Implementação do Modelo de Maturidade CMMI-DEV na Empresa X

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1 SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM COMERCIAL Pós-Graduação Lato Sensu em Governança de Tecnologia da Informação Cristiano Ferreira Soares Implementação do Modelo de Maturidade CMMI-DEV na Empresa X Brasília-DF 2013

2 SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM COMERCIAL Cristiano Ferreira Soares Implementação do Modelo de Maturidade CMMI-DEV na Empresa X Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito para a obtenção do título de Especialista em Governança de Tecnologia da Informação ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC, Unidade EAD SENAC/DF. Orientador: Prof. ME Edilberto Magalhães Silva Brasília-DF 2013

3 FICHA CATALOGRÁFICA Soares, Cristiano F. Implementação do Modelo de Maturidade CMMI-DEV na Empresa X / Cristiano Ferreira Soares. Brasília: Senac - DF, Monografia (especialização) SENAC Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial. Centro Nacional de Educação a Distância, Inclui Bibliografia. 1.Maturidade. 2.MPS.BR. 3.CMMI. I. Título.

4 Cristiano Ferreira Soares Implementação do Modelo de Maturidade CMMI-DEV na Empresa X Projeto apresentado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC, Distrito Federal, como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Governança de Tecnologia da Informação. Aprovado em BANCA EXAMINADORA Prof. ME Edilberto Magalhães Silva Tutor Orientador Convidado Prof.ª ME Alexandra Cristina Moreira Caetano Coordenadora Pedagógica

5 Dedico este trabalho à minha mãe. Nunca poderei me esquecer de seu esforço em me proporcionar as condições adequadas ao desenvolvimento de minhas potencialidades no campo do saber. A ela, devo desde o meu primeiro passo até onde eu puder chegar.

6 AGRADECIMENTOS Eu não conseguiria enumerar, individualmente, todas as pessoas a quem devo agradecer e, além disso, não agradeceria somente às pessoas, mas a todo o universo que, misteriosamente, testifica nossa caminhada ou colabora para o nosso êxito. As contribuições para mais esta realização foram várias e metamorfoseadas sob diversas formas: o Incentivo veio quando eu estava cansado; o Carinho, quando eu precisava de um pouco mais de atenção; a Instrução, enquanto eu me preparava; a Compreensão, quando a querida família se resignava quanto à minha ausência nos momentos de estudo e trabalho e a Perseverança que me fez prosseguir mesmo quando o apelo do lazer e da companhia de pessoas benquistas parecia mais forte que eu. Ademais, se faço uma breve exceção quanto a não menção daqueles a quem devo minha absoluta gratidão, esta se refere ao meu filho, Miguel. Agradeço à você, filho, cuja existência ilumina e justifica a minha.

7 Altiora semper petens Brasão de Petrópolis

8 RESUMO Este trabalho descreve uma proposta de implementação de um modelo de maturidade para qualidade de software por meio da análise dos modelos CMMI v1.3, desenvolvido pelo Software Engineering Institute (SEI) e do Programa de Melhoria de Processos do Software Brasileiro 2012 (MPS.BR) desenvolvido pela Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (SOFTEX). Tal proposta visa à implementação do modelo de maturidade considerado, dentre os apresentados, como o mais adequado a uma empresa desenvolvedora de software, seguindo uma metodologia baseada em pesquisas bibliográficas e num estudo de caso desenvolvido no âmbito da referida empresa. O trabalho consta, ainda, de outros modelos empregados na área da governança da tecnologia da informação, como o Control Objectives for Information and Related Technology (COBIT) e a Information Technology Infrastructure Library (ITIL), como forma de relacioná-los ao CMMI. Este, por sua vez, é combinado ao ciclo de vida de processos IDEAL na proposta de implementação aqui descrita. Ressaltese, ademais, que a importância deste tema está diretamente relacionada à satisfação dos objetivos estratégicos das empresas do ramo de desenvolvimento de software em sua busca pelo aumento da produtividade, da satisfação do cliente e da otimização dos recursos, benefícios advindos da racionalidade técnica e da adoção de boas práticas. Palavras-chave: Maturidade. MPS.BR. CMMI.

9 ABSTRACT This paper describes a proposal to implement a maturity model for software quality through analysis of CMMI v1.3, developed by the Software Engineering Institute (SEI) and the Brazilian Software Process Improvement Program 2012 (MPS.BR) developed by the Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (SOFTEX). This proposal aims at the implementation of the maturity model, chosen among those presented in this work, as the most appropriate for a company that develops software, using a methodology based on bibliographical research and a case study conducted inside the considered company. The work consists also of other models used in the area of governance of information technology, such as the Control Objectives for Information and Related Technology (COBIT) and Information Technology Infrastructure Library (ITIL) as a way to relate them to the CMMI. This, in turn, is combined in the present proposal of implementation with the process life cycle of the IDEAL model. It should be noted, moreover, that the importance of this issue is directly related to the fulfillment of the strategic objectives of software development companies regarding their quest for increased productivity, customer satisfaction and resources optimization, benefits which result from the technical rationality and from the adoption of good practices. KeyWords: Maturity. MPS.BR. CMMI.

10 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 01 Cronograma de Implementação...19 Figura 02 Evolução do CMMI...21 Figura 03 Componentes do MPS.BR...24 Figura 04 Relacionando CMMI com os Domínios do COBIT...26

11 LISTA DE TABELAS Tabela 01 Representações do CMMI...22 Tabela 02 Níveis de Maturidade do MPS.BR...24 Tabela 03 Relacionando CMMI Nível 2 com o Ciclo de Vida da ITIL...27 Tabela 04 Resumo das Entrevistas Realizadas...30 Tabela 05 Análise Comparativa entre CMMI e o MPS.BR...36 Tabela 06 Áreas de Processo do CMMI-DEV...37 Tabela 07 Cronograma de Ações...38 Tabela 08 Metas e Práticas Genéricas do CMMI Nível Tabela 09 Meta e Práticas Específicas da Área de Processos REQM...40 Tabela 10 Metas e Práticas Específicas da Área de Processos PP...40 Tabela 11 Metas e Práticas Específicas da Área de Processos PMC...40 Tabela 12 Metas e Práticas Específicas da Área de Processos SAM...41 Tabela 13 Metas e Práticas Específicas da Área de Processos MA...41 Tabela 14 Metas e Práticas Específicas da Área de Processos PPQA...41 Tabela 15 Metas e Práticas Específicas da Área de Processos CM...41 Tabela 16 Estimativa de Desembolsos Previstos...42 Tabela 17 Definição de Papéis e Responsabilidades...44 Tabela 18 Designação das Áreas de Processo...45

12 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO Formulação da situação problema (Questões de pesquisa) Objetivos e escopo Objetivo Geral Objetivos Específicos Escopo Justificativa METODOLOGIA Cronograma de Implementação REVISÃO DE LITERATURA E FUNDAMENTOS CMMI Capability Maturity Model Integration MPS.BR - Melhoria de Processo de Software Brasileiro Relacionando CMMI, ITIL e COBIT ESTUDO DE CASO Sobre a organização Coleta de dados organização DISCUSSÃO Critérios para interpretação dos achados do estudo de caso Combinação dos dados para responder às questões de pesquisa Proposição da solução e aplicação de boas práticas Escolha do modelo a ser implementado Implementando o CMMI-DEV O Modelo IDEAL Iniciando Diagnosticando Estabelecendo Agindo... 44

13 Aprendendo CONCLUSÕES E TRABALHOS FUTUROS Conclusões Trabalhos Futuros REFERÊNCIAS E FONTES CONSULTADAS... 49

14 1 INTRODUÇÃO Todos os dias, inúmeras atividades são realizadas nas mais diversas situações: s podem ser consultados via laptops na cozinha na hora do café da manhã; games podem ser jogados através de smartphones no trajeto entre a casa e o trabalho; transações bancárias podem ser realizadas durante o horário de almoço por meio de terminais eletrônicos; nos diversos deslocamentos pela cidade, aparelhos de GPS podem ser utilizados para se encontrar determinadas rotas ou pontos de interesse. Por trás de todas estas atividades, há um componente do qual nem sempre nos damos conta, senão através da interface de aparelhos ou de dispositivos que utilizamos: o software. Ainda mais imperceptível que a noção de sua existência é a maneira como são concebidos. Se é fácil imaginar como carros são produzidos através das linhas de montagem, o mesmo não se pode dizer do ambiente produtivo de uma empresa desenvolvedora de softwares. Ainda assim, é fácil constatar a importância deste segmento na sociedade contemporânea. Em virtude da emergência com que são demandados e adstritos ao fato de sua, relativamente, curta história, os softwares sofreram, ao longo do tempo que vai do seu surgimento à atualidade, uma tremenda evolução na maneira com que são concebidos, tamanha a velocidade de mutação de ambientes, linguagens, métodos e formas de organização. Tal evolução não se deu sem sobressaltos, haja vista o que se convencionou chamar de crise do software nos anos 70. A reação a este cenário, entretanto, veio logo a seguir, como resposta de superação a tal contingência. No bojo desta reação, além da revolução na engenharia de software, revolucionou-se também o ambiente organizacional das empresas e novos meios de gerenciamento tomaram forma. O presente trabalho tem por escopo oferecer uma proposta de implementação de um modelo de maturidade numa empresa desenvolvedora de software com vistas a apresentar um modelo de boas práticas que a capacite ao desafio da melhoria contínua, uma vez que 14

15 Especialmente para organizações onde o produto principal é o desenvolvimento e manutenção de software, faz-se necessário, senão a implementação do CMMI, o conhecimento e aplicação parcial deste. Seja por necessidades mercadológicas, para maior visibilidade de produtos e serviços da organização ou simplesmente para melhoria de processos, torna-se imprescindível o conhecimento e aplicação destas melhores práticas ao processo de desenvolvimento e manutenção de produtos e serviços de software. (SAMARINI, 2005) Esta contextualização evidencia a relevância da temática que será abordada. Ademais, o aumento da produtividade, da satisfação do cliente e da otimização dos recursos, fruto da racionalidade técnica e da adoção de boas práticas constituem, por si sós, razões suficientes para um olhar mais atento e um interesse decidido ao que é proposto por modelos de maturidade como o MPS.BR ou o CMMI. Desta forma, ao longo deste trabalho, a proposta de implementação se dará da seguinte forma: no capítulo 1, além desta introdução, estão compreendidos, também, os objetivos, o escopo e a justificativa para este trabalho; no capítulo 2, faz-se uma revisão de literatura e fundamentos, abordando aspectos do CMMI v1.3, do MPS.BR 2012 e da forma como o CMMI está relacionado a outros frameworks, como COBIT e ITIL; no capítulo 3, apresenta-se a metodologia e o cronograma de implementação deste trabalho; no capítulo 4, tem-se o estudo de caso, evidenciando-se o ambiente de produção da empresa; no capítulo 5, faz-se a proposta de implementação do modelo de maturidade para a empresa X e, finalmente, no capítulo 6, são apresentadas as conclusões e as indicações para trabalhos futuros. 15

16 1.1 Formulação da situação problema (Questões de pesquisa) No mundo corporativo, a clareza dos objetivos de uma empresa é condição indispensável à elaboração de um bom planejamento estratégico. Este representa o seu plano de vôo no qual constam a rota e o destino traçados. Especificamente, para as empresas voltadas à produção de software, os modelos de maturidade representam, grosso modo, justamente o roteiro de práticas que auxiliam a organização a se situar quanto ao seu estágio atual e a se adequar quanto às suas possibilidades futuras. Assim, no âmbito da empresa X, a questão que move este trabalho é: Qual deverá ser o modelo de maturidade a ser adotado pela empresa a fim de melhor orientá-la na consecução de seus objetivos? 1.2 Objetivos e escopo Objetivo Geral Propor a implementação de processos dos modelos de maturidade para qualidade de software por meio da análise dos modelos CMMI desenvolvido pelo Software Engineering Institute (SEI) e pelo MPS.BR (2012) - desenvolvido pela Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex)- para a empresa X Objetivos Específicos 1. Efetuar uma revisão bibliográfica e análise comparativa sobre os modelos Capabilitiy Maturity Model Integration (CMMI v1.3) e o modelo de Melhorias de Processos do Software Brasileiro (MPS-BR 2012); 2. Realizar avaliação e análise da melhoria de desenvolvimento de software em relação aos objetivos estratégicos da organização e 3. Propor a implantação de processos do modelo considerado como o mais adequado. 16

17 1.2.3 Escopo Este trabalho trata do ambiente de produção de software da empresa X, sobre as condições atuais que regem seus processos de desenvolvimento de softwares e tem por escopo apresentar uma proposta de implementação de um modelo de maturidade. 1.3 Justificativa O software é, atualmente, um dos produtos comerciais de maior importância no mundo. Dada a sua ubiquidade nos sistemas de informação que permeiam, praticamente, todas as atividades humanas na atualidade, é de se esperar que a mesma diligência outrora voltada à melhoria e racionalização dos sistemas de produção de manufaturas e de bens industriais, também tenha se voltado, neste momento, ao desenvolvimento de programas que agreguem, continuamente, maior confiabilidade, mais qualidade e valor face às necessidades de clientes, usuários e consumidores que requisitam soluções de mercado com um crescente e ininterrupto perfil de exigência. Na esteira dos esforços que têm sido empreendidos visando a uma efetiva governança da tecnologia da informação, a engenharia de software vem recebendo importante contribuição de modelos de capacidade e maturidade das organizações. Estes modelos balizam o caminho de otimização de processos com vistas aos ganhos de eficiência e eficácia de produtos acabados, por conseguinte, a obtenção da almejada qualidade pelo cliente com a melhor combinação de fatores de que os desenvolvedores e gerentes podem dispor. Esta contextualização evidencia a relevância da temática que será abordada. Ademais, no contexto da empresa X, acredita-se que a melhoria de sua maturidade a credenciará não somente à obtenção de resultados de excelência no que concerne ao gerenciamento de seus projetos de desenvolvimento de software como a fará atingir, também, novos clientes em potencial. 17

18 2 METODOLOGIA A metodologia a ser utilizada basear-se-á em pesquisas bibliográficas sobre os temas e tópicos que serão abordados bem como em outros referenciais teóricos consultados através de artigos, monografias, dissertações e teses disponíveis na internet que tratem, sobretudo, de temáticas voltadas a modelos de maturidade, ao framework COBIT e ao modelo ITIL. Ademais, tendo em vista a proposta prática deste trabalho, qual seja, a pretensão em realizar uma avaliação crítica que contemple, igualmente, uma análise de melhoria no que tange ao desenvolvimento de software levando-se em consideração os objetivos estratégicos da organização, a presente metodologia também abrangerá um estudo de caso. Este se desenrolará através de detida observação acerca dos processos empregados na empresa X, especificamente, na Seção de Projeto/Desenvolvimento, com vistas a obter um quadro-síntese da situação em que se encontra a organização a fim de traçar as propostas de melhoria subsequentes. Desta forma, resumidamente, a metodologia empregada neste trabalho para obtenção e análise de dados consiste em: Levantamento de referencial teórico; Leitura e sistematização do conteúdo; Elaboração do conteúdo; Obtenção dos dados; Análise dos resultados. Para a pesquisa de campo, os seguintes métodos foram utilizados: Observação participante; Observação direta das atividades e serviços executados; Realização de entrevistas; Análises de registros escritos. 18

19 2.1 Cronograma de Implementação O cronograma abaixo apresenta as metas e as atividades que serão desenvolvidas ao longo deste trabalho. Figura 01 Cronograma de Implementação Fonte: Autor Os próximos capítulos materializam as atividades previstas no quadro acima. Desta forma, no capítulo 3, Revisão de Literatura e Fundamentos, são expostos os conceitos e os entendimentos adquiridos através de consultas em livros e artigos; o capitulo 4 dedicase ao estudo de caso e compreende: análise da empresa, formulação de questionamentos e entrevistas e a reunião dos dados coletados e, por fim, os capítulos 5 e 6, Discussão e Conclusão, respectivamente, encerram as atividades necessárias à consecução dos objetivos propostos neste trabalho. 19

20 3 REVISÃO DE LITERATURA E FUNDAMENTOS 3.1 CMMI Capability Maturity Model Integration A quase onipresença da TI é ilustrativa de uma época que muitos alcunham como a Era da Informação. Seu alcance tornou os softwares imprescindíveis a, virtualmente, todas as organizações. Os programas, como vetores básicos da produção, armazenamento e disseminação da informação, ganharam relevo na sociedade contemporânea e seus níveis de qualidade, seus prazos de desenvolvimento e suas conformidades aos requisitos dos clientes e às exigências legais passaram a ser objeto de grande preocupação. No livro Software Engineering, a Practitioner s Approach, o autor apresenta a noção de que as pessoas apostam seus empregos, seu conforto, sua segurança, sua diversão e suas próprias vidas nos softwares de computadores. Eles precisam estar certos 1 (PRESSMAN, 2001, p.4) É neste quadro que o Instituto de Engenharia de Software da Universidade Carnegie Melon cria, no início dos anos 90, patrocinada pelo Departamento de Defesa (DoD) americano, os CMMs, matriz do atual modelo de maturidade e capacidade, a fim de, simplificadamente, representar o mundo real. Por essa época, o SW-CMM torna-se o padrão de-facto para o desenvolvimento de software ajudando as organizações a saírem do caos e a entrarem em um ambiente mais estruturado e estável (DAVIS et al., 2007 apud Marçal). Os Capability Maturity Models (CMM), segundo o SEI, foram baseados nos conceitos desenvolvidos por Deming, que refinou os princípios de controle estatístico da qualidade estabelecidos por Walter Shewhart nos anos de 1930 e também por Crosby, Juran e Humphrey que, posteriormente, estenderam estes princípios e começaram a aplicá-los aos softwares nos trabalhos que desenvolveram na IBM e no próprio SEI. O CMMI é uma evolução desses primeiros CMM e, atualmente, encontra-se na versão 1.3. Embora não tenha havido profundas alterações em relação à versão anterior, 1 And yet, people bet their jobs, their comfort, their safety, their entertainment, their decisions, and their very lives on computer software. It better be right. 20

21 segundo pesquisas realizadas no site da ISDBrasil consultoria especializada em governança de TI - cumpre destacar que a atual deu maior esclarecimento a termos e conceitos que na antecedente pareciam um pouco obscuras, como o conceito de alta maturidade. Há referências também à modernização de práticas, tendo em vista a preocupação em refletir o ambiente de TI atual e suas melhores práticas e, também, uma abordagem para permitir um melhor compartilhamento de práticas entre as constelações. Figura 02 Evolução do CMMI Fonte: SEI O CMMI, como outros CMMs, provê orientações para desenvolvimento de processos, indicando o que fazer sem, no entanto, revelar de qual maneira. Com isto, admite-se que o CMMI, diferentemente das metodologias ágeis, tem foco nos processos e não nos procedimentos. 21

22 Desta forma, ele instrui sobre as características estruturais e semânticas quanto aos objetivos bem como quanto ao grau de qualidade a ser alcançado pelo trabalho, estabelecendo determinados padrões dentro de um sistema de classificação que o CMMI representa sob a forma de duas diferentes abordagens, sendo uma denominada contínua e a outra entendida por meio de estágios. Estas abordagens representam, respectivamente, os níveis de capacidade e de maturidade da organização. Tabela 01 Representações do CMMI NÍVEL NÍVEIS DE CAPACIDADE DA REPRESENTAÇÃO CONTÍNUA NÍVEIS DE MATURIDADE DA REPRESENTAÇÃO POR ESTÁGIO N0 Incompleto N1 Executado Inicial N2 Gerenciado Gerenciado N3 Definido Definido N4 Quantitativamente Gerenciado N5 Em Otimização Fonte: SEI Na abordagem contínua, a capacidade é medida por processos que são independentes entre si, sendo possível ter processos com níveis diferentes, variando de acordo com os interesses da empresa, possibilitando à organização utilizar a ordem de melhoria que melhor satisfaça os seus objetivos de negócio. É caracterizada por Níveis de Capacidade (Capability Levels). A representação contínua é indicada quando se deseja tornar apenas alguns processos mais maduros, quando já se utiliza algum modelo de maturidade contínua ou quando não se pretende usar a maturidade alcançada como modelo de comparação com outras empresas. A representação por estágio disponibiliza, por outro lado, uma sequência prédeterminada para melhoria baseada em estágios, nos quais cada um serve de base para o próximo. Caracteriza-se por Níveis de Maturidade (Maturity Levels).Em cada nível a maturidade é medida por um conjunto de processos. Indica-se esta representação quando a empresa já utiliza algum modelo de maturidade por estágios, quando se deseja utilizar o nível de maturidade alcançado para comparação com outras empresas ou quando se pretende usar o nível de conhecimento obtido por outros para sua área de atuação. Estas representações, portanto, servem como roteiro no qual as organizações se baseiam para localizarem o ponto de partida bem como as paradas ao longo do caminho 22

23 em sua jornada rumo ao contínuo processo de otimização. Destaque-se que o CMMI possui 22 áreas de processos, elencadas na seção deste trabalho, as quais encontram-se distribuídas por 4 categorias: gerenciamento de projetos, gerenciamento de processos, engenharia e suporte. 3.2 MPS.BR - Melhoria de Processo de Software Brasileiro O mercado de software, no cenário brasileiro, é amplamente dominado por empresas de pequeno e médio porte, segundo dados do SEBRAE. Esta realidade, não obstante, ponha em relevo o empreendedorismo nacional, evidencia, também, a escassez de grandes empresas com disponibilidade e capacidade financeira suficientes para fazer frente a investimentos em tecnologias e certificações. Para as empresas de menor porte,investir em certificação é algo que, raramente, se leva a cabo em um ambiente onde, segundo o SEBRAE, a maioria delas sucumbe já nos primeiros anos de vida. A acirrada concorrência constitui, igualmente, outro fator a ponderar no tocante a dispêndios com certificações e licenças, uma vez que as reduzidas margens de lucro por conta da competição inviabilizam novas fontes de custos. Atenta a este panorama, a SOFTEX, Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro, em parceria com o governo e universidades, criou o programa MPS.BR Melhoria do Processo de Software Brasileiro. Alicerçado em normas e padrões internacionais, o MPS.BR utiliza, em seu modelo, a ABNT NBR ISO/IEC 12207:2009 e a ABNT NBR ISO/IEC 15504:2008 também conhecida por SPICE (Software Process Improvement and Capability determination. Além disso, o modelo está em conformidade, também, com o CMMI, sendo dividido em três componentes: um modelo de referência (MR-MPS), responsável pelo estabelecimento de níveis de maturidade; um método de avaliação (MA-MPS), cujo escopo é a orientação na realização de avaliações e um modelo de negócio (MN-MPS), modelo que prevê duas formas de implementação do MPS.BR, uma de maneira personalizada através de um Modelo de Negócios Específico (MNE) e outra de forma cooperada, através de um Modelo de Negócios Cooperado (MNC). Todos os modelos são descritos por meio de guias ou documentos do MPS.BR. 23

24 Figura 03 Componentes do MPS.BR Fonte: SOFTEX O Modelo de Referência MPS define níveis de maturidade como sendo uma combinação entre processos e sua capacidade. Ao todo, são sete níveis de maturidade: Tabela 02 Níveis de Maturidade do MPS.BR NÍVEL DESCRIÇÃO PROCESSOS A Em Otimização - B Gerenciado Quantitativamente Gerência de Projetos (2ª evolução) C Definido Desenvolvimento para Reutilização Gerência de Decisões Gerência de Riscos D Largamente Definido Desenvolvimento de Requisitos Integração do Produto Projeto e Construção do Produto Verificação Validação E Parcialmente Definido Gerência de Reutilização Avaliação e Melhoria do Processo Organizacional Definição do Processo Organizacional 24

25 NÍVEL DESCRIÇÃO PROCESSOS F Gerenciado Gerência de Recursos Humanos Gerência de Projetos (1ª evolução) Medição Gerência de Configuração Gerência de Portfólio de Projetos Aquisição Garantia da Qualidade G Parcialmente Gerenciado Gerência de Requisitos Gerência de Projetos Fonte: SOFTEX Em comparação ao CMMI, o presente modelo é mais simples, com menos processos e com uma progressão diferente daquele, já que agrega dois outros níveis. Entretanto, estes aspectos permitem uma implementação mais gradual do modelo, o que se traduz em visibilidade de melhorias a prazos mais curtos. O custo reduzido de implantação é outro dos benefícios aventados. 3.3 Relacionando CMMI, COBIT e ITIL Um dos maiores referenciais quando o assunto é governança de TI, o COBIT pode ser tido como um dos mais abrangentes frameworks da tecnologia da informação e, certamente, o mais integrador dentre todos, dado o seu nível de abstração e generalidade. O Control Objectives for Information and Related Technology, atualmente na versão 5, relaciona-se com o CMMI através dos seguintes domínios: Build, Acquire and Implement (BAI) no que tange aos processos relacionados à construção, aquisição e aplicação; Align, Plan and Organise (APO) referente a alguns processos organizacionais e relacionados à qualidade. Na figura abaixo, uma série de frameworks de TI encontram-se distribuídos segundo as áreas de intersecção com os domínios do COBIT. Em destaque, com os comentários do autor, está o CMMI. 25

26 Figura 04 Relacionando CMMI com os Domínios do COBIT Fonte: ISACA A ITIL, de maneira sucinta, é uma biblioteca composta por livros contextualizados conforme os conceitos que abrangem. Na Estratégia de Serviços são identificados os requisitos e as necessidades do negócio que possam ser atendidos por serviços de TI; No Desenho de Serviços, formula-se a solução de TI a ser projetada em forma de serviço em todos os seus aspectos; Na Transição de Serviços, parte-se para a implementação de forma que esta seja testada, acompanhada e validada. Na Operação de Serviços, o foco é sua manutenção e funcionamento em consonância com os SLA, os acordos de nível de serviço. Finalmente, na Melhoria Contínua de Serviços, são identificadas as oportunidades de aperfeiçoamento do serviço. Os ciclos de vida do serviço da ITIL em contato com o nível 2 do CMMI são: 26

27 Tabela 03 Relacionando CMMI Nível 2 com o Ciclo de Vida da ITIL RELACIONAMENTO ENTRE ÁREAS DE PROCESSO E CICLO DE VIDA DA ITIL LEGENDA AP Área de Processo do CMMI REQM Gestão de Requisitos PP Planejamento de Projeto PMC Monitoramento e Controle de Projeto SAM Gestão de Contrato com Fornecedores CM Gestão de Configuração PPQA Garantia da Qualidade de Processo e Produto MA Medição e Análise AP Objetivos Relacionados CMMI/ITIL Ciclo de Vida da ITIL REQM Desenvolver e gerenciar seus requisitos de serviço. Estratégia do Serviço Desenho do Serviço PP Manter planos de serviços que incluam orçamento Estratégia do Serviço e cronograma necessários ao suporte do cliente. PMC Gerenciar custos e cronograma associados ao Estratégia do Serviço serviço. SAM Gerencia fornecedores de ferramentas ou recursos Estratégia do Serviço vitais ao sucesso do serviço. CM Produtos do trabalho de gerenciamento e técnicas Transição do Serviço de controle. PPQA Assegurar que seus serviços atendam aos objetivos de qualidade e requisitos dos clientes. Transição do Serviço Contínua Melhoria do Serviço MA Entender medidas de custos, lucros e custo da qualidade. Estratégia do Serviço Contínua Melhoria do Serviço Fonte:SEI Conforme visto, o nível 2 do CMMI-DEV enquadra-se, basicamente, no primeiro estágio do ciclo da ITIL, ou seja, na estratégia de serviço, no qual se busca, prioritariamente, atender aos objetivos estratégicos da organização. 27

28 4 ESTUDO DE CASO O presente capítulo apresenta o estudo de caso realizado na empresa X. Este estudo, partindo do referencial teórico, tem o propósito de conhecer e analisar a empresa em questão, abordando os aspectos relacionados à sua constituição bem como a coleta de dados necessária ao entendimento de seu quadro atual para, a partir de então, propor a implementação de um modelo de maturidade que a auxilie a alcançar os objetivos expressos em seu planejamento estratégico. 4.1 Sobre a organização A empresa X é uma fábrica de software que oferece soluções em tecnologia da informação, atuante no mercado desde Surgida como uma start-up 2 focada no desenvolvimento de sistemas sob medida para uma ampla variedade de setores, possui, entre seus colaboradores, analistas de sistemas, administradores de bancos de dados, designers gráficos, programadores web e gerente financeiro. Emprega em seus trabalhos, sobretudo, tecnologias Java, MySQL e PHP. Eventualmente, soluções que escapam ao domínio da empresa são providas por meio de outsourcing. A empresa trabalha com foco na customização, desenvolvendo projetos de sistemas personalizados e que atendam às expectativas dos clientes. Estes, geralmente, são compostos por pequenos ou microempresários com necessidades específicas, embora, também, haja cases de sucesso com empresas bem conhecidas no mercado. Com o fito de transformar idéias e requisitos em produtos e serviços de qualidade, a empresa X adota como valores a criatividade, a inovação e o compromisso com o cliente. Em seu planejamento estratégico, consta, ainda, que sua missão é a de gerar valor para todos os seus stakeholders, atuando no mercado de desenvolvimento de 2 O conceito de startups tem origem nos EUA e significa empresas de pequeno porte, recém-criadas ou ainda em fase de constituição, com atividades ligadas à pesquisa e desenvolvimento, cujos custos de manutenção sejam baixos e ofereçam a possibilidade de rápida e consistente geração de lucros (Leone Farias. Empreendedores com projetos tecnológicos atraem investidores. Diário do Grande ABC, Região do ABC Paulista, 21 de julho de 2013, Economia/Empresas, pag 2). 28

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