Solar das Magnólias: experiência de projetos terapêuticos com idosos no Centro de Reabilitação Neurológica

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1 Solar das Magnólias: experiência de projetos terapêuticos com idosos no Centro de Reabilitação Neurológica Micheli Patrícia de Fátima Magri, Renata Castilho, Rogério Benedito de Brito, Elisabeth Frolich Mercadante Pontifícia Universidade Católica PUC-SP Resumo A assistência à saúde dos idosos residentes no Centro de Reabilitação Neurológica Solar das Magnólias é desenvolvida por uma equipe interdisciplinar; o grande desafio é trabalhar de forma integrada, na tentativa de viabilizar cuidados que extrapolam a dimensão técnica/biológica, abrangendo questões relacionadas ao humanismo e à qualidade de vida das 150 pessoas assistidas. São pessoas com deficiência física e mental; as causas mais freqüentes são as paralisias cerebrais. O objetivo deste artigo é relatar o trabalho desenvolvido pela equipe interdisciplinar para a promoção da qualidade de vida dos pacientes idosos em um lócus específico: o Solar das Magnólias. Para tanto, foi realizada uma pesquisa documental em arquivos de um hospital regional do interior paulista que presta assistência a 150 internos, sendo 69 homens e 81 mulheres, com idades entre 04 e 72 anos. Os dados foram colhidos, tabulados e analisados. No total, são desenvolvidos 14 projetos terapêuticos envolvendo os profissionais das seguintes áreas: enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, pedagogia, psicologia, terapia ocupacional e assistência social. O critério de inclusão do candidato a residente relaciona-se à avaliação clínica realizada por cada profissional das habilidades necessárias para cada atividade. Dos projetos desenvolvidos, destacamos os seguintes: Descobrindo um amigo (inclusão social), Pequeno canto (canto coral com 18 participantes), Jornal da Casa - que permite a discussão de notícias e fixação em um mural -, Quindim (cozinha experimenta), Oficina de arte (atividades artesanais) e Feliz aniversário (comemoração dos aniversariantes do mês, com festa e presentes). São projetos que visam a reabilitação neurológica e contribuem para a manutenção da qualidade de vida de cada morador, em especial dos idosos. Descritores: idosos, instituição de longa permanência, projeto terapêutico

2 Introdução Para os idosos residentes no Centro de Reabilitação Neurológica Solar das Magnólias, a assistência à saúde é desenvolvida por uma equipe interdisciplinar. O grande desafio destas é trabalhar de forma integrada, na tentativa de viabilizar cuidados que vão muito além da dimensão técnica/biológica. Através de relações pautadas pelo humanismo e orientadas pela promoção da qualidade de vida das 150 pessoas assistidas (com quadros de deficiência física e mental, especialmente paralisias cerebrais) e, via de regra, em situação de abandono familiar. A paralisia cerebral (PC) caracteriza-se por uma alteração dos movimentos controlados ou posturais; normalmente, a alteração aparece cedo, sendo secundária a uma lesão, danificação ou disfunção do sistema nervoso central (SNC); não é reconhecida como resultado de uma doença cerebral progressiva ou degenerativa. (Ferraretto & Souza, 1998). Na instituição em questão, os cuidados, os projetos e a equipe são mantidos exclusivamente pelo Sistema único de Saúde SUS. Tanto o diagnóstico, como o tratamento da paralisia cerebral são objeto de atuação multidisciplinar ROTTA (2002), o que torna o tratamento dos atendidos particularmente especial. O Solar acolhe, também, paciente com quadros de Deficiência Mental, de Autismo, de Seqüela de AVC, de Seqüela de TCE, de Seqüela de Traumatismo Medular e de Síndromes Genéticas, entre outros. São 69 homens e 81 mulheres. As idades variam entre 04 e 72 anos. Muitos dos moradores apresentam a cognição alterada; essas alterações resultam, no mais das vezes, das patologias de base. Este aspecto é essencial na avaliação para a participação ou não nos projetos terapêuticos. A cognição refere-se à habilidade de sentir, pensar, perceber, lembrar, raciocinar, formar estruturas complexas de pensamento, além da capacidade de produzir respostas às solicitações e estímulos externos (Freitas, et al, 2002). A maioria dos pacientes permanece grande parte da sua vida na instituição; sendo que parcela significativa dos residentes é composta por idosos. Estes fazem da

3 instituição seu domicilio; nela compartilham alegrias, tristezas e novas vivências. (seria bom dizer quanto são idosos, senão fica vago). Em certas situações, a exemplo da ausência temporária do cuidador domiciliar, de estágios terminais das doenças e de níveis de dependência muito elevados (CHAIMOWICZ;1999), somadas à necessidade de reabilitação intensiva no período entre a alta hospitalar e o retorno ao domicílio, a internação do idoso em uma instituição de longa permanência apresenta-se como única alternativa. Assim, o objetivo central da equipe é proporcionar um atendimento pautado pela dignidade e eficiência, além da promoção da reabilitação física, mental e social; respeitando as necessidades e desejos dos sujeitos, especialmente os idosos, e buscando uma melhor qualidade de vida. Objetivo O objetivo da investigação proposta foi descrever e analisar o trabalho desenvolvido pela equipe interdisciplinar no que tange à qualidade de vida dos pacientes idosos no Solar das Magnólias. Metodologia Trata-se de uma pesquisa documental em arquivos do CONDERG, Hospital Regional de Divinolândia. O CONDERG é mantido por um consórcio de 16 municípios da região de São João da Boa Vista- SP, totalizando 480 mil habitantes e que possui um Centro de Reabilitação Neurológica que presta assistência a 150 internos sendo 69 homens e 81 mulheres, com idades variando entre 04 a 72 anos. Dos internos, 11,3% têm idade igual ou superior a 60 anos. Os dados foram colhidos, tabulados e analisados de forma sistemática e a partir de uma perspectiva gerontológica. A equipe multidisciplinar é assim composta: 01 neurologista e pediatra (coordenação técnica), 01 clínico geral, 02 assistentes sociais, 01 dentista, 05 enfermeiras, 76 auxiliares de enfermagem, 01 farmacêutica, 05 fisioterapeutas, 01 fonoaudióloga, 01 nutricionista, 03 terapeutas ocupacionais, 01 psicopedagoga, 01 psicóloga, 04 monitores, 12 auxiliares de serviço, 01 recepcionista e 01 escriturário.

4 Resultados Todos os atendimentos individuais de cada área, os projetos interdisciplinares, as atividades de grupo e as atividades festivas são considerados terapêuticos, desde que tenham a finalidade de proporcionar melhor qualidade de vida aos pacientes. Os projetos terapêuticos são individualizados, pois cada ser possui características, desejos e necessidades que devem ser respeitados. As atividades terapêuticas não são direcionadas à deficiência ou ao deficiente, mas ao cidadão, pois o tratamento da paralisia cerebral é paliativo, visto que não se pode agir sobre uma lesão já superada e cicatricial (Teive et al. 1998). Para atingir os objetivos do projeto terapêutico, as metas de um programa de reabilitação são reduzir a incapacidade e otimizar a função (Leite e Prado, 2004). Uma das ações consideradas essenciais para o desenvolvimento dos projetos são as parcerias com o voluntariado da comunidade; este se encontra em desenvolvimento crescente através do incentivo às visitas aos moradores, visto que muitos não possuem família. Os 14 projetos, sendo 12 projetos voltados para idosos e adultos, 01 para as crianças e 01 voltado para os funcionários que realizam os atendimentos. Estes projetos são realizados em parceria com a equipe interdisciplinar, que oferece o suporte necessário para as atividades. Os projetos específicos atendem 17 idosos, 114 adultos e 19 crianças; no entanto, todos os moradores, incluindo os 117 funcionários, podem participar dos projetos conjuntos. Os projetos:

5 1. PROJETO "DESCOBRINDO UM AMIGO": projeto de inclusão social que envolve o acolhimento dos pacientes pela comunidade local para um lanche da tarde. Em termos práticos, envolve 3 a 4 pacientes por vez, 1 vez por semana. Profissionais envolvidos: fonoaudióloga e pedagoga. 2. PROJETO "PEQUENO CANTO : projeto de canto coral realizado com 18 pacientes, de 13 a 62 anos, escolhidos pelo interesse pela atividade, independente dos limites impostos pelas deficiências. Os ensaios são semanais; as apresentações ocorrem em diversos eventos. Profissionais envolvidos: fisioterapeuta, fonoaudióloga e pedagoga. 3. JORNAL DA CASA: jornal interno, realizado semanalmente, com 20 pacientes. São discutidas as notícias da semana (recortes de Jornal e fixação em mural), realizadas entrevistas com funcionários e representantes da comunidade, além do envio de recados através de um mural afixado. Profissional envolvido: terapeuta ocupacional. 4. PROJETO "QUINDIM": projeto de cozinha experimental, realizado semanalmente, com 13 pacientes. Elaboração e escolha do cardápio realizado pelos mesmos. Profissionais envolvidos: terapeuta ocupacional, nutricionista e monitora. 5. OFICINA DE ARTE: oficina de artes, com 12 moradores, desenvolvendo atividades artesanais, bem como realizando exposições e vendas dos trabalhos. Profissionais envolvidos: pedagoga e terapeuta ocupacional 6. PROJETO "FELIZ ANIVERSÁRIO": passeio mensal para comemoração dos aniversários do mês, em bares da cidade e região. Participam 43 pacientes e equipe técnica.

6 Considerações finais Esses projetos, que visam a reabilitação neurológica, contribuem para a manutenção da qualidade de vida de cada morador, em especial dos idosos, pela estimulação constante. Trabalhar com idosos com deficiências físicas e mentais ainda é um grande desafio para a equipe multi-profssional. Certamente, o amadurecimento vem com a prática; com a leitura perspicaz do não-verbal, com a motivação que resulta das pequenas evoluções, com as grandes lições aprendidas com o nossos paciente. Referencias Bibliográficas CHAIMOWICZ, Flávio e GRECO, Dirceu B. (1999) Dinâmica da institucionalização de idosos em Belo Horizonte, Brasil. Rev. Saúde Pública [online], vol.33, n.5, pp FERRARETTO, Ivan & SOUZA, Ângela M. C. (1998) Paralisia Cerebral _ aspectos práticos. São Paulo: Memnon. FREITAS Elisabete Vianna, PY Ligia, NERI Anita Liberalesso, CANÇADO Flávio Aluísio Xavier, GORZONI Milton Luiz, ROCHA SM, editores. (2002) Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. p LEITE, Jaqueline Maria Resende Silveira, PRADO Gilmar Fernandes do Paralisia cerebral. (2004) Aspectos Fisioterapêuticos e Clínicos. Rev. Neurociencias, v. 12, no. 1. TEIVE, Hélio A. G.; ZONTA, Marise; KUMAGAI, Yumi. (1998) Tratamento da espasticidade: uma atualização. Arq Neuropsiquiat; 56 (4): 852 _ 858. ROTTA, Newra Tellechea. (2002) Paralisia cerebral, novas perspectivas terapêuticas. J. Pediatr. (Rio J.) [online]. vol.78, suppl.1, pp. S48-S54.

7 Profª. Micheli Patrícia de Fátima Magri, Enfermeira, especialista em geriatria, mestranda curso de gerontologia da PUC-SP. Renata Castilho, Fisioterapeuta, mestranda curso de gerontologia da PUC-SP. Prof. Ms. Rogério Benedito de Brito, Mestre em Modelagem matemática e Estatística pela UNINCOR. Profª. Drª. Elisabeth Frolich Mercadante, vice-coordenadora do mestrando de gerontologia da PUC-SP.

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