RELATÓRIO DA AMNISTIA INTERNACIONAL 2006 PANORAMA GERAL

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1 RELATÓRIO DA AMNISTIA INTERNACIONAL 2006 PANORAMA GERAL A BUSCA DE SEGURANÇA HUMANA O ano de 2005 apresentou alguns desafios complicados aos governos: conflitos persistentes, ataques terroristas, o inexorável alastrar da pandemia de VIH/SIDA, a persistência generalizada da pobreza extrema e desastres naturais. A resposta a estes desafios devia ter sido baseada nos princípios dos direitos humanos. Demasiadas vezes não o foi. De forma individual e colectiva, os governos continuaram a advogar políticas que frequentemente sacrificavam os direitos humanos ao sabor de conveniências políticas ou económicas. Ao mesmo tempo, por todo o mundo, milhões de pessoas juntaram a sua voz aos apelos no sentido de uma maior responsabilização, maior transparência e maior reconhecimento da nossa responsabilidade partilhada em enfrentar de forma colectiva estas ameaças globais. Da mobilização em massa em redor do slogan Façamos com que a Pobreza passe à História aos advogados e activistas que enfrentaram Estados poderosos em importantes casos judiciais, a sociedade civil pressionou os governos a cumprirem as suas responsabilidades. O ano que passou foi testemunha de uma crescente compreensão de que o respeito pelo Estado de Direito é essencial para a segurança humana, e que enfraquecer os princípios dos direitos humanos na guerra contra o terrorismo não é uma via para a segurança. De forma semelhante, a ausência de respeito, protecção e cumprimento dos direitos económicos, sociais e culturais foi cada vez mais encarada como uma grave injustiça e uma negação do desenvolvimento humano. Quer fosse na resposta às necessidades urgentes de vítimas de desastres naturais ou ao sofrimento de vítimas individuais de repressão governamental, as actividades de pessoas comuns muitas vezes envergonharam os governos e obrigaram-nos a agir. A segurança humana exige que indivíduos e comunidades estejam a salvo não apenas da guerra, genocídio e terrorismo, mas também da fome, doenças e desastres naturais. Durante o ano de 2005 os activistas fizeram campanha para responsabilizar os principais responsáveis por violações dos direitos humanos e as poderosas empresas multinacionais, e para acabar com o racismo, a discriminação e a exclusão social. Muitos dos abusos dos direitos humanos cometidos em 2005 ultrapassaram as fronteiras nacionais da tortura e das rendições ao impacto negativo das políticas de comércio e ajuda. Enquanto as fronteiras continuaram a ser desmanteladas nalguns aspectos das relações internacionais particularmente na esfera das transacções económicas continuaram a ser erguidas noutros, principalmente no que dizia respeito às migrações. Aumentou, sem dúvida, o reconhecimento da necessidade de soluções globais para enfrentar ameaças globais, do terrorismo à gripe das aves. Houve ainda muitas chamadas de atenção para a necessidade de uma reforma das NU. Entre estas incluíram-se o persistente falhanço do Conselho de Segurança da ONU em responsabilizar estados rebeldes, a denúncia de corrupção ao mais alto nível no

2 escândalo do programa Petróleo por Alimentos das NU, o silêncio que acolheu a falta do cumprimento dos primeiros Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (Millennium Development Goals) e o fracasso das instituições financeiras internacionais na resolução das injustiças no comércio, ajuda e dívida externa. A própria liderança das Nações Unidas propôs várias iniciativas ambiciosas, mas o limitado resultado da Cimeira Mundial da ONU, em Setembro, revelou o quanto as políticas de egoísmo nacional estreito continuaram a atropelar as aspirações multilaterais. Contudo, registaram-se progressos, principalmente na área da consolidação de um emergente sistema judicial internacional sob a forma do Tribunal Penal Internacional, dos tribunais internacionais ad hoc e do crescente recurso à jurisdição extraterritorial. Após vários anos de apelos à concessão de maiores recursos ao Gabinete do Alto Comissário para os Direitos Humanos, o seu orçamento foi substancialmente aumentado. Estavam em discussão propostas para substituir a desacreditada Comissão dos Direitos Humanos da ONU por um Conselho dos Direitos Humanos das NU. Encorajada por estas movimentações, e acima de tudo pela crescente força e diversidade da comunidade mundial dos direitos humanos, a AI renovou o seu compromisso de contribuir para a globalização da justiça como forma de respeitar os direitos humanos de todos na busca da uma política de segurança humana. 1. TORTURA E TERROR Mantiveram-se os desafios enfrentados pelo movimento de defesa dos direitos humanos na sequência dos ataques de 11 de Setembro de 2001 contra os EUA. Os governos continuaram a promover a retórica de que os direitos humanos constituem um obstáculo, em vez de uma necessária pré-condição, à segurança humana. Contudo, graças aos esforços dos activistas dos direitos humanos e outros, registou-se uma crescente crítica e resistência aos esforços dos governos para subordinar os direitos humanos às preocupações de segurança. Apesar dos esforços e recursos empregues pelos governos no combate ao terrorismo, aumentou, em 2005, o número de ataques cometidos por indivíduos ou grupos armados que defendem um vasto leque de causas em muitos países. Ataques deliberados contra civis, em clara violação dos mais básicos princípios dos direitos humanos, ocorreram um pouco por todo o mundo. Por exemplo, na Índia, em Outubro, no período que antecedeu a época anual dos festivais, uma série de ataques à bomba em Deli matou pelo menos 66 pessoas e feriu mais de 220 outras. No Iraque, centenas de civis foram mortos e feridos em ataques levados a cabo por grupos armados durante o ano. Na Jordânia, a explosão de três bombas em hotéis de Amã matou 60 pessoas em Novembro. No Reino Unido, atentados bombistas contra o sistema de transportes públicos de Londres mataram 52 pessoas e feriram centenas de outras em Julho. Algumas das estratégias antiterroristas adoptadas pelos governos escarneceram dos direitos humanos. Alguns governos até tentaram legalizar ou justificar métodos abusivos há muito tempo declarados ilegais pela comunidade internacional e que nunca poderão ser justificados. Milhares de homens suspeitos de terrorismo permaneceram em centros de detenção geridos pelos EUA espalhados pelo mundo, sem qualquer perspectiva de serem acusados e receberem um julgamento justo. No final de 2005, cerca de 14 mil pessoas 2

3 detidos pelos EUA e pelos seus aliados durante as operações militares e de segurança no Iraque e no Afeganistão continuavam detidas nos centros de detenção militares norte-americanos no Afeganistão, na Baía de Guantánamo, em Cuba, e no Iraque. Em Guantánamo, dezenas de detidos fizeram greve de fome para protestar contra as condições de detenção e foram alimentados à força. Suspeitos de terrorismo estavam igualmente detidos noutros países, alguns deles há longos períodos de tempo sem serem acusados e receberem um julgamento justo, incluindo no Egipto, Jordânia, Reino Unido e Iémen. Outros agonizavam na prisão sob ameaça de deportação para países onde a tortura era uma prática rotineira. Muitos detidos foram vítimas de tortura e outras formas de maus-tratos. Durante o ano de 2005, tornou-se bem claro o quanto vários países tinham colaborado ou participado nas abusivas políticas e práticas conduzidas pelo EUA no âmbito da guerra ao terrorismo, incluindo torturas, maus-tratos, detenções secretas e por tempo indeterminado e transferências transfronteiriças ilegais. Muitos governos enfrentaram exigências de maior responsabilização e foram emitidas várias decisões judiciais importantes em defesa dos princípios básicos dos direitos humanos. Mesmo no interior do próprio governo norte-americano emergiram diferenças relativas ao cerceamento das liberdades fundamentais. Durante o ano de 2005 continuaram a vir à luz do dia informações que ajudaram a expor algumas das práticas secretas e abusivas conduzidas pelos Estados em nome da luta contra o terrorismo. Por exemplo, vieram a público mais informações sobre as transferências ilegais de suspeitos de terrorismo de um país para outro sem qualquer processo judicial uma prática conhecida nos EUA como rendição extraordinária. Ficou a saber-se que, através desta prática, os EUA tinham transferido vários prisioneiros para países conhecidos por usarem a tortura e outras formas de maustratos durante os interrogatórios, como o Egipto, a Jordânia, Marrocos, Arábia Saudita e Síria. Estas transferências equivaleram, na prática, a uma deslocalização da tortura. O verdadeiro significado das rendições foi ilustrado em 2005 pelo caso de Muhammad al-assad, um cidadão iemenita residente na Tanzânia, que foi detido na sua casa em Dar-es-Salaam a 26 de Dezembro de Foi vendado, algemado e levado de avião para um destino desconhecido. Foi o início de uma provação de 16 meses de detenção não reconhecida e interrogatório, durante os quais não teve qualquer contacto com o mundo exterior e não fazia a menor ideia de onde estava. Foi mantido durante um ano numa instalação de detenção secreta, onde foi vítima de privação sensorial extrema. Os seus guardas mascarados nunca lhe dirigiam a palavra, mas comunicavam as suas ordens através de linguagem gestual. Havia um ruído branco constante. Luzes artificiais eram mantidas acesas 24 horas por dia. O pai de Muhammad al-assad foi informado pelas autoridades tanzanianas de que o filho tinha sido entregue à custódia dos EUA, e que ninguém sabia onde ele estava. A sua família não soube nada dele até Maio de 2005, quando foi levado de avião para o Iémen, onde foi preso, aparentemente a pedido das autoridades norte-americanas. Muhammad al- Assad continuava detido sem acusação ou julgamento no Iémen no final de Outros testemunhos de antigos detidos recolhidos durante o ano de 2005 pela AI eram chocantemente idênticos à experiência relatada por Muhammad al-assad. Dois outros cidadãos iemenitas foram transferidos pelos EUA para o Iémen em Maio de 2005, onde permaneceram detidos sem qualquer acusação ou julgamento até ao final do ano. Em entrevistas separadas com a AI em Junho, Setembro e Outubro de 2005, os três 3

4 descreveram a forma como estiveram detidos em isolamento durante 16 a 18 meses em centros de detenção secretos dirigidos por responsáveis norte-americanos. As entrevistas realizadas pela AI forneceram novas provas sólidas da existência de uma rede norte-americana de centros de detenção secretos em todo o mundo. Em Dezembro de 2005, depois de o secretário dos Negócios Estrangeiros 1 britânico ter afirmado que não tinha conhecimento de que qualquer avião envolvido nas rendições tivesse reabastecido ou usado qualquer outro tipo de instalações no Reino Unido desde o início de 2001, a AI publicou dados sobre três aviões que reabasteceram no Reino Unido horas depois de terem sido usados para transferir prisioneiros para países onde estavam em risco de desaparecimento, tortura e outras formas de maus-tratos. Maiores quantidades de informações vieram a público em 2005, em parte graças a provas apresentadas pelas próprias vítimas ou a inquéritos governamentais, relativamente ao possível envolvimento de outros países europeus nestas transferências secretas. Foram realizados inquéritos ao papel de responsáveis governamentais em casos específicos de rendições na Alemanha, Itália e Suécia; em Espanha, as autoridades abriram uma investigação ao alegado uso de aeroportos e do espaço aéreo espanhol por aviões operados pela Agência Central de Informações norte-americana (Central Intelligence Agency, CIA). Na Islândia, Irlanda e Países Baixos, responsáveis governamentais e activistas pediram a abertura de inquéritos oficiais. Investigações conduzidas pela AI, por jornalistas e por outros durante o ano de 2005 deixaram poucas dúvidas sobre a existência de um sistema de prisões secretas regidas pelos EUA, conhecidas como locais negros. Houve relatos persistentes de que a CIA operava estes centros secretos de detenções no Afeganistão, Iraque, Jordânia, Paquistão, Tailândia, Uzbequistão e outros locais desconhecidos na Europa e noutras partes do mundo, incluindo o território britânico de Diego Garcia, no Oceano Índico. Cerca de três dezenas de detidos considerados de alto valor em termos de informações desapareceram sob custódia norte-americana, e estavam alegadamente detidos em locais negros, longe de qualquer protecção legal. Em Novembro, o Conselho da Europa abriu uma investigação às alegações de que a rede de prisões secretas dos EUA incluía instalações na Europa e de que houve envolvimento de países europeus nas rendições. A AI apoiou veementemente os apelos no sentido de os governos europeus investigarem estas alegações feitos pelos responsáveis do Conselho de Europa, um dos quais afirmou que não saber não é suficiente, independentemente de essa ignorância ser intencional ou acidental. Numa conferência organizada em conjunto pela AI e pela ONG britânica Reprieve em Londres, em Novembro, antigos prisioneiros de Guantánamo ou de instalações de detenção britânicas e as suas famílias deram o seu testemunho sobre o custo humano da detenção por tempo indeterminado, sem acusação ou julgamento. Falando sobre o trauma dos familiares dos detidos, Nadja Dizdarevic, esposa de Boudelaa Hadz, um cidadão da Bósnia-Herzegovina detido em Guantánamo há quatro anos, afirmou: É difícil ser mãe dos meus filhos porque não tenho tempo para eles e sou tudo aquilo que eles têm À noite, depois de pôr os meus filhos a dormir, começo o meu trabalho, e enquanto o mundo inteiro dorme em paz eu escrevo sem descanso queixas, pedidos e cartas, e leio as leis e as convenções dos 1 Foreign Secretary 4

5 direitos humanos para que possa continuar a minha luta pela vida e libertação do meu marido e de outros. Ao longo dos anos, os governos têm pedido garantias diplomáticas de países conhecidos por usarem a tortura, de forma a poderem deportar pessoas para lá. Em 2005, o governo britânico procurou obter este tipo de garantias diplomáticas e firmou Memorandos de Entendimento com a Jordânia, Líbano e Líbia, e estava a procurar obter acordos semelhantes com a Argélia, Egipto e outros países da região. A AI opôs-se à utilização deste tipo de garantias diplomáticas, por que considerar que são inerentemente falíveis e impossíveis de confirmar, para além de enfraquecerem a proibição absoluta da tortura. As provas de que muitos governos estiveram envolvidos, foram coniventes ou concordaram implicitamente com a deslocalização da tortura sublinhou a necessidade de uma maior responsabilização transnacional num mundo onde as responsabilidades para com os direitos humanos não terminam nas fronteiras de um país. A deslocalização da tortura significou que os EUA e alguns dos seus aliados europeus, que durante décadas condenaram sem reservas a tortura em todas as ocasiões e circunstâncias, desafiavam agora abertamente a proibição absoluta da tortura. A ilação a tirar é de que acreditaram que algumas formas de tortura e maustratos eram justificáveis no contexto da guerra contra o terrorismo. A administração norte-americana prosseguiu com as tentativas de redefinir e justificar certas formas de tortura ou outros tipos de maus-tratos em nome da segurança nacional e da ordem pública. Quando questionado sobre a posição dos EUA relativamente ao tratamento de prisioneiros, o Procurador-Geral norte-americano 2, Alberto Gonzales, deixou bem claro que o seu governo iria aplicar a sua própria definição de tortura. Embora os líderes norte-americanos negassem que os EUA aceitassem a tortura, surgiram provas de que a CIA usou afogamentos simulados, acorrentamentos prolongados ou hipotermia induzida em prisioneiros detidos em prisões secretas. Aparentemente, alguns membros da administração norte-americana continuavam a acreditar que certas formas de tortura e maus-tratos eram aceitáveis se fossem usadas na recolha de informações para combater o terrorismo. Contudo, a contestação crescente a estas políticas, quer no interior dos EUA onde no final do ano o Senado aprovou legislação reafirmando a proibição da tortura e de outras formas de tratamento cruel, desumano e degradante quer entre os aliados dos EUA na guerra contra o terrorismo trouxe a esperança de uma abordagem futura às questões dos direitos humanos e da segurança mais baseada em princípios. Os abusos dos direitos humanos no contexto das políticas anti-terroristas não se encontravam limitados aos EUA e aos seus aliados europeus. No Uzbequistão, as autoridades alegaram que as pessoas que participaram numa manifestação em Andizhan durante a qual manifestantes pacíficos foram mortos tinham sido coagidas a faze-lo por terroristas. Subsequentemente, mais de 70 pessoas foram condenadas por crimes terroristas em julgamentos injustos e receberam longas penas de prisão por terem alegadamente participado nos protestos. Na China, as autoridades continuaram a usar a guerra contra o terrorismo global para justificar a violenta repressão na Região Autónoma Uighur de Xinjiang (RAUX), que resultou em graves violações dos direitos humanos contra a comunidade de etnia Uighur. Embora a mais recente campanha de mão dura contra o crime tenha 2 US Attorney General 5

6 acalmado na maior parte do país, foi oficialmente reatada na RAUX em Maio de 2005 para erradicar o terrorismo, separatismo e extremismo religioso. Esta campanha resultou no encerramento de mesquitas não oficiais e na detenção de imãs. Nacionalistas Uighur, incluindo activistas pacíficos, continuaram a ser detidos ou mantidos na prisão. Os que foram acusados de crimes separatistas ou terroristas graves enfrentavam o risco de encarceramento prolongado ou execução. Aqueles que tentaram passar para o exterior informações sobre a dimensão da repressão corriam risco de detenção arbitrária e prisão. As autoridades continuaram a acusar os activistas Uighur de terrorismo sem apresentarem provas credíveis para sustentar as acusações. Tanto na Malásia como em Singapura, países onde a legislação de segurança nacional permite a detenção prolongada sem acusação de suspeitos de terrorismo, dezenas de indivíduos continuaram detidos ao abrigo das Leis de Segurança Interna sem que fossem formalmente acusados ou julgados. No Quénia e outros países africanos, a retórica da luta contra o terrorismo foi aplicada para justificar a legislação repressiva usada para silenciar os defensores dos direitos humanos e obstruir o seu trabalho. A denúncia, durante o ano de 2005, das práticas ilegais dos governos em nome do combate ao terrorismo mobilizou e reafirmou as crescentes exigências no sentido de uma maior responsabilização. O trabalho determinado dos activistas dos direitos humanos, advogados, jornalistas e muitos outros ajudou a levantar o manto de secretismo e denunciar os países que transferiram, detiveram e torturaram aqueles que consideravam suspeitos de terrorismo. O ano de 2005 também assistiu a algumas vitórias da sociedade civil na luta para combater a tendência dos governos em justificar, com base em motivos de segurança, o uso de informações obtidas através de tortura. O ano terminou com uma importante vitória judicial, quando o governo britânico perdeu a batalha legal nos tribunais domésticos para acabar com a proibição secular de admissão de informações obtidas através da tortura em processos judiciais. A AI tinha intervindo no caso, defendendo que as leis internacionais de proibição absoluta da tortura e maus-tratos impediam o uso deste tipo de informações. As tentativas dos governos para enfraquecer a proibição da tortura e outras formas de maus-tratos comprometeram tanto a integridade moral como a eficácia prática dos esforços para combater o terrorismo. Os acontecimentos de 2005 provaram a absoluta necessidade de responsabilizar os governos pelo cumprimento do Estado de Direito, e confirmou que um poder judicial independente e imparcial desempenha um papel crucial na prevenção da erosão das garantias fundamentais e na salvaguarda dos respeito pelos direitos humanos. Caixa: Intervenção da AI em casos judiciais A AI continuou a lutar pela implementação legal dos padrões internacionais dos direitos humanos através da intervenção em casos judiciais nos tribunais nacionais e internacionais. Travar a erosão da proibição absoluta da tortura no contexto da guerra contra o terrorismo foi o objectivo de duas intervenções no ano de

7 Num caso julgado perante a mais alta instância judicial do Reino Unido, o Comité de Recurso da Câmara dos Lordes 3, a AI coordenou uma coligação de 14 organizações numa intervenção conjunta para contestar a admissibilidade de provas obtidas através da tortura em processos judiciais. O governo tinha alegado que devia ser autorizado a introduzir em processos judiciais provas obtidas através de tortura no estrangeiro, com a justificação de que a tortura não tinha sido cometida ou apoiada por agentes britânicos. Os Lordes decidiram que este tipo de informações era inadmissível nos tribunais britânicos. Noutro caso julgado perante o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, a AI interveio em conjunto com outras seis ONGs para defender que a proibição da transferência (repatriação forçada) de uma pessoa de um país signatário da Convenção Europeia dos Direitos Humanos para outro país onde corresse risco de tortura ou maus-tratos é e deve continuar a ser absoluta. Quatro países argumentaram que esta proibição não é absoluta, e que devia ser sujeita a uma avaliação face a interesses como o combate ao terrorismo. No final de 2005, a decisão do tribunal continuava pendente. Como parte da sua luta contra a pena de morte, a AI interveio num caso respeitante à Guatemala no Tribunal Inter-Americano dos Direitos Humanos. A Guatemala, que tinha ratificado a Convenção Americana dos Direitos Humanos em 1978, procurou em 1996 alargar a utilização da pena de morte para a tornar obrigatória em casos de rapto. A AI argumentou que a pena de morte não podia ser alargada para além da legislação em vigor na altura em que a Guatemala ratificou a Convenção, e que, em resultado de uma lei aprovada em 2000, a Guatemala deixou de garantir o direito de uma pessoa condenada a solicitar perdão, amnistia ou comutação da sentença. Em Setembro, o Tribunal ordenou que a Guatemala suspendesse a condenação à morte neste caso, e proibiu o país de executar quem quer que tivesse sido condenado à morte pelo crime de rapto ao abrigo da legislação actual. CONFLITOS E AS SUAS CONSEQUÊNCIAS O número de conflitos armados continuou a diminuir em todo o mundo no ano de 2005, mas o balanço do sofrimento humano não. A violência continuou a ser alimentada por uma dieta regular de injustiças por resolver resultantes de anos de conflitos destrutivos e da ausência de uma responsabilização eficaz dos perpetradores de abusos. Os conflitos foram sustentados pelo fácil acesso a armamento; pela marginalização e empobrecimento de populações inteiras; pela corrupção sistemática e generalizada; e pela falha no combate à impunidade relativamente às violações grosseiras dos direitos humanos e da lei humanitária. Milhões de pessoas enfrentaram a violência e a miséria em conflitos provocados ou prolongados pelos fracassos colectivos dos líderes políticos, dos grupos armados e, em parte, da comunidade internacional. Milhões de outras sofreram com a insegurança, fome e falta de abrigo no rescaldo de conflitos, sem receberem da comunidade internacional o necessário apoio para reconstruírem as suas vidas. O falhanço tanto dos governos como dos grupos armados em procurar as soluções políticas necessárias para acabar com os conflitos e cumprir os acordos negociados teve graves implicações no respeito pelos direitos humanos das pessoas comuns. 3 Appellate Committee of the House of Lords 7

8 Alguns governos procuraram aproveitar-se dos conflitos noutros países, muitas vezes fornecendo armas a um dos lados enquanto negavam qualquer responsabilidade. Frequentemente, quando a comunidade internacional conseguia reunir apoio suficiente para pressionar as partes em conflito através do Conselho de Segurança da ONU ou organismos regionais, as partes recusavam cumprir os seus compromissos, como aconteceu no Sudão e na Costa do Marfim. Na procura de vantagens políticas ou económicas, as forças governamentais e os grupos armados frequentemente demonstraram total desprezo pelas populações civis apanhadas no fogo cruzado, e chegaram a atacar deliberadamente civis como parte da sua estratégia militar. A grande maioria das baixas registadas em conflitos armados durante o ano de 2005 dizia respeito a civis. Mulheres e raparigas estiveram sujeitas à violência que caracteriza qualquer guerra, mas também foram vítimas de abusos particulares, frequentemente de natureza sexual. Na Papuásia-Nova Guiné, raparigas foram trocadas por armas pelos próprios familiares. Na República Democrática do Congo, um grande número de mulheres e raparigas foram raptadas e violadas por combatentes. Em quase três quartos dos conflitos em todo o mundo, crianças foram recrutadas como soldados. A atenção mundial esteve principalmente virada para o Iraque, Sudão, e Israel/Territórios Ocupados, enquanto os conflitos prolongados no Afeganistão, Chechénia/Federação Russa, Nepal, Norte do Uganda e noutros pontos do mundo foram geralmente ignorados ou esquecidos. No Iraque, as forças da coligação liderada pelos EUA, os grupos armados e o governo transitório não respeitaram os direitos dos civis. Os grupos armados atacaram deliberadamente civis, causando um elevado número de vítimas. Os mesmos grupos atacaram ainda organizações humanitárias e torturaram e assassinaram reféns. O assassinato de dois advogados de defesa envolvidos no julgamento de Saddam Hussain ilustrou a insegurança crónica que se vive no país. Esta insegurança reduziu drasticamente a capacidade de muitas mulheres e raparigas iraquianas viverem as suas vidas em segurança, e várias mulheres activistas, jornalistas e políticas, iraquianas e não iraquianas, foram raptadas ou assassinadas. Durante o ano de 2005, acumularamse as provas de que as forças multinacionais lideradas pelos EUA e as empresas privadas de segurança estrangeiras cometeram graves violações dos direitos humanos, incluindo o assassinato de civis desarmados e a tortura de prisioneiros. A ausência de investigações credíveis a estes abusos e da punição dos responsáveis abalou as garantias das forças de ocupação e das autoridades de transição sobre o restabelecimento do Estado de Direito no país. Caixa: Controlo de armamento Combater a proliferação e a utilização inadequada de armas continuou a ser um elemento-chave nos esforços da AI para combater as violações dos direitos humanos, quer no contexto de conflitos armados, criminalidade ou operações de segurança. A Campanha Controlar as Armas lançada em Outubro de 2003 pela AI, Oxfam Internacional e pela Rede Internacional de Acção Contra as Armas Ligeiras (International Action Network on Small Arms, IANSA) alcançou alguns êxitos notáveis durante o ano de Até ao final do ano, cerca de 50 governos tinham declarado o seu apoio a um Tratado Internacional sobre o Comércio de Armas vinculativo uma exigência-chave da Campanha Controlar as Armas. Um tratado de 8

9 controlo de armas baseado nas leis internacionais dos direitos humanos e nas leis humanitárias irá salvar vidas, evitar o sofrimento e proteger meios de subsistência. A Costa Rica, a Finlândia, o Quénia, a Noruega e o Reino Unido, entre outros, prometeram apoiar o tratado. Em Outubro, o Conselho Europeu de Ministros dos Negócios Estrangeiros apelou ao apoio global a este tratado. Registou-se ainda um considerável apoio dos governos à sugestão britânica de que as negociações separadas, a cargo das NU, sobre um tratado abrangendo todas as armas convencionais deveriam ter início no final de Nas NU, os governos concordaram em Outubro de 2005 com a introdução de um padrão global para a marcação e localização de armas ligeiras. Esta decisão responde em parte às propostas avançadas pela Campanha Controlar as Armas no sentido de criar um sistema global capaz de identificar e localizar as armas ligeiras e responsabilizar os seus comerciantes. Contudo, o acordo excluía as munições e não era legalmente vinculativo. O comércio global de armamento continuou largamente sem controlo, e a maior parte das vendas foram feitas em segredo. Por isso, é difícil obter estatísticas correctas e actualizadas. Contudo, as informações disponíveis sugerem algumas tendências marcantes. A maior parte do material militar mundial era comercializado por um número relativamente pequeno de países. Segundo um relatório credível do Congresso norte-americano, 35 países eram responsáveis por cerca de 90 por cento do comércio mundial de armas em termos de valor. Em 2005, mais de 68 por cento das exportações de armas tiveram como destino países no Hemisfério Sul. Seis dos oitos países do G8 estão entre os 10 maiores exportadores mundiais de armamento, e todos eles exportam grandes quantidades de armamento convencional e armas ligeiras para países em desenvolvimento. Uma série de lacunas e pontos fracos nos controlos de venda de armas, comuns na maior parte dos países do G8, fazia com que os compromissos do próprio G8 para com a redução da pobreza, a estabilidade e os direitos humanos fossem enfraquecidos. As armas vendidas pelos países do G8 chegaram a alguns dos países mais pobres e afectados por conflitos do mundo, incluindo a Colômbia, a República Democrática do Congo (RDC), as Filipinas e o Sudão. Em 2005, grandes quantidades de armas e munições provenientes dos Balcãs e da Europa de Leste continuaram a chegar à conflituosa região dos Grandes Lagos, em África. As exportações para a RDC continuaram, apesar do processo de paz iniciado em 2002 e do embargo de venda de armas decretado pelas NU. As armas e munições vendidas aos governos da RDC, Ruanda e Uganda foram posteriormente distribuídas aos grupos armados e milícias do leste da RDC envolvidos em crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Para além de cometerem outros crimes, estes grupos armados violaram e abusaram sexualmente, de forma sistemática e brutal, dezenas de milhar de mulheres. Vendedores de armas, intermediários e transportadoras de muitos países, incluindo a Albânia, Bósnia-Herzegovina, Croácia, República Checa, Israel, Rússia, Sérvia, África do Sul, Reino Unido e EUA, estiveram envolvidos nestas transferências de armamento, sublinhando mais uma vez a importância crucial de regular a operação de comerciantes de armas e intermediários. Até ao final de 2005 apenas cerca de 30 países tinham legislação específica regulando esta actividade. 9

10 Centenas de milhar de pessoas foram mortas com armas ligeiras em No Haiti, por exemplo, as armas ligeiras foram usadas por grupos armados e antigos soldados para sequestrar, abusar sexualmente e assassinar civis haitianos com total impunidade. Sem um eficaz processo de desarmamento e justiça para as vítimas, o Haiti corria o risco de mergulhar ainda mais na crise. As mulheres pagaram um elevado preço pelo comércio desregulado de armas ligeiras, tanto na sua própria casa como na comunidade. Está provado que a presença de uma arma numa residência aumenta significativamente o risco de a violência doméstica ter consequências mortais. Em 2005, a Campanha Controlar as Armas apelou aos governos para resolverem os problemas da desadequada legislação de controlo de armas de fogo, do fraco controlo policial e da discriminação generalizada que fazia com que as mulheres corressem um risco maior de serem vítimas de violência. A remoção de cerca de colonos israelitas da Faixa de Gaza ao abrigo do chamado plano de separação desviou a atenção da contínua expansão dos colonatos israelitas e da construção de uma vedação/muro de 600 quilómetros na Cisjordânia ocupada, onde cerca de mil colonos israelitas vivem em violação das leis internacionais. A presença de colonatos israelitas na Cisjordânia era a principal razão para a existência das fortes restrições (postos de controlo militares e bloqueios) impostas pelo Exército israelita às movimentações de mais de 2 milhões de palestinianos entre as aldeias e cidades no interior da Cisjordânia ocupada. Estas restrições à livre circulação de pessoas paralisaram a economia palestiniana e impediram muitos palestinianos de terem acesso às suas terras, aos seus locais de trabalho, à educação e aos cuidados de saúde. O resultante aumento da pobreza, do desemprego, da frustração e a falta de perspectivas de uma população maioritariamente jovem contribuíram para a espiral de violência, quer contra os israelitas quer no interior da sociedade palestiniana, incluindo a crescente falta de segurança nas ruas e a violência doméstica. Contudo, o ano assistiu a uma redução significativa do número de mortes de ambos os lados: cerca de 190 palestinianos, incluindo cerca 50 crianças, foram mortos pelas forças israelitas, e 50 israelitas, incluindo seis crianças, foram mortos por grupos armados palestinianos, em comparação com mais de 700 palestinianos e 109 israelitas mortos durante o ano de As atrocidades prosseguiram na região do Darfur, no Sudão, apesar dos esforços consideráveis da comunidade internacional, durante o ano de 2005, para alcançar uma solução política que acabasse com a violência. O governo sudanês e os seus aliados das milícias nómadas (Janjawid) mataram e feriram civis em bombardeamentos e ataques contra aldeias, violaram mulheres e raparigas e expulsaram as populações das suas terras. Os abusos cometidos pelos grupos armados da oposição aumentaram à medida que as suas estruturas de comando se desmoronavam devido ao facciosismo crescente e às lutas internas entre líderes rivais. As violações cometidas na região de Darfur foram descritas pelo Secretário-Geral das Nações Unidas e pelas agências da ONU como chocantes na escala e horríveis na natureza, com abusos generalizados e sistemáticos dos direitos humanos, violações da lei humanitária, deslocações forçadas de milhões de pessoas e a omnipresente fome. No início de 2005, as Nações Unidas negociaram um acordo de paz, fazendo aumentar a esperança de um dividendo de paz. A União Africana enviou forças para o terreno, mas o seu mandato para proteger os civis era limitado e o seu trabalho prejudicado pelo reduzido número de 10

11 tropas envolvido e pela ausência de apoio logístico. O acordo de paz não teve sucesso. Uma Comissão de Inquérito da ONU considerou o governo e as milícias Janjawid responsáveis por crimes ao abrigo da lei internacional e o caso de Darfur foi enviado para o Tribunal Penal Internacional pelo Conselho de Segurança. Embora o Tribunal Penal Internacional tenha aberto uma investigação, até final de 2005 ainda não tinha recebido autorização para entrar no Sudão. Padrões semelhantes foram registados em muitos outros conflitos que receberam menos atenção internacional durante o ano de 2005: ataques contra civis, abusos sexuais, particularmente de mulheres e raparigas, utilização de crianças-soldado e um padrão de impunidade. Estes conflitos foram travados tanto em cenários rurais como urbanos, geralmente com armamento ligeiro. Frequentemente irromperam vários focos de violência, sem que existisse uma cadeia de comando definida ou qualquer tipo de responsabilização. Nalguns casos, governos armaram civis numa tentativa de se distanciarem e evitarem qualquer tipo de responsabilização ou punição pelos abusos cometidos. Caixa: Justiça Internacional Durante o ano de 2005 registaram-se alguns desenvolvimentos significativos no sentido de trazer perante a justiça os responsáveis por crimes contra a lei internacional, incluindo genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra, tortura, execuções extrajudiciais e desaparecimentos forçados. Contudo, continuou a registar-se uma impunidade generalizada nos tribunais nacionais dos países onde os crimes foram cometidos, bem como um uso limitado da jurisdição universal pelos tribunais de outros países. Em Outubro, o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu os seus primeiros mandados de captura contra cinco líderes dos Exército de Resistência do Senhor por crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos no Norte do Uganda. A AI apelou ao TPI e ao governo do Uganda para garantirem que as dezenas de milhar de outros crimes cometidos durante o conflito fossem investigadas e julgadas, incluindo os crimes cometidos pelas forças governamentais. A AI exortou o governo do Uganda a rejeitar uma lei de amnistia que impedia os tribunais ugandeses de julgar estes crimes. O TPI continuou a investigar os crimes cometidos na República Democrática do Congo, mas não emitiu qualquer mandado de captura durante o ano de O Tribunal realizou ainda análises preliminares relativas a oito outras situações. Contudo, o Presidente e o Procurador do TPI sugeriram que a falta de meios iriam limitar a capacidade do tribunal para iniciar novas investigações antes de as actuais estarem concluídas. Embora a decisão do Conselho de Segurança da ONU de transferir para o TPI os crimes cometidos na região do Darfur, no Sudão, tenha sido um passo positivo no combate à impunidade, não deixou de ser uma desilusão que o Conselho de Segurança, como parte de um compromisso para assegurar o apoio dos EUA, tenha incluído na sua resolução um artigo isentando os cidadãos de países que não fazem parte do Estatuto de Roma do TPI (com excepção do Sudão) da jurisdição do Tribunal. Na opinião da AI, este artigo cria dois pesos e duas medidas para a justiça e viola a Carta das Nações Unidas e outras leis internacionais. 11

12 O combate contra a impunidade foi reforçado pelo trabalho de outros tribunais internacionais e internacionalizados, apesar de alguns constrangimentos e revezes. O Tribunal Especial para a Serra Leoa registou progressos em três julgamentos envolvendo um total de nove suspeitos acusados de crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Contudo, o governo da Serra Leoa não tomou qualquer medida para acabar com uma amnistia, incluída no acordo de paz de Lomé de 1999, que impedia o julgamento na Serra Leoa de todos os outros responsáveis pelas violações das leis internacionais. Ignorando os apelos da comunidade internacional, a Nigéria continuou, com o apoio aparente da União Africana, a recusar-se a entregar o antigo presidente da Libéria, Charles Taylor, ao Tribunal Especial para a Serra Leoa, onde era acusado de crimes contra a humanidade e crimes de guerra contra a população da Serra Leoa. Foi registado algum progresso na criação de tribunais especiais Câmaras Extraordinárias para o Camboja. Não se esperava, porém, que estes julgassem mais de meia-dúzia de pessoas responsáveis pelos crimes cometidos durante o regime dos Khmer Vermelhos, enquanto dezenas de milhar de outras continuavam a gozar de uma amnistia nacional. A AI manifestou a sua preocupação relativamente à composição dos tribunais e à adequada formação e experiência dos juízes cambojanos, dadas as graves falhas no sistema judicial cambojano. Os tribunais nacionais de vários países também contribuíram para os esforços no sentido de acabar com a impunidade, ao investigarem e julgarem crimes cometidos noutros países através da legislação da jurisdição universal. Várias pessoas foram condenadas por crimes ao abrigo da lei internacional na Bélgica, França, Países Baixos, Espanha e Reino Unido. O Canadá iniciou o seu primeiro caso ao abrigo da legislação de jurisdição universal de 2000, ao acusar Désiré Munyaneza por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos em 1994 no Ruanda. Em Setembro, a Bélgica solicitou ao Senegal a extradição do antigo presidente do Chade, Hissène Habré, para ser julgado pelo assassinato de pelo menos 40 mil pessoas, tortura sistemática, detenções arbitrárias e outros crimes, mas o Senegal transferiu o caso para a União Africana. Em Novembro, o antigo presidente peruano Alberto Fujimori foi detido no Chile. Ele tinha sido protegido das acusações de execuções extrajudiciais e desaparecimentos pelo Japão, que recusara extraditá-lo para o Peru. O longamente aguardado julgamento de Saddam Hussain teve início no Iraque em Outubro. Embora a oportunidade de obter justiça para alguns dos crimes cometidos durante o seu regime fosse bem-vinda, a AI manifestou sérias preocupações quanto à ausência nos estatutos do tribunal de garantias de um julgamento justo, à recusa de acesso adequado a um advogado e à possibilidade de aplicação da pena de morte. Apesar dos progressos registados na justiça internacional, muito mais havia ainda a fazer para combater a impunidade. Em 2005 foi assinalado o 10º aniversário do massacre de cerca de muçulmanos bósnios após a tomada pelo Exército sérviobósnio, em 1995, da zona de segurança das Nações Unidas de Srebrenica. Apesar de os crimes cometidos em Srebrenica terem sido reconhecidos como equivalentes a genocídio pelo Tribunal Penal Internacional para a Ex-Jugoslávia, as mulheres de Srebrenica cujos maridos e filhos foram mortos ainda aguardavam que a maior parte dos responsáveis fosse trazida perante a justiça. Em Junho, a AI manifestou junto do Conselho de Segurança da ONU a sua preocupação relativamente à intenção daquele 12

13 órgão de encerrar o Tribunal Penal para a Ex-Jugoslávia sem criar antes tribunais nacionais eficazes para julgar as dezenas de milhar de crimes que o Tribunal não conseguiu investigar e julgar. (Existiam preocupações idênticas relativamente ao futuro do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda.) Ao nível internacional, os tribunais dependem do apoio firme dos países, tanto em termos de fornecimento de recursos como de exercerem a necessária vontade política para entregar suspeitos. Ao nível nacional, os obstáculos aos julgamentos, tais como as amnistias, devem ser removidos, e nos países onde os sistemas de justiça nacionais foram destruídos pelo conflito são urgentemente necessários planos de reconstrução a longo prazo. Embora o aumento do número de casos julgados ao abrigo da jurisdição universal durante o ano de 2005 tenha sido um passo positivo, os países continuam a ter que assegurar que não serão um santuário para as pessoas acusadas de crimes ao abrigo da lei internacional. Na Colômbia, após 40 anos de conflito armado interno, os abusos graves dos direitos humanos cometidos por todas as partes em conflito continuaram a atingir níveis críticos. Foi aprovada legislação definindo o enquadramento legal para o desarmamento e desmobilização de paramilitares e grupos armados. Contudo, havia o receio de que a legislação permitisse que os maiores responsáveis por abusos dos direitos humanos escapassem impunes, enquanto continuavam a ser cometidas violações dos direitos humanos nas áreas onde os paramilitares tinham supostamente desmobilizado. Além disso, as políticas governamentais destinadas a reintegrar os membros dos grupos armados ilegais na vida civil não evitavam o risco de que eles pudessem voltar a ser reintegrados no conflito. Apesar das alegações de que a situação estava a ficar normalizada, as forças de segurança russas e chechenas levaram a cabo ataques localizados na Chechénia, durante os quais cometeram graves violações dos direitos humanos. Segundo as informações, as mulheres foram vítimas de violência motivada pelo género, incluindo violação e ameaças de violação, cometida por soldados russos e chechenos. Os grupos armados da oposição chechena cometeram abusos, incluindo ataques contra civis e outros ataques indiscriminados. Houve também violência e agitação noutras repúblicas do Norte do Caúcaso, acompanhadas por relatos crescentes de violações dos direitos humanos. No Nepal, a situação dos direitos humanos deteriorou-se gravemente sob o estado de emergência imposto em Fevereiro de 2005, com milhares de detenções politicamente motivadas, rígida censura nos meios de comunicação social e atrocidades cometidas pelas forças de segurança e grupos maoístas. Na sequência de uma visita ao Nepal realizada logo após a imposição do estado de emergência, a AI apelou aos governos da Índia, Reino Unido e EUA, principais fornecedores de armas ao país, para suspenderem todos os abastecimentos militares ao Nepal até que o governo tomasse medidas claras para travar as violações dos direitos humanos. Foi ainda feito um apelo semelhante a outros países, incluindo a Bélgica, Alemanha, África do Sul e França (que forneciam componentes cruciais para os helicópteros construídos e exportados pela Índia). Contudo, apesar de alguns países terem respondido de forma positiva ao apelo para a suspensão dos fornecimentos de material militar, a China continuou a vender armas e munições ao Nepal. 13

14 O fracasso na resolução de injustiças manifestas, no combate à impunidade e no controlo da proliferação de armas conduziu a uma insegurança e violência permanentes em muitos países que tentavam recuperar de uma situação de conflito. Mesmo em países onde foram acordados passos para a paz, houve frequentemente pouca vontade ou rigor político em garantir que os acordos eram respeitados e fielmente implementados. No Afeganistão, a ilegalidade, insegurança e as perseguições continuaram a afectar as vidas de milhões de afegãos. Os comandantes de facções muitos deles suspeitos de terem cometido violações graves dos direitos humanos em anos anteriores continuaram a exercer autoridade pública à revelia do governo central. A ausência de um Estado de Direito deixou muitas vítimas de violações dos direitos humanos sem a devida reparação, e o sistema de justiça criminal mal funcionava. Milhares de civis foram mortos em ataques das tropas dos EUA e da Coligação e de grupos armados. Na Costa do Marfim, onde um desastroso declínio económico precipitou um conflito num país considerado até recentemente como um dos mais estáveis na África Ocidental, o fácil acesso a armas ligeiras contribuiu para as violações ao cessar-fogo acordado, para o conflito inter-étnico na região ocidental do país, para a xenofobia e para a utilização continuada de crianças-soldado. Apesar dos esforços da União Africana para restaurar a paz e a segurança no país, o processo de desarmamento, desmobilização e reintegração continuava num impasse. Em Outubro, a AI tornou públicos vários relatórios sobre a proliferação de armas ligeiras, a recirculação e as possíveis novas transferências de armamento para ambos os lados do conflito apesar do embargo à venda de armas imposto pelas NU. Caixa: Refugiados, requerentes de asilo e pessoas deslocadas internamente Nos últimos anos, o número de refugiados diminuiu significativamente a nível mundial, mas a realidade em 2005 era bem mais complexa e desoladora do que sugeriam os números. Em 2004, o último ano com registos disponíveis, o número de refugiados foi o mais baixo em quase 25 anos. O declínio no número de refugiados foi principalmente causado pelos refugiados que regressaram aos seus países de origem, mas nem todos puderam regressar às suas casas ou aldeias de origem, e muitos regressaram em condições que não eram voluntárias, seguras ou dignas. No total, mais de 5 milhões de refugiados foram devolvidos nem todos de forma voluntária aos seus países de origem entre 2001 e Muitos dos regressos tiveram como destino países como o Afeganistão, Angola, Burundi, Iraque e Libéria, onde a segurança e dignidade dos regressados não podia ser necessariamente garantida. Alguns regressos violaram o princípio fundamental de não-repatriamento forçado pedra basilar da protecção internacional aos refugiados que declara que ninguém deve ser devolvido contra a sua vontade a uma situação onde enfrenta o risco de abusos graves dos direitos humanos. A preocupação da comunidade internacional e dos governos individuais com os números conduziu frequentemente ao desrespeito pelos direitos dos refugiados. Em muitos países, os requerentes de asilo foram impedidos de procurar protecção, quer fisicamente quer através de mecanismos que impediram a realização de audiências justas. Na Grécia, por exemplo, apenas 11 requerentes de asilo foram reconhecidos 14

15 como refugiados em 2004, e outros foram rejeitados. A taxa de rejeição nos procedimentos acelerados de concessão de asilo no Reino Unido era de 99 por cento. Na África do Sul, alguns requerentes de asilo foram deportados arbitrariamente devido a práticas corruptas nos centros de acolhimento de refugiados e nas fronteiras. Na China, centenas, possivelmente milhares, de requerentes de asilo norte-coreanos foram detidos e expulsos sem que tenham tido oportunidade de solicitar asilo. Embora o número de pessoas que atravessam as fronteiras internacionais em busca de protecção tenha diminuído, o número de pessoas deslocadas internamente permaneceu inalterado nos 25 milhões em 2004, muitos dos quais se encontravam deslocados há anos. Os governos continuavam relutantes em permitir que observadores internacionais monitorizassem as condições e a situação dos direitos humanos das pessoas deslocadas internamente nos seus países. O relatório de Março de 2005 do Secretário-Geral das Nações Unidas sobre a implementação dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, intitulado Numa liberdade maior, recomendou o reforço da resposta inter-agências às necessidades de protecção e assistência das pessoas deslocadas internamente. A nova abordagem conjunta inter-agências resultante prometia garantir uma maior responsabilização, mas faltava avaliar se permitiria uma protecção mais previsível, robusta e coerente aos milhões de pessoas deslocadas internamente em todo o mundo. Para os refugiados que viviam em acampamentos, as condições agravaram-se durante o ano de 2005, especialmente porque muitos enfrentaram reduções nas rações alimentares um sinal claro do fracasso dos governos mundiais em cumprir as suas obrigações internacionais de partilhar a responsabilidade de proteger e ajudar os refugiados. Este facto resultou frequentemente no aumento da violência contra as mulheres, incluindo violência doméstica, e na exploração sexual das mulheres, que eram obrigadas a trocar sexo por rações alimentares como única forma de sobrevivência. Os refugiados continuaram a ver ser-lhes negada a liberdade de movimentos fora dos campos e, por isso, não podiam trabalhar para ganhar o seu sustento, levantando sérias preocupações sobre o impacto das políticas de internamento de longo prazo sobre os direitos e as vidas dos refugiados. Em cenários urbanos, muitos refugiados viram ser-lhes negado estatuto legal e o direito ao trabalho, obrigando-os a viver na pobreza ou a uma busca perigosa de meios de subsistência noutros locais, por vezes viajando para outros países. Para os governos ansiosos por minimizar as suas obrigações em matéria de protecção de refugiados, a retórica da guerra contra o terrorismo constituiu outra desculpa para reforçar os controlos fronteiriços. Em muitos países, os políticos e os meios de comunicação social alimentaram a xenofobia e o racismo, relacionando falsamente os refugiados com o terrorismo e a criminalidade e fomentando a hostilidade contra os requerentes de asilo. Em vários países que atravessavam uma fase de pós-conflito, a dominante cultura de impunidade o fracasso em trazer perante a justiça os responsáveis pelos abusos dos direitos humanos alimentou ciclos contínuos de violência. No Sri Lanka, por exemplo, a situação de segurança deteriorou-se em 2005 devido à falta de cumprimento, quer pelo governo, quer pela oposição armada, das garantias em matéria de direitos humanos incluídas no acordo de cessar-fogo. As disputas pelos escassos recursos foram agravadas pelas deslocações internas resultantes do conflito e do tsunami. 15

16 A luta contra a impunidade pode durar décadas, ou até mesmo gerações. As sobreviventes do sistema militar de escravatura sexual do Japão durante a II Guerra Mundial as chamadas mulheres de conforto têm apelado persistentemente ao reconhecimento da sua situação e exigido justiça há mais de meio século, os seus números diminuindo com o passar do tempo. Em 2005, mais uma vez, o governo japonês recusou aceitar a sua responsabilidade, pedir desculpas formais ou pagar compensações pelo sofrimento de milhares destas mulheres. Registaram-se algumas excepções a este triste cenário, incluindo a realização de eleições em vários países que emergiam de uma situação de conflito. A estabilização da situação na Serra Leoa permitiu a saída das forças da ONU do país. A Frente Polisário, que exige a independência do Saara Ocidental, libertou 404 prisioneiros de guerra marroquinos que se encontravam detido há mais de duas décadas, apesar do término formal das hostilidades há 14 anos. Os esforços para combater a impunidade registaram avanços significativos com a possibilidade de os líderes do Exercito de Resistência do Senhor (LRA) 4 virem a responder perante o Tribunal Penal Internacional pelos crimes de guerra cometidos no Norte do Uganda. ALIMENTADO PELO MEDO: O SOFRIMENTO POR CAUSA DA IDENTIDADE O esbatimento das fronteiras culturais frequentemente associado à globalização, longe de contribuir para ultrapassar as divisões profundas baseadas na identidade, foi acompanhado por um racismo, discriminação e xenofobia persistentes e, segundo alguns, em ascensão. Por todo o mundo, pessoas foram atacadas e privadas dos seus direitos humanos básicos por causa do seu género, raça, etnia, religião, orientação sexual ou outras características da sua identidade, ou combinações destas identidades. No contexto da guerra contra o terrorismo, o ano de 2005 assistiu a uma polarização continuada ao longo de linhas de identidade num mundo cada vez mais intolerante e receoso. Muitas pessoas foram vítimas de discriminação e violência por causa da sua identidade muçulmanos, pessoas identificadas como muçulmanas, outras minorias, migrantes e refugiados, todos foram vítimas. Algumas comunidades muçulmanas na Europa e noutros locais afirmaram sentir-se cercadas: recearam e condenaram os ataques bombistas, mas foram vítimas de um racismo crescente, alimentado em parte por alguns governos e meios de comunicação social que relacionaram amplamente a ameaça terrorista com os estrangeiros e muçulmanos. Como se não bastasse, muitos sofreram as consequências de medidas anti-terroristas discriminatórias na lei e na prática, enquanto jovens muçulmanos do sexo masculino continuaram a ser descritos como terroristas típicos. Nas tentativas de afirmar o seu poder ou resistir aos desafios à sua autoridades, os regimes repressivos atacaram as minorias étnicas ou religiosas. Um dos exemplos mais gritantes foi o tratamento dos grupos curdos na Síria e no Irão. Pelo menos 21 pessoas foram mortas, dezenas ficaram feridas e pelo menos 190 outras foram detidas na repressão brutal de desordens civis nas zonas curdas do Irão ocidental a partir de Julho. As detenções em massa e o uso excessivo da força contra manifestantes nas zonas curdas constituiu parte de um padrão de abuso contra as minorias étnicas no Irão, onde cerca de metade da população é persa e os restantes pertencem a vários grupos étnicos, incluindo curdos, árabes e turcos azeris. 4 Lord s Resistance Army 16

17 Também na Síria, os curdos continuaram a ser vítimas de discriminação baseada na identidade, incluindo restrições à cultura curda e ao uso da língua curda. Dezenas de milhar de curdos sírios continuaram, na prática, a não ter uma pátria, e viram consequentemente ser-lhes negado o acesso pleno à educação, serviços de saúde e emprego, bem como o direito à nacionalidade. Contudo, em Junho, no seu primeiro encontro num período de dez anos, o Congresso do Partido Baas, no poder, ordenou a revisão do censo de 1962, a qual poderá resultar na atribuição de nacionalidade sírias aos curdos. Os desafios às opiniões religiosas dominantes foram duramente punidos nalguns países. No Egipto, apesar de o Supremo Tribunal (de Emergência) de Segurança do Estado ter decidido pelo menos sete vezes a seu favor, Mitwalli Ibrahim Mitwalli Saleh continuou sob detenção administrativa por causa das suas opiniões académicas sobre a apostasia e o casamento entre mulheres muçulmanas e homens nãomuçulmanos. No Paquistão, onde as leis sobre blasfémia consideram como crime a prática da sua fé pelos membros da comunidade Ahmadiyya, as investigações policiais aos assassinatos de Ahmadis eram lentas ou inexistentes. Num único incidente em Outubro, oito Ahmadis foram mortos a tiro e 22 outros ficaram feridos por homens que dispararam contra a sua mesquita a partir de uma motocicleta em andamento. Dezoito homens foram detidos pouco depois mas acabaram por ser libertados sem serem acusados. Na China, as práticas religiosas fora dos canais oficiais continuaram a ser fortemente restringidas. Em Março, as autoridades emitiram novas regras destinadas a reforçar os controlos oficiais sobre as actividades religiosas, e em Abril foi renovada a repressão contra o movimento espiritual Falun Gong. Um responsável do governo de Pequim afirmou que, uma vez que o grupo tinha sido proibido por ser uma organização herética, quaisquer actividades ligadas ao movimento Falun Gong eram ilegais. Muitos praticantes do movimento Falun Gong continuaram sob detenção, e corriam risco elevado de serem vítimas de torturas ou maus-tratos. Na Eritreia, onde o governo levou a cabo uma campanha de repressão contra as igrejas cristãs evangélicas durante o ano de 2005, mais de membros daquelas igrejas e dezenas de muçulmanos permaneciam detidos no final do ano por causa das suas crenças religiosas. Estavam detidos por tempo indeterminado, em isolamento, e sem que fossem acusados ou julgados, alguns deles em locais secretos. Muitos foram torturados ou maltratados, e um grande número encontrava-se detido em contentores metálicos ou celas subterrâneas. Uma alegada falta de pureza étnica foi usada como justificação para a exclusão de pessoas do emprego e da educação no Turquemenistão. Muitos membros de minorias étnicas, como uzbeques, russos e cazaques, foram despedidos do emprego e impedidos de ter acesso ao ensino superior. Membros de grupos religiosos minoritários corriam risco de serem vítimas de perseguições, detenções arbitrárias, detenções na sequência de julgamentos injustos, e maus-tratos. A Letónia ratificou a Convenção Quadro do Conselho da Europa para a Protecção das Minorias Nacionais durante o ano de 2005, mas a definição de minoria usada pelo governo excluía, na prática, a maioria dos membros da comunidade russófona de se candidatarem a ser reconhecidos como minoria. Em muitos países, as populações indígenas continuaram a ser uma classe desfavorecida e vítimas de violações generalizadas dos direitos humanos. As discussões sobre uma Declaração sobre os Direitos dos Povos Indígenas, bloqueadas 17

18 há mais de uma década, não registaram qualquer progresso durante o ano de Esta resposta lenta da comunidade internacional à necessidade urgente de reconhecer e respeitar os direitos dos povos indígenas reflectiu-se ao nível nacional. No Brasil, por exemplo, a demarcação e ratificação dos territórios indígenas, prometida pelo governo, ficou muito aquém dos objectivos prometidos. Esta situação contribuiu para o aumento da insegurança e dos ataques violentos contra as comunidades indígenas e para as expulsões forçadas, agravando as suas já preocupantes privações sociais e económicas. O Relator Especial das Nações Unidas para a situação dos direitos humanos e liberdades fundamentais dos povos indígenas, que visitou a Nova Zelândia em 2005, afirmou que existiam disparidades significativas e, nalguns casos, crescentes, entre os Maori e o resto da população. Segundo ele, os Maori consideravam que esse era o resultado de um acumular de promessas quebradas, marginalização económica, exclusão social e discriminação cultural ao longo de várias gerações. Caixa: O direito das mulheres, da liberdade à violência contra as mulheres Cerca de representantes de governos e organizações de mulheres e dos direitos humanos estiveram reunidos em Março de 2005 em Nova Iorque para assinalar o décimo aniversário da Conferência Mundial da ONU sobre as Mulheres em Pequim e avaliar os progressos no cumprimento da Declaração de Pequim e do Programa de Acção. Embora os governos tenham reiterado de forma unânime os compromissos assumidos há uma década, não assumiram qualquer novo compromisso relacionado com a promoção ou a protecção dos direitos humanos das mulheres. Esta ausência foi em parte o resultado do ataque retrógrado contra os direitos humanos das mulheres que se tornou evidente nos últimos anos. Este ataque, especialmente no que diz respeito aos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, foi liderado por grupos cristãos conservadores norte-americanos e apoiado pela Santa Sé e por alguns paísesmembros da Organização da Conferência Islâmica. Os ataques contra os direitos das mulheres, as alterações no contexto da segurança global e a falta de vontade dos países em implementarem os padrões internacionais dos direitos humanos constituíram o cenário contra o qual a AI se juntou em 2005 aos grupos de defesa das mulheres por todo o mundo para promover os direitos humanos das mulheres. Entre os progressos registados encontrava-se a nova legislação adoptada por alguns países para reduzir a discriminação contra as mulheres. Na Etiópia, um novo Código Penal removeu a excepção matrimonial para os crimes de sequestro e violação de noivas. O Parlamento do Kuwait alterou a lei eleitoral para conceder às mulheres o direito de voto e de serem candidatas às eleições. A AI saudou a entrada em vigor do Protocolo sobre os Direitos das Mulheres da Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos (Protocol to the African Charter on Human and People s Rights on the Rights of Women in Africa). As organizações de defesa dos direitos das mulheres das Ilhas Salomão celebraram a criação do primeiro abrigo exclusivo para as vítimas de violência doméstica. Apesar das conquistas do movimento global de defesa dos direitos das mulheres nos últimos anos, a discriminação e a impunidade para os crimes violentos contra as mulheres continuaram a enfraquecer o direito fundamental das mulheres à liberdade, segurança e justiça. 18

19 Durante o ano de 2005, a campanha da AI para Acabar com a Violência Sobre as Mulheres concentrou-se principalmente na violência contra as mulheres em conflitos armados, na violência no seio familiar e no papel das mulheres defensoras dos direitos humanos. À medida que a sua campanha se concentrava cada vez mais na esfera privada da violência nas relações íntimas, a AI sublinhou o dever dos governos em intervir para proteger, respeitar, promover e cumprir de forma adequada os direitos humanos das mulheres. A AI publicou relatórios documentando a violência doméstica em vários países, incluindo o Afeganistão, Guatemala, países dos Conselho de Cooperação do Golfo, Índia, Iraque, Israel e os Territórios Ocupados, Nigéria, Federação Russa, Espanha e Suécia. Foram igualmente publicados relatórios sobre o impacto das armas na vida das mulheres e sobre mulheres, violência e saúde. Os efeitos a longo prazo da violência contra as mulheres também foram destacados num estudo alargado da Organização Mundial de Saúde publicado em Conforme a AI tem repetidamente afirmado, a violência contra as mulheres provoca um sofrimento físico e psicológico prolongado nas vítimas, e tem repercussões no bem-estar e na segurança das respectivas famílias e comunidades. A ligação entre a violência contra as mulheres enquanto questão relacionada com os direitos humanos e com os problemas de saúde pública levou a AI a aceitar um convite para se juntar ao Conselho de Liderança da Coligação Global sobre Mulheres e SIDA. Numa conferência de mulheres defensoras dos direitos humanos realizada no Sri Lanka no final de 2005, organizações e participantes individuais reconheceram a significante contribuição das mulheres defensoras dos direitos humanos para o avanço dos direitos humanos de todos, e os sérios riscos que corriam, incluindo assassinatos, sequestros, violações, desaparecimentos e agressões. Aqueles que defendem e promovem os direitos humanos das mulheres e a igualdade entre os géneros são frequentemente atacados por causa do seu activismo e podem enfrentar marginalização, preconceitos e outros perigos. Os defensores de direitos contestados, como os direitos sexuais ou ambientais, correram riscos acrescidos durante o ano de 2005, uma vez que eram encarados como uma ameaça ao status quo. A necessidade de uma abordagem integrada ao combate da violência contra as mulheres foi sublinhada em 2005 por duas decisões do Comité da ONU para a Erradicação da Discriminação contra as Mulheres. Na cidade mexicana de Ciudad Juárez, centenas de mulheres pobres, na sua maioria indígenas, foram sequestradas e assassinadas nos últimos anos sem que as autoridades tenham tomado medidas apropriadas. O Comité apelou a uma revisão profunda do aparelho judicial e à educação popular no sentido de combater a discriminação estrutural contra as mulheres. Noutro caso apresentado por uma mulher húngara contra as autoridades do seu país, ela acusava-as de não a protegerem contra uma série de ataques violentos do seu ex-marido, apesar dos repetidos pedidos de ajuda. Neste caso, o Comité reafirmou que, quando as autoridades governamentais falham na tomada de medidas para prevenir, investigar e castigar as violações dos direitos dos seus cidadãos, devem ser elas próprias a assumir a responsabilidade pelas acções dos perpetradores. Caixa: Pena de morte Pelo menos 2,148 pessoas foram executadas em 2005 e outras 5,186 foram condenadas à morte. Estes números apenas reflectem os casos que eram do 19

20 conhecimento da AI; os números reais foram certamente superiores. Muitos daqueles que foram executados não tiveram direito a um julgamento justo; confessaram sob tortura, não tiveram representação legal adequada e não tiveram direito a uma audiência imparcial. Tráfico de droga, peculato e fraude foram alguns dos crimes pelos quais foi atribuída a pena capital. Algumas pessoas viveram mais de vinte anos no corredor da morte antes de serem executadas, enquanto outras foram executadas quase imediatamente. Várias formas de execução foram usadas pelos carrascos, incluindo o enforcamento, o esquadrão de fuzilamento, a injecção letal e a decapitação. Entre os que foram executados encontravam-se crianças e pessoas com deficiências mentais. Tal como em anos anteriores, a grande maioria das execuções teve lugar num número reduzido de países: 94 por cento das execuções realizadas durante o ano de 2005 ocorreram na China, Irão e EUA. Em 2005, o México e a Libéria aboliram a pena de morte para todos os crimes, elevando para 86 o número de países abolicionistas para todos os crimes. Em 1977, o ano em que os EUA retomaram o uso da pena de morte e a AI organizou em Estocolmo uma inédita Conferência Internacional sobre a Pena de Morte, apenas 16 países eram abolicionistas. No final de 2005, 122 países eram abolicionistas na lei ou na prática. A campanha contra a pena de morte ganhou força durante o ano de O terceiro Dia Mundial Contra a Pena de Morte, a 10 de Outubro, foi assinalado em mais de 50 países e territórios, incluindo o Benin, Congo, China (Hong Kong), República Democrática do Congo, França, Alemanha, Índia, Japão, Mali, Porto Rico, Serra Leoa e Togo. Por todo o mundo realizaram-se manifestações, petições, concertos e debates televisivos para fazer campanha contra a pena capital. Membros da AI participaram nestes eventos em 40 países. Foram também registados progressos ao nível das NU. A Resolução 2005/59 da ONU sobre a questão da pena de morte, aprovada em Abril de 2005, ficou mais perto do que nunca de condenar a pena de morte como uma violação dos direitos humanos. A resolução reafirma o direito à vida e declara, de forma significativa, que a abolição da pena de morte é essencial para a protecção deste direito. A Resolução 2005/59 foi co-patrocinada por 81 Estados-membros das NU, o maior número de sempre. O Relator Especial para as execuções extrajudiciais, sumárias e arbitrárias emitiu várias declarações firmes contra as sentenças de morte obrigatórias durante o ano de 2005, afirmando que retiram a liberdade do tribunal de exercer clemência ou levar em conta quaisquer circunstâncias atenuantes ou mitigadoras, e que a condenação obrigatória é completamente desapropriada em casos de vida ou morte. Um dos mais poderosos argumentos contra a pena capital é o inerente risco de execução de inocentes. Em 2005, tanto a China como os EUA libertaram pessoas que estavam detidas no corredor da morte e que tinham sido condenadas injustamente: a China reconheceu ainda que pessoas inocentes tinham sido executadas. Julgamentos injustos deram origem a execuções em vários países; em 2005 foram executadas pessoas no Irão, Arábia Saudita e Uzbequistão, sem que alegadamente tivessem tido direito a um julgamento justo, e por isso não tiveram oportunidade de apresentar 20

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