PERFIL DAS IDOSAS RASTREADAS PARA O CÂNCER DO COLO DO ÚTERO EM CRUZ ALTA, RS

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1 PERFIL DAS IDOSAS RASTREADAS PARA O CÂNCER DO COLO DO ÚTERO EM CRUZ ALTA, RS CERBARO, Kamila 1 ; GARCES, Solange Beatriz Billig 2 ; HANSEN, Dinara 2 ; ROSA, Carolina Böettge 2 ; BRUNELLI, Ângela Vieira 2 ; BIANCHI, Patrícia Dall'Agnol 2 ; ZANELLA, Janice 3 ; LUNGE, Vagner Ricardo 4 ; COSER, Janaina 5 Palavras-Chave: Idosas. Câncer cervical. Papanicolaou Introdução O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou no último Censo, que a população brasileira envelhece cada vez mais. Em comparação aos dados ao ano de 2000, houve um aumento de 41,65% da população de idosos, sendo as regiões Sudeste e Sul as mais envelhecidas do País. Com uma população total estimada em habitantes sendo pessoas com mais de 60 anos, o município de Cruz Alta vem passando pelo mesmo processo de envelhecimento (IBGE, 2010). Em 2008, a Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC) divulgou que o crescimento populacional, bem como seu envelhecimento, afetará de forma significativa o impacto do câncer no mundo. Por isso, as medidas de prevenção desta doença devem ser reforçadas com o intuito de reverter esta situação (INCA, 2009). No Brasil, as estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam para os anos de 2012 e 2013, a ocorrência de mil novos casos de câncer. Nesta projeção, sem considerar o câncer de pele não melanoma, o câncer do colo do útero é o segundo mais incidente na população feminina brasileira, com novos casos (INCA, 2011a). A associação do envelhecimento com a carcinogênese é um fator a ser considerado, já que o envelhecimento traz mudanças nas células que aumentam a sua suscetibilidade à transformação maligna. As alterações e o acúmulo de mutações no DNA, associado a desregulação do sistema imunológico e formação de radicais livres que danificam as estruturas celulares, favorecem a proliferação celular descontrolada e consequentemente, o desenvolvimento do câncer (DA SILVA, 2005). 1 Acadêmica do curso de Biomedicina, bolsista PIBIC/UNICRUZ Universidade de Cruz Alta, Cruz Alta/RS. 2 Docentes do Centro de Ciências da Saúde, pesquisadoras do Grupo Interdisciplinar de Estudos em Envelhecimento Humano, colaboradoras PIBIC/UNICRUZ - Universidade de Cruz Alta, Cruz Alta/RS. 3 Docente do Curso de Biomedicina, colaboradora PIBIC/UNICRUZ - Universidade de Cruz Alta, Cruz Alta/RS. 4 Docente e Pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Biologia Celular e Molecular Aplicada à Saúde Universidade Luterana do Brasil, Canoas/RS, colaborador PIBIC/UNICRUZ. 5 Docente do Curso de Biomedicina, pesquisadora do Grupo Interdisciplinar de Estudos em Envelhecimento Humano, orientadora PIBIC/UNICRUZ - Universidade de Cruz Alta, Cruz Alta/RS.

2 As Diretrizes Brasileiras de Rastreamento do Câncer do Colo do Útero preconizam o método citopatológico ou Papanicolaou para o rastreamento desta neoplasia e de suas lesões precursoras. No ano de 2011, a faixa etária para realização do exame foi ampliada tendo em vista o aumento da expectativa de vida da população brasileira. Assim, atualmente a realização do Papanicolaou deve ser iniciada aos 25 anos pelas mulheres que já tiveram atividade sexual, seguir até os 64 anos, e serem interrompidos quando, após essa idade, as mulheres tiverem pelo menos dois exames negativos consecutivos nos últimos cinco anos (INCA, 2011b). Desta forma, este estudo tem como objetivo, avaliar o perfil das idosas que realizam o rastreamento do câncer cervical no município de Cruz Alta, RS. Metodologia O presente estudo faz parte de um Projeto de Iniciação Científica da Universidade de Cruz Alta PIBIC/Unicruz do Grupo Interdisciplinar de Estudos em Envelhecimento Humano (GIEEH), que está sendo desenvolvido com idosas que realizam o exame Papanicolaou em um serviço de saúde no município de Cruz Alta/RS, e integra um estudo maior intitulado Estudo de fatores genéticos humanos e virais associados com a persistência do papilomavírus genital e progressão para câncer do colo do útero em mulheres, aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade de Cruz Alta com protocolo nº Foram coletadas amostras cervicais com auxílio da espátula de Ayre e escova cytobrusch, obtendo-se material da ecto e endocérvice respectivamente. Este material foi espalhado e fixado com álcool em uma lâmina de vidro, transportado até o Laboratório de Citopatologia da Unicruz onde foi processado e analisado pela técnica de Papanicolaou. Os resultados seguiram os critérios do Sistema de Bethesda (SOLOMON; NAYAR, 2005). As mulheres também responderam um questionário com informações epidemiológicas e comportamentais. Resultados e Discussões Até o momento foram obtidos dados de 32 mulheres, com idade média de 64,87 anos (±4,13), variando entre 60 e 77 anos. Isto demonstra que a ampliação da faixa etária está contemplada nesta Unidade de Saúde de Cruz Alta, tendo me vista que mulheres com idade igual ou maior a 64 anos estão realizando o Papanicolaou. Na análise citológica 07 (22%) amostras apresentaram diagnóstico descritivo com normalidade e 25 (78%) apresentaram alterações celulares benignas e/ou reparativas. Destas,

3 em 47% foram descritas características inflamatórias e em 31% atrofia com inflamação (Tabela 1). Na menopausa ocorre um aumento do ph vaginal e diminuição da resistência a agentes infecciosos, podendo levar a aumento da incidência de vulvovaginites, inclusive inespecíficas (SITTA; JACOB FILHO, 2002). Além disso, a deficiência estrogênica resulta em falta de maturação do epitélio cervical o que contribui para a ocorrência de alterações na morfologia celular, que devem ser analisados com mais cautela, sendo muito recomendado nestes casos realizar novo exame citopatológico após estrogenioterapia local (SOLOMON; NAYAR, 2005). Tabela 1. Perfil das idosas rastreadas para o câncer cervical em uma Unidade de Saúde no município de Cruz Alta, RS Avaliação citológica Características Faixa etária (anos) 60 a a Escolaridade Analfabeta 1º grau incompleto 1º grau completo 2º grau incompleto 2º grau completo 3º grau completo Tabagista Sim Não Situação Conjugal Casada/Companheiro Total (n=32) 18 (56,2) 10 (31,2) 04 (12,5) 02 (06,2) 15 (46,8) 10 (31,2) 01 (5,0) 03 (09,3) 01 (5,0) 02 (06,2) 30 (93,7) Sem alterações (n=07) 05 (71,4) 00 (00.0) 04 (57,1) 03 (42,8) 06 (85,7) Inflamação (n=15) 08 (53,3) 05 (33,3) 02 (13,3) 08 (53,3) 03 (20,0) 02 (13,3) 14 (93,3) Atrofia com inflamação (n=10) 05 (50,0) 04 (40,0) 03 (30,0) 04 (40,0) 10 (100,0) Separada 13 (40,6) 09 (28,1) 03 (42,8) 02 (28,5) 05 (33,3) 06 (40,0) 05 (50,0) 02 (20,0) Viúva 08 (25,0) 04 (26,6) 03 (30,0) Solteira 02 (06,2) Preservativo em todas as relações Sim 03 (09,3) 02 (28,5) Não 29 (90,6) 05 (71,4) 14 (93,3) 10 (100,0) A avaliação das características epidemiológicas e comportamentais aponta que 46,8% das idosas tinha 1º grau incompleto e apenas 6,2% informaram ser solteiras (Tabela 1). Já no estudo de Costa et al., (2010) realizado com idosas de uma Instituição de Longa Permanência (ILP) também houve predominou baixa escolaridade, porém a maioria das mulheres eram solteiras, fato talvez explicado por estas idosas residirem em uma ILP.

4 Por outro lado, 40,6% das idosas relataram ser casadas ou viver com um companheiro, mas, a maioria, independente do resultado do exame citológico, revelou não usar preservativo em todas as relações sexuais (90,6%) (Tabela 1). Fato preocupante e semelhante a dados da literatura, que revelam idosos cada vez mais sexualmente ativos, porém, que sem usar preservativo em suas relações sexuais, por possuírem uma visão errônea de que o preservativo é um método puramente anticonceptivo, o que tornaria dispensável o seu uso nessa faixa etária (MOREIRA et al., 2012). Por outro lado, a maioria das idosas (93,7%) relatou não fumar, fato positivo, pois o cigarro possui propriedades imunossupressoras que contribuem com o desenvolvimento de infecções genitais nas mulheres, especialmente entre as idosas que já possuem fisiologicamente imunidade reduzida (DA SILVA, 2005; GIUSTI, 2007). Conclusão Os resultados parciais apresentados neste estudo já permitem uma caracterização das idosas que realizam exame preventivo do câncer do colo do útero em Cruz Alta, sendo que a maioria se enquadra na faixa etária recomendada para realização do Papanicolaou, possui baixa escolaridade, são casadas ou vivem com companheiro e não são fumantes. Porém, foi evidenciado que uma minoria utiliza preservativo nas relações sexuais. Isto demonstra que é necessário conscientizá-las quanto à prática do sexo seguro, mesmo com parceiro fixo. Referências DA SILVA, M.M.; DA SILVA, V.H. Envelhecimento: importante fator de risco para o câncer. Arq. Med. ABC, v. 30, n. 1, p , GIUSTI, A.L. Interferência do tabaco no sistema imunitário estado atual e perspectivas revisão da literatura. Com Scientiae Saúdev, v. 6, n. 1, p , INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Suplemento Saúde. Brasil: IBGE; INCA. Instituto Nacional de Câncer. Ministério da Saúde. Rio de Janeiro, Disponível em:<http//www.inca.gov.br/conteúdo_view.asp?id=326>. Acesso em: 27/09/2013. INCA. Instituto Nacional de Câncer. Coordenação Geral de Ações Estratégicas. Coordenação de Prevenção e Vigilância. Estimativa 2012: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: Inca, 2011a. INCA. Instituto Nacional de Câncer (Brasil). Coordenação Geral de Ações Estratégicas. Divisão de Apoio à Rede de Atenção Oncológica. Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero. Rio de Janeiro: Inca, 2011b.

5 MOREIRA T M, PARREIRA B D M, DINIZ M A, SILVA S R. Conhecimento das mulheres idosas sobre doenças sexualmente transmissíveis, conhecimento, uso e acesso aos métodos preventivos. Rev. Eletr. Enf, v. 14, n. 4, p , SITTA, M.C.; JACOB FILHO, W. Doenças Ginecológicas e Sexualmente Transmissíveis. In: Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, SOLOMON, D.; NAYAR R. Sistema Bethesda para Citopatologia Cervicovaginal. 2ª edição. Rio de Janeiro: Revinter, 2005.

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