GALBA TACIANA SARMENTO VIEIRA

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1 GALBA TACIANA SARMENTO VIEIRA

2 No Brasil, a questão do combate ao uso de drogas teve início na primeira metade do século XX, nos governos de Eptácio Pessôa e Getúlio Vargas; A primeira regulamentação sobre drogas data de 1921, Decreto Seguindo-se do Decreto Lei 891/1938, Lei de Fiscalização de Entorpecentes, posteriormente incorporado ao artigo 281 do Código Penal ( KARAN APUD UCHÔA et al., 2011:179); Na década de 70, é sancionada a Lei 6.368, conhecida como Lei de Entorpecentes;

3 A Lei de Entorpecentes contêm regras relativas à prevenção (arts 1 a 7), tratamento e prevenção (arts 8 a 11), crimes e penas pertinentes ao tema (arts. 12 ao 19), além do procedimento criminal que deveria ser obedecido na apuração dos delitos. Esta lei, fortemente influenciada pela conjuntura política dos anos de 1970, anos da ditadura militar brasileira, buscou conter o avanço do consumo de drogas no país, através de mecanismos de repressão-militar. No entanto, somente as drogas consideradas ilícitas foram criminalizadas de todas as formas ( produção, comércio e consumo), enquanto que as drogas consideradas consideradas lícitas, como o álcool, o tabaco e medicamentos psicotrópicos, que também podem causar danos, foram deixadas de lado. ( UCHÔA et al., 2011: 180)

4 A Lei de Entorpecentes esteve em vigor no Brasil por 30 anos; A partir de 1988, foram criados o então Conselho Nacional Antidrogas ( CONAD) e a Secretária Nacional Antidrogas ( SENAD); Nos anos 90, o Governo Brasileiro construiu a então Política Nacional Antidrogas PNAD, englobando ações na área de prevenção, tratamento, repressão, estudos, pesquisas, entre outros; no entanto, a PNAD apenas foi sancionada em 2001; Em 2001, a Medida Provisória alterou o artigo 3 da Lei 6.368/76, instituindo o Sistema Nacional Antidrogas;

5 Em 2002, o Governo Brasileiro sancionou a Lei , que dispôs sobre prevenção, o tratamento, a fiscalização, o controle e a repressão à produção, ao uso e ao tráfico ilícitos de produtos, substâncias ou drogas ilícitas que causam dependência física ou psíquica, assim elencados pelo Ministério da Saúde ( UCHÔA et al., 2011: 181); Apesar das iniciativas do Governo Brasileiro, a política de drogas conduzida até então no país, reduzia-se à inibição da oferta de substâncias ilícitas, conforme acordado em convenções internacionais, com atuações repressivas, em detrimento das preventivas, de tratamento e de promoção social dos dependentes. (UCHÔA et al., 2011:181)

6 Em 2003, o Ministério da Saúde influenciado pelos movimentos sociais de defesa dos usuários (Ex. ABORDA) instituiu a Política de Atenção Integral a Usuários de Drogas ; a qual incorpora a perspectiva/ paradigma da Redução de Danos; A dependência de drogas é transtorno onde predomina a heterogeneidade, já que afeta as pessoas de diferentes maneiras, por diferentes razões, em diferentes contextos e circunstâncias. Muitos consumidores de drogas não compartilham da expectativa e desejo de abstinência dos profissionais de saúde, e abandonam os serviços. Outros se quer procuram tais serviços, pois não se sentem acolhidos em suas diferenças. Assim o nível de adesão ao tratamento ou práticas preventivas e de promoção é baixo, não contribuindo para a inserção social e familiar do usuário. ( BRASILa, 2003: 08)

7 Em 2004, foi efetuado o processo de realinhamento e atualização da política, por meio da realização de um Seminário Internacional de Políticas Públicas sobre Drogas, seis fóruns regionais um Fórum Nacional sobre Drogas; Com ampla participação popular, embasada em dados epidemiológicos atualizados e cientificamente fundamentados, a política realinhada passou a chamar-se Política Nacional sobre Drogas (PNAD); (SENADb, 2011: 219)

8 Em 2006 o Governo Brasileiro revoga as Leis 6.368/76 e /02 e sanciona a Lei , que institui o Sistema Nacional de Política Públicas sobre Drogas- SISNAD; prescreve medidas para prevenção ao uso indevido, atenção e reinserção ao uso indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependente de drogas; estabelece normas para a repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas, define crimes e dá outras providências. (BRASILb, 2006)

9 O Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas, regulamentado pelo Decreto de 27 de setembro de 2006, tem os seguintes objetivos: I- Contribuir para a inclusão social do cidadão, tornandoo menos vulnerável assumir comportamentos de risco para o uso indevido de drogas, tráfico e outros comportamentos relacionados; II- Promover a construção e a socialização do conhecimento sobre drogas no Brasil;

10 III - Promover a integração entre as políticas de prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas; IV- Reprimir a produção não autorizada e o tráfico ilícito de drogas; V- Promover as políticas públicas setoriais do Poder Executivo da União, Distrito Federal, Estados e Municípios; ( SENADa, 2011: 36)

11 Um dos principais avanços da Lei /2006 é a distinção entre usuários/ dependentes de drogas e traficantes. A Lei mantém a criminalização da produção e do comércio ( tráfico) de drogas, mas não mais aplica pena privativa de liberdade aos usuários e dependentes de drogas. ( UCHÔA et al, 2011: 184 ) Em seu artigo 28, a Lei /2006 delibera: Quem adquirir, guardar, tiver ou depositar, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em descordo com a determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes normas: advertência sobre os efeitos das drogas, prestação de serviços à comunidade, medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. ( BRASILb, 2006)

12 Em 23 de julho de 2008, foi instituída a Lei , através da qual o Conselho Nacional Antidrogas passou a se chamar Conselho Nacional sobre Drogas (CONAD). A nova Lei também alterou o nome da Secretária Nacional Antidrogas para Secretária Nacional de Políticas sobre Drogas SENAD; (SENADa, 2011: 36) São atribuições da SENAD: - Articular e coordenar as atividades de prevenção do uso indevido, de atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas; - Consolidar a proposta de atualização da Política Nacional sobre Drogas ( PNAD) na esfera de sua competência;

13 - Consolidar a proposta de atualização da Política Nacional sobre Drogas ( PNAD) na esfera de sua competência; - Definir estratégias e elaborar planos, programas e procedimentos para alcançar as metas propostas na PNAD e acompanhar sua execução; - Gerir o Fundo Nacional Antidrogas e o Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas; - Promover o intercâmbio com organismos internacionais na sua área de competência; ( SENADa, 2011: 36-37)

14 A Política Estadual sobre Drogas de Pernambuco foi instituída pela Lei /, de 26 de dezembro de 2011; São princípios norteadores da Política Estadual sobre drogas: I -Respeito à dignidade da pessoa humana, com a promoção e garantia da cidadania e dos direitos humanos, para usuários e dependentes de drogas; II - Transversalidade de suas ações e a não discriminação de usuários e dependentes de drogas por motivo de gênero, condição sexual, origem étnica ou social, deficiência, procedência, nacionalidade, atuação profissional, religião, faixa etária ou situação migratória;

15 III - Universalidade de acesso às ações e aos serviços destinados à acolhida, tratamento, proteção, reinserção social e inclusão produtiva de usuários e dependentes de drogas; IV - Apoio à família, enquanto núcleo privilegiado de acolhimento e apoio para usuários e dependentes; V - Responsabilidade compartilhada entre sociedade civil e governo na definição de estratégias de prevenção, assistência e avaliação de ações.

16 REFERÊNCIAS O uso de substâncias psicoativas no Brasil: Epidemiologia, Legislação, Políticas Públicas e Fatores Culturais: módulo 1/ coordenação do módulo Tarcísio Matos de Andrade- 4 ed. Brasília: Secretária Nacional de Políticas sobre Drogas- SENADa 2011; BRASILa. Política de Atenção Integral a Usuários de Álcool e outras Drogas. Ministério da Saúde. Brasília:2003; BRASILb. Lei Federal /2006 de 23 de agosto de Instituiu o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas; prescreve medidas para prevenção do uso indevido de drogas; estabelece normas para repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas; define crimes e dá outras providências. Brasília: Secretária Nacional de Políticas sobre Drogas, 2006;

17 REFERÊNCIAS Prevenção ao uso indevido de drogas : Capacitação para Conselheiros e Lideranças Comunitárias.- 4 Brasília: Ministério da Justiça. Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas- SENADb 2011; UCHÔA, Roberta / Pollyana Pimentel/ Paula Moraes. Drogas e Políticas Públicas: uma análise dos planos de Enfrentamento à Problemática do Crack no Brasil. In: Estudos Universitários. Revista de Cultura 28/ Dezembro Dossiê Sobre Drogas. Vol 28/ número 9/ dez 2011.Ed. Universitária, UFPE.

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