PROGRAMA NACIONAL DE ACREDITAÇÃO EM SAÚDE

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1 PROGRAMA NACIONAL DE ACREDITAÇÃO EM SAÚDE 2009

2 3 ÍNDICE I INTRODUÇÃO 4 II MODELO NACIONAL DE ACREDITAÇÃO EM SAÚDE 5 III ÂMBITO DE APLICAÇÃO 8 IV OBJECTIVO GERAL 8 V OBJECTIVOS ESPECÍFICOS 8 VI ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO 8 VII HORIZONTE TEMPORAL 9 VIII CRONOGRAMA 10 IX MONITORIZAÇÃO E AVALIAÇÃO 11

3 4 I INTRODUÇÃO A acreditação em saúde é uma das prioridades estratégicas do Ministério da Saúde, como responsável político pela qualidade dos cuidados que se prestam no Sistema de Saúde Português, que tem como objectivo o reconhecimento público da qualidade atingida nas organizações prestadoras de cuidados de saúde, através de uma avaliação objectiva da competência por pares. A acreditação em saúde tem em vista fortalecer a confiança dos cidadãos nacionais e estrangeiros e dos profissionais de saúde, nas instituições prestadoras de cuidados de saúde e fomentar e disseminar uma cultura de melhoria da qualidade e da segurança, com uma adequada relação custobenefício. A acreditação das instituições de saúde teve o seu início em Portugal no ano de 1999, com a criação do Instituto da Qualidade em Saúde (extinto em 2006). O programa de acreditação, que então se adoptou, baseou-se na metodologia King s Fund (KF) e teve na sua génese um acordo celebrado entre o Ministério da Saúde Português e o Health Quality Service (HQS), vindo a dar origem ao primeiro Programa Nacional de Acreditação dos Hospitais. Mais tarde, o Plano Nacional de Saúde identificou a existência de uma escassa cultura da qualidade aliada a um défice organizacional dos Serviços de Saúde, assim como a falta de indicadores de desempenho e de apoio à decisão. Este plano apontou como orientação estratégica a melhoria da qualidade organizacional dos serviços de saúde e, em 2004, a Unidade de Missão para os Hospitais S.A., veio a adoptar o modelo da Joint Commission International (JCI) para acreditação destes hospitais. Até à data, dos 27 hospitais que iniciaram o processo de acreditação pelo KF/HQS, 13 obtiveram a acreditação e dos 15 hospitais em processo de acreditação pela JCI, apenas 2 obtiveram a acreditação. O Decreto-Lei nº 234/2008, de 2 de Dezembro, veio conferir à Direcção-Geral da Saúde as competências nas áreas do planeamento e programação da política para a qualidade no Sistema de Saúde Português. Nesta conformidade, cabe agora à Direcção Geral da Saúde prosseguir e desenvolver a cultura de melhoria contínua da qualidade e de segurança do doente e a disseminação de boas práticas clínicas e organizacionais. Para o efeito, foi criado o Departamento da Qualidade na Saúde, através da Portaria n.º 155/2009 de 15 de Fevereiro, com vista a responder ao conjunto das competências anteriormente referidas e nessa medida, através do Despacho n.º 14223/2009, de 24 de Junho, foi aprovada a Estratégia Nacional para a Qualidade na Saúde, que define as prioridades para a concretização da política para a qualidade na saúde, nomeadamente adoptar e adaptar um modelo nacional e independente de acreditação e implementá-lo oficialmente através de um programa nacional de acreditação em saúde. Tornando-se necessário adoptar um modelo de acreditação, foram definidos os seguintes critérios: 1. Alinhamento com as grandes linhas da Estratégia Nacional para a Qualidade na Saúde. 2. Transversalidade e facilidade de adaptação aos vários tipos de unidades que constituem o Sistema de Saúde Português, avaliação por profissionais da saúde nacionais e possibilidade de alargamento a outras áreas de acreditação em saúde. 3. Sustentabilidade económica, de forma a permitir a adopção generalizada do modelo de acreditação escolhido.

4 5 Não obstante os méritos reconhecidos aos vários modelos de acreditação anteriormente implementados em Portugal, a escolha recaiu sobre o Modelo ACSA (Agencia de Calidad Sanitaria de Andalucía), por ser o que melhor se adapta aos critérios acima enunciados e por ser um modelo consolidado e reconhecido, concebido para um sistema público de saúde de organização semelhante ao português e destinatários idênticos em temos demográficos e epidemiológicos. O Modelo de Acreditação ACSA foi aprovado por Despacho da Ministra da Saúde (Despacho n.º 69/2009, de 31 de Agosto) como modelo oficial e nacional de acreditação em saúde, de opção voluntária. Para a concretização deste Despacho é celebrado um protocolo de colaboração e cooperação entre a Direcção-Geral da Saúde e a Agencia de Calidad Sanitaria de Andalucía, para assegurar a implementação do modelo em Portugal, mediante o qual a Direcção-Geral da Saúde adquire o direito exclusivo de utilização do Modelo ACSA em todo o território nacional, e o seu futuro desenvolvimento e melhoria em conjunto, visto ser um modelo dinâmico de aperfeiçoamento periódico. Contudo, o modelo terá de ser adaptado à realidade portuguesa, cabendo à Direcção-Geral da Saúde, através do Departamento da Qualidade na Saúde, definir e propor o necessário suporte normativo e regulamentar, bem como identificar áreas e oportunidades de melhoria. Coerente com a estratégia nacional para a qualidade e políticas de saúde definidas, o presente Programa Nacional de Acreditação em Saúde deve ser entendido não como um fim em si mesmo, mas, antes, como uma ferramenta para o desenvolvimento da estratégia da qualidade, constituindo um estímulo para a aplicação de boas práticas, de procedimentos normalizados da qualidade e segurança, de metodologias de avaliação do risco e de estudos de custo-efectividade, na prestação dos cuidados de saúde. Este Programa, tem ainda como objectivo final, uma mudança cultural, com vista a alterar o actual paradigma de prestação de cuidados, centrados na organização, para um novo paradigma de cuidados, centrados no cidadão. II MODELO NACIONAL DE ACREDITAÇÃO EM SAÚDE O Modelo ACSA, adoptado e adaptado para Portugal como Modelo Nacional e Oficial de Acreditação em Saúde, destina-se a instituições de saúde, na sua totalidade ou a serviços de saúde e abange outras áreas de acreditação, nomeadamente, de competências profissionais (distinta das titulações e especializações profissionais concedidas pelos orgãos competentes), de formação contínua e de websites com conteúdos de informação sobre saúde. O Modelo Nacional de Acreditação em Saúde, tem as seguintes características: 1. Assenta em três pilares básicos: a gestão por processos, a gestão clínica e a gestão por competências, exigindo a integração dos vários níveis de prestação de cuidados de saúde e a avaliação da integração desses processos, bem como dos resultados e da efectividade das medidas tomadas, através de um conjunto de indicadores. 2. Valoriza, em particular: a) Os direitos dos cidadãos, tais com preconizados pela Organização Mundial de Saúde e o quadro legal português; b) A segurança; c) As competências profissionais;

5 6 d) A transparência na actuação; e) Os requisitos de rigor técnico e científico na prestação dos cuidados de saúde; f) Os resultados dos processos de saúde; g) A percepção que o utente tem dos cuidados que lhe são prestados. 3. Dispõe de uma poderosa ferramenta informática, desenhada especificamente para este modelo. Constituindo uma das suas mais-valias, serve de suporte a todos os processos de avaliação, permitindo que parte desta seja efectuada on-line, reduzindo, assim, o tempo da visita de avaliação e os respectivos custos. Baseando-se no conceito de auditoria interpares, os Avaliadores do Programa Nacional de Acreditação em Saúde são profissionais de saúde formados no Modelo ACSA, com o dever de confidencialidade e reconhecidos nas diferentes áreas de actuação. A bolsa de Avaliadores compreende: Avaliadores Internos do Departamento da Qualidade na Saúde e Avaliadores Externos, que colaboram com o Departamento da Qualidade na Saúde na visita de avaliação. Todo o processo se baseia na utilização da aplicação informática e nas visitas de avaliação. A implementação gradual do Programa Nacional de Acreditação em Saúde é iniciada pela acreditação de unidades prestadoras de cuidados de saúde, tendo por base as seguintes áreas chave: I - O Cidadão, como centro do Sistema de Saúde 1. Utentes: satisfação, participação e direitos 2. Acessibilidade e continuidade na prestação dos cuidados de saúde 3. Documentação clínica II Integração e continuidade dos Cuidados de Saúde 4. Gestão dos processos de prestação de cuidados de saúde 5. Actividades de promoção e programas de saúde 6. Direcção da organização III Profissionais 7. Profissionais, formação e evolução IV Áreas de Suporte 8. Estrutura, equipamentos e fornecedores 9. Sistemas e tecnologias de informação e comunicação 10. Sistemas da qualidade V Resultados 11. Resultados chave da organização Para as várias áreas de acreditação, existem diferentes manuais de requisitos normativos. Sendo uma das características da melhoria contínua da qualidade o seu carácter progressivo, os candidatos podem atingir três níveis de acreditação: - BOM - ÓPTIMO - EXCELENTE

6 7 Os requisitos normativos são de diferente grau de exigência, classificados em I, II e III, sendo este último o mais exigente. Dentro do grau I, existem requisitos obrigatórios e necessários para a obtenção da acreditação. O processo de acreditação, desenrola-se nas seguintes fases: Fase 1: Pedido de adesão a candidatura ao projecto de acreditação inicia-se por uma solicitação ao Departamento da Qualidade na Saúde através da aplicação informática de suporte ao modelo, com preenchimento de um formulário para início do processo e com a indicação de um responsável pelo processo. É efectuada localmente uma visita de apresentação do modelo e da aplicação informática que o suporta, atribuídas as chaves de acesso e designado um Avaliador Interno, que acompanha a fase seguinte, de auto-avaliação. Fase 2: Auto-avaliação Período com a duração máxima de 1 ano, representa uma oportunidade importante para a organização reflectir sobre as suas práticas, avaliar a sua situação, determinar os objectivos e planificar as acções de melhoria da qualidade e da segurança, reavaliando o seu progresso dentro do prazo estabelecido. O cumprimento dos requisitos normativos do modelo ACSA é demonstrado através de evidências que vão sendo introduzidas na aplicação informática. Fase 3: Avaliação externa Consiste numa visita de avaliação à organização candidata, por Avaliadores formados no modelo, na qual se clarifica, completa e valida toda a informação recolhida e as evidências, de acordo com os requisitos do modelo e os requisitos legais. Completado o processo de avaliação externa, é elaborado um relatório que induz a decisão de conceder a acreditação à organização candidata e o respectivo nível. Caso a organização não concorde com a decisão, poderá recorrer da mesma para reavaliação do processo. Fase 4: Seguimento Esta fase, com uma vigência de 5 anos, segue-se à obtenção da acreditação e consiste numa continuação do processo de autoavaliação, com uma visita externa de reavaliação aos 2 e aos 4 anos. Destina-se a garantir que a organização mantém e melhora as boas práticas e as condições que lhe permitiram obter a acreditação. Resumo das características do Modelo Nacional de Acreditação em Saúde: É voluntário, transversal, progressivo e integral, inter-relacionando os programas de acreditação das diferentes áreas, orientado para os interesses e direitos do utente dos serviços de saúde. Define prazos nas várias fases de todo o processo. É gerador de conhecimento ao divulgar boas práticas e elementos de qualidade destacada, que constituem referências para todo o sistema, introduzidas como exemplo na aplicação informática. Permite a inovação, não sendo prescritivo. Coloca ênfase no compromisso da organização com a qualidade, a segurança e a melhoria contínua, envolvendo todos os níveis profissionais e da gestão. Exige competência profissional, em termos de conhecimentos, capacidades e atitudes, promovendo o trabalho em equipa, a formação e a evolução profissional. Promove a gestão por processos e a interligação e coordenação entre diferentes níveis de prestação de cuidados de saúde, de forma a assegurar a sua continuidade. Fomenta a utilização de normas de orientação clínica, a medicina baseada na evidência e estudos de custo-efectividade, na prestação dos cuidados de saúde.

7 8 Fomenta a gestão efectiva e eficiente dos recursos, através de objectivos contratualizados e avaliada por indicadores de resultado clínico. É orientado para os resultados, avaliados por indicadores. III ÂMBITO DE APLICAÇÃO O Programa Nacional de Acreditação em Saúde destina-se a: 1. Instituições de saúde do Sistema de Saúde Português, na sua totalidade ou por serviços, entre as quais, cuidados primários, hospitalares e continuados. 2. Competências Profissionais para actividades específicas em saúde. 3. Formação Contínua em saúde. 4. Websites com conteúdos de informação sobre saúde. IV OBJECTIVO GERAL O Programa Nacional de Acreditação em Saúde pretende, como objectivo geral, generalizar uma cultura de melhoria contínua da qualidade e da segurança no Serviço Nacional de Saúde e no Sistema de Saúde Português. V - OBJECTIVOS ESPECÍFICOS O Programa Nacional de Acreditação em Saúde visa os seguintes objectivos específicos: 1. Implementação do Modelo Nacional de Acreditação em Saúde. 2. Avaliação do impacto do Modelo Nacional de Acreditação em Saúde, em termos de qualidade e segurança. 3. Reconhecimento do Modelo Nacional Acreditação em Saúde. VI - ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO O Programa Nacional de Acreditação em Saúde pretende desenvolver as seguintes estratégias de intervenção (E), para atingir os objectivos específicos mencionados anteriormente: Objectivo específico nº 1 Implementação do Modelo Nacional de Acreditação em Saúde: E1 Criação das infraestruturas necessárias à implementação nacional do Modelo de Acreditação ACSA: E1a) Concretização do programa de formação e treino dos Avaliadores Internos no Modelo de Acreditação ACSA. E1b) Formação de profissionais de saúde no Modelo ACSA, com vista à criação de uma bolsa de Avaliadores Externos.

8 9 E1c) Criação das infra-estruturas de Coordenação, Avaliação, Certificação e Recurso. E1d) Adaptação dos manuais normativos, bem como de outra documentação de suporte, para a implementação do Modelo a nível nacional. E1e) Adaptação da aplicação informática que suporta todo o processo de acreditação. E2 Divulgação do Modelo Nacional de Acreditação em Saúde: E2a) Elaboração e divulgação de documentação de apresentação e de suporte ao Modelo. E2b) Divulgação do Modelo Nacional de Acreditação em Saúde, nomeadamente através da participação em conferências, workshops e congressos na área da qualidade na saúde. E2c) Criação de um Website com informação sobre a Acreditação em Saúde. E3 Estabelecimento de parcerias: E3a) Estabelecimento de parcerias com entidades públicas e com a sociedade civil, que potenciem o desenvolvimento do Programa Nacional de Acreditação em Saúde e a implementação do Modelo Nacional e Oficial de Acreditação em Saúde. E3b) Constituição de comissões de peritos para validação dos manuais, dos indicadores da qualidade e da restante documentação técnico-científica de suporte à acreditação. E3c) Constituição de grupos de profissionais, em parceria com as organizações sectoriais, para o desenvolvimento da área de acreditação de competências profissionais e da formação contínua em saúde. E3d) Estabelecimento de parceria com a ACSA, para revisão periódica do modelo e introdução conjunta de melhorias. E4 Implementação faseada do Modelo Nacional de Acreditação em Saúde: E4a) Implementação experimental do Modelo ACSA, envolvendo os cuidados de saúde primários, hospitalares e continuados. E4b) Implementação do Modelo Nacional e Oficial de Acreditação em Saúde, em todas as instituições de saúde que a ele queiram aderir. E4c) Implementação do modelo para acreditação de Formação Contínua em Saúde. E4d) Implementação do modelo para acreditação de Competências Profissionais em Saúde. E4e) Implementação do modelo para acreditação de Websites sobre Informação em Saúde. Objectivo específico nº 2 - Avaliação do impacto do Modelo Nacional de Acreditação em Saúde: E5a) Monitorização periódica através de um painel de indicadores. Objectivo específico nº 3 - Reconhecimento do Modelo Nacional Acreditação em Saúde: E6a) Avaliação do Modelo Nacional de Acreditação em Saúde pelas estruturas competentes, nacionais e internacionais, tendo em vista o seu reconhecimento. VII - HORIZONTE TEMPORAL O Programa Nacional de Acreditação em Saúde tem um horizonte temporal coincidente com o da Estratégia Nacional para a Qualidade na Saúde, sem prejuízo de eventuais correcções que o desenvolvimento do mesmo, entretanto, aconselhar.

9 10 O Programa será desenvolvido em duas fases, sendo os primeiros cinco anos destinados à sua implementação e os cinco anos seguintes à sua consolidação. VIII - CRONOGRAMA E 4ºT º T º T º T º T E1a) E1b) E1c) E1d) E1e) E2a) E2b) E2c) E3a) E3b) E3c) E3d) E4a) E4b) E4c) E4d) E4e) E5a) E6a) Legenda E: Estratégias de intervenção do PNAS; T: Trimestre

10 11 IX - MONITORIZAÇÃO E AVALIAÇÃO A monitorização e avaliação do Programa Nacional de Acreditação em Saúde, visa o seguinte: 1. Avaliação periódica do modelo de acreditação nacional e oficial, relativamente à adesão, implementação e evolução da qualidade, com base no seguinte: a) Projectos em processo de acreditação; b) Projectos de acreditação concluídos em relação aos pedidos formulados; c) Áreas de melhoria identificadas e alcançadas nos projectos de acreditação; d) Áreas críticas de não cumprimento dos requisitos da acreditação; e) Inquéritos de satisfação às organizações envolvidas no processo de acreditação; f) Evolução dos indicadores utilizados no Modelo de Acreditação em Saúde. 2. Elaboração anual de um plano e um relatório de actividades, os quais serão objecto de divulgação pública.

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