Propriedades físicas de um Cambissolo submetido a períodos de pastejo rotacionado

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1 Propriedades físicas de um Cambissolo submetido a períodos de pastejo rotacionado Rostirolla, P. 1 ; Miola, E. C. C. 2 ; Suzuki, L. E. A. S. 1 ; Bitencourt Junior, D. 3 ; Matieski, T. 1 ; Moreira, R. M. 1 ; Pauletto, E. A. 1 1 Universidade Federal de Pelotas, Campus Porto, Caixa Postal 354, CEP , Pelotas/RS, Universidade Federal de Santa Maria, Av. Roraima 1000, CEP , Santa Maria/RS, 3 Instituto Federal Sul Rio-Grandense, Campus CAVG, Av. Ildefonso Simões Lopes 2791, Pelotas/RS, Resumo A compactação do solo causada pelo intenso pisoteio animal tem preocupado produtores e técnicos rurais. Nesse sentido, objetivou-se avaliar o tempo de pastejo e a presença e ausência de pastejo rotacionado, sobre a porosidade e densidade de um Cambissolo de origem sedimentar, em Santa Catarina. Verificou-se que o pastejo rotacionado durante 3 meses, com menor tempo da área sob pousio, aumentou a macroporosidade e a porosidade total do solo comparado ao pastejo rotacionado durante 2 meses. Até o momento, a presença de pastejo rotacionado durante 3 meses tem melhorado a macroporosidade e a porosidade total do solo, comparado à área em pousio e ao pastejo rotacionado durante 2 meses. Introdução O pisoteio intenso de animais tem causado preocupação a produtores rurais e técnicos devido à possibilidade de compactação superficial, com consequente redução da aeração e infiltração de água e, aumento da resistência do solo à penetração, restringindo o crescimento radicular e a produtividade das plantas. Considerando o fato de os animais não permanecerem estáticos na área, é comum observar em sistemas de pastejo pontos mais compactados (correspondentes às marcas dos cascos) distribuídos desuniformemente no solo. No entanto, com o passar do tempo, a tendência é a área ficar praticamente toda compactada (Lima et al., 2004). Collares (2005) verificou em propriedades agrícolas do planalto gaúcho que houve compactação provocada pelo gado leiteiro em Latossolo, com aumento da densidade e da resistência à penetração e redução da macroporosidade. Com o objetivo de otimizar o uso do solo visando maiores rendas, o produtor acaba degradando o solo pelo seu uso intensivo e inadequado. Outra causa de degradação em áreas cultivadas é a compactação do solo causada pelo intenso tráfego de máquinas e implementos agrícolas e pelo

2 pisoteio animal. Quando estes dois sistemas são utilizados de modo integrado, os efeitos negativos se somam, causando danos tanto na produtividade das culturas anuais quanto na pastagem. O presente trabalho teve por objetivo avaliar o tempo de pastejo rotacionado durante o inverno inverno e a presença e ausência de pastejo, sobre a porosidade e densidade de um Cambissolo de origem sedimentar, em Santa Catarina. Material e Métodos A área experimental está localizada no campus do Instituto Federal Tecnológico Catarinense (IFET Catarinense), município de Rio do Sul, Santa Catarina. A altitude da região é de aproximadamente 700 m e o clima predominante na região é o subtropical com uma transição para Cfb. No período do inverno a região apresenta baixa luminosidade e insolação média de 5 horas por dia. A temperatura média anual é de 18ºC (máxima de 34ºC e mínima de 10ºC) e a umidade relativa do ar em torno de 68,7%. O experimento foi instalado em um Cambissolo de origem sedimentar, organizado em um delineamento de blocos ao acaso, com três blocos. O trabalho iniciou em 2005 com o plantio de pastagem para obtenção de biomassa para a cultura do milho. O experimento consta de plantio de milho para silagem, um período de pousio e plantio de pastagem, sendo dois tratamentos avaliando tempo de pastejo rotacionado (2 e 3 meses) (Figura 1), subdivididos em presença e ausência de pastejo de gado leiteiro. A carga animal utilizada nos anos 2007/2008 foi de kg/300m 2 e permanência nas parcelas durante 30 a 40 minutos/dia, durante três dias, e a disponibilidade mínima para entrada foi de kg matéria seca/ha e para saída a altura residual de 7 a 10 cm. Em um dos tratamentos o plantio do milho é feito em outubro/novembro e a colheita em março, permanecendo a área sob pousio e, em seguida, plantio da pastagem, ficando na área por aproximadamente dois meses. No outro tratamento, o milho safrinha é semeado em janeiro/fevereiro, sendo colhido em maio, e até o plantio da pastagem, que permanece na área por aproximadamente três meses, a área fica sob pousio A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J : 2 meses Pastagem Milho Pousio Pastagem Milho Pousio CS * : 3 meses Pastagem Milho Pousio Pastagem Milho Pousio CS Figura 1. Esquema representativo dos períodos e culturas envolvidas no experimento. * CS: coleta de solo. As coletas de solo com sua estrutura preservada foram realizadas no período de outubro a novembro/2007 no tempo de pastejo de 2 meses, e janeiro/2008 para o tempo de 3 meses. Seis

3 amostras por parcela e profundidade foram coletadas nas camadas de 0 a 5; 5 a 10; 10 a 15 e 15 a 20 cm, totalizando 18 amostras por tratamento e profundidade. As amostras coletadas foram saturadas e encaminhadas à mesa de tensão à 6 kpa, onde permaneceram por aproximadamente dois dias. A seguir as amostras foram levadas à estufa, onde permaneceram mais dois dias a uma temperatura média de 105 O C. Utilizando essas informações, calculou-se a macroporosidade (poros de diâmetro maior que 50 µm), a microporosidade (poros de diâmetro menor que 50 µm), a porosidade total (EMBRAPA, 1997) e a densidade do solo (Blake & Hartge, 1986). A análise estatística foi realizada através da análise de variância considerando o tempo de pastejo rotacionado (2 ou 3 meses), pastejo (com ou sem pastejo) e camada do solo (0-5, 5-10, 10-15, cm). A comparação de médias considerou o teste de Tukey a 5% de significância. Resultados e Discussão A análise de variância indicou significância para macroporosidade nas causas de variação tempo de pastejo e pastejo, e para a porosidade total foi significativo a causa de variação tempo de pastejo (Tabela 1). Tabela 1. Análise de variância para tempo de pastejo, pastejo e camada de solo. Porosidade Causa de variação Densidade Macro Micro Total ns ** ns ** Pastejo ns * ns ns Camada ns ns ns ns x Pastejo ns ns ns ns x Camada ns ns ns ns Pastejo x Camada ns ns ns ns x Pastejo x Camada ns ns ns ns : 2 ou 3 meses; Pastejo: com ou sem pastejo; Camada: 0-5, 5-10, 10-15, cm. ns: não significativo; ** significativo a 1% de probabilidade; * significativo a 5% de probabilidade. A densidade do solo não foi influenciada pelo tempo de pastejo rotacionado (2 ou 3 meses) nem pela presença ou ausência de pastejo (Tabela 1). Independente do tratamento, a densidade do solo foi menor na camada superficial do solo (0 a 5 cm), fato que pode estar associado ao grande volume de raízes do milho e da pastagem nessa camada, ao aporte de resíduos orgânicos e matéria orgânica, além da ação dos discos da adubadora-semeadora (Tabela 2). Um incremento da densidade foi observado na camada de 5 a 15 cm, podendo estar relacionado ao tráfego de máquinas na área para colheita e semeadura das gramíneas. As tensões aplicadas na superfície do solo são transmitidas em profundidade, e essa profundidade de distribuição depende das características da máquina e do solo (Reichert et al., 2007). Com o passar do tempo pode ser que essas diferenças da densidade entre as camadas do solo se tornem mais pronunciadas no caso de um manejo inadequado do solo.

4 Embora a diferença absoluta no valor de macroporosidade entre os tempos de pastejo tenha sido mínimo (Tabela 3), houve diferença significativa, tendo o tempo de pastejo de 3 meses maiores valores. Da mesma forma, a presença e ausência de pastejo também afetaram significativamente a macroporosidade, sendo os maiores valores verificados na área pastejada. Tabela 2. Valores médios de densidade do solo (Mg m -3 ) considerando o tempo de pastejo, presença ou ausência de pastejo e camada do solo ,43 1,40 1, ,48 1,48 1, ,48 1,46 1, ,47 1,45 1,46 Média 1,47 1, ,46 1,47 1, ,48 1,52 1, ,49 1,57 1, ,43 1,52 1,47 Média 1,46 1,52 Tabela 3. Valores médios de macroporosidade (m 3 m -3 ) do solo considerando o tempo de pastejo, presença ou ausência de pastejo e camada do solo ,09 0,11 0, ,08 0,10 0, ,09 0,11 0, ,08 0,11 0,10 Média 0,08 ba 0,11 aa 0-5 0,06 0,09 0, ,08 0,08 0, ,08 0,06 0, ,08 0,07 0,08 Média 0,08 aa 0,07 ab Médias seguidas pela mesma letra, minúscula na linha e maiúscula na coluna, não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey a 5% de significância.

5 A microporosidade foi levemente superior no período de pastejo rotacionado de 3 meses (Tabela 4), embora não significativamente (Tabela 1), enquanto a porosidade total foi maior no tempo de pastejo de 3 meses, e diferiu significativamente da área sob pastejo durante 2 meses (Tabela 5). Tabela 4. Valores médios de microporosidade (m 3 m -3 ) do solo considerando o tempo de pastejo, presença ou ausência de pastejo e camada do solo ,34 0,33 0, ,32 0,33 0, ,31 0,34 0, ,33 0,36 0,35 Média 0,33 0, ,31 0,33 0, ,31 0,35 0, ,33 0,35 0, ,33 0,36 0,34 Média 0,32 0,35 Tabela 5. Valores médios de porosidade total (m 3 m -3 ) do solo considerando o tempo de pastejo, presença ou ausência de pastejo e camada do solo ,43 0,44 0, ,41 0,43 0, ,40 0,46 0, ,41 0,47 0,44 média 0,41 b 0,45 a 0-5 0,37 0,42 0, ,39 0,43 0, ,41 0,42 0, ,41 0,43 0,42 média 0,40 a 0,42 a Médias seguidas pela mesma letra, na linha, não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey a 5% de significância.

6 Os macroporos estão relacionados com processos vitais para as plantas, devendo ser preservados (Spera et al., 2006). Nesse sentido, para permitir as trocas gasosas e o crescimento de raízes da maioria das culturas, os macroporos devem ser superiores a 0,10 m 3 m -3. A macroporosidade apresentou-se como um atributo sensível às alterações no solo decorrente do sistema de manejo adotado, fato também observado por outros autores (Trein et al., 1991). O aporte de resíduos e o controle da permanência dos animais na área podem estar contribuindo para a melhor porosidade na área de pastejo rotacionado durante 3 meses. Conclusões A presença de pastejo rotacionado aumenta a macroporosidade do solo em relação à ausência de pastejo. O pastejo rotacionado durante 3 meses, com menor tempo da área sob pousio, aumenta a macroporosidade e a porosidade total do solo, comparado ao pastejo rotacionado durante 2 meses, sendo considerado, até o momento, o melhor sistema. Agradecimentos Ao Instituto Federal Tecnológico Catarinense (IFET Catarinense), Campus Rio do Sul, pela disponibilidade da área experimental e auxílio na condução do experimento. Literatura Citada BLAKE, G.R.; HARTGE, K.H. Bulk density. In: KLUTE, A. Methods of soil analysis: Physical and mineralogical methods. 2 nd. Madison: American Society of Agronomy, Soil Science Society of America, part 1, p COLLARES, G.L. Compactação em Latossolos e Argissolo e relação com parâmetros de solo e de plantas f. Tese (Doutorado em Ciência do Solo) Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria. EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de Solos (Rio de Janeiro, RJ). Manual de métodos de análise de solo. 2. ed. rev. atual. Rio de Janeiro, p. LIMA, C.L.R. et al. Compressibilidade de um solo sob sistemas de pastejo rotacionado intensivoirrigado e não irrigado. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v.28, p , REICHERT, J.M. et al. Compactação do solo em sistemas agropecuários e florestais: identificação, efeitos, limites críticos e mitigação. In: CERETTA, C.A.; SILVA, L.S.; REICHERT, J.M. Tópicos em Ciência do Solo, volume v. Viçosa: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, p SPERA, S.T. et al. Efeito de pastagens de inverno e de verão em características físicas de solo sob plantio direto. Ciência Rural, v.36, p., TREIN, C.R. et al. Métodos de preparo do solo na cultura do milho e ressemeadura do trevo, na rotação aveia + trevo/milho, após pastejo intensivo. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v.15, p , 1991.

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