MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO AUDITORIA INTERNA SECRETARIA DE ORIENTAÇÃO E AVALIAÇÃO PARECER SEORI/AUDIN MPU Nº 70/2015

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1 MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO AUDITORIA INTERNA SECRETARIA DE ORIENTAÇÃO E AVALIAÇÃO PARECER SEORI/AUDIN MPU Nº 70/2015 Referência : Correio eletrônico, de 10/12/2014. Protocolo AUDIN-MPU nº 2308/2014. Assunto : Administrativo. Contrato de manutenção elétrica. Repactuação. Interessado : Procuradoria da República no Amapá. Trata-se de consulta encaminhada pela Senhora Secretária Estadual da Procuradoria da República no Amapá (PR/AP) acerca de pedido de repactuação referente ao Contrato PR/AP nº 05/2013, que tem por objeto serviço de manutenção elétrica. 2. Informa a Unidade que, por ocasião da realização do procedimento licitatório Pregão 05/2013, foi utilizada a Convenção Coletiva de Trabalho nº AP000010/2012 do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria e Construção Civil do Estado do Amapá para as categorias objeto da contratação, a qual não previa pagamento de adicional de periculosidade e auxílio-alimentação. 3. Relata que, em 24/6/2014, foi registrada no MTE/AP a Convenção Coletiva do Sindicato dos empregados em empresas de asseio, conservação, limpeza urbana, limpeza em área hospitalar, limpeza ambiental e áreas verdes, empregados em empresas de conservação e manutenção predial, residencial, comercial e industrial do Estado do Amapá. 4. Desse modo, a empresa contratada, com base na referida convenção, solicitou que fosse deferido pedido de repactuação referente ao exercício 2013, com efeitos financeiros retroativos ao mês de setembro/2013, início da vigência do contrato em tela. Além de solicitar o reajuste do valor dos salário com base na Tabela de Cargos e Salários da citada CCT, a contratada requereu o pagamento de auxílio-alimentação para todas as categorias e de adicional de periculosidade para as categorias de oficial eletricista, auxiliar eletricista e eletricista de alta tensão, em virtude desses profissionais exercerem as atividades nas mesmas condições de risco dos demais eletricistas. 5. Noticia ainda que, para as categorias existentes no contrato e não contempladas na supramencionada convenção, a empresa solicitou a repactauação dos salários aplicando o valor salarial atual das categorias que possuíam o mesmo piso salarial por ocasião do pregão. Já para aquelas que não foi possível tal aplicação, utilizou percentual de aumento de 14% e 15% previstos na CCT 2013 e CCT 2014, respectivamente. 1/5

2 6. Diante disso, a consulente questiona os pontos abaixo, anexando na oportunidade, documentos relativos ao contrato, aditivos, CCT, requerimento e planilha de custos: 1. É possível conceder às categorias de auxiliar eletricista, artífice de pintura, encanador e carpinteiro, que não são abrangidas pela CCT 2014, aumento salarial com base no salário atualmente pago para a categoria de pedreiro, visto que possuíam piso salarial à época do processo licitatório? 2. É possível estender a todas as categorias acima especificadas o benefício do vale alimentação? 3. É possível estender à categoria de oficial eletricista e auxiliar eletricista o adicional de periculosidade, visto que exercem atividades semelhante à dos eletricistas? 4. É possível aplicar ao valor pago à categoria de telhadista o percentual de aumento salarial previsto na CCT 2014, haja vista que não há na convenção outra categoria cujo salário fosse similar à desta à época do pregão de 2013? 5. Considerando que para nenhuma das categorias houve reajuste salarial durante o ano de 2013 e que os salários constantes na planilha apresentada no relativo Pregão foram definidos em uma CCT ainda do ano de 2012, é possível conceder reajuste salarial retroativo ao ano de 2013 a todas as categorias contratadas, com base no valor salário vigente em 2013 constantes na tabela de salários da CCT de 2014? 6. Em sendo possível conceder o reajuste salarial retroativo conforme proposto no item anterior, é possível ainda incluir o valor retroativo ao auxílio-alimentação para todas as categorias e adicional de periculosidade para as categorias de oficial eletricista e auxiliar eletricista? 7. Caso não seja possível utilizar-se da CCT 2014 do Sindicato dos empregados em empresas de asseio, conservação, limpeza urbana, limpeza em área hospitalar, limpeza ambiental e áreas verdes, empregados em empresas de conservação e manutenção predial, residencial, comercial e industrial para conceder aumento salarial para as categorias não abrangidas pela referida CCT, questiona-se sobre qual seria o mecanismo legal disponível para se conceder o reajuste salarial devido, visto que, o trabalhador não pode ser penalizado com a não concessão de aumento salarial em virtude de ausência de Convenção Coletiva de Trabalho da sua categoria profissional. 8. Caso não seja possível utilizar-se da CCT 2014 para conceder aumento salarial retroativo a 2013 a todas as categorias abrangidas na contratação, questiona-se se há outro mecanismo legal que poderia ser utilizado para conceder-se o reajuste salarial referente ao ano 2013? 7. Em exame, observa-se que a solicitação da empresa baseou-se em convenção distinta da utilizada inicialmente na contratação, em 2012, visto que a original não sofreu alterações nos anos posteriores de 2013 e /5

3 8. Diante disso, para melhor análise, importa trazer à colação o disposto nos arts. 37 a 40 Instrução Normativa SLTI/MPOG nº 2/2008 aplicável no âmbito da Administração Pública Federal, que tratam da repactuação de preços dos contratos de prestação de serviços terceirizados, senão vejamos: INSTRUÇÃO NORMATIVA SLTI/MPOG Nº 2/2008 Art. 37. A repactuação de preços, como espécie de reajuste contratual, deverá ser utilizada nas contratações de serviços continuados com dedicação exclusiva de mão de obra, desde que seja observado o interregno mínimo de um ano das datas dos orçamentos aos quais a proposta se referir, conforme estabelece o art. 5º do Decreto nº 2.271, de º A repactuação para fazer face à elevação dos custos da contratação, respeitada a anualidade disposta no caput, e que vier a ocorrer durante a vigência do contrato, é direito do contratado, e não poderá alterar o equilíbrio econômico e financeiro dos contratos, conforme estabelece o art. 37, inciso XXI da Constituição da República Federativa do Brasil, sendo assegurado ao prestador receber pagamento mantidas as condições efetivas da proposta. 2º A repactuação poderá ser dividida em tantas parcelas quanto forem necessárias em respeito ao princípio da anualidade do reajuste dos preços da contratação, podendo ser realizada em momentos distintos para discutir a variação de custos que tenham sua anualidade resultante em datas diferenciadas, tais como os custos decorrentes da mão de obra e os custos decorrentes dos insumos necessários à execução do serviço. 3º Quando a contratação envolver mais de uma categoria profissional, com datas-base diferenciadas, a repactuação deverá ser dividida em tantas quanto forem os acordos, dissídios ou convenções coletivas das categorias envolvidas na contratação. 4º A repactuação para reajuste do contrato em razão de novo acordo, dissídio ou convenção coletiva deve repassar integralmente o aumento de custos da mão de obra decorrente desses instrumentos. Art. 38. O interregno mínimo de 1 (um) ano para a primeira repactuação será contado a partir: I - da data limite para apresentação das propostas constante do instrumento convocatório, em relação aos custos com a execução do serviço decorrentes do mercado, tais como o custo dos materiais e equipamentos necessários à execução do serviço; ou II - da data do acordo, convenção ou dissídio coletivo de trabalho ou equivalente, vigente à época da apresentação da proposta, quando a variação dos custos for decorrente da mão de obra e estiver vinculada às datas-base destes instrumentos. Art. 39. Nas repactuações subsequentes à primeira, a anualidade será contada a partir da data do fato gerador que deu ensejo à última repactuação. 3/5

4 Art. 40. As repactuações serão precedidas de solicitação da contratada, acompanhada de demonstração analítica da alteração dos custos, por meio de apresentação da planilha de custos e formação de preços ou do novo acordo convenção ou dissídio coletivo que fundamenta a repactuação, conforme for a variação de custos objeto da repactuação. 1º É vedada a inclusão, por ocasião da repactuação, de benefícios não previstos na proposta inicial, exceto quando se tornarem obrigatórios por força de instrumento legal, sentença normativa, acordo coletivo ou convenção coletiva. 2º Quando da solicitação da repactuação para fazer jus a variação de custos decorrente do mercado, esta somente será concedida mediante a comprovação pelo contratado do aumento dos custos, considerando-se: I - os preços praticados no mercado ou em outros contratos da Administração; II - as particularidades do contrato em vigência; III - (Revogado pela INSTRUÇÃO NORMATIVA MP Nº 4, DE 11/10/2009) IV - a nova planilha com a variação dos custos apresentada; V - indicadores setoriais, tabelas de fabricantes, valores oficiais de referência, tarifas públicas ou outros equivalentes; e VI - a disponibilidade orçamentária do órgão ou entidade contratante. 3º A decisão sobre o pedido de repactuação deve ser feita no prazo máximo de sessenta dias, contados a partir da solicitação e da entrega dos comprovantes de variação dos custos. 4º As repactuações, como espécie de reajuste, serão formalizadas por meio de apostilamento, e não poderão alterar o equilíbrio econômico e financeiro dos contratos, exceto quando coincidirem com a prorrogação contratual, em que deverão ser formalizadas por aditamento. 5º O prazo referido no 3º ficará suspenso enquanto a contratada não cumprir os atos ou apresentar a documentação solicitada pela contratante para a comprovação da variação dos custos; 6º O órgão ou entidade contratante poderá realizar diligências para conferir a variação de custos alegada pela contratada. 7º As repactuações a que o contratado fizer jus e não forem solicitadas durante a vigência do contrato, serão objeto de preclusão com a assinatura da prorrogação contratual ou com o encerramento do contrato. (Grifo nosso) 9. Da leitura dos dispositivos, verifica-se que o contratado, cuja proposta se deu com base em convenção coletiva, fará jus à repactuação a partir da data em que for atingida a periodicidade mínima exigida, ou seja, um ano a contar da data do acordo, convenção ou dissídio coletivo de trabalho, vigente à época da apresentação da proposta. 4/5

5 10. Além disso, segundo o art. 40, da citada IN, o pedido de repactuação deve ser acompanhado de demonstração analítica da alteração dos custos por meio do novo instrumento coletivo, sendo vedada a inclusão, por ocasião da repactuação, de benefícios não previstos na proposta inicial, exceto quando se tornarem obrigatórios por força de instrumento legal, sentença normativa, acordo coletivo ou convenção coletiva. 11. Em outras palavras, respeitada a respectiva data-base, a repactuação dos custos decorrentes de mão de obra deverá ser com espeque na convenção coletiva utilizada na elaboração da proposta de preços na licitação, somente sendo possível a concessão de adicionais e outros benefícios não previstos na proposta inicial, caso estes se tornem obrigatórios em razão de previsão em nova CCT, instrumento legal ou sentença normativa. 12. Em face do exposto, no caso concreto, somos de parecer pela impossibilidade de concessão da repactuação solicitada pela contratada, com base em convenção coletiva diferente da adotada inicialmente na formulação da proposta. À consideração superior. Brasília, de janeiro de MÁRCIA BARROS DE OLIVEIRA CORAG/AUDIN ROGÉRIO DE CASTRO SOARES Coordenador de Orientação de Atos de Gestão Substituto De acordo. À consideração do Senhor Auditor-Chefe. Aprovo. Encaminhe-se à PR/AP e à SEAUD. Em / 1 / 2015 MARA SANDRA DE OLIVEIRA Secretária de Orientação e Avaliação SEBASTIÃO GONÇALVES DE AMORIM Auditor-Chefe 5/5

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