A FORMAÇÃO DE LEITORES: O CASO DO GRUPO AIMIRI OS CONTADORES DE HISTÓRIAS

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1 XIV Encontro Regional dos Estudantes de Biblioteconomia, Documentação, Ciência da Informação e Gestão da Informação - Região Sul - Florianópolis - 28 de abril a 01 de maio de 2012 A FORMAÇÃO DE LEITORES: O CASO DO GRUPO AIMIRI OS CONTADORES DE HISTÓRIAS Moara Oliveira da Costa 1 RESUMO Relato de experiência acerca das atividades exercidas no "Grupo Aimiri contadores de histórias. O Grupo realizou de março a dezembro de 2010, nos parques e praças de Manaus, atividades que visavam estimular a leitura, formando leitores por meio da contação de histórias. O grupo objetiva contribuir para a formação de novos leitores, atuando intensamente no incentivo à leitura, por meio das atividades de contação de contos, poemas e diversos gêneros literários. Os procedimentos metodológicos elaborados para o Grupo Aimiri contadores de histórias foram definidos em encontros e reuniões para a organização e planejamento das ações, envolvendo as crianças e as suas famílias no universo da leitura. O projeto resultou em uma percepção do contexto da leitura nas fases iniciais, no município de Manaus. Palavras-chave: Contação de histórias. Formação de Leitores. Incentivo à leitura. Grupo Aimiri. 1 INTRODUÇÃO A leitura pode proporcionar ao leitor diversas possibilidades de vivências, reflexões, abertura de novos conceitos e estimular o senso crítico ao ocupar um papel formador na vida do indivíduo. Por meio da contação de histórias, a leitura pode também estimular a imaginação, bem como possibilitar a compreensão que permitirá a troca de experiências e vivências de sentimentos na interação do livro com o leitor. O Grupo Aimiri os contadores de histórias tiveram a sua formação no período de março a dezembro de 2010, depois das discussões sobre a leitura. 1 Graduando da 8ª período de Biblioteconomia da Universidade Federal do Amazonas.

2 A equipe de contadores de histórias era formada por seis integrantes que, em encontros, discutiam sobre o papel da leitura e os aspectos para envolver a sociedade com o ato de ler. Foram pontuados meios de chegar até ela, bem como a trabalhar na classificação e preparação das histórias, na escolha do lugar que iriam ser realizadas as contações e a criação do nome da equipe de contadores de histórias. As contações de histórias eram feitas nos finais de semana, nas praças e nos parques em Manaus. A equipe de contadores de histórias proporcionava para as crianças uma nova alternativa de interação e divertimento ao ar livre. O Grupo Aimiri contadores de histórias objetivava contribuir para a formação de novos leitores, atuando intensamente no incentivo à leitura, por meio das atividades de contação de contos, poemas e grandes histórias de diversos gêneros literários, com o acompanhamento de técnicas teatrais para despertar a atenção e o interesse das crianças, ao fazer a união do ambiente das praças e parques com a contação de histórias, passando a estimular a geração de novos conceitos. Essa atividade justifica-se na necessidade de se formar leitores e desenvolver cidadãos críticos, conscientes e que tenham a capacidade de comunicação. Dessa forma, as atividades desenvolvidas pelo grupo têm por finalidade salientar a importância da leitura nas diversas situações para que sejam desenvolvidas nas crianças, por meio do ato de ler, as capacidades de expressão, compreensão, além de inserir valores éticos na formação de cidadãos. Portanto, colocar a criança em contato com as histórias, os contos, os poemas e outros gêneros literários, permitirá que ela desenvolva habilidades lúdicas, agregando possibilidade de entendimento e compreensão do mundo. Dessa forma, a leitura possibilita a interação do leitor com o livro, pois proporciona diversas possibilidades de vivências ao reorganizar opiniões, alterar sentidos, reinventar e experimentar sentimentos ao ler. 2 O RELATO DE EXPERIÊNCIA O Grupo Aimiri contadores de histórias nasceu da intenção de colaborar com a formação de leitores no trabalho de incentivo à leitura com a contação de histórias. O grupo teve sua formação no período de março a dezembro de 2010, depois das discussões sobre as mudanças do contexto da leitura.

3 Inicialmente formado por uma bibliotecária, uma professora, três alunos de biblioteconomia e um aluno de filosofia, o grupo encontrava-se para debater sobre o papel da leitura e os aspectos para envolver a sociedade com o ato de ler. Dentre essas discussões, pontuávamos os meios de como chegar até ela, como trabalhar na classificação das histórias, na escolha do lugar que iriam ser realizadas as contações e a criação do nome da equipe, no qual, neste último, teve-se a preocupação de escolher uma palavra que representasse as atividades do grupo e caracterizasse sua origem. O nome Aimiri é de origem Tupi-Guarani que significa formiguinhas, trabalho perseverante a elas, uma vez que as formiguinhas agem em conjunto e aos poucos realizam os seus objetivos. As contações de histórias eram feitas nos finais de semana, nas praças e nos parques, em Manaus. Em meio à arborização dos locais, o Grupo Aimiri proporcionava às crianças um lugar encantador e saudável, oferecendo uma nova alternativa de interação e divertimento ao ar livre. São nos parques e praças que se concentram as crianças, e fazer com que esses pequenos tenham a capacidade de se relacionar com a sociedade por meio das histórias é algo fascinante. A troca de ideias permite a compreensão, a transformação e a visão crítica sobre as coisas. O grupo visava formar leitores e desenvolver cidadãos críticos, conscientes e capazes de tomar decisões, pregando a leitura como agente transformador, por meio da prática da contação de histórias. 2.1 Fundamentação teórica A contação de história oferece às crianças momentos divertidos e prazerosos ao aguçar o interesse para novas leituras, além de proporcionar uma sadia ocupação e despertar a curiosidade na busca das ideias. A contação diverte e estimula a imaginação. De acordo com Coelho (1993, p.44): Os pequenos quando tem o contato com os bons gêneros literários, além de despertar a sua imaginação estimula a expressão de ideias e expressão corporal, quando buscam representar os personagens das histórias ao se colocarem no lugar dos personagens dos contos de fadas.

4 A contação não se concentra em um único ideal, pois suas funções podem influenciar ou despertar o ouvinte em diversas vertentes do conhecimento. Ter a contação de história como um ato de estímulo e incentivo à leitura na busca de novos leitores é uma estratégia de manifestar no aluno a vontade de ler, pois, como menciona Meireles (1979, p.42): [...] o gosto de ouvir é como o gosto de ler. Para quem gosta de ouvir histórias provavelmente gostará de lê-las. A criança não tem o domínio dos códigos e sinais linguísticos, logo o que encanta esses pequenos ao mundo das histórias são as figuras, a vivacidade de como essas histórias são contadas e fazer com que tenham relação com o texto ao folhearem o livro. Para criança que não lê, é importante que alguém leia as histórias para ela, pois essa pode ser a atitude inicial para despertar para ala o mundo das leituras. Segundo Cecília Meireles (1984, p.55): não se pode pensar numa infância a começar logo com a gramática e retórica: Narrativas orais cercam a criança da antiguidade com as de hoje. Assim mitos, fábulas, lendas, aventuras, poesia, teatro, festas populares, jogos e representações variadas ocupam no passado, o lugar que hoje concedemos ao livro infantil. A contação de história diverte, desperta a imaginação e, se bem contada, pode alcançar outros objetivos, como o interesse e a compreensão das situações do cotidiano, proporcionar a autoidentificação por meio das histórias, educar, solucionar problemas, bem como a resolver conflitos ao auxiliar na formação do cidadão o seu desenvolvimento intelectual e inserir valores éticos contribuindo positivamente para sua formação. Ainda salienta Fernandes (2003, p.70) que: O livro, dado o seu conteúdo, possibilita ao leitor situar-se no mundo e o auxilia a interpretar a realidade e os acontecimentos que o cercam, de maneira crítica, reflexiva e consciente. O mundo da linguagem leva a formação de ideias, dos valores e dos sentimentos que estão presentes na vida real. Os livros e os textos, se apresentados de maneira prazerosa, criativa e agradável, despertam interesse, entusiasmo e desejo de participação. Portanto, torna-se oportuno salientar a importância da leitura na formação dos leitores, pois essa prática permite a formação de um cidadão crítico na interação do leitor com os textos, ao permitir a construção de novas ideias.

5 2.2 Atividades Desenvolvidas A escolha do nome do Grupo: Teve-se a preocupação em escolher uma palavra que representasse as atividades do grupo e caracterizasse sua origem. O nome Aimiri é de origem Tupi-Guarani que significa formiguinhas. O trabalho realizado pelo contador de histórias é perseverante como o trabalho delas, uma vez que as formiguinhas agem em conjunto e aos poucos realizam os seus objetivos. A escolha do lugar para as contações: As contações de histórias eram feitas nas praças e nos parques, em Manaus. Em meio à arborização dos locais, o Grupo Aimiri proporcionava às crianças um lugar encantador e saudável, oferecendo uma nova alternativa de interação e divertimento ao ar livre. São nos parques e praças que se concentram as crianças, e fazer com que esses pequenos tenham o desenvolvimento da capacidade de se relacionar, na sociedade, por meio das histórias é algo fascinante. A troca de ideias permite a compreensão e a visão crítica sobre as coisas. A classificação das histórias: Ao perceber que nos parque a frequência de crianças, que não sabiam ler, era grande, o grupo optou por fazer a leitura da literatura infantil, nas quais os livros possuem grandes e coloridas ilustrações. De início, o grupo realizava a contação de lendas amazônicas como a lenda do Boto, da Cobra-grande, do Curupira, da Iara, do Guaraná, do Rio Amazonas, dentre outras, que constituem, em suas páginas, histórias lúdicas que proporcionava aos pequenos um mundo encantado de imaginação. Mais tarde, o grupo fez a aquisição de novos livros, passando a incluir nas contações a literatura infanto-juvenil, ao perceber a frequência desse público nas rodas de leituras com os livros Meu nome é Rorbeto, do Gabriel Pensador, Se essa rua fosse minha, do Eduardo Amos, Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque, dentre outras literárias, de aspectos ambientais e comportamentais, para auxiliar na formação dos leitores, a fim conscientizá-lo dos fatos cotidianos, contribuindo na construção de novos pensamentos ao aguçar a curiosidade. A seleção das histórias na contação deve ser feita conforme o interesse e as necessidades do ouvinte. O tempo de duração das histórias também é relevante,

6 uma vez que as crianças tem o demorado como cansativo e chato. Por isso, fazer uma contação curta e rápida mantém a atenção dos pequenos. A preparação para a contação: Antes de começar a contação das histórias, uns trinta minutos antes, eram realizados exercícios vocais e um prévio estudo das histórias que iriam ser contadas. É oportuno mencionar a importância da apresentação da história que podem ser contadas de diversas maneiras de acordo com as técnicas do contador. Dessa forma, o contador tem a atenção do ouvinte ao cativar de forma criativa o primeiro contato com o expectador. A contação: Depois de todo o processo de preparação e escolhas das histórias, iniciava-se a contação, a qual era feita por cada integrante do grupo, com as suas respectivas técnicas, com a intenção de obter a atenção dos ouvintes. A preocupação do grupo era fazer com que os conteúdos das histórias fossem compreendidos pelos pequenos, por meio da contação em voz alta, juntamente com as técnicas teatrais, objetivando atender as crianças que não soubessem ler. Sabe-se do desafio ao tentar mudar o contexto de um país de poucos leitores, porém a intenção para ocorrer a mudança é um sinal a favor para um futuro melhor. A contação de histórias proporciona grandes estímulos e pode desenvolver nas crianças a sensibilidade de perceber o mundo ao seu redor, bem como o papel de destaque na formação integral e intelectual. 2.3 Metodologia Os procedimentos metodológicos elaborados para o Grupo Aimiri contadores de historias foram definidos em encontros e reuniões nos finais de semana para a organização e planejamento das ações envolvendo as crianças e as suas famílias no universo da leitura. Nessas reuniões, o grupo se comprometia a estudar literaturas sobre o incentivo à leitura e a formação de leitores, para debates e compreeensões das práticas educativas com as crianças. Essas reuniões foram compreendidas no período de maio a dezembro, onde se discutia as literaturas referente à temática sobre a leitura. Era uma espécie de dever de casa para cada integrante do grupo fornecer e doar novas ideias, depois dos estudos para fazer da contação de histórias práticas, lúdicas e criativas.

7 Os integrantes do grupo realizavam, periodicamente, os ensaio com as técnicas vocais e teatrais nas histórias de cada livro, procurando diversas formas de contar a mesma história para obter a atenção do expectador. 2.4 Resultados Foram analisados os resultados das práticas realizadas pelo grupo a respeito da formação de leitores por meio da contação de histórias. As análises se basearam na observação do comportamento das crianças e suas famílias, em relação às contações de histórias. Os resultados obtidos, em parte, fugiram das realidades colocadas pelos referenciais teóricos. Ora algumas famílias e crianças alegravam-se com as práticas de contação e percebía-se as mesmas carinhas em todos os finais de semana, nas praças e parques, no qual podemos apontar, como ponto positivo; e ora algumas famílias evitavam que suas crianças chegassem perto dos nossos tapetes com os livros. Certa vez uma mãe de duas crianças que brincavam no parque disse que preferia que seus filhos ficassem brincando ao invés de ouvir histórias, justificando que elas estavam de férias. Porém este último serviu para refletirmos sobre a realidade em que a leitura é culturalmente encarada pela sociedade. O retorno durante os nove meses com o grupo na contação de histórias, nas expressivas vezes, foram de aceitação e reconhecimento. O grupo teve a oportunidade de mostrar o trabalho desenvolvido nos meios de comunicação de massa, dentre eles uma matéria no principal jornal impresso de Manaus, o Diário do Amazonas, do dia 22 de agosto de Nesse artigo tivemos a oportunidade de abordar as questões da leitura e o mostrarmos um pouco desse contexto na cidade de Manaus Foi possível compreender, nesse proceso, a grande importância do profissional bibliotecário com a formação e desenvolvimento das ideias e discussões na sociedade acerca da leitura. Pois o bibliotecário tem o papel de mediador e incentivador da leitura, logo, não pode deixar de exercer uma de suas principais funções: a disseminação da informação e a promoção do conhecimento. A participação de um bibliotecário e de estudantes de biblioteconomia nesse processo enriqueceu o desenvolvimento da ação social, bem como serviu de grande

8 experiência para os outros profissionais envolvidos no grupo de contação de histórias. 3 CONCLUSÃO Com os estudos feitos sobre a leitura e o conhecimento adquirido a partir da experiência com a contação de histórias, foi possível constatar a importância dessa prática no desenvolvimento e na transformação do indivíduo. A leitura pode ocupar um papel formador na vida do leitor, uma vez que possibilita a abertura de novos conceitos, formação crítica, a troca de sentimentos, vivência de experiências, o poder de reinventar a história e viver diversos rumos de vida. Num país de poucos leitores, por o livro ser bastante caro, se tem a carência no ato de ler. Porém as iniciativas para mudar o contexto em relação ao incentivo à leitura é um passaporte para um grande começo na mudança do contexto. A leitura é capaz de proporcionar a formação do indivíduo para a descoberta de novos caminhos e horizontes ao abrir um campo de possibilidades acerca da vida. O caminho para obter essa formação deve ser trabalhado na infância, na fase em que a criança começa a formar seus conceitos a relacionar suas experiências com as histórias das ficções. Essa interação do leitor com o livro proporciona um contato para o início do universo das curiosidades e o surgimento de novas ideias. Os resultados obtidos por meio das práticas do grupo foram a percepção sobre a ideias que alguns pais tem sobre a leitura, encarando-a como obrigação e falando pela vontade de seus filhos de lerem os livros expostos no tapete da leitura. Observou-se que os pais poderiam também ser reeducados para então plantarem em casa o desenvolvimento da leitura em seu ambiente como agente transformador. Por meio das práticas percebemos que toda criança tem vontade de ler e ouvir uma boa história, de desvendar e descobrir o seu mundo, porém as autoridades bloqueiam essas vontades deixando de enxergar a necessidade da sociedade nas questões de formação e desenvolvimento. Por fim, salienta-se a importância da leitura como instrumento transformador ao formar leitores com vontade de mudar o espaço onde vive com a produção de novas ideias fornecidas e enriquecidas ao lerem nas entre linhas de cada frase e parágrafos nos livros. É uma pena que os governantes não percebam que esse

9 instrumento é de suma importância no processo de formação de uma sociedade justa e consciente de seu papel no mundo. Para que isso aconteça seria interessante investir na educação, na elaboração de programas de leituras e valorização das bibliotecas nas escolas, para que possam realmente cumprir a sua missão na sociedade.

10 REFERÊNCIAS COELHO, Beth. Contar histórias: uma arte sem idade. São Paulo: Ática, 2001 COELHO, Nelly Novaes. Literatura infantil: teoria-análise-didática. 6 ed. São Paulo:Ática, p. FERNANDES, Dirce Lorimier. A literatura infantil. São Paulo: Loyola, MEIRELES, Cecília. Problemas da Literatura Infantil. São Paulo: Summus,1979. PETIT, Michèle. Os jovens e a leitura: uma nova perspectiva. Tradução Celina Olga de Souza. São Paulo: Editora 34, RODRIGUES, Bruno. Como criar o hábito da leitura na infância?. Disponível em: < m> Acesso em: 07 fev

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