou de «superioridade» entre individuos desiguais. Além disso, e além da sobreposiçâo de «dominaçôes» que se apresentam como dados materiais, as relaçôes entre governantes e governados no interior da escola apoiam-se na convicçâo da sua necessidade e da sua permanencia. A dominaçâo é difícilmente suportada. «Luta-se contra ela, espera-se destruí-la e alcançar a igualdade, ou ainda reconstruí-la em seu proveito \» O poder, pelo contrario, é aceite como útil e indispensvel. É o que sucede na escola, como prova o seu processo de integraçâo e a dialéctica da aprendizagem no confronto entre dirigentes e dirigidos. 1, Maurice DUVERGER, Les -méthodes die la science politique, p. 9,i Partis, PUF,

20 Luiz Navarro de Britto Podemos, e fazêmo-lo militas vezes, contestar doutrinas, sistemas e actos governamentais, ou a legitimidade de certos governantes. Negar que o poder é natural e útil, mesimo para a escola, já é outra coisa. Com raras excepçôes, somo muitas vezes levados a repetir, como a personagem do Albert Camus: «Nossos guias, nossos chefes deliciosamente austeros, ó condutores cruéis e bem-amados 1.» Desde o estadio da educaçâo «difusa» das sociedades primitivas que o fenómeno do poder se manifesta: entre adultos e jovens australianos a aprenderem a manejar o machado de pedra, ou entre adolescentes e mäes da Polinesia durante o fabrico de entroncados de pallia. Mais tarde, quando a educaçâo se torna «acçâo especializada e conscientemente organizada», tanto na escola totalitaria dos Egipcios como na escola reservada aos brâmanes, o poder exerce-se segundo todos os rituais. No primeiro caso, diz Roger Gal, urna «disciplina rígida admite normalmente a puniçâo corporal»; para os Hindus, prossegue, o professor é «o pai espiritual da criança, o que lhe dá urna segunda vida», aquele de quem deve ser «o servidor dedicado e obediente» 2. Ñas sociedades industrializadas, o fenómeno político manifesta-se com a mesma permanencia. Mesmo em Summerhill, onde, em principio, todos sao iguais «em direitos» e onde se exprime a «ideia total» da liberdade, a escola nunca foi imaginada «sem governo interno». Além dos regulamentos e organismos de autoderterminaçâo ou de self-gvernement ela nao renuncia a urna administraçâo «adulta», e o proprio A. S. Neill confessa ser «o chef e» e afirma que : «se a escola se incendiasse, as crianças reunir-se-iam à minha volta» 3. De igual modo, no programa Parkway, a «escola sem muros», ou «sem as próprias paredes», tem urna direcçâo e cursos que se adequam as exigencias estatais de repartiçâo das materias. Também nao devemos pensar que, numa «comunidade de aprendizagem» liberta de imposiçôes de tempo e local, é indiferente que «os estudantes façam o que lhes apetece, pois a educaçâo nao é ou nâo deveria ser estruturada. Esta noçâo é completamente falsa, escreve o seu criador John Bremer, pois é necessária urna estrutura, e a habilidade do educador começa por ser posta à prova na organizaçâo do programa» 4. Desde a escola «natural» das sociedades primitivas até à escola «organizada» das sociedades industrializadas, o fenómeno 1Í La chute, p. 157, Paris, GaJlimard, 1956J 2. Histoire de l'éducation, pp. 14, 17 e 19, Paris, PUF, Libres enfants de Summerhill, Paris, F. Masipero, 197Í. SoforettiKto ver as páginas, 25, 26, 56, 62 e John BREMER e Michel VON MOSCHZISKER, A Revoluçaa Pedagógica: Escola sem Muros, 8. Paulo, Ibrasa, Sobretuido ver as (páginas 10, 25 a 43 e 333 a

Educação para os Media e Cidadania

Educação para os Media e Cidadania Educação para os Media e Cidadania Sara Pereira Instituto de Estudos da Criança Universidade do Minho Com este artigo procura-se reflectir sobre a educação para os media como uma forma e uma via de educar

Leia mais

A CARTA DE BELGRADO. Colecção Educação Ambiental Textos Básicos. Editor Instituto Nacional do Ambiente

A CARTA DE BELGRADO. Colecção Educação Ambiental Textos Básicos. Editor Instituto Nacional do Ambiente A CARTA DE BELGRADO Colecção Educação Ambiental Textos Básicos Editor Instituto Nacional do Ambiente INTRODUÇÃO Texto adoptado, por unanimidade, no Colóquio sobre Educação Ambiental", organizado pela UNESCO

Leia mais

ÁREAS DE CONTEÚDO: O QUE SÃO? COMO SE DEFINEM?

ÁREAS DE CONTEÚDO: O QUE SÃO? COMO SE DEFINEM? ÁREAS DE CONTEÚDO: O QUE SÃO? COMO SE DEFINEM? As Áreas de Conteúdo são áreas em que se manifesta o desenvolvimento humano ao longo da vida e são comuns a todos os graus de ensino. Na educação pré-escolar

Leia mais

Sociologia. Professor: Matheus Bortoleto Rodrigues E-mail: bortoletomatheus@yahoo.com.br Escola: Dr. José Ferreira

Sociologia. Professor: Matheus Bortoleto Rodrigues E-mail: bortoletomatheus@yahoo.com.br Escola: Dr. José Ferreira Sociologia Professor: Matheus Bortoleto Rodrigues E-mail: bortoletomatheus@yahoo.com.br Escola: Dr. José Ferreira [...] tudo o que é real tem uma natureza definida que se impõe, com a qual é preciso contar,

Leia mais

6º Congresso Nacional da Administração Pública

6º Congresso Nacional da Administração Pública 6º Congresso Nacional da Administração Pública João Proença 30/10/08 Desenvolvimento e Competitividade: O Papel da Administração Pública A competitividade é um factor-chave para a melhoria das condições

Leia mais

1. Motivação para o sucesso (Ânsia de trabalhar bem ou de se avaliar por uma norma de excelência)

1. Motivação para o sucesso (Ânsia de trabalhar bem ou de se avaliar por uma norma de excelência) SEREI UM EMPREENDEDOR? Este questionário pretende estimular a sua reflexão sobre a sua chama empreendedora. A seguir encontrará algumas questões que poderão servir de parâmetro para a sua auto avaliação

Leia mais

Classes sociais. Ainda são importantes no comportamento do consumidor? Joana Miguel Ferreira Ramos dos Reis; nº 209479 17-10-2010

Classes sociais. Ainda são importantes no comportamento do consumidor? Joana Miguel Ferreira Ramos dos Reis; nº 209479 17-10-2010 Universidade Técnica de Lisboa - Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas Ciências da Comunicação Pesquisa de Marketing Docente Raquel Ribeiro Classes sociais Ainda são importantes no comportamento

Leia mais

O INTELECTUAL/PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA E SUA FUNÇÃO SOCIAL 1

O INTELECTUAL/PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA E SUA FUNÇÃO SOCIAL 1 O INTELECTUAL/PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA E SUA FUNÇÃO SOCIAL 1 Efrain Maciel e Silva 2 Resumo: Estudando um dos referenciais do Grupo de Estudo e Pesquisa em História da Educação Física e do Esporte,

Leia mais

A Educação Artística na Escola do Século XXI

A Educação Artística na Escola do Século XXI A Educação Artística na Escola do Século XXI Teresa André teresa.andre@sapo.pt Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular Caldas da Rainha, 1 de Junho de 2009 1. A pós-modernidade provocou

Leia mais

Reestruturação sindical: tópicos para uma questão prévia

Reestruturação sindical: tópicos para uma questão prévia Mário Pinto Reestruturação sindical: tópicos para uma questão prévia 1. O funcionamento da organização sindical portuguesa é muito frequentemente qualificado de deficiente. Excluindo afirmações de circunstância,

Leia mais

CONSELHO INTERACÇÃO. Declaração Universal dos Deveres do Homem. Setembro de 1997. Criado em 1983. InterAction Council

CONSELHO INTERACÇÃO. Declaração Universal dos Deveres do Homem. Setembro de 1997. Criado em 1983. InterAction Council CONSELHO INTERACÇÃO Criado em 1983 Declaração Universal dos Deveres do Homem Setembro de 1997 InterAction Council Declaração Universal dos Deveres do Homem Preâmbulo Considerando que o reconhecimento da

Leia mais

Escola Secundária com 3º CEB de Coruche EDUCAÇÃO SEXUAL

Escola Secundária com 3º CEB de Coruche EDUCAÇÃO SEXUAL Escola Secundária com 3º CEB de Coruche 0 EDUCAÇÃO SEXUAL INTRODUÇÃO A Educação da sexualidade é uma educação moral porque o ser humano é moral. É, também, uma educação das atitudes uma vez que, com base

Leia mais

A procura social da educação Aumento da população escolarizada : massificação escolar. Aumento da esperança de vida escolar; Valorização dos diplomas; Necessidade de especialização. A educação é considerada

Leia mais

A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO COMO PRINCÍPIO EDUCATIVO NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES

A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO COMO PRINCÍPIO EDUCATIVO NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO COMO PRINCÍPIO EDUCATIVO NA FORMAÇÃO DE Universidade Estadual De Maringá gasparin01@brturbo.com.br INTRODUÇÃO Ao pensarmos em nosso trabalho profissional, muitas vezes,

Leia mais

Lei n.º 46/1986 de 14 de Outubro com as alterações introduzidas pela Lei n.º 115/1997 de 19 de Setembro.

Lei n.º 46/1986 de 14 de Outubro com as alterações introduzidas pela Lei n.º 115/1997 de 19 de Setembro. Lei de Bases do Sistema Educativo Lei n.º 49/2005 de 30 de Agosto Lei n.º 46/1986 de 14 de Outubro com as alterações introduzidas pela Lei n.º 115/1997 de 19 de Setembro. Funções da Escola (efeitos intencionais

Leia mais

A colaboração, a investigação e a reflexão contínuas são os pilares que podem

A colaboração, a investigação e a reflexão contínuas são os pilares que podem A colaboração, a investigação e a reflexão contínuas são os pilares que podem sustentar esta aspiração. 2. COMO CONCRETIZAR A MUDANÇA O Projecto Educativo de Escola (PEE) pode constituir um instrumento

Leia mais

DECLARAÇÃO UNIVERSAL SOBRE A DIVERSIDADE CULTURAL

DECLARAÇÃO UNIVERSAL SOBRE A DIVERSIDADE CULTURAL DECLARAÇÃO UNIVERSAL SOBRE A DIVERSIDADE CULTURAL A Conferência Geral, Reafirmando o seu compromisso com a plena realização dos direitos humanos e das liberdades fundamentais proclamadas na Declaração

Leia mais

Deficiência e Agressividade

Deficiência e Agressividade Deficiência e Agressividade Formadora: Elisa de Castro Carvalho 1 Temperamento e Agressividade Uma percentagem elevada de crianças, especialmente as que se encontram em idade escolar, desenvolve problemas

Leia mais

SIADAP Lei n.º 66-B/07. Gestão Por Objectivos (GPO)

SIADAP Lei n.º 66-B/07. Gestão Por Objectivos (GPO) SIADAP Lei n.º 66-B/07 Gestão Por Objectivos (GPO) Novas e Melhores Políticas Públicas para novas necessidades. ONTEM AP: Vertical hierarquizada, inflexível A logica da oferta: serviço compartimentalizado

Leia mais

Tipos e áreas de igualdade na educação

Tipos e áreas de igualdade na educação A Igualdade em Educação, João Formosinho (pp.169-185) Tipos e áreas de igualdade na educação Há dois tipos de igualdade presentes nas filosofias educacionais: Igualdade de acesso preocupa-se com o acesso

Leia mais

LEITURA DA ENTREVISTA 2. E Boa tarde. Desde já quero agradecer-lhe a sua disponibilidade para colaborar neste

LEITURA DA ENTREVISTA 2. E Boa tarde. Desde já quero agradecer-lhe a sua disponibilidade para colaborar neste LEITURA DA ENTREVISTA 2 E Boa tarde. Desde já quero agradecer-lhe a sua disponibilidade para colaborar neste trabalho que estou a desenvolver. Como lhe foi explicado inicialmente, esta entrevista está

Leia mais

POR UMA ESCOLA INCLUSIVA

POR UMA ESCOLA INCLUSIVA POR UMA ESCOLA INCLUSIVA Sílvia Ferreira * Resumo: A promoção de uma escola democrática, onde incluir se torne um sinónimo real de envolver, é um desafio com o qual os profissionais de Educação se deparam

Leia mais

O GOVERNO. Art.º 182º da Constituição da República Portuguesa

O GOVERNO. Art.º 182º da Constituição da República Portuguesa O GOVERNO Art.º 182º da Constituição da República Portuguesa «O Governo é o órgão de condução da política geral do país e o órgão superior da Administração Pública.» 1 Pela própria ideia que se retira

Leia mais

CAPÍTULO 2 INTRODUÇÃO À GESTÃO DAS ORGANIZAÇÕES

CAPÍTULO 2 INTRODUÇÃO À GESTÃO DAS ORGANIZAÇÕES Processos de Gestão ADC/DEI/FCTUC/2000/01 CAP. 2 Introdução à Gestão das Organizações 1 CAPÍTULO 2 INTRODUÇÃO À GESTÃO DAS ORGANIZAÇÕES 2.1. Conceito de Gestão Vivemos numa sociedade de organizações (dos

Leia mais

Data de adopção. Referência Título / Campo de Aplicação Emissor. Observações

Data de adopção. Referência Título / Campo de Aplicação Emissor. Observações NP ISO 10001:2008 Gestão da qualidade. Satisfação do cliente. Linhas de orientação relativas aos códigos de conduta das organizações CT 80 2008 NP ISO 10002:2007 Gestão da qualidade. Satisfação dos clientes.

Leia mais

As religiões na escola

As religiões na escola G E R A Ç Õ E S E V A L O R E S Estudos As religiões na escola Se a escola tem por missão colaborar na formação integral do aluno, então não pode ignorar nenhuma das suas dimensões específicas, sob pena

Leia mais

Implementação do Processo de Avaliação Inclusiva

Implementação do Processo de Avaliação Inclusiva Implementação do Processo de Avaliação Inclusiva Na parte final da fase 1 do projecto Processo de Avaliação em Contextos Inclusivos foi discutido o conceito processo de avaliação inclusiva e prepararam-se

Leia mais

No final desse período, o discurso por uma sociedade moderna leva a elite a simpatizar com os movimentos da escola nova.

No final desse período, o discurso por uma sociedade moderna leva a elite a simpatizar com os movimentos da escola nova. 12. As concepções de educação infantil Conforme OLIVEIRA, a educação infantil no Brasil, historicamente, foi semelhante a outros países. No Séc. XIX tiveram iniciativas isoladas de proteção à infância

Leia mais

MÉTODO CIENTÍFICO. BENEFÍCIOS DO MÉTODO: execução de atividade de forma mais segura, mais econômica e mais perfeita;

MÉTODO CIENTÍFICO. BENEFÍCIOS DO MÉTODO: execução de atividade de forma mais segura, mais econômica e mais perfeita; MÉTODO CIENTÍFICO CONCEITO: palavra de origem grega, significa o conjunto de etapas e processos a serem vencidos ordenadamente na investigação da verdade; IMPORTÃNCIA DO MÉTODO: pode validar ou invalidar

Leia mais

Estruturas Intermédias e Gestão Curricular

Estruturas Intermédias e Gestão Curricular Estruturas Intermédias e Gestão Curricular Maria Prazeres Simões Moço Casanova 2010 FICHA TÉCNICA edição: Vírgula (Chancela Sítio do Livro) título: Estruturas Intermédias e Gestão Curricular autora: Maria

Leia mais

Katia Luciana Sales Ribeiro Keila de Souza Almeida José Nailton Silveira de Pinho. Resenha: Marx (Um Toque de Clássicos)

Katia Luciana Sales Ribeiro Keila de Souza Almeida José Nailton Silveira de Pinho. Resenha: Marx (Um Toque de Clássicos) Katia Luciana Sales Ribeiro José Nailton Silveira de Pinho Resenha: Marx (Um Toque de Clássicos) Universidade Estadual de Montes Claros / UNIMONTES abril / 2003 Katia Luciana Sales Ribeiro José Nailton

Leia mais

POR UMA ESCOLA DE QUALIDADE: O DESFAZER DOS MITOS

POR UMA ESCOLA DE QUALIDADE: O DESFAZER DOS MITOS POR UMA ESCOLA DE QUALIDADE: O DESFAZER DOS MITOS Ramiro Marques Portugal tem conhecido, nos últimos 25 anos, um conjunto de inovações educativas de carácter contraditório mas que têm em comum, além de

Leia mais

Índice: Introdução 3. Princípios Orientadores 3. Definição do projecto 4. Considerações Finais 8. Actividades a desenvolver 9.

Índice: Introdução 3. Princípios Orientadores 3. Definição do projecto 4. Considerações Finais 8. Actividades a desenvolver 9. Índice: Introdução 3 Princípios Orientadores 3 Definição do projecto 4 Objectivos a alcançar 5 Implementação do projecto 5 Recursos necessários 6 Avaliação do projecto 7 Divulgação Final do Projecto 7

Leia mais

TENDÊNCIAS RECENTES DOS ESTUDOS E DAS PRÁTICAS CURRICULARES

TENDÊNCIAS RECENTES DOS ESTUDOS E DAS PRÁTICAS CURRICULARES TENDÊNCIAS RECENTES DOS ESTUDOS E DAS PRÁTICAS CURRICULARES Inês Barbosa de Oliveira O desafio de discutir os estudos e as práticas curriculares, sejam elas ligadas à educação de jovens e adultos ou ao

Leia mais

Fragmentos do Texto Indicadores para o Desenvolvimento da Qualidade da Docência na Educação Superior.

Fragmentos do Texto Indicadores para o Desenvolvimento da Qualidade da Docência na Educação Superior. Fragmentos do Texto Indicadores para o Desenvolvimento da Qualidade da Docência na Educação Superior. Josimar de Aparecido Vieira Nas últimas décadas, a educação superior brasileira teve um expressivo

Leia mais

Ficha Técnica. Título: Educação Pré-Escolar e Avaliação

Ficha Técnica. Título: Educação Pré-Escolar e Avaliação Ficha Técnica Título: Educação Pré-Escolar e Avaliação Edição: Região Autónoma dos Açores Secretaria Regional da Educação e Ciência Direcção Regional da Educação Design e Ilustração: Gonçalo Cabaça Impressão:

Leia mais

PROJECTO DE LEI N.º 422/VIII

PROJECTO DE LEI N.º 422/VIII PROJECTO DE LEI N.º 422/VIII OBRIGA À DIVULGAÇÃO, POR ESCOLA E POR DISCIPLINA, DOS RESULTADOS DOS EXAMES DO 12.º ANO DE ESCOLARIDADE, BEM COMO DE OUTRA INFORMAÇÃO COMPLEMENTAR QUE POSSIBILITE O CONHECIMENTO

Leia mais

O ENVOLVIMENTO DOS TRABALHADORES NA ASSOCIAÇÃO EUROPEIA

O ENVOLVIMENTO DOS TRABALHADORES NA ASSOCIAÇÃO EUROPEIA PARECER SOBRE O ENVOLVIMENTO DOS TRABALHADORES NA ASSOCIAÇÃO EUROPEIA (Proposta de Regulamento sobre o Estatuto da AE e Proposta de Directiva que completa o estatuto da AE no que se refere ao papel dos

Leia mais

Declaração de Brighton sobre Mulheres e Desporto

Declaração de Brighton sobre Mulheres e Desporto Declaração de Brighton sobre Mulheres e Desporto A I Conferência Mundial sobre Mulheres e Desporto realizou-se em Brighton, no Reino Unido, entre os dias 5 e 8 de Maio de 1994, reunindo à mesma mesa políticos

Leia mais

FORMAÇÃO DOCENTE: ASPECTOS PESSOAIS, PROFISSIONAIS E INSTITUCIONAIS

FORMAÇÃO DOCENTE: ASPECTOS PESSOAIS, PROFISSIONAIS E INSTITUCIONAIS FORMAÇÃO DOCENTE: ASPECTOS PESSOAIS, PROFISSIONAIS E INSTITUCIONAIS Daniel Silveira 1 Resumo: O objetivo desse trabalho é apresentar alguns aspectos considerados fundamentais para a formação docente, ou

Leia mais

3º Bimestre Pátria amada AULA: 127 Conteúdos:

3º Bimestre Pátria amada AULA: 127 Conteúdos: CONTEÚDO E HABILIDADES FORTALECENDO SABERES DESAFIO DO DIA DINÂMICA LOCAL INTERATIVA I 3º Bimestre Pátria amada AULA: 127 Conteúdos: Elaboração de cenas e improvisação teatral de textos jornalísticos.

Leia mais

CÓDIGO DE CONDUTA DOS COLABORADORES DA FUNDAÇÃO CASA DA MÚSICA

CÓDIGO DE CONDUTA DOS COLABORADORES DA FUNDAÇÃO CASA DA MÚSICA CÓDIGO DE CONDUTA DOS COLABORADORES DA FUNDAÇÃO CASA DA MÚSICA Na defesa dos valores de integridade, da transparência, da auto-regulação e da prestação de contas, entre outros, a Fundação Casa da Música,

Leia mais

Novos Programas: Outras Práticas Pedagógicas 1

Novos Programas: Outras Práticas Pedagógicas 1 Novos Programas: Outras Práticas Pegógicas 1 Maria Conceição Antunes Num estudo sobre os professores de no Ensino Secundário, em que participei (e que foi apresentado neste mesmo local, em 1996, no I Encontro

Leia mais

Senhor Presidente Senhoras e Senhores Deputados Senhora e Senhores Membros do Governo

Senhor Presidente Senhoras e Senhores Deputados Senhora e Senhores Membros do Governo Senhor Presidente Senhoras e Senhores Deputados Senhora e Senhores Membros do Governo Evocar hoje, dia 8 de Março de 2007, o Tratado que instituiu a Comunidade Económica Europeia, assinado em Roma há 50

Leia mais

Evolução do Número de Beneficiários do RSI

Evolução do Número de Beneficiários do RSI Evolução do Número de Beneficiários do RSI Carlos Farinha Rodrigues De acordo com os dados do Instituto da Segurança Social (ISS), em Julho houve 269.941 pessoas a receber o Rendimento Social de Inserção,

Leia mais

REFLECTINDO SOBRE A EDUCAÇÃO EM MACAU

REFLECTINDO SOBRE A EDUCAÇÃO EM MACAU Adminisiração. n. 1. vol. I. 1988-1., 13-19 REFLECTINDO SOBRE A EDUCAÇÃO EM MACAU Alexandre Rosa * 1. INTRODUÇÃO A realidade da educação em Macau no final dos anos oitenta é o resultado de um processo

Leia mais

Psicologia da Educação

Psicologia da Educação Psicologia da Educação A dimensão pessoal do ensinar PROFESSOR COMO PESSOA ATITUDES FACE AO ENSINO E APRENDIZAGEM ATITUDES FACE AOS ALUNOS ATITUDES FACE A SI PRÓPRIO Copyright, 2006 José Farinha, Prof.

Leia mais

O Que São os Serviços de Psicologia e Orientação (SPO)?

O Que São os Serviços de Psicologia e Orientação (SPO)? O Que São os Serviços de Psicologia e Orientação (SPO)? São unidades especializadas de apoio educativo multidisciplinares que asseguram o acompanhamento do aluno, individualmente ou em grupo, ao longo

Leia mais

Idealismo - corrente sociológica de Max Weber, se distingui do Positivismo em razão de alguns aspectos:

Idealismo - corrente sociológica de Max Weber, se distingui do Positivismo em razão de alguns aspectos: A CONTRIBUIÇÃO DE MAX WEBER (1864 1920) Max Weber foi o grande sistematizador da sociologia na Alemanha por volta do século XIX, um pouco mais tarde do que a França, que foi impulsionada pelo positivismo.

Leia mais

VOLUNTARIADO E CIDADANIA

VOLUNTARIADO E CIDADANIA VOLUNTARIADO E CIDADANIA Voluntariado e cidadania Por Maria José Ritta Presidente da Comissão Nacional do Ano Internacional do Voluntário (2001) Existe em Portugal um número crescente de mulheres e de

Leia mais

IMPLICAÇÕES DO ESTUDO DAS INTERACÇÕES VERBAIS PARA O ESTUDO DA LINGUAGEM E DA COMUNICAÇÃO. Adriano Duarte Rodrigues

IMPLICAÇÕES DO ESTUDO DAS INTERACÇÕES VERBAIS PARA O ESTUDO DA LINGUAGEM E DA COMUNICAÇÃO. Adriano Duarte Rodrigues IMPLICAÇÕES DO ESTUDO DAS INTERACÇÕES VERBAIS PARA O ESTUDO DA LINGUAGEM E DA COMUNICAÇÃO Adriano Duarte Rodrigues Nesta última sessão do nosso curso, vou tentar esboçar algumas das mais importantes implicações

Leia mais

LEITURA EM LÍNGUA ESPANHOLA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: COMPREENSÃO E EXPRESSÃO CRIATIVA

LEITURA EM LÍNGUA ESPANHOLA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: COMPREENSÃO E EXPRESSÃO CRIATIVA LEITURA EM LÍNGUA ESPANHOLA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: COMPREENSÃO E EXPRESSÃO Instituto Federal Farroupilha Câmpus Santa Rosa ledomanski@gmail.com Introdução Ler no contexto mundial globalizado

Leia mais

Exma. Sra. Presidente do Conselho Geral Transitório Exmos. Srs. Conselheiros Exmos. Srs. Professores Exmos. Srs. Funcionários Caros amigos e amigas

Exma. Sra. Presidente do Conselho Geral Transitório Exmos. Srs. Conselheiros Exmos. Srs. Professores Exmos. Srs. Funcionários Caros amigos e amigas Exma. Sra. Presidente do Conselho Geral Transitório Exmos. Srs. Conselheiros Exmos. Srs. Professores Exmos. Srs. Funcionários Caros amigos e amigas Em primeiro lugar gostaria de expressar o meu agradecimento

Leia mais

Padrões de Competências para o Cargo de Professor Alfabetizador

Padrões de Competências para o Cargo de Professor Alfabetizador Padrões de Competências para o Cargo de Professor Alfabetizador Alfabetização de Crianças O Professor Alfabetizador é o profissional responsável por planejar e implementar ações pedagógicas que propiciem,

Leia mais

AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO

AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO 1 A avaliação de desempenho é uma apreciação sistemática do desempenho dos trabalhadores nos respectivos cargos e áreas de actuação e do seu potencial de desenvolvimento (Chiavenato).

Leia mais

ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO ESCOLAR. Prof. Bento

ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO ESCOLAR. Prof. Bento ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO ESCOLAR Prof. Bento QUESTÕES Doc. # 1 Revisão Indique se é Verdadeira ou Falsa a seguinte afirmação UMA TEORIA É UMA EXPLICAÇÃO LÓGICA OU ABSTRACTA DE UM PROBLEMA OU CONJUNTO DE

Leia mais

Escolas em Grande Plano

Escolas em Grande Plano Escolas em Grande Plano Integração do Vídeo na Educação e na Escola Trabalho realizado por: Elisa Castro e Fátima Chavarria Mestrado em Educação Tecnologia Educativa Tecnologia do Vídeo Docente: Doutor

Leia mais

. evolução do conceito. Inspecção 3. Controlo da qualidade 4. Controlo da Qualidade Aula 05. Gestão da qualidade:

. evolução do conceito. Inspecção 3. Controlo da qualidade 4. Controlo da Qualidade Aula 05. Gestão da qualidade: Evolução do conceito 2 Controlo da Qualidade Aula 05 Gestão da :. evolução do conceito. gestão pela total (tqm). introdução às normas iso 9000. norma iso 9000:2000 gestão pela total garantia da controlo

Leia mais

Programa de Filosofia nos 6 e 7 anos

Programa de Filosofia nos 6 e 7 anos Escolas Europeias Bureau du Secrétaire général du Conseil Supérieur Unité pédagogique Referência: 1998-D-12-2 Orig.: FR Versão: PT Programa de Filosofia nos 6 e 7 anos Aprovado pelo Conselho Superior de

Leia mais

CIRCULAR. Assunto: Avaliação na Educação Pré- Escolar

CIRCULAR. Assunto: Avaliação na Educação Pré- Escolar CIRCULAR Data: 11/04/2011 Circular nº.: 4 /DGIDC/DSDC/2011 Assunto: Avaliação na Educação Pré- Escolar Para: Inspecção-Geral de Educação Direcções Regionais de Educação Secretaria Regional Ed. da Madeira

Leia mais

Gestão de Resíduos e Empreendedorismo nas Escolas. - Ano Lectivo 2010/2011 -

Gestão de Resíduos e Empreendedorismo nas Escolas. - Ano Lectivo 2010/2011 - Gestão de Resíduos e Empreendedorismo nas Escolas - Ano Lectivo 2010/2011 - Empreendedorismo como ensiná-lo aos nossos jovens? Contudo, e mesmo sendo possível fazê-lo, o espírito empresarial não é normalmente

Leia mais

Educação e Desenvolvimento Social

Educação e Desenvolvimento Social Educação e Desenvolvimento Social Luiz Antonio Cunha Os Princípios Gerais do Liberalismo O liberalismo é um sistema de crenças e convicções, isto é, uma ideologia. Todo sistema de convicções tem como base

Leia mais

Colaborações em ambientes online predispõem a criação de comunidades de

Colaborações em ambientes online predispõem a criação de comunidades de Ficha de Leitura Tipo de documento: Artigo Título: Colaboração em Ambientes Online na Resolução de Tarefas de Aprendizagem Autor: Miranda Luísa, Morais Carlos, Dias Paulo Assunto/Sinopse/Resenha: Neste

Leia mais

Educação para a Cidadania linhas orientadoras

Educação para a Cidadania linhas orientadoras Educação para a Cidadania linhas orientadoras A prática da cidadania constitui um processo participado, individual e coletivo, que apela à reflexão e à ação sobre os problemas sentidos por cada um e pela

Leia mais

Observação das aulas Algumas indicações para observar as aulas

Observação das aulas Algumas indicações para observar as aulas Observação das aulas Algumas indicações para observar as aulas OBJECTVOS: Avaliar a capacidade do/a professor(a) de integrar esta abordagem nas actividades quotidianas. sso implicará igualmente uma descrição

Leia mais

Análise de conteúdo dos programas e planificações António Martins e Alexandre Ventura - 1

Análise de conteúdo dos programas e planificações António Martins e Alexandre Ventura - 1 1 Domínio perceptivo-cognitivo Visão global dos fenómenos Análise de uma situação Identificação de problemas Definição de estratégias para a resolução de problemas Pesquisa e selecção da informação Aplicação

Leia mais

Escola para todos - Uma utopia tangível? Maria Filomena Ventura

Escola para todos - Uma utopia tangível? Maria Filomena Ventura 1 Escola para todos - Uma utopia tangível? Maria Filomena Ventura O conceito de Escola para Todos, ou Escola Inclusiva, surge no âmbito da Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais em

Leia mais

Avaliação Interna e Qualidade das Aprendizagens

Avaliação Interna e Qualidade das Aprendizagens Avaliação Interna e Qualidade das Aprendizagens Perspectivas da OCDE www.oecd.org/edu/evaluationpolicy Paulo Santiago Direcção da Educação e das Competências, OCDE Seminário, Lisboa, 5 de Janeiro de 2015

Leia mais

A Sociologia de Weber

A Sociologia de Weber Material de apoio para Monitoria 1. (UFU 2011) A questão do método nas ciências humanas (também denominadas ciências históricas, ciências sociais, ciências do espírito, ciências da cultura) foi objeto

Leia mais

ESCOLA SECUNDÁRIA DO MONTE DA CAPARICA Curso de Educação e Formação de Adultos NS Trabalho Individual Área / UFCD

ESCOLA SECUNDÁRIA DO MONTE DA CAPARICA Curso de Educação e Formação de Adultos NS Trabalho Individual Área / UFCD 1 de 6 Comunidade Global Tema Direitos fundamentais do : Declaração Universal dos Direitos do OBJECTIVO: Participa consciente e sustentadamente na comunidade global 1. Leia, com atenção, a Declaração Universal

Leia mais

Trabalho 3 Scratch na Escola

Trabalho 3 Scratch na Escola Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra Departamento de Matemática Trabalho 3 Scratch na Escola Meios Computacionais de Ensino Professor: Jaime Carvalho e Silva (jaimecs@mat.uc.pt)

Leia mais

Carta Internacional da Educação Física e do Esporte da UNESCO

Carta Internacional da Educação Física e do Esporte da UNESCO Carta Internacional da Educação Física e do Esporte da UNESCO 21 de novembro de 1978 SHS/2012/PI/H/1 Preâmbulo A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura,

Leia mais

T&E Tendências & Estratégia

T&E Tendências & Estratégia FUTURE TRENDS T&E Tendências & Estratégia Newsletter número 1 Março 2003 TEMA deste número: Desenvolvimento e Gestão de Competências EDITORIAL A newsletter Tendências & Estratégia pretende ser um veículo

Leia mais

Lista de exercícios Sociologia- 1 ano- 1 trimestre

Lista de exercícios Sociologia- 1 ano- 1 trimestre Lista de exercícios Sociologia- 1 ano- 1 trimestre 01-O homo sapiens moderno espécie que pertencemos se constitui por meio do grupo, ou seja, sociedade. Qual das características abaixo é essencial para

Leia mais

INTRODUÇÃO INTRODUÇÃO

INTRODUÇÃO INTRODUÇÃO INTRODUÇÃO A partir de meados do século xx a actividade de planeamento passou a estar intimamente relacionada com o modelo racional. Uma das propostas que distinguia este do anterior paradigma era a integração

Leia mais

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DAS CRIANÇAS. UNICEF 20 de Novembro de 1959 AS CRIANÇAS TÊM DIREITOS

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DAS CRIANÇAS. UNICEF 20 de Novembro de 1959 AS CRIANÇAS TÊM DIREITOS DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DAS CRIANÇAS UNICEF 20 de Novembro de 1959 AS CRIANÇAS TÊM DIREITOS DIREITO À IGUALDADE, SEM DISTINÇÃO DE RAÇA RELIGIÃO OU NACIONALIDADE Princípio I - A criança desfrutará

Leia mais

COMPETÊNCIAS E SABERES EM ENFERMAGEM

COMPETÊNCIAS E SABERES EM ENFERMAGEM COMPETÊNCIAS E SABERES EM ENFERMAGEM Faz aquilo em que acreditas e acredita naquilo que fazes. Tudo o resto é perda de energia e de tempo. Nisargadatta Atualmente um dos desafios mais importantes que se

Leia mais

O jardim de infância. Informações destinadas aos pais. na região de língua alemã do cantão de Berna. Direcção da Instrução Pública do Cantão de Berna

O jardim de infância. Informações destinadas aos pais. na região de língua alemã do cantão de Berna. Direcção da Instrução Pública do Cantão de Berna O jardim de infância na região de língua alemã do cantão de Berna Informações destinadas aos pais Direcção da Instrução Pública do Cantão de Berna Ficha técnica: Edição e Copyright: Direcção da Instrução

Leia mais

Elvira Cristina de Azevedo Souza Lima' A Utilização do Jogo na Pré-Escola

Elvira Cristina de Azevedo Souza Lima' A Utilização do Jogo na Pré-Escola Elvira Cristina de Azevedo Souza Lima' A Utilização do Jogo na Pré-Escola Brincar é fonte de lazer, mas é, simultaneamente, fonte de conhecimento; é esta dupla natureza que nos leva a considerar o brincar

Leia mais

NOVOS DEVERES DE INFORMAÇÃO NO ÂMBITO DA PUBLICIDADE AO CRÉDITO

NOVOS DEVERES DE INFORMAÇÃO NO ÂMBITO DA PUBLICIDADE AO CRÉDITO TMT N.º 1/2009 MAR/ABRIL 2009 NOVOS DEVERES DE INFORMAÇÃO NO ÂMBITO DA PUBLICIDADE AO CRÉDITO A informação divulgada pelas Instituições de Crédito relativamente aos produtos que estas oferecem tem sido

Leia mais

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA ESPÍRITA E ESPIRITISMO

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA ESPÍRITA E ESPIRITISMO INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA 1 ESPÍRITA E ESPIRITISMO Para designar coisas novas, são necessárias palavras novas. A clareza de uma língua assim exige, a fim de evitar que uma mesma palavra

Leia mais

Educação Matemática. Prof. Andréa Cardoso 2013/2

Educação Matemática. Prof. Andréa Cardoso 2013/2 Educação Matemática Prof. Andréa Cardoso 2013/2 UNIDADE II Tendências em Educação Matemática Educação Busca desenvolver pesquisas para inovar a prática docente adequada às necessidades da sociedade. Educação

Leia mais

ISO 9000:2000 Sistemas de Gestão da Qualidade Fundamentos e Vocabulário. As Normas da família ISO 9000. As Normas da família ISO 9000

ISO 9000:2000 Sistemas de Gestão da Qualidade Fundamentos e Vocabulário. As Normas da família ISO 9000. As Normas da família ISO 9000 ISO 9000:2000 Sistemas de Gestão da Qualidade Fundamentos e Vocabulário Gestão da Qualidade 2005 1 As Normas da família ISO 9000 ISO 9000 descreve os fundamentos de sistemas de gestão da qualidade e especifica

Leia mais

PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO: CONSTRUÇÃO COLETIVA DO RUMO DA ESCOLA

PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO: CONSTRUÇÃO COLETIVA DO RUMO DA ESCOLA PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO: CONSTRUÇÃO COLETIVA DO RUMO DA ESCOLA Luís Armando Gandin Neste breve artigo, trato de defender a importância da construção coletiva de um projeto político-pedagógico nos espaços

Leia mais

A Interdisciplinaridade como Metodologia de Ensino INTRODUÇÃO

A Interdisciplinaridade como Metodologia de Ensino INTRODUÇÃO A Interdisciplinaridade como Metodologia de Ensino O bom professor é o que consegue, enquanto fala trazer o aluno até a intimidade do movimento de seu pensamento. Paulo Freire INTRODUÇÃO A importância

Leia mais

CURSO e COLÉGIO ESPECÍFICO Ltda

CURSO e COLÉGIO ESPECÍFICO Ltda CURSO e COLÉGIO ESPECÍFICO Ltda www.especifico.com.br DISCIPLINA : Sociologia PROF: Waldenir do Prado DATA:06/02/2012 O que é Sociologia? Estudo objetivo das relações que surgem e se reproduzem, especificamente,

Leia mais

Licenciatura em: Design HISTÓRIA DA ARTE E DA TÉCNICA. EVOLUÇÃO DO DESIGN AUTOMÓVEL (BMW Séries 5)

Licenciatura em: Design HISTÓRIA DA ARTE E DA TÉCNICA. EVOLUÇÃO DO DESIGN AUTOMÓVEL (BMW Séries 5) Licenciatura em: Design HISTÓRIA DA ARTE E DA TÉCNICA Assim: 9; com ref. às fontes: 12-13 EVOLUÇÃO DO DESIGN AUTOMÓVEL (BMW Séries 5) Autores: André Sequeira 1º - A1 20110039 João Almeida 1º - A1 20110309

Leia mais

O PROBLEMA DO ENDIVIDAMENTO DE PORTUGAL PERANTE O EXTERIOR E O AUXÍLIO EXTERNO NECESSÁRIO. J. Silva Lopes

O PROBLEMA DO ENDIVIDAMENTO DE PORTUGAL PERANTE O EXTERIOR E O AUXÍLIO EXTERNO NECESSÁRIO. J. Silva Lopes O PROBLEMA DO ENDIVIDAMENTO DE PORTUGAL PERANTE O EXTERIOR E O AUXÍLIO EXTERNO NECESSÁRIO J. Silva Lopes IDEFF, 31 de Janeiro de 2011 1 O ENDIVIDAMENTO PERANTE O EXTERIOR Posições financeiras perante o

Leia mais

GUIÃO DE ENTREVISTA ÀS EDUCADORAS DE INFÂNCIA. 2º Momento

GUIÃO DE ENTREVISTA ÀS EDUCADORAS DE INFÂNCIA. 2º Momento 4.1.8. Orientação específica de codificação: Entrevista a educadoras de infância (2º momento) (2001) GUIÃO DE ENTREVISTA ÀS EDUCADORAS DE INFÂNCIA 2º Momento I. Questões sobre a modalidade de prática pedagógica

Leia mais

Controlo da Qualidade Aula 05

Controlo da Qualidade Aula 05 Controlo da Qualidade Aula 05 Gestão da qualidade:. evolução do conceito. gestão pela qualidade total (tqm). introdução às normas iso 9000. norma iso 9001:2000 Evolução do conceito 2 gestão pela qualidade

Leia mais

Tratado de Lisboa 13 Dezembro 2007. Conteúdo e desafios

Tratado de Lisboa 13 Dezembro 2007. Conteúdo e desafios Tratado de Lisboa 13 Dezembro 2007 Conteúdo e desafios Os Tratados Tratado de Paris (CECA) 18 de Abril de 1951 Tratados de Roma (CEE e CEEA) 25 de Março de 1957 Acto Único Europeu 17 de Fevereiro 1986

Leia mais

CNIS / CES / EDUCAÇÃO DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS A EDUCAÇÃO NO SECTOR SOLIDÁRIO DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS

CNIS / CES / EDUCAÇÃO DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS A EDUCAÇÃO NO SECTOR SOLIDÁRIO DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS A EDUCAÇÃO NO SECTOR SOLIDÁRIO 1 1. FUNDAMENTOS DE UMA PROPOSTA O Sector Solidário, neste caso a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), assume que o sistema educativo 1 é um dos

Leia mais

DOCUMENTOS DE GESTÃO FINANCEIRA Realizado por GESTLUZ - Consultores de Gestão

DOCUMENTOS DE GESTÃO FINANCEIRA Realizado por GESTLUZ - Consultores de Gestão DOCUMENTOS DE GESTÃO FINANCEIRA Realizado por GESTLUZ - Consultores de Gestão A Análise das Demonstrações Financeiras Este artigo pretende apoiar o jovem empreendedor, informando-o de como utilizar os

Leia mais

A leitura, um bem essencial

A leitura, um bem essencial A leitura, um bem essencial A leitura, um bem essencial A leitura é uma competência básica que todas as pessoas devem adquirir para conseguirem lidar de forma natural com a palavra escrita. Mas aprender

Leia mais

OS TRIBUNAIS E O MINISTÉRIO PÚBLICO

OS TRIBUNAIS E O MINISTÉRIO PÚBLICO OS TRIBUNAIS E O MINISTÉRIO PÚBLICO Art.º 202º da Constituição da República Portuguesa «1. Os tribunais são órgãos de soberania com competência para Administrar a justiça em nome do povo. (...)» A lei

Leia mais

A Escola obrigatória no Cantão de Zurique

A Escola obrigatória no Cantão de Zurique Portugiesisch A Escola obrigatória no Cantão de Zurique Informação para os pais Objectivos e linhas gerais A escola obrigatória oficial, no Cantão de Zurique, é obrigada a respeitar os valores fundamentais

Leia mais

PROPOSTA DE REVISÃO CURRICULAR APRESENTADA PELO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CIÊNCIA POSIÇÃO DA AMNISTIA INTERNACIONAL PORTUGAL

PROPOSTA DE REVISÃO CURRICULAR APRESENTADA PELO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CIÊNCIA POSIÇÃO DA AMNISTIA INTERNACIONAL PORTUGAL PROPOSTA DE REVISÃO CURRICULAR APRESENTADA PELO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CIÊNCIA POSIÇÃO DA AMNISTIA INTERNACIONAL PORTUGAL A Amnistia Internacional Portugal defende a manutenção Formação Cívica nos 2.º

Leia mais

A Parte I, denominada Desenvolvimento e Educação, integra textos sobre o desenvolvimento humano e as implicações educativas de teorias e resultados

A Parte I, denominada Desenvolvimento e Educação, integra textos sobre o desenvolvimento humano e as implicações educativas de teorias e resultados Introdução Reunimos aqui, num único volume, os contributos de vários psicólogos e investigadores nacionais que desenvolvem trabalho teórico e empírico nos domínios da aprendizagem e do desenvolvimento

Leia mais

A TEORIA DO PODER SIMBÓLICO NA COMPREENSÃO DAS RELAÇÕES SOCIAIS CONTEMPORÂNEA

A TEORIA DO PODER SIMBÓLICO NA COMPREENSÃO DAS RELAÇÕES SOCIAIS CONTEMPORÂNEA CONGRESSO INTERNACIONAL INTERDISCIPLINAR EM SOCIAIS E HUMANIDADES Niterói RJ: ANINTER-SH/ PPGSD-UFF, 03 a 06 de Setembro de 2012, ISSN 2316-266X A TEORIA DO PODER SIMBÓLICO NA COMPREENSÃO DAS RELAÇÕES

Leia mais

Language descriptors in Portuguese Portuguese listening - Descritores para a Compreensão do Oral em História e Matemática

Language descriptors in Portuguese Portuguese listening - Descritores para a Compreensão do Oral em História e Matemática Language descriptors in Portuguese Portuguese listening - Descritores para a Compreensão do Oral em História e Matemática Compreender informação factual e explicações Compreender instruções e orientações

Leia mais