Maksen REDUZIR A ATUAL DEFASAGEM DAS REDES DE TELECOMUNICAÇÃO BRASILEIRAS DEMANDA SUPERAR UM COMPLEXO CONTEXTO REGULATÓRIO

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1 Maksen REDUZIR A ATUAL DEFASAGEM DAS REDES DE TELECOMUNICAÇÃO BRASILEIRAS DEMANDA SUPERAR UM COMPLEXO CONTEXTO REGULATÓRIO SÓ O TOTAL DE DADOS TRAFEGADO VIA CELULAR EM 2013 FOI 18 VEZES MAIOR DO QUE O TAMANHO ESTIMADO DE TODA A INTERNET NO ANO 2000 Desde seu início, com a invenção do telégrafo eletromagnético em 1837, o setor das telecomunicações, com suas tecnologias e serviços, vem radicalmente alterando a sociedade e o ambiente de negócios. Entre a infinidade de benefícios promovidos pelo setor, destacam-se: aumento na produtividade do trabalho e uma dramática economia nos tempos de deslocamento e troca de informação. Toda essa evolução nas telecomunicações foi seguida de um aumento exponencial no uso e transmissão de dados, necessitando grandes investimentos em computadores, softwares e, especialmente, capacidade de transmissão das redes. Só para dar uma ideia desse aumento: dados trafegados por celulares no ano de 2013 foi irão compor cerca de 60% do total de celulares em uso e o volume de dados (medido em bytes) trafegados por estes dispositivos ainda crescerá cerca de 10 vezes até lá. VOLUME DE DADOS DO BRASIL CRESCE 3 VEZES MAIS RÁPIDO DO QUE A MÉDIA MUNDIAL O Brasil não destoa desta realidade e vem, inclusive, apresentando um crescimento no tráfego de dados muito acima da média global. Segundo a Cisco, a taxa de crescimento deste volume no período de 2001 até média mundial (Gráficos 1 e 2). 1

2 Gráficos 1 e O tráfego de dados no Brasil cresce acima da média global Evolução do tráfego de dados no mundo (em EB) Evolução do tráfego de dados no Brasil (em EB) + 255% + 733% , ,4 0,6 0,9 1,6 2, EB (Exabyte) = GB Fonte: Cisco VNI Global Forecast, Observação: gráficos fora de escala No entanto, esta transformação vem evidenciando pontos de atenção relevantes, como: absoluta de internautas, mas ocupou a 86ª em termos apresenta uma taxa de penetração da banda larga fixa inferior a das principais economias da América Latina (Argentina e México, conforme Gráfico 3 abaixo), e uma taxa de banda larga móvel também inferior a das (Gráfico 4 abaixo) Gráficos 3 e Taxas tímidas de penetração da banda larga fixa e móvel no Brasil Gráfico 3 Taxa de penetração da banda larga fixa por 100 habitantes em Coréia do Finlândia Cingapura Estados Sul Unidos Australia India Argentina México Colômbia Brasil Gráfico 4 Taxa de penetração da banda larga móvel por 100 habitantes em 2012 Coréia do Finlândia Cingapura Estados Sul Unidos Fonte: The State of Broadband 2012: Achieving Digital Inclusion for all Australia India Argentina México Colômbia Brasil Dessa forma, evidencia-se um cenário brasileiras poderão não estar preparadas para suportar de modo contínuo e estável o volume adicional de dados projetado para os próximos anos. Isso é especialmente alarmante, 10% na taxa de penetração da banda larga pode gerar um aumento de até 1,38% no PIB para países em desenvolvimento. Quando adicionamos a este fraco segundo o Banco Mundial, cerca de US$ 145 bilhões já foram investidos telecomunicações no país (Gráfico 5), começamos a perceber a real gravidade da lacuna existente nas redes nacionais. 2

3 Gráfico Investimentos com participação privada em telecomunicações (em US$ bilhões) 28,3 0,7 5,6 10,5 10,1 13,2 4,1 3,2 4,7 5,8 6,1 6,9 10,8 7,1 9,1 12,8 11, Fonte Banco Mundial BRASIL INVESTIU NO ACUMULADO DE 14 ANOS APENAS O EQUIVALENTE A US$ 731 POR HABITANTE EM REDES DE TELECOMUNICAÇÃO investimentos em telecomunicações do Brasil contra do Sul) e outro com tamanho superior ao do Brasil (Estados Unidos). Calculou-se o valor investido em telecomunicações per capita. Devido à indisponibilidade de uma única fonte de dados foram utilizados dados de investimentos públicos em telecomunicações dos Estados Unidos e Coreia do Sul (países membros da OECD) e os dados de investimentos com participação privada do Brasil (disponível via Banco Mundial), conforme demonstrado no Gráfico 6 abaixo. para cada habitante apenas US$ 731, ou seja, cerca de nível de desenvolvimento destes países, o Brasil precisaria investir muito mais por pessoa só para compensar a defasagem registrada no período analisado. 1 Gráfico Investimentos em telecomunicações per capita (em US$/hab.) $450 $400 $350 $300 $250 $200 $150 $100 $50 $ Acumulado no período Em US$ ~3.623 ~1.796 ~731 Fonte: OECD, Banco Mundial 1 Para Estados Unidos e Coreia do Sul foram considerados somente investimentos públicos, en uanto ue para o Brasil foram considerados somente os investimentos com participação privada 3

4 Esta é uma análise simples, porém efetiva, para evidenciarmos a lacuna nos investimentos, pois: facilita em termos de tempo e investimento a instalação das redes de fibra ótica por todo o território, o país também possuía uma empresa estatal no controle de toda a rede de telecomunicações, mas em massificação e, em 2002, o país já possuía o maior índice de penetração na lista dos países da OCDE. Estados Unidos também apresentam uma grande população, vastas extensões territoriais (superiores as medidas brasileiras) e regiões de vazios demográficos. Além disso, o país também desenvolveu somente nas últimas décadas um plano para dinamizar o setor e promover a massificação da banda larga. extensão ou capacidade econômica, conseguiram promover uma evolução mais robusta de suas redes, de modo geral e de maneira mais destacada na banda Para entender, portanto, como chegamos a esta A FALTA DE RECURSOS ANTES DA PRIVATIZAÇÃO E O AMBIENTE REGULATÓRIO COMPLEXO QUE SE SEGUIU FORAM OS PRINCIPAIS FATORES CAUSADORES DA DEFASAGEM NAS REDES Resumidamente, podemos dividir a trajetória das dos, conforme o Quadro 1 abaixo: Quadro 1 Trajetória das telecomunicações brasileiras - principais características Pré-privatização (até1995) Privatização ( ) Pós-privatização (desde 1999) Falta de uma agenda de integração nacional Falta de coordenação das ações Alta ineficiência do mercado Falta de regulamentações e investimentos públicos ou privados Limitada promoção da livre competição Proibição à expansão para diferentes serviços, limitando economias de escala e reinvestimentos privados Licenciamento tardio de múltiplos participantes por área de atuação, permitindo monopólios ou duopólios regionais Incentivos imprecisos para a universalização dos serviços Consolidação do mercado Expansão da regulamentação para a banda larga Regulamentação mantendo a competição por infraestrutura ao invés do compartilhamento de redes Criação de fundos para investimentos nas telecomunicações começou a se formar ainda durante o período anterior à privatização, mais notadamente ao longo da década conseguiu sustentar um patamar de investimentos suficiente para continuamente ampliar e modernizar as redes de telecomunicações. Com o advento da privatização, o governo adotou o papel de regulador do setor e da estrutura do mercado e o setor ganhou uma nova dinâmica. Essas definições, entretanto, resultaram em imperfeições de mercado, como: construção das redes, com muitas particularidades regionais (exemplo: regras para instalação de antenas variam de município para município); dos serviços e na exclusão de parte da população brasileira; e regras para destinação dos fundos, ver abaixo), dificultando a realização dos investimentos públicos. MAIS DE R$ 60 BILHÕES DISPONÍVEIS EM FUNDOS SETORIAIS Talvez um dos pontos mais emblemáticos para ilustrar fundos para o setor (pagos por operadoras e consumidores) e, dos mais de R$ 60 bilhões disponíveis (Gráfico 7), pouco vem sendo utilizado devido a entraves e indefinições regulamentares (Quadro 2). 4

5 Gráfico 7 Arrecadação e uso dos fundos setoriais Quadro 2 Caracterização e situação dos fundos R$ Bn FISTEL FUST FUNTTEL 50,0 3,5 Fundo Objetivo Situação 40,0 30,0 49,4 FISTEL Fundo de Fiscalização das Telecomunicações Cobrir despesas de fiscalização (ANATEL) Governo vetou em 2012 o uso de recursos do fundo para investimentos na área de telecomunicações 20,0 10,0 0,0 0,0 16,0 0,8 4,5 Arrecadado Investido Arrecadado Investido Arrecadado Investido FUST Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações Estimular a universalização dos serviços Focado inicialmente para o desenvolvimento da telefonia fixa, o uso do fundo para a expansão da banda larga está atualmente em discussão Fonte: Telebrasil FUNTTEL Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações Ampliar a competitividade do setor Sendo mobilizado para fornecer cerca de R$ 1,5 bilhão para o programa Inova Telecom (cerca de R$ 65,6 bilhões) fosse integralmente investido no setor ao longo de um único ano, o valor habitante (supondo população aproximada de 200 milhões de pessoas), muito distante do patamar necessário para reduzir significativamente a lacuna anteriormente destacada. Dois fatos adicionais contribuem para o agravamento com a expansão da banda larga para fora das regiões metropolitanas, onde o tráfego de dados é menor; rede existente. apesar do aumento da demanda, os investimentos na demais (Gráfico 8). Gráfico Evolução dos investimentos (em R$ bilhões) Inves mentos Fixo Inves mentos Móvel Inves mentos Banda Larga Fixa Inves mentos Totais Fonte: Anatel EXPERIÊNCIAS DE SUCESSO IDENTIFICADAS A PARTIR DA ANÁLISE COMPARATIVA DE PAÍSES DE REFERÊNCIA, DE GRANDE EXTENSÃO TERRITORIAL E DE CONTEXTO POLÍTICO-ECONÔMICO SIMILAR Com base nessas conclusões, o próximo passo foi avaliar o modo como diversos países atuaram para promover o desenvolvimento de suas redes de telecomunicações, considerando os aspectos de: 5

6 Como a adoção de um único critério poderia suscitar países analisados e aumentar, portanto, a relevância e a profundidade do benchmarking. países: o primeiro composto por países de ponta no setor (conforme ranking Network Readiness Index do Fórum Econômico Mundial); o segundo formado por nações com grande extensão territorial (Km2); e, o terceiro, formado pelos maiores países latino americanos (contexto político-econômico similar). Com a lista de países definida, o próximo passo foi realizar um levantamento país-a-país do plano para o setor de telecom e, mais detalhadamente, do plano de desenvolvimento da banda larga, se existente os dias atuais. Dessa forma, mais de 100 diferentes medidas entre políticas, programas e projetos já implantados ou em implantação - foram inicialmente identificadas, com uma segunda avaliação restringindo esse total para apenas 40. adotadas de forma mais estruturada e madura pelo para detalhamento e priorização. MAIOR PROMOÇÃO DA BANDA LARGA SEM FIO E REGULAÇÃO DA COMPETIÇÃO O resultado dessa análise foi a priorização de dois tipos complementares de medidas: 1) Promoção da banda larga sem fio Devido à grande extensão do Brasil, o investimento em redes de banda larga sem fio é vital para expandir Só para dar uma ideia, com uma extensão de cerca de permitiria ampliar marginalmente o backbone do Estado de Minas Gerais, consumindo por volta de R$ 150 milhões e demorando mais de dois anos para ser concluído. metropolitanas demandem redes mais robustas e de fibra ótica, é inevitável expandir ao redor destas a rede de banda larga sem fio. Para auxiliar nesse sentido, destacam-se as medidas de: envolve mudanças na estrutura da rede e também a compra de celulares mais modernos; e satélites nas regiões mais remotas do país. 2) Promoção de uma regulação que estimule a competição e o compartilhamento das redes A Anatel deve continuar avançando com a implantação do Plano Geral de Metas da Competição (PGMC) e o Sistema Nacional de Oferta no Atacado (SNOA) de modo a minimizar imperfeições de mercado em regiões com altas barreiras de entrada e sem perspectivas de uma competição mais efetiva. PGMC e SNOA compreende um pacote de medidas capaz de estimular um sistema de compra e venda no consigam alugar a estrutura de rede necessária para prestar seus serviços. Outro ponto importante seria fornecer incentivos para a substituição de tecnologias legadas (como TDM), cuja manutenção resulta em um elevado patamar de OpEx e restringe o volume de recursos disponível para investimentos em expansão e modernização das redes. MOVIMENTAÇÕES DO MERCADO PARA DINAMIZAR O SETOR: OPERADORAS DE REDE VIRTUAL (MVNO) E INTENSIFICAÇÃO DAS FUSÕES & AQUISIÇÕES capilaridade, mas reduzir os custos incorridos com a operação das redes, ajuda a entender os recentes setor, a saber: o compartilhamento de ativos e de capacidade da rede é uma maneira de otimizar a estrutura já forma poderiam ser utilizados para duplicar a cobertura já existente em uma região. também tem promovido o compartilhamento da carteira de clientes e reforçado o portfólio das operadoras (cada vez mais pressionadas pelo público a oferecer uma gama completa e integrada de serviço). de fusão Oi-Portugal Telecom (PT) e a gradual consolidação das operações de Claro, Net e Embratel (grupo América Móvil). Além destas, podemos citar 6

7 acabou de aumentar sua presença no Brasil após a compra da DirecTV). Operadoras de Rede Móvel Virtual), já começaram a estruturar suas operações em regiões do país, como a Vodafone e a Virgin, onde o mercado da telefonia celular já se encontra mais maduro e há possibilidade de desenvolver uma proposição de valor muito específica e focada no atendimento de nichos de mercado. Esse também é um desdobramento importante para dinamizar o mercado, pois permite não só otimizar o uso da capacidade das redes já instaladas, como também capturar e compartilhar com a operadora da rede um valor acima da média de mercado graças aos seus serviços e modelo de atuação diferenciado. Estes movimentos recentes demonstram, portanto, proativas na diminuição da lacuna de infraestrutura sinaliza oportunidades relevantes, tanto para geração Maksen Consulting Technology Engineering Outsourcing A Maksen foi criada em 2003 com o objetivo de prestar serviços de consultoria estratégica e de negócio, de sistemas de informação e de engenharia/redes de comunicações, apostando nos mais elevados níveis de rigor, profissionalismo, inovação e processos e análises económico-financeiras; sistemas e tecnologias de informação; engenharia e redes de comunicações. Estudo realizado pela Informações adicionais em: Maksen. All rights reserved. 7

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