Universidade Comunitária da Região de Chapecó Área de Ciências Exatas e Ambientais Curso de Agronomia Disciplina: Bovinocultura de Leite

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1 Universidade Comunitária da Região de Chapecó Área de Ciências Exatas e Ambientais Curso de Agronomia Disciplina: Bovinocultura de Leite Introdução a Pecuária Leiteira Valdirene Zabot Zootecnista Importância da bovinocultura leiteira Exploração da produção leiteira desde a domesticação das espécies animais = anos A espécie bovina é a opção por excelência Variadas raças existentes hoje criadas a partir do Bos primigenius pelo contínuo melhoramento genético Hoje a raça Holandesa é considerada a ama da humanidade 1

2 Importância da bovinocultura leiteira Fato significativo na produção mundial: Os países desenvolvidos, que representam apenas 25% da população mundial, produzem cerca de 70% do leite bovino A grande maioria da população tem a sua disposição apenas os 30% restantes A busca por auto-suficiência na produção de leite é grande prioridade nesses países Face ao elevado valor nutricional desse alimento Composição química do leite O leite é um alimento que possui um alto valor nutritivo Constituindo em um alimento complexo que contém água, carboidratos (basicamente lactose), gorduras, proteínas (principalmente caseína), minerais e vitaminas Porém, apesar de ser considerado um alimento completo, o leite não possui quantidade suficiente de ferro e vitamina D para atender as exigências de uma nutrição completa 2

3 Composição química do leite Segundo o Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (RIISPOA), entende-se por leite, sem outra especificação: O produto oriundo da ordenha completa, ininterrupta, em condições de higiene, de vacas sadias, bem alimentadas e descansadas Existem vários de fatores que afetam a composição do leite tais como: Espécie, raça, indivíduo, idade da vaca, estágio da lactação, alimentação, estações do ano, estado de saúde da vaca, dentre outros Composição química do leite Considerando a variação da composição do leite, a legislação vigente do MAPA determina valores mínimos de seus componentes, considerando-se leite normal, o produto que apresente: Teor de gordura mínimo de 3%; Lactose - mínimo de 4,3%; Extrato seco total (soma dos percentuais de gordura, proteínas, lactose e sais minerais) mínimo de 11,5%; Extrato seco desengordurado (Extrato Seco Total menos o teor de gordura) mínimo de 8,5%; Proteínas mínimo de 2,9 g/100ml 3

4 Valor nutritivo do leite 1 litro de leite supre ao adulto: 100% da exigência diária de Ca, P, e K 37% da exigência diária de Vit. A 33% da exigência diária de Vit. B1 106% da exigência diária de Vit. B2 (riboflavina) 16% da exigência diária de Vit. B6 129% da exigência diária de Vit. B12 1 litro de leite = 700 kcal (demanda adulto ± kcal/dia) Valor nutritivo do leite Considerando o leite fluido (pasteurizado ou longa vida) as recomendações de consumo correspondem a uma quantidade per capita anual de aproximadamente 200 litros Em se tratando de outros derivados lácteos este consumo em equivalente leite fluido é maior são: 263 litros para o leite em pó, 394 litros para o queijo mozzarella, 298 litros para o queijo minas frescal e 219 litros para os iogurtes naturais 4

5 Dados da pecuária leiteira brasileira em números 5

6 Participação do Brasil na produção mundial de leite 3º maior produtor de leite do mundo A produção brasileira de leite cresceu cerca de 4,5%, passando de 30,7 bilhões de litros em 2010 para 32,1 bilhões de litros em 2011 Resultados da Pesquisa da Pecuária Municipal, divulgados pelo IBGE Com produção equivalente a 33,2 milhões de toneladas métricas, aproximadamente (valor convertido de litro para quilo um litro é igual a 1,033kg) Participação do Brasil na produção mundial de leite O Brasil só perde para a Índia e Estados Unidos Produziram cerca de 52,5 milhões e 88,6 milhões de toneladas métricas cada, respectivamente. A Rússia, que ocupava a 3ª posição em 2010, registrou queda na produção em 2011 e agora figura na 4ª posição, com 31,7 milhões de toneladas métricas A China ocupa a 5ª posição, com 30,7 milhões 6

7 Exportações & importações brasileiras Infelizmente a partir de 2009 o Brasil voltou a apresentar uma balança comercial de lácteos deficitária Aumento na cotação dos lácteos no mercado internacional, real sobrevalorizado e qualidade do produto brasileiro Ainda assim, hoje o Brasil é praticamente auto-suficiente em leite e derivados Já foi um dos maiores importadores mundiais 7

8 Exportações & importações brasileiras Segundo especialistas, o Brasil poderá se tornar um importante exportador de lácteos num futuro próximo Como a Nova Zelândia, por exemplo Mas terá que superar diversos problemas, entre os quais limitações sanitárias do nosso rebanho 8

9 Exportações & importações brasileiras Nas importações o principal item importado é o leite em pó e as principais origens são Uruguai e Argentina Em 2011, o Brasil se tornou o 3º maior importador mundial de leite em pó! Nas exportações o principal item exportado é o leite condensado Fonte: MilkPoint (2012) 9

10 10

11 A quantidade de leite cru ou resfriado industrializado pelo estabelecimento no Brasil cresceu 3,5% em 2011, ao passo que entre 2009 e 2010, o crescimento foi de 6,9% Em 2011, o País atingiu a marca de 21,6 bilhões de litros produzidos sob inspeção As regiões que apresentaram maiores taxas de crescimento foram: Nordeste (9,9%) e Sul (6,8%) Fonte: adaptado de IBGE (Pesquisa Trimestral do Leite) 11

12 Áreas de concentração da produção de leite no Brasil Região A Localizada no Sudeste, abrange o Sul/Sudoeste, Oeste, Central, Zona da Mata, Campo das Vertentes e Vale do Rio Doce do Estado de Minas Gerais e as regiões limítrofes com São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo Nessa região se destacaram 83 microrregiões que produziram 9 bilhões de litros, que representam 28% do leite brasileiro O rebanho produtivo (vacas ordenhadas) foi formado por 5,8 milhões de cabeças e a produção por animal foi de litros/vaca/ano Áreas de concentração da produção de leite no Brasil Região B - A segunda grande região produtora, que está unida à Região A, porém está localizada no Planalto e em Região de Cerrado, é formada por todo o sul do Estado de Goiás, o Triângulo Mineiro e o Noroeste de São Paulo. Esta formada por 24 microrregiões, com produção anual de 4 bilhões de litros de leite e rebanho de 3 milhões de cabeças A produção média por animal é de litros/vaca/ano 12

13 Áreas de concentração da produção de leite no Brasil Região C - No Sul do País se concentraram o maior número de microrregiões mais produtivas, com as mais altas densidades de produção, localizadas principalmente no norte do Rio Grande do sul, oeste de Santa Catarina e sudoeste do Paraná Nessa grande área produtora, se destacaram 60 microrregiões, que produziram cerca de 10 bilhões de litros, que representaram 30% do leite brasileiro O rebanho estimado é de 3,7 milhões de cabeças e a produção por animal é de litros/vaca/ano Os três estados que compõem a Região Sul aumentaram 654 milhões de litros de leite de 2009 para 2010 Áreas de concentração da produção de leite no Brasil Região D - Região do Nordeste, principalmente no Agreste dos Estados de Alagoas (Batalha e Palmeira dos Índios), Pernambuco (Vale do Ipanema, Garanhuns e Médio Capibaribe) e o Sertão de Sergipe (Sertão de São Francisco e Nossa Senhora das Dores) As microrregiões destacadas no mapa produziram 1,4 bilhão de litros de leite anuais (4% do volume brasileiro) Possuem aproximadamente um rebanho de 900 mil cabeças e a produção por vaca por ano foi de litros 13

14 De 2001 a 2011, o Brasil apresentou um crescimento de produção de leite de 56,5%, enquanto a região Sul aumentou 97% no mesmo período 14

15 Santa Catarina na produção de leite A Mesorregião Geográfica Oeste de Santa Catarina é uma das regiões mais promissoras em termos de produção e produtividade de leite. Se caracteriza pela base da estrutura produtiva constituída por atividades agropecuárias e da agroindústria. O tamanho predominante de propriedades de até 100 hectares é outra característica da região. Santa Catarina na produção de leite O oeste de SC possui 68% do rebanho das vacas ordenhadas no estado de Santa Catarina. As microrregiões de Chapecó e São Miguel do Oeste contam respectivamente com 23% e 19% do rebanho leiteiro estadual. A média de vacas ordenhadas por estabelecimento no Oeste catarinense é de 7,65, contra 6,52 no Estado e 9,37 no país. A maior média é da microrregião geográfica de São Miguel do Oeste, com 8,20, microrregião que possui a mais alta densidade de produção de leite no Brasil. 15

16 SC registra um dos maiores índices de crescimento de produção de leite do país e, por isso, atrai crescente número de novas indústrias de processamento de leite A média nacional nos últimos dez anos foi de 4,4, enquanto o oeste expandiu entre 8% e 15% o volume produzido Dados de 2012 apontam crescimento de 21% de volume de leite produzido em SC, enquanto outros Estados registraram aumentos de 6 a 10% 16

17 Considerações finais Não só na atividade leiteira, mas em diferentes áreas do agronegócio, a incorporação de tecnologias e de inovações é importante para tornar os sistemas de produção cada vez mais eficientes, sustentáveis e competitivos. Tais inovações exigem, cada vez mais, uma formação educacional consistente por parte do produtor. A capacidade de geração, difusão e utilização do conhecimento define um perfil de habilidades e qualificação profissional e de especialização dos sistemas de produção. Considerações finais Para se enquadrar dentro desse perfil, é preciso que o produtor invista no desenvolvimento contínuo de suas competências: Seja pela formação, buscando a elevação de escolaridade. Seja pelo aperfeiçoamento, por meio de capacitação técnica. 57 % das pessoas que dirigem os estabelecimentos rurais que se dedicam à pecuária e à criação de animais tem pouca instrução (Embrapa Gado de Leite). 17

18 Conheça as distinções Você sabe qual a diferença entre leite UHT e bebida láctea? O leite é o produto oriundo da ordenha ininterrupta, em condições de higiene, de vacas sadias, bem alimentadas e descansadas. Não é admitida a adição de outros ingredientes, apenas a inclusão de aditivos previstos na legislação para leite UHT e em pó. Já a bebida láctea é o produto lácteo resultante da mistura do leite e soro de leite adicionado ou não de produto(s) ou substância(s) alimentícia(s), gordura vegetal, leite(s) fermentado(s), fermentos lácteos selecionados e outros produtos lácteos. A base Láctea representa pelo menos 51% do total de ingredientes do produto. Em outras palavras, bebida láctea é um produto que além do leite, contém soro, podendo ou não ter adição de outros ingredientes. 18

19 Quais as diferenças entre Leites tipo A, B e pasteurizado? O leite pasteurizado é o leite fluido elaborado a partir do Leite Cru Refrigerado na propriedade rural, que apresente as especificações de produção, de coleta e de qualidade da matéria-prima previstas em Regulamento Técnico específico. No processo de pasteurização, o leite é submetido ao calor (72 a 75 ºC por 15 a 20 segundos) É produzido obedecendo a padrões estabelecidos pelo Ministério da Agricultura, no que diz respeito aos aspectos de sua produção e obtenção, bem como quanto ao teor de gordura e tolerância à contagem de certos microrganismos. Quais as diferenças entre Leites tipo A, B e pasteurizado? As diferenças entre leite tipo A, B e pasteurizado estão nos critérios de higiene e contagem microbiana que cada um deverá ter antes e depois do processamento, além de diferenças na fabricação do produto. Já que, o leite tipo A possui produção expressamente mecanizada e feita dentro da granja leiteira e sua matéria-prima deve ser de altíssima qualidade higiênica. O leite tipo B pode ser processado dentro da usina de beneficiamento, assim como o leite pasteurizado, porém, contém critérios mais rigorosos de seleção da matéria-prima do que o leite pasteurizado. Porém, todos devem estar isentos de germes que façam mal à saúde humana. 19

20 Leite UHT ou longa vida Entende-se por leite UHT (Ultra-Alta Temperatura, UAT) o leite homogeneizado que é submetido à esterilização comercial, imediatamente resfriado a uma temperatura inferior a 32ºC e envasado assepticamente em embalagens estéreis e hermeticamente fechadas. Todos os produtos acima conceituados podem ser apresentados ao consumo de acordo com os diferentes teores de gordura, quais são: Leite integral: leite com seu teor de gordura original, isto é, sem acréscimo e sem diminuição. Leite semi-desnatado: que possui teor de gordura entre 0,6 e 2,9g/100g Leite desnatado: que possui teor de gordura de até 0,5g/100g Você sabe qual a diferença entre leite em pó e leite em pó modificado? Entende-se por leite em pó o produto obtido por desidratação do leite de vaca integral, desnatado ou parcialmente desnatado e apto para a alimentação humana, mediante processos tecnologicamente adequados, não se admitindo a inclusão de outros ingredientes, apenas os aditivos já previstos na legislação. Leite em Pó Modificado: produto resultante da dessecação do leite previamente preparado, considerando-se como tal, além do acerto de teor de gordura, a acidificação por adição de fermentos láticos ou de ácido lático e o enriquecimento com açúcares, com sucos de frutas ou com outras substâncias permitidas, que a dietética e a técnica indicarem. O leite em pó modificado deverá ter no mínimo 70% de leite e 50% de açúcares, considerando aqueles já provenientes do leite. 20

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