MOÇAMBIQUE. Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP. Maio de Parceiro estratégico:

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1 MOÇAMBIQUE Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP Maio de 2014 Parceiro estratégico:

2 Índice Acrónimos SADC. Enquadramento regional, político e económico Caracterização da comunidade Principais objetivos e aspirações da SADC Os Estados Membros da SADC Mecanismos de integração e prioridades no desenvolvimento da SADC A SADC enquanto comunidade económica SADC e a COMESA As economias da SADC Angola. O maior produtor de petróleo da região e um dos maiores de África Moçambique. Forte potencial de Gás Natural África do Sul. O país com o maior PIB do continente africano Lesoto, Madagáscar, Maláui, República Democrática do Congo, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabué. Regiões de forte orientação agrícola Suazilândia e Zimbabué. Economias em transição para a atividade industrial Seicheles. SIDS com economia orientada para o Turismo Maurícias. Peso relevante da indústria, mas com motor nos serviços Botsuana, Namíbia e Zâmbia. Regiões de forte orientação para a indústria extrativa Trocas comerciais na SADC Complementaridade das Economias Comércio intrarregional África do Sul e Angola. Os países com maior intensidade comercial na região Comércio extrarregional Principais parceiros comerciais da SADC Trocas comerciais entre a CPLP e a SADC Investimento direto estrangeiro na SADC SADC. Oportunidades de investimento na modernização da agricultura e do tecido industrial Principais setores de oportunidade por país, aeroportos e portos Principais produtos importados pelos países da SADC e oportunidades para as empresas Portuguesas África do Sul. O país com maior peso na região Macroeconomia PIB da economia Sul-Africana Orçamento Geral do Estado Dívida Pública externa e interna Estrutura produtiva PIB por Setor

3 Composição do Setor Empresarial do Estado Política económica Perspetivas futuras Prioridades estratégicas da África do Sul Infraestruturas e energia Grandes projetos de investimento previstos com infraestruturas Abertura da Economia e Relações Comerciais Principais setores de oportunidade Investimento direto estrangeiro na África do Sul Financiamento à Economia Principais bancos presentes Bancarização da população Microcrédito Taxas de juro de financiamentos Bolsa de valores Moçambique. Uma potência no setor do carvão, uma potência emergente no setor do gás natural Macroeconomia PIB da economia moçambicana Orçamento Geral do Estado Dívida pública Reservas de moeda estrangeira Nível de financiamento à Economia Evolução das taxas de juro e variação da liquidez Política Económica Estrutura produtiva PIB por setor Setor empresarial do Estado Aproveitamentos hídricos e recursos naturais Infraestruturas e energia Grandes projetos de investimento previsto em infraestruturas Abertura da economia e relações comerciais Investimento direto estrangeiro de, e para Moçambique Principais polos de desenvolvimento Principais setores de oportunidades Financiamento à economia Principais bancos presentes Bancarização da população Taxas de juro de empréstimo

4 Bolsa de valores Breve descrição do mercado de trabalho e do regime de segurança social População Ativa Desemprego Desigualdades Breve descrição do regime de Segurança Social Como investir? Fases/Etapas a observar no Processo de estabelecimento em Moçambique Incentivos e benefícios ao investimento Benefícios genéricos Benefícios Específicos Principais mecanismos de financiamento Competitividade de Moçambique Atratividade de Moçambique no contexto regional Principais constrangimentos ao IDE e Exportação Alfândegas Barreiras aduaneiras: tarifas, barreiras não tarifárias, outros impedimentos Estabilidade legal e fiscal Barreiras legais, fiscais e regulamentares Obtenção de vistos, disponibilidade de mão-de-obra Modelos de cobertura de risco Financeiros, operacionais, propriedade Sistema jurídico e judicial Resolução extrajudicial de litígios em Moçambique Principais características dos acordos Moçambicanos no domínio do comércio e investimento Protocolos existentes e posicionamento de Moçambique face aos mesmos Acordos críticos estabelecidos (PTA, DTT, BTA e BIT) Acordos entre Estados Unidos e Moçambique AGOA Acordos entre a União Europeia e Moçambique Atratividade de Moçambique no contexto CPLP

5 Acrónimos ACP African, Caribbean, and Pacific Group of States ACI - Acordos Comerciais de Investimento ADT Acordo para evitar a Dupla Tributação AGO Angola AGOA African Growth and Opportunity Act ANIP Agência Nacional de Investimento Privado APPRI Acordos de Promoção e Proteção Recíproca de Investimentos ASEAN Association of Southeast Asian Nations BAfD Banco Africano de Desenvolvimento BD Barris (de petróleo) por dia BDI Burundi BEI Banco Europeu de Investimento BIT Bilateral Investment Treaty BM Banco Mundial BNA Banco Nacional de Angola BNT Barreiras Não Tarifárias BTA Bilateral Trade Agreements BT Barreiras Tarifárias BWA Botsuana CAGR Compound Annual Growth Rate - Taxa de crescimento anual composta CAF República Centro-Africana CCI Câmara de Comércio Internacional CCIPA Câmara de Comércio e Indústria Portugal - Angola CEDEAO Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental 5

6 CEEAC Comunidade Económica dos Estados de África Central CGD Caixa Geral de Depósitos CMR Camarões COD República Democrática do Congo COG Congo CPLP Comunidade dos Países de Língua Portuguesa CRIP - Certificado de Registo de Investimento Privado (Angola) DB Ranking Doing Business EIU - Economist Intelligence Unit EM Estados Membros EUA Estados Unidos da América FAO Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura FMI Fundo Monetário Internacional GAB Gabão GATT General Agreement on Tariffs and Trade GNL Gás Natural Liquefeito GNQ Guiné Equatorial IDE Investimento Direto Estrangeiro IDH Índice de Desenvolvimento Humano INE Instituto Nacional de Estatística IPA Investment Promotion Agency IRT - Imposto sobre o Rendimento do Trabalho LSO Lesoto LUPP Luanda Urban Poverty Programme MDG Madagáscar MERCOSUL Mercado Comum do Sul 6

7 MIGA - Agência Multilateral de Garantia de Investimentos MMTZ Maláui-Moçambique-Tanzânia-Zâmbia MPME micro, pequenas e médias empresas MOZ Moçambique MUS Maurícias MWI Maláui NAM Namíbia OCDE Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico OEM Original Equipment Manufacturer OMC Organização Mundial do Comércio OMPI - Organização Mundial da Propriedade Intelectual OPEP Organização dos Países Exportadores de Petróleo PE Projetos Estruturantes PIB Produto Interno Bruto PME pequenas e médias empresas PPPs Parcerias Público-Privadas PTAs Preferential Trade Arrangements RDC República Democrática do Congo SACU Southern African Customs Union SADC Southern African Development Countries SIDS Small Islands Developing States STP São Tomé e Príncipe SWZ Suazilândia SYC Seicheles TBI Tratado Bilateral de Investimento TCD Chade 7

8 TIC Tecnologias de Informação e Comunicação TZA Tanzânia UE União Europeia UNCTAD United Nations Conference for Trade and Development USAID United States Agency for International Development WTTC World Travel & Tourism Council ZAF África do Sul ZCL Zona de Comércio Livre ZMB Zâmbia ZWE Zimbabué 8

9 Nota prévia 9

10 Nota prévia O presente documento constitui resultado de um trabalho de pesquisa e análise que decorreu entre 1 de julho e 31 de Dezembro de 2013, ao abrigo de contrato celebrado entre a AIP Associação Industrial Portuguesa ( AIP ) e a PricewaterhouseCoopers&Associados Sociedade de Revisores Oficiais de Contas, Lda. ( PwC ). Os elementos estatísticos, dados e informação constantes do presente documento e que serviram de base à análise e conclusões obtidas, têm por base informação pública disponível, como referenciado ao longo do documento, as quais foram alvo de apreciação quanto à sua materialidade e aplicabilidade à análise, tendo presente critérios de razoabilidade e aderência às realidades locais e regionais, e que sejam do nosso conhecimento. Foram integrados alguns dados e elementos adicionais que foram publicados após a fase de pesquisa e análise dada a sua relevância para o estudo. Esta comunicação é de natureza geral e meramente informativa, não se destinando a qualquer entidade ou situação particular, e não substitui aconselhamento profissional adequado ao caso concreto. As conclusões obtidas e os cálculos efetuados estão dependentes da qualidade da informação obtida em todos os aspetos materialmente relevantes, sendo que a informação recolhida foi considerada como adequada, não tendo sido realizada qualquer forma de auditoria ou certificação, para além do referido, que não as de consistência com fontes concorrentes ou complementares, salvo indicação expressa em contrário. Os valores e as conclusões apresentados só terão sustentabilidade caso se verifiquem os pressupostos considerados, não podendo este estudo ser entendido como uma garantia ou confirmação de que esses pressupostos se verificarão. Desta forma, as nossas conclusões devem ser analisadas em função das limitações referidas. A PwC e a AIP, não se responsabilizarão por qualquer dano ou prejuízo emergente de decisão tomada com base na informação aqui descrita. Em nenhuma circunstância, assumiremos qualquer responsabilidade relativamente a terceiros que tenham acesso ao presente documento. Projeto Co-Financiado: 10

11 Sumário Executivo 11

12 Sumário Executivo A redefinição das centralidades de dinamismo económico, a par da relativa contração das economias desenvolvidas, confere uma nova relevância às economias emergentes. Entre estas, os países da CPLP e a Região Administrativa Especial de Macau (RAE Macau) assumem um papel relevantíssimo, não só pelo seu potencial intrínseco, mas também por se encontrarem inseridas em comunidades económicas regionais em crescente integração económica. Constituem, assim, um incontornável desafio e uma oportunidade única para os empresários nacionais. Com efeito, os países da CPLP e a RAE de Macau encontram-se integrados em sete espaços regionais económicos distribuídos por quatro continentes. Estima-se que o espaço lusófono tenha cerca de 258 milhões de habitantes e as regiões económicas que integram cerca de 1.8 mil milhões de habitantes. Os estados membros da CPLP e a RAE de Macau apresentam, no seu conjunto, potencialidades e características próprias que podem permitir aumentar as exportações das empresas portuguesas, potenciar novas parcerias para a sua internacionalização e atrair investimento direto estrangeiro. CPLP Características % Comércio CPLP (% Quota Mundial) % - Valor População CPLP 2012, % da população mundial 3,68% CPLP - Total do comércio mundial 3,9% - US$ 706 mil milhões PIB 2012, % do PIB mundial 3,67% Exportações totais CPLP Água disponível na CPLP 2012, % mundo 13,53% Importações totais CPLP 2,1% - US$ 379 mil milhões 1,8% - US$ 327 mil milhões Terra arável disponível na CPLP, % mundo 5,86% Fonte: Banco Mundial, FAO e UNCTADstat Acresce que muito embora os países da CPLP apresentem uma dinâmica de crescimento relevante, quando comparados com o resto do mundo, verificamos a existência de um gap. Ora, este gap deverá poder ser minimizado ou revertido, através do incremento da cooperação e da integração da CPLP, assente na proximidade cultural e na complementaridade de competências. 12

13 Taxa de crescimento estimada 5% 4.37% 4.46% 4.51% 4.49% 4.04% 4% 3.31% 3.24% 3.40% 3.38% 3.54% 3% 2.35% 2.60% 2% O reforço da integração no espaço comum lusófono e o estabelecimento de players regionais e de redes de empresas oriundas desse espaço facilitarão o acesso a novos consumidores, com preferências tendencialmente convergentes, e a mercados com elevadíssimo potencial de desenvolvimento e forte necessidade de investimento. Por outro lado, o desenvolvimento será exponenciado com o desenvolvimento dos grandes projetos de infraestruturas regionais, aumentando ainda o grau de integração de cada uma das comunidades económicas regionais. Fonte: FMI e análise PwC CPLP Mundo Adicionalmente, grandes áreas dessas regiões não apresentam, ainda, um nível de concorrência particularmente elevado, podendo conferir uma vantagem relevante (first mover) aos investidores que primeiro acedam ao mercado. As comunidades económicas regionais a que pertencem os demais países da CPLP e a RAE de Macau, são constituídas por 53 países, aos quais acrescem ainda os EM da União Europeia e do Espaço Económico Europeu. Apesar de Timor-Leste ainda só ser membro observador da ASEAN já apresentou o pedido formal de adesão à ASEAN. Comunidades económicas regionais* SADC Estados Membros: Angola, Botsuana, República Democrática do Congo, Lesoto, Madagáscar, Maláui, Maurícias, Moçambique, Namíbia, Seicheles, África do Sul, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabué. MERCOSUL Estados Membros: Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela. CEEAC Estados Membros: Angola, Burundi, Camarões, República Centro - Africana, Chade, Congo, República Democrática do Congo, Guiné Equatorial, Gabão e São Tomé e Príncipe. ASEAN Estados Membros: Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Brunei Darussalam, Vietname, Laos, Myanmar e Camboja. Membros observadores: Papua Nova Guiné e Timor-Leste. CEDEAO Estados Membros: Benim, Burkina Faso, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Libéria, Mali, Níger, Nigéria, Senegal, Serra Leoa e Togo. *RP China e RAE Macau * A RAE Macau apesar de não se encontrar numa comunidade económica regional foi analisada enquanto plataforma para a China e RAE Hong-Kong. 13

14 O presente guia procura portanto enfatizar como os países da CPLP e a RAE de Macau podem contribuir para as exportações portuguesas e o IDE nacional, enquanto plataformas de acesso àqueles mercados de integração regional. E, reciprocamente, enfatizar ainda como Portugal pode tornar-se uma plataforma de acesso do resto do mundo àqueles mercados e, simultaneamente, promover também as exportações e o IDE oriundos daquelas regiões, enquanto plataforma de acesso à União Europeia e ao Espaço Económico Europeu. Para o efeito procurou-se caraterizar, nas suas múltiplas dimensões, os mercados das comunidades económicas regionais, o país com maior representatividade económica na região e o país da CPLP. Foi analisado um conjunto muito alargado de variáveis económicas e oportunidades nestes mercados que resultam no presente guia de investimento não só para os mercados alvo, neste caso Moçambique, como também para a respetiva comunidade económica regional, neste caso a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC). Conhecer a estratégia regional comum e o nível de integração dos países, permitirá antecipar as tendências de desenvolvimento da economia, o comportamento dos mercados e a sua futura evolução, que será sempre reforçada pelo processo de integração destas regiões e consequente convergência económica. Moçambique e a SADC A crescente integração regional de Moçambique na SADC, apoiada na sua localização geográfica, no desenvolvimento dos corredores de ligação aos países vizinhos e na crescente disponibilidade de recursos naturais, poderá incrementar o potencial de crescimento deste país e permitir o desenvolvimento de oportunidades nos mercados adjacentes pelos agentes económicos da CPLP (sendo o oposto, igualmente, um objetivo). O crescimento económico em Moçambique tem vindo a assumir uma maior solidez desde A transformação da economia assentou nomeadamente em: i) incremento do investimento direto estrangeiro (para compensação da deficitária conta corrente) que em 2011 ultrapassou pela 1º vez os apoios internacionais (em parte resultante da disponibilidade de recursos naturais) e ii) a estabilidade macroeconómica para a qual tem contribuído a manutenção do rácio entre dívida pública e PIB (após um perdão parcial de dívida, ao abrigo de uma iniciativa do FMI). O crescimento anual do PIB tem registado valores superiores a 7% (7,3% em 2011 e 7,4% em 2012), para o qual contribuíram a generalidade dos diversos setores da economia, embora com preponderância no setor extrativo, setor agrícola e setor financeiro. Estes valores deverão ser colocados em perspetiva com acontecimentos recentes, como as cheias de 2013 e alguma instabilidade social localizada em regiões específicas de Moçambique. No sentido de facilitar e promover o crescimento económico o Governo Moçambicano definiu como prioridades estratégicas para Moçambique: i) Crescimento das exportações em 21% (comparativamente a 2013); ii) Aumento do saldo de reservas internacionais líquidas para US$ 3 mil milhões, permitindo uma cobertura de importações de bens e serviços superior a 3 meses; iii) Melhoria da quantidade e qualidade de serviços públicos de educação, saúde, água e saneamento, estradas e energia. É de realçar a previsão do aumento do investimento em infraestruturas com possíveis financiamentos do Banco Mundial para suportar parte da execução do investimento público, assim como a aceleração da capacidade produtiva de carvão a médio prazo, a extração futura bem-sucedida de gás natural, e a superação de limitações estruturais históricas (ex: elevada taxa de abandono escolar). São áreas em que os agentes económicos privados, juntamento com o Estado, terão um papel preponderante e de onde emergem oportunidades que poderão ser exploradas. Moçambique assume-se, cada vez mais, como um país de sucesso, como uma nação segura, como um centro de negócios e como um território de progresso e estabilidade. 14

15 Setores relevantes no país: As principais oportunidades em Moçambique em encontram-se alavancadas em: Setor primário: 90% da terra arável total por cultivar (de realçar que é dos países abundantes em terra arável da SADC); vastas bacias hidrográficas que permanecem por explorar; extensão litoral superior a kms; e, zona económica exclusiva que ronda os 585 mil m2 de superfície oceânica. Setor secundário: recursos naturais significativos, nomeadamente em relação às reservas de carvão e gás natural; crescimento exponencial previsto para o setor cimenteiro; necessidade de desenvolvimento de infraestruturas sociais; e potencial energético de MW. Setor terciário: possibilidade de se posicionar como um player turístico da África Austral (exploração de praias paradísicas; Comércio Internacional de Moçambique com os parceiros económicos: Moçambique poderá desenvolver vantagens competitivas na região assentes em: i) dimensão e posição geográfica, ii) estabilização do sistema bancário, iii) facilidade de negócio na região (do qual resulta a criação e funcionamento de uma Zona Económica Especial em Nacala - região de Nampula - e projeto de criação de uma Zona Franca Industrial na região da Beira). Relações comerciais: As suas principais relações comerciais são com a África do Sul, Países Baixos, e Emirados Árabes Unidos, que representam no conjunto cerca de 47% das importações totais de Moçambique. As importações globais de Moçambique ascendem a um total anual de US$ milhões. Portugal atualmente representa 5% do total das importações moçambicanas, num volume total de US$ 312 milhões, uma quota de importações que se encontra, potencialmente, sob explorada. Do total dos produtos importados por Moçambique aos seus parceiros comerciais no total de US$ 6 mil milhões, identificamos de seguida, por ordem decrescente, os 25 principais produtos que representam 51% das importações, no montante de US$ milhões, e a negrito os produtos que poderão representar oportunidades de exportação para as empresas portuguesas: Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos> óleo de 70%; Energia; Veículos a motor para transporte de mercadorias; Máquinas para a construção civil; Arroz; Trigo e centeio em grão; Outras máquinas e aparelhos para as indústrias particulares; Fertilizantes; Equipamento de telecomunicação; Eixos de transmissão; Alumínio; Medicamentos (incluindo medicamentos veterinários); Produtos residuais de petróleo; Estruturas e peças de ferro, aço, alumínio; Barras de ferro e aço, cantoneiras, perfis e seções; Carvão; Gorduras vegetais e óleos, refinado; Pneus de borracha e câmarasde-ar; Máquinas e aparelhos elétricos; Produtos laminados planos de ferro e aço; Equipamentos de aquecimento e refrigeração; Tubos e perfis ocos, acessórios de ferro e aço; Veículos automóveis para transporte de pessoas; Sabonetes, limpeza e de polimento; Mobiliário e peças. Fonte: UNCTADStat, dados de

16 Os produtos portugueses mais exportados para Moçambique em 2012 foram as máquinas e equipamentos para empreitadas de engenharia e construção e civil (US$ 21 milhões), material de impressão (US $ 18 milhões) e estruturas e partes de estruturas de ferro, aço ou alumínio (US$ 14 milhões). A composição das importações evidencia a dependência de Moçambique, relativamente aos países industrializados. Os investidores Portugueses poderão antecipar o esperado acréscimo de rendimento disponível em Moçambique, e posicionarem-se no sentido de diversificar a base de exportação, nomeadamente ao nível de bens de consumo e agroindustrial. Note-se que 50% das importações moçambicanas são relativas a energia (gasóleo e energia elétrica) e automóveis, nas quais Portugal não apresenta vantagens comparativas. Do total dos produtos importados por Moçambique a Portugal, que totalizaram US$ 312 milhões identificamos de seguida, por ordem decrescente, os 25 principais produtos que representam 63% das importações, no montante de US$ 198 milhões: Maquinas para a construção civil (7%); Material para impressão (6%); Estruturas e peças de ferro, aço, alumínio (4%); Equipamento para distribuição de energia elétrica; Aparelho para circuitos elétricos, tabuleiro, painéis; Mobiliário e peças; Veículos a motor para transporte de mercadorias; Outras máquinas e aparelhos para as indústrias; Equipamentos de aquecimento e refrigeração; Geradores; Equipamento de telecomunicação; Bebidas alcoólicas; Equipamentos e ferramentas mecânicas; Medicamentos (incluindo medicamentos veterinários); Metais comuns; Produtos da indústria química; Papel e cartão; Embarcações; Materiais de construção; Artigos de plástico; Trailers e semirreboques; Componentes para máquinas de energia elétrica; Barras de ferro e aço, cantoneiras; Tubos, canos e mangueiras de plásticos; Máquinas agrícolas e peças. Fonte: UNCTADStat, dados de 2012 Southern Africa Development Countries (SADC) A SADC tem vindo a reforçar o seu impacto na comunidade internacional e a incrementar a integração da sua zona de comércio livre. Em termos de setores relevantes na região, são de destacar: Com o objetivo de melhorar a comunidade económica regional e desenvolver as infraestruturas de transportes e comunicações, foi implementado pela SADC um programa que visa a liberalização do comércio, a livre circulação de pessoas, bens e capital, bem como a realizar um conjunto de iniciativas com outras comunidades regionais, com objetivos ambiciosos a médio prazo. A SADC conta com um mercado potencial na ordem dos 286 milhões de consumidores, distribuídos pelos seus EMs que apresentam características distintas, quer do ponto de vista das estruturas produtivas, como da preferência dos consumidores. Sendo o nível de complementaridade ainda reduzido na SADC, a intensificação das trocas comerciais é um dos seus objetivos, pelo que se torna necessária a especialização da cadeia de valor dos Ems. A economia moçambicana corresponde a 2,3% do PIB da SADC, a 6ª mais significativa ao nível da comunidade, apresentando, contudo ainda um nível reduzido de relações comerciais com os restantes EMs com exceção da África do Sul, sendo que 31% das suas importações são oriundas deste país. 16

17 Nas exportações da SADC o petróleo tem um peso significativo. Os mercados de maior relevância são a China (em resultado da sua incremental presença em África, através de uma política de apoio ao desenvolvimento obtendo como contrapartida recursos naturais). Os produtos mais importados pela SADC são os óleos brutos, óleos de petróleo, veículos automóveis para transporte de pessoas, equipamentos de telecomunicação e máquinas para a construção civil. Refira-se que a China surge como concorrente de alguns produtos que formam a base industrial portuguesa, tendo como fator competitivo, o baixo preço. Do total dos produtos importados pela SADC, no total de US$ milhões, identificamos de seguida, por ordem decrescente, os 50 principais produtos que representam 55% das importações, no montante de cerca de US$ milhões, e a negrito os produtos que poderão representar oportunidades de exportação para as empresas portuguesas: Óleos brutos de petróleo, óleos de xistos, materiais em bruto; Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos > óleo de 70%; Veículos automóveis para transporte de pessoas; Equipamento de telecomunicação; Maquinas para a construção civil; Veículos a motor para transporte de mercadorias; Pérolas, pedras preciosas e semipreciosas; Medicamentos (incluindo medicamentos veterinários); Máquinas de processamento de dados; Outras máquinas e aparelhos para as indústrias particulares; Peças e acessórios dos veículos; Fertilizantes; Máquinas e aparelhos elétricos; Geradores; Mobiliário e peças; Outras carnes e miudezas comestíveis; Aparelho para circuitos elétricos, tabuleiro, painéis; Pneus de borracha e câmaras-de-ar; Equipamento mecânico manuseio; Aparelhos de medição, análise e controle; Metais comuns; Calçado; Aeronaves e equipamentos associados; Tubos e perfis ocos de ferro e aço; Artigos plásticos; Bombas compressoras de gás e ventiladores; Equipamentos de aquecimento e refrigeração; Bebidas alcoólicas; Minérios de cobre, outros; Produtos diversos da indústria química; Arroz; Trigo e centeio em grão; Papel e cartão; Barras de ferro e aço, cantoneiras, perfis e seções; Gorduras vegetais e óleos, refinado; Peças, acessórios para máquinas; Estruturas e peças de ferro, aço, alumínio; Gorduras vegetais e óleos e refinado; Automóveis; Aparelhos para canalizações, caldeiras, reservatórios, cubas; Equipamento para distribuição de energia elétrica; Máquinas e ferramentas, Equipamentos domésticos elétricos; Turbinas a vapor e componentes; Motores de pistão de combustão interna e peças; Embarcações; Sabonetes, produtos de limpeza e de polimento; Cobre; Elementos químicos inorgânicos, óxidos e sais de halogéneo; e Materiais de construção. Fonte: UNCTADStat, dados 2012 Do total dos produtos importados pela SADC a Portugal, no valor total de US$ milhões, identificamos de seguida, por ordem decrescente, os 25 principais produtos que representam 55% das importações do bloco, no montante de US$ milhões: Bebidas alcoólicas; Mobiliário e peças; Estruturas e peças de ferro, aço, alumínio; Aparelho para circuitos elétricos, tabuleiro, painéis; Barras de ferro e aço, barras, cantoneiras, perfis e seções; Maquinas para a construção civil; Medicamentos (incluindo medicamentos veterinários); Carne, miudezas, comestíveis, preparados, conservados; Equipamento para distribuição de energia elétrica; Artigos plásticos; Veículos a motor para transporte de mercadorias; Outras máquinas e aparelhos para as indústrias particulares; Equipamentos de aquecimento e refrigeração; Metais comuns; Bebidas não alcoólicas; Óleos, petróleo bruto, refinado; Papel e cartão; Máquinas e aparelhos elétricos; Equipamento e componentes mecânicas; Geradores; Peças e acessórios de veículos; Material para impressão; Materiais de construção; Componentes para máquinas de energia elétrica; Alumínio. Fonte: UNCTADStat, dados 2012 Quanto às importações da SADC a Portugal, é de destacar o seu grau de diversificação que compreende maquinaria e equipamentos de transporte, mas também bens e outros produtos manufaturados, produtos alimentares, tabacos e produtos químicos. Nas trocas comerciais entre a SADC e os países da CPLP, apenas Portugal e o Brasil têm representatividade significativa (que resulta, também, do facto de SADC incluir as duas maiores economias Africanas dos EMs da CPLP). O principal destino das exportações portuguesas na SADC é Angola, absorvendo aproximadamente 87% destas. O Brasil exporta para a SADC, maioritariamente, produtos agroalimentares, sendo também de destacar a exportação de maquinaria e equipamento de transporte. A África do Sul surge como o principal mercado de destino das exportações brasileiras para a SADC (54%), seguido de Angola (35%). 17

18 A experiência brasileira na região é um fator que deverá ser analisado com maior detalhe, dado o nível de penetração alcançado fora dos países africanos que são EM s da CPLP, por via das relações com África do Sul. Já no domínio das exportações da SADC para a CPLP, também Portugal e o Brasil se destacam, denotando igualmente crescimentos globais relevantes entre 2008 e 2012, de respetivamente milhões de US$ para milhões de US$, Tendo Portugal sido o principal importador com cerca de US$ 5.8 mil milhões em Portugal importa quase exclusivamente petróleo (93%), as importações do Brasil são mais diversificadas, incluindo-se i) produtos químicos e relacionados, ii) bens manufaturados, e iii) combustíveis minerais (85%). África do Sul A África do Sul é a principal economia da SADC, responsável por 59% do PIB, e representando 34% do PIB da África Subsariana (valor revisto em baixa após a atualização da metodologia de cálculo do PIB da Nigéria para o ano de 2013). É um país com uma razoável rede de infraestruturas, das quais se destaca a sua estrutura portuária. Após a recessão ocorrida em 2009, ultrapassada, em parte, pela melhoria da conjuntura externa e por um conjunto de políticas governamentais expansionistas (que fomentaram a recuperação da procura interna) a economia Sul-africana retomou o crescimento embora a níveis inferiores. O dinamismo económico da África do Sul deve-se, por um lado, à relevância do setor mineiro (o qual contribuiu para 10% do PIB), e por outro à capacidade de gerar riqueza no setor agrícola e de serviços, nomeadamente turismo. O Governo assenta a sua estratégia global de crescimento e desenvolvimento em 4 pilares fundamentais: i) a melhoria do bem-estar da população, ii) redução dos custos associados à realização de negócios, iii) aumento das exportações, e iv) na criação de mais emprego. Para o efeito, a África do Sul definiu, um conjunto de medidas e objetivos futuros: Aumento do PIB per capita de US$ para US$ ( ); Nível de formação bruta de capital fixo a crescer de 17% para 30%, com o investimento fixo do setor público a aumentar cerca de 10% até 2030; Comércio da África do Sul com os países vizinhos deverá aumentar de 15% para 30% até 2030; Aumento da capacidade portuária do porto de Durban (principal infraestrutura portuária do país) de 3 milhões de contentores/ano para 20 milhões em 2040; e Eletricidade disponível deverá aumentar mais de megawatts até Do total dos produtos importados pela África do Sul aos seus parceiros comerciais, no valor de US$ milhões, identificamos de seguida, por ordem decrescente, os 25 principais produtos que representam 43% das importações, no montante de US$ milhões, e a negrito os produtos que poderão representar oportunidades de exportação para as empresas portuguesas: Óleos brutos de petróleo, materiais em bruto; Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos > óleo de 70%; Veículos para transporte de pessoas; Equipamento de telecomunicação; Maquinas para a construção civil; Máquinas de processamento de dados; Medicamentos (incluindo medicamentos veterinários); Veículos a motor para transporte de mercadorias; Peças e acessórios dos veículos; Aeronaves e equipamentos associados; Outras máquinas e aparelhos para as indústrias; Turbinas a vapor e componentes; Aparelhos de medição, análise e controle; Máquinas e aparelhos elétricos; Calçado; Equipamento mecânico e componentes; Peças e acessórios para máquinas; Aparelho para circuitos elétricos, tabuleiro, painéis; Papel e cartão; Bombas, compressores de gás e ventiladores; Equipamentos de aquecimento e refrigeração; Produtos diversos da indústria química; Pneus de borracha e câmaras-de-ar; Fertilizantes; e Arroz Fonte: UNCTADStat, dados

19 As principais importações referem-se, maioritariamente, a maquinaria e equipamento de transporte, óleos brutos de petróleo, veículos para transporte de pessoas e equipamentos de telecomunicações, representando 25% das importações. As importações da África do Sul aos países da CPLP não são representativas (4,81%), sendo estas maioritariamente asseguradas por Angola, e em segundo lugar pelo Brasil. Portugal tem uma dimensão reduzida, representando em 2012, apenas 0,13% das importações. Quanto a exportações da África do Sul estas compreendem matérias-primas (excetuando combustíveis 26%), bens manufaturados (23%) e maquinaria e equipamentos de transporte (17%). Os principais destinatários são países industrializados como a China, os EUA e o Japão. Importa realçar oportunidades identificadas no setor energético, e ao nível de infraestruturas, dada a sua significativa expansão se encontrar contemplado nos objetivos do Governo. Oportunidades a explorar foram identificadas no i) desenvolvimento de tecnologia agroindustrial, ii) desenvolvimento de serviços e equipamentos associados ao cluster da indústria extrativa, ou iii) exploração turística, tendo presente a possibilidade do país se tornar um hub para a África Austral. Conclusões Globais Face ao que foi sobredito, existem relevantes oportunidades de negócio em Moçambique, assentes na proximidade geográfica ao líder de bloco da SADC, a África do Sul, e pelo estimado dinamismo da economia (através da expansão do setor de extração de recursos, do dinamismo do setor turístico, ou do desenvolvimento de um hub logístico na região). A forte integração regional associada ao início de exploração do gás natural, as reservas de carvão e a hidroeletricidade poderão potenciar Moçambique enquanto fornecedor energético da região e aumentar a ligação com os países vizinhos. A intenção do governo de África do Sul de aumentar a estrutura industrial do país irá criar novas necessidades energéticas que poderão ser supridas por Moçambique, o que criarão novas oportunidades na construção de infraestruturas, de redes elétricas, de gasodutos e de áreas de apoio associadas. Sendo igualmente previsível um aumento do investimento nas infraestruturas básicas para acesso a água potável, combate a doenças tropicais e melhoria das condições da sua população O crescimento da economia alavancada pela integração regional e a necessidade dos países sem acesso marítimo utilizarem as infraestruturas moçambicanas para o seu comércio e exportações, em particular os corredores de desenvolvimento, poderá potenciar moçambique enquanto hub logístico de ligação entre estes, a Índia e a região asiática. Acresce que apenas 10% da área agrícola moçambicana (48 milhões de hectares) encontra-se por explorar. O país dispõe de muitas possibilidades em termos de irrigação, possuindo grandes bacias hidrográficas que poderão ser aproveitadas para o desenvolvimento da agrícola. Por último, sendo o 4º país com maior população da SADC, o crescimento económico poderá potenciar o rendimento per capita da sua população, que ganhará novos consumidores e aumentará o consumo interno. Há um conjunto de elementos a ponderar na abordagem ao mercado que podemos sintetizar no seguinte quadro: 19

20 Forças Português é a língua oficial de Moçambique Dimensão da ZEE oceânica Portugal é um parceiro económico potencial ao nível de bens agrícolas Perspetiva do início de exploração de gás natural Elevadas reservas de gás natural descobertas na bacia oceânica do norte do país Abertura ao investimento externo As previsões de retoma da atividade económica nos próximos anos Papel crescente do IDE ao nível da consolidação orçamental Fortalecimento de Maputo enquanto centro financeiro robusto e credível Grandes extensões de terreno arável com condições agrícolas Outros fatores como as praias, a paisagem, o clima, a hospitalidade, o nível de segurança e a cultura local, que potenciam o turismo Boa cobertura geográfica dos aeroportos locais Localização geostratégica para a Ásia acesso aos portos do Índico por EMs da SADC Oportunidades S O W T Fraquezas Elevada percentagem de abandono escolar e falta de mão-de-obra qualificada Dificuldade na obtenção de crédito Baixos níveis de rendimentos Várias infraestruturas em estado debilitado Exportações dependentes de três setores de atividade produção e comércio de alumínio, gás liquefeito e eletricidade Acesso limitado a eletricidade Vários distritos com limitado acesso a instituições financeiras Ameaças Grande potencial de crescimento, apoiado na tendência de crescimento económico registada nos últimos anos A implementação, pela SADC, de programa que visa a liberalização do comércio, livre circulação de pessoas, bens, capital e infraestruturas Os programas de apoio de organismos internacionais (FMI) e acordos de cooperação estabelecidos (EU, EUA e Portugal) Fundo Fiduciário EU-África para as Infraestruturas Atual solidez do sistema bancário moçambicano, com forte presença de bancos internacionais Desenvolvimento de infraestruturas (habitação, educação, saúde, saneamento, transportes (porto e aeroporto) e comunicação Potencial privatização da TDM Grandes projetos de investimento previstos em infraestruturas (elevada concentração no setor energético) Plano estratégico de desenvolvimento regional ( ) Crescimento potencial do setor da construção civil, educação e dos produtos de consumo intermédio Atraso no início da exploração de blocos de GPL e reservas de carvão O elevado nível de concorrência internacional em alguns setores específicos (ex. no turismo com maior oferta por parte de operadores / nações geograficamente próximas com setores turísticos mais desenvolvidos) Nível de saneamento básico e a falta de acesso a cuidados básicos de saúde contribui para a propagação de doenças 20

21 1.SADC Enquadramento regional, político e económico 21

22 1. SADC. Enquadramento regional, político e económico 1.1. Caracterização da comunidade Principais objetivos e aspirações da SADC. 1 A Comunidade para o Desenvolvimento de África Austral ( SADC ) é uma organização de âmbito regional, criada a 17 de agosto de 1992, no âmbito da Conferência para a Coordenação do Desenvolvimento da África Austral ( SADCC ). A SADCC, criada a 1 de abril de 1980 constituída por Angola, Botsuana, Lesoto, Maláui, Moçambique, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabué orientou-se sobre a cooperação em temas como a independência política, a segurança, a solidariedade regional e a luta contra o apartheid. A 17 de agosto de 1992, os Chefes de Estado e Governos da SADCC assinaram, durante a Cimeira de Windhoek (Namíbia), o tratado que viria a transformar a SADCC em SADC Comunidade de Desenvolvimento da África Austral. A fundação da SADC teve como objetivo principal a coordenação de projetos estruturantes para a região, alvejando o desenvolvimento económico dos Estados Membros ( EMs ). O Tratado da SADC serve de base jurídica e de quadro regulatório para a realização da missão da SADC na promoção de um crescimento económico sustentável e equitativo, visando atingir um desenvolvimento socioeconómico sustentável e justo através de sistemas produtivos eficientes, e de uma boa governação, cooperação e integração aprofundada, paz duradoura e segurança, permitindo que a região se assuma como competitiva e eficaz nas suas relações económicas internacionais. Efetivamente os EMs da SADC apresentam, regra geral, um risco por país comparativamente menor do que a generalidade dos demais Estados do continente Africano. Figura 1 - Risco dos países da SADC 2013 Dentro do contexto africano, os países da SADC são os que apresentam, em média, menor risco, com exceção da República Democrática do Congo e do Botsuana

23 Abaixo elencam-se as principais etapas históricas que se encontram na origem e desenvolvimento da SADCC/SADC. Figura 2 - Principais etapas na criação da SADC 23

24 Os Estados Membros da SADC Atualmente a SADC conta com 15 EMs: África do Sul, Angola, Botsuana, Lesoto, Madagáscar, Maláui, Maurícias, Moçambique, Namíbia, República Democrática do Congo, Seicheles, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabué. SADC Angola, Botsuana, República Democrática do Congo, Lesoto, Madagáscar, Maláui, Maurícias, Moçambique, Namíbia, Seicheles, África do Sul, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabué. Áreas de cooperação: Segurança alimentar, terras e agricultura; Serviços; Indústria, comércio, infraestruturas e finanças; Desenvolvimento de recursos humanos, ciência e tecnologia; Recursos naturais e meio ambiente; Bem-estar social, informação, cultura e desporto; Política, diplomacia, relações internacionais, paz e segurança. Missão e objetivos da SADC: Desenvolver valores políticos comuns, sistemas e instituições; Promover e defender a paz e segurança; Promover o desenvolvimento autossustentado na base da autossuficiência coletiva, e da interdependência entre os EMs; Conseguir a complementaridade entre as estratégias e os programas nacionais e regionais; Promover e otimizar o emprego produtivo e a utilização dos recursos da região; Conseguir a utilização sustentável dos recursos naturais e a proteção efetiva do meio ambiente; Reforçar e consolidar as afinidades e laços históricos, sociais e culturais desde há muito existentes entre os povos da região; Promover o crescimento económico e o desenvolvimento socioeconómico sustentáveis e equitativos, que garantam o alívio da pobreza, com o objetivo final da sua erradicação; Melhorar o padrão e a qualidade de vida dos povos da África Austral, bem como apoiar os socialmente desfavorecidos, através da integração regional. 24

25 Mecanismos de integração e prioridades no desenvolvimento da SADC 2 Através do Plano Estratégico Indicativo de Desenvolvimento Regional ( RISDP ), foram definidos quatro setores principais para impulsionar a integração regional e desta forma fomentar o crescimento e desenvolvimento económico da região: Indústria, Comércio, Finanças e Infraestruturas. Simultaneamente, e como forma de agilizar o processo de integração, a SADC introduziu medidas que visam: 1. A integração do mercado de mercadorias e serviços e facilitação do crescimento, desenvolvimento e liberalização do comércio; 2. Desenvolvimento industrial competitivo e diversificado e atração de investimento; 3. Desenvolvimento e fortalecimento dos mercados financeiros e de capitais; 4. Concretização de uma maior cooperação monetária e correspondente concretização da convergência macroeconómica; 5. Aumento dos níveis de investimento intra-sadc e do investimento direto estrangeiro ( IDE ) e o reforço da competitividade produtiva; 6. Participação eficaz e cumprimento dos acordos internacionais. 1 - Integração do mercado de mercadorias e serviços e facilitação do crescimento, desenvolvimento e liberalização do comércio O grande objetivo nesta área está intimamente ligado à Angola poderá aderir, a breve prazo, à ZCL (que integra 12 EMs, fazendo já parte do Protocolo de Comércio desde 1996) Protocolo de Comércio SADC implementação e à concretização da Zona de Comércio Livre ( ZCL ), que visa a liberalização das trocas comerciais entre os EMs. O processo teve início em 2008, com adesão imediata de 12 dos 15 EMs: África do Sul, Botsuana, Lesoto, Namíbia, Maláui, Maurícias, Madagáscar, Moçambique, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia, Zimbabué (estando em via de concretização a entrada dos países que ainda não aderiram ao Protocolo de Comércio - Angola, República Democrática do Congo e Seicheles). O Protocolo de Comércio é a base legal da ZCL - foi assinado em 1996 e encontra-se em vigor desde O Protocolo vincula os EMs à eliminação das taxas existentes aquando da troca de produtos e serviços, visando harmonizar os procedimentos comerciais e burocráticos existentes ao nível da SADC, como sucede, a título exemplificativo, com a harmonização dos títulos de transporte de mercadorias. Tem ainda como objetivo a definição das regras de origem da SADC e a redução de outras barreiras ao comércio intrarregião, facilitando assim o movimento de capitais, bens e serviços transfronteiriços. Implementação da Zona de Comércio Livre da SADC Ao abrigo da ZCL, os EM eliminaram taxas e outras barreiras tarifárias e não tarifárias. Estão ainda incluídas na ZCL medidas dirigidas à facilitação do comércio, reduzindose assim a burocracia nas fronteiras e estabelecendo-se um regime para dinamizar a circulação de mercadorias na região. Ao abrigo do Protocolo do Comércio foram estabelecidas as seguintes instituições: Comité de Ministros responsáveis pelo Comércio: Responsável pela implementação do Protocolo. Superintende o Comité de Funcionários Seniores e os subcomités. Comité de Funcionários Seniores: Atua como um órgão técnico de consulta, e é composto por Secretários Permanentes responsáveis pelo Comércio. Supervisiona a implementação do Protocolo do Comércio, bem como o Fórum de Negociação de Comércio. Fórum de Negociação de Comércio: O Fórum é responsável pelas negociações do comércio da SADC, pela liberalização comercial, e pela cooperação regional noutros setores. 2 Plano Estratégico Indicativo de Desenvolvimento Regional 25

26 Eliminação das Tarifas no Comércio Regional Ao abrigo do protocolo de Comércio da SADC, a liberalização das tarifas na região foi efetuada progressivamente. Em geral, os EMs mais desenvolvidos reduziram as tarifas para níveis mais baixos - a África do Sul, em conjunto com outros países (Botsuana, Lesoto, Namíbia e Suazilândia) eliminaram grande parte das taxas no ano Os países de rendimento médio, nomeadamente as Maurícias, reduziram gradualmente as suas taxas no período compreendido entre os anos de 2000 e No entanto, nos países menos desenvolvidos, como Moçambique e Zâmbia, as reduções tarifárias foram introduzidas apenas entre 2007 e Todas as mercadorias são classificadas em quatro categorias tarifárias: A, B, C e E. Categoria A Liberalização imediata Categoria B Liberalização gradual Categoria C Mercadorias sensíveis Categoria E Lista de exclusão Todas as tarifas são eliminadas, a partir da data de implementação, previsto para o período após 25 de setembro de 2000, cumpridas as exigências de ratificação do tratado. Adiantamento (liberalização gradual) - as tarifas são reduzidas, de forma igualitária, desde o 1.º até ao 8.º ano; Normalização (liberalização gradual pelas Maurícias e pelo Zimbabué) - as tarifas são reduzidas, de forma igualitária, desde o 4º até ao 8º ano; Atraso (liberalização gradual por MMTZ) - as tarifas são reduzidas, de forma igualitária, desde o 6º até ao 8º ano. Estão incluídas nesta categoria, as mercadorias de elevada importância económica para os EMs: A redução tarifária tem início apenas após o período de 8 anos; Representam 15 % (ou menos) das tarifas. Esta categoria compreende um número reduzido de mercadorias (como, nomeadamente, armas de fogo). 26

27 Cooperação aduaneira e facilitação do comércio No sentido de reduzir dificuldades de cariz burocrático nas barreiras aduaneiras, o Subcomité de Cooperação Aduaneira desenvolveu e implementou um documento único - SADC-CD 3, consistindo num formulário de declaração única que substituiu várias declarações aduaneiras concebidas para diferentes regimes. Monitorização de implementação A Direção de Comércio, da Indústria, das Finanças e do Investimento do Secretariado da SADC monitoriza as operações da ZCL ao nível regional, embora a implementação efetiva esteja dependente das estruturas desenvolvidas nos EMs. Encontra-se previsto o (potencial) estabelecimento de um Mecanismo de Cumprimento e Monitorização do Comércio (MCM), tendo como objetivo incrementar consideravelmente o comércio na região. Resolução de disputas na ZCL Desde o estabelecimento da ZCL, em janeiro de 2008, que produtores e consumidores não pagam taxas de importação em aproximadamente 85% nos bens de primeira necessidade. As restantes tarifas serão, na sua maioria, eliminadas até 2015 A resolução de disputas entre os EM é regulada no Anexo VI do Protocolo de Comércio (baseado no Entendimento da OMC sobre o assunto). Acordos de Comércio Livre - Oportunidade ou Ameaça ao desenvolvimento? São vários os argumentos a favor e contra a adoção de práticas regionais de comércio livre. Por um lado, o livre comércio aumenta o nível global de produção, permitindo a especialização entre os países que dedicam recursos e esforços para a produção de bens e serviços específicos, nos quais detêm vantagens comparativas. Por outro lado, argumenta-se que os países se fecham na produção e exportação de um limitado número de produtos, não promovendo a inovação e desenvolvimento de outros setores e a diversificação económica interna, ficando igualmente dependentes da importação de um conjunto relevante de produtos e serviços. No entanto, é sabido que a dependência económica contribui para reduzir a probabilidade de conflitos regionais entre países. Acresce ainda que a redução mútua de tarifas potencia, igualmente, o comércio e o desenvolvimento económico, desonerando os produtos e tornando-os mais acessíveis às populações, e, consequentemente, potenciando as estratégias de redução da pobreza nos países menos desenvolvidos. Zona Franca de Comércio (ZFC) 4 No âmbito tarifário da SADC, cumpre ainda fazer referência à Zona Franca de Comércio ( ZFC ), uma zona geográfica delimitada dentro de um país onde dão entrada mercadorias nacionais ou estrangeiras, beneficiando as mesmas de tarifas alfandegárias reduzidas, ou nalguns casos mesmo de isenção. O principal objetivo da criação de uma ZFC é o de estimular as trocas comerciais e de fomentar o desenvolvimento regional. Na SADC são de destacar as seguintes ZFCs (que podem ter especial interesse para potenciais investidores): Na região do Sul de Angola no Lubango, perspetiva-se a criação de uma zona franca de desenvolvimento da Lusofonia que integrará as províncias de Huíla, Namibe e Cunene, onde se prevê que operem os empresários destas províncias e os da Lusofonia com o objetivo de estreitar laços de investimento; Em Moçambique foi criada uma zona franca industrial denominada Parque Industrial de Beluluane, localizado na província de Maputo e, mais recentemente, as Zonas Francas de Locone e Minheuene, ambos localizados no distrito de Nacala. 3 Disponível em 4 Agência Angola Press, 2013; Portal do Governo Moçambicano. 27

28 Regras de origem na SADC: As regras de origem são instrumentos importantes no processo de integração regional. Determinando a origem dos bens transacionados, estas regras servem para possibilitar o tratamento pautal preferencial de mercadorias comercializadas entre os EMs da SADC (caso estas tenham origem nos EMs da região). Para que um produto qualifique como originário de um EM, deve satisfazer um dos critérios das regras de origem da SADC: Regra "totalmente produzidos/obtidos": As mercadorias produzidas ou manufaturadas num EM utilizando materiais da região, são consideradas como originárias da região da SADC; "Regra suficientemente trabalhados ou processados": a transformação de um produto num produto diferente. Por forma a aferir se um produto foi ou não suficientemente trabalhado ou processado, o mesmo deverá ser submetido ao " teste de importação limitada" (critérios de conteúdo de importação ou de adição de valor) ou ao "teste de classificação pautal do SH" (regra de mudança da posição pautal). Para que um produto beneficie da isenção num EM, torna-se necessária a apresentação de evidência documental no posto aduaneiro fronteiriço. 2 - Desenvolvimento industrial competitivo e diversificado e atração de investimento No setor industrial, a SADC implementou uma nova política e estratégia de desenvolvimento industrial regional, bem como um plano de reforço da competitividade e diversificação do setor industrial, tendo em vista a concretização de vários objetivos, entre os quais se destacam: Harmonização dos quadros reguladores no domínio da exploração mineira, tendo sido já desenvolvido o respetivo plano de implementação; Adoção de um quadro regional de política mineira da SADC; Implementação de uma estratégia de cadeia de valores da indústria para os setores prioritários. 3- Desenvolvimento e fortalecimento dos mercados financeiro e de capitais Nesta área, quatro países a República Democrática do Congo, o Maláui, a África do Sul e a Tanzânia mantêm mecanismos de câmbio liberalizados, tendo sido desenvolvido um quadro para cotações duplas e cruzadas das bolsas de valores regionais, bem como um modelo de interligação das bolsas de valores com o objetivo de assegurar a eficiência e estabilidade do mercado financeiro e de capitais. 4 - Concretização de uma maior cooperação monetária e correspondente concretização da convergência macroeconómica No plano estratégico de desenvolvimento regional, a coordenação e a harmonização das políticas monetárias foi reconhecida como essencial para o aumento dos índices de integração económica regional, tendo já os EMs constituído um comité de governadores de bancos centrais da SADC. No âmbito deste quadro de cooperação, foram fixados em 2013 os seguintes objetivos: Adoção de mecanismos que aumentem os níveis da cooperação monetária regional; Operacionalização do Sistema de Pagamento, Compensação e Liquidação Facilitada; e Desenvolvimento do Quadro Administrativo e Jurídico Institucional Facilitado. 28

29 De notar que o memorando de entendimento de convergência macroeconómica celebrado pelos EMs tem como principal objetivo o estabelecimento de um conjunto de critérios orçamentais que contribuam para a diminuição dos défices fiscais e das dívidas públicas dos EMs. Em resultado desta implementação, em 2008, todos os EMs da SADC conseguiram alcançar um défice inferior a 5% do PIB. Cumpre ainda notar que 13 EM atingiram uma dívida pública inferior a 60% do PIB (com exceção da República Democrática do Congo e do Zimbabué); por outro lado, em 2010, a África do Sul, o Lesoto, as Maurícias, a Namíbia, e o Zimbabué concretizaram as metas de inflação inseridas no programa de convergência macroeconómica de Aumento dos níveis de investimento intra-sadc e do IDE, bem como o reforço da competitividade produtiva Em 2010, foi lançado um programa para promoção do investimento da região, através de Acordos Preferenciais de Comércio ( PTA Preferential Trade Agreements), tendo sido também desenvolvido um modelo de tratado bilateral de investimento na SADC, e criadas diretrizes para a concessão de isenções fiscais. A necessidade de coordenação das políticas e das atividades de promoção do investimento é necessária para facilitar o aumento de investimento na região. Encontra-se atualmente a ser desenvolvido pelo Secretariado da SADC, um portal de investimento para a região da SADC que tem uma informação prospetiva dos investimentos a realizar durante no âmbito do plano de investimento regional. Este portal irá sensibilizar potenciais investidores quanto ao clima e às oportunidades em aberto na SADC, bem como facilitar a interação com os PTAs dos vários EMs. Foi ainda desenvolvido, através da colaboração com o Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustentável, um modelo Tratado Bilateral de Investimento ( BIT ) para a SADC. Assim, os EMs concordaram em desenvolver diretrizes para implementação dos BITs, com o objetivo de regular, de forma eficaz, o investimento estrangeiro nas suas economias. Cumpre referir que em janeiro de 2011 foi inaugurado o fórum de PTA da SADC, que teve por objetivo promover o diálogo e desenvolver estratégias com a vista a melhorar o clima de investimentos na região. No âmbito de uma avaliação macro da competitividade regional, o relatório de 2013 do World Economic Forum, ao ter procedido à análise da competitividade de 148 economias, com base em 12 pilares de avaliação, dentre os quais fatores económicos, sociais, fiscais, populacionais, tecnológicos e infraestruturais, entendeu que o mercado no qual a SADC se encontra inserido é pouco competitivo. Aliás, entende o World Economic Forum que o continente Africano é, atendendo aos fatores em avaliação, uma das regiões menos competitivas do mundo. 29

30 Figura 3 Índice Global de Competitividade 2013 Fonte: Fórum Económico Mundial Porém, uma análise circunscrita aos fatores económicos poderá determinar uma diferente conclusão. A análise em conjunto de outros fatores que não económicos, não reflete o valor de investimentos que estes países têm captado nos últimos anos, como adiante é demonstrado. 6- Participação eficaz e cumprimento com os acordos internacionais Atualmente, 14 dos EMs da SADC são também membros da Organização Mundial de Comércio ( OMC ) (com a exceção das Seicheles, que se encontram em processo de adesão). Assim, os EMs da SADC pertencentes à OMC estão adstritos ao regime jurídico estabelecido por esta organização. Em junho de 2010, os responsáveis da SADC adotaram uma estratégia com vista a concluir um PTA que abrange mercadorias. Apesar de ainda não estar em vigor, é intenção da SADC que as negociações sobre serviços e investimentos estejam concluídas até

31 1.2. A SADC enquanto comunidade económica O desempenho económico da região da SADC nos últimos 5 anos, fortemente dependente da procura de matérias-primas, foi largamente influenciado pela desaceleração da economia global, mais precisamente das economias avançadas e das economias emergentes. O fraco desempenho económico mundial provocou uma diminuição na procura global, comprometendo o ritmo de crescimento da economia da região da SADC, que já mostrava sinais claros de recuperação dos efeitos da crise financeira internacional. Mesmo estando geograficamente ligados e tendo projetos comuns, as economias dos EM da SADC apresentam características distintas em muitos aspetos, como geografia do país, população e níveis de produção. Acresce que o nível de complementaridade das economias é limitado. Tabela 1 - Caracterização dos países membros da SADC País Extensão Territorial (milhares de km 2 ) População 5 População (% s/ total região) PIB (milhões de US$) PIB per capita Nível de IDH 6 Índice de Liberdade Económica (Ranking Mundial 2013) África do Sul 1.221, ,9% Médio 74 Angola 1.246, ,3% Baixo 158 Botsuana 581, ,7% Médio 30 Lesoto 30, ,7% Baixo 155 Madagáscar 587, ,8% Baixo 73 Maláui 108, ,6% Baixo 118 Maurícias 2, ,5% Elevado 8 Moçambique 801, ,8% Baixo 123 Namíbia 824, ,8% Médio 84 R.D. Congo 2.344, ,0% Baixo 171 Seicheles 0, ,0% Muito Elevado 124 Suazilândia 17, ,4% Médio 104 Tanzânia 945, ,7% Baixo 98 Zâmbia 752, ,9% Baixo 93 Zimbabué 390, ,8% Baixo 175 Região SADC 9.854, % Dados de Dados de Dado que o PIB per capita não leva em conta níveis de educação e de saúde como dimensões mais próximas do desenvolvimento social, considerou-se o índice de Desenvolvimento Humano (IDH), calculado pela ONU/PNUD. Os resultados do IDH variam entre zero (na ausência completa de bem-estar social) e um (pleno desenvolvimento humano). 7 PIB per capita da região = PIB / População Total 31

32 Crescimento médio (%) Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP A extensão territorial dos países membros oscila entre 0,5 km 2 das Seicheles e 2.344,9 km 2 da República Democrática do Congo, que, além de ser o país com maior extensão territorial, é também o que tem mais habitantes (65,7 milhões), representando 23% do total da população da região. Estima-se que a população da SADC ultrapasse os 285 milhões de habitantes (dados de 2012). Desse total, 35,5% vivem em centros urbanos. Importa salientar, no entanto, que o grau de urbanização difere entre os diversos países que constituem a região. Na África do Sul, a população urbana representa 62,43% do total, no Botsuana 62,25%, em Angola 59,91%, e nas Seicheles 54,01%. Os menores índices de urbanização verificam-se no Maláui (15,85%) e na Suazilândia (21,25%). Economicamente, a região é dominada pela África do Sul que representa quase 60% do PIB da região, seguida de Angola, que representa quase 18%. A economia da África do Sul, abundante em recursos naturais como o ouro, platina e diamantes, é a maior e mais sofisticada do continente Africano. Com um crescimento de 2,5% em 2012, a economia Sul-Africana desacelerou face ao ano anterior (3,5%). No entanto, para 2013, o FMI prevê uma expansão de 3,3%, e para 2014, de 3,4%. Angola, a segunda maior economia da SADC, é um país rico em recursos naturais e o maior produtor de petróleo daquela região. As receitas deste recurso natural representam quase ¾ do PIB do país. Os países que mais cresceram nos últimos 5 anos ( ), foram a Namíbia, a Zâmbia e o Zimbabué, com taxas de crescimento médias do PIB muito próximas dos 7%. No entanto, os principais impulsionadores do PIB da SADC em 2012, foram Moçambique (7,40%), Zâmbia (7,32%) e República Democrática do Congo (7,15%). Gráfico 1 Crescimento médio anual países SADC % 25.10% 20.00% 10.00% 0.00% 8.91% 7.92% 6.71% 11.23% 10.69% 1.51% -0.08% 2.14% 10.20% 9.74% 1.64% 5.54% 8.06% 9.01% % % % Crescimento médio PIB (crescimento, % anual, 2012) Fonte: Banco Mundial Os países que apresentam um PIB per capita em 2012 abaixo da média da região - $2.275 USD - (i.e, Lesoto, Madagáscar, Moçambique, República Democrática do Congo, Zâmbia e Zimbabué), têm revelado um crescimento significativo, denotando alguma convergência regional. No entanto, a grande maioria dos países da SADC viram a sua posição no ranking do Índice Global de Competitividade do World Economic Forum cair entre 2008 e 2013, exceção para as Maurícias (que passou de 57º para 45º), resultado dos esforços da agência de promoção de investimento Enterprise Mauritius na desburocratização do país, e na criação de condições de maior atratividade ao investidor externo; Zâmbia (de 112º para 93º; Zimbabué (de 133º para 131º) e Suazilândia (em 2009 era 128º e passou para 126º). 32

33 Taxa de crescimento média anual do PIB Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP No entanto o desempenho no índice é particularmente relevante, como o demonstra a correlação deste com o crescimento do PIB (confrontar gráfico seguinte). Gráfico 2 - Relacionamento do crescimento do PIB e variação no índice global de competitividade % 25% Zimbabué 20% 15% Namíbia Moçambique 10% Lesoto A. do Sul Zâmbia Tanzânia Angola Botsuana 5% Suazilândia Madagáscar Seicheles Maurícias Maláui 0% (20) (15) (10) (5) % Alteração ao Ranking GCI e Fonte: Cálculos PwC com base nos dados do Fórum Económico Mundial O Lesoto manteve a sua posição no ranking global. Os restantes EMs da SADC viram o seu posicionamento no ranking cair, como sucedeu com Angola, África do Sul, Moçambique, Namíbia e Tanzânia, não obstante o crescimento registado ao nível do PIB no mesmo período. A manutenção dos índices de crescimento atuais pode estar em crise, caso não sejam adotadas medidas, a curto e a médio prazo, que sejam valorizadas pelos investidores externos e que permitam trazer maior competitividade à Economia. Figura 4 - Estimativas de crescimento do PIB em

34 Δ PIB 2012 (US$) Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP Gráfico 3 - Análise do PIB per capita em 2012 de cada um dos países, da taxa de crescimento média do PIB e do peso do PIB do País no total da SADC 14,000 12,000 Seicheles 10,000 África do Sul 8,000 6,000 Botswana Angola Maurícias Namíbia 4,000 Swazilândia 2,000 Tanzânia Malawi Lesoto Madagáscar Moçambique R.D. Congo Zâmbia Zimbabwe 0.00% 1.00% 2.00% 3.00% 4.00% 5.00% 6.00% 7.00% 8.00% 9.00% 10.00% Taxa de crescimento média do PIB Fonte: Banco Mundial A análise do gráfico supra compara o crescimento do PIB, a taxa de crescimento média dos últimos 5 anos e a sua representatividade regional, medida pela dimensão do círculo. Atendendo aos respetivos critérios de análise, verifica-se que o desempenho da região é influenciado fundamentalmente por dois países - a África do Sul, com o PIB mais relevante da região (59,14%), seguido de perto por Angola (17,57%). A manter-se o ritmo de crescimento médio dos últimos anos associado ao valor do PIB anual, África do Sul poderá aumentar a sua representatividade económica na SADC. Os países que acompanharam o crescimento de África do Sul em 2012 e que apresentam um valor de crescimento médio elevado do PIB entre 2008 e 2012, Namíbia e Maurícias, têm uma representatividade de PIB reduzida na economia da Região que não influenciará o seu desempenho económico. Angola, apesar de um crescimento médio abaixo de África do Sul, Maurícias e Namíbia entre 2008 e 2012, apresenta uma variação de PIB no ano de 2012 elevada, a qual terá como consequência uma aproximação aos níveis de crescimento médio dos países atrás referidos e uma maior influência na economia da região. A SADC tem vindo a realizar um conjunto de iniciativas com outras comunidades regionais que poderão potenciar a integração regional entre os países africanos, nomeadamente com a COMESA. 34

35 SADC e a COMESA Caraterização e objetivos O Mercado Comum da África Austral e Oriental (COMESA) surge como resultado das recomendações feitas pela Comissão Económica para África (órgão das Nações Unidas) no sentido de se formar uma comunidade económica da áfrica austral e oriental, como meio para facilitar a integração regional. Atualmente são 19 os Estados Membros que constituem o mercado comum de África Austral e Oriental nomeadamente; República do Burundi, Cômoros, RDC, Djibuti, Egito, Eritreia, Etiópia, Quénia, Líbia, Madagáscar, Maláui, Maurícias, Ruanda, Seicheles, Sudão, Suazilândia, Uganda, Zâmbia, Zimbabué. Para além destes países existem 5 Estados que figuram na lista de estados observadores desde Angola, Moçambique, Namíbia, Tanzânia e Lesoto. Os objetivos da COMESA são amplos e de longo prazo, tendo, no entanto, sido definidas como prioridade de médio prazo a Promoção da Integração Regional através do Comércio e Investimento. São objetivos da COMESA: A criação de uma área livre de comércio que garante a livre circulação de bens e serviços produzidos na região que integra os países membros e a remoção de todas as tarifas e de barreiras não tarifárias; A criação de uma união aduaneira, na qual bens e serviços importados de Países não Membros da COMESA passem a estar sujeitos a uma tarifa única em todos os Estados da COMESA; Livre circulação de capital e investimento suportada pela adoção de uma área comum de investimento bem como pela criação de um clima mais favorável ao investimento na região da COMESA; Criação gradual de uma união de pagamentos baseada na Casa de Compensação da COMESA e a eventual criação de uma união monetária comum com uma moeda comum; e, A adoção de regras comuns de acordos de visto, incluindo o direito de estabelecimento conduzindo eventualmente à livre circulação de pessoas de boa-fé. A SADC e COMESA A proposta de Acordo Tripartido entre a COMESA, SADC e EAC* Com o objetivo de aumentar a competitividade, os Estados membros das três Comunidades Económicas Regionais do Mercado Comum da África Oriental e Austral (COMESA), a Comunidade do Leste Africano (EAC) e a Comunidade para o Desenvolvimento Africano Austral (SADC), têm vindo a negociar um acordo tripartido, que de acordo com a última versão proposta, tem como objetivos principais: Reduzir as tarifas impostas aos produtos originários e comercializados na região; Eliminar todas as barreiras tarifárias e não-tarifárias no comércio de bens; Liberalizar o comércio de serviços, facilitar o investimento transfronteiriço e a circulação de empresários; Harmonizar os procedimentos aduaneiros e adotar medidas de facilitação do comércio; Reforçar a cooperação no desenvolvimento de infraestruturas; Estabelecer e promover a cooperação em todas as áreas relacionadas ao comércio entre os Estados-Membros do Acordo Tripartido; Estabelecer e manter uma estrutura institucional para a implementação e administração da Área de Livre Comércio Tripartido e, eventualmente, uma união aduaneira. O Acordo Tripartido propõe abranger igualmente a harmonização e coordenação de normas industriais e de saúde, o combate de práticas desleais de comércio e surtos de importação, a liberalização de certos setores de serviços prioritários, a promoção da agregação do valor de transformação da região. A futura criação de uma vasta área de comércio livre composta por 26 Estados das três regiões económicas resultaria na criação do maior mercado Africano, com 26 dos 54 países africanos, integrando as principais economias africanas e com uma maior capacidade de atrair IDE e produção em larga escala. * EAC é uma organização intergovernamental regional, que engloba o Burundi, o Quénia, o Ruanda,a Tanzânia e o Uganda. Os principais objetivos desta organização passam, entre outros, por ampliar e aprofundar a cooperação politica, económica e social entre os seus EMs, tendo sido criada, em 2005 uma União Aduaneira, e em 2010, um Mercado Comum. 35

36 1.3. As economias da SADC Angola. O maior produtor de petróleo da região e um dos maiores de África.8 Gráfico 4 - Produto Interno Bruto por setor 2012 Angola % Energia (*) Outros Indústria Construção Representando 17,57% do PIB da SADC, Angola possui reservas de petróleo que no ano de 2011 foram estimadas em milhões de barris, tendo a produção nesse mesmo ano sido de barris/dia. Contudo, a elevada importância deste subsetor na economia poderá acarretar um enviesamento da estrutura produtiva do país ( dutch disease ) Agricultura Comércio Ind. Mineira Apesar de a produção de diamantes corresponder apenas a 0,9% do PIB, o setor não deixa de ter um forte potencial de crescimento. Aliás, e de acordo com o Sumário Global de 2009 do Esquema de Certificação do Processo de Kimberley, Angola é o quarto maior produtor mundial deste recurso natural. Fonte: African Economic Outlook Energia (*) Eletricidade, água e gás Constituindo 21,70% do PIB angolano, e em resultado do aumento do consumo interno e do investimento privado nos últimos 4 anos, o comércio assume-se como setor essencial, sendo caracterizado por uma forte preponderância das importações (enquanto a produção nacional não conseguir dar resposta às necessidades do mercado nacional). Relativamente ao setor agrícola (10,50%), o Governo tem vindo a apostar na produção nacional através de várias iniciativas, incluindo: Programas de incentivos; Linhas de financiamento; Forte investimento público; Campanhas de marketing e de estímulo a comprar nacional. O Governo pretende também fomentar pólos agroindustriais com o objetivo de criar sinergias entre as produções agrícolas e pecuárias, o seu processo de transformação, de armazenamento e de logística. O setor da construção (8,40%) tem vindo a crescer, como resultado de uma forte aposta do Governo na reconstrução e requalificação das infraestruturas de apoio à produção e à população. 8 Relatório Integrado dos Desenvolvimentos Económicos Recentes na SADC, Banco Nacional de Angola, setembro 2012; Ministério das Finanças de Angola; BPI - Research Angola julho 2013; Análise BES, 2012; Indicadores de desenvolvimento mundiais, Banco Mundial; BNA 36

37 Quanto ao setor industrial (6,50%), este é caracterizado pelo elevado nível de importações, o que deverá conduzir a uma aposta estratégica na produção nacional Moçambique. Forte potencial de Gás Natural. 9 Representando 2,24% do PIB da SADC, Moçambique encontra-se localizado numa zona estratégica, sendo uma porta de entrada na região, condicionando o acesso ao mar a muitos dos países da SADC, nomeadamente: Maláui, Zâmbia e Zimbabué. Moçambique apresenta forte potencial de exploração de carvão, gás natural e hidroeletricidade. No entanto, não tem capacidade para explorar eficazmente estes recursos e servir as necessidades em eletricidade da sua população. Sabe-se que, atualmente, apenas 10% da população tem acesso a eletricidade (2011). Estima-se que o país exporte 35% da produção total de energia, maioritariamente para a África do Sul e para o Zimbabué. 10 Apenas 10% da área agrícola moçambicana (48 milhões de hectares) se encontra explorada. O país dispõe de muitas possibilidades em termos de irrigação, possuindo grandes bacias hidrográficas que continuam por explorar (Zambeze, Save, Limpopo). O estado atual das infraestruturas em nada tem ajudado o desenvolvimento do setor agrícola do país, apesar de já estarem perspetivados diversos investimentos a este nível. Gráfico 5 - Produto Interno Bruto por setor 2011 Moçambique % Fonte: African Economic Outlook Serv. Financeiros (*) Financeiros, Imobiliário e Serviços de Negócio A agricultura foi definida, no Orçamento de Estado de 2012, como um setor prioritário, estando-lhe destinado 11,6% do orçamento de despesas totais. O Programa Estratégico para o Desenvolvimento Agrário (PEDSA ) preconiza o crescimento acumulado da agricultura em pelo menos 7% ao ano, a duplicação da produção, a intensificação do repovoamento pecuário, o aumento da capacidade de produção de aves e a boa gestão dos recursos naturais. Cumpre notar ainda que Moçambique é um país com grandes potencialidades pesqueiras, devido à sua localização costeira, com uma extensão de litoral de km e uma Zona Económica Exclusiva ( ZEE ) de 586 mil km2 de superfície oceânica, possuindo grande diversidade de recursos de pesca. Os recursos naturais, especialmente o gás natural, desempenham em Moçambique um papel determinante para o crescimento da Economia. A relevância dada à indústria extrativa no Plano Económico e Social para 2013 dá enfoque aos objetivos de desenvolvimento previstos para a área dos recursos minerais. 9 Análise BES, junho 2013; Relatório Integrado dos Desenvolvimentos Económicos Recentes na SADC - Banco Nacional de Angola, setembro 2012; CPI Moçambique 10 Grupo do Banco Africano de Desenvolvimento, República de Moçambique: Country Strategy Paper, Agricultura Outros Admin. pública,saúde e educ. Construção Indústria Transp. e comum. Serv. Financeiros (*) Comércio 37

38 De salientar que a dimensão e a qualidade do gás natural descoberto no país justificam o estudo sobre o desenvolvimento, em larga escala de um projeto de GNL, tendo sido anunciado recentemente um projeto que irá envolver duas das maiores empresas de prospeção deste recurso. Perspetiva-se a construção de 10 fábricas de processamento de gás natural avaliadas no valor de US$ milhões. Assim, Moçambique poderá vir a tornar-se, em 2018, no segundo maior exportador de gás natural de África, ficando apenas atrás da Nigéria. A produção industrial tem crescido a uma taxa média anual acima dos 3% no decurso dos dois últimos anos, prevendo-se que atinja os 5,8% em Os setores que manifestam maior potencial de crescimento são o dos cimentos, o mobiliário e também das indústrias alimentares e bebidas. Um forte investimento no setor do cimento vai triplicar a capacidade de produção até 2013, atualmente próximo de 1.3 milhões de toneladas anuais. Tem-se acentuado o aumento da procura no mercado da construção em Moçambique, estando perspetivados grandes projetos na indústria extrativa, energia, e transportes. O crescimento económico do país requer investimentos nas respetivas infraestruturas, desenvolvidas em torno dos três principais corredores logísticos de Maputo, Beira e Nacala (o corredor de Mtwara fica a norte de Moçambique) que servem, não apenas as exportações de carvão, mas também o desenvolvimento dos outros setores da economia nacional e a ligação às regiões do interior. Mapa 1 Corredores de desenvolvimento e potenciais polos de desenvolvimento Apesar do peso ainda diminuto no PIB do país, cerca de 2% (5% se considerarmos os efeitos indiretos), o setor do turismo tem vindo a recuperar o seu potencial, tendo reforçado a capacidade de alojamento e a qualidade do produto oferecido. Destacam-se as áreas do país que têm vindo a ser tidas como potenciais zonas turísticas: Zona costeira de Matutuine Maputo; Parque Nacional do Limpopo Gaza; Corredor dos Parques Nacionais de Banhine, Zinave e Bazaruto- Inhambane/Gaza; Reserva de Pomene- Inhambane; Costa Morrungulo - Inhambane Vilanculos Inhambane; Praia do Tofo Inhambane; Arquipélago de Bazaruto Inhambane; Cidade de Inhambane; Parque Nacional de Gorongosa Sofala; Reserva de Marromeu- Sofala; Ilha de Moçambique- Nampula; Chocas Mar Nampula; Pemba - Cabo Delgado; Ibo - Cabo Delgado; Lago Niassa- Niassa; e Reserva do Niassa Niassa. Fonte: Perspetivas para os Polos de Crescimento em Moçambique: Sumário do Relatório, FMI 38

39 África do Sul. O país com o maior PIB do continente africano. 11 Gráfico 6 - Produto Interno Bruto por setor (%) - África do Sul Agricultura Energia (*) Fonte: African Economic Outlook Construção Outros Transp. e comum. Ind. mineira Indústria Comércio Adm. pública, saúde e educação Serv. financeiros (*) Representando a África do Sul 59,14% do PIB da SADC, os serviços financeiros e o imobiliário desempenham, como se salienta através do gráfico, um papel de relevo no desenvolvimento do país. O crescimento do setor deveu-se, em grande parte, a um aumento da atividade nos bancos comerciais. De salientar que a África do Sul dispõe de uma estrutura financeira sofisticada, sendo a Bolsa de Valores de Joanesburgo (JSE Limited) a maior de África. O Governo Sul-Africano está empenhado em alcançar os resultados propostos pelo Plano de Desenvolvimento Nacional, 12 contando-se entre estes, melhores resultados educacionais, a promoção da saúde da população, adequada localização e manutenção de infraestruturas, uma forte rede de segurança social, a criaçao de um Estado competente e a aposta na redução dos níveis de corrupção. O turismo também se apresenta como um importante setor na sua economia. Também ao nível do emprego, este setor apresenta uma importância relevante, tendo empregado, em 2011, cerca de mil pessoas (emprego direto e indireto). Em 2011, a África do Sul posicionava-se, no ranking mundial dos destinos turísticos, em 31º lugar, o 2º destino mais visitado do continente africano (depois de Marrocos). A indústria extrativa tem um peso preponderante no PIB Sul- Africano. Em 2011, o setor mineiro contribuiu 10% para o PIB do país, estimando-se que, com os efeitos indiretos, esta contribuição ascenda a 20%. O setor empregou cerca de 520 mil pessoas em 2011, aumentando para 525 mil empregados em Em 2011, a África do Sul foi considerada a 5ª maior produtora de ouro, com uma quota mundial de 6,8% (tem vindo a reduzir os níveis de extração nos últimos anos) e a 4ª maior produtora de diamantes em valor (US$), apresentando uma quota mundial de 9,87%. 14 A agricultura, ao contrário do que sucede no resto do continente africano, tem um peso diminuto no PIB do país. No entanto, a África do Sul não deixa de ter uma relevante base agrícola. Neste setor destaca-se o vinho, ocupando o país, em 2010, o 7º lugar do ranking mundial de produção uma quota mundial de 3,5%.Para além disso, é considerado o principal produtor de milho na região SADC. Com uma balança agrícola positiva de (2011/2012), África do Sul apresenta uma estrutura agrícola positiva, realçando a capacidade de autoabastecimento agrícola Relatório Integrado dos Desenvolvimentos Económicos Recentes na SADC - Banco Nacional de Angola, setembro Banco Nacional de Desenvolvimento 2030: Our future - make it work, Capítulo 3: Economy and employment 13 Factos sobre a Indústria Mineira da África do Sul agosto de 2013, Câmara de Minas da África do Sul 14 África do Sul, Junho 2013; Kimberley Process Certification Scheme disponível em: 15 Conclusões com base nos dados da Análise Económica da Agricultura da África do Sul, 2011/

40 Lesoto, Madagáscar, Maláui, República Democrática do Congo, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabué. Regiões de forte orientação agrícola. 16 Gráfico 7 - Produto Interno Bruto por setor (%) Lesoto Fonte: African Economic Outlook, 2011 Energia (*) Construção Transp. e comum. Ind. mineira Agricultura Comércio Outros Admin. pública,saúde e educ. Indústria Serv. Financeiros (*) Lesoto, Madagáscar, Maláui, República Democrática do Congo, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabué representam cerca de 13% do PIB regional e apresentam forte peso da agricultura na sua economia. Apesar da relação entre o Lesoto e a África do Sul ter por várias vezes beneficiado o Lesoto, discute-se a necessidade de diversificar a economia do país por forma a reduzir a dependência deste face à África do Sul. O país que contribui com apenas 0,38% para o PIB da região, tem cerca de 85% da população residente em áreas rurais. A economia do país cresceu aproximadamente 4,2% em 2011, impulsionada por uma recuperação da atividade do setor mineiro (que, por sua vez, cresceu a uma taxa de 14,5%). Este setor foi estimulado, por um lado, pela reabertura de algumas das minas e, por outro, pela abertura de novas minas. O setor com maior contribuição no PIB do Lesoto é o setor dos serviços financeiros (19,80%). Apesar deste setor ser relativamente pequeno e subdesenvolvido, o acesso ao financiamento tem vindo a ser facilitado. A banca comercial é responsável por 51,3% dos ativos do setor financeiro. 17 O setor da indústria é impulsionado, principalmente, pela indústria dos têxteis, motor de crescimento e de criação de emprego durante a última década (2011). 18 No entanto, a competitividade deste setor está condicionada à elevada concorrência dos produtores asiáticos no mercado americano, após a interrupção das quotas pelo Acordo Multi-Fibras (AMF). Com um peso de 1,53% e 0,66% do PIB da SADC, respetivamente, Madagáscar e Maláui apresentam uma estrutura produtiva semelhante, com forte peso agrícola. No caso de Madagáscar, este setor apresenta um peso preponderante na sua estrutura produtiva, contribuindo com 70% das receitas das exportações, e empregando cerca de 80% da população. Contudo, apenas 5% do terreno é próprio para cultivo. As plantações mais relevantes são o arroz, mandioca, batata-doce, vegetais frescos, bananas, milho e feijão. 19 O setor agrícola, responsável por 31,60% de valor acrescentado para a economia de Maláui, sustenta 85% da população e contribui com 90% de receitas de exportação. A economia do Maláui depende, em grande medida, das exportações do tabaco, tendo estas totalizado, em 2010, US$ 585 milhões, representando assim 49% do total das exportações do país African Economic Outlook / Relatório Integrado dos Desenvolvimentos Económicos Recentes na SADC - Banco Nacional de Angola, setembro Relatório do País Nr. 12/102 FMI 18 Reino do Lesoto, Country Strategy Paper , Banco Africano de Desenvolvimento Estratégia Nacional de Exportações do Maláui para

41 Gráfico 8 - Produto Interno Bruto por setor (%) - Madagáscar Gráfico 9 - Produto Interno Bruto por setor (%) - Maláui Construção Admin. pública,saúde e educ. Comércio Indústria Serv. Financeiros (*) Transp. e comum. Agricultura Indústria Construção Outros Transp. e comum. Ind. mineira Serv. Financeiros (*) Comércio Agricultura Fonte: African Economic Outlook, 2012 Fonte: African Economic Outlook, 2012 Gráfico 10 - Produto Interno Bruto por setor (%) - República Democrática do Congo Construção Serv. Financeiros (*) Admin. pública,saúde e educ. Ind. mineira Transp. e comum. Comércio Agricultura Indústria Representando 2,75% do PIB da SADC, a República Democrática do Congo dispõe de inúmeros recursos naturais, destacando-se os diamantes, cobalto, cobre, ouro, e nióbio. A participação de produtos minerais nas exportações do país atinge cerca de 70%. O setor agrícola carece de ganhos de competitividade e de escala, embora não deixe de ser um setor de grande importância para o país, tendo contribuído para o seu crescimento nos últimos anos. A agricultura ocupa a maior parte da mão-de-obra local. Tradicionalmente, o país exporta tabaco, madeira, café, algodão e óleo de palma. No plano industrial, a República Democrática do Congo produz têxteis, artigos de limpeza, calçados e plástico. Fonte: African Economic Outlook, Suazilândia e Zimbabué. Economias em transição para a atividade industrial. Gráfico 11 Produto Interno Bruto por setor (%) 41

42 O setor agrícola é ainda a principal fonte de rendimento para mais de 70% da população da Suazilândia, sendo por isso a principal fonte de subsistência da Economia. 21 Entre os principais produtos exportados encontram-se o açúcar, o algodão, os produtos enlatados e o milho Suazilândia Construção Serv. Financeiros (*) O setor industrial tem-se tornado mais diversificado desde meados da década de 1980, e representou cerca de 44% do PIB em Transp. e comum. Agricultura Ao longo dos últimos anos, a estrutura económica da Suazilândia tem vindo a alterarse, de uma base agrícola para uma base industrial (43,50%) Comércio Admin. pública,saúde e educ Indústria 0.00 Fonte: African Economic Outlook, Seicheles. SIDS 22 com economia orientada para o Turismo. 23 Representado menos de 1% do PIB da SADC, o turismo pesa fortemente no PIB das Seicheles, sendo que dos quase 31% do PIB relativos ao Comércio, 20,7% respeitam à hotelaria e restauração (em 2011). Gráfico 12 - Produto Interno Bruto por setor 2011 (%) Seicheles Outros Admin. pública,saúde e educ. Construção Indústria Transp. e comum. Serv. Financeiros (*) Comércio Fonte: African Economic Outlook, Reino da Suazilândia Comunidade Europeia, Country Strategy Paper and National Indicative Programme Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento 23 Fonte: Áfrican Economic Outlook / Relatório Integrado dos Desenvolvimentos Económicos Recentes na SADC - Banco Nacional de Angola, setembro

43 Maurícias. Peso relevante da indústria, mas com motor nos serviços. Gráfico 13 - Produto Interno Bruto por setor (%) Maurícias % Agricultura Comércio Serv. Financeiros (*) Admin. pública,saúde e educ. Transp. e comum. Construção Indústria Ind.mineira Representando menos de 1,61% do PIB da SADC, um dos setores que mais impulsionou o crescimento económico das Maurícias foi o setor dos serviços, com destaque para o turismo, transportes, comunicação e serviços financeiros. Não obstante, o setor industrial mantém relevo económico no país, fruto da estratégia de desenvolvimento de clusters, zonas francas industriais e de comércio e da atividade de captação de IDE. Acresce ainda a proatividade da agência de investimento das Maurícias na promoção das exportações e do país enquanto destino de IDE, sendo ainda uma plataforma de investimento em África. Fonte: African Economic Outlook,

44 Botsuana, Namíbia e Zâmbia. Regiões de forte orientação para a indústria extrativa. 24 Gráfico 14 - Produto Interno Bruto por setor (%) Botsuana Agricultura Outros Transp. e comum. Indústria Atendendo à dimensão da economia do Botsuana, Namíbia e Zâmbia, a análise conjunta dos seus principais setores permitirá uma visão mais abrangente e adequada do seu impacto regional. Destes países, verifica-se que a indústria extrativa, em particular, a mineira assume-se como o setor mais relevante representando 7,5% do PIB da SADC Fonte: African Economic Outlook, 2011 Construção Serv. Financeiros (*) Comércio Admin. pública,saúde e educ. Ind. mineira Representando 2,22% do PIB da SADC, o Botsuana tem como pilar da sua economia o setor diamantífero, o qual responde por uma parte significativa do PIB, e representa cerca de 45% das receitas do Governo, e aproximadamente 70% das receitas de exportação. Em 2011, o Botsuana produziu 28% do valor global de diamantes, com as vendas perfazendo US$ milhões. A agricultura no Botsuana desempenha um papel relevante do ponto de vista social pelo número de pessoas que dependem deste setor, apesar da sua reduzida expressão económica no PIB. Ainda assim, as condições do país para a prática agrícola não são as melhores, devido às más condições do solo e às chuvas irregulares, o que explica a incapacidade de satisfazer a população a nível alimentar. Um dos maiores sistemas de águas insulares do mundo o Delta do Okavango está localizado no Botsuana, sendo um ponto de importante atração turística. Nos próximos anos o crescimento económico deverá manter-se robusto, com os serviços (hotelaria e serviços aéreos e financeiros) a responderem por grande parte deste crescimento. 24 Fontes: African Economic Outlook / Relatório Integrado dos Desenvolvimentos Económicos Recentes na SADC - Banco Nacional de Angola, setembro

45 Equivalendo a 1,97% do PIB da SADC, a Namíbia tem na base da sua economia a extração e processamento de minerais, representando o setor mineiro cerca de 20% do PIB do país. Mais de metade da população da Namíbia depende da agricultura para a sua subsistência. Apesar do peso relativo do setor dos serviços financeiros ser relevante para a economia (28,70%), este apresenta um conjunto de fraquezas passíveis de se transformar em oportunidades: mercado financeiro superficial, concorrência limitada, sistema de proteção financeira limitado, mercado de capitais subdesenvolvido, ineficiente e inadequada regulação, acesso limitado aos serviços financeiros, iliteracia e falta de proteção ao consumidor; falta de competências de gestão financeira, e domínio de capital estrangeiro na prestação de serviços financeiros. Gráfico 15 - Produto Interno Bruto por setor (%) Namíbia Fonte: African Economic Outlook, 2011 Energia (*) Construção Outros Agricultura Ind. mineira Comércio Indústria Transp. e comum. Serv. Financeiros (*) Gráfico 16 - Produto Interno Bruto por setor (%) Zâmbia Admin. pública,saúde e educ. Energia (*) Transp. e comum. Outros Representando 3,18% do PIB da SADC, a Zâmbia, 4º maior produtor mundial de cobre, é um país rico em vários minerais: cobalto, ouro e diversas pedras preciosas. A indústria extrativa representa uma grande parte das exportações de mercadorias do país. Outros setores relevantes na economia do país são a agricultura (19,10%), o comércio (16,20%) e os serviços financeiros (13,70%) Indústria Serv. Financeiros (*) Comércio Agricultura Construção Contam-se, entre os produtos exportados, os têxteis, os materiais de construção, os alimentos processados e os produtos animais e de couro. Nos últimos anos, o país tem vindo a crescer economicamente, devido, em grande medida, às políticas económicas ponderadas do Governo, visando melhorar e diversificar a competitividade da Economia. Fonte: African Economic Outlook,

46 País importador Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP 1.4. Trocas comerciais na SADC Complementaridade das Economias A intensificação das trocas exige a complementaridade industrial das economias, implicando níveis de especialização diferenciados. O baixo nível de industrialização das economias da região reduz essa possibilidade, que, no entanto, poderá ser estimulada pelo desenvolvimento económico e pelo esforço de diversificação das economias - uma aspiração de muitos países da região. Tabela 2 - TCI (Trade Complementary Index) intra-sadc 25 País Exportador AO 26 BW 27 CG 28 LS 29 MG 30 MW 31 MU 32 MZ 33 NA 34 SC 35 ZA 36 SZ 37 TZ 38 ZM 39 ZW 40 AO BW CG LS MG MU MUS MZ NA SC ZA SZ TZ ZM ZW Fonte: Cálculo realizado pela PwC com base nos dados do UNCTAD, UNCTADstat 25 O Trade Complementary Index (TCI Indice de Complementaridade de Comércio) é um indicador utilizado para medir a compatibilidade do perfil comercial, através da comparação das estruturas de exportação e de importação entre países. Índices mais elevados revelam potenciais de complementaridade superiores e maior correspondência entra a estrutura de exportações/importações dos 2 países. TCI nulo é sinónimo de não complementaridade. 26 Angola 27 Botsuana 28 República Democrática do Congo 29 Lesoto 30 Madagáscar 31 Maláui 32 Maurícias 33 Moçambique 34 Namíbia 35 Seicheles 36 África do Sul 37 Suazilândia 38 Tanzânia 39 Zâmbia 40 Zimbabué 46

47 O nível de complementaridade na SADC é reduzido, havendo no entanto maior complementaridade entre a África do Sul enquanto importador de um vasto conjunto de países, dos quais se destacam o Zimbabué (86 pts), a Zâmbia (81 pts), a Tanzânia (80 pts) e Moçambique (77 pts). Em termos de complementaridade enquanto país exportador, o Zimbabué apresenta um maior nível de complementaridade com 6 países do bloco, o Botsuana (67 pts), o Lesoto (71 pts), a Namíbia (67 pts), África do Sul (86 pts), Tanzânia (69 pts) e Zâmbia (70 pts). É notória a importância da África do Sul no bloco e a capacidade de absorção das exportações de um alargado conjunto de países atendendo à sua estrutura de importações, e em concreto de Moçambique Comércio intrarregional As exportações intra- SADC só representam 8,86% do total das exportações da região A SADC regista o 3º maior valor mundial de trocas intrarregião, medido pelo rácio de exportações sobre o PIB, dos espaços de integração económica analisados, cujo nível de integração é liderado pela União Europeia ( UE ) e seguido pela ASEAN, o que indicia um nível de integração relevante, tendo em consideração o nível de desenvolvimento da região e o facto das trocas informais nestas regiões poderem representar o dobro das registadas. Tabela 3 - Comunidades económicas regionais em perspetiva (2012) Indicador SADC União CPLP CEEAC Mercosul CEDEAO ASEAN Europeia Exportações intrarregião (milhões US$, 2012) Exportações intrarregião (% no PIB da região, 4,09% 21,90% 0,62% 0,47% 2,10% 2,86% 13,90% 2012) Exportações intrarregião (% das exportações 0,15% 19,87% 0,09% 0,01% 0,37% 0,06% 1,77% mundiais, 2012) Crescimento anual médio das exportações intrarregião ( ) 6,66% -2,17% 8,12% 3,43% 4,50% 4,27% 6,65% Fonte: UNCTAD, UNCTADstat Acresce que a dinâmica de crescimento é a mais acentuada das regiões analisadas. Importa no entanto, referir que os produtos petrolíferos assumem especial relevo nas trocas comerciais, estimando-se que possam representar 20% do total das exportações intrarregião. 47

48 Importações intra-sadc (%no total das importações intra-sadc) Importações; Exportações (Milhões US$) PIB a preços correntes (milhões US$) Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP Gráfico 17 - Evolução do comércio intra-sadc vs. Evolução do PIB da região 30, , , ,000 25, , ,000 20, , , ,000 15,000 10,000 20,980 19,444 22,344 25,882 27, , , ,000 5, , Exportações (milhões US$) PIB (milhões US$) Fonte: UNCTAD, UNCTADstat A dimensão, estrutura, localização das economias e acordos prévios determinam o fluxo atual de trocas comerciais. A análise do peso das exportações vs. importações intrarregião revela que 4 países representem cerca de 52% das importações intrarregionais: África do Sul, Botsuana, Namíbia e Zâmbia, conjuntamente, demonstram um elevado nível de integração económica regional. Angola, apesar de apresentar um elevado índice de exportações regionais, tem um valor reduzido de importações. Este indicador é característico de uma economia protecionista ou de uma baixa complementaridade entre as necessidades dos países e a capacidade de exportação dos demais países da região da SADC. No polo oposto, Botsuana, Namíbia e Zâmbia, apesar de apresentarem índices de importações regionais mais elevados que os demais países, têm valores de exportação reduzidos (quando comparando com as exportações). Este indicador é característico de economias menos protecionistas ou de um maior grau de complementaridade regional. Para mais informações sobre o grau de complementaridade verificar a análise realizada adiante em ponto autónomo. Gráfico 18 - Peso das exportações/importações intra-sadc no total da região 18% 16% 14% Botsuana Zâmbia África do Sul 12% Namíbia 10% Zimbabué 8% Rep. Dem. Congo Moçambique 6% Angola Lesoto 4% Maláui Tanzânia 2% Maurícias 0% Madagáscar 0% Seicheles 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45% Exportações intra-sadc (%no total das exportações da SADC) Fonte: UNCTAD, UNCTADstat,

49 De referir que apenas a África do Sul, Angola e Tanzânia (embora em menor grau) apresentam balanças comerciais intra-regionais positivas, sendo a República Democrática do Congo e o Lesoto aquelas que apresentam balanças comerciais proporcionalmente mais deficitárias. Importa igualmente compreender, atendendo às características dos vários mercados, quais os produtos transacionados intra-sadc e, consequentemente, aqueles que revelam menos obstáculos à exportação. Produtos transacionados intra-sadc Gráfico 19 - Produtos transacionados intra-sadc (2012) 8% 6% 3% 3% 4% 35% Combustíveis minerais, lubrificantes e materiais relacionados Maquinaria e equipamentos de transporte Bens manufaturados Alimentos e animais vivos As principais trocas assentam em matérias-primas, produtos petrolíferos, nos quais a região é abundante, produtos agroalimentares para satisfazer a procura decorrente do aumento populacional, assim como do aumento do poder de compra, e em equipamento de transporte. 9% 14% 17% Químicos e produtos relacionados Outros artigos manufaturados Matérias-primas (exceto combustíveis) Commodities e transações n.e. Os produtos manufaturados têm ainda uma baixa representatividade, quando comparado com as regiões económicas mais desenvolvidas, o que representa uma oportunidade para os países que acelerem a sua industrialização. Bebidas e tabaco Fonte: UNCTAD, UNCTADstat África do Sul e Angola. Os países com maior intensidade comercial na região A África do Sul, a economia mais desenvolvida da SADC, mantém vínculos comerciais com quase todos os países-membros da SADC e possui uma grande diversidade de produtos exportados, sendo de destacar os seguintes: petróleo refinado (6%), veículos de transporte de mercadorias (5%) e máquinas e equipamentos para a construção civil (3%). Da análise dos mercados de destino dos produtos exportados verifica-se uma dispersão das exportações de petróleo refinado pelos vários países da SADC, e uma concentração das exportações com um maior volume para seis países: Zâmbia (19%), Moçambique (18%), Zimbabué (18%), Botswana (12%), Angola (10%) e Rep. Dem. Congo (10%). 49

50 Figura 5 - Principais exportações de África do Sul intra-sadc, por produto África do Sul 43% das exportações intra-sadc Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, 2012 As principais exportações para estes seis países totalizaram em 2012 um montante superior a 4 mil milhões de USD, sendo as exportações de maquinarias e equipamentos de transportes responsáveis por cerca de 49% das principais exportações, num total de 1.9 mil milhões de USD exportados. Angola tem um peso substancial nas trocas intra-sadc (25%), mas concentrando-se apenas num produto o petróleo (99% do total das exportações de Angola para a SADC) com destino a África do Sul. 50

51 Figura 6 - Principais exportações de Angola intra-sadc, por produto Angola 25% das trocas intra- SADC Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, 2010 e 2012 O incremento e diversificação da base industrial, beneficiando de um mercado interno, poderão gerar uma base de produção para as economias vizinhas, muito embora existam um conjunto de fatores críticos que, entre outros, terão de ser ultrapassados: Concorrência da África do Sul; Crescimento da capacidade industrial; Capacitação de quadros técnicos; Adesão a instrumentos regionais de facilitação de transporte de mercadorias; Compatibilização e futura harmonização aduaneira; Adesão a instrumentos de harmonização fiscal; Adesão à estratégia de integração regional da SADC. 51

52 Peso nas importações da SADC Importações (milhões US$) Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP 1.5. Comércio extrarregional Principais parceiros comerciais da SADC A SADC tem historicamente apresentado uma Balança Comercial negativa em cerca de USD 8 mil milhões (cerca de 1,2% do PIB da região), excetuando em 2011, ano em que as exportações superaram marginalmente as importações. Importações A SADC importa maioritariamente de países industrializados (China, países membros da EU, Japão e Índia). Nota-se que a China foi o único país que conseguiu aumentar significativamente a sua importância relativa nas importações do bloco, em parte pela sua crescente necessidade de recursos naturais, dos quais se destaca, entre outros, o petróleo. A importação de petróleo do bloco resulta em grande medida das necessidades de África do Sul que, além das importações de Angola, importa petróleo dos Emirados Árabes Unidos e Nigéria. Aliás, Angola encontra-se no terceiro lugar das importações de petróleo de África do Sul, apesar de ter capacidade de produzir petróleo suficiente para suprir a totalidade das necessidades deste país. Entre 2008 e 2012, assistiu-se a um crescimento do nível das importações para a região, a ritmo anual de 5,72%. Gráfico 20 - Evolução das importações da SADC e principais países de destino 100% 90% ,000 80% % 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% % 3% 2% 2% 2% 2% 2% 2% 2% 2% 2% 2% 2% 3% 2% 2% 3% 3% 2% 2% 1% 2% 2% 2% 4% 3% 3% 4% 4% 3% 4% 3% 4% 4% 4% 4% 5% 4% 5% 6% 9% 9% 9% 8% 11% 12% 13% 14% 17% China Alemanha Índia Reino Unido Japão França Gana Portugal Países Baixos Bélgica Tailândia Brasil Importações 2% 2% 2% 3% 3% 3% 3% 3% 5% 6% 8% 150, ,000 50,000 - Fonte: UNCTAD, UNCTADstat; Centro de Comércio Internacional, Numa análise global, o aumento das importações demonstra um crescimento contínuo e consistente das economias emergentes, como é o caso da China e da Índia, com forte presença na região e em todo o continente Africano. Por outro lado, nos principais produtos importados pelo bloco, pode verificar-se uma certa estagnação na importância dos países europeus, dos EUA e do Japão. 52

53 Importações da SADC Top produtos Gráfico 21 Importações da SADC - Top produtos, % 8% 3% 2% 33% Maquinaria e equipamentos de transporte Combustíveis minerais, lubrificantes e materiais relacionados Bens manufaturados Químicos e produtos relacionados 11% Alimentos e animais vivos Outros artigos manufaturados 15% 18% Matérias-primas (exceto combustíveis) Óleos vegetais e animais, gorduras e ceras Relativamente aos produtos, destacam-se as importações de maquinaria e equipamentos de transporte, representando cerca de 33% das importações totais da região. Em segundo lugar surgem as importações de combustíveis minerais, lubrificantes e materiais relacionados com um peso de 18%, dada a inexistência de capacidade instalada na refinação de petróleo na região. Do total dos produtos importados pela SADC no montante de US$ 216 mil milhões identificamos de seguida, por ordem decrescente, os 50 principais produtos que representam 55% das importações, no montante de cerca US$ mil milhões, e a negrito os produtos que poderão representar oportunidades de exportação para as empresas portuguesas: Óleos brutos de petróleo, óleos de xistos, materiais em bruto; Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos> óleo de 70%; Veículos automóveis para transporte de pessoas; Equipamento de telecomunicação; Máquinas para a construção civil; Veículos a motor para transporte de mercadorias; Pérolas, pedras preciosas e semipreciosas; Medicamentos (incluindo medicamentos veterinários); Máquinas de processamento de dados; Outras máquinas e aparelhos para as indústrias particulares; Peças e acessórios dos veículos; Fertilizantes; Máquinas e aparelhos elétricos; Geradores; Mobiliário e peças; Outras carnes e miudezas comestíveis; Aparelho para circuitos elétricos, tabuleiro, painéis; Pneus de borracha e câmaras-de-ar; Equipamento mecânico manuseio; Aparelhos de medição, análise e controle; Metais comuns; Calçado; Aeronaves e equipamentos associados; Tubos e perfis ocos de ferro e aço; Artigos plásticos; Bombas compressoras de gás e ventiladores; Equipamentos de aquecimento e refrigeração; Bebidas alcoólicas; Minérios de cobre, outros; Produtos diversos da indústria química; Arroz; Trigo e centeio em grão; Papel e cartão; Barras de ferro e aço, cantoneiras, perfis e seções; Gorduras vegetais e óleos; Peças, acessórios para máquinas; Estruturas e peças de ferro, aço, alumínio; Gorduras vegetais e óleos refinados; Automóveis; Aparelhos para canalizações, caldeiras, reservatórios, cubas; Equipamento para distribuição de energia elétrica; Máquinas e ferramentas, Equipamentos domésticos elétricos; Turbinas a vapor e componentes; Motores de pistão de combustão interna e peças; Embarcações; Sabonetes, produtos de limpeza e de polimento; Cobre; Elementos químicos inorgânicos, óxidos e sais de halogéneo; Materiais de construção. Fonte: UNCTADStat, dados

54 Importações SADC da China e da Alemanha Gráfico 22 - Importações SADC da China Gráfico 23 - Importações SADC da Alemanha 8% 3% 7% 4% 21% 45% 13% 14% 59% 23% Maquinaria e equipamentos de transporte Maquinaria e equipamentos de transporte Bens manufaturados Químicos e produtos relacionados Outros artigos manufaturados Bens manufaturados Químicos e produtos relacionados Outros artigos manufaturados Alimentos e animais vivos Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, 2012 Nas importações de maquinaria e equipamento de transporte vindas da China, são de destacar as importações de máquinas automáticas para processamento de dados, equipamentos de telecomunicações e calçado. Alimentos e animais vivos Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, 2012 Da Alemanha os grandes fluxos de importação referem-se a veículos de transporte de pessoas, turbinas de vapor e partes e acessórios para veículos automóveis. Este facto resulta da política explícita do Governo chinês, que troca petróleo por bens e infraestruturas. Note-se que a China posiciona-se como um concorrente de muitos produtos que formam a base da estrutura industrial portuguesa. 54

55 Importações SADC dos EUA e da Índia Gráfico 24 - Importações SADC dos EUA Gráfico 25 - Importações SADC da Índia 9% 9% 4% 13% 7% 5% 34% 52% 10% 18% 13% 23% Maquinaria e equipamentos de transporte Químicos e produtos relacionados Combustíveis minerais, lubrificantes e materiais relacionados Maquinaria e equipamentos de transporte Bens manufaturados Químicos e produtos relacionados Alimentos e animais vivos Outros artigos manufaturados Bens manufaturados Alimentos e animais vivos Combustíveis minerais, lubrificantes e materiais relacionados Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, 2012 Os Estados Unidos da América também apresentam um peso significativo nas importações da SADC de veículos (para transporte de pessoas e de mercadorias), assim como de máquinas e equipamentos de engenharia civil. Outros artigos manufaturados Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, 2012 Da Índia são importados veículos de transporte de passageiros, embora pesem mais os óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (> 70%) e as importações de medicamentos (incluindo medicamentos veterinários). A Índia, apesar de não ser um importante produtor de petróleo, aproveita a sua capacidade excedentária de refinação para se posicionar como um fornecedor de combustíveis beneficiando, deste modo, as suas exportações para o bloco. 55

56 Importações SADC do Reino Unido Gráfico 26 - Importações SADC do Reino Unido 5% 5% 9% 10% 23% 44% Relativamente ao Reino Unido, são de destacar as importações de óleos brutos de petróleo, óleos de minerais betuminosos, crude, artigos de cerâmica e veículos de transporte de pessoas. Note-se que a proximidade cultural do Reino Unido é explorada, em produtos menos complexos, permitindo-lhe posicionar-se como um sério concorrente de muitos produtos que formam a base da estrutura industrial portuguesa. Maquinaria e equipamentos de transporte Bens manufaturados Químicos e produtos relacionados Outros artigos manufaturados Combustíveis minerais, lubrificantes e materiais relacionados Bebidas e tabaco Fonte: UNCTAD, UNCTADstat,

57 Peso nas exportações totais da SADC Exportações (milhões US$) Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP Exportações da SADC Top produtos Exportações As exportações da SADC cresceram, em média, 17% por ano, desde 2009 Os principais destinos das exportações dos países da SADC são a China, os EUA, a Índia e o Reino Unido, representando cerca de 54% do total das exportações da SADC em Gráfico 27 Evolução das exportações da SADC e principais países de destino, % 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 206, , , , ,156 4% 4% 4% 4% 5% 5% 4% 4% 5% 4% 8% 5% 4% 6% 5% 7% 7% 8% 4% 7% 13% 11% 10% 16% 13% 17% 20% 25% 27% 28% China EUA Índia Reino Unido Japão Alemanha Taipé Chinesa Hong Kong, China Exportações 200, , ,000 50,000 - Fonte: UNCTAD, UNCTADstat; Centro Internacional de Comércio, Gráfico 28 Exportações da SADC - Top produtos, % 14% 4% 2% 2% 4% 5% Fonte: International Trade Centre 21% 40% Combustíveis minerais, lubrificantes e materiais relacionados Bens manufaturados Matérias-primas (exceto combustíveis) Maquinaria e equipamentos de transporte Alimentos e animais vivos Commodities e transações n.e. Químicos e produtos relacionados Outros artigos manufaturados Bebidas e tabaco Angola representa 85% das exportações de combustíveis da SADC As exportações dos EM da SADC são maioritariamente matérias-primas, com especial relevo para o petróleo e seus derivados, diamantes, minérios e cobre, denotando assim a elevada importância que as indústrias ligadas à extração mineira ou petrolífera têm nos países da região. Pela natureza das exportações (matérias-primas), os principais destinos analisados individualmente continuam a ser os países com elevada produção industrial. Assim, boa parte do petróleo exportado pelos países da SADC tem como destino a China, os EUA, a Índia e Taiwan. 57

58 Gráfico 29 - Exportações SADC para a China Gráfico 30 - Exportações SADC para os EUA 2% 2% 2% 10% 2% 3% 4% 7% 11% 24% 58% 72% Matérias-primas (exceto combustíveis) Bens manufaturados Combustíveis minerais, lubrificantes e materiais relacionados Químicos e produtos relacionados Bebidas e tabaco Maquinaria e equipamentos de transporte Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, 2012 Combustíveis minerais, lubrificantes e materiais relacionados Bens manufaturados Maquinaria e equipamentos de transporte Outros artigos manufaturados Matérias-primas (exceto combustíveis) Químicos e produtos relacionados Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, 2012 Gráfico 31 - Exportações SADC para a Índia Gráfico 32 - Exportações SADC para o Reino Unido 11% 4% 2% 2% 8% 5% 3% 3% 5% 49% 79% 25% Combustíveis minerais, lubrificantes e materiais relacionados Commodities e transações n.e. Matérias-primas (exceto combustíveis) Bens manufaturados Alimentos e animais vivos Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, 2012 Bens manufaturados Combustíveis minerais, lubrificantes e materiais relacionados Alimentos e animais vivos Matérias-primas (exceto combustíveis) Maquinaria e equipamentos de transporte Outros artigos manufaturados Commodities e transações n.e. Fonte: UNCTAD, UNCTADstat,

59 Importações (milhões US$) Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP Trocas comerciais entre a CPLP e a SADC Importações Analisando a relação comercial na vertente das trocas comerciais da SADC com os países pertencentes à CPLP, começando pelas importações, apenas Portugal e Brasil apresentam níveis significativos no contexto global. Portugal merece especial destaque pelo aumento do volume de exportações para a SADC (crescimento médio anual de 21%, entre 2008 e 2012). Gráfico 33 - Importações da SADC aos países da CPLP (valor e crescimento médio) 14,000 12, % 10, % 5.57% 8, % 8,187 6,000 3,883 4, % 4,468 4,000 3,135 2,000 3,895 4,317 3,298 2,620 3, Brasil Portugal Fonte: UNCTAD, UNCTADstat Figura 7 - Principais destinos das exportações portuguesas para a SADC Angola é o principal parceiro comercial de Portugal dentro da SADC, absorvendo 87% das exportações portuguesas para este mercado Fonte: Centro de Comércio Internacional,

60 Gráfico 34 - Importações SADC a Portugal 10% 10% 8% 2% 30% Quando observados os principais grupos de produtos exportados por Portugal para a SADC, os que apresentam maior peso são a maquinaria, o equipamento de transporte e os bens manufaturados. Se analisarmos cada um dos países da CPLP que integram a SADC são de destacar os seguintes produtos exportados por Portugal: 15% 23% - Angola: bebidas alcoólicas; estruturas e partes de estruturas de ferro, aço ou alumínio e móveis e suas partes, cujo principal destino é Angola. Maquinaria e equipamentos de transporte Bens manufaturados Outros artigos manufaturados - Moçambique: máquinas e aparelhos, metais comuns, veículos e outros materiais de transporte, produtos alimentares, pastas celulósicas e papel e químicos, para Moçambique. Alimentos e animais vivos Bebidas e tabaco Químicos e produtos relacionados Óleos vegetais e animais, gorduras e ceras Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, 2012 Importações SADC do Brasil Figura 8 - Principais destinos das exportações brasileiras para a SADC A África do Sul é o país da SADC que mais importa produtos oriundos do Brasil, seguido de Angola 60

61 Exportações (milhões US$) Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP O Brasil apresenta uma forte exportação de alimentos para a SADC. São de destacar as outras carnes e miudezas comestíveis com elevado envio para Angola e para África do Sul, assim como os açúcares, melaço e mel, com presença forte em Angola. As exportações de móveis e peças de mobiliário apresentam também um valor relevante, tendo como principal destino, dentro da SADC, Angola. O Brasil apresenta uma base mais diversificada de exportação, com competências para exportar para a África do Sul (pese embora a base de produtos corresponder a bens do setor primário). O peso de Moçambique nas importações do Brasil é diminuto. Gráfico 35 - Importações SADC do Brasil 5% 4% 7% 10% 21% Alimentos e animais vivos 49% Maquinaria e equipamentos de transporte Bens manufaturados Outros artigos manufaturados Químicos e produtos relacionados Matérias-primas (exceto combustíveis) Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, 2012 Exportações A CPLP é responsável somente por cerca de 3,3% das exportações da SADC, sendo que apenas Portugal e Brasil apresentam valores dignos de registo. Gráfico 36 - Exportações da SADC para a CPLP (valor e crescimento médio) 8,000 7, % 6, , % 4, % 3,000 2, % 1,392 5,808 2, % 1,209 1, ,980 1, , Portugal Brasil Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, Portugal tem vindo a aumentar a sua importância no seio da SADC, nomeadamente através da crescente importação dos produtos da SADC. Entre 2008 e 2012, Portugal aumentou a sua quota nas exportações da SADC de 0,68% para 2,81%. 61

62 O Brasil surge como o 2º país da CPLP, não pertencente ao bloco, em termos de destino das exportações dos países membros da SADC, representando cerca de 0,48% das exportações da zona. Exportações SADC para Portugal e para o Brasil Gráfico 37 - Exportações SADC para Portugal Gráfico 38 - Exportações SADC para o Brasil 4% 8% 5% 32% 25% 93% 27% Combustíveis minerais, lubrificantes e materiais relacionados Alimentos e animais vivos Químicos e produtos relacionados Bens manufaturados Combustíveis minerais, lubrificantes e materiais relacionados Maquinaria e equipamentos de transporte Matérias-primas (exceto combustíveis) Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, 2012 Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, 2012 Enquanto Portugal importa quase exclusivamente combustíveis da SADC, o Brasil importa também químicos e outros bens manufaturados, bem como alguma maquinaria. 62

63 Milhões US$ Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP 1.6. Investimento direto estrangeiro na SADC A SADC tem vindo a registar desde 2008 uma tendência de abrandamento na sua competitividade para captação de investimento direto estrangeiro, nomeadamamente pela diminuição do capital investido na região que em 2008 registava um volume de US$ 18 mil milhões e em 2012 somente de cerca de US$ 11 mil milhões. Os países da SADC que mais captaram IDE em 2012 foram Moçambique, África do Sul e a Rep. Democrática do Congo. Relativamente ao aumento do investimento da região no exterior (Outward) este tem vindo a aumentar exponencialmente desde 2008, tendo atingido em 2012 cerca de US$ 7.8 mil milhões. Gráfico 39 - IDE na SADC - inward e outward, ,000 18,714 15,000 13,177 12,865 11,788 10,000 8,198 7,841 5,000 1,509 2,591 2,080 (514) - (5,000) Inward Outward Com exeção de Angola, Moçambique, África do Sul e a Rep. Democrática do Congo, os fluxos de IDE nos demais países da região têm-se apresentado heterogéneos. Países como o Botsuana, o Lesoto, Madagáscar, Maláui, Namíbia, Seicheles, Suazilândia e Zimbabué têm-se apresentado pouco atrativos ao investidor estrangeiro, seja pela sua dimensão, seja pela sua estrutura produtiva. Tabela 4 - Investimento Direto Estrangeiro nos países-membros da SADC inward (milhões US$) País Angola (3.227) (3.024) (6.898) Botsuana (6) Rep. Dem. Congo Lesoto Madagáscar Maláui

64 País Maurícias Moçambique Namíbia Seicheles África do Sul Suazilândia Tanzânia Zâmbia Zimbabué SADC Fonte: UNCTAD, UNCTADstat Nos últimos 2 a 3 anos registou-se um forte aumento da atratividade de Moçambique como destino de IDE, muito tendo contribuído os projetos associados ao potencial de desenvolvimento da exploração de LNG Gás Natural. A Tanzânia e a República Democrática do Congo viram igualmente os fluxos de IDE serem reforçados em Por outro lado, verificou-se também uma diminuição dos fluxos de IDE para a África do Sul com uma queda de 24 por cento para US$ 4,6 milhões. 64

65 1.7. SADC. Oportunidades de investimento na modernização da agricultura e do tecido industrial A SADC constitui uma geografia de oportunidade de IDE, na contribuição para o seu desenvolvimento, agregando cerca de US$ 650 mil milhões de PIB e mais de 285 milhões de habitantes. Os planos de desenvolvimento e reforço de integração gerarão a prazo oportunidades de modernização económica da região e intensificação de trocas comerciais, a par de um incremento do tecido industrial com potencial exportador, os quais poderão ser impulsionados pela concretização das ZCL e dos instrumentos para o desenvolvimento de setores industriais competitivos a nível global, a que não ficará alheia a modernização e maior integração do mercado de capitais e do sistema financeiro. De fato, presentemente as importações de maquinaria, combustíveis, bens manufaturados e químicos constituem cerca de 75% das importações da SADC, como resultado da incapacidade de refinação dos países produtores de petróleo (Angola em particular) e da menor industrialização das economias, em particular as de menor dimensão. As importações de fora da SADC têm origem na sua maioria da China, EUA, Alemanha e Reino Unido, excetuando o que respeita a combustíveis que são exportados a partir da Índia e também de Angola (por refinar). Aliás, em termos de balança comercial, desde o final da década de 90, o desempenho económico e a balança comercial dos países da SADC encontram-se altamente correlacionados com o crescimento da economia chinesa. Por outro lado, verificou-se um declínio das relações comerciais relativas com os EUA, deixando assim os países da SADC menos expostos ao desempenho da Economia norte-americana. Estas mudanças são particularmente expressivas no caso da África do Sul, de Angola, de Madagáscar, da Namíbia e das Seicheles. A heterogeneidade económica dos EMs da SADC releva o peso da África do Sul e Angola, que representam cerca de 60% e 18% do PIB da região, respetivamente, mas com estruturas produtivas substancialmente diferentes, sendo que, as restantes 13 economias representam cerca de 22% do PIB (dados de 2012). A África do Sul, quando comparada com as restantes economias da região, apresenta uma estrutura produtiva bastante diversificada, sendo o parceiro dominante nas trocas comerciais intra-regionais, representando 43% das exportações intra-sadc e com elevada diversidade de produtos exportados. As exportações com maior volume destinam-se à Zâmbia (19%), Moçambique (18%), Zimbabué (18%), Botsuana (12%), Angola (10%) e Rep. Dem. Congo (10%), sendo que este conjunto de nações importa, fundamentalmente, Maquinaria e Equipamento de Transporte, Químicos e Combustíveis. O petróleo é particularmente significativo na estrutura económica angolana. Fortalecida por uma Balança Comercial positiva, Angola representa 25% das trocas comerciais da SADC, com elevada concentração de exportações de petróleo para a África do Sul. No quadro da estratégia do Governo de Angola surge o fomento à diversificação da economia. Esta opção governativa introduz um conjunto de oportunidades de investimento no tecido empresarial local, desde o setor agrícola, passando pela indústria agroalimentar, até às atividades de logística e serviços. O tecido industrial deverá ser igualmente alvo de crescimento a prazo como resultado da política de fomento, bem como do incremento do rendimento da população e do consumo privado, constituindo aqui também uma oportunidade de investimento. Moçambique, a prazo, tem focos desenvolvimento no projeto de exploração de gás natural, estimando-se que todas as atividades no cluster da prospeção, extração e exploração possam prosperar a médio / longo prazo, a par das atividades subsidiárias e acessórias ao mencionado cluster. De igual modo, a aceleração esperada da Economia colocará mais capital a circular nas ruas, fomentando o aumento do consumo de bens duradouros e bens não - duradouros. A oportunidade que o gás natural poderá gerar tem levado a um intensificar dos níveis de IDE para Moçambique, que desde 2010 têm crescido a um ritmo superior a 100% ao ano. 65

66 Congo RD Café, Açúcar, Óleo de palma, Borracha, Chá, Algodão, Cacau, Mandioca, Banana, Amendoim, Tubérculos, Milho, Frutas, Produtos de madeira Agricultura, Indústria mineira, Energia, Telecomunicações, Saúde, Educação, Indústria têxtil, Indústria naval, Indústria alimentar Goma International Airport, N'Djili International Airport, Bangoka International Airport, Lubumbashi International Airport Banana SADC Botsuana Pecuária, Sorgo, Milho, Feijão, Girassol, Amendoim Indústria mineira, Saúde, Turismo, Indústria têxtil Francistown International Airport, Sir Seretse Khama International Airport, Kasane Airport Maun Airport N/A Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP A agricultura surge com principal relevo no Lesoto, Madagáscar, Maláui, República Democrática do Congo, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabué, que no seu conjunto representam cerca de 16% do PIB da região. Principal fonte de emprego, a agricultura apresenta, na maioria das explorações, oportunidades de mecanização e incremento de produtividade. Acresce ainda que é um setor que em muitos países apresenta fortes índices de exportação, apresentando um peso relevante na Balança Comercial desses países. São também estes países que se têm apresentado menos atrativos à captação de IDE, seja pela sua dimensão, seja pela sua estrutura produtiva. A indústria extrativa, em particular a mineira, é preponderante nas economias do Botsuana, Namíbia e Zâmbia, concentrando-se as oportunidades de negócio neste cluster. As oportunidades de investimento no Turismo têm sido, na sua maioria, concretizadas nas Seicheles e Maurícias, sendo que o Botsuana (Bacia do Okavango), Moçambique e Namíbia vêm apostando no desenvolvimento deste setor. Angola tem também como objetivo, a prazo, a criação de uma indústria de Turismo, promovendo o desenvolvimento de 3 polos turísticos em Cabo Ledo, Kalandula e junto ao Okavango, o qual impulsionará atividades de serviços profissionais nas áreas do ambiente, ordenamento do território e construção e infraestruturas Principais setores de oportunidade por país, aeroportos e portos Região País Principais produtos agrícolas Oportunidades para o bloco Principais aeroportos Principais portos (produtos e serviços associados aos setores) 66

67 Seicheles Cocos, Canela, Baunilha, Batatadoce, Mandioca Bananas, Aves, Atum Pesca, Turismo, Processamento de coco e baunilha, Coco (fibra de coco) corda, Construção de barcos, Bebidas Seychelles International Airport N/A Namíbia Sorgo, Amendoim, Uvas, Pecuária, Peixe Agricultura, Mineração, Indústria alimentar, Turismo Windhoek Hosea Kutako International Airport Luderitz Walvis Bay Maurícia Cana de açúcar, Chá, Milho, Batata, Banana, Leguminosas, Gado, Cabras, Peixe Agronegócio, Saúde, Indústria alimentar, Mineração, Indústria têxtil, Turismo Sir Seewoosagur Ramgoolam International Airport Port Louis Maláui Tabaco, cana-deaçúcar, algodão, chá, milho, batata, mandioca, sorgo, leguminosas, amendoim, nozes de macadâmia, gado, cabras Agricultura, Energia, Indústria mineira, Indústria alimentar, Tecnologia, Turismo Chileka International Airport, Lilongwe International Airport Chipoka Monkey Bay Nkhata Bay Nkhotakota Chilumba Madagáscar Café, Baunilha, Cana-de-açúcar, Cravo, Cacau, Arroz, Mandioca, Feijão, Banana, Amendoim, Produtos de origem animal Indústria mineira, Indústria alimentar, Turismo, Indústria têxtil, Indústria petrolífera Indústria automóvel Ivato International Airport Antsiranana Mahajanga Toamasina Toliara Lesoto Milho, Trigo, Legumes, Sorgo, Cevada, Pecuária Alimentos, Bebidas, Têxteis, Vestuário, Artesanato, Construção, Turismo Moshoeshoe International Airport N/A Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP 67

68 Zimbabué Milho, Algodão, Tabaco, Trigo, Café, Amendoim; Ovinos, Caprinos, Suínos Agricultura, Indústria alimentar, Indústria de calçado, Mineração, Indústria têxtil, Turismo Joshua Mqabuko Nkomo International Airport, Harare International Airport Binga Kariba Zâmbia Milho, Sorgo, Arroz, Amendoim, Semente de girassol, Legumes, Flores, Tabaco, Algodão, Cana-deaçúcar, Mandioca, Café, Bovinos, Caprinos, Suínos, Aves, Leite, Ovos, Peles Agricultura, Energia, Mineração, Indústria têxtil, Indústria alimentar, Turismo Lusaka International Airport Mpulungu Tanzânia Café, Sisal, Chá, Algodão), Castanha de Caju, Tabaco, Milho, Trigo, Mandioca, Bananas, Frutas, Legumes, Bovinos, Ovinos, Caprinos Agricultura, Mineração, Indústria petrolífera, Indústria de calçado, Serviços financeiros, Turismo Julius Nyerere International Airport, Kilimanjaro International Airport Dar es Salaam Zanzibar Suazilândia Cana de açúcar, Algodão, Milho, Tabaco, Arroz, Laranjas, Abacaxi, Sorgo, Amendoim, Gado, Cabras, Ovelhas Agricultura, Indústria têxtil, Mineração, Indústria automóvel, Turismo Matsapha International Airport N/A Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP 68

69 1.9. Principais produtos importados pelos países da SADC e oportunidades para as empresas Portuguesas A SADC apresenta um conjunto alargado de oportunidades para as empresas portuguesas em termos de exportações e que, em muitos casos, poderão ser potenciados por Moçambique. Do total dos produtos importados pela SADC a Portugal, no total US$ 5.3 mil milhões, identificamos de seguida, por ordem decrescente, os 25 principais produtos que representam 55% das importações, no montante de US$ 2.9 mil milhões: Bebidas alcoólicas; Mobiliário e peças; Estruturas e peças de ferro, aço, alumínio; Aparelho para circuitos elétricos, tabuleiro, painéis; Barras de ferro e aço, barras, cantoneiras, perfis e seções; Maquinas para a construção civil; Medicamentos (incluindo medicamentos veterinários); Carne, miudezas, comestíveis, preparados, conservados; Equipamento para distribuição de energia elétrica; Artigos plásticos; Veículos a motor para transporte de mercadorias; Outras máquinas e aparelhos para as indústrias particulares; Equipamentos de aquecimento e refrigeração; Metais comuns; Bebidas não alcoólicas; Gorduras vegetais e óleos, refinado; Papel e cartão; Máquinas e aparelhos elétricos; Equipamento e componentes mecânicas; Geradores; Peças e acessórios de veículos; Material para impressão; Materiais de construção; Componentes para máquinas de energia elétrica; Alumínio. Do total dos produtos importados pelo Botsuana aos seus parceiros comerciais no, total US$ mil milhões, identificamos de seguida, por ordem decrescente, os 25 principais produtos que representam 51% das importações, no montante de US$ milhões, e a negrito os produtos que poderão representar oportunidades de exportação para as empresas portuguesas: Do total dos produtos importados por Moçambique aos seus parceiros comerciais no total de US$ 6 mil milhões, identificamos de seguida, por ordem decrescente, os 25 principais produtos que representam 51% das importações, no montante de US$ milhões, e a negrito os produtos que poderão representar oportunidades de exportação para as empresas portuguesas: Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos> óleo de 70%; Energia; Veículos a motor para transporte de mercadorias; Máquinas para a construção civil; Arroz; Trigo e centeio em grão; Outras máquinas e aparelhos para as indústrias particulares; Fertilizantes; Equipamento de telecomunicação; Eixos de transmissão; Alumínio; Medicamentos (incluindo medicamentos veterinários); Produtos residuais de petróleo; Estruturas e peças de ferro, aço, alumínio; Barras de ferro e aço, cantoneiras, perfis e seções; Carvão; Gorduras vegetais e óleos, refinado; Pneus de borracha e câmaras-de-ar; Máquinas e aparelhos elétricos; Produtos laminados planos de ferro e aço; Equipamentos de aquecimento e refrigeração; Tubos e perfis ocos, acessórios de ferro e aço; Veículos automóveis para transporte de pessoas; Sabonetes, limpeza e de polimento; Mobiliário e peças. Do total dos produtos importados pela República Democrática do Congo aos seus parceiros comerciais no, total US$ 6.1 mil milhões, identificamos de seguida, por ordem decrescente, os 25 principais produtos que representam 50% das importações, no montante de cerca de US$ 3 mil milhões, e a negrito os produtos que poderão representar oportunidades de exportação para as empresas portuguesas: Pérolas, pedras preciosas e semipreciosas; Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos> óleo de 70%; Energia; Veículos a motor para transporte de mercadorias; Veículos automóveis para transporte de pessoas; Máquinas para a construção civil; Medicamentos (incluindo medicamentos veterinários); Equipamento de telecomunicação; Materiais de construção; Geradores; Aeronaves e equipamentos associados; Madeira e aparas de madeira; Equipamento para distribuição de energia elétrica; Máquinas de processamento de dados; Cereais em grão; Pneus de borracha e câmaras-de-ar; Peças e acessórios dos veículos; Tabaco; Outras máquinas e aparelhos para as indústrias particulares; Estruturas e peças de ferro, aço, alumínio; Metais comuns; Mobiliário e peças; Aparelhos para circuitos elétricos, tabuleiro, painéis; Calçado; Produtos comestíveis e preparações. 69 Veículos a motor para transporte de mercadorias; Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos> óleo de 70%; Medicamentos (incluindo medicamentos veterinários); Máquinas para a construção civil; Outras carnes e miudezas comestíveis; Estruturas e peças de ferro, aço, alumínio; Equipamento de telecomunicação; Outras máquinas e aparelhos para as indústrias particulares; Peixe fresco ou congelado; Produtos comestíveis e preparações; Tubos e perfis ocos, de ferro e aço; Tecidos de algodão; Aparelho para circuitos elétricos, tabuleiro, painéis; Materiais de construção; Bombas para água; Máquinas e aparelhos elétricos; Farinha de trigo e farinha de trigo com centeio; Veículos automóveis para transporte de pessoas; Trigo e centeio em grão; Metais comuns; Máquinas de energia elétrica e componentes; Bombas, compressores a gás e ventiladores; geradores; Roupas e outros artigos têxteis; Ferramentas mecânicas e outras.

70 Do total dos produtos importados pelo Lesoto aos seus parceiros comerciais no, total US$ 2.6 mil milhões, identificamos de seguida, por ordem decrescente, os 25 principais produtos que representam 53% das importações, no montante de US$ 1.4 mil milhões, e a negrito os produtos que poderão representar oportunidades de exportação para as empresas portuguesas: Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos> óleo de 70%; Tecidos de malha; Tecidos de algodão; Outras refeições à base de cereais e farinha; Equipamento de telecomunicação; Outras carnes e miudezas comestíveis; Automóveis; Mobiliário e peças; Gorduras vegetais e óleos, refinado; Preparações de cereais, farinha de frutas ou vegetais; Perfumaria e cosméticos; Recetores de televisão; Produtos residuais de petróleo; Milho; Calçado; Fios têxteis; Sabonetes, produtos de limpeza e polimento; Pregos, parafusos, porcas, parafusos, rebites e semelhantes; Aparelho para circuitos elétricos, painéis; Gás natural; Papel e cartão; Trigo e centeio em grão; Máquinas e aparelhos elétricos; Artigos de plástico; Leite e produtos lácteos. Do total dos produtos importados pelo Maláui aos seus parceiros comerciais no, total US$ 2.7 mil milhões, identificamos de seguida, por ordem decrescente, os 25 principais produtos que representam 56% das importações, no montante de cerca de US$ 1.5 mil milhões, e a negrito os produtos que poderão representar oportunidades de exportação para as empresas portuguesas: Fertilizantes; Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos> óleo de 70%; Medicamentos (incluindo medicamentos veterinários); Tabaco; Materiais de construção; Material para impressão; Trigo e centeio em grão; Veículos a motor para transporte de mercadorias; Equipamento de telecomunicação; Veículos automóveis para transporte de pessoas; Produtos medicinais e farmacêuticos; Sabonetes, produtos de limpeza e de polimento; Produtos laminados de ferro, aço não ligado, revestidos, folheados; Máquinas para a construção civil; Mobiliário e peças; Aparelhos elétricos de diagnóstico para as ciências médicas; Outras máquinas e aparelhos para as indústrias particulares; Artigos de matérias têxteis; Pneus de borracha e câmaras-de-ar; Papel e cartão; Polímeros de etileno; Automóveis; Óleos essenciais e perfumes; Máquinas e aparelhos elétricos; Minerais em bruto. Do total dos produtos importados pela Namíbia aos seus parceiros comerciais no total de cerca de US$ 6.4 mil milhões, identificamos de seguida, por ordem decrescente, os 25 principais produtos que representam 57% das importações, no montante de US$ milhões, e a negrito os produtos que poderão representar oportunidades de exportação para as empresas portuguesas: Do total dos produtos importados por Madagáscar aos seus parceiros comerciais no, total US$ 3.05 mil milhões, identificamos de seguida, por ordem decrescente, os 25 principais produtos que representam 54% das importações, no montante de cerca de US$ 1.7 mil milhões, e a negrito os produtos que poderão representar oportunidades de exportação para as empresas portuguesas: Os óleos de petróleo ou de minerais betuminosos> óleo de 70%; Fios têxteis; Arroz; Açúcar, melaço e mel; Elementos químicos inorgânicos, óxidos e sais de halogéneo; Medicamentos (incluindo medicamentos veterinários); Veículos automóveis para transporte de pessoas; Veículos a motor para transporte de mercadorias; Tecidos de algodão; Tecidos artificiais; Gorduras vegetais e óleos; Tecidos de malha; Farinha de trigo e farinha de trigo com centeio; Outros tecidos; Peixe fresco ou congelado; Equipamento de telecomunicação; Carvão; Produtos laminados de ferro, aço não ligado, revestidos, folheados; Artigos de plástico; Lã; Artigos de matérias têxteis; Preparações de cereais, farinha de frutas ou vegetais; Pneus de borracha e câmaras-de-ar; Gorduras vegetais e óleos, refinado; Materiais de construção. Do total dos produtos importados pela Maurícia aos seus parceiros comerciais no, total US$ 5.7 mil milhões, identificamos de seguida, por ordem decrescente, os 25 principais produtos que representam 54% das importações, no montante de cerca de US$ 5.7 mil milhões, e a negrito os produtos que poderão representar oportunidades de exportação para as empresas portuguesas: Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos> óleo de 70%; Peixe fresco ou congelado; Veículos automóveis para transporte de pessoas; Equipamento de telecomunicação; Medicamentos (incluindo medicamentos veterinários); Carvão; Materiais de construção; Tecidos de algodão; Pérolas, pedras preciosas e semipreciosas; Leite e produtos lácteos; Máquinas de processamento de dados; Fios têxteis; Propano e butano liquefeito; Tabaco; Barras de ferro e aço, cantoneiras, perfis e seções; Motores de pistão de combustão interna e componentes; Veículos a motor para transporte de mercadorias; Perfumaria e cosméticos; Produtos comestíveis e preparações; Metais comuns; Arroz; Estruturas e peças de ferro, aço, alumínio; Máquinas e aparelhos elétricos; Trigo e centeio em grão; Artigos de plástico. Do total dos produtos importados pelas Seicheles aos seus parceiros comerciais no total de cerca de US$ 752 milhões, identificamos de seguida, por ordem decrescente, os 25 principais produtos que representam 68% das importações, no montante de cerca de US$ 513 milhões, e a negrito os produtos que poderão representar oportunidades de exportação para as empresas portuguesas: Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos> óleo de 70%; Minérios de cobre; Embarcações; Veículos automóveis para transporte de pessoas; Pérolas, pedras preciosas e semipreciosas; Veículos a motor para transporte de mercadorias; Equipamento de Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos> óleo de 70%; Embarcações; Peixe fresco ou congelado; Mobiliário e peças; Veículos automóveis para transporte de pessoas; Madeira e aparas; Gorduras vegetais e óleos, refinado, do fracionamento; Metais 70

71 telecomunicação; Máquinas para a construção civil; Aparelhos e equipamentos fotográficos; Medicamentos (incluindo medicamentos veterinários); Cobre; Mobiliário e peças; Aeronaves e equipamentos associados; Artigos de matérias têxteis; Elementos químicos inorgânicos, óxidos e sais de halogéneo; Bebidas alcoólicas; Outras carnes e miudezas comestíveis; Metais comuns; Máquinas e aparelhos para as indústrias particulares; Aparelhos de medição, análise e controle; Recipientes de metal para armazenamento ou transporte; Peças e acessórios de veículos; Trigo e centeio em grão; Preparações de cereais, farinha de frutas ou vegetais; Artigos plásticos. Do total dos produtos importados pela Suazilândia aos seus parceiros comerciais no total de cerca de US$ 2 mil milhões, identificamos de seguida, por ordem decrescente, os 25 principais produtos que representam 61% das importações, no montante de cerca de US$ 1.2 mil milhões, e a negrito os produtos que poderão representar oportunidades de exportação para as empresas portuguesas: comuns; Materiais de construção; Produtos laminados de ferro, aço não ligado, revestidos, folheados; Bebidas alcoólicas; Veículos a motor para transporte de mercadorias; Barras de ferro e aço, barras, cantoneiras, perfis e seções; Papel e cartão; Equipamento de telecomunicação; Leite e produtos lácteos; Recipientes de metal para armazenamento ou transporte; Arroz; Artigos plásticos; Aeronaves e equipamentos associados; Equipamentos de aquecimento e refrigeração; Outras carnes e miudezas comestíveis; Sabonetes, produtos de limpeza e de polimento; Material para impressão; Legumes. Do total dos produtos importados pela Tanzânia aos seus parceiros comerciais no total de cerca de US$ 11.7 mil milhões, identificamos de seguida, por ordem decrescente, os 25 principais produtos que representam 59% das importações, no montante de cerca de US$ 6.9 mil milhões, e a negrito os produtos que poderão representar oportunidades de exportação para as empresas portuguesas: Tecidos de malha; Medicamentos (incluindo medicamentos veterinários); Pérolas, pedras preciosas e semipreciosas; Tecidos de algodão; Sabonetes, produtos de limpeza e de polimento; Óleos essenciais e perfumes; Material para impressão; Veículos automóveis para transporte de pessoas; Sumos de frutas e de vegetais; Artigos de plástico; Produtos comestíveis e preparações; Energia; Calçado; Refeições à base de cereais e farinha; Bebidas alcoólicas; Produtos diversos das indústrias químicas; Mobiliário e peças; Veículos a motor para transporte de mercadorias; Tules, rendas, fitas e outras mercadorias pequenas; Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos> óleo de 70%; Tecidos artificiais; Cobre; Equipamento de telecomunicação; Peças e acessórios dos veículos; Outros produtos químicos orgânicos. Do total dos produtos importados pela Zâmbia aos seus parceiros comerciais no total de cerca de US$ 8.2 mil milhões, identificamos de seguida, por ordem decrescente, os 25 principais produtos que representam 61% das importações, no montante de cerca de US$ 5 mil milhões, e a negrito os produtos que poderão representar oportunidades de exportação para as empresas portuguesas: Minérios de cobre e seus concentrados; Óleos brutos de petróleo e outros; Máquinas para a construção civil; Elementos químicos inorgânicos, óxidos e sais de halogéneo; Veículos a motor para transporte de mercadorias; Cobre; Fertilizantes; Outras máquinas e aparelhos para as indústrias particulares; Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos> óleo de 70%; Minérios e concentrados de metais básicos; Equipamento de telecomunicação; Medicamentos (incluindo medicamentos veterinários); Veículos automóveis para transporte de pessoas; Barras de ferro e aço, cantoneiras, perfis e seções; Pneus de borracha e câmaras-de-ar; Estruturas e peças de ferro, aço e alumínio; Bombas de água; Metais comuns; Produtos diversos das indústrias químicas; Tubos e perfis ocos, Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos> óleo de 70%; Máquinas para a construção civil; Gorduras vegetais e óleos, refinado; Veículos a motor para transporte de mercadorias; Medicamentos (incluindo medicamentos veterinários); Trigo e centeio em grão; Equipamento de telecomunicação; Embarcações; Veículos automóveis para transporte de pessoas; Pneus de borracha e câmaras-de-ar; Automóveis; Açúcar, melaço e mel; Produtos laminados planos de ferro, aço não ligado e não revestido; Outras máquinas e aparelhos para as indústrias particulares; Motocicletas e velocípedes; Outras matérias plásticas em formas primárias; Fertilizantes; Barras de ferro e aço, cantoneiras, perfis e seções; Máquinas e aparelhos elétricos; Artigos de plásticos; Geradores; Polímeros de etileno, em formas primárias; Metais comuns; Máquinas de processamento de dados; Semirreboques. Do total dos produtos importados pelo Zimbabué aos seus parceiros comerciais no total de cerca de US$ 4.4 mil milhões, identificamos de seguida, por ordem decrescente, os 25 principais produtos que representam 52% das importações, no montante de cerca de US$ 2.3 mil milhões, e a negrito os produtos que poderão representar oportunidades de exportação para as empresas portuguesas: Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos> óleo de 70%; Fertilizantes; Veículos a motor para transporte de mercadorias; Equipamento de telecomunicação; Gorduras vegetais e óleos, refinado; Máquinas para a construção civil; Milho; Veículos automóveis para transporte de pessoas; Trigo e centeio em grão; Sabonetes, produtos de limpeza e de polimento; Medicamentos (incluindo medicamentos veterinários); Açúcar, melaço e mel; Farinha de trigo e farinha de trigo com centeio; Tabaco; Níquel minérios e concentrados; Outras máquinas e aparelhos para as indústrias particulares; Energia; Produtos comestíveis e preparações; Automóveis; Pneus de borracha e câmaras-de-ar; Artigos de plástico; Papel e cartão; Preparações de cereais, farinha de frutas ou vegetais; Sais metálicos e 71

72 acessórios, ferro e aço; Aparelho para circuitos elétricos, tabuleiro, painéis; Produtos laminados planos de ferro e aço, revestidos, folheados; Automóveis; Ferramentas mecânicas, outras; Peças e acessórios de veículos. peroxossais, de ácidos inorgânicos; Tecidos artificiais. Países analisados autonomamente Do total dos produtos importados por Angola aos seus parceiros comerciais no, total US$ 24 mil milhões, identificamos de seguida, por ordem decrescente, os 25 principais produtos que representam 49% das importações, no montante de US$ milhões, e a negrito os produtos que poderão representar oportunidades de exportação para as empresas portuguesas: Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos> óleo de 70%; Máquinas para a construção civil; Carnes e miudezas comestíveis; Geradores; Tubos e perfis ocos, acessórios, ferro, aço; Bebidas alcoólicas; Veículos a motor para transporte de mercadorias; Mobiliário e peças; Veículos automóveis para transporte de pessoas; Barras de ferro e aço, cantoneiras, perfis e seções; Aparelhos para canalizações, caldeiras, reservatórios, cubas; Artigos de plástico; Estruturas e peças de ferro, aço, alumínio; Outras máquinas e aparelhos para as indústrias particulares; Metais comuns; Equipamento de telecomunicação; Aparelho para circuitos elétricos, tabuleiro, painéis; Ferramentas mecânicas e outros; Motocicletas e velocípedes; Aparelhos de medição, análise e controle; Materiais de construção; Equipamento para distribuição de energia elétrica; Preparações de cereais, farinha de frutas ou vegetais; Bombas, compressores a gás e ventiladores; Equipamentos de aquecimento e refrigeração. Do total dos produtos importados a África do Sul aos seus parceiros comerciais no total de US$ 124 mil milhões, identificamos de seguida, por ordem decrescente, os 25 principais produtos que representam 43% das importações, no montante de US$ 54 mil milhões, e a negrito os produtos que poderão representar oportunidades de exportação para as empresas portuguesas: Óleos brutos de petróleo, materiais em bruto; Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos> óleo de 70%; Veículos para transporte de pessoas; Equipamento de telecomunicação; Máquinas para a construção civil; Máquinas de processamento de dados; Medicamentos (incluindo medicamentos veterinários); Veículos a motor para transporte de mercadorias; Peças e acessórios dos veículos; Aeronaves e equipamentos associados; Outras máquinas e aparelhos para as indústrias; Turbinas a vapor e componentes; Aparelhos de medição, análise e controle; Máquinas e aparelhos elétricos; Calçado; Equipamento mecânico e componentes; Peças e acessórios para máquinas; Aparelho para circuitos elétricos, tabuleiro, painéis; Papel e cartão; Bombas, compressores de gás e ventiladores; Equipamentos de aquecimento e refrigeração; Produtos diversos da indústria química; Pneus de borracha e câmaras-de-ar; Fertilizantes; Arroz. Fonte: UNCTAD, UNCTADstat,

73 2.África do Sul O país com maior peso na região 73

74 2. África do Sul. O país com maior peso na região 2.1. Macroeconomia PIB da economia Sul-Africana A África do Sul é o país com maior peso na região, representando mais de 59% do PIB da SADC. Gráfico 40 Representação da percentagem do PIB dos EM na SADC 41 Maurícia 1.61% Namíbia 1.97% Congo R.D 2.75% Botsuana 2.22% Suazilândia 0.58% Moçambique 2.24% Malauí 0.66% Madagáscar 1.53% Lesoto 0.38% Seicheles 0.16% Tanzânia 4.35% Zâmbia 3.18% Zimbabué 1.66% Angola 17.57% África do Sul 59.14% A economia da África do Sul 42 é a maior e mais sofisticada do continente Africano, representando cerca de 34% do PIB da África Subsaariana e 59% do PIB da SADC. É uma economia abundante em recursos naturais, como platina, ouro, diamantes e carvão, dispõe de uma razoável rede de infraestruturas e transportes e apresenta um sistema financeiro bastante desenvolvido. A sua importância no continente Africano foi confirmada pela inclusão no acrónimo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - South Africa). 41 World Bank 42 Fonte: FMI (Fundo Monetário Internacional), IFI (Instituto de Finanças Internacionais), Análise do Orçamento de Estado de 2012 da República da África do Sul, e Análise BPI agosto

75 Gráfico 41 - Evolução anual do PIB per capita em US$ PIB per capita (USD) Gráfico 42 - Taxa de crescimento anual do PIB PIB (variação anual) 5,591 5,766 7,265 7,951 7, Após o decréscimo do PIB registado em 2009 a trajetória de crescimento do PIB recuperou, em parte como resultado do conjunto de políticas governamentais de estímulo fiscal e da recuperação da procura interna, por via da realização do Mundial de Futebol. Em 2011 o crescimento do PIB de 3.5% (segundo o FMI e o IFI), resulta da contribuição positiva das exportações (evolução dos preços das commodities), mas também da procura interna. O setor mineiro apresenta-se como um dos setores mais importantes da economia Sul-Africana, tendo contribuído em 2010 com cerca de 8,6% para o PIB e em 2011 com cerca de 10% (Análise BES 2012). A importância deste setor resulta do facto da África do Sul ser um país bastante rico em recursos minerais. Em 2010, o país foi o maior produtor mundial de crómio, o maior produtor de platina (com uma quota mundial de 76%), o 5º maior produtor de ouro e o 4º maior produtor de diamantes (em volume e valor). Para além deste setor, aqueles que têm maior peso no crescimento económico do país são as infraestruturas (transportes, energia, comunicações e habitação social), a agricultura e o turismo Orçamento Geral do Estado 43 A situação orçamental da África do Sul é sólida, muito embora se tenha registado uma ligeira quebra no exercício de O défice do setor público administrativo aumentou ligeiramente de 4.1% do PIB em 2011, para 4.2% do PIB em Os maiores défices orçamentais recentes foram consequência de medidas anticíclicas do Governo, que visaram apoiar o crescimento e o emprego. Assim, a despesa pública governamental aumentou, tendo subido de 20% do PIB em 2011, para 29,9% em O Governo previu para o ano de 2013 um aumento na despesa pública. No entanto, tudo indica que este aumento está a decorrer a um ritmo inferior quando comparado com os resultados do exercício anterior, e com as previsões orçamentais. Apesar da economia Sul-Africana ter continuado a crescer desde a recessão de 2009, o ritmo moderado do seu crescimento tem afetado negativamente as receitas, tendo a economia sido afetada pela instabilidade no mercado laboral e pela diminuição dos preços nas matérias-primas. A degradação contínua do crescimento económico verificada nos principais parceiros comerciais do país também não contribuiu para inverter esta tendência. 43 Fontes: African Economic Outlook; Relatório Económico Anual Banco Central da África do sul,

76 Dívida Pública externa e interna 44 A dívida pública interna aumentou substancialmente, tendo passado de cerca US$ 87 mil milhões em 2011, para cerca de US$ 105 mil milhões em A dívida nacional corresponde a 90% do endividamento total. Devido à natureza da moeda nacional e dos mercados de capitais, a fonte de financiamento primária para o défice orçamental continua a ser a contratação de empréstimos internos através de uma combinação de títulos do Tesouro, de obrigações de taxa fixa, e de obrigações indexadas à inflação. A dívida pública externa reduziu de 3,8% do PIB em 2011, para 3,7% em 2012, enquanto a dívida externa total passou de 27% (US$ 50,9 mil milhões) do PIB em 2011, para 29,2% (US$ 53,3 mil milhões) em O rácio do serviço da dívida (que avalia a proporção das receitas da exportação necessárias para pagar o serviço da dívida), aumentou de 93.8% em 2011, para 96.4% em O aumento da dívida externa deveu-se, em grande parte, ao aumento do financiamento junto dos mercados de capitais internacionais pelo Governo, pelo setor bancário, e através de financiamento externo com vista a financiar investimentos em infraestruturas. A Moody s desceu a notação do crédito soberano da África do Sul em um nível - de A3 para Baa1, bem como as notações dos depósitos externos das principais instituições financeiras e dos bancos comerciais. Cumpre informar que as notações revistas, emitidas pela Moody s, estão alinhadas com as notações das outras principais agências de notação de risco de crédito, sendo improvável que afetem o acesso do país aos mercados de crédito internacionais. A estratégia para a gestão da dívida faz parte integrante das amplas políticas de sustentabilidade do Governo, sendo de destacar afixação dos objetivos líquidos de financiamento, que incluem projeções detalhadas de componentes internos e externos, a longo e a curto prazo (para um período de três anos). O total da dívida bruta aumentou de cerca US$ 97 mil milhões, a 31 de março de 2011, para US$ 119 mil milhões em Fonte: African Economic Outlook 76

77 2.2. Estrutura produtiva PIB por Setor O papel do Governo é relevante ao ponto de assegurar 40%, do investimento na Economia. Conforme referido, os serviços financeiros e o imobiliário desempenham um papel de relevo no desenvolvimento da África do Sul, sendo um dos setores determinantes na contribuição para o PIB. O crescimento do setor deveu-se, em grande parte, a um aumento da atividade dos bancos comerciais. De salientar que a África do Sul dispõe de uma estrutura financeira sofisticada, sendo a Bolsa de Valores de Joanesburgo (JSE Limited) a maior de África. Gráfico 43 - África do Sul, PIB por setor 2011 Serviços Pessoais 13% 10% 2% 7% 16% Serviços Públicos Serviços Financeiros e imobiliário Transportes e comunicação Turismo e Comércio 3% 5% 21% Construção Eletricidade, gás e água 15% 8% Indústria Transformadora Mineração Agricultura, pescas e florestas No setor dos serviços, o turismo vem-se apresentando como um importante setor na sua Economia, contribuindo fortemente para os níveis de emprego. Em 2011, a África do Sul posicionava-se, no ranking mundial dos destinos turísticos, em 31º lugar, o 2º destino mais visitado do continente Africano (depois de Marrocos). A indústria extrativa tem um peso preponderante no PIB sul-africano. Em 2011, o setor mineiro contribuiu 10% para o PIB do país, estimando-se que com os efeitos indiretos destas contribuições ascendam a 20%. O setor empregou cerca de 520 mil pessoas em 2011, aumentando para 525 mil empregados em Em 2011, a África do Sul foi considerada a 5ª maior produtora de ouro, com uma quota mundial de 6,8% (tem vindo a reduzir os níveis de extração nos últimos anos) e a 4ª maior produtora de diamantes em valor (apresentando uma quota mundial de 9,87% 46 ). A agricultura, ao contrário do que sucede no resto do continente Africano, tem um peso diminuto no PIB do país. No entanto, a África do Sul não deixa de ter relevantes fundações agrícolas. Neste setor destaca-se o vinho, ocupando o país, em 2010, o 7º lugar do ranking mundial de produção, com uma quota mundial de 3,5%.Para além disso, é considerado o principal produtor de milho na região SADC. Com uma balança 45 Facts about South African Mining-August 2013, Câmara de Minas da África do Sul 46 BES Research Africa do Sul, Junho 2013; Kimberley Process Certification Scheme available at: 77

78 agrícola positiva de (2011/2012), África do Sul apresenta uma estrutura agrícola positiva, realçando a capacidade de autoabastecimento agrícola Composição do Setor Empresarial do Estado O Departamento de Empresas Públicas (Department of Public Enterprises DPE) é o representante do Governo com responsabilidade pelas seguintes empresas detidas pelo Estado (State Owned Companies - SOC): Setor da Energia e Extração Mineira - Eskom e Alexkor; Setor da Produção - Denel, Safcol e Broadband Infraco; Setor dos Transportes - South Áfrican Airways, Transnet e South Áfrican Express Airways. Estas empresas têm um papel fundamental no crescimento económico do país, e um peso muito importante em vários domínios da região da África Subsariana. A Eskom é responsável por 95% da energia usada na África do Sul e por cerca de 45% da energia usada em todo o continente Africano. Estas empresas são responsáveis pelo desenvolvimento de infraestruturas chave e contribuem para o aumento da capacidade de produção do país por exemplo, a principal filial da Safcol, a Komatiland Forests, detém 80% da companhia de florestas moçambicana - Indústrias Florestais de Manica -, tendo um papel vital no desenvolvimento rural e na redução do desemprego local. Os investimentos em infraestruturas são um elemento fulcral da estratégia de crescimento, e as empresas detidas pelo Estado estão a implementar programas por forma a assegurar que são criadas oportunidades sustentáveis para investir. O objetivo deste departamento é o de impulsionar o investimento e a produtividade, e transformar o leque de empresas do Estado, bem como os seus clientes e fornecedores, por forma a incentivar o crescimento, industrialização, criação de novas empresas e o desenvolvimento de novas competências. Para que tal aconteça, os objetivos e atividades do departamento deverão estar em linha com os do Governo. 47 Conclusões com base nos dados do Economic Review of the South African Agriculture 2011/

79 2.3. Política económica Perspetivas futuras Gráfico 44 - Crescimento anual do PIB ( ), África do Sul 48 As perspetivas de crescimento futuro continuam a refletir uma incapacidade estrutural do país em retomar o crescimento registado na última década. Para 2014, a média das previsões de instituições internacionais aponta para um crescimento de 3,5%, ainda que o cenário do FMI aponte para um crescimento de 2,0%, e para 2015 as instituições internacionais esperam um crescimento de 3,7%, prevendo o FMI um crescimento de apenas 3,4%. A desaceleração da Economia da África do Sul é consistente com o abrandamento da taxa de crescimento dos BRICS e da economia mundial. O retomar das taxas de crescimento de 5%, encontra-se pois dependente de alterações da estrutura económica, e também da conjuntura mundial. Vários são os fatores limitativos do potencial crescimento da África do Sul: um mercado de trabalho ineficiente, com grande falta de formação técnica e infraestruturas deficitárias e degradadas. Por outro lado, as elevadas taxas de criminalidade, corrupção, ineficiência das entidades públicas e um crescimento mundial mais fraco, continuarão a atrasar o crescimento do país. No entanto, verificam-se alguns aspetos positivos como, designadamente, a expansão da classe média, que deverá estimular o consumo privado de bens duradouros e serviços e a melhoria de redes de transporte e estações elétricas que deverão permitir um reforço gradual da atratividade ao investimento externo Prioridades estratégicas da África do Sul Embora tenham ocorrido avanços significativos em determinadas áreas, a África do Sul continua a debater-se com desafios significativos. A maior economia Africana, e a 28º do mundo, enfrenta um alto nível de desemprego, sobretudo jovem, uma população que vive com escassos rendimentos (contextos que explicam os elevados índices de criminalidade); para além de questões de saúde pública, nomeadamente o ainda significativo flagelo da incidência de VIH. A fraca qualidade do ensino e lacunas ao nível da educação contribuem também para o posicionamento mais frágil em termos de desenvolvimento. A nível económico, pontua a dificuldade sentida nos últimos anos em alcançar patamares de expansão mais robustos, que permitam sustentar a trajetória de desenvolvimento e prosseguir na senda do crescimento. Neste ponto, entre os fatores que mais contribuem para esta situação, destacam-se a deficiente oferta de energia elétrica, causando roturas nos transportes e na atividade económica; o comportamento volátil do setor de extração e transformação de minério; o impacto desfasado das políticas económicas restritivas antes da crise de 2008; e o recuo da procura externa e dos preços das commodities nos mercados internacionais. Mais recentemente, o Governo Sul-Africano anunciou as linhas gerais do Plano Nacional de Desenvolvimento (NDP) para Fonte: FMI, IFI, Análise do Orçamento de Estado de 2012 da República da África do Sul - BPI Research agosto

80 Plano Nacional de Desenvolvimento: Uma estratégia para o crescimento e desenvolvimento 49 O Orçamento para 2013 consubstancia os objetivos estratégicos de crescimento e redução da pobreza definidos no Plano Nacional de Desenvolvimento ( NDP, na sigla original). O NDP, criado com o objetivo de introduzir uma estratégia de longo prazo para um combate definitivo à pobreza e para reduzir as desigualdades sociais até 2030, tem como principal foco (i) a melhoria do bem estar da população, (ii) a redução dos custos associados à realização de negócios, (iii) o aumento das exportações e (iv) a criação de mais emprego, com o objetivo último de tornar o crescimento económico mais inclusivo. Plano Nacional de Desenvolvimento África do Sul: 10 Ações Prioritárias 1. Criação de um pacto social (entre o Governo, setor privado, sindicatos e a sociedade civil) para reduzir a pobreza e as desigualdades, com o objetivo de impulsionar o investimento e o crescimento económico; 2. Definição de uma estratégia para erradicar a pobreza e os seus efeitos que passe por reduzir o desemprego, reforçar o salário mínimo nacional, desenvolver a rede de transportes públicos e aumentar o rendimento dos trabalhadores em zonas rurais; 3. Melhoria da gestão e responsabilidade do serviço público, a coordenação do Governo com outras áreas e eliminação da corrupção; 4. Impulso ao investimento em setores com maior intensidade de trabalho (com especial foco na criação de emprego para os mais jovens), impulso da competitividade do país e das exportações; 5. Desenvolvimento do sistema educativo; 6. Desenvolvimento do sistema de saúde, através da modernização das infraestruturas de apoio à saúde pública, de uma maior formação e desenvolvimento dos profissionais de saúde e da redução do custo dos seguros privados de saúde (em relação aos seguros públicos); 7. Impulso ao desenvolvimento em infraestruturas até 10% do PIB; 8. Assegurar a sustentabilidade ambiental e a capacidade de proteção contra choques externos; 9. Reforma do espaço geográfico, aumentando a densidade populacional das cidades, melhorando o sistema de transportes, criando empregos mais próximos das zonas residenciais e desenvolvendo o mercado imobiliário; e 10. Redução da criminalidade através do reforço da justiça criminal e da melhoria do ambiente comunitário. As ações prioritárias têm por base um conjunto de medidas e objetivos futuros definidos pelo Governo, até 2030 nas diversas dimensões. Economia O PIB deverá aumentar 2,7 vezes em termos reais, o que implica uma taxa de crescimento médio anual do PIB de aproximadamente 5,4%. O PIB per capita deverá aumentar de R por pessoa, em 2010, para R por pessoa em 2030 (preços constantes); As exportações (medidas em volume) deverão registar uma taxa de crescimento de 6% ao ano em 2030, com a rubrica das exportações não tradicionais a crescerem cerca de 10% ao ano; As poupanças nacionais deverão aumentar de 16% do PIB para 25% do PIB até 2030; Comércio O nível da formação bruta de capital fixo deverá crescer de 17% para 30%, com o nível de investimento fixo do setor público a aumentar cerca de 10% até O comércio intrarregional da África Austral deverá aumentar, de 7% para cerca de 25% até 2030; Aumento estimado do comércio intrarregional na África Austral de 7% para 25% em Fontes: NDP 2030 Governo África do Sul / BPI Research agosto

81 O comércio da África do Sul com os países vizinhos deverá aumentar de 15% para 30% até Emprego A taxa de desemprego deverá baixar de 24,9% em 2012 (junho 2012) para 14% em 2020 e 6% em Seguindo estas previsões, o emprego total deverá aumentar de 13 milhões para 24 milhões de pessoas empregadas; A percentagem da população adulta a trabalhar deverá aumentar de 41% para 61% até 2030; A percentagem da população adulta a trabalhar, nas áreas rurais, deverá aumentar de 29% para 40% até 2030; Os programas do Governo para o apoio ao emprego deverão atingir 1 milhão de pessoas em 2015 e 2 milhões de pessoas até Tabela 5 - Objetivos definidos pelo Governo para o mercado de trabalho, 2030 Objetivos Taxa de desemprego (%) 25% 20% 14% 6% Emprego (milhões) 13 15,8 18,9 23,8 Energia A proporção de pessoas com acesso à rede elétrica deverá aumentar pelo menos 90% até 2030 (segundo dados da IEA, World Energy Outlook 2011, a taxa de eletrificação na África do Sul é de cerca de 75% nas zonas urbanas / centrais, e o número de pessoas sem eletricidade é de cerca de 12.3 milhões). Até 2030, a África do Sul precisará de mais MW de eletricidade disponível, e será dada maior importância ao setor das energias renováveis. Este deverá registar um desenvolvimento considerável até Água Assegurar que toda a população tenha acesso a água limpa e potável, (estima-se que cerca de 94% da população tenha acesso a água potável, de acordo com o Department water affairs Rep of South África) e que este recurso é suficiente para satisfazer as necessidades relativas à agricultura e indústria. Transportes Futuramente, a percentagem de utilizadores de transportes públicos no seu dia-a-dia deverá aumentar substancialmente. Um dos objetivos do Governo para 2030 é tornar os transportes públicos mais amigos do utilizador e do ambiente e mais económicos. Portos É esperado um aumento da capacidade portuária de Durban, de aproximadamente 3 milhões de contentores por ano para 20 milhões em O porto de Durban concorre diretamente com o Porto de Maputo no qual foi anunciado em 2011 um investimento de US$ 750 milhões até

82 2.4. Infraestruturas e energia Panorâmica das infraestruturas na África do Sul Situada no extremo sul do continente Africano, a África do Sul faz fronteira com a Namíbia, o Botsuana, o Zimbabué e Moçambique, possuindo uma área de 1,1 milhões de quilómetros quadrados. Desde as eleições de 1994, que o país se encontra dividido em nove províncias distintas. A densidade populacional, como se poderá apreender da tabela ao lado, varia bastante de província para província Figura 9 - Panorâmica das infraestruturas em África - África do Sul, PwC,

83 Tabela 6 - Características das Províncias Sul-Africanas 50 Província População (2011) Área (km²) Densidade populacional (por km²) Gauteng KwaZulu-Natal Mpumalanga Western Cape Limpopo Eastern Cape North West Free State Northern Cape África do Sul A atual degradação de infraestruturas é comumente apontada como um constrangimento ao crescimento (destacando-se o défice na rede de fornecimento elétrica, na rede de transportes e nas rodovias), o que é ampliado pelo fraco investimento no desenvolvimento das estruturas de apoio à capacidade produtiva. Note-se que de acordo com o índice de Competitividade Global do World Economic Fórum para , a África do Sul está, a nível de infraestruturas, acima do nível padrão da região. Mas, ainda assim, o país encontra-se posicionado em 63.º lugar (de um total de 144 países). As suas infraestruturas requerem manutenção, e muitas delas encontram-se obsoletas. Apesar de em 2012 o investimento público ter aumentado em estradas, linhas ferroviárias, em portos e no setor energético, continua a existir falta de dinamismo no setor, muito devido aos baixos níveis de investimento privado. Na tabela seguinte pode-se ver o investimento público previsto em infraestruturas, por setor, entre 2010 e Tabela 7 - Investimento público em infraestruturas, por setor, (US$M) Setor Total Serviços Económicos 677 Energia Água e saneamento 75.2 Transporte e logística Outros serviços económicos 43.6 Serviços sociais Saúde 36.0 Educação 40.7 Serviços às comunidades Fonte: Census Fonte: Análise do Orçamento de Estado para

84 Energia O setor elétrico na África do Sul é dominado pela Eskom, que detém e opera a maioria das infraestruturas elétricas, fornecendo 95% da energia do país. O índice Doing Business de 2013 do Banco Mundial, estabelece que um dos aspetos mais negativos no investimento na África do Sul está relacionado com a obtenção de eletricidade, encontrando-se o país em 150.º lugar (de 185.º posições possíveis). As infraestruturas elétricas deficitárias constituem graves obstáculos à produção, especialmente quanto à produção mineira. Figura 10 - Infraestrutura da rede de eletricidade da África do Sul 52 Como resultado de baixos investimentos no setor, o total de energia passível de distribuição é inferior aos níveis de O país não se encontra capaz de gerar a energia necessária para fazer face à procura, acrescendo ainda que, reflexo do avançado estado de degradação das infraestruturas, a Eskom, empresa de distribuição elétrica Sul- Africana, não tem conseguido responder às necessidades da população. A falta de manutenção adequada tem resultado numa recorrência cada vez maior nos cortes energéticos imprevistos, reduzindo assim a capacidade elétrica nacional. As reservas marginais de energia da Eskom têm vindo a descer abaixo de 1% nos passados meses, o que, quando comparado com uma norma internacional de 15% não deixa de ser preocupante. 52 Fonte: Eskom (2011) 84

85 Apesar de a Eskom deter o monopólio no setor, existem hoje expetativas claras relativas à alteração das regras que vigoram presentemente, e à implementação de regulação económica neste âmbito, visando a quebra do atual monopólio na energia Sul-Africana. Transportes Os transportes, a par da energia, são o setor que tem atraído maior atenção por parte do Governo, por se estabelecer como uma área bastante deficitária. Cumpre salientar as seguintes caraterísticas da rede ferroviária da África do Sul (figura abaixo): Ligação dos oito principais portos marítimos ao interior do país; Os comboios de passageiros e de mercadorias utilizam as mesmas linhas ferroviárias (pelo menos em serviços intercidades); e Ligação da África do Sul à Namíbia, ao Botsuana, a Moçambique e ao Zimbabué (e através do Zimbabué, liga o país à Zâmbia). A linha ferroviária percorre ainda a Suazilândia. A rede ferroviária Sul-Africana é constituída por quase 21 mil quilómetros de linha (num total de mais de 30 mil quilómetros, quando consideramos as rotas ferroviárias principais que têm linhas duplas). Figura 11 - Principais rotas ferroviárias e portos Sul-Africanos 53 Na África do Sul existem oito principais portos marítimos comerciais (cuja localização pode ser vista na figura ao lado): Durban; Baía de Richards; Cidade do Cabo; Baía de Saldanha; Nggura / Coega; Porto de East London; Baía de Mossel; Porto Elizabeth. Os portos sul-africanos encontram-se divididos em três grupos: ocidentais, centrais, e orientais. A divisão geográfica decorre da respetiva área de influência que cada porto serve. Os vários portos encontram-se ligados, por corredores, aos centros industriais e mineiros de Gauteng e Mpumalanga, sendo a operação dos portos efetuada na sua maioria pela Transnet (que detém uma posição dominante nos portos Sul-Africanos). 53 Fonte: Transnet, Ltd (2010) 85

86 Considerando que os portos são compostos por uma mistura complexa de infraestruturas físicas e serviços operacionais, a sua eficácia é avaliada através da eficiência com que os portos conseguem servir quem os utiliza, criando assim valor para a economia nacional. De referir que os portos sul-africanos abrangem várias funções enquanto uns estão focados quase exclusivamente em produtos a granel, outros dão apoio apenas a determinados setores (a Baía Mussel, por exemplo, presta apoio à indústria off-shore petrolífera). Existem portos que, por outro lado, se especializam num só tipo de carga. Porto Baía de Richards e Durban Baía de Richards e de Saldanha Durban e Baía de Saldanha Durban e Porto de East London Durban e Cidade do Cabo Categoria de mercadorias por porto e suas especializações 65% de todo o fluxo de carga e passageiros 80% de carga de granéis sólidos (principalmente minérios) 84% de granéis líquidos 98% de todas as importações e exportações de veículos 82% do comércio de contentores Figura 12 - Infraestrutura do Porto de Durban (o maior porto do país) Fontes: Trasnet, Ltd,

87 Porto Principais características Durban Baía de Richards Cidade do Cabo É o porto que oferece o maior leque de infraestruturas e serviços em todo o país. Entre os principais produtos movimentados contam-se os contentores, veículos, grãos (arroz e milho), produtos florestais (incluindo aparas de madeira), granéis líquidos (petróleo bruto, produtos petrolíferos e químicos), carvão, fertilizante, aço, fruta, açúcar e passageiros (incluindo navios de cruzeiro). O porto pertence à Transnet, através da Associação Nacional dos Portos, ainda que alguns terminais sejam operados por empresas privadas. Maior porto de granéis sólidos do país. A carga a ser movimentada neste porto tem crescido, uma vez que muitas empresas têm estado a sair de Durban (devido ao ambiente menos congestionado à volta da zona de Richards). O comércio do porto é dominado por exportações de carvão e de fluxos de granéis sólidos. Não tem a relevância do porto de Durban e da Baía de Richards em termos de comércio nacional, servindo uma função mais regional. Não obstante, e estando localizado na muito preenchida rota marítima oriental-ocidental, desempenha um papel relevante enquanto centro de transbordo para mercadoria destinada à África Ocidental. Mais do que uma infraestrutura facilitadora do comércio, o Porto da Cidade do Cabo dispõe de atividade piscatória, reparação de navios e instalações de lazer. Desempenha um importante papel na reparação de navios, especialmente nos setores da indústria petrolífera, diamantífera e piscatória do Atlântico Sul. Baía de Saldanha É o porto com maior profundidade do país, estando apto a receber embarcações até 21,5 m de calado. Grande parte da carga que passa pelo porto é a granel. Porto Elizabeth Tem seis terminais, que servem diferentes funções (de contentores, de carga a granel, de carga a granel fracionada, de veículos, de navios petroleiros, e de produtos alimentares frescos). Os terminais do porto estão, na sua maioria, equipados com carros e guindastes pórticos de última geração. Os principais bens a serem transacionados no porto são carga contentorizada (destinada tanto a exportações como a importações), apoiando a indústria automóvel, bem como as exportações de minério de manganês. Está previsto um plano de expansão para o porto. Nggura / Coega É o porto mais recente do país, tendo começado a sua atividade em outubro de Fica apenas a 20 km nordeste do porto Elizabeth. Porto de East London É, atualmente, o único porto fluvial do país. Dispõe de um terminal multiusos (incluindo um terminal de contentores), um terminal de granel, e um terminal de veículos. As exportações e importações de veículos são hoje a principal atividade do porto. Baía de Mossel É quase totalmente dedicado a prestar apoio à indústria off-shore petrolífera. Relativamente à rede rodoviária Sul-Africana, esta compreende, aproximadamente, 154 mil quilómetros de estradas pavimentadas, e 454 mil quilómetros de estradas de cascalho. As estradas são classificadas como estradas nacionais, provinciais ou municipais. 87

88 Existem, no entanto, estradas não reclamadas cuja dimensão ascende aos quilómetros e que se encontram normalmente nas áreas rurais do país. Não são incluídas nas contagens oficiais, nem existe qualquer entidade responsável pela sua manutenção. A má condição da rede rodoviária Sul-Africana é geral, mas afeta mais gravemente as estradas de cascalho localizadas na província. Para além de melhorias na qualidade da rede rodoviária, mostra-se também necessário um planeamento de acesso a estradas rurais, que assegurem ligações a estradas provinciais e distritais, possibilitando um acesso eficiente a localidades mais dispersas, e com baixa densidade populacional. A deterioração das estradas sul-africanas acarreta três principais consequências: Estima-se que o custo para reparar a deterioração sofrida é, á data, sete vezes maior do que se a manutenção tivesse sido feita atempadamente; Os custos pelos utilizadores numa estrada em más condições são o dobro quando comparados com uma estrada em boas condições; e A acumulação do investimento subiu aos R 65 mil milhões em Apesar da condição das estradas Sul-Africanas se ter deteriorado devido à sobreutilização e parco investimento há, contudo, estabilidade na condição dos eixos rodoviários principais (como resultado de investimentos mais elevados ao longo dos últimos anos). Figura 13 - Principais redes rodoviárias Sul-Africanas 55 A distância entre Maputo e Joanesburgo é de cerca de 460 kms. O principal eixo rodoviário que liga estas duas cidades é a estrada N4/EN4 passando pelo eixo principal de Lebombo, conhecida em Moçambique como Ressano Garcia. A estrada entre Maputo e Joanesburgo é alcatroada e dispõe de facilidades de acesso, como postos de combustíveis. É um dos principais eixos viários do país e é muito utilizada por camiões de carga provenientes da África do Sul. Em termos ferroviários são necessárias melhorias na qualidade do serviço oferecido aos utilizadores da rede, e na capacidade operacional da rede ferroviária. 55 Fonte: Infraestrutura Económica do Estado da África do Sul: Oportunidades e Desafios de 2012, Presidência da República da África do Sul e Banco de Desenvolvimento da África do Sul 88

89 Uma vez que é dada prioridade, na rede ferroviária Sul-Africana aos comboios de mercadorias, a maioria dos comboios de passageiros estão limitados à velocidade máxima de 70 km/h. Assim, o período de viagem em comboios tem-se revelado mais longo quando comparado a viagem por autocarro. Mostram-se ainda prementes alterações institucionais que visam tornar a rede ferroviária mais eficiente, como por exemplo a introdução de um regulador económico para o efeito, separando-se a gestão das infraestruturas das operações, e publicitando-se o papel desempenhado pela rede ferroviária no comércio internacional sul- Africano. Mais, 78% da rede ferroviária do país já ultrapassou os vinte anos de vida útil inicialmente previstos, o que indica necessidades urgentes de reabilitação. Água e saneamento 56 A África do Sul é um dos países onde a água mais escasseia, sendo que, dentro da SADC, é o membro que utiliza, em maior grau, os seus recursos hídricos. Os rios e as barragens sustentados pela água da chuva constituem a maior fonte de água, o que não tem chegado para colmatar as necessidades do país (sendo que a água existente para consumo é mal repartida entre a população). A escassez da água representa um dos maiores obstáculos em termos de infraestruturas. As suas bacias hidrográficas já estão totalmente utilizadas. Cerca de 77% da água da superfície (armazenada em barragens e rios) está a ser usada. O Governo definiu 2014 como meta para garantir o financiamento dos serviços básicos de abastecimento de água e saneamento a todos os cidadãos sul-africanos. Em 2013, 74% da população Sul-Africana dispõe de acesso a saneamento básico no país. 57 TIC 58 As telecomunicações são dominadas pelo setor privado, apesar de o Governo exercer uma influência significativa através de políticas nacionais e regulamentação. Estima-se que 17,4% 59 da população tenha acesso à internet, sendo que existem dois sistemas de acesso digital no país: A internet; Os sistemas móveis. O setor encontra-se atualmente numa fase decisiva da evolução para a internet de banda larga, encontrandose os operadores de telecomunicações a investir em novas infraestruturas. As redes móveis não estão a conseguir acompanhar a procura que tem havido pelos seus serviços. Por outro lado, grande parte da população continua sem acesso à internet de banda larga, tendo vindo a ser alocados recursos para a criação de uma infraestrutura digital nacional. 56 Fonte: Infraestrutura Económica do Estado da África do Sul: Oportunidades e Desafios de 2012, Presidência da República da África do Sul e Banco de Desenvolvimento da África do Sul 57 Fonte: Organização Mundial de Saúde, Estatísticas Mundiais de Saúde, Fonte: Fonte: Infraestrutura Económica do Estado da África do Sul: Oportunidades e Desafios de 2012, Presidência da República da África do Sul e Banco de Desenvolvimento da África do Sul 59 Estatísticas Mundiais da Internet,

90 É pouca a população Sul-Africana que atualmente tem acesso a computadores, ou a dispositivos de utilizadores finais, havendo uma repartição inapropriada de recursos. Mas, e não obstante, o futuro não deixa de ser otimista estima-se que a maioria da população adulta estará a utilizar a internet no final da década. A África do Sul tem o objetivo claro de reforçar a sua centralidade em África, apoiando a cadeia de valor do setor da construção e promovendo a exportação de serviços 2.5. Grandes projetos de investimento previstos com infraestruturas 60 A criação e a coordenação das políticas comerciais e industriais na África do Sul está a cargo do Departamento de Comércio e Indústria (DTI). Entre os cinco objetivos estratégicos do DTI, encontra-se o estabelecimento de um ambiente regulatório justo que tenha em vista possibilitar o investimento, o comércio e o desenvolvimento empresarial de modo equitativo e socialmente responsável. Neste âmbito, são também de destacar outros departamentos e agências responsáveis por iniciativas marcantes quanto às políticas de comércio e de investimento, entre as quais se contam o Departamento do Tesouro Nacional, o da Agricultura, o de Saúde e o de Assuntos Minerais e Energéticos. O Banco Central desempenha, naturalmente, um papel decisivo no desenvolvimento destas iniciativas. Note-se que a África do Sul possui diversos acordos que complementam os tratados multilaterais, sendo de destacar o Acordo de Comércio, Desenvolvimento e Cooperação (ACDC), assinado em 1999 com a União Europeia (UE), configurando esta última não só a principal fonte de IDE do país, mas ainda o principal parceiro comercial da África do Sul. O Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) para 2030, elaborado em finais de 2011, contribuirá em larga medida para o investimento e correspondente desenvolvimento em infraestruturas a curto prazo, prevendo-se um investimento para os próximos três anos o equivalente a 25,8% do PIB de 2012/ Do valor global do investimento estima-se que parte do investimento projetado (cerca de 4%) possa ocorrer por recurso a PPPs. 60 Fonte: África do Sul Perfil e Oportunidades Comerciais, 2011 (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) 61 Fonte: Fonte: Infraestrutura Económica do Estado da África do Sul: Oportunidades e Desafios de 2012, Presidência da República da África do Sul e Banco de Desenvolvimento da África do Sul 90

91 Gráfico 45 - Gastos do Governo em infraestruturas (incluindo parcerias público-privadas) 62 Departamentos Provinciais 22% Autoridades locais 48% Instituições fora do orçamento 18% Parcerias Público-Privadas 4% 5% Empresas públicas não-financeiras Este investimento deverá resolver, ainda que parcialmente, os problemas ao nível da produção e do fornecimento de eletricidade, dos transportes, dos combustíveis, e da captação e distribuição de água e alojamento. Energia Dado o crescimento económico da África do Sul, e dadas as necessidades energéticas do país, há um conjunto de medidas que se encontram a ser adotadas de modo a aumentar a capacidade de produção e distribuição de energia elétrica. Tabela 8 - Expansão da capacidade de produção e de distribuição de energia elétrica Objetivo Pretende-se que a escassez de energia não constitua um entrave ao potencial crescimento da economia. Medidas Políticas Aumentar a proporção da população com energia elétrica Redução da intensidade energética Desenvolvimento das infraestruturas de transmissão Redução da utilização do carvão Maior recurso ao gás e às energias renováveis Estas medidas integram-se no Plano de Desenvolvimento Nacional e em projetos específicos que permitirão atingir os índices de capacidade e distribuição necessários ao país. Tabela 9 - Projetos previstos para a África do Sul no setor energético 63 Projeto Plano de Desenvolvimento Nacional para 2030 Funcionamento das estações de energia elétrica de Kesuli e de Medupi (que irão adicionar MW à capacidade de distribuição da Eskom, cada uma) Montante Até 10% do PIB US$ 1.4 mil milhões 62 Fonte: Análise Orçamental de 2012 do Tesouro Nacional 63 Fonte: E.E.F., Mercados Financeiros (África do Sul) agosto 2013, BPI; Financing of Kusile and Medupi Power Plants a research paper prepared for BankTrack and Pacific Environment, Profundo Economic Research, outubro

92 Transportes Igualmente, o crescimento económico de África do Sul tem vindo a revelar uma crescente necessidade de aumentar a eficiência dos transportes. Nesse sentido há um conjunto de medidas programáticas que orientam os investimentos no setor dos transportes. Tabela 10 - Eficiência dos transportes Objetivo Melhorar a eficiência da rede rodoviária, dos portos e da rede ferroviária Medidas Políticas Aumentar a capacidade ferroviária Recapitalização total da frota ferroviária Expansão dos terminais dos portos, ampliação dos canais, e reconstrução de algumas estruturas dos portos Promover uma utilização maior dos transportes públicos Melhorias na qualidade da rede ferroviária (ao invés de se aumentar apenas o comprimento das estradas) Estas medidas programáticas irão resultar num conjunto vasto de investimentos que se estima virem a totalizar cerca de US$ 12.5 mil milhões. Tabela 11 - Projetos previstos para a África do Sul no setor dos transportes 64 Projeto Projetos no setor dos transportes públicos Melhorias nos principais portos comerciais do país Projetos no setor rodoviário Montante US$ 9.2 mil milhões US$ 496 milhões US$ 2.8 mil milhões Água e saneamento No setor da água e saneamento há um conjunto de medidas programáticas que visam melhorar o acesso, bem como a própria rede das infraestruturas de saneamento básico. Tabela 12 - Abastecimento de água e saneamento básico Objetivo Garantir o abastecimento de água e de saneamento básico a todos os cidadãos sul-africanos Medidas Políticas Gestão dos escassos recursos hídricos do país Assegurar que a população tem acesso a água e a saneamento básico Alocação da água mais eficiente Redução de perdas de água 64 Fonte: Fonte: Infraestrutura Económica do Estado da África do Sul: Oportunidades e Desafios de 2012, Presidência da República da África do Sul e Banco de Desenvolvimento da África do Sul; Trasnet, Ltd

93 Para se atingirem estes objetivos o Governo encontra-se a elaborar um programa nacional de gestão de recursos hídricos com medias a médio e longo prazo, ainda não tendo definido o montante global de investimentos. Tabela 13 - Projetos previstos na África do Sul no setor da água e saneamento 65 Projeto Programa de gestão dos recursos hídricos Montante n.d. O PND visa ainda incentivar o investimento privado, de forma coordenada com o investimento público (de forma a evitar duplicações) na área dos transportes públicos, no setor das TIC, na área das energias renováveis e no desenvolvimento de mais infraestruturas, promovendo a facilitação para a entrada do investimento privado no país, e o crescimento de parcerias público-privadas (especialmente em matéria de instalação de redes de fibra ótica nacionais, regionais e municipais). 65 Fonte: Fonte: Infraestrutura Económica do Estado da África do Sul: Oportunidades e Desafios de 2012, Presidência da República da África do Sul e Banco de Desenvolvimento da África do Sul. 93

94 2.6. Abertura da Economia e Relações Comerciais A África do Sul apresenta uma economia relativamente aberta, com valores de exportação elevado e diversificado. Tabela 14 - Abertura da economia Sul-Africana África do Sul Taxa de câmbio (US$ /ZAR) 8,20 7,23 7,30 8,40 8,23 Inflação 3,40% 4,64% 7,10% 11,54% 7,13% Balança Comercial (em % do PIB) (3,06%) (0,88%) (0,20%) (0,62%) (3,05%) Balança Corrente (em % do PIB) (7,35%) (3,99%) (2,79%) (3,41%) n.d. Fonte: Banco Mundial; OANDA Relativamente à taxa de câmbio, importa referir que vigora um sistema de câmbio flutuante, sem intervenção do Banco Central. O Rand desvalorizou face ao Dólar, comparando com 2009 e 2010, e é expetável que assim permaneça. Ao nível da taxa de inflação identifica-se uma tendência crescente, tendo atingido um pico em 2011 justificado pelo aumento mundial dos preços dos alimentos e do petróleo. A balança comercial apresenta-se continuamente deficitária entre 2008 e 2012, assim como a balança corrente. Importações As importações têm apresentado um ritmo crescente desde 2009, mantendo-se a China e a Alemanha como principais mercados de origem. Tanto a China como a Alemanha exportam, na sua maioria, maquinaria e equipamentos de transporte, tendo representado no primeiro caso 61%, e no segundo caso 46%, em 2012, no total das importações da África do Sul. A África do Sul enquanto plataforma de acesso aos mercados da região da SADC tem um importante papel de destaque dentro da comunidade perante o mercado externo, maximizado pela sua entrada no grupo dos BRIC 94

95 Peso nas importações totais de África do Sul Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP Importações Sul-Africanas Top produtos Gráfico 46 - Evolução das importações de África do Sul e principais países de origem, % 140,000 90% 80% 70% 101,640 74,054 94, , , , ,000 Índia 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 5% 3% 3% 4% 4% 5% 6% 5% 5% 5% 8% 8% 7% 8% 7% 6% 5% 4% 4% 8% 11% 12% 11% 11% 10% 11% 13% 14% 14% 14% ,000 60,000 40,000 20,000 - Japão EUA Arábia Saudita Alemanha China Importações Fonte: Centro Internacional de Comércio; UNCTAD, UNCTADstat As importações Sul-Africanas correspondem essencialmente a maquinaria e equipamentos de transporte e combustíveis minerais, lubrificantes e materiais relacionados, representando este dois grupos de produtos cerca de 60% do total das importações da África do Sul. Gráfico 47 - Importações Sul-Africanas - Top produtos Maquinaria e equipamentos de transporte 9% 5% 2% 36% Combustíveis minerais, lubrificantes e materiais relacionados Químicos e produtos relacionados 11% Bens manufaturados 11% 24% Outros artigos manufaturados Alimentos e animais vivos Matérias-primas (exceto combustíveis) Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, 2012 O país da CPLP com maior relevo nas importações de África do Sul é Angola, pelas exportações de petróleo, tendo representado 2,25% do total das importações da África do Sul. 95

96 Importações (milhões US$) Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP Em segundo lugar surge o Brasil que apresentou uma maior variedade de produtos exportados para a África do Sul, destacando-se as exportações de carne, açúcar, trigo e Minério de ferro e seus concentrados. Moçambique exportou essencialmente combustíveis minerais: petróleo (50%), gás natural (19%) e eletricidade (15%), em Portugal tem uma dimensão reduzida no global das trocas, principalmente em 2012, representando apenas 0,13% do total das importações de África do Sul. Com maior peso surgem as exportações portuguesas de veículos e outro material de transporte e as exportações de cortiça. A CPLP representou, em 2012, apenas 4,81% das importações sul africanas Gráfico 48 - Importações Sul-Africanas da CPLP 6, % 5, % 4, % 3.65% 2,805 3,500 2, % 1,585 1,998 2,500 1,371 1,667 1,671 1, ,661 1, , ,052 1,270 (500) Portugal Moçambique Brasil Angola Fonte: UNCTAD, UNCTADstat As importações a partir de países da CPLP têm aumentado de forma relativamente consistente e expressiva nos últimos 3 anos, com especial destaque para os parceiros da CPLP inseridos na SADC, Angola e Moçambique, com crescimentos, respetivamente, de cerca de US$ 2.6 mil milhões em 2011 para cerca de US$ 4 mil milhões em

97 Importações Sul-Africanas de Angola Figura 14 - Principais importações Sul-Africanas de Angola Angola 2,25% das importações sul africanas Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, 2012 Angola e África do Sul mantêm um acordo para exploração, refinação e distribuição de petróleo entre as principais empresas do ramo de ambos os países - a Sul- Africana PetroSA e a angolana Sonangol Angola apresenta um forte fluxo de exportação de petróleo para África do Sul, potenciado pelos diversos acordos comerciais existentes que incluem a cooperação neste setor. Importações Sul-Africanas do Brasil Figura 15 - Principais importações Sul-Africanas do Brasil Brasil 1,36% das importações sul africanas Fonte: UNCTAD, UNCTADstat,

98 Gráfico 49 - Importações Sul-Africanas do Brasil Nos últimos anos o perfil de exportações do Brasil para a África do Sul têm vindo a alterarse, ocorrendo um aumento do peso dos produtos relacionados com o setor alimentar. 9% 7% 33% De facto, em 2012, são os produtos alimentares que ocupam o lugar cimeiro da pauta alfandegária brasileira para este país, com especial destaque para o abate e a preparação de produtos de carne e de pescado. 14% 27% Alimentos e animais vivos Maquinaria e equipamentos de transporte Bens manufaturados Matérias-primas (exceto combustíveis) Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, 2012 Químicos e produtos relacionados Importações Sul-Africanas de Moçambique Figura 16 - Principais importações Sul-Africanas de Moçambique Moçambique 1,03% das importações sul africanas Fonte: UNCTAD, UNCTADstat,

99 Gráfico 50 - Importações Sul-Africanas de Moçambique Moçambique tem um peso pouco expressivo nas importações Sul-Africanas, as quais correspondem essencialmente (87%) a exportações de petróleo, gás natural e eletricidade, não obstante a facilidade logística de acesso ao mercado. 5% 3% 3% 87% Combustíveis minerais, lubrificantes e materiais relacionados Alimentos e animais vivos Bens manufaturados Matérias-primas (exceto combustíveis) Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, 2012 Importações Sul-Africanas de Portugal Figura 17 - Principais importações Sul-Africanas de Portugal Portugal Representação marginal nas importações sul africanas Fonte: UNCTAD, UNCTADstat,

100 Peso nas exportações totais de África do Sul Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP Gráfico 51 - Importações Sul-Africanas de Portugal As empresas nacionais não aproveitam o mercado Moçambicano como ponte para o mercado sul-africano, o que pode justificar a fraca penetração no referido mercado. Graças ao forte desenvolvimento do setor automóvel da África do Sul (atualmente entre os 20 primeiros a nível mundial em termos de produção automóvel), Portugal tem visto o seu fluxo de exportações de veículos e outro material de transporte aumentar. A cortiça também merece destaque, representando 7,17% do total das exportações portuguesas para África do Sul em As empresas portuguesas gozam de um acordo comercial celebrado entre a África do Sul e a União Europeia que prevê a redução ou mesmo isenção de tarifas nos produtos importados 6% 2% 11% 36% 13% 29% Maquinaria e equipamentos de transporte Bens manufaturados Químicos e produtos relacionados Outros artigos manufaturados Alimentos e animais vivos Matérias-primas (exceto combustíveis) Fonte: UNCTAD, UNCTADstat,2012 Exportações Tal como ao nível das importações, os lugares cimeiros dos clientes Sul-Africanos são preenchidos pela China e pelos Estados Unidos da América. O Japão surge em 3º lugar, seguido da Alemanha. Gráfico 52 - Evolução das exportações de África do Sul e principais países de destino 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 92,976 86,712 80,892 73,966 61,677 5% 3% 4% 5% 3% 7% 4% 6% 4% 4% 3% 4% 4% 4% 8% 6% 4% 8% 7% 5% 9% 8% 11% 8% 6% 9% 10% 9% 9% 11% 6% 11% 11% 13% 12% ,000 80,000 70,000 60,000 50,000 40,000 30,000 20,000 10,000 - Países Baixos Reino Unido Índia Alemanha Japão EUA China Exportações Fonte: International Trade Center; UNCTAD, UNCTADstat,

101 Exportações (milhões US$) Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP Quanto à estrutura das exportações Sul-Africanas, o top 3 dos produtos mais exportados foi preenchido em 2012 pelas exportações de ferro (13%), carvão (8%) e platina (7%). Exportações Sul-Africanas Top produtos Gráfico 53 - Exportações Sul-Africanas - Top produtos Matérias-primas (exceto combustíveis) 7% 6% 2% 26% Bens manufaturados Maquinaria e equipamentos de transporte 7% Combustíveis minerais, lubrificantes e materiais relacionados Químicos e produtos relacionados 11% Commodities e transações n.e. Alimentos e animais vivos 23% Outros artigos manufaturados 17% Bebidas e tabaco Óleos vegetais e animais, gorduras e ceras Fonte: International Trade Centre, 2012 Relativamente à CPLP, a África do Sul exporta mais para Moçambique, o que se justifica em grande parte pela proximidade geográfica dos dois países, como anteriormente referido. Em segundo lugar surge Angola, seguido do Brasil e de Portugal. Destes 4 países, apenas Portugal apresenta uma tendência decrescente. Gráfico 54 - Exportações Sul-Africanas - CPLP 4,500 4, % 4.65% 3, % 3, % 2, % 2,500 2,026 1,116 1,270 2,000 1,324 1, ,142 1, A CPLP representou, em 2012, 4,65% das exportações sul africanas, com destaque para Moçambique Portugal Brasil Angola Moçambique Fonte: UNCTAD, UNCTADstat,

102 Exportações Sul-Africanas para Moçambique A CPLP, na sua relação comercial com a África do Sul, apresenta um peso relativamente reduzido, apresentando no entanto uma balança comercial superavitária, sustentada fundamentalmente pelas exportações de petróleo de Angola. Figura 18 - Principais exportações Sul-Africanas para Moçambique Moçambique 2,39% das exportações sul africanas Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, 2012 Gráfico 55 - Exportações Sul-Africanas para Moçambique A África do Sul representa cerca de 31% na quota de importações de Moçambique, sendo fornecedor de inúmeros produtos, traduzindo uma forte relação comercial. 14% 9% 6% 28% São, no entanto, de destacar as exportações Sul-Africanas de eletricidade e carvão e ainda de maquinaria e equipamentos de transporte. 18% 23% Maquinaria e equipamentos de transporte Combustíveis minerais, lubrificantes e materiais relacionados Bens manufaturados Alimentos e animais vivos Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, 2012 Químicos e produtos relacionados Outros artigos manufaturados 102

103 Exportações Sul-Africanas para Angola Figura 19 - Principais exportações Sul-Africanas para Angola Angola 1,32% das exportações sul africanas Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, 2012 Gráfico 56 - Exportações Sul-Africanas para Angola Com Angola o fluxo de exportações não é tão intenso como em relação a Moçambique, mas apresenta ainda assim uma grande diversidade de produtos exportados. 8% 5% 4% 28% Os maiores fluxos em 2012 foram as exportações de fertilizantes (13%), veículos de transporte de mercadorias (8%) e bebidas alcoólicas (6%). 11% 18% 26% Maquinaria e equipamentos de transporte Químicos e produtos relacionados Alimentos e animais vivos Bens manufaturados Bebidas e tabaco Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, 2012 Outros artigos manufaturados Combustíveis minerais, lubrificantes e materiais relacionados 103

104 Exportações Sul-Africanas para o Brasil Figura 20 - Principais exportações Sul-Africanas para o Brasil Brasil 0,84% das exportações sul africanas Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, 2012 Gráfico 57 - Exportações Sul-Africanas para o Brasil As exportações de África do Sul para o Brasil têm muito pouca representatividade no total das importações brasileiras, cerca de 0,38% em 2012 e das exportações sul-africanas (0,84%). O seu crescimento médio anual foi de 2,36% entre 2008 e Ao nível dos combustíveis minerais exportados para o Brasil, destaca-se o carvão, que liderou em 2012 a pauta alfandegária quando analisada em maior detalhe. Em segundo lugar surgem as exportações de inseticidas e em terceiro materiais plásticos. 18% 8% 5% 33% 33% Combustíveis minerais, lubrificantes e materiais relacionados Maquinaria e equipamentos de transporte Matérias-primas (exceto combustíveis) Alimentos e animais vivos Outros artigos manufaturados Fonte: UNCTAD, UNCTADstat,

105 Exportações Sul-Africanas para Portugal Figura 21 - Principais exportações Sul-Africanas para Portugal Portugal 0,10% das exportações sul africanas, com tendência decrescente Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, 2012 Gráfico 58 - Exportações Sul-Africanas para Portugal No que se refere às importações Portuguesas de produtos Sul-Africanos o grau de especialização é superior. Em 2012, a importação portuguesa de bens alimentares liderou a tabela, sendo de destacar as compras de frutas e nozes e de peixe. As compras de ouro não monetário também merecem destaque, representando 20% do volume de importações de África do Sul, sendo este país o principal fornecedor de ouro de Portugal neste mesmo ano. 5% 8% 12% 20% Alimentos e animais vivos 52% No entanto a relevância proporcional nas importações nacionais e nas exportações sulafricanas é diminuta. Commodities e transações n.e. Químicos e produtos relacionados Maquinaria e equipamentos de transporte Bens manufaturados Fonte: UNCTAD, UNCTADstat,

106 2.7. Principais setores de oportunidade As oportunidades decorrentes das necessidades de investimento em infraestruturas e energia já apresentadas podem constituir áreas de oportunidade de negócio para investidores internacionais, em particular nos domínios das áreas de projeto, fiscalização e construção civil e obras públicas. Acresce que as prioridades do Governo, a nível setorial e a seguir referidas originam um conjunto de oportunidades adicionais de negócio, nas mais variadas áreas da Economia, sendo de destacar: O pólo agroindustrial de Capanda tem uma área de 411 mil hectares. A meta é substituir 50% do que Angola gasta a importar alimentos. Revista Exame Desenvolvimento de tecnologias na área agroindustrial, promovendo o desenvolvimento agrícola de pequenos e médios negócios agrários, para os países adjacentes e pertencentes à SADC, os quais apresentam forte dependência do setor agrícola, nomeadamente o Lesoto, Maláui, Moçambique, República Democrática do Congo, Zâmbia e Zimbabué; Desenvolvimento de serviços e equipamentos associados ao Cluster da indústria extrativa, que representa cerca de 10% do PIB da África do Sul e cujo potencial de crescimento mantém-se positivo; Turismo (de lazer e de negócios), com alavancagem nos objetivos da África do Sul de se tornar um hub da África Austral para ligações intra e intercontinentais. A tabela seguinte visa sintetizar as prioridades governamentais nos vários setores de atividade e, portanto, os setores mais favoráveis ao investimento oriundo da SADC em geral, e de Portugal em particular. Tabela 15 - Prioridades do Governo a Nível Setorial (NDP 2030) 66 Principais Setores Económicos Apostas do Governo Agro - indústria Investimentos substanciais em infraestruturas de irrigação, incluindo o armazenamento de água, distribuição pelo país, assim como o investimento numa tecnologia de poupança de água, em regiões com elevado número de recursos naturais; Apoio aos pequenos agricultores (tecnologia e acesso aos mercados); Segurança de investimento : os agricultores só devem investir em determinada área, quando a garantia de retorno seja total. Esta medida irá garantir a disponibilidade de rendimento para os agricultores existentes, para novos agricultores, e o retorno do investimento necessário; Desenvolvimento de tecnologia: O crescimento da produção agrícola foi sempre alimentado pelo desenvolvimento de novas tecnologias, sendo que os retornos do investimento relacionados com I&D neste campo são elevados; Medidas políticas para estimular o aumento do consumo de frutas e legumes por parte da população; Exploração de medidas inovadoras, como por exemplo o estabelecimento de contratos com pequenos agricultores com o objetivo de melhorar a gestão da produção. Indústria extrativa Diagnóstico dos principais constrangimentos que impedem o crescimento e desenvolvimento do setor mineiro e implementação de um conjunto de medidas de combate aos mesmos; Aprofundamento dos vínculos deste setor com os outros setores da economia, como por exemplo reforço das relações entre vários fabricantes ou fornecedores ligados ao setor da mineração; Promover a I&D, permitindo a melhoria dos métodos de extração, maior eficiência energética e redução do desperdício de água; Identificação de oportunidades que aumentem o envolvimento regional do Cluster (o setor mineiro apresenta-se como um dos setores mais importantes da economia Sul-Africana, tendo contribuído, em 2011, com cerca de 10% para o PIB. A importância deste setor resulta do facto da África do Sul ser um país notoriamente rico em recursos minerais). 66 Fontes: NDP 2030 Governo África do Sul 106

107 Principais Setores Económicos Apostas do Governo Manufatura Dar prioridade aos produtos que são mais dinâmicos e apresentam maior grau de ligação ao uso doméstico; Aproveitamento de contratos públicos e privados para promover a localização e a diversificação industrial; Intensificação e apoio à I&D, com o objetivo de promover o desenvolvimento de novos produtos, inovação e comercialização. No ranking de competitividade Global Competitiveness Report, que analisa a competitividade de vários países com base numa serie de critérios, a África do Sul classificou-se em 33º lugar (em 148 países) no critério capacidade de inovação e em 43º no critério gastos das empresas em I&D. Turismo e Cultura Promoção do país enquanto destino de conferências e eventos; Melhoria do nível de infraestruturas, nomeadamente rede de transportes, alojamento e ofertas turísticas; Posicionar o país como um Centro de Negócios; Promoção do país enquanto destino internacional, pela sua biodiversidade, beleza e recursos naturais. Facilidade de deslocação para os turistas que viajam entre países da região (o setor do turismo apresenta-se como um importante setor da economia do país, tendo representado, em 2011, 14,5% do PIB). Setor financeiro Desenvolvimento do setor e garantia de acesso à população Sul-Africana (em 2030, é esperado um aumento de cerca de 63% das pessoas com acesso a serviços financeiros). O setor bancário da África do Sul encontra-se bastante desenvolvido, podendo ser visto como estando entre iguais, ao nível da banca europeia. Desta lista merecem destaque as potencialidades abertas pela necessidade de equipamentos e tecnologia para a agroindústria e indústria regular, bem assim como pela promoção do Turismo. A aposta nas infraestruturas a seguir mencionada, reitera, mais uma vez, a relevância dos equipamentos, a par naturalmente da exportação do leque total de serviços ligados à construção e às obras públicas. Tabela 16 - Potencialidades ao nível das infraestruturas 67 Principais Setores de Infraestruturas Construção / Infraestruturas Potencialidades / Apostas do Governo Aumento da capacidade do Governo relativa à gestão do Orçamento destinado a infraestruturas, assim como outras questões relevantes para o setor, especialmente no que respeita à gestão de projetos, planeamento a longo prazo e monotorização e avaliação das despesas de construção e outros trabalhos; Promoção das exportações dos setores da construção civil e indústrias fornecedoras, através da criação de um centro Financeiro para a África e mais apoio nas relações diplomáticas comerciais; Intensificação do apoio às indústrias fornecedoras, como por exemplo materiais de construção, aço, vidro ou cimento; Criação de condições para uma indústria cíclica menos volátil, dando prioridade a pequenos projetos regionais, que são mais facilmente acessíveis para as pequenas empresas ou pequenos operadores. 67 Fontes: NDP 2030 Governo África do Sul 107

108 Fluxos de IDE (milhões US$) Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP 2.8. Investimento direto estrangeiro na África do Sul O período de 2010 a 2012 reflete um aumento exponencial do IDE Sul-Africano para o exterior, bem como uma continuação da capacidade de captação da IDE para o país (inward), mantendo-se um saldo positivo entre os fluxos de IDE de, e para a África do Sul. Gráfico 59 - Fluxos de IDE na África do Sul, África do Sul Dados referentes aos últimos 24 meses 10,000 9,006 Número de projetos: 277 CAPEX: US$ milhões 8,000 6,000 5,365 6,004 4,572 Postos de trabalho criados: Empresas/investidores: 245 4,000 2,000 - (2,000) 1,151 1, ,369 Principais cidades recetoras de IDE Joanesburgo: 89 projetos Cidade do Cabo: 42 projetos Durban: 13 projetos (4,000) -3, Inward Outward Pretória: 10 projetos Porto Elizabeth: 9 projetos Fonte: FDI markets De facto o investimento sul-africano no exterior tem vindo a aumentar, em particular para o resto de África, (cerca de 18 mil milhões de US$). Segundo o World Investment Report 2013, o aumento dos fluxos outward de IDE africanos, deve-se sobretudo aos investimentos Sul-Africanos para o exterior, em particular no setor mineiro, no setor grossista, e em produtos do setor da saúde. Por outro lado, em termos de IDE a África do Sul é o país africano que mais investimento chinês recebeu em 2011 (cerca de US$ 16 mil milhões). Adicionalmente, segundo um estudo desenvolvido pelo UNCTAD, a África do Sul surge em 15º lugar no TNCs top prospective host economies for

109 Tabela 17 - Inward stock de IDE na África do Sul (milhões de US$) Setor A indústria mineira lidera a captação de IDE na África do Sul Indústria extrativa Outros serviços Atividades empresariais Transporte, armazenagem, telecomunicações Comércio grosso e a retalho Construção Agricultura Serviços de comunicação, sociais e pessoais Eletricidade, gás e água 4 4 Fonte: Centro de Comércio Internacional Estes dados, para pequenas economias pouco expostas ao exterior, reiteram a relevância dos setores referidos na secção anterior como setores apetecíveis para IDE no País em função das apostas estratégicas do Governo Financiamento à Economia Principais bancos presentes Tendo um sistema regulamentar eficiente, mercados financeiros bem desenvolvidos e instituições financeiras sólidas, o sistema financeiro da África do Sul é bastante estável. De acordo com o Relatório sobre a Competitividade Global para do Fórum Económico Mundial, o país ficou classificado em terceiro lugar num total de 144 países, quanto ao desenvolvimento do mercado financeiro, e em primeiro lugar no quadro jurídico do setor financeiro e da regulamentação dos mercados dos valores mobiliários. O setor bancário da África do Sul é composto por 19 bancos e 12 sucursais de bancos estrangeiros. No entanto, o setor é ainda bastante concentrado, com 4 bancos a representarem 86% do total de ativos. Destaca-se o The Standard Bank of South África, com uma quota de 24.6% em termos de depósitos, e de 26% em termos do crédito concedido (no final de 2011), banco que se posiciona no ranking mundial na posição 112. Os rácios de capitalização dos bancos encontram-se, claramente, acima dos níveis regulatórios exigidos, com uma média de 14.1% para o rácio de RWC (risk weighted capital) e de 11.8% no Tier 1. Figura Estrutura 22 - Estrutura acionista acionista bancária em África Predominantemente local Equilibrada Estrangeira e Governo Predominantemente estrangeira Predominantemente Governo Excluído (Fonte: World Bank Staff Estimates, 2007) No contexto da SADC, a África do Sul é o país em que se verifica o maior nível de protecionismo do setor financeiro, verificando-se uma predominância de bancos cuja estrutura acionista é fundamentalmente local. 109

110 Bancarização da população 68 Contas bancárias (% +15anos) Figura 23 - Contas bancárias (% +15 anos) em África O nível de bancarização da África do Sul é dos mais elevados da SADC e de toda a África. O Finscope Survey 2012, refere que 67% da população adulta da África do Sul tem conta bancária, e desses, cerca de 72%, além de terem conta bancária, utilizam também produtos bancários, tendo-se verificado um aumento da utilização de contas poupança (30% para 39%) e de máquinas eletrónicas e cartões de débito (52% para 61%). Já a utilização de produtos bancários manteve-se nos 25%. < 10% Entre 10% e 20% Entre 20% e 30% Entre 30% and 40% > 40% Não disponível (Fonte: World Bank, Global Financial Inclusion Database, 2011) A maioria dos adultos (70%) usa produtos/serviços não bancários formais e 51% dos adultos usa mecanismos informais. No entanto, cerca de 19% da população não usa produtos nem serviços bancários. Existem diferenças significativas entre os níveis de inclusão financeira nas zonas rurais e urbanas: enquanto cerca de três quartos dos adultos (74%) das áreas urbanas têm conta bancária, apenas 54% dos adultos usam produtos bancários nas zonas rurais. O setor informal, mais acentuado nas zonas rurais, desempenha um papel importante em quebrar as barreiras da inclusão financeira. O setor bancário tem-se empenhado em melhorar o nível de inclusão financeiro da população Sul-Africana. O Financial Sector Charter (FSC) e o Black Economic Empowerment Act (BBBEE) têm sido os principais pilares da transformação do setor. Assinado em 2003 e implementado em 2004, o FSC é um acordo de transformação voluntária para o setor financeiro. O setor financeiro em geral e as instituições financeiras, em particular, assumiram o compromisso de "promover ativamente um setor financeiro globalmente competitivo, que reflita a demografia do país, e que contribua para o estabelecimento de uma sociedade justa através de uma eficaz prestação de serviços financeiros acessíveis direcionando investimentos para setores-alvo da economia". O Governo criou ainda canais alternativos para o financiamento das pequenas e médias empresas (PME). Figura 24 - Evolução dos níveis de inclusão financeira, Bancários Formais (não bancários) Informais Não servido 0% 20% 40% 60% 80% 100% % 68 Fonte: 69 Fontes: Finscope Survey 2012, OCDE 110

111 Microcrédito O setor do microcrédito na África do Sul surgiu em 1980 e tem sido impulsionado por várias Empresas, Organizações Não Governamentais e Agências Governamentais, das quais se destacam: Small Enterprise Foundation é a mais antiga e mais conhecida organização de microcrédito na África do Sul e tem como público-alvo os residentes das zonas rurais do Limpopo e Mpumalanga, onde os níveis de pobreza são dos mais elevados do país; Marang Financial Services organização sem fins lucrativos dedicada a melhorar o acesso dos mais pobres aos serviços financeiros; Women s Development Businesses é composta por três organizações: WDB Micro Finance, WDB Trust e WDB Investment Holdings - todas trabalham em conjunto para ajudar as mulheres Sul- Africanas a encontrar uma solução duradoura para a pobreza; FINCA South Africa tem o objetivo de melhorar a qualidade de vida da população mais desfavorecida através da prestação de serviços financeiros para empreendedores com pouca capacidade financeira; Paradigm Shift - organização sem fins lucrativos que tem o objetivo de capacitar as igrejas dos países em desenvolvimento para dar formação aos mais desfavorecidos sobre negócios, microcrédito, orientação e disciplina. Apesar de ter vindo a crescer ao longo dos anos, em 2000 o setor entrou na chamada Fase de Consolidação, uma vez que o rápido crescimento das instituições de microcrédito se tornou insustentável. Primeiro porque o número limitado de pessoas que necessitavam desses créditos levou a um aumento da competitividade entre as instituições, o que levou a uma redução das margens de lucro. Segundo, o Governo proibiu o crédito consignado e criou um Conselho Regulador das Micro Finanças (Micro Finance Regulatory Council), com a finalidade de regular o microcrédito. A diminuição dos lucros, a eliminação de um mecanismo de cobrança estável e os elevados custos de cumprimento da legislação fizeram com que muitos credores saíssem do mercado. Considerando que existiam cerca de instituições de microcrédito registadas em 1997, apenas permaneciam em Taxas de juro de financiamentos 70 A África do Sul tem um sistema de câmbio flutuante. Por forma a minimizar o impacto negativo de excesso de fluxos de capitais de curto prazo e de volatilidade cambial, o Banco Central Sul-Africano (South African Reserv Bank) intervém no mercado cambial, aligeirando os controlos cambiais e acelerando a acumulação das reservas cambiais externas. Estas reservas atingiram, em agosto de 2011, um máximo histórico de US$ 51.4 mil milhões, tendo-se mantido próximas deste nível (US$ 50 mil milhões) até agosto de O Banco Central Sul-Africano tem vindo a utilizar a acumulação de reservas como um instrumento de gestão da sua liquidez internacional, ao invés de aplicar esta acumulação numa política cambial ativa. A política monetária assegurou a estabilidade dos preços, mantendo-se a inflação dentro das taxas previstas (3-6%) na primeira metade de No entanto, a inflação de base aumentou significativamente em dezembro de 2012 para 4,9%, bem acima da média a longo prazo de 4,9%. A taxa de inflação global anual homóloga (year-on-year inflation), impulsionada pelos preços do petróleo, da eletricidade, da educação e da comida, registou uma subida para os 5,7% em dezembro de 2012, depois de se ter mantido nos 5,6% em novembro. No entanto e apesar de uma taxa de juro historicamente baixa, a procura de crédito pelo setor privado permanece relativamente baixa. Por outro lado, entre julho e agosto de 2012 o crescimentoda massa monetária desceu de 8,3% para 7,8%. 70 Fonte: African Economic Outlook 111

112 Bolsa de valores 71 Em junho de 2012, a bolsa de valores de Joanesburgo JSE tinha 401 empresas cotadas, tendo a capitalização da bolsa atingido os US$ 734 milhões, o que representa um crescimento médio anual de 56% desde Segundo dados da World Federation Exchange disponibilizados pela JSE, a bolsa de valores Sul-Africana ocupa o 19º lugar num conjunto de 54 membros, o 21º em volume de transações, e o 29º em liquidez de mercado. As transações em bolsa estão totalmente automatizadas, realizando-se através de um sistema eletrónico de compensação e liquidação. O investimento na África do Sul deverá igualmente ter em consideração o cumprimento das regras para combater a desigualdade previstas pelo programa Broad-Based Black Economic Empowerment (B- BBEE) 71 Fonte: Research BPI África do Sul

113 3.Moçambique Principal potência no setor do gás natural 113

114 PIB milhões USD Crescimento anual PIB (%) Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP 3. Moçambique. Uma potência no setor do carvão, uma potência emergente no setor do gás natural 3.1. Macroeconomia PIB da economia moçambicana Moçambique é um dos países da região em processo de convergência. No passado recente registou algumas das taxas de crescimento do PIB mais elevadas a nível mundial, acima de 7%. No entanto, a sua enconomia em 2010, representava apenas 2,24% do PIB da região da SADC. Gráfico 60 - Crescimento anual PIB Moçambicano (últimos 5 anos) 14,000 12,000 10,000 8,000 6,000 4,000 2, % 7.4% 7.1% 6.8% 6.3% 14,588 12,568 9,891 9,674 9, Anos PIB (Milhões US$) Crescimento anual PIB (em %) 8% 7% 7% 7% 7% 7% 6% 6% 6% 6% Fonte: Banco Mundial O crescimento, muito embora generalizado, assentou na produção de carvão, na agricultura, na construção civil e serviços financeiros, sustentado pela contínua capacidade da atração de investimento estrangeiro. As previsões para 2014 apontam para um crescimento de 8%. Estas previsões têm como pressupostos o crescimento da produção de carvão, o desenvolvimento de infraestruturas ( mega projetos ) e o alargamento da concessão de crédito à Economia. O sólido crescimento dos últimos anos, não permitiu ainda ultrapassar as caraterísticas menos positivas da economia Moçambicana (apontadas de forma consistente pelos principais organizações internacionais): (i) o frágil capital humano; (ii) o elevado custo do crédito; (iii) as deficientes infraestruturas, e (iv) a regulamentação demasiado complexa. Os obstáculos referidos são, no entanto, as principais prioridades do Governo de Moçambique, como se irá ilustrar ao longo do estudo, o que permite perspetivar o desenvolvimento económico com otimismo moderado. Não obstante, chamamos a atenção sobre este rápido crescimento económico potenciado por recursos naturais, o qual poderá conduzir a enviesamentos estruturais da Economia denominada doença holandesa ( dutch disease ).. O otimismo é transversal às instituições económicas do país, especificamente o Banco Central de Moçambique, num misto de previsão e aspiração, refere que Moçambique atingirá a qualificação de país de rendimento médio até

115 De notar que, no início de 2013, as inundações ocorridas, nomeadamente no Sul, danificaram de forma significativa estradas, os caminhos-de-ferro e linhas de transmissão de eletricidade. No entanto, tal não afetará a tendência de crescimento, dada a materialização do crescimento das exportações de carvão, e a implementação dos megaprojetos de infraestruturas. Para ilustrar o referido note-se que produção de carvão, que se iniciou em 2010, havia atingido 5 milhões de toneladas em 2011, tendo-se multiplicando e atingido 50 milhões de toneladas em A produção é na sua maioria exportada, suportando o crescimento Orçamento Geral do Estado 72 As despesas do Orçamento Geral do Estado ( OGE ) constituem um importante indicador do peso e da forma como o Estado influencia (ou pretende influenciar) o desenvolvimento económico. Em Moçambique a despesa do Estado, medida pelas despesas imputadas no OGE (e sem considerar o papel estratégico do seu setor empresarial) no ano de 2012 atingiu 34% do PIB. Gráfico 61 - Despesas de natureza económica do OGE 2013 (%) 17.3% 4.7% 2.2% Pessoal Bens e serviços Transferências correntes A distribuição funcional da despesa do OGE dá prioridade aos serviços públicos gerais (28,3%), aos assuntos económicos (23,6%) e à educação (17,4%) 54.4% Encargos da dívida 19.5% Exercícios findos e demais despesas correntes Gráfico 62 - Despesas de natureza funcional do OGE 2013 (%) Fonte: Relatório de execução do Orçamento do Estado % Serviços públicos gerais Defesa 17.4% 28.3% Segurança e ordem pública Um dos principais desafios orçamentais consiste na conciliação entre o crescimento da despesa (nomeadamente do sistema de segurança social e de despesas de investimento em infraestruturas) e a capacidade de gerar receitas orçamentais. 8.3% 4.2% 23.6% 3.0% 7.3% Assuntos económicos Habitação e desenvolvimento coletivo Saúde Educação Segurança e ação social Fonte: Relatório de execução do Orçamento do Estado African Economic Outlook; Relatório Nacional do FMI n.º 13/1, dados de

116 A redução do peso da ajuda externa está a dificultar esta harmonização. A ajuda externa diminuiu para 5,4% do PIB em 2012, face a 7.8% do PIB% em Esta diminuição foi compensada parcialmente pelo aumento da arrecadação das receitas internas, sobretudo devido aos ganhos de eficiência na cobrança de impostos. O FMI prevê que o défice orçamental (incluindo donativos internacionais) se mantenha superior a 5.5% no período de 2013 a 2018, dado que: (i) (ii) (iii) O aumento antevisto das receitas das indústrias extrativas surgirá apenas a médio prazo (os grandes projetos de carvão estão ainda em fase inicial de produção), estabilizando o seu peso em 5% do PIB; As despesas com infraestruturas registarão incrementos significativos entre 2013 e 2014, com o seu peso no PIB a incrementar-se de 12,5% em 2012 para cerca de 14,5%, em 2013 e 2014; e O Plano de Ação para Redução da Pobreza (PARP ) estabelece que os gastos em áreas prioritárias sejam aumentados de 66.9% para 71.5% da despesa total, onde se incluem dotações para a Segurança Social, e ainda um possível financiamento adicional do Banco Mundial com vista a apoiar o programa de investimentos públicos nesta área. Diminuição da dependência da ajuda internacional e diplomacia política A ajuda internacional foi determinante para assegurar a coesão de Moçambique e para financiar a balança de pagamentos altamente deficitária. O IDE, pela primeira vez em 2011, foi o principal contribuinte para financiar o défice, ultrapassando as ajudas internacionais. Refira-se que a ajuda a Moçambique foi, e é, relativamente fragmentada (do ponto de vista dos doadores) no contexto Africano, podendo ser encarada como um entrave à sua eficiência. Número de dadores em Moçambique vs. Médias globais e continente Africano Moçambique Média global Média do continente Africano por país Fonte: Transformação Económica de Moçambique, Discussion Paper 12/2013 Analisando o ranking dos principais doadores em 2011, verificamos o papel ativo que Portugal tem no apoio a Moçambique: Top 10 dadores APD em termos brutos (média ) (Milhões US$) 1 EUA Portugal Instituições UE Reino Unido IDA Canadá Dinamarca Suécia 97 9 Alemanha Noruega

117 Dívida pública O rácio entre a dívida pública e o PIB tem-se mantido relativamente estável em 40% desde 2006, ano em que o FMI aprovou a Iniciativa Multilateral de Alívio da Dívida, estabelecendo-se um perdão parcial da dívida do país. Não obstante, e considerando o esforço exigido pelos planos de investimento, referido no ponto anterior, os valores nominais de dívida deverão aumentar, podendo atingir cerca de 50% do PIB em 5 anos, de acordo com as projeções do FMI. É de referir que mais de 80% da dívida é detida por entidades externas, e desde 2007 que a dívida tem notação correspondente ao segundo maior nível de classificação de investimento especulativo, de acordo com as principais agências internacionais de notação de risco. De referir que até 2012, o Governo recorreu apenas a 16% dos empréstimos autorizados, totalizando 900 milhões de US$, os quais foram previamente acordados com o FMI no âmbito do Instrumento de Apoio à Política Económica. No entanto, e em 2012, a assinatura de contratos relativos a três novos projetos de infraestruturas, totalizando 1.23 mil milhões de US$, levou à renegociação com o FMI do plafond de crédito para 1.5 mil milhões de US$, e a um pedido adicional de 100 milhões de US$ Reservas de moeda estrangeira O gráfico abaixo representa a evolução ocorrida ao nível das reservas de moeda estrangeira e ouro para o período de O valor em 2011 representa 3,7 meses de cobertura de importações. No entanto, a diminuição do influxo de ajudas externas, e as cheias de 2013, conduziram a uma diminuição significativa das reservas internacionais para aproximadamente US$ milhões, tendo implícito um rácio de cobertura de importações de 3,1 meses. Gráfico 63 - Evolução da reserva em moeda estrangeira e ouro Reserva em moeda estrangeira e ouro (US$) Moçambique Fonte: FMI O menor nível de reservas não deverá ser considerado preocupante, dado ter resultado de aspetos conjunturais, retendo Moçambique fortes fatores económicos que sustentam o potencial crescimento das suas reservas Nível de financiamento à Economia Conforme referido, este é um dos aspetos que requer melhorias para que o potencial da economia Moçambicana se materialize. Segundo o FMI, o sistema bancário tem apresentado crescente liquidez. No entanto, este acréscimo tem sido canalizado de forma limitada para as PMEs e para o setor produtivo em 117

118 geral, mantendo-se concentrado em grandes empresas e megaprojetos, não contribuindo para uma adequada diversificação da Economia e melhoria da competitividade. Acresce que, a um volume de crédito abaixo do ótimo, se adicionam custos de financiamento elevados Evolução das taxas de juro e variação da liquidez Desde 2012 a autoridade monetária procedeu a uma diminuição da taxa de referência (associada às operações de cedência de liquidez). À descida das taxas de referência, seguiu-se a descida das taxas de juro gerais da Economia, embora ainda a um ritmo lento. Apresenta-se de seguida uma tabela que representa a evolução das taxas de juro referente ao período : Tabela 18 - Evolução da taxa de juro 2007 Dez Dez Dez Dez Dez Mar Jun Jul. Depósitos dias dias anos 7 a a a a a a a a 11.4 Crédito Até 180 dias Taxas de referência dias 0 a a a a a a a a anos Facilidade Permanência de cedência Bilhetes do Tesouro Fonte: Banco de Moçambique, Fundo Monetário Internacional No que respeita ao regime cambial, a moeda nacional de Moçambique, o metical, tem apresentado uma valorização nominal em comparação com as restantes moedas de referência para Moçambique, ou seja, relativamente ao dólar norte-americano, euro e rand sul-africano. Porém, a partir de 2012, registou-se uma desvalorização nominal de cerca de 5% da moeda nacional comparativamente com o rand sul-africano e o dólar norte-americano. A gestão do risco cambial deverá estar presente na análise de investimento dos diferentes agentes. A taxa de câmbio real teve um comportamento semelhante. 118

119 3.2. Política Económica Visão do FMI e EIU As previsões do FMI apontam para um crescimento de 8,4% para 2013 e 7.2% para 2014, a EIU de 7.8% para ambos os períodos. Estas previsões fundamentam-se em expetativas de um aumento da produção no setor da indústria extrativa decorrente da crescente exploração dos recursos naturais e alargamento das atividades financeiras através do aumento da concessão de empréstimos à economia como consequência da expansão prevista no setor produtivo. Gráfico 64 - Previsões de crescimento para Moçambique 8.4% 8.5% 7.8% 8.0% 7.5% 7.5% 7.8% 7.0% 7.4% 7.2% 6.5% Previsões FMI Previsões EIU Fonte: FMI / EIU Visão do Governo de Moçambique, Proposta do Plano Económico e Social para 2014 (PES 2014) A visão do governo de Moçambique, expressa no Quadro Macroeconómico de Referência para onde se definem as premissas e metas para os principais agregados económicos (bem como o quadro macroeconómico estabelecido na Estratégia de Moçambique) é consistente com os valores apresentados pelos organismos internacionais, verificando-se unanimidade nas expetativas e nos pressupostos inerentes a estas. Segundo o Plano Económico e Social , é expectável a seguinte evolução da economia: Tabela 19 - Principais Indicadores Macroeconómicos Real 2013 PL 2013* 2014* PIB Nominal (Milhões de US$) Taxa de crescimento (%) PIB Per Capita (US$) Taxa de Inflação média anual (%) RIL (Meses de Cobertura de import.) Exportações (Milhões de US$) População (Milhares de Hab) *Previsão 73 Fonte: Proposta do Plano Económico e Social

120 Plano Económico e Social Prioridades Estratégicas para o país O PES ( ) define o enquadramento estratégico de longo prazo estabelecido pela Estratégia Nacional que fixa as Grandes Orientações para o Desenvolvimento de Moçambique, destacando-se: 1. Crescimento económico de 8.0%; 2. Taxa de inflação média anual de 5.6%; 3. US$ milhões em exportações de bens, correspondendo a um crescimento de 21%, comparativamente ao montante previsto para 2013; 4. Constituição de reservas internacionais líquidas no montante de US$ 320 milhões, passando para um saldo de US$ 3 mil milhões, correspondente a 3,7 meses de cobertura das importações de bens e serviços; 5. Prosseguir com a criação de oportunidades de emprego e de um ambiente favorável ao investimento privado e desenvolvimento do empresariado nacional, salvaguardando, no entanto, uma correta gestão do meio ambiente; 6. Melhorar em quantidade e qualidade os serviços públicos de educação, saúde, água e saneamento, estradas e energia; 7. Prosseguir com a consolidação de uma Administração Local do Estado e Autárquica, pautada pelo serviço do cidadão. 1. População e desenvolvimento social O Governo pretende diminuir as disparidades económicas e sociais, nomeadamente em termos de condições de acesso à saúde e educação oferecidas à população, que têm um impacto direto no Índice de Desenvolvimento Humano ( IDH ) publicado pelas Nações Unidas. Em 2013, Moçambique encontra-se na posição 185, dentre 187 países no IDH, sendo no entanto o país que tem vindo a apresentar índices de crescimento mais elevados desde o ano de Porém, com níveis de escolaridade mínimos, esperança média de vida e riqueza muito baixos, Moçambique apenas se situa à frente do Níger e da República Democrática do Congo. Um IDH médio é a meta do Governo para 2017 na SADC. A África do Sul, o Botsuana, a Namíbia ou a Suazilândia são exemplos de países que já registam um IDH médio. Tabela 20- IDH Moçambique (PNUD Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Evolução desde 2000) Indicador IDH Fonte: Nações Unidas A melhoria do indicador assenta, nomeadamente, no crescimento do PIB, sendo classificado como Baixo. Para atingir o objetivo proposto será necessário efetuar investimentos significativos no setor da educação primária e cuidados de saúde primários, o que implicarão investimentos por parte do Governo, contemplados nas previsões orçamentais. 2. Estabilidade e Regulação Macroeconómica O Governo tem vindo a promover a condução coordenada das políticas fiscais, monetária e cambial, acentuando o papel da Programação Financeira como instrumento balizador da articulação entre o Ministério das Finanças e o Banco de Moçambique, tal é atestado pelas organizações internacionais que acompanham o desenvolvimento da economia (FMI, Banco Mundial). 120

121 Gráfico 65 - Taxa de Inflação - valores reais e estimativas Taxa de Inflação Média Anual (%) OE * 2015* 2016* *Previsões Depois de em 2012 a taxa de inflação ter tido uma variação média anual de 2,1%, registou-se nos primeiros meses de 2013 a aceleração da taxa de inflação. As expectativas do Governo são consistentes com a previsão do Banco de Moçambique, podendo o país alcançar uma inflação média anual de 6.5% determinada pelo desenvolvimento da atividade económica mundial, pela pressão de preços na Economia (dado o incremento da procura de recursos) e pela política financeira do Banco Central de Moçambique, uma política acomodatícia/expansionista. 3. Promoção do Crescimento Económico, do Aumento do Emprego e de Diversificação Económica 3.1 Diversificação da Estrutura Económica Nacional As projeções do governo de Moçambique não apontam para alterações muito significativas na estrutura produtiva por setores, excetuando um incremento de peso da indústria extrativa e dos serviços financeiros no PIB. No entanto, atendendo ao elevado crescimento previsto da Economia, tal implica uma evolução positiva da globalidade dos setores, demonstrando a existência de oportunidades para diversos agentes privados. Entende-se que a projeção apresentada é conservadora, podendo vir a verificar-se um maior peso dos setores que suportam a cadeia de valor da indústria extrativa, sendo esses os que gerarão maiores oportunidades. Tabela 21 - Objetivo do Ministério da Planificação e Desenvolvimento Ministério das Finanças: Previsão da contribuição setorial do PIB 74 Indicadores dos objetivos 2016 Indicadores Ano base Metas Agro-pecuário e silvicultura 23.4% 22.6% 22.9% 22.5% 22.3% Pesca 1.4% 1.4% 1.3% 1.3% 1.2% 74 Ministério da Planificação e Desenvolvimento - Ministério das Finanças (Cenário Fiscal de Médio Prazo ) 121

122 Indicadores dos objetivos 2016 Indústria extrativa 1.7% 2.0% 2.2% 2.5% 2.4% Indústria transformadora 12.0% 11.9% 11.5% 11.1% 10.9% Eletricidade e água 4.5% 4.5% 4.4% 4.5% 4.5% Construção 3.4% 3.5% 3.6% 3.6% 3.7% Comércio 11,1% 11.1% 11.2% 11.3% 11.4% Restaurante e hotéis 1.4% 1.4% 1.4% 1.4% 1.4% Transporte e comunicações 12.3% 12.4% 12.5% 12.7% 12.9% Serviços financeiros 5.6% 6.2% 6.3% 6.7% 7.1% Alugueres de imóveis e serviços de empresas 5.8% 5.5% 5.2% 4.9% 4.6% Administração pública e defesa 3.8% 3.8% 3.9% 3.9% 3.9% 3.2 Promoção do Emprego e Capacitação e Valorização dos Recursos Humanos Nacionais O crescimento económico que se tem verificado em Moçambique tem permitido a diminuição da pobreza. A paz e estabilidade políticas e sociais sentidas presentemente no país são, simultaneamente, uma consequência desse processo e um fator de reforço destas circunstâncias. A Estratégia de emprego e formação profissional em Moçambique pretende dar uma contribuição para a redução do desemprego e diminuição do nível de pobreza da população moçambicana. Em relação ao mercado de trabalho continua a persistir um desequilíbrio entre oferta e procura conduzindo a uma elevada taxa de desemprego (próxima dos 19%, segundo o INE de Moçambique). Este desequilíbrio resulta da incapacidade da Economia em gerar postos de trabalho necessários a acomodar (i) o crescimento populacional; (ii) o elevado abandono escolar; e (iii) a reduzida oferta educativa. Acresce que as diversas avaliações do impacto das estratégias de redução da pobreza anteriores revelam que a pobreza não sofreu alterações significativas no período 2005 a Residindo um dos principais motivos, tal como reconhecido nas avaliações, no fato dessas estratégias não terem dado prioridade ao setor da agricultura. O modelo económico do país, baseado principalmente no investimento direto estrangeiro em indústrias de capital intensivo, não produziu nenhum efeito sobre a taxa de desemprego desde a última medição em 2004, permanecendo a taxa em 18,7%. Este é um vetor de desenvolvimento fundamental por assegurar uma melhor distribuição do rendimento gerado, para incrementar a atratividade de investimento estrangeiro e por permitir minorar o risco de instabilidade social (e acima de tudo, ser a melhor forma de assegurar a melhoria da qualidade de vida da população). 122

123 Emprego em Moçambique O crescimento económico Moçambicano não teve uma proporcional repercussão na criação e na alteração da estrutura de emprego. O país continua a ter a sua base de emprego em trabalhadores rurais de baixa produtividade e valor acrescentado. Os dados de emprego urbano também não são positivos. É no entanto expectável que, especialmente devido ao aumento na produção de carvão e à correção do problema de falta de crédito para a Economia, que o número de postos de trabalho e a estrutura de emprego seja melhorada, especialmente no longo prazo. Distribuição da força de trabalho por status de emprego 96/97 02/03 04/05 08/09 Totalmente empregado Urbano Sub empregado Trabalho+ Estudos Desempregado Totalmente empregado Sub empregado Rural Trabalho+ Estudos Desempregado Nota: A coluna final indica a diferença absoluta entre 2008/2009 e 1996/1997 Fonte: Poverty is not being reduced in Mozambique, Open Research Online, 2010 Programa redução da pobreza em Moçambique Nos últimos anos, Moçambique registou um clima de estabilidade macroeconómica que favoreceu o crescimento económico e o desenvolvimento social. Mas, apesar do referido, o impacto na redução da pobreza tem sido mínimo. Deste modo, o governo tem vindo adotar desde 2000 uma série de políticas articuladas, com vista à redução da pobreza, nomeadamente, o Plano de Ação para a Redução da Pobreza (PARP ). Este programa de médio prazo tem como objetivos o aumento da produção agrícola, a promoção do emprego associado ao desenvolvimento das pequenas e médias empresas (PME) e o investimento em desenvolvimento humano e social. Conta com o apoio do Banco de Desenvolvimento Africano e do Banco Mundial, que no âmbito do Crédito de Apoio à Redução da Pobreza (PRSC) vai conceder um empréstimo de 110 milhões. A Agência Francesa de Financiamento contribui também para o PARP, sendo o montante da subvenção entre igual a 10 milhões. A percentagem de população que pode ser considerada pobre, em termos de propriedade e consumo, atinge ainda níveis extremamente elevados (40%) tendo tido uma evolução praticamente nula desde 2002/2003 até 2008/

124 USD em milhões Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP 3.3 Apoio às Exportações 75 Um elemento importante para a sustentabilidade do processo de desenvolvimento de Moçambique reside no seu relacionamento com o exterior. As exportações moçambicanas mantiveram uma estrutura similar entre 2005 e 2011, embora com uma tendência crescente. Gráfico 66 - Evolução das exportações Evolução das exportações por principais produtos 3,500 Crescimento 2005/2011 3,000 Algodão (7%) 2,500 2, , , , ,401 1,480 1, ,160 1, Camarão (10%) Madeira 5% Açúcar 15% Gás 7% Tabaco 27% Energia Elétrica 13% Alumínio 5% Alumínio Energia Eléctrica Tabaco Gas Açucar Madeira Camarão Algodão Outros Outros Fonte: INE Moçambique. Não inclui a totalidade dos produtos, pelo que não concilia com a informação da UNCTAD. Tabela 22 - Objetivo do PND : Exportações Indicadores dos Objetivos 2016 Indicadores Ano base Metas Exportações (Milhões de US$) Fonte: Ministério da Planificação e Desenvolvimento- Ministério das Finanças (Cenário Fiscal de Médio Prazo ) Os objetivos propostos pelo governo apontam para um crescimento anual das exportações na ordem de 8%. Atendendo aos valores históricos, crescimento de 9% entre , e dado este assentar no desenvolvimento da indústria extrativa, as projeções do Governo parecem atingíveis (e consequentemente, a materialização do crescimento, progresso e desenvolvimento do país). 75 Moçambique Overview perspetivas económicas para PLMJ 124

125 4. Reforço do Posicionamento de Moçambique no Contexto Internacional e Regional, em particular na União Africana e na SADC 76 As opções estratégicas relativas ao posicionamento de Moçambique no contexto internacional e regional encontram-se expressas no plano quinquenal do Governo , dando ênfase à sua ambição em ter um papel crítico no desenvolvimento integrado da SADC, nomeadamente através de: Reforço da posição na SADC; Apoio à inserção competitiva na economia global, via: o o o o Aprofundamento da coordenação com os Bancos Centrais da região da SADC, com vista à harmonização de políticas e objetivos de convergência macroeconómica; Assegurar a implementação dos Protocolos e outros instrumentos da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC); Defesa dos interesses nacionais no âmbito da defesa da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC); Estreitamento da cooperação entre o governo e as instituições responsáveis pela segurança interna dos Países Membros da SADC e da CPLP. A prossecução dos objetivos da Política de Reforço do Posicionamento de Moçambique no Contexto Internacional e Regional será concretizada através do desenvolvimento das seguintes ações prioritárias: a) Participação no processo de criação da União Aduaneira da SADC; b) Identificação das várias potencialidades do país para beneficiar das oportunidades no âmbito da integração regional; c) Promover iniciativas para a diversificação de exportações; d) Mobilização de fundos para apoio à produção e promoção das exportações; e) Reforço da implementação e execução dos acordos comerciais; f) Assegurar o envolvimento do setor privado na formulação de posições negociais. Moçambique é um dos países da CPLP no qual a estratégia de desenvolvimento formalizada pelo governo dá maior preponderância à sua integração numa comunidade económica regional. Moçambique reconhece que tem um papel relevante na região e que a sua integração, juntamente com o desenvolvimento da sua indústria extrativa, formarão as bases de um crescimento sustentado. Os investidores da CPLP deverão alavancar as suas oportunidades na vontade expressa do governo de Moçambique, desempenhando um papel ativo na prossecução da estratégia definida. 76 Fonte: Plano quinzenal do Governo

126 3.3. Estrutura produtiva PIB por setor Moçambique iniciou uma alteração, para muitos observadores, uma transformação, partindo de uma economia de base agrícola e assente em setores tradicionais, para uma economia com maior preponderância da indústria extrativa e serviços financeiros A vantagem de first mover pode vir a ser explorado por investidores privados, que anteciparão/antecipem as tendências económicas. Gráfico 67 - Produto Interno Bruto por setor Moçambique 1.40% 3.50% 15.40% 3,70% 4,10% 4.30% 9.00% 14.60% Moçambique PIB por setor Agricultura, pecuária, silvicultura e pescas Comércio e serviços de reparação Indústria transformadora e construção 29% Transportes e comunicações Alug. Imob.e serviço prest. emp. Eletricidade e água Educação 15.50% Serviços financeiros Indústria de extração mineira Outros A estratégia de Moçambique assenta no desenvolvimento e incremento da competitividade, com crescente integração nos espaços CPLP e SADC, podendo para o efeito desempenhar uma papel de role model neste estudo, e, acima de tudo, funcionar como facilitador para investidores da CPLP na região. PwC Fonte: INE de Moçambique, FMI, Setor empresarial do Estado Conforme referido, o Estado exerce um papel preponderante na economia e a dimensão do setor público empresarial assim o atesta. Muitas das empresas públicas operam no mercado em situação monopolista em setores estratégicos, nomeadamente: transportes aéreos e ferroviários, energia e água, combustíveis e seguros. Estima-se que existam cerca de 130 empresas estatais. Apesar de Moçambique ter conduzido, nos anos 90, o programa de privatização mais ambicioso de África, os resultados ficaram aquém do esperado, em termos de investimento, de produção nacional e de criação de emprego. Não são expectáveis privatizações nos próximos anos. As principais empresas do setor empresarial do estado são: A MCEL, uma empresa pública no setor de telecomunicações. É líder em telecomunicações móveis em Moçambique. Possui mais de 3 milhões de clientes em todo o País, sendo a sua quota de mercado avaliada em 70%. 126

127 No setor dos Transportes, o estado detém a Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), responsável por gerir os sistemas ferroviário e portuário moçambicanos. A Petromoc, distribuidora estatal de derivados do petróleo; A Electrotec, uma empresa líder em infraestruturas de distribuição de energia elétrica em todo o país. Nesta fase encontra-se focalizada na construção e na reabilitação de redes de média e baixa tensão. A Eletricidade de Moçambique (EDM), uma empresa também no setor de energia caraterizada pela exploração dos serviços de produção, transporte, distribuição e comercialização de energia elétrica. No âmbito do desenvolvimento da sua atividade, a sociedade detém cinco centrais hidroelétricas no país e seis centrais térmicas. O setor empresarial do estado, no sentido mais tradicional, encontra-se estabilizado. No entanto, como consequência da descoberta de recursos minerais e a necessidade de desenvolvimento de infraestruturas, o Governo tem desenvolvido formas alternativas de manter a sua presença na economia, nomeadamente através de contratos de concessão e/ou contratos de parcerias público-privadas. Lei das empresas Públicas As empresas públicas moçambicanas têm vindo a desempenhar um papel crescente seja através da gestão direta, seja através de Parcerias Público-Privadas, com empresas nacionais e internacionais. A recente Lei das Empresas Públicas (Lei n.º6/2012, de 8 de fevereiro, LEP ), visou adequar o regime jurídico às prioridades estatais quanto à gestão do setor empresarial. Cumpre destacar que a LEP introduz um regime transitório, com um prazo de 90 dias para a revisão dos atuais estatutos das empresas públicas, após o qual prevalecerá o regime previsto pela LEP. A regulamentação, a ser ainda aprovada pelo Governo, deverá fixar, entre outros aspetos, o modelo de Estatutos a adotar por este tipo de empresas, as competências e o funcionamento das tutelas financeira e setorial, bem como o modelo e conteúdo dos contratos-programa. Presentemente, e desde de fevereiro de 2012, as empresas públicas passam a estar unicamente sujeitas à tutela setorial e financeira, afastando-se do regime anterior que estabelecia a subordinação destas ao Estado. A tutela setorial fica agora a cabo do Ministro, ou dirigente responsável pela atividade objeto da empresa, mantendo-se a tutela financeira no Ministro que tem a seu cargo a área das Finanças. Atento o acima exposto, são as próprias empresas públicas que administram e dispõem dos bens que integram o seu património, respondem pelas suas dívidas, gerindo ainda os bens de domínio público estatal afetos às atividades a seu cargo. De notar que a LEP prevê ainda a possibilidade do Conselho de Ministros formular orientações estratégicas para as empresas públicas no seu conjunto. Para além das disposições constantes da LEP, o regime jurídico do setor empresarial do país será complementado pelos diversos instrumentos disponíveis para a gestão e desenvolvimento das atividades deste setor, como é o caso da Lei das Parcerias Público-Privadas. 127

128 3.4. Aproveitamentos hídricos e recursos naturais Os principais aproveitamentos hídricos e recursos naturais de Moçambique são (1) a produção hidroelétrica (Cahora Bassa), (2) gás natural, (3) carvão (Moatize), e (4) petróleo (ainda em desenvolvimento). Recursos hídricos e aproveitamentos hidroelétricos Moçambique tem uma grande capacidade de produção hidroelétrica através da Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB). A Eletricidade de Moçambique (EDM) é a empresa pública que adquire a quase totalidade da eletricidade da HCB. A EDM detém apenas uma pequena central térmica a gás, perto de Vilanculos, e a distribuição à fábrica de alumínio MOZAL, que é o maior consumidor de energia no país (cerca de 85% do consumo do setor industrial) é feita através da Motraco, a partir da África do Sul, com energia importada da HCB. A inexistência de uma rede de transporte e distribuição com cobertura global do território conduz a um elevado volume de trocas de energia com África do Sul, uma área atualmente em desenvolvimento. Tabela 23 Energia Energia Mwh ºT 2011 Produção Importação Consumo Interno Exportações Fonte: Manual do Empreendedor_Versão2011, Estudo Realizado pela CESO CI Portugal para a AIP - Feiras, Congressos e Eventos no âmbito do QREN De forma a responder a uma procura crescente de energia por parte de alguns países da região, particularmente da África do Sul, e também a um aumento da procura interna (atendendo à progressiva eletrificação do território e incremento da base industrial), existem vários projetos em curso para a produção de eletricidade, conforme referido à frente neste estudo. Gás Natural Moçambique possui mais de 2,8 mil milhões de metros cúbicos de reservas de gás, comparáveis às reservas do Iraque. Futuramente, a gestão desses recursos naturais determinará o estado de desenvolvimento do país. De acordo com estimativas dos organismos internacionais, os rendimentos provenientes do gás natural poderão reduzir substancialmente a dependência da ajuda internacional. A dimensão e a qualidade do gás natural descoberto justifica o estudo sobre o desenvolvimento, em larga escala, de um projeto de GNL, eventualmente no distrito de Palma, Norte da Província de Cabo Delgado, vocacionado para os mercados nacional, regional e internacional. Segundo o presidente do Instituto Nacional de Petróleo, Arsénio Mabote, Moçambique possui mais de 2,8 biliões de metros cúbicos de reservas de gás natural. De acordo com dados oficiais, o país estaria em 14 lugar entre os países mais ricos do mundo em gás natural 128

129 Moçambique poderá vir a tornar-se, em 2018, no segundo maior exportador de gás natural de África, apenas atrás da Nigéria, podendo vir a colocar-se entre os detentores das dez maiores reservas de gás natural à escala mundial. 77 O mapa seguinte ilustra as regiões com maior potencial: Figura 25 - Potencial de gás natural em Moçambique Bacia do Lago Niassa Bacia do Maniamba Descoberta Anadarko e ENI Bacia do Rovuma Graben do médio Zzambeze Graben do baixo Zambeze Bacia de Moçambique Campos de Pande e Temane Legenda Região 1 Costa do Rovuma Norte Região 2 Costa do Rovuma Sul Região 3 Costa do Rovuma Região 4 Bacia do Maniamba Fonte: Banco Mundial Região 5 Costa central Região 6 Sul e Oeste interior Região 7 Costa Sul 77 African Economic Outlook 129

130 Tabela 24 - Principais Multinacionais com Investimentos na Indústria Extrativa - Gás Empresa Companhia Moçambicana de Hidrocarbonetos (CMH) Sasol Petroleum Temane Empresa Nacional de Hidrocarbonetos Anardarco Moçambique Buzi - Hydrocarbons ENI East Africa SPA Mineral Gás Gás Gás Petróleo / Gás Gás Gás Fonte: Manual do Empreendedor_Versão2011, Estudo Realizado pela CESO CI Portugal para a AIP - Feiras, Congressos e Eventos no âmbito do QREN Carvão No setor do carvão, Moçambique é considerado um dos países com maior potencial a nível mundial. O carvão é considerado um recurso de extrema importância para o país, devido à sua grande procura no mercado internacional, particularmente pela China, Brasil, a Índia, o Japão e a Coreia do Sul. A maioria dos recursos Moçambicanos de carvão está localizada na província de Tete, estando também referenciados nas províncias de Manica e Niassa. Os recursos de carvão existem dentro de três bacias: Moatize; baixo Zambeze, e Mucanha-Vusi. Depósitos de carvão foram igualmente confirmados nos distritos de Changara, Cahora Bassa, e áreas de Magoe dentro da província de Tete, como resultado da recente atividade de exploração. Na área do carvão, Moçambique é considerado um dos países com maior potencial, a nível mundial, e tudo indica que em breve terá uma posição de relevo na arena internacional como produtor e exportador deste recurso mineral Grandes empresas internacionais como a brasileira Vale (Moatize), a australiana Rio Tinto (Benga e Zambeze), as britânicas Ncondezi Coal Company (Ncondezi) e Beacon Hill Resources Minas de Moatize (Moatize), a JSPL da Índia (Changara), a Eta Star do Dubai (Moatize), a ENRC (Cahora Bassa), Minas de Revubuè Talbot/Nippon Steel (Revubué) estão a operar em Moçambique. Tabela 25 - Principais Multinacionais com Investimentos na Indústria Extrativa - Carvão Empresa Vale Moçambique Ltd Minas Moatize Rio Tinto Mineral Carvão Carvão Carvão Fonte: Manual do Empreendedor_Versão2011, Estudo Realizado pela CESO CI Portugal para a AIP - Feiras, Congressos e Eventos no âmbito do QREN Petróleo O potencial do setor petrolífero em Moçambique encontra-se ainda por explorar, sendo uma das bases da estratégia do setor energético do país. Recentemente, a empresa americana Anadarko Petroleum Corporation detetou a existência de hidrocarbonetos na bacia do Rio Rovuma, mas no entanto não se sabe se este recurso tem ou não viabilidade comercial. 130

131 O petróleo encontra-se localizado a mais de 5 mil metros de profundidade, equivalente à da camada do pré-sal na costa Brasileira. Foi localizado a 30 kms da costa do Oceano Índico, na província de Cabo Delgado, que faz fronteira com a Tanzânia Infraestruturas e energia O estado das infraestruturas em Moçambique Em termos geográficos, Moçambique possui uma localização privilegiada e estratégica. Moçambique está localizado na costa oriental de África e partilha fronteira com a Tanzânia, a norte, com a Zâmbia e Maláui, a noroeste, com o Zimbabué a oeste, com a África do Sul e Suazilândia, ao sul, e é banhado pelo Oceano Índico, a leste. Figura 26 - O Estado das Infraestruturas em África - Moçambique Fonte: Africa gearing up, PwC

132 A sua posição estratégica é atestada pela pelo número de corredores, vitais à Africa Austral, que cruzam o território (e que se entram desenvolvidos nesta seção). A deterioração das infraestruturas devido i) a manutenção imprópria, ii) danos provocados pela guerra civil nunca reparados, e iii) o acréscimo de procura das infraestruturas por uma indústria extrativa em crescendo, exige de Moçambique uma alocação de recursos aos denominados megaprojetos. Fonte: Banco Mundial A descoberta recente de abundantes recursos naturais com elevada procura nos mercados internacionais poderá ditar o desenvolvimento de Moçambique nos próximos anos. Tendo como comparativo a evolução das economias semelhantes, será expectável um enviesamento da estrutura produtiva do país, em favor da exploração dos recursos naturais e um claro desenvolvimento das infraestruturas e serviços de apoio (materialização da dutch disease ) e consequentemente uma pressão sobre os preços. O efeito na população, através do aumento de rendimento dependerá da velocidade do efeito de trickle down. O governo terá um papel primordial em gerir os impactos na economia. 132

133 Energia 78 Moçambique tem efetuado investimentos no setor energético desde 2001, data da aprovação do Plano Estratégico de Eletrificação ( ). Possui diversas zonas geográficas onde se concentra a produção de energia, coincidentes com as regiões onde existem aglomerados populacionais, localizados sobretudo nas zonas Sul-Centro e Sul do país. Para o crescimento da produção de energia têm contribuído a construção de infraestruturas de transporte e de distribuição. Os custos com energia comparam positivamente na região Subsaariana. Gráfico 13 - Os custos de produção de energia elétrica em Moçambique em perspetiva 79 Apesar de Moçambique possuir um grande potencial hidroelétrico, que poderá constituir o ponto de partida para o desenvolvimento do mercado energético regional, ainda subsiste uma parte muito considerável da população que não possui acesso à eletricidade. O Ministério da Economia de Moçambique está a desenvolver uma estratégia de desenvolvimento de energias novas e renováveis (EDNR) para o período de , tornando-se assim um dos países da SADC que lidera os esforços na utilização da energia renovável. Desafios do setor Os principais desafios que se colocam no setor energético são a criação de condições para aumentar o acesso a formas de energia de modo a contribuir para a diminuição da pobreza e para melhorar das condições de vida dos moçambicanos, como seguidamente se descreve melhor: Desenvolvimento do acesso à energia. A melhoria da atratividade do setor para potenciais investidores implicará a definição de uma regulamentação credível, assente num regulador eficiente que assegure o seu efetivo cumprimento. As empresas Portuguesas apresentam competências significativas na cadeia de valor, sendo a presença em Moçambique relevante. É um setor a continuar a explorar. PwC 78 Fontes: African Infrastructure Country Diagnosis (AICD) - As Infraestruturas de Angola: Uma perspetiva continental, Março 2011 Proposta do PES Fonte: Áfrican Infrastructure Country Diagnosis (AICD) - As Infraestruturas de Angola: Uma perspetiva continental, Março 2011 Baseado em Briceño-Garmendia e Shkaratan (2010-); baseado em dados de Os custos de Angola são baseados em estimativas feitas pela SFI e relativos a kwh = kilowatt-hora 133

134 Tabela 26 - Indicadores de energia elétrica de Moçambique Unidade Acesso nacional à eletricidade % da população 6,6 8,1 9,4 Acesso urbano à eletricidade % da população 25, Acesso rural à eletricidade % da população 2,1 1,1 1,7 Fonte: República de Moçambique, Ministério da Energia O das populações rurais à energia é praticamente inexistente, muito embora se tenha registado uma melhoria de cobertura nas zonas urbanas. Este aspeto é fundamental para permitir maior equidade entre as populações e regiões, e de forma a incentivar o desenvolvimento das zonas rurais: Melhoramento da sustentabilidade financeira do setor, através de um modelo de regulação apropriado Aproveitamento das oportunidades oferecidas pelo comércio energético na região dependendo da capacidade de interligação com as redes elétricas das restantes Economias Transportes 80 A posição geoestratégica de Moçambique só poderá ser efetivamente explorada, e desta forma o comércio regional incentivado, com infraestruturas de transporte adequadas e recorrentemente mantidas, nomeadamente aquelas que servem os denominados corredores. No entanto, as infraestruturas de transportes continua a ser um dos setores que apresenta mais desafios em Moçambique. O Plano Económico e Social 2014 (PES 2014) prevê uma taxa de crescimento de 13,6% ao nível do setor dos transportes rodoviários, ferroviários e dos serviços de auxílio aos transportes (manuseamento portuário, serviços de dragagem e serviços portuários). Tabela 27 - Transportes e comunicações Taxa de crescimento 81 Designação BL 2012 Prev 2013 PL 2014 Ferroviária 96,9 0,0 36,5 Rodoviário 8,9 4,7 13,3 Oleodutos e gasodutos 28,2 7,1 8,7 Transportes por água 80,3 (49,2) 73,4 80 African Infrastructure Country Diagnosis (AICD) - As Infraestruturas de Angola: Uma perspetiva continental, Março 2011, Proposta do PES

135 Designação BL 2012 Prev 2013 PL 2014 Transportes aéreos 6,0 59,2 21,3 Serviços anexos e auxiliares dos transportes 25,8 19,5 24,0 Comunicações 15,7 2,9 1,4 TOTAL 14,2 6,7 13,6 Transportes aéreos O PES 2014 prevê um crescimento de 21,3% no setor dos transportes aéreos como consequência do reforço da frota de aviões, através da aquisição de dois aviões em 2013 (Aviões Embraer 145) em Tete e Nampula. Tal permitindo o reforço das ligações ao nível regional. Encontra-se previsto igualmente o reforço das Linhas Aéreas de Moçambique ( LAM ) e a abertura do tráfego internacional no aeroporto de Nacala. De acordo com a Aeroportos de Moçambique, EP, existem 10 aeroportos em Moçambique, 5 dos quais internacionais. Apesar disso, todos os 486 voos internacionais realizados em 2010 tiveram como partida, ou destino, Maputo. As principais companhias aéreas a operar no aeroporto de Maputo são a LAM (a companhia aérea de bandeira), a TAP, a South African Airlines, a South African Express, Kenya Airways, Ethiopian Airlines e a Qatar Airways. Em 2012, o número de passageiros transportados pela LAM atingiu , um acréscimo de 9% face a Através da Aeroportos de Moçambique, EP, tem sido realizada uma aposta na modernização e melhoramento das infraestruturas aeroportuárias, com obras realizadas no aeroporto internacional de Maputo, no aeroporto internacional de Nampula, no aeroporto internacional de Vilanculo, entre outros. 135

136 Desafios do setor O Setor da indústria aérea enfrenta desafios recorrentes como seja a elevada rivalidade dos players e o aumento do preço dos combustíveis. A abertura de um segundo aeroporto internacional em Moçambique poderá libertar capacidade do aeroporto de Maputo e incrementar o nível de eficiência das operações aeroportuárias. Portos e transportes ferroviários As condições geográficas de Moçambique, com a sua extensa costa marítima por um lado, e por fazer fronteira com vários países sem ligação marítima (Maláui, Zimbabué, Suazilândia, e também com a Zâmbia, via Maláui) por outro, conduzem à oportunidade/necessidade de uma forte integração das redes de transportes, especialmente no que diz respeito aos portos e transportes ferroviários. Desta forma, exige-se análise conjunta destas redes. O setor ferroviário é constituído por Km, existindo três redes ferroviárias fundamentais. Cada uma destas redes serve um dos três principais portos marítimos do país (Nacala no Norte, Beira no Centro e Maputo no Sul), como abaixo se descreve: Corredor de Nacala que compreende o Porto de Nacala e a linha ferroviária de Nacala que liga o porto de Nacala aos caminhos-de-ferro da África Central e Oriental do Maláui; Corredor da Beira que compreende o Porto da Beira, a linha de Machipanda, da Beira até Harare, Zimbabué, e Zâmbia (linha reaberta em outubro de 2013, após 25 anos de inatividade) e a linha do Sena que liga o Porto com os campos de carvão de Moatize; Corredor de Maputo que compreende o Porto de Maputo, a linha Ressano Garcia que liga Maputo a África do Sul, a linha de Limpopo, do Porto de Maputo até ao Zimbabué e a linha de Goba que liga Maputo à linha Ferroviária Suazilandesa. Figura 27 - Corredores ferroviários em Moçambique Fonte: Banco Mundial Os corredores já existentes pretendem ser complementados com 3 novos corredores, conforme ilustrado no mapa anterior. - Corredor do Libombo, liga Maputo à Africa do Sul, junto à costa. - Corredor de Lichinga, via terrestre que liga o porto de Pemba a Lichinga - Corredor de Mueda, complementa os corredores de Lichinga e Nacala 136

137 Para suportar os corredores referidos, as principais infraestruturas existentes são: A. Linhas férreas Tabela 28 - Principais linhas férreas de Moçambique Região Linha Porto Destino Linhas (km) Sul Ressano Garcia Maputo África do Sul 88 Sul Goba Maputo Suazilândia 74 Sul Limpopo Maputo Zimbabué 534 Centro Machipanda Beira Zimbabué 314 Centro Sena Beira Moatize 625 Norte Cuamba Nacala Maláui 600 Fonte: Ministério dos Transportes e Comunicações de Moçambique Investimentos no setor Estão a ser realizados significativos investimentos no setor, em variados projetos, dos quais se destacam: Construção de uma nova linha entre Moatize, na província de Tete, e Macuse na costa da Zambézia; Construção de um porto de águas profundas na Zambézia; Duplicação da capacidade de escoamento de carga da linha do Sena; O governo moçambicano e a empresa Thai Moçambique Logística assinaram ( ), dois contratos de concessão para a construção do terminal portuário de Macuse, na província central da Zambézia, e da linha férrea que liga aquela região à bacia carbonífera de Moatize, na província central de Tete. Rubricaram os acordos o ministro dos Transportes e Comunicações, Gabriel Muthisse, em representação do governo moçambicano, e Premchai Karnasuta, pela companhia Thai Moçambique Logística. Construção de uma nova ponte sobre o rio Umbeluzi, na linha de Goba; Construção de um troço de 250 quilómetros, e reparação de 580 quilómetros da linha de caminho-deferro de Nacala. A integração dos corredores, em pleno funcionamento, diminuirá de forma significativa as distâncias na região e aproximará as economias, funcionando Moçambique como plataforma em competição com a África do Sul. Uma aspiração legítima. Desafios do setor O valor total de ambas as obras está orçado em cinco biliões de dólares, com arranque previsto para 2016 e duração de cinco anos. A linha-férrea terá uma extensão de 525 quilómetros. Jornal O País, 16 de Dezembro 2013 O desafio que se tem colocado neste setor tem sido a diminuição do número de passageiros e de carga transportada que se tem verificado. Esta diminuição poderá ter ocorrido devido à deterioração das linhas ferroviárias e à falta de capacidade dos vagões. 137

138 Eficiência Capacidade Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP Os corredores ferroviários demostram a relevância geoestratégica de Moçambique na região. Uma manutenção adequada, e mesmo o seu desenvolvimento, poderão ser um fator determinante no processo de integração da SADC. A linha ferroviária, se adequadamente explorada, assim como a diminuição das atuais barreiras não alfandegárias poderão dinamizar as trocas comerciais na região, bem como permitir uma maior eficiência no desenvolvimento das cadeias de valor na região. B. Portos Relativamente ao setor marítimo, este tem tido um papel fundamental na economia moçambicana, devido não só, à atividade portuária, parte integrante dos corredores, mas também ao setor das pescas, um setor com elevadas oportunidades em Moçambique. Os principais portos do país encontram-se a ser operados por consórcios privados, sendo que os Caminhos de Ferro de Moçambique detêm uma participação de 49%, nos mesmos. Em junho de 2010 a concessão para exploração do porto de Maputo foi estendida por mais 15 anos. Em termos de eficiência e de competitividade de preços, os portos moçambicanos competem bem com os restantes portos do sudeste africano. Moçambique possui sete portos dos quais se destacam três: Tabela 29 - Comparação da capacidade e eficiência dos portos da região País Moçambique Angola Madagáscar Namíbia África do Sul Porto Maputo Beira Nacala Luanda Toamasina Walvis Bay Durban Cidade do Cabo Capacidade movimentados (TEU*/ano) Capacidade do contentor (TEU*/ano) Capacidade de carga geral (toneladas/ano) Capacidade de carga a granel (toneladas/ano) Tempo de espera do contentor (dias) Tempo de processamento de camião (horas) , n.d n.d. n.d. n.d n.d ,8 6,5 14 3,5 3 4,8 5 Produtividade de grua (contentores/hora) Produtividade de grua (toneladas/hora) n.d. 6,5 n.d. n.d ,5 n.d n.d

139 Manuseamento Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP Carga de contentor (navio até ao portão, $/TEU*) N/A Carga geral ($/ tonelada) Secos a granel ($/tonelada) 6 6,5 6,7 8, n.d. 8, ,5 n.d ,3 1,4 Líquidos a granel 0,5-1,0 0,8 1 n.d. n.d. 2 0,4 n.d. ($/tonelada) Fonte: AICD Mozambique Country Report *TEU Unidade equivalente a 6,1 metros. Porto de Maputo O Porto de Maputo é o segundo maior porto da costa oriental de África. A carga manuseada passou de 10 milhões de toneladas em 2010 para 15 milhões de toneladas em O objetivo para 2020 é que esse valor atinja 40 milhões de toneladas. A sua importância é especialmente relevante para o comércio internacional com a Suazilândia e para duas das principais cidades industriais da África do Sul (Joanesburgo e Pretória). Entre os principais bens e mercadorias manuseados contam-se o alumínio (Mozal) e viaturas. Porto de Nacala Atualmente, o porto de Nacala processa cerca de 1,3 milhões de toneladas por ano. No entanto, a Vale Moçambique, empresa do grupo brasileiro Vale, responsável pela exploração das minas de carvão de Moatize anunciou que irá investir cerca de US$ 4,5 mil milhões para a construção de um troço de 250 quilómetros e reparação de 580 quilómetros da linha de caminho-de-ferro de Nacala, para escoar o carvão de Moatize pelo porto de Nacala. Complementarmente, estão a ser realizadas obras de construção de um novo porto de águas profundas, que permitirão aumentar a capacidade de processamento para 18 milhões de toneladas por ano. Porto da Beira Estima-se que o terminal possua uma capacidade instalada de processamento de 6 milhões de toneladas por ano. Durante 2012 foram finalizadas as obras de construção de um novo terminal de carvão mineral. O investimento ascendeu a US$ 200 milhões e vai permitir a viabilização das exportações do carvão. A obra RESULTA de uma parceria entre a Vale Moçambique e a Rio Tinto. Estas empresas irão partilhar a capacidade útil daquela infraestrutura, na proporção de 68% para a Vale e 32% para a Rio Tinto. Durante 2013 o porto da Beira sofreu com o desvio de cargas de empresas do Zimbabué, Zâmbia, Maláui e RD Congo, devido à exigência de garantias bancárias na declaração de importações. Desafios do setor O desafio que se tem colocado neste setor tem sido principalmente a baixa capacidade dos portos na obtenção de tráfego, mais especificamente no porto da Beira. 139

140 Transportes rodoviários O setor rodoviário é composto por uma rede de estradas na extensão de kms e tem sido notável a melhoria deste setor nos últimos anos. O esforço de melhoria mantem-se, e em 2013 os projetos em curso cobriam uma extensão de cerca de kms. O PES 2014 prevê um crescimento de 13,3% no setor dos transportes rodoviários como consequência do aumento na procura. Tal como no sector ferroviário, as obras realizadas e programadas visam dar suporte ao desenvolvimento dos três corredores estratégicos de Moçambique. Gráfico 68 - Condições da rede rodoviária principal na África subsariana Fonte: African Infrastructure Country Diagnosis (AICD) - As Infraestruturas de Angola: Uma perspetiva continental, março 2011 Desafios do setor O desafio que se tem colocado neste setor é a baixa extensão territorial da rede rodoviária e a baixa qualidade das estradas rurais. Água e saneamento Moçambique tem feito importantes progressos neste setor, conforme resulta da tabela seguinte. No entanto a margem de progressão é ainda significativa. Este é um aspeto muito relevante dado o impacto que tem no bem- estar da população e, consequentemente, na possibilidade de melhores resultados ao nível de saúde pública e melhoria de classificação no IDH. Tabela 30 - Indicadores hídricos e de saneamento Unidade Acesso à água canalizada % da população 7,0 8,0 8,7 Acesso a pontos de água % da população 19,0 20,6 16,7 140

141 Acesso a poços/furos % da população 47,0 54,7 59,0 Acesso a água de superfície % da população 27,2 16,9 15,6 Acesso a fossa céticas % da população 4,4 2,6 5,5 Fonte: Banco Mundial Desafios do setor: Moçambique registou melhorias neste setor nomeadamente no que toca às formas de abastecimento de água e de saneamento. No entanto, estas melhorias pretendiam-se mais céleres, pois não têm conseguido acompanhar o crescimento e exigência da população. Esta é uma área onde estão previstos investimentos e onde as empresas portuguesas têm competências adquiridas. Tecnologias de informação O setor das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) é um setor emergente em Moçambique, em parte devido à ação do governo moçambicano, que criou uma política para este setor estabelecendo um órgão regulador (o Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique ou INCM), criando um fundo para suportar o serviço universal e liberalizando progressivamente o mercado das telecomunicações. O papel facilitador do governo proporcionou a entrada de novos prestadores de serviços e um aumento da competitividade que originou uma melhoria dos serviços em termos de cobertura, qualidade e preço. Telecomunicações Apesar dos progressos referidos a cobertura das comunicações móveis em Moçambique continua aquém dos restantes países da África Austral. Atualmente, esta indústria conta com 3 grandes players que disputam entre si o mercado: A Mcel, que resultou da cisão da Empresa Pública de Telecomunicações ( TDM ) por imposição do regulador, em O regulador exigiu a separação entre as operações fixa e móvel, que durante muitos anos funcionou como monopolista; A Vodacom, subsidirária do gigante de comunicações inglês Vodafone, domina a rede móvel; A TDM ( Empresa de Telecomunicações de Moçambique) é o principal operador fixo (empresa de capitais públicos). Potencial privatização da TDM Está atualmente em curso no país uma profunda reforma apoiada pelo Banco Mundial no setor das comunicações, com o objetivo primário de melhorar não só o acesso mas também a qualidade deste tipo de serviços, através da criação de um ambiente de negócio propício ao aparecimento de privados que operem eficazmente nesta área, através da privatização da TDM. É também intenção do governo moçambicano que seja reforçada a cobertura nas zonas rurais, com o objetivo destas promoverem os seus produtos mais eficazmente, utilizando novas tecnologias. 141

142 Atualmente, a rede fixa conta com 70 mil assinantes e a rede móvel com 2,7 milhões de utilizadores. É importante também referir o crescimento do setor móvel, que demonstra que a liberalização do setor e consequente aumento da competitividade, com campanhas publicitárias competitivas, e uma competição ao nível do fator preço elevada, fatores estes que produziram um efeito positivo em termos de número de utilizadores. Tabela 31 - Indicadores de acesso às TIC em 2010, Moçambique e outras regiões telefones Indicador Angola Moçambique Namíbia África do Sul Telefones fixos por 100 habitantes 1,6 0,4 6,7 8,4 Telemóveis por 100 habitantes 46,7 30,9 67,2 100,5 Fonte: Angola - Perfil do Sector Privado do País 2012 (Áfrican Development Bank) Internet Um dos grandes desafios que Moçambique tem enfrentado no setor das tecnologias de informação tem sido a internet, na medida em que se encontra pouco desenvolvida especialmente no que diz respeito à receção da Internet e também ao nível da Banda Larga Internacional. O Banco Mundial tem apoiado um projeto de informatização e ligação à rede dos serviços governamentais (programa de EGovernment). Encontra-se em planeamento e desenvolvimento a construção de um cabo subaquático de fibra ótica que liga a parte oriental e meridional de África à Europa e à Ásia, e que permite que a banda larga chegue efetivamente a Moçambique, aumentando a qualidade do serviço de internet prestado aos subscritores e, acima de tudo, permitindo uma redução do preço (que pode chegar até aos 90%). Segundo estudos do Banco Mundial, um aumento das ligações de internet de banda larga permite a criação de emprego, aumento de exportações, e consequentemente a promoção da inclusão social, visto que esta tecnologia serve de base a serviços tais como call-centers ou indústrias baseadas nas comunicações que, com o baixo preço da mão-de-obra local, se poderão estabelecer no país. Este será um desafio muito importante para Moçambique. Tabela 32 - Indicadores de acesso às TIC em 2010, Moçambique e outras regiões internet Indicadores Angola Moçambique Namíbia África do Sul Utilizadores de internet por 100 hab. 10 4,2 6,5 12,3 Percentagem de agregados familiares com computador 7,1 7,5 15,4 18,3 Assinantes de internet de banda larga fixa, por 100 hab 0,1 0,1 0,4 1,5 Subscrições ativas de banda larga móvel por 100 habitantes 5,6 1,5 7,5 16,6 Fonte: Angola - Perfil do Sector Privado do País 2012 (Áfrican Development Bank) 142

143 Desafios Desde o início do processo de liberalização do mercado de TIC em Moçambique que se assiste a um crescimento exponencial neste sector, embora haja ainda margem para diversas melhorias, até porque a população moçambicana ultrapassou ou 25 milhões de habitantes, e a taxa de penetração é de cerca de 1/3. É ainda importante que seja feita uma aposta crescente na utilização de tecnologias de informação por parte das populações fora de Maputo, visto que estas estão demasiado centradas na capital. Este poderá ser um setor a dinamizar, dadas as competências dos investidores estrangeiros. A identificação de um parceiro local com competências complementares é crítica. É importante referir que, devido a acordos comerciais existentes, as importações de países da SADC estão sujeitas a uma taxa de importação de 0%. Há também um acordo com a União Europeia, segundo o qual a importação de telefones para redes móveis e outras redes não está sujeita a tributação aduaneira Grandes projetos de investimento previsto em infraestruturas 82 O crescimento económico que se tem verificado reclama investimentos em infraestruturas (principalmente em torno dos três principais corredores logísticos moçambicanos Maputo, Beira e Nacala). A importância das infraestruturas rodoviárias e ferroviárias moçambicanas deve ser salientada, uma vez que estas possibilitam o acesso ao mar dos países vizinhos sem costa Zâmbia, Zimbabué, Maláui, Suazilândia, República Democrática do Congo e Botsuana. Este tipo de infraestruturas propulsiona ainda o desenvolvimento do interior do país. Em geral, as várias infraestruturas do país precisam de ser melhoradas para fazerem face ao crescimento do país, mostrando-se particularmente premente o investimento em zonas onde existam potencialidades em termos de recursos minerais e agrícolas, por forma a poder potenciar os investimentos efetuados e o respetivo impacto sobre o tecido económico e empresarial moçambicano. Projetos estruturantes de iniciativa pública 83 Energia Tabela 33 - Expansão da capacidade de produção e de distribuição de energia elétrica Objetivo Fazer com que a escassez de energia não constitua um obstáculo ao potencial crescimento da economia. Medidas Políticas Aumentar a proporção da população com energia elétrica Desenvolver as infraestruturas de distribuição elétrica Reforço significativo da capacidade atual do sistema elétrico Desenvolver as energias renováveis (Governo aprovou estratégia com este intuito em maio de 2011) 82 Plano Diretor do Desenvolvimento de Infraestrutura Regional da SADC; BES, Espírito Santo Research, Conjunto Internacional de Oportunidades de Apoio, Moçambique, junho Plano Diretor do Desenvolvimento de Infraestrutura Regional da SADC 143

144 Os principais projetos identificados pretendem responder aos objetivos traçados. Tabela 34 - Projetos previstos em Moçambique no setor energético Projeto Montante (US$ Milhões) Fase I e II das linhas de transmissão da estrutura dorsal em Moçambique Central de energia da margem esquerda de Cahora Bassa 800 Central Hidroelétrica de Mphanda Nkuwa Transportes Tabela 35 - Intervenção profunda ao nível das infraestruturas logísticas em Moçambique Objetivo Medidas Políticas Melhorar a qualidade e a eficiência das infraestruturas logísticas do país Aumentar a capacidade ferroviária e recuperação das principais linhas ferroviárias Construção e modernização dos aeroportos do país Os principais projetos identificados pretendem responder aos objetivos traçados. Tabela 36- Projetos previstos em Moçambique no setor dos transportes Projeto Montante (US$ Milhões) Modernização e expansão do Porto de Nacala 200 Memorando de entendimento assinado com o governo do Maláui, prevendo a construção de uma linha ferroviária entre Moatize e Nacala, atravessando o sul de Maláui Modernização do aeroporto internacional de Maputo Continuação da construção do aeroporto internacional de Nacala Construção de dois novos aeroportos (de Pemba e de Tete) Negociação com o Banco de Desenvolvimento da China para desenvolver o Porto de Nacalaa-Velha n.d. n.d. n.d. n.d. n.d. 144

145 Água e saneamento Tabela 37 - Abastecimento de água e saneamento básico Objetivo Garantir o abastecimento de água e de saneamento básico a um maior leque de cidadãos Medidas Políticas A Estratégia Nacional de Gestão de Recursos Hídricos tem em vista vários objetivos (a curto, médio e longo prazo), de entre os quais se destacam a implementação de critérios para a alocação racional da água, assegurando do uso efetivo e sustentável deste tipo de recursos, o desenvolvimento e a correspondente manutenção das infraestruturas hidráulicas, bem como a mitigação dos impactos das cheias e das secas; A Estratégia Nacional prevê também a expansão dos serviços de saneamento a uma maior percentagem da população. Investimento privado por fonte, Muito embora esta seja uma área muito sensível, não foram identificados projetos significativos. Projetos estruturantes de iniciativa privada 84 Em 2012, o investimento privado aprovado pelo Centro de Promoção de Investimento subiu 11% (totalizando US$ milhões), prevendo-se um aumento para os anos subsequentes. Gráfico 69- Investimento privado por fonte, (em % do investimento privado total aprovado) 37% 6% 57% Empréstimos IDE IDN A influência da China em Moçambique é incontornável, à semelhança da tendência identificada em outras economias Africanas abundantes em recursos naturais. Este é um aspeto em que uma CPLP economicamente ativa se deverá posicionar. 84 Bloomberg; Centro de Promoção de Investimento Privado 145 PwC

146 3.7. Abertura da economia e relações comerciais A economia de Moçambique, embora relativamente pequena, beneficia de uma localização estratégica na SADC, podendo assumir-se como um facilitador do desenvolvimento do comércio regional e da integração económica na região. No entanto, conforme evidenciado no capítulo anterior apresenta ainda um défice de infraestruturas, assim como um nível de burocracia, que não lhe permite usufruir na plenitude deste posicionamento. A sua economia é relativamente aberta e integrada, mas com um constante défice ao nível da balança comercial, o qual influencia consideravelmente o défice externo do país, que necessita de financiar. Tabela 38 - Abertura da economia moçambicana Moçambique Abertura da economia 78,62% 68,10% 70,78% 75,67% 73,84% Taxa de câmbio ($ /MNZ) 24,3 27,52 33,96 29,07 28,37 Inflação 10,33% 3,25% 12,70% 10,35% 4,34% Balança Comercial (em % do PIB) -13,69% -16,72% -14,25% -21,49% -18,47% Balança Corrente (em % do PIB) -12,07% -12,88% -17,09% -19,40% -25,5% Fonte: BES Research 2012 e 2013 base FMI, Bloomberg / African Economic Outlook 2012, Banco Mundial, Trading Economics. O défice da conta corrente externa é elevado e perspetiva-se que assim continue, sendo financiado através de atividades mineiras e relacionadas (por fontes privadas) e também por ajuda internacional. Em Maio de 2011 as autoridades moçambicanas anunciaram a aceitação das obrigações previstas no artigo VIII dos Estatutos do FMI, prosseguindo, faseadamente, com a eliminação efetiva de todas as restrições cambiais existentes sobre pagamentos e transferências relacionadas com transações correntes. O Banco Central de Moçambique tomou ainda a decisão formal de acabar com as práticas de taxas de câmbio diferenciadas, o que constitui um aspeto diferenciador das economias da região Importações No âmbito da CPLP, Portugal e Brasil são os países que mais exportam para Moçambique, tendo vindo a aumentar o seu peso no total das importações moçambicanas, com especial destaque para o crescimento do Brasil. O crescimento das importações do Brasil deve-se, essencialmente, às importações de mandioca (83%), fluxo que em 2012 disparou graças à inauguração de uma destilaria com capacidade de produção de 2 milhões de litros de etanol de mandioca. O peso de Portugal é também crescente (crescimento médio anual das importações de 28% no período em análise). 146

147 Importações (milhões US$) Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP Os restantes países da CPLP não têm um peso significativo nas exportações moçambicanas. Gráfico 16 - Importações moçambicanas da CPLP % 5.05% 5.58% % 104 A CPLP representou, em 2012, 6,46% das importações moçambicanas, com preponderância do Brasil % Portugal Brasil Fonte: UNCTAD, UNCTADstat Figura 28 - Principais importações moçambicanas de Portugal Portugal 5% das importações moçambicanas Fonte: UNCTAD, UNCTADstat,

148 O grupo das máquinas e equipamentos liderou em 2012 as importações moçambicanas de Portugal, seguido pelos livros e brochuras. Em terceiro lugar surgem as partes e estruturas de ferro, aço e alumínio (incluindo para o setor energético). Destaca-se a diferença significativa da estrutura de exportações de Portugal para Moçambique, quando comparada com Angola, onde os bens de consumo em geral têm um peso mais significativo. Os investidores Portugueses deverão antecipar o esperado acréscimo de rendimento disponível em Moçambique e posicionarem-se no sentido de diversificarem a base de exportação, nomeadamente ao nível de bens de consumo e agroindustrial. Note-se que 50% das importações se relacionam com energia (gasóleo e energia elétrica) e automóveis, nas quais Portugal não apresenta vantagens competitivas. Gráfico 70 - Importações moçambicanas de Portugal 9% 17% 7% 3% 18% Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, % Maquinaria e equipamentos de transporte Bens manufaturados Outros artigos manufaturados Químicos e produtos relacionados Alimentos e animais vivos Bebidas e tabaco Impostações moçambicanas do Brasil Figura 29 - Principais importações moçambicanas do Brasil Brasil 2% das importações moçambicanas Fonte: UNCTAD, UNCTADstat,

149 Peso nas importações totais de Moçambique Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP Gráfico 71 - Importações moçambicanas do Brasil Maquinaria e equipamentos de transporte Alimentos e animais vivos 9% 8% 4% 3% 38% Outros artigos manufaturados Bens manufaturados Óleos vegetais e animais, gorduras e ceras Químicos e produtos relacionados Combustíveis minerais, lubrificantes e materiais relacionados Matérias-primas (exceto combustíveis) Bebidas e tabaco 36% Commodities e transações n.e. Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, 2012 Em 2012 as importações moçambicanas do Brasil mais relevantes foram as aeronaves, muito devido à vendas de aviões pela Embraer à companhia aérea moçambicana LAM. Destacam-se também as exportações brasileiras de trigo e de carne de galinha congelada. O Brasil, baseado nas suas competências, adquiridas e nas sólidas relações desenvolvidas entre os estados tem uma presença significativa na economia Moçambicana, consubstanciada não apenas através de trocas comerciais, mas também pelo desenvolvimento de green field projects, na indústria extrativa e no setor agroalimentar. Gráfico 72 - Evolução das importações de Moçambique e principais países de origem, % 8,000 EUA 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% % 3% 1% 4% 1% 7% 3% 17% 29% % % 5% 1% 2% 5% 1% 4% 4% 4% 6% 1% 4% 4% 2% 6% 6% 5% 3% 1% 4% 2% 0% 1% 2% 6% 6% 13% 18% 7% 11% 9% 35% 34% 34% 31% 7,000 6,000 5,000 4,000 3,000 2,000 1,000 Brasil Portugal China Reino Unido Bahrein Emirados Árabes Unidos Países Baixos África do Sul 0% Importações Fonte: International Trade Center; UNCTAD, UNCTADstat 149

150 São a África do Sul e os Países Baixos os principais parceiros ao nível das importações de Moçambique em conjunto representaram 41% do total, em O elevado peso dos Países Baixos na estrutura das exportações moçambicanas deverá refletir o chamado efeito Roterdão, cidade que acolhe um porto onde desembarca uma parte considerável das mercadorias destinadas à União Europeia (UE). Por outro lado, i) a proximidade, ii) o desenvolvimento do país e iii) a posição dominante na SADC, explicam o facto da África do Sul ser também um importante fornecedor de Moçambique, e claramente se apresentar como um concorrente da CPLP. Globalmente Moçambique tem vindo a registar um crescimento médio anual das suas importações na ordem dos 14%, entre 2008 e Os produtos que mais contribuíram para o crescimento das importações moçambicanas neste período foram os combustíveis minerais, máquinas e o alumínio. Os principais produtos importados de África do Sul são máquinas e equipamento de transporte (27%) combustíveis (20%), bens manufaturados (18%) onde se destacam as importações de metais. As importações dos Países Baixos consistem na sua maioria em alumínio (98%). Impostações moçambicanas Top produtos Gráfico 73 - Importações moçambicanas - Top produtos Maquinaria e equipamentos de transporte 10% 7% 2% 27% Combustíveis minerais, lubrificantes e materiais relacionados Bens manufaturados Alimentos e animais vivos 13% Químicos e produtos relacionados 18% 20% Outros artigos manufaturados Óleos vegetais e animais, gorduras e ceras Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, 2012 A importação de combustíveis tem como principais fornecedores o Bahrein, a África do Sul, os Emirados Árabes e o Reino Unido. Todos exportam petróleo para Moçambique, enquanto a África do Sul exporta energia elétrica. Em termos de maquinaria, o principal fornecedor é a África do Sul, embora tenham vindo a crescer a um ritmo acelerado as importações de peças com origem nos Estados Unidos da América e no Reino Unido. 150

151 Exportações (milhões US$) Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP Relações Sino-Moçambicanas Desde a independências nacional que as relações entre a China e Moçambique se têm vindo a desenvolver e intensificar, inicialmente ao nível de infraestruturas militares a projetos de abastecimento de água. Refira-se que o Parlamento Moçambicano, construído em 1999, resultou de um a doação do governo Chinês, tendo sido construído pela Anhui Foreign Economic Construction Corporation (AFECC), emprea que também construiu o Centro de Conferências Joaquim Chissano em 2003, e o edifício que alberga o Ministério dos Negócios Estrangeiros. O apoio do governo Chinês alastrou-se também à construção de equipamentos sociais em regiões menos desenvolvidas, bem como no perdão de dívidas ao estado Moçambicano. Em 2007, com a visita do presidente Chinês, as linhas de crédito foram reforçados, novos valores disponibilizados para a reabilitação de infraestruturas, e foram efetuadas doações às forças armadas Moçambicanas. O número de empresas Chinesas com sede em Maputo ultrapassa as 3 dezenas. Os investimentos efetuados são financiados não só por bancos chineses, mas também pelo Banco Mundial, pelo governo Moçambicano e com base em fundos próprios. De entre as principais empresas a operar em solo Moçambicano destacam-se: (i) (ii) A China Henan International Cooperation Group (CHICO), que tem uma presença significativa na construção de estradas, pontes e outras infraestruturas; China EXIM Bank, que tem financiado projetos hidrelétricos (barragem de Moamba, outros aproveitamentos hidroelétricos, pavimentação da pista do aeroporto). Outros interesses significativos podem ser identificados na agricultura (no Zambéze), no setor das telecomunicações (subconcessões para operar nas zonas rurais) e nos transportes (por exemplo em 2007, os Transportes Públicos de Maputo iniciaram operações com 4 autocarros a gás fornecidos pela empresa Chinesa Yutong), assim como na exploração de concessões florestais para a extração de madeira (esta última tendo gerado problemas diplomáticos entre os dois países). A China prossegue, e com relativo sucesso, a estratégia de expandir a sua influência económica, em países com abundantes recursos naturais. Neste aspeto o governo Português, alavancado na CPLP deveria ser uma força de equilíbrio nesta contenda, demonstrando capacidade de competir com a influência da China. Exportações As exportações moçambicanas para os países da CPLP têm oscilado em termos de volume e peso no total, destacando-se Portugal, Angola e Brasil, apresentando uma taxa média de crescimento anual de 11%. Gráfico 74 - Exportações moçambicanas - CPLP % % % % % A CPLP representou, em 2012, 2,35% das exportações moçambicanas Fonte: UNCTAD, UNCTADstat Portugal Brasil Angola 151

152 Principais exportações moçambicanas para Portugal Figura 30 - Principais exportações moçambicanas para Portugal Portugal 2% das exportações moçambicanas Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, 2012 Gráfico 75 - Exportações moçambicanas para Portugal Em 2012, Moçambique exportou para Portugal, na categoria de alimentos, essencialmente crustáceos e açúcar, representando estas duas categorias de produtos 70% das exportações para Portugal. 5% 4% Em segundo lugar surgem as exportações de tabaco, enquanto matéria-prima, representando 17% do total. 17% 71% Alimentos e animais vivos Bebidas e tabaco Matérias-primas (exceto combustíveis) Bens manufaturados Fonte: UNCTAD, UNCTADstat,

153 Figura 31 - Principais exportações moçambicanas para o Brasil Brasil 0,15% das exportações moçambicanas Fonte: UNCTAD, UNCTADstat, 2012 Os produtos mais comprados pelo Brasil a Moçambique foram equipamentos associados à aeronáutica transístores montados, circuitos integrados monolíticos, assentos com armação de madeira, conetores, feixes ou cabos de fibra ótica, entre outros. Em conjunto, os Países Baixos, a África do Sul e a China representaram 64% do total das exportações moçambicanas em As exportações para os Países Baixos revestiram-se essencialmente em exportações de alumínio (93%); para a África do Sul, Moçambique tem vindo a exportar gás de petróleo liquefeito (GPL), representando cerca de 37% das exportações para este país, seguindo-se a energia elétrica (29%). Em 2012 a presença chinesa ganhou peso nas exportações moçambicanas, consistindo essencialmente em exportações de carvão (68% do total das exportações para a China) e madeira (17%). 153

154 Peso nas exportações totais de Moçambique Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP Evolução das exportações de Moçambique e principais países de destino Gráfico 76 - Evolução das exportações de Moçambique e principais países de destino, % 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 2,653 2% 10% 56% 2,147 3% 3% 3% 21% 42% 3,000 3% 4% 21% 53% 3,604 4% 2% 1% 6% 5% 16% 39% 4,100 2% 3% 4% 5% 18% 19% 27% 4,500 4,000 3,500 3,000 2,500 2,000 1,500 1, EUA Zimbabué Suiça Itália Índia Reino Unido China África do Sul Países Baixos Exportações 0% Fonte: International Trade Center; UNCTAD, UNCTADstat Em termos globais, as exportações de Moçambique apresentam um volume mais elevado ao nível do alumínio, gás de petróleo liquefeito e energia elétrica, que foram também os produtos que mais contribuíram para o crescimento das exportações moçambicanas entre 2008 e Gráfico 77 - Exportações Moçambicanas - Top produtos 9% 4% 3% Bens manufaturados Combustíveis minerais, lubrificantes e materiais relacionados 10% 48% Alimentos e animais vivos Matérias-primas (exceto combustíveis) Bebidas e tabaco 24% Maquinaria e equipamentos de transporte Fonte: International Trade Centre,

155 Quota nas exportações de Moçambique de combustíveis Quota nas exportações de Moçambique de alumínio Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP A Mozambique Aluminium Smelter (Mozal) é uma das maiores fábricas de alumínio a nível mundial, situada na província de Maputo, que explica o peso significativo das exportações de alumínio na economia moçambicana. Este foi um dos megaprojetos no continente africano, alvo de inúmeros case studies que começou a operar em 2000, e que resultou de uma joint-venture entre a BHP Billiton (47%), a Mitsubishi Corporation (25%), a International Development Corporation (IDC) (24%) e o Governo da República de Moçambique (4%). Gráfico 78 - Exportações moçambicanas de alumínio (US $milhões) 100% 80% 60% Países Baixos % 20% 0% Reino Unido 147 Suiça ; 84 Resto do mundo 1 (20%) (30%) (25%) (20%) (15%) (10%) (5%) 0% 5% 10% Crescimento médio entre da exportação de alumínio de Moçambique Fonte: International Trade Centre Moçambique exporta essencialmente gás de petróleo liquefeito (GPL) e energia elétrica para a África do Sul e carvão para a China. O GPL viu o seu peso crescer exponencialmente nas exportações moçambicanas desde Gráfico 79 - Exportações moçambicanas de combustíveis (US$ milhões) 60% 50% 40% China 455 África do Sul % 20% 10% 0% Resto do mundo 74 (10%) (500%) 0% 500% 1000% 1500% 2000% 2500% Crescimento médio entre da exportação de combustíveis de Moçambique Fonte: International Trade Centre 155

156 Fluxos IDE (milhões US$) Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP 3.8. Investimento direto estrangeiro de, e para Moçambique Gráfico 80 - Fluxos de IDE em Moçambique, (African Economic Outlook) Moçambique Dados referentes aos últimos 24 meses Número de projetos: 50 CAPEX: US$ milhões Postos de trabalho criados: Empresas/investidores: Top cidades recetoras de IDE Inward Outward Maputo: 14 projetos Tete: 2 projetos Beira: 2 projetos Chimoio: 1 projeto Matola: 1 projeto Fonte: fdi markets De acordo com informação publicada pelo CIP, Portugal foi o maior investidor em Moçambique entre 2005 e 2010, destacando-se ainda a África do Sul, Maurícias, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos da América, Noruega, China e Índia. Em 2011, a China foi a maior fonte de investimento direto estrangeiro (ver caixa na secção anterior), seguida pela África do Sul e Portugal. Tal como muitos dos países africanos, Moçambique atrai os investidores em grande parte devido aos seus recursos naturais. Desde 1992 até 2010, foram desenvolvidos cerca de 10 mega projetos em Moçambique, a maioria dos quais relacionados com a indústria extrativa, que representaram cerca de 70% dos fluxos de entrada de IDE. Em 2012, 83% do IDE líquido, o equivalente a 35,7% do PIB foi absorvido pelo setor da indústria extrativa e cerca de 76% direcionado para grandes projetos 156

157 O investimento direto estrangeiro tem sido crítico para o desenvolvimento económico de Moçambique, destacam-se: Exploração de Carvão em Moatize (província de Tete, a kms de Maputo). A Companhia Brasileira Vale do Rio Doce já investiu cerca de US$ 202 milhões em atividades preliminares; MOZAL: Investimento total no valor US$ 1,3 biliões para a produção de alumínio, a 17 km da cidade de Maputo; Projeto de Ferro e Aço de Maputo (MISP): Investimento total no valor US$ 2 bilhões para a produção de placas de aço com localização ainda a ser definida, tendo como alternativas a zona do Porto da Matola ou Beluluane; Projeto da Zona Franca Industrial da Beira e de Ferro e Aço de Beira (700 kms ao norte de Maputo), com investimentos previstos no valor US$ 950 milhões; Complexo Petroquímico da Beira: para a transformação de gás natural em diesel, amônia e metanol; Investimentos de US$ 900 milhões em estradas rurais e de US$ 42 milhões em saneamento; Investimento de 470 milhões em exploração e produção de petróleo entre 2008 e 2011 pela petrolífera portuguesa Galp Energia. Fonte: Moçambique - Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil Tabela 39- IDE em Moçambique: projetos greenfield de maior dimensão, anunciados entre Empresa Investimento estimado (US$ milhões) Criação de postos de trabalho estimada Ano 157 País de origem Ayr Logistics EUA Portucel Soporcel Group Rashtriya Chemicals & Fertilizers Jindal Organisation Portugal Setor Carvão, petróleo e gás natural Papel, impressão e embalagem Índia Químicos Índia Vale Brasil SASOL África do Sul Vale Brasil Norsk Hydro Noruega Riversdale Mining Austrália SASOL África do Sul Kenmare Resources Riversdale Mining Carvão, petróleo e gás natural Carvão, petróleo e gás natural Carvão, petróleo e gás natural Carvão, petróleo e gás natural Carvão, petróleo e gás natural Carvão, petróleo e gás natural Carvão, petróleo e gás natural Função de negócio chave Indústria produtiva/transformadora Indústria produtiva/transformadora Indústria produtiva/transformadora Indústria produtiva/transformadora Extração Extração Eletricidade Extração Extração Extração Irlanda Metais Extração Austrália Carvão, petróleo e gás natural Seacom Maurícias Comunicação Kenmare Resources Extração TIC e infraestruturas de internet Irlanda Metais Extração Telkom África do Sul Comunicação Vale Brasil Carvão, petróleo e gás natural ArcelorMittal Luxemburgo Metais ArcelorMittal Luxemburgo Metais TIC e infraestruturas de internet Extração Indústria produtiva/transformadora Indústria produtiva/transformadora Cimpor Portugal Construção Indústria

158 Empresa Investimento estimado (US$ milhões) Criação de postos de trabalho estimada Ano 158 País de origem Setor BHP Billiton Austrália Metáis Dubai World Emirados Árabes Unidos Hotelaria Galp Energia Portugal Energias renováveis Função de negócio chave produtiva/transformadora Indústria produtiva/transformadora Construção Indústria produtiva/transformadora Tongaat-Hulett África do Sul Alimentação e tabaco Extração Rezidor Hotel Group Elsewedy Electric Kenmare Resources African Queen Mines Svensk Etanolkemi Moncada Costruzioni Bélgica Hotelaria Construção Egito Carvão, petróleo e gás natural Eletricidade Irlanda Metáis Extração Canadá Minerais Extração Suécia Energias renováveis Itália Energias renováveis Indústria produtiva/transformadora Indústria produtiva/transformadora Ayr Logistics EUA Imobiliário Construção Vodafone Reino Unido Comunicação Universal Leaf EUA Alimentação e tabaco Tongaat Hulett África do Sul Alimentação e tabaco PescaNova Espanha Alimentação e tabaco African Medical Investments TIC e infraestruturas de internet Indústria produtiva/transformadora Indústria produtiva/transformadora Indústria produtiva/transformadora Reino Unido Saúde Construção Lonrho Reino Unido Alimentação e tabaco Nestle Suíça Alimentação e tabaco Indústria produtiva/transformadora Indústria produtiva/transformadora Massmart África do Sul Produtos de consumo Retalho Cotton Company (Cottco) Nestle Suiça Alimentação e tabaco Zimbabué Textêis Bakhresa Tanzânia Alimentação e tabaco Logística, distribuição e transporte Indústria produtiva/transformadora Indústria produtiva/transformadora Grupo Visabeira Portugal Hotelaria Construção Jaipuria Group Índia Bebidas Indústria produtiva/transformadora Pick n Pay África do Sul Alimentação e tabaco Retalho SABMiller Reino Unido Bebidas Capital Africa Steel Yu Xiao Real Estate África do Sul Maquinaria China Materiais de construção TOTAL Fonte: UNCTAD, Foreign Direct Investment in LCDs: Lessons Learned from the decade and the way forward Indústria produtiva/transformadora Indústria produtiva/transformadora Indústria produtiva/transformadora De acordo com dados do FMI, os fortes fluxos de IDE registados surgem graças a vários mega projetos, nomeadamente, devido às operações de sondagem de Gás Natural Liquefeito (GNL) no Oceano Índico, no norte do país, onde foram identificadas grandes reservas de gás natural. Esta evolução positiva explica-se também pelas condições oferecidas a nível de incentivos fiscais e pela estabilidade política e social sentida nos últimos anos.

159 3.9. Principais polos de desenvolvimento Os principais polos de desenvolvimento de Moçambique concentram-se em 4 províncias, Nampula, Tete, Sofala, Cidade de Maputo e região de Maputo. Gráfico 81 Moçambique Peso das Regiões no PIB Nampula Tete Sofala Maputo (*) 37% 14% 6% 12% De seguida são apresentados os setores mais relevantes por província e os constrangimentos que deverão ser considerados por potenciais investidores: Outros 31% 14 % 6% Fonte: Governo Moçambique Província de Tete PIB CAGR : 6.5% Indústria de extração de carvão como foco dinamizador, consequência da emissão de licenças em larga escala: Concessão à Vale S.A (empresa brasileira) por 35 anos com objetivo de se tornar maior estação de mineração do mundo. Prevê-se que represente 15% da receita pública em 2015, e crie12 mil empregos diretos e indiretos; Prospeção de ouro, ferro, vanádio e titânio Efeitos de spill over expectados: Forte afluência de trabalhadores de outras províncias e países; Melhoria nas infraestruturas energéticas (nova barragem a jusante de Cahora Bassa, estações hidroelétricas, a gás e a carvão, ligação às redes de Moçambique e África do Sul); Melhoria das infraestruturas de transportes (esforços combinados entre Moçambique e Malawi para nova linha férrea entre Moatize e Nancala). Aspetos a considerar pelos investidores Burocracia e coordenação entre os organismos para licenciamento e processos aduaneiros; Base de empresas locais reduzida e consequente elevado custo dos fatores de produção; Fator trabalho e capital humano em escassez. 159

160 Província de Sofala PIB CARG : 7.5% 12% Elevado potencial agrícola e de exploração de carvão, tendo captado investimentos em larga escala; Doadores internacionais financiaram investimentos em infraestruturas para o comércio da região, tais como a modernização do Porto e do aeroporto da Beira. O Governo moçambicano aprovou em 2012 a criação da Zona Económica Especial da Manga-Mungassa que visa, a construção de um Centro Logístico Internacional com vista a maximização das potencialidades do Corredor da Beira. Incluí benefícios fiscais e não fiscais. Aspetos a considerar: Burocracia e complexidade da regulamentação no licenciamento Capacidade e eficiência do Porto e custo dos serviços portuários. Fator trabalho e capital humano em escassez. 31% Maputo e província de Maputo PIB CARG : 6.5 % Centro económico e financeiro do país Inclui o maior parque industrial do país, Beluluane, ver caixa em detalhe. Empresas mais relevantes nas áreas de, alimentação, bebidas,cimento. Principais universidades e escolas técnicas. Investimento significativo no sector do Turismo, (reserva de elefantes e acesso ao parque Kruger) 160

161 Zona Económica Especial de Nacala (Nampula) O parque de Beluluane é uma zona industrial e zona franca com uma área total de aproximadamente 700 hectares localizado a 16 km de Maputo. 24 hectares já possuem infraestruturas para acomodar pequenas e médias indústrias. O principal residente é a MOZAL (fábrica de alumínio). É uma Zona de Comércio Livre e um Parque Industrial com incentivos fiscais, isenções de impostos, com preços dos terrenos bonificados, e apoio do Governo na criação de empresas. Duas áreas foram projetadas para a implantação da Zona Económica Especial (ZEE) e a Zona Franca Industrial (ZFI) em Nacala, com um total de cerca de 500 hectares, a 10 minutos do Porto e a 20 minutos do Aeroporto. A Zona Franca Industrial encontra-se aberta a oportunidades de investimento (Parcerias) para as áreas de infraestruturas, como operador de zona franca industrial, mas sobretudo para o exercício de atividade industrial, (nomeadamente têxteis e calçado, Construção civil e materiais de construção, montagem de máquinas e linhas de produção e/ou montagem de viaturas, locomotivas, embarcações, entre outras) e agroindustrial (milho, amendoim, gergelim, mandioca, feijão e hortícolas). Esta zona pretende albergar como projeto-âncora uma refinaria de petróleo com capacidade mínima entre 100 a 300 mil barris por dia. A ZEE e ZFI beneficiam-se de incentivos fiscais e não fiscais, nomeadamente: Isenção no pagamento de impostos na importação (Incluindo o Imposto Sobre o Valor Acrescentado), de materiais de construção, equipamentos, acessórios, peças e outros bens destinados à prossecução da atividade licenciada nas ZEEs, bem como isenção do IVA nas aquisições internas, isenção ou redução de IRPC, concessão de terras, regime flexível de circulação de pessoas e capital. 161

162 3.10. Principais setores de oportunidades Podem-se sintetizar os 3 principais objetivos de médio prazo do Governo Moçambicano: A implementação de novos projetos estruturantes em diversos setores por forma a atingir o nível de crescimento de 8%; Promover projetos de pequena e média que potenciarão a economia Moçambicana nos seus diversos setores; Criação de emprego e melhoria das prestações sociais do estado que se consubstanciem na melhoria do IDH, e consequentemente para a melhoria das condições de vida dos Moçambicanos; De forma mais detalhada, destacam-se os setores abrangidos e respetivas potencialidades: Tabela 40 - Potencialidades a Nível Setorial Setor Potencialidades Agricultura 36 Milhões de hectares de terra arável, dos quais somente 10% está cultivada; País dispõe de grandes possibilidades em termos de irrigação; Grandes bacias hidrográficas permanecem largamente inexploradas; No contexto dos países da SADC, Moçambique é um dos países mais abundantes no fator terra. Pescas Localização costeira, com uma extensão de litoral de km e uma Zona Económica Exclusiva (ZEE) de 586 mil km 2 de superfície oceânica; Grande diversidade de recursos de pesca; Na área da pesca de crustáceos de profundidade (gambas, lagostim, lagosta e caranguejo) existe margem para aumentar a produção. Indústria extrativa Diversidade de recursos, atualmente atestado pelas enormes reservas identificadas de gás natural; Posição de relevo na arena internacional como produtor e exportador de carvão; Produção Forte investimento no setor de cimento, que vai triplicar a capacidade de produção este ano (2013); Entrada no mercado empresas da China, da Índia e da África do Sul com investimentos que poderão triplicar a produção de cimento em Moçambique, onde a Cimentos Moçambique (Cimpor) tem tido uma posição dominante. Construção Potencial de investimento na área da habitação, estimando-se um défice de 2,5 milhões de fogos e respetivas infraestruturas de água, saneamento, energia e acessibilidade. Energia Potencial energético de MW. O Governo moçambicano pretende o envolvimento de investidores privados na área das energias renováveis. Hotelaria e Turismo Caraterísticas naturais atrativas: praias paradisíacas e florestas onde podem funcionar reservas ecológicas; País com os recursos costeiros mais fortes da África Austral: o litoral permanece inexplorado e é muito diversificado em paisagem, flora e fauna; a vida marinha está presente em grandes quantidades e o mergulho e a pesca correspondem aos padrões internacionais de alta qualidade. O desenvolvimento dos setores referidos exigirá e, em certo sentido contribuirá, para a melhoria generalizada das infraestruturas que dotem a economia Moçambicana dos recursos necessários ao desenvolvimento da 162

163 atividade privada através da redução dos custos de produção e de contexto (tão importantes para os investidores estrangeiros). Em termos de infraestruturas são identificadas as seguintes potencialidades. Tabela 41 - Potencialidades a Nível Infraestrutural Setor Potencialidades Energia Desempenho dos serviços e boa qualidade dos mesmos. Água Minimização da dependência da água de superfície e da prática da defecação a céu aberto. Alargamento de poços, furos e latrinas. Telecomunicações e Tecnologias de informação Liberalização do mercado das telecomunicações. Transportes Melhoria das redes de transporte (rodoviário, marítimo, ferroviário e aéreo): No setor rodoviário: melhoria ao nível das estradas. Obras previstas neste setor; No setor marítimo: melhoria através de parcerias público-privadas; No setor ferroviário: atração do setor privado para o desenvolvimento deste setor; No setor aéreo: construção de novos terminais em Maputo e Nacala. O governo de Moçambique para a prossecução dos objetivos propostos terá de efetuar reformas significativas das instituições, sendo uma oportunidade para agentes privados (universidades, setor tecnológico, consultores), mas também para a própria CPLP que poderia providenciar apoio técnico e know how resultante do acumular de experiência dos diversos países. Pode-se apresentar como áreas que deverão ser ponderadas pelos agentes públicos e privados as referidas seguidamente. Tabela 42 - Potencialidades a Nível Institucional (Fonte: Proposta do PES 2014) Principais Setores Institucionais Potencialidades / Apostas do Governo Setor do estado (key policies) Combate à pobreza e criação de emprego enquanto prioridade do sistema público; Implementação de medidas de caráter social e reforço do papel do estado na comunidade através da promoção de acesso aos bens públicos (infraestruturas e outros serviços públicos); Melhoria dos serviços públicos; Combate à corrupção; Fortalecimento da cooperação internacional. 163

164 3.11. Financiamento à economia Principais bancos presentes Moçambique tem atualmente dezoito Bancos licenciados e a operarem no seu sistema financeiro, nomeadamente: Banco Internacional de Moçambique, Barclays Bank Moçambique, Standard Bank, Banco Comercial e de Investimentos, (BCI) Internacional Comercial Bank (Moçambique), The Mauritius Commercial Bank Moçambique, African Banking Corporation (Moçambique), FNB Moçambique, Socremo Banco de Microfinanças, Banco Mercantil e de Investimentos, Banco ProCredit, Banco Oportunidade de Moçambique, Banco Terra, Moza Banco, Banco Tchuma, Banco Nacional de Investimento, Banco Único, United Bank for Africa Moçambique. Ao nível da banca comercial os quatro maiores bancos concentram entre si mais de 80% do volume de negócios. O Millennium BIM (Banco Internacional de Moçambique), detido pelo grupo português BCP e pelo Tesouro Moçambicano, mantém-se como maior banco do país, com a maior quota de mercado em volume de negócios, cerca de 40% e maior banco em projetos de expansão da rede de balcões. Seguem-se, na lista dos maiores bancos moçambicanos, o Estrutura Banco Comercial acionistae bancária de Investimentos (BCI), do grupo Caixa Geral de Depósitos (51%) e BPI (30%), e do grupo Moçambicano Insitec, ambos com uma quota em volume de negócios acima de 15%. O grupo BES, aumentou recentemente a sua participação no Mozabanco para 44% através da sua participada BES Africa, enquanto a Moçambique Capitais, grupo de investimentos moçambicanos, com 50,4%, mantém-se acionista maioritária deste banco, após o recente reforço da sua participação em 18,9% através da compra da participação da Geocapital - Gestão de Participações na instituição No ano de 2011 verificaram-se algumas movimentações importantes no sistema financeiro moçambicano com a entrada no mercado de um novo player, o Banco Único pertencente aos grupos portugueses Visabeira e Amorim, que atualmente detêm uma participação de 36,4% da instituição após a venda ocorrida em Maio de 2013 de metade da sua participação ao banco sulafricano NedBank. Predominantemente local Equilibrada Estrangeira e Governo Predominantemente estrangeira Predominantemente Governo Por outro lado, o Banco Nacional de (Fonte: World Bank Staff Estimates, 2007) Investimentos (BNI), que contava também com uma participação de 49,5% da Caixa Geral de Depósitos em representação do Estado por português, viu em dezembro de 2012 essa posição ser adquirida pelo Estado Moçambicano que passou a assumir a totalidade do capital do banco, transformando este num banco de fomento. O sistema bancário é sólido e, até setembro de 2012, 19,1% dos bancos apresentavam um adequado rácio de fundos próprios, ao mesmo tempo que 8% respeitavam o rácio mínimo regulamentar. A taxa de rentabilidade dos capitais próprios ( ROE ) dos três principais bancos é de 35%, uma taxa elevada, enquanto o crédito mal parado (vencido) diminuiu para menos de 4% em Em 1 de janeiro de 2013, serão implementados os regulamentos bancários recomendados nos Acordos de Basileia I e II, e está prevista a implementação dos regulamentos de Basileia III em Excluído

165 Bancarização da população Figura 32 - Contas bancárias (% +15 anos) em África Contas bancárias (% +15anos) O governo, através do Banco Central de Moçambique, tem envidado esforços criando politicas comerciais para incentivar e promover a abertura de mais instituições financeiras, junto dos distritos localizadas nas zonas interiores do país. Todas as 12 capitais provinciais têm instituições bancárias abertas. A expansão da rede bancária para os distritos em Moçambique continua a ser uma prioridade do Banco Central, tendo aumentado o número de distritos com agências bancárias de 27 para 63, entre 2007 e Atualmente encontramse em funcionamento 502 balcões, estando autorizados 522. < 10% Entre 10% e 20% Entre 20% e 30% Entre 30% and 40% No entanto, 42 distritos, mantêm-se em situação de exclusão financeira sem qualquer instituição financeira. As províncias de Sofala, Inhambane e Tete foram as que observaram maiores taxas de crescimento do Índice de Inclusão Financeira ( IIF ) nos últimos sete anos. > 40% Para além dos bancos comerciais, o sistema Não disponível financeiro Moçambicano é dotado de outras (Fonte: World Bank, Global Financial Inclusion Database, 2011) instituições financeiras tais como: sete cooperativas de crédito nomeadamente: Cooperativa de Poupança e Crédito, UGC-CPC - Cooperativa de Poupança e Crédito, Cooperativa de Crédito dos Micro-empresários de Angónia, Cooperativa de Crédito dos Produtores do Limpopo, Caixa Cooperativa de Crédito, Sociedade Cooperativa de Crédito das Mulheres de Nampula, Caixa das Mulheres de Nacala, Cooperativa de Crédito, uma sociedade de investimento, Sociedade de Gestão e Financiamento para a Promoção de Pequenos Projetos de Investimentos, uma sociedade de locação financeira: African Leasing Company (Moçambique), e oito micro bancos: AC MicroBanco, Caixa Financeira de Catandica, Caixa de Poupança Postal de Moçambique, Microbanco NGR, Yingwe Microbanco, The First Microbank, Caixa Financeira de Caia, Letshego Financial Services Moçambique. Tabela 43- Número de balcões e máquinas automáticas existentes por província Províncias Balcões em Funcionamento Total ATM (2013) (2013) Cidade de Maputo Província Maputo Nampula Sofala Tete Gaza Inhambane Manica Zambézia Cabo Delgado Niassa Fonte: Relatório anual Banco Central de Moçambique 165

166 Taxas de juro de empréstimo As taxas de juro tanto das operações ativas, como das operações passivas, tiveram ao longo do período em análise uma tendência decrescente. O Banco Central de Moçambique relaxou a política monetária, tendo baixado a taxa de desconto 8 vezes desde No entanto, o movimento de descida não se alastrou na mesma proporção à globalidade dos agentes económicos. Figura 33 - Taxas de juro em Moçambique Bolsa de valores A Bolsa de valores de Moçambique, denominada BVM, foi constituída pelo decreto n 49/98, de 22 de setembro, em resultado do cumprimento de um dos objetivos da política económica e financeira do Governo Moçambicano. A criação da bolsa de valores tinha como principais objetivos: promover a poupança e a sua conversão em investimento produtivo e diversificar as alternativas de financiamento para o Estado e para as empresas. Empresas admitidas a BVM (Bolsa de valores de Moçambique) As obrigações do Estado e os títulos das empresas cotados na Bolsa de Moçambique, representam 3% do PIB. O desenvolvimento do mercado interno de ações e obrigações faz parte dos objetivos da nova estratégia de gestão da dívida de médio prazo. Os principais títulos cotados são: Cervejas de Moçambique (CDM), Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), e a CETA, construções e serviços SA, bem como obrigações do Tesouro de Moçambique. Os títulos admitidos à cotação na Bolsa de Valores de Moçambique aumentaram de 25 em 2011 para 32 em Em Moçambique a Bolsa de Valores tem servido como uma das principais fontes de financiamento do Orçamento de Estado, assim como das empresas públicas e privadas, tendo sido admitidos à cotação, desde a sua inauguração, 54 valores mobiliários, no valor conjunto de MZN milhões (cerca de US$ 816 milhões). 166

167 A BVM admite também as negociações das Unidades de Participação em Fundos de Investimento, porém apenas quando estes sejam fechados. A Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) e as vantagens oferecidas: Os títulos negociados em bolsa beneficiam de 50% de isenção do Imposto sobre o Rendimento (IRPC/IRPS), o que obviamente aumenta os ganhos que daí advêm; No ato de emissão e na realização de transações, os valores mobiliários beneficiam de isenção do imposto de selo; O custo de financiamento é reduzido em relação ao crédito bancário (emissão de ações, obrigações, papel comercial, entre outros); É um meio de acesso a financiamentos internacionais através da mobilização de investidores internacionais. Permite tomar conhecimento do valor das empresas, através da definição de um preço de mercado. O Estado tem utilizado a bolsa de valores para; Empréstimos obrigacionistas (obrigações do tesouro); Privatizações (venda de participações do Estado nas Empresas). 167

168 168

169 4. Investir em Moçambique 169

170 4. Breve descrição do mercado de trabalho e do regime de segurança social População Ativa Está a ser implementada desde 2006 a Estratégia de Emprego e Formação Profissional em Moçambique (até 2015), visando a atuação concertada do Governo, dos parceiros sociais e da sociedade civil, com o objetivo de estimular o emprego, o empreendedorismo, boas práticas de negociação e o diálogo social tripartido. O principal objetivo é a promoção do crescimento do emprego a curto e a médio prazo por forma a propiciar o desenvolvimento de uma economia pró-emprego. A população ativa estimada é de cerca de 11 milhões de pessoas das quais 62.1% são trabalhadoras por conta própria, 24.6% são trabalhadores familiares não remunerados, sendo que apenas 10.9% estão empregadas (4.1% são funcionários públicos, e 6.8% trabalham no setor privado) Desemprego A percentagem de desemprego é de 18,7% (apesar de ser estimado um valor mais alto, especialmente no que concerne às áreas rurais). Cerca de jovens ingressam no mercado de trabalho anualmente, mas, dado os desequilíbrios entre oferta e procura contribuem para um incremento da taxa do desemprego. Cumpre referir que a força de trabalho em áreas urbanas tem vindo a aumentar a uma percentagem anual de 3%, apesar de persistirem lacunas significativas do lado da oferta Desigualdades Objetivos da Estratégia de Emprego e Formação Profissional: 1. Optar por políticas e programas de desenvolvimento económico que maximizem o crescimento do emprego 2. Criar um sistema de informação sobre o mercado de emprego (SIME) 3. Promover o emprego, através do estabelecimento de políticas ativas 4. Apoiar a inserção laboral de grupos alvo especiais 5. Promover a criação de emprego qualificado através de micro, pequenas e médias empresas (MPME s) 6. Apoiar o setor informal pelo seu papel na economia e na criação de emprego Moçambique tem vindo a promover um conjunto de iniciativas para incrementar a igualdade do género e a integração e participação das mulheres na sociedade. Há um conjunto de indicadores que já revelam avanços em algumas áreas como o número de mulheres no parlamento (39% ) e a paridade no género de alunos inscritos no ensino primário. A aplicação da legislação sobre violência doméstica, direito de família, o Protocolo da SADC, a Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos sobre os Direitos das Mulheres em África (mais conhecido como o Protocolo de Maputo), têm ajudado a reforçar a agenda de igualdade de género no país República de Moçambique, Estratégia Nacional de Segurança Básica

171 4.4. Breve descrição do regime de Segurança Social Encontram-se abrangidos pelo sistema de segurança social em Moçambique os trabalhadores assalariados nacionais e estrangeiros residentes, bem como os familiares deles dependentes. A taxa de contribuição para o sistema de segurança social é de 7% (3% descontados da remuneração do trabalhador, e 4% de responsabilidade da entidade patronal). Existem três modelos de segurança social no país: Segurança social obrigatória Segurança social complementar Segurança social básica Segurança social obrigatória (gerida pelo Instituto Nacional de Segurança Social), que inclui os trabalhadores por conta de outrem, cuja relação laboral com a entidade patronal esteja formalizada, e cujo rendimento exceda determinado limite; Segurança social complementar, é normalmente utilizada no setor privado, através de seguros; Segurança social básica que, e ao contrário dos outros dois modelos, não implica qualquer tipo de pagamento pelos seus beneficiários, antes sendolhes diretamente atribuído tendo em consideração um conjunto de condicionalismos e requisitos como, por exemplo, a idade ou estado de saúde. O Programa de Subsídio de Alimentos é um exemplo deste tipo de segurança social. Não obstante, nos últimos anos tem-se verificado um incremento das tensões sociais resultado das desigualdades existentes e da persistência de um elevado nível de pobreza Como investir? O investimento em Moçambique é regulado pela Lei de Investimentos, Lei n.º 3/93, de 24 de junho e pelo Decreto n.º 43/2009, de 21 de agosto, excecionando porém, os investimentos realizados ou a realizar nas áreas de prospeção, pesquisa e produção de petróleo, gás e indústria extrativa de recursos minerais. O valor mínimo de Investimento Direto Estrangeiro (IDE) para efeitos de repatriamento de lucros é de MZN , ou aproximadamente USD ). O direito a transferir lucros para o estrangeiro é também aplicável aos investimentos promovidos em Moçambique que cumpram com um dos seguintes requisitos: Volume de vendas anual não inferior ao triplo de MZN (aproximadamente USD ), a partir do terceiro ano de atividade; Exportações anuais de bens ou serviços sejam no mínimo equivalentes a MZN (aproximadamente USD ); Criação e manutenção de emprego direto para, pelo menos, 25 trabalhadores com nacionalidade moçambicana, devidamente inscritos no sistema de segurança social a partir do segundo ano de atividade. 171

172 O investimento direto estrangeiro (IDE) é definido como qualquer forma de contribuição de capital estrangeiro suscetível de avaliação pecuniária, que constitua capital ou recursos próprios ou sob conta e risco do investidor estrangeiro, proveniente do exterior e destinado à sua incorporação no investimento para realização de um projeto de atividade económica, através de uma empresa registada em Moçambique e a operar a partir do território Moçambicano. É importante que um investimento seja qualificado de IDE no âmbito desta Lei, uma vez que a mesma confere um conjunto de benefícios para o investidor e o direito ao repatriamento dos lucros obtidos e do capital investido. Formas de investimento O investimento estrangeiro direto em Moçambique pode realizar-se através de qualquer uma das seguintes formas, desde que suscetíveis de avaliação pecuniária: Moeda externa livremente convertível; Equipamentos e respetivos acessórios, materiais e outros bens importados; e Cedência, em determinadas circunstâncias, dos direitos de utilização de tecnologias patenteadas e de marcas registadas. O investimento indireto, por sua vez, compreende, isolada ou simultaneamente, qualquer uma das seguintes formas: Empréstimos; Suprimentos; Prestações suplementares de capital; Tecnologia patenteada; Segredos e modelos industriais; Franchising; Marcas registadas; Assistência técnica e outras formas de acesso à utilização ou de transferência de tecnologia e marcas registadas cujo acesso à sua utilização seja em regime de exclusividade ou de licenciamento restrito por zonas geográficas ou domínios de atividade e/ou comercial. Em Moçambique através da lei de investimento, o processo de implantação e estabelecimento de investimentos estrangeiros têm sido simplificados evitando deste modo o excesso de burocracia e diminuindo o tempo de espera neste tipo de procedimentos. A Lei de Investimentos não se aplica aos investimentos relacionados com prospeção, pesquisa, e produção de petróleo, gás e indústria extrativa de recursos minerais. 172

173 Fases/Etapas a observar no Processo de estabelecimento em Moçambique Para que um investidor efetua um investimento em território Moçambicano deverá apresentar a sua proposta de projeto de investimento ao Centro de Promoção de Investimentos (CPI) ou, se o respetivo investimento a realizar se localizar nas Zonas Económicas Especiais (ZEE) ou nas Zonas Francas Industriais (ZFI), a referida proposta de investimento terá que ser necessariamente apresentada ao Gabinete das Zonas Económicas de Desenvolvimento Acelerado (GAZEDA). As propostas de investimentos são apresentadas em formulário próprio, em língua portuguesa ou inglesa e acompanhadas da documentação necessária para a sua apreciação: Cópia do documento de identificação do investidor proponente; Certidão do registo comercial ou da reserva da denominação social da empresa implementadora do projeto; Planta topográfica ou esboço da localização onde se pretende implantar o projeto; Cópia da licença de representação comercial (apenas quando se trate de projetos a realizar mediante estabelecimento de representação comercial estrangeira). Numa fase posterior à apresentação da proposta do projeto de investimento, o CPI ou o GAZEDA procedem à comunicação aos proponentes dos projetos de investimento a sua decisão. A decisão sobre projetos de investimento recebidos no CPI é da autoria de várias categoria e de órgãos institucionais do pais conforme for o valor que se pretende alocar ao projeto. É da responsabilidade do Governador Provincial, quando o projeto de investimentos nacionais avaliados até e não superior a MZN (aproximadamente USD ), a mesma decisão deverá ser tomada num prazo de três dias úteis; É da responsabilidade do Diretor Geral do CPI, no prazo de três dias úteis, quando o investimento nacionais e/ou estrangeiros em causa estiver avaliadoate MZN (aproximadamente USD ), ou equivalente; É do ministro que superintende a área da planificação e desenvolvimento, no prazo de três dias úteis, quanto à realização de projetos de investimento nacionais e/ou estrangeiros cujo valor total envolvido não exceda o equivalente a MZN (aproximadamente USD ). Por fim cabe ao Conselho de Ministros (no prazo de 30 dias úteis), a decisão de autorizar os investimentos nacionais e/ou estrangeiros nos seguintes casos: Realização de projetos de investimento cujo valor seja superior ou equivalente a MZN (aproximadamente USD ); Projetos de investimento que requeiram extensão de terra cuja área seja superior a hectares; Projetos de investimento que requeiram a concessão florestal de área superior a hectares; Quaisquer outros projetos com previsíveis implicações de ordem política, social, económica, financeira ou ambiental. Relativamente ao gabinete GAZEDA, a decisão sobre os projetos de investimento em regime de ZEE e das ZFI compete ao Diretor-Geral do GAZEDA, o qual deverá tomar a decisão no prazo máximo de três dias úteis a contar da data de receção da respetiva proposta de projeto de investimento. Decorrida esta fase, se o projeto for aprovado, a sua implementação deve ocorrer no prazo de 120 dias (se outro prazo não tiver sido fixado na respetiva autorização. O investidor estrangeiro deve efetuar o registo do investimento direto estrangeiro junto do Banco de Moçambique no período de 90 dias a contar da data da autorização da entidade competente ou da efetiva entrada do valor do investimento. Para efeitos de exportação de lucros e reexportação do capital investido, o estatuto de investidor estrangeiro vigora por tempo indeterminado (enquanto se mantiverem inalterados os termos e condições que concorreram para a atribuição desse estatuto), podendo a posição do investidor ser transmitida (mediante transmissão ou 173

174 cessão de participações sociais detidas pelos respetivos investidores) desde que a transmissão ocorra em território nacional, seja notificada a entidade decisória competente (e obtida a consequente autorização) e seja comprovado o cumprimento de obrigações fiscais e legais, quando devidas. Por outro lado a lei do investimento permite a revogação da autorização concedida para realização do investimento quando se observe uma das seguintes situações: 1. Pedido fundamentado dos investidores; 2. Termo do prazo estabelecido para o início da implementação do projeto, sem que esta se tenha iniciado; 3. Paralisação da implementação ou exploração do empreendimento por um período contínuo superior a três meses sem que tenha havido uma comunicação prévia à entidade competente; 4. Verificação de situações de incumprimento quer da Lei de Investimentos e do Regulamento da Lei de Investimentos quer das condições previstas na respetiva autorização ou noutros instrumentos legais aplicáveis. O investidor externo pode implementar o seu negócio em Moçambique através de formas societárias previstas na legislação comercial Moçambicana (Código Comercial). O Código Comercial prevê os seguintes tipos societários: sociedade em nome coletivo, sociedade em comandita simples, sociedade em comandita por ações, sociedade por quotas, sociedades anónimas Incentivos e benefícios ao investimento Ainda no âmbito dos incentivos decorrentes do investimento em Moçambique podem também mencionar-se os benefícios fiscais consagrados no Código dos Benefícios fiscais (CBF), aprovado pela Lei n.º 4/2009, de 12 de janeiro, que consagra vários benefícios aplicáveis ao investimento estrangeiro em Moçambique, sendo que os mesmos podem ser agrupados em duas categorias: benefícios genéricos e benefícios específicos Benefícios genéricos O código de benefícios fiscais (CBF) considera benefícios genéricos aplicáveis ao investimento estrangeiro os seguintes: Isenção do pagamento de direitos aduaneiros e do IVA (na importação de bens): sobre os bens de equipamento classificados na classe «K» da pauta aduaneira e respetivas peças e acessórios que os acompanhem (durante os primeiros 5 anos de implementação do projeto); Crédito fiscal por investimento (CFI) - possibilidade de os investimentos beneficiarem de uma dedução de 5% ou 10%, consoante o investimento ocorra na Cidade de Maputo ou nas restantes províncias, do total de investimento efetivamente realizado na coleta do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRPC), até à concorrência deste, na parte respeitante à atividade desenvolvida no âmbito do projeto (durante cinco exercícios fiscais); Amortizações e reintegrações aceleradas - permite-se a reintegração acelerada dos imóveis novos utilizados na prossecução do projeto de investimento, que consiste em incrementar em 50% as taxas normais legalmente fixadas para o cálculo das amortizações e reintegrações consideradas como custos imputáveis ao exercício na determinação da matéria coletável do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRPC) ou Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRPS); Deduções à matéria coletável e à coleta - possibilidade de os custos com (i) a modernização e introdução de novas tecnologias e com (ii) a formação profissional de trabalhadores moçambicanos poderem ser deduzidos à matéria coletável até ao limite de 10% ou 5%, respetivamente (durante os primeiros cinco anos); 174

175 Outras despesas consideradas custos fiscais - os investimentos elegíveis para efeitos da atribuição dos benefícios fiscais ao abrigo do Código dos Benefícios Fiscais (CBF) podem ainda considerar como custos para a determinação da matéria coletável do IRPC os seguintes limites: a) 110% (para os investimentos na cidade de Maputo) e 120% (para os investimentos nas restantes províncias) das despesas realizadas na construção e na reabilitação de estradas e caminho-de-ferro, aeroportos, correios, telecomunicações abastecimento de água, energia elétrica, escolas, hospitais e outras obras consideradas de utilidade pública (durante cinco exercícios fiscais); b) 50% Das despesas realizadas na compra, para património próprio de obras consideradas de arte e outros objetos representativos da cultura moçambicana, bem como as ações que contribuam para o desenvolvimento desta, nos termos da Lei de Defesa do Património Cultural (Lei n.º 10/88, de 22 de dezembro) Benefícios Específicos São considerados benefícios específicos no âmbito do investimento efetuado em determinados setores de atividade considerados de grande relevância para o crescimento e o desenvolvimento do país. Descrição da Área de Investimento Incentivos atribuídos Infraestruturas Básicas de utilidade pública (exemplo: estradas, aeroportos, abastecimento de água) Comércio e indústria nas zonas rurais Indústria transformadora e de montagem Isenção do pagamento de direitos aduaneiros e do IVA na importação de bens de equipamento classificados na classe «K» da Pauta Aduaneira; Redução em 80% da taxa de IRPC nos primeiros 5 exercícios fiscais; Redução em 60% da taxa de IRPC do 6º ao 10º exercício fiscal; Redução em 25% da taxa de IRPC do 11º ao 15º exercício fiscal; Redução da taxa de IRPS. Isenção do pagamento de direitos aduaneiros e do IVA na importação de bens de equipamento classificados na classe «K» da Pauta Aduaneira, bem como de outros indispensáveis à prossecução da atividade. Isenção do pagamento de direitos aduaneiros na importação de matérias-primas e de equipamentos destinados ao processo de produção industrial que demonstrem e assumam o compromisso de manter a faturação anual não inferior a MZN, e cujo o valor final acrescentado ao produto corresponda a um mínimo de 20%. Agricultura e Pescas (Aquacultura) Isenção do pagamento de direitos aduaneiros e do IVA na importação de bens de equipamento classificados na classe «K» da Pauta Aduaneira; Redução em 80% da taxa de IRPC até 31/12/2015; Redução em 50% da taxa de IRPC entre 2016 e 2025; Benefícios complementares: o Dedução de despesas realizadas com a formação profissional de trabalhadores moçambicanos; o Dedução de determinadas despesas como custos fiscais; Redução da taxa de IRPS; 175

176 Hotelaria e Turismo Isenção do pagamento de direitos aduaneiros e do IVA na importação de bens de equipamento classificados na classe «K» da Pauta Aduaneira, bem como de determinados bens considerados indispensáveis à prossecução da atividade nas quantidades necessárias para a construção e apetrechamento do projeto; Crédito fiscal por investimento (5% ou 10% consoante a localização do investimento); Reintegração acelerada; Benefícios complementares: o Dedução de despesas realizadas com a modernização e introdução de novas tecnologias; o Dedução de determinadas despesas como custos fiscais. Parques de Ciência e Tecnologia Projetos de grande dimensão (que excedam 12.milhões e 500 MNZ; investimentos em infraestruturas de domínio público, em regime de concessão) Zonas de Rápido Desenvolvimento (ZRD): Zonas francas Industriais (ZfI): Zonas Económicas Especiais (ZEE): Fonte: Código dos Benefícios Fiscais, Lei n.º 4/2009, de 12 de janeiro. Isenção de direitos aduaneiros e do IVA na importação de material e equipamento; Isenção de IRPC nos primeiros 5 exercícios fiscais; Redução em 50% da taxa de IRPC do 6º ao 10º exercício fiscal; Redução em 25% da taxa de IRPC do 11º ao 15º exercício fiscal; Isenção e reduções igualmente aplicáveis em sede de IRPS. Isenção de direitos aduaneiros e do IVA na importação de materiais e equipamentos; Benefícios complementares: o Crédito fiscal por investimento; o Amortizações e reintegrações aceleradas; o Dedução de despesas realizadas com a modernização e introdução de novas tecnologias; Dedução de determinadas despesas como custos fiscais Isenção do pagamento de direitos aduaneiros e do IVA na importação de bens de equipamento classificados na classe «K» da Pauta Aduaneira; Crédito fiscal por investimento (20%); Benefícios Complementares: o Dedução de despesas realizadas com a formação profissional de trabalhadores moçambicanos; o Dedução de determinadas despesas como custos fiscais. Isenção do pagamento de direitos aduaneiros e do IVA na importação de materiais e bens; Isenção de IRPC nos primeiros 10 exercícios fiscais; Redução em 50% da taxa de IRPC do 11º ao 15º exercício fiscal; Redução em 25% da taxa de IRPC pela vida do projeto. Isenção do pagamento de direitos aduaneiros e do IVA na importação de materiais e bens; Isenção de IRPC nos primeiros 5 ou nos primeiros 3 exercícios fiscais, consoante seja operador de ZEE ou empresa de ZEE; Redução em 50% da taxa de IRPC do 6º ao 10º exercício fiscal ou do 4º ao 10º exercício fiscal, consoante seja operador de ZEE ou empresa de ZEE; Redução em 25% da taxa de IRPC pela vida do projeto ou entre o 11º e o 15º exercício fiscal, consoante seja operador de ZEE ou empresa de ZEE. 176

177 4.7. Principais mecanismos de financiamento Existem vários mecanismos alternativos para investir em Moçambique, sendo que alguns dos bancos comerciais que operam em Moçambique recorrem a financiamento junto de instituições multilaterais financeiras, como por exemplo, o Banco Africano de Desenvolvimento, o Banco Europeu de Investimento e o Banco Mundial, que lhes concedem financiamento para concederem crédito à economia e às empresas. Uma das principais fontes de financiamento estrangeiro consubstancia-se na ajuda pública ao desenvolvimento (APD) proveniente de entidades multilaterais financeiras, como o Banco Mundial, o Banco de Desenvolvimento Africano, e demais entidades da APD (como sejam as agências bilaterais). Acresce que muitos países, entre eles Portugal, através do fundo investimoz, têm disponibilizado linhas de crédito a fim de facilitar e promover as suas próprias exportações para Moçambique e, nalguns casos, para efetuar investimentos. Portugal dispõe de linhas de crédito específicas de apoio à internacionalização das empresas e à exportação, sendo de salientar a linha de crédito ao importador do bem com origem em Portugal, com o apoio da Caixa Geral de Depósitos e outros mecanismos de apoio às empresas exportadoras. Para grandes projetos de investimento com impacto económico em países em desenvolvimento e cujo plano de investimento permita desenvolver a economia existem instrumentos financeiros em algumas destas instituições multilaterais financeiras para apoiar o investimento diretamente às empresas. Para além destas entidades, na Europa existem as Instituições Financeiras ao Desenvolvimento (IFD) que podem financiar projetos de investimento em países em desenvolvimento desde que cumpridos um conjunto de requisitos, entre os quais contribuir para o desenvolvimento económico do país do investimento. Estas instituições poderão constituir um importante mecanismo de financiamento aos investimentos das empresas nos países em desenvolvimento, uma vez que beneficiam de apoios do estado europeu da sua origem e podem aceder a fundos de comunitários orientados para o apoio ao desenvolvimento, permitindolhes financiar projetos de internacionalização de pequenas e médias empresas a condições de mercado mais competitivas, por prazos mais longos e com outros instrumentos alternativos para diminuição dos riscos da operação. Estas instituições também financiam projetos em outros países da CPLP como Angola, São Tomé e Principe, Cabo Verde e Guiné Bissau. As IFD europeias constituíram uma associação designada por European Development Finance Institutions (EDFI), que no final do ano de 2012, em conjunto, detinham um portfolio de projetos num total de cerca de 26 mil milhões de euros, sendo que só no ano de 2012 foram aprovados 4,7 mil milhões de euros em 714 novos projetos 86. Mas nem todas as áreas ou setores de atividades são elegíveis para efeitos de atribuição de financiamento. Em Portugal a Instituição Financeira ao Desenvolvimento é a SOFID, que disponibiliza: Empréstimos; Participações de Capital; Garantias Bancárias; Acesso ao Fundo Português de Apoio ao Investimento em Moçambique (InvestimoZ); Acesso EU/Africa Infrastructure Trust Fund (ITF); o O ITF tem por objetivo captar e mobilizar recursos financeiros e competências técnicas FMO - Netherlands Development Finance Company é uma das maiores Instituições Financeiras de apoio ao desenvolvimento, com um portfolio de projetos de milhões de euros sendo que deste montante cerca de 67% são empréstimos concedidos para investimentos em países em desenvolvimento. Em Portugal a Instituição Financeira de Apoio ao Desenvolvimento SOFID (que integrará o futuro banco de fomento) dispõe de um fundo específico de apoio ao investimento em Moçambique designado por InvestimoZ, reestrurado em Março de De acordo com o Relatório Anual EDFI 2012, acessível: 177

178 para apoiar o investimento em infraestruturas transfronteiriças com impacto regional, em 47 países da África Subsariana, neles se incluindo todos os PALOP; Acesso Neighbourhood Investment Facility (NIF); Acesso Latin America Investment Facility (LAIF); o A LAIF é um instrumento criado pela Comissão Europeia que visa mobilizar financiamentos adicionais para apoiar investimentos na América Latina; Fundo InvestimoZ - Fundo Português de Apoio ao Investimento em Moçambique que financia projetos de investimento de iniciativa pública ou privada em Moçambique, promovidos por empresas portuguesas ou por parcerias Luso-Moçambicanas A SOFID, (que será integrada no futuro banco de fomento português), apresenta condições de financiamento específicas de apoio a projetos de internacionalização, nomeadamente: Montante mínimo por promotor do projeto de investimento de 250 mil euros; máximo de 2,5 milhões de euros; Prazo: até 10 anos; Carência: até 3 anos; Reembolso: em prestações trimestrais, semestrais ou anuais; Taxa de Juro: variável indexada à Euribor, de acordo com o preçário da SOFID no momento, podendo ocorrer eventuais bonificações associadas à mobilização de fundos nacionais ou internacionais disponíveis para ajuda ao desenvolvimento, como sejam o ITF, o NIF e o LAIF; Moeda: Euro, com possibilidade de outras divisas com curso internacional; Garantias dos promotores: garantia internacional ou local, receitas do projeto, hipoteca ou penhor sobre ativos do projeto, garantias pessoais ou outras cauções; Utilização: total ou por tranches (em função da natureza do projeto e sua evolução); Comissões de acordo com o preçário em vigor. Regra geral, os produtos financeiros disponibilizados pelas IFD são: Empréstimos de longo prazo, com taxas a juros de mercado; Empréstimos de longo prazo, com taxas a juros bonificados; Participações de capital; Financiamento mezzanine ; Garantias; Donativos destinados ao financiamento de atividades específicas nos países de menor rendimento; Produtos de gestão de risco; Apoio à realização de estudos de sustentabilidade do projeto. 178

179 Gráfico 82 - Percentagem do valor dos projetos por modalidade de financiamento e setores de atividade Setores de atividade Modalidades de financiamento EDFI 3% 13% 33% 46% 51% 6% Financeiro Infraestruturas Indústria Agroindústria Outros 22% Participações de capital e equiparáveis Empréstimos Subvenções 26% Fonte: Relatório Anual EDFI 2012 Outro instrumento disponível para o financiamento de investimentos de grande dimensão e com reconhecido impacto económico é o Fundo de Cooperação China-Países de Língua Portuguesa. Este fundo, criado em 2010 com intuito de fortalecer a cooperação e as relações de investimento entre a China e os países de língua Portuguesa, disponibiliza um total de mil milhões de USD para projetos de investimento que promovam a melhoria da qualidade de vida das populações e o desenvolvimento social e económico dos países destinatários do financiamento. Um dos critérios elegíveis para obtenção do financiamento é a aposta na utilização de tecnologia industrial avançada. O acesso a este fundo faz-se através do preenchimento da candidatura por parte da empresa ou investidor interessado, e depende da decisão da comissão de investimento, composta por membros da equipa de gestão do fundo. Os montantes máximos de investimento em cada projeto são determinados pela equipa de gestão do fundo e podem variar entre 5 e 20 milhões de USD. No que se refere aos veículos de investimentos, o fundo admite a utilização de diversos instrumentos, adaptados em função das características das empresas e da natureza dos projetos. Nesse sentido, para além dos instrumentos de capital diretos, tais como ações ordinárias de empresas ou projetos, admite-se ainda investimentos de quase capital (instrumentos híbridos de capital e obrigações convertíveis). 179

180 4.8. Competitividade de Moçambique Atratividade de Moçambique no contexto regional No conjunto de relatórios e indicadores que procuram caraterizar os mercados dos vários países mundiais, Moçambique encontra-se classificado na parte inferior do ranking. A título exemplificativo o relatório do Banco Mundial sobre a facilidade de fazer negócio indica que Moçambique se encontra na posição 146, à frente do Maláui, Angola, Zimbabué e da Republica Democrática do Congo. Tabela 44 - Doing Business 2013 Posição por país da SADC Países Facilidade de se fazer negócios Abertura de empresas Obtenção de alvarás de construção Obtenção eletricidade Registo de propriedade Obtenção de crédito Maurícias África do Sul Botsuana Seicheles Namíbia Zâmbia Suazilândia Tanzânia Lesoto Madagáscar Moçambique Malawi Angola Zimbabué Congo

181 Identificam-se como aspetos positivos a rapidez e facilidade na constituição/abertura de uma empresa e a facilidade na obtenção de crédito. No entanto os custos de contexto mantêm-se significativos. Os fluxos do IDE em Moçambique indicados pela UNCTAD, indicam que os valores oficiais de IDE atingiram em 2012 o montante de 5,2 mil milhões de dólares, comparando de forma muito positiva com os restantes países da SADC. Na SADC, Moçambique é o primeiro destino de fluxo de IDE da SADC com cerca de 29% do total de IDE para a região que é revelador da atratividade que a sua economia tem vindo a gerar. Foram vários os fatores que contribuíram para o crescimento do Investimento Direto Estrangeiro (IDE) em Moçambique, de USD 5.2 mil milhões de em 2012, na sua maioria canalizado para as indústrias extrativas, juntamente com o forte crescimento agrícola e o investimento em infraestruturas. Já no ano anterior, em 2011, o investimento do setor privado atingiu mais de 1,9 mil milhões de USD, como resultado do IDE em mega projetos do carvão. Um total de novos empregos foram criados pelos 285 novos projetos, dos quais 13 na zona Económica Exclusiva de Nacala, representando um investimento 400 milhões de USD por parte de empresas exportadoras. Há um conjunto de novos indicadores que sustentam a manutenção de valores elevados de IDE, nomeadamente: Um forte investimento no setor de cimento estimando-se que a produção triplique até 2013, através do investimento realizado por empresas chinesas (África Great Wall Cement Manufacturer, China International Fund, GS Cimento e Bill Wood) e da África do Sul, Pretoria Portland Cement com um investimento global de 450 milhões de USD; Um novo operador móvel, Movicel com investimento recente no montante de USD 400 milhões, que resulta de uma joint-venture entre a Viettel, uma empresa de telecomunicações da propriedade do Ministério da Defesa do Vietname e a SPI (Gestão e Investimentos). A descoberta de extensas reservas off-shore de gás natural. 181

182 4.9. Principais constrangimentos ao IDE e Exportação No que diz respeito às principais dificuldades e/ou constrangimentos à exploração do mercado interno e ao investimento direto estrangeiro em Moçambique pode enumerar-se um conjunto de constrangimentos Alfândegas Barreiras aduaneiras: tarifas, barreiras não tarifárias, outros impedimentos Licenciamento das Importações para Moçambique Moçambique faz parte da Organização Mundial do Comércio e tem vindo a adotar medidas que visam harmonizar a importação de produtos em linha com as orientações da OMC. O documento necessário para o Despacho Alfandegário das mercadorias que entram ou saem de Moçambique é designado por Documento Único (DU) e o processamento de toda a informação e despachos é realizado através de uma plataforma informática designada por JUE Janela Única Eletrónica. A declaração aduaneira é submetida às Alfândegas diretamente pelo importador ou exportador ou pelo seu representante legalmente habilitado. A importação não está sujeita, por regra, a restrições especiais, mas existem produtos cuja importação estão proibidos, nos termos do Decreto n.º 34/2009, de 6 de julho, que estabelece as regras de desembaraço aduaneiro de mercadoria. As taxas de direitos aduaneiros e demais imposições aplicáveis no caso de importação, são as constantes da Pauta Aduaneira, à data da aceitação da declaração aduaneira pelas Alfândegas. Além da taxa de direitos aduaneiros e de outras obrigações da responsabilidade do importador ou do exportador é devida uma Taxa de Serviços Aduaneiros (TSA), prevista na Lei n.º 6/2009, de 10 de março, fixada no valor de cerca de USD 85 por cada operação de importação com isenção de direitos aduaneiros e é cobrado em todos DU. Por outro lado, alguns dos produtos exportados para Moçambique estão sujeitos ao procedimento de Inspeção Pré-Embarque de acordo com a respetiva restrição indicada por produto na posição pautal, como sucede com algumas carnes, farinhas, cimento, produtos químicos, medicamentos, fósforos, pneus novos e usados e veículos, com algumas exceções. Há empresas privadas que estão devidamente licenciadas para procederem às inspeções pré-embarque. É importante para o exportador conhecer quais os produtos sujeitos a esta classificação, pré-embarque, atendendo a que as mercadorias sujeitas à inspeção pré-embarque que não sejam submetidas à mesma no processo de importação, são sujeitas a inspeção pós-desembarque e ao pagamento da multa de 10% sobre o valor da importação ou, quando não respeitem as especificações técnicas e outros requisitos previstos na lei, são sujeitas a devolução ou destruição, consoante o caso, correndo por conta do importador e exportador todas as despesas inerentes à realização da operação de devolução ou destruição. Existe igualmente um conjunto de mercadorias sujeitas a um regime especial, tais como medicamentos, armas, selos e valores selados, ouro, prata e platina, notas e moedas estrangeiras. Moçambique tem ainda um conjunto de regimes aduaneiros especiais que permitem soluções diferenciadas para os investidores em Moçambique ou na SADC. São regimes aduaneiros especiais os de: exportação 182

183 temporária, reimportação, reexportação, trânsito aduaneiro, transferência, armazéns de regime aduaneiro, lojas francas, zonas francas, entre outros previstos por lei. Um dos regimes especiais, o de importação temporária para futura reexportação (por exemplo para outro estado da SADC), permite a suspensão no pagamento de direitos aduaneiros e demais imposições, desde que satisfeitas as condições determinadas em legislação específica, entre outras, a prestação de garantia em percentagem do valor da importação. Entre as mercadorias elegíveis para o regime de importação temporária estão, entre outros, os animais reprodutores, os aparelhos, utensílios, ferramentas e máquinas para utilização temporária em atividades agrícolas, industriais e de construção e outros. O período de suspensão varia entre 30 a 360 dias consoante a mercadoria. Todas as mercadorias objeto de importação /exportação devem apresentar etiqueta que identifique o País de fabrico. Todas as mercadorias importadas devem ter uma fatura comercial com os seguintes requisitos: Número e data da fatura; Número de ordem ou «de encomenda»; Nome completo e endereço do vendedor e do comprador; Nome completo do consignatário se for diferente do comprador; Descrição completa da mercadoria; Quantidades de mercadorias fornecidas; Preço por unidade (preço unitário); Preço total, (preço unitário vezes o número de unidades) por extenso; Preço total e a moeda utilizada na emissão da fatura; Outros custos (encargos adicionais e particulares); Acordos/termos de venda; Acordos/termos de pagamento; País de origem; Autenticação. Nota: Quando as faturas vierem emitidas em língua estrangeira as Alfândegas podem solicitar a sua tradução para a língua portuguesa. Direitos aduaneiros As mercadorias exportadas para Moçambique por qualquer via estão sujeitas ao pagamento dos direitos e ao regime pautal em vigor no dia em que sejam desembaraçadas da acção fiscal, mesmo que se encontrem depositadas em entrepostos ou armazéns de regime aduaneiro ou livre. No que respeita aos direitos aduaneiros estes são calculados numa base ad valorem sobre o valor CIF (custo, seguro e frete) das mercadorias e variam de acordo com a pauta aduaneira de Moçambique, entre 2,5% (matérias-primas, como o Zinco) e 20% (bens de consumo não essenciais). Além dos direitos alfandegários, os produtos importados estão sujeitos a outros impostos: Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) - Estão submetidas a IVA as transmissões de bens e as prestações de serviços efetuadas em território nacional e as importações de produtos, tendo sido fixada uma taxa única no valor de 17%; 183

184 Imposto sobre Consumos Específicos (ICE) - Imposto aplicável a um conjunto diferenciado de bens, com taxas variáveis, como por exemplo: cerveja (10%); vinho (55%); e cigarros (75%) Entrada e saída de capitais Repatriamentos dos lucros No ordenamento jurídico Moçambicano os investidores estrangeiros (sejam eles pessoas singulares ou coletivas) podem beneficiar das garantias e incentivos previstos na Lei de Investimentos, nomeadamente, o direito ao repatriamento do capital investido e dos lucros obtidos, a garantia de segurança e proteção pelo Estado aos investimentos e à propriedade privada, e os incentivos fiscais e aduaneiros. Transferência de fundos para o exterior A Lei de Investimentos atribui ao investidor estrangeiro o direito de transferir para o exterior os fundos obtidos em consequência da sua atividade em Moçambique desde que verificado o cumprimento de alguns requisitos, nomeadamente: Lucros exportáveis resultantes de investimentos elegíveis à exportação de lucros nos termos da regulamentação da Lei de Investimentos; Royalties ou outros rendimentos de remunerações de investimentos indiretos associados à cedência ou transferência de tecnologia; Amortizações e juros de empréstimos contraídos no mercado financeiro internacional e aplicados em projetos de investimento realizados em Moçambique; Produto de indemnizações que resultem da nacionalização ou expropriação de bens e direitos que constituam investimento autorizado; Capital estrangeiro investido e reexportável, independentemente da elegibilidade ou não do respetivo projeto de investimento à exportação de lucros nos termos da regulamentação da Lei de Investimentos Direito e Uso de Aproveitamento da Terra (DUAT) em Moçambique Em Moçambique, a terra é propriedade do Estado, não podendo ser vendida, hipotecada ou mesmo penhorada. No âmbito do investimento estrangeiro qualquer investidor que pretenda realizar o investimento tem de se estabelecer em solo Moçambicano por forma a desenvolver a sua atividade. Sendo o direito de propriedade titularidade do estado, este facto origina alguns constrangimentos, visto a Constituição da República atribuir um direito real menor o direito de uso e aproveitamento da terra (DUAT). A forma de concessão do direito e uso aproveitamento da terra (DUAT) segue regras bastante complexas que por vezes tornam o processo bastante moroso e burocrático. Formas de atribuição do DUAT As condições de uso e aproveitamento da terra são determinadas pelo Estado. O direito de uso e aproveitamento da terra é conferido às pessoas singulares ou coletivas tendo em conta o seu fim social. 184

185 Na titularização do direito de uso e aproveitamento da terra, o Estado reconhece e protege os direitos adquiridos por herança ou ocupação, salvo havendo reserva legal ou se a terra tiver sido legalmente atribuída a outra pessoa ou entidade. O direito de uso e aproveitamento da terra, não pode ser concedido nas zonas de proteção total e parcial, visto tratar-se de zonas de domínio público (zonas destinadas à satisfação do interesse público). Nestas zonas só é permitido o exercício de determinadas atividades mediante emissão de licenças especiais. A aprovação do pedido do DUAT não dispensa a obtenção de licenças ou outras autorizações exigidas por legislação aplicável ao exercício de atividades económicas pretendidas (agropecuária ou agroindustriais, industriais, turísticas, comerciais, pesqueiras e mineiras e à proteção do meio ambiente). As referidas licenças terão o seu prazo definido de acordo com a legislação aplicável, independentemente do prazo autorizado para o exercício do direito de uso e aproveitamento da terra. O direito de uso e aproveitamento da terra para fins de atividades económicas está sujeito ao prazo máximo de 50 anos, renovável por igual período a pedido do interessado. Após o período de renovação, um novo pedido deve ser apresentado Falta de mão-de-obra qualificada e a contratação de mão-de-obra estrangeira A falta de mão-de-obra qualificada em setores técnicos específicos como o de petróleo, gás, carvão, saúde e outros setores essenciais para o desenvolvimento do país apresenta-se como um dos maiores constrangimentos ao investimento estrangeiro em Moçambique. Apesar disso, tem-se verificado um abrandamento destes constrangimentos, essencialmente causado pela massificação do ensino. Os constrangimentos ainda existentes tornam necessário o recurso por parte do investidor à contratação de mãode-obra estrangeira como forma de solucionar o problema. Contratação de mão-de-obra estrangeira A Lei do trabalho em Moçambique prevê expressamente a possibilidade de contratação de trabalhadores estrangeiros, a qual se rege pelo princípio da igualdade de tratamento e oportunidades. Tal princípio não afasta, porém, o dever que impende sobre os empregadores, nacionais e estrangeiros, de criar condições para a integração de trabalhadores moçambicanos nos postos de trabalho de maior complexidade técnica e em lugares de gestão e administração da empresa e a possibilidade de, por razões ponderosas, nomeadamente de interesse público, o Estado moçambicano reservar exclusivamente a cidadãos nacionais determinadas funções ou atividades. O exercício de uma atividade profissional remunerada em Moçambique por parte do trabalhador estrangeiro está condicionado à atribuição prévia do visto de entrada adequado a esse fim. O regime geral da contratação de estrangeiros encontra-se regulado pelo Decreto n.º 55/2008, de 30 de Dezembro, que prevê os termos e os regimes admissíveis de contratação de trabalhadores estrageiros que pretendam trabalhar em Moçambique. Nos termos do decreto-lei anteriormente referido, o contrato de trabalho celebrado com cidadão estrangeiro obedece às seguintes regras: a) Deve revestir a forma escrita; b) É sempre celebrado a termo certo e por período não superior a dois anos, podendo ser renovado mediante a apresentação de novo pedido; c) É convertido em contrato de trabalho por tempo indeterminado, independentemente do número de renovações. 185

186 No caso de cessação, por qualquer motivo, o empregador deve comunicar o fato à entidade que superintende a área do trabalho e aos serviços de migração da província do local de trabalho no prazo não superior a 15 dias a contar da data da cessação. Nos termos do regime geral, a contratação de estrangeiros obedece a vários regimes alternativos: Regime de contratação de estrangeiros Contratação no âmbito do regime de quotas Contratação ao abrigo de projetos de investimento aprovados pelo Governo Trabalho em regime de curta duração Contratação mediante autorização de trabalho (fora do regime de quotas) Caracterização Nas grandes empresas, 5% da totalidade dos trabalhadores; Nas médias empresas, 8% da totalidade dos trabalhadores; Nas pequenas empresas, 10% da totalidade dos trabalhadores, com o limite mínimo de um trabalhador. No âmbito do regime de quotas, a admissão de trabalhadores estrangeiros não carece de autorização ministerial, mas apenas de comunicação ao ministro que superintende a área do trabalho ou entidade a quem este delegue, acompanhada de todos os documentos legalmente exigidos Em projetos de investimento aprovados pelo Governo nos quais se preveja a contratação de trabalhadores estrangeiros em percentagem inferior ou superior às quotas acima indicadas, é igualmente dispensada a autorização de trabalho; Apenas é suficiente a comunicação ao ministro que superintende a área do trabalho ou à entidade a quem este delegar; Também a contratação de trabalhador estrangeiro para prestação de trabalho de curta duração (não superior a 30 dias, seguidos ou interpolados) não carece de autorização ministerial, sendo suficiente a comunicação dos elementos legalmente exigidos à entidade provincial competente, podendo o seu período ser prorrogado, desde que obtida a competente autorização e a sua duração total não exceda 90 dias. Considera-se curta duração o período de trabalho não superior a 30 dias. Não carece de autorização de trabalho. Os trabalhadores estrangeiros poderão ainda ser contratados fora de quota, desde que, após requerimento acompanhado de todos os documentos legalmente exigidos, a entidade patronal consiga a necessária autorização do Ministro que superintende a área do trabalho ou da entidade a quem este delegar; Neste último caso, a contratação do trabalhador estrangeiro só é admissível quando este possua as qualificações académicas ou profissionais necessárias e não haja cidadãos nacionais que possuam tais qualificações ou, havendo, o seu número seja insuficiente e determine a indisponibilidade no mercado de trabalho; A contratação de trabalhadores estrangeiros para prestar serviço nas zonas francas industriais e setores de atividade específicos, tais como função pública e setor de petróleos e minas, é regulada por regimes especiais. No que respeita ao setor mineiro e petrolífero, a contratação de trabalhadores estrangeiros não difere, no essencial, do regime geral descrito (Decreto n.º 63/2011, de 7 de dezembro), com exceção da qualificação do regime de trabalho de curta duração como aquele que não excede 180 dias, seguidos ou interpolados, no mesmo ano civil, ainda que o cidadão estrangeiro se encontre vinculado por contrato com a empresa titular, concessionária, operador, subcontratado ou suas representadas sediadas num outro país. Regra geral, a contratação de trabalhadores estrangeiros está sujeita ao pagamento de taxas legalmente fixadas e o incumprimento das respetivas normas legais sujeita o empregador a sanções várias, tais como suspensão e multa. 186

187 Estabilidade legal e fiscal Barreiras legais, fiscais e regulamentares O Governo de Moçambique tem vindo a realizar esforços significativos para melhorar a eficiência fiscal, encontrando-se em curso a reforma fiscal. O sistema fiscal Moçambicano é composto por diversos impostos e taxas, nomeadamente os seguintes: Tabela 45 - Quadro resumo com os principais impostos de Moçambique Imposto Taxa Sujeito passivo/base tributável Imposto Único sobre o Rendimento (Pessoas Singulares) Taxas Progressivas (entre 11,67% e 35%) Pessoas singulares residentes em Moçambique (nomeadamente os que permanecem em Moçambique por mais de 180 dias ou que mantenham uma residência permanente em Moçambique) sobre o valor global anual dos rendimentos; Pessoas singulares não residentes que obtenham rendimentos em Moçambique; Rendimentos obtidos em Moçambique, excluindo-se aqueles que foram obtidos fora do território do país; Os rendimentos obtidos por pessoas singulares dividem-se pelas seguintes categorias: 1ªCategoria rendimentos trabalho dependente, pensões ou outros equiparáveis; 2ªCategoria rendimentos empresariais e profissionais; 3ªCategoria-rendimentos de capitais e mais-valias; 4ªCategoria- rendimentos prediais; 5ª Categoria incrementos patrimoniais, ganhos efetivamente pagos ou colocados à disposição provenientes, nomeadamente de sorteiros e lotarias Imposto Único sobre o Rendimento (Pessoas Coletivas) 32% /10% Pessoas coletivas residentes em Moçambique e pessoas coletivas não residentes mas que aí possuam estabelecimento estável, ou que obtenham rendimentos no território; Mais-valias incluídas no lucro tributável; diferimento de tributação em caso de reinvestimento; Isenção de tributação da totalidade dos dividendos distribuídos por subsidiárias no estrangeiro (20%, 2 anos consecutivos); Reporte de prejuízos fiscais: 5 anos; Crédito de imposto sujeito à existência de convenção para evitar a dupla tributação CDT); Taxa reduzida 10% aplicável : agricultura; criação de gado. SISA 2%/10 Transmissões onerosas taxa normal (2%); 10% (Residentes em países com regime fiscal privilegiado) Imposto sobre o Valor Acrescentado 17% Transmissão de bens, prestação de serviços e importação de bens; Imposto do Selo Imposto sobre Sucessões e Doações Imposto sobre Consumos Específicos Variável (0,03% a 2%) Variável (2% a 10%) Taxas ad valorem variam de 5% a 75%) Financiamento, hipotecas e outras garantias, juros e comissões de contraprestação de serviços bancários, transmissões de imóveis. Transmissões gratuitas de bens, incluindo heranças ou legados, doações ou transações judiciais; Bebidas alcoólicas, tabaco, produtos de cosmética, joalharia e pedras preciosas, veículos automóveis, entre outros. 187

188 Comparabilidade do sistema fiscal de Moçambique no contexto da SADC Moçambique, comparativamente com outras economias a nível mundial, encontra-se classificado em 105º lugar, a meio da tabela em termos mundiais, no que diz respeito à tabela de competitividade do Relatório do Banco Mundial, o Paying Taxes. Este indicador mede não só a complexidade do sistema fiscal do país, associada ao número de pagamentos a efetuar e ao tempo despendido anualmente no cumprimento das obrigações fiscais por parte das empresas, mas também a taxa de imposto total que incide sobre as empresas a atuar no território. No contexto da SADC, conclui-se que a posição mediana de Moçambique nesse ranking deriva da elevada média de números de pagamentos, associado à elevada carga de imposto sobre os lucros. Tabela 46 - Paying Taxes - SADC Países Rank Pagamentos (número) Tempo (horas por ano) Imposto sobre os lucros (% lucros) Contribuições e impostos sobre o trabalho (% lucros) Outros impostos (% lucros) Total (% lucros) Maurícias ,6 9,6 7,3 28,5 Seicheles ,3 1,7 0,7 25,7 África do Sul ,3 4,1 4,9 33,3 Botsuana ,7 0,0 3,6 25,3 Zâmbia ,1 10,4 3,7 15,2 Maláui ,6 7,7 3,5 34,7 Swazilândia ,1 4,0 4,7 36,8 Madagáscar ,0 20,3 1,6 36,0 Lesoto ,1 0,0 3,0 16,0 Moçambique ,7 4,5 2,1 34,3 Namíbia ,2 1,0 4,5 22,7 Tanzânia ,2 18,0 7,1 45,3 Zimbabué ,5 5,1 10,1 35,8 Angola Congo

189 Tabela 47 - Paying Taxes CPLP Países Rank Pagamentos (número) Tempo (horas por ano) Imposto sobre os lucros (% lucros) Contribuições e impostos sobre o trabalho (% lucros) Outros impostos (% lucros) Total (% lucros) Timor-Leste ,9 0,0 0,2 15,1 Portugal ,5 26,8 1,4 42,6 Cabo Verde ,0 18,5 0,7 37,2 Moçambique ,7 4,5 2,1 34,3 São Tomé e Príncipe ,1 6,8 3,6 32,5 Guiné-Bissau ,9 24,8 6,1 45,9 Angola ,6 9,0 19,5 53,2 Brasil ,6 24,6 40,8 3,8 69, Obtenção de vistos, disponibilidade de mão-de-obra A dificuldade de obtenção de vistos de entrada tem sido um dos grandes entraves ao investimento direto estrangeiro (IDE). Para a entrada no território Moçambicano é exigido qualquer um dos seguintes documentos: Passaporte ou documento equiparado válido para o país e visto de entrada emitido pelas autoridades moçambicanas competentes, igualmente válidos; Outros documentos estabelecidos em convenções ou acordos internacionais a que Moçambique se encontre vinculado. Acordos de supressão de vistos Os países com os quais Moçambique assinou acordos de supressão de vistos até a data são os seguintes: África do Sul, Botsuana, Maláui, Maurícias, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabué. No âmbito da CPLP, Moçambique é signatário de um acordo que visa a supressão de vistos para os cidadãos desses países, titulares de passaportes especiais (diplomáticos ou de serviço). Visto de entrada em Moçambique Tipos e requisitos gerais de obtenção Os vistos de entrada para Moçambique podem ser obtidos nas Missões Diplomáticas e Consulares de Moçambique no estrangeiro, nos postos fronteiriços autorizados para o efeito, nos Serviços de Migração e no Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação. 189

190 A escolha do visto deve ser adequado às finalidades de deslocação a esse país, sob pena de o estrangeiro ficar sujeito às penalidades previstas pelo regime em caso de incumprimento. Regra geral, a concessão depende dos seguintes requisitos, sem prejuízo da documentação específica que poderá ser requerida em função da natureza do visto solicitado: Passaporte ou documento equiparado com prazo de validade igual ou superior a 6 meses; Comprovativo de meios de subsistência; Pagamento da taxa devida. O visto pode revestir qualquer das modalidades previstas no regime que regula a entrada e permanência de estrangeiros em Moçambique, nomeadamente os seguintes: Visto de residência, visto turístico, visto de trânsito, visto de visita, visto de negócios, visto de estudante. O visto de entrada pode ser individual ou coletivo, simples ou múltiplo, em função do número de pessoas a quem é concedido, e número de entradas permitidas no país, respetivamente A entrada no país deve ser feita pelos postos fronteiriços oficialmente estabelecidos para o efeito. No momento da entrada, o cidadão estrangeiro está sujeito aos procedimentos migratórios das autoridades competentes, entre outros previstos na lei Modelos de cobertura de risco Financeiros, operacionais, propriedade Apesar de não ser obrigatório é recomendável estabelecer um contrato de seguro sobre as mercadorias e bens com destino a Moçambique, que poderá ser realizado por empresas seguradoras privadas. Os seguros de crédito à exportação são importantes instrumentos críticos na promoção e sucesso das exportações. A concessão, ou não, dos seguros e o seu preço são, por vezes, entraves à atividade exportadora e à concretização de oportunidades de negócio. Os seguros de crédito possibilitam aumentar a confiança nos negócios com os agentes compradores, incentivando assim as transações, diminuindo o risco de incumprimento em matéria de pagamento das mercadorias exportadas. A concessão de seguro às empresas exportadoras materializa-se com operações de empréstimo às empresas, logo dependentes de plafonds que as empresas têm no sistema financeiro e sujeitas a taxas indexadas ao risco que o seu perfil determina. São dois os principais riscos cobertos pelos seguros de exportação: Risco comercial: Como por exemplo o risco de falência ou insolvência do devedor; atraso de pagamento (mora); insuficiência de meios; concordata ou moratória; Risco Político: Como por exemplo o risco da ocorrência de atos como nacionalizações, guerras, revoluções, motins, anexações e riscos derivados (confisco de bens, dificuldades de transferência/conversão, etc.). Estado tem procurado reduzir os custos dos seguros de crédito através da minimização do risco das entidades seguradoras, ou seja, substituindo-se em parte ao devedor. Este objetivo é conseguido através da criação de linhas de seguro de crédito com garantia do Estado. Esta garantia pode ser concedida diretamente ou indiretamente através do financiamento público de sociedades de garantia mútua. Atualmente a segunda opção é a mais utilizada 190

191 No caso dos seguros de créditos com Garantia do Estado, o operador único, por protocolo com o Estado Português, é a empresa Companhia de Seguro de Créditos (COSEC) que, para além do seguro de crédito à exportação dispõe de um mecanismo de garantias de seguro de caução. Existe igualmente uma linha de seguro de créditos à exportação para para Países Fora da OCDE, Turquia e México com Garantia do Estado. Além destas soluções, existem um conjunto de outros instrumentos financeiros que estão disponíveis não só na banca comercial como em fundos de investimento que visam mitigar o risco do investimento estrangeiro. Nessa situação, há instrumentos que visam assegurar o risco cambial e outros riscos associados ao investimento que poderão ser devidamente avaliados em fase de decisão de internacionalização ou exportação Sistema jurídico e judicial O sistema judiciário de Moçambique está estruturado em 3 categorias principais para além das estruturas tradicionais como os tribunais comunitários e os tribunais que surgiram recentemente (tribunal superior de recursos, tribunal de polícia): 1- Tribunais Judiciários - Tribunal Supremo, Tribunais Provinciais e Tribunais Distratais; 2- Tribunais Administrativos - Agrega o tribunal de contas; 3- Tribunal Constitucional - Anterior conselho constitucional. Os Tribunais judiciários podem ser descritos, fundamentalmente, da seguinte forma: Tabela 48 Tribunais judiciários em Moçambique. Tipos de Tribunais Judiciários Competência Organização Nº de Tribunais Tribunal Supremo O tribunal Supremo é o mais alto órgão da hierarquia dos tribunais judiciários e tem jurisdição em todo o território nacional Constituído pelo Plenário e Secções de competência/especializadas 1 Tribunais Superiores de Recurso Os tribunais superior se recursos são por essência tribunais de recursos Secções de competência genérica e Secções de competência especializadas 3 Tribunais Provinciais Os tribunais de província têm competência cível e criminal Os tribunais provinciais podem organizar-se em Secções de competências genéricas ou especializadas a estabelecer por despacho do presidente do tribunal supremo 11 Tribunais Distritais São tribunais de primeira e segunda instancia Competência genérica em matéria cível, Familiar e criminal Os tribunais distritais são tribunais por regra de competências genéricas podendo organizar de forma especializada quando assim for necessário

192 Ao Tribunal Administrativo compete a fiscalização da legalidade dos atos administrativos e da execução de normas regulamentares emitidas pela Administração Pública, assim como das contas do Estado e da despesa pública. O Conselho Constitucional tem competência nas matérias de âmbito constitucional e eleitoral, e tem jurisdição em todo o território Moçambicano Resolução extrajudicial de litígios em Moçambique Em Moçambique, a resolução de litígios através da arbitragem encontra-se regulada na Lei de Arbitragem, Conciliação e Mediação (Lei n.º 11/99, de 8 de julho), que estabelece equivalência entre a decisão tomada por um Tribunal Arbitral a uma sentença de um Tribunal Judicial de Primeira Instância, reconhecendo-lhe igualmente a respetiva força executiva necessária à sua execução Moçambique aderiu à Convenção de Nova Iorque sobre o reconhecimento e execução de sentenças arbitrais estrangeiras. A Lei do Investimento admite que em caso de diferendo entre um investidor estrangeiro e o Estado Moçambicano, desde que não haja disposição legal imperativa em contrário, a possibilidade de recurso à arbitragem comercial internacional nos termos das seguintes regras: Arbitragem da Câmara de Comércio Internacional, com sede em Paris; Regras da Convenção de Washington, de 15 de março de 1965, sobre a Resolução de Diferendos Relativos a Investimentos entre Estados e Nacionais de Outros Estados e do Centro Internacional para a Resolução de Diferendos Relativos a Investimentos entre Estados e Nacionais de Outros Estados (ICSID); Regras do Regulamento do Mecanismo Suplementar, aprovado a 27 de setembro de 1978 pelo Conselho de Administração do ICSID, se a sociedade estrangeira não preencherem as condições de nacionalidade previstas no artigo 25 da Convenção de Washington. 192

193 4.10. Principais características dos acordos Moçambicanos no domínio do comércio e investimento Protocolos existentes e posicionamento de Moçambique face aos mesmos O Tratado da Fundação da SADC e a adesão da República de Moçambique. Moçambique é membro de pleno direito da SADC desde a criação desta organização regional em 1990, o Tratado da SADC como um instrumento legal inicial que permitiu a cooperação politica numa primeira fase entre os países da SADC. Processo de implementação dos vários protocolos da SADC em Moçambique No âmbito da integração regional em curso na SADC, a República de Moçambique assinou e ratificou quase todos os Protocolos da SADC e outros instrumentos jurídicos que visam facilitar a cooperação e integração sócio-económica entre os países da SADC. Tabela 49 - Protocolos da SADC e posicionamento de Moçambique face aos mesmos Nome do Protocolo/Tratado/ Acordo/ Memorando de entendimento Data da Assinatura Data da entrada em vigor Tratado da SADC 17 de agosto de setembro 1993 Protocolo sobre Imunidades e Privilégios 17 de agosto de setembro 1993 Protocolo sobre Sistemas de Cursos de Água Partilhados 28 de agosto de setembro 1998 Protocolo sobre Energia 24 de agosto de abril 1998 Protocolo sobre Transportes, Comunicações e Meteorologia 24 de agosto de julho 1998 Protocolo sobre Combate a Drogas Ilícitas 24 de agosto de março 1999 Protocolo sobre Comércio 24 de agosto de janeiro 2000 Protocolo sobre Educação e Formação 8 de setembro de julho 2000 Protocolo sobre Minas 8 de setembro de fevereiro 2000 Protocolo sobre Desenvolvimento do Turismo 14 de setembro de novembro 2002 Protocolo sobre Conservação da Fauna Brava e Policiamento 18 de agosto de novembro 2003 Memorando de entendimento Cooperação na Padronização, Qualidade, Segurança, Acreditação Meteorologia SADC 9 de novembro de julho 2000 Protocolo sobre Tribunais e Normas de Procedimento 7 de agosto de setembro 2003 Protocolo Revisto sobre Recursos Hídricos Comuns 7 de agosto de agosto

194 Nome do Protocolo/Tratado/ Acordo/ Memorando de entendimento Data da Assinatura Data da entrada em vigor Acordo sobre Emenda ao Tratado da SADC 14 de agosto de agosto 2001 Protocolo sobre Cooperação em Política, Defesa e Segurança 14 de agosto de março 2004 Protocolo sobre Pescas 14 de agosto de agosto 2003 Acordo sobre Emenda do Protocolo sobre Tribunais e Normas de Procedimentos Memorando de entendimento sobre Cooperação em Impostos e Matérias Afins 3 de outubro de outubro de agosto de agosto 2002 ME sobre Convergência Macroeconómica 8 de agosto de agosto 2002 Carta dos Direitos Sociais Fundamentais 26 de agosto de agosto 2003 A Prevenção e Erradicação da violência contra mulheres e crianças, uma adenda à Declaração sobre Género e Desenvolvimento 14 de setembro 1998 Não requer ratificação A implementação do Protocolo de livre circulação de pessoas e bens em Moçambique Moçambique ratificou o acordo de supressão de vistos no quadro jurídico do protocolo da livre circulação da SADC com 8 Estados Membros nomeadamente: África do Sul, Botsuana, Suazilândia, Maurícias, Maláui, Tanzânia, Zimbabué, Zâmbia, permitindo desta forma a livre circulação das pessoas entre estes países, estando previsto para os próximos anos a assinatura de acordos de livre circulação para os restantes países da região. Neste âmbito, as negociações com a Namíbia e Angola estão numa fase mais avançada. Protocolo sobre o comércio na SADC África Austral e a SADC A SADC para além de pretender a abolição das barreiras tarifárias e não tarifárias (Zona de Comércio Livre) cuja implementação passa pela constituição de um Regime Geral de Origem "regras de Origem" ela assume também as características de um Mercado Comum (Livre circulação dos fatores de produção e de União Económica) Coordenação e harmonização das Políticas Económicas. O Protocolo do Comércio entrou em vigor a 25 de janeiro do ano 2000, e tem como Estados a adesão de quase todos os Estados Membros da SADC com a exceção de Angola, República Democrática do Congo e Seicheles. No âmbito do Protocolo da SADC, os Estados Membros iniciaram um processo de eliminação de taxas de importação. 194

195 Programa de Eliminação de Taxas de importação na SADC Categoria A - Liberalização imediata Todas as linhas tarifárias dentro desta categoria são imediatamente reduzidas a 0 % desde a data de implementação. Categoria B - Liberalização gradual (O Princípio de Assimetria) Adiantamento liberalização gradual pela SACU (União Aduaneira dos Países da Africa Austral) as linhas tarifárias são reduzidos em prestações iguais desde o 1º ao 8º ano (desde o ano 2000 ate 2008). Normalização liberalização gradual pelas Maurícias e Zimbabué as linhas tarifárias são reduzidas por prestações iguais desde 4º ao 8º ano. Atraso liberalização gradual pelo MMTZ (Moçambique, Maláui, Tanzânia, Zâmbia) - as linhas tarifárias são reduzidas por prestações iguais desde o 6º ao 8º ano. Categoria C - mercadorias Sensíveis Este refere-se às mercadorias de importância económica aos Estados-membros. A redução tarifária de tais mercadorias só começa depois do período de 8 anos. Representam 15 % ou menos das linhas tarifárias. Categoria E - Lista de exclusão Na lista de exclusão entram mercadorias, tais como armas de fogo. Desde janeiro de 2008, quando a SADC atingiu o estatuto de ZCL, os produtores e os Consumidores não pagam taxas de importação em aproximadamente 85 % de todo o comércio de bens de primeira necessidade nos 12 países iniciais. As linhas tarifárias restantes serão quase totalmente eliminadas até Acordos críticos estabelecidos (PTA, DTT, BTA e BIT) Acordos especiais MMTZ (Moçambique, Maláui, Tanzânia e Zâmbia) Ao abrigo das Regras de Origem da SADC, Moçambique, Maláui, Tanzânia e Zâmbia (MMTZ) têm dispensa especial para os artigos de vestuário e tecidos exportados para África do Sul e para os países da SACU (união aduaneiras dos países da africa austral) parceiros do Botsuana, Lesoto, Namíbia e Suazilândia. Estes acordos oferecem maior flexibilidade e facilitam as transações comerciais entre países da região. Acordos Bilaterais celebrados por Moçambique Há um conjunto de acordos bilaterais que são essenciais para compreender os mecanismos que poderão facilitar o acesso dos investidores estrangeiros, nomeadamente Portugueses, aos mercados: os acordos comerciais de investimento, os acordos de promoção e proteção recíproca de investimentos e os acordos para evitar a dupla tributação. Face aos riscos acrescidos que o investimento no exterior envolve é importante que o investidor tenha conhecimento dos mercados em que o investimento é seguro e com relativa proteção da ordem jurídica local. Os Acordos de Promoção e Proteção Recíproca de Investimentos são importantes instrumentos de regulação e proteção do investimento entre investidores dos vários Estados, assegurando, em regime de reciprocidade, 195

196 um tratamento mais favorável e a garantia de proteção e segurança plena dos investimentos realizados. Regra geral, abrangem quatro grandes áreas: admissão dos investimentos, tratamento dos investimentos, expropriação e perdas no investimento e resolução de conflitos. Tabela 50- Acordos Bilaterais de Moçambique Acordos Bilaterais SADC África Mundo Acordos Comerciais e de Investimento África do Sul Maurícias República da Argélia Egito Bélgica Dinamarca França Portugal Suíça Indonésia Índia Irlanda do Norte Luxemburgo Reino Unido Estados Unidos de América Vietname Bélgica Dinamarca França Portugal Suíça Indonésia Índia Irlanda do Norte Luxemburgo Reino Unido Estados Unidos de América Vietname Acordos de Promoção e Proteção Reciproca de Investimentos África do Sul Maurícias República da Argélia Egito Acordos entre Estados Unidos e Moçambique AGOA A Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA), aprovada em 2000, tem vindo a permitir a exportação de bens e produtos para os Estados Unidos sem estes estarem sujeitas a taxas alfandegárias. Para beneficiarem deste regime fiscal é necessário que os produtos sejam de origem Africana, e que os países em causa estejam a adotar medidas para a implementação duma economia de mercado livre, através de políticas democráticas. Moçambique, tal como outros países da África Subsaariana, beneficia das condições e vantagens proporcionadas pela AGOA na exportação dos produtos para os Estados Unidos. Apesar de serem os produtos petrolíferos os mais destacados nas trocas comerciais entre os países africanos beneficiários da Lei AGOA e os EUA, representando mais de 90% do volume das importações, os países têm vindo a realizar um esforço adicional para alargar a base das trocas comerciais para produtos como o vestuário, calçado, produtos agrícolas processados e produtos manufaturados. 196

197 Acordos entre a União Europeia e Moçambique O Acordo Cotonu O Acordo de Cotonu, assinado por 79 países em 2000, é o principal instrumento para a prestação de assistência da UE em matéria de cooperação para o desenvolvimento com os Estados de África, das Caraíbas e do Pacífico, e de cooperação da UE com os países e territórios ultramarinos. O Acordo Cotonu tem por objetivo promover e acelerar o desenvolvimento económico, cultural e social dos países ACP e O Acordo de Cotonu trouxe uma nova visão da cooperação. A nova parceria combina a ajuda para o desenvolvimento, a dimensão política e os aspetos comerciais. O seu principal objetivo é a redução da pobreza nos Estados ACP, do qual faz parte Moçambique. O Acordo de Cotonu previu a criação de um importante instrumento financeiro de apoio aos seus objetivos, o Fundo Europeu de Desenvolvimento (FED). No âmbito do FED o montante global disponibilizado pela UE a Moçambique durante o período de 2008 a 2013, através do acordo designado por O Documento de Estratégia para Moçambique ( ), foi de cerca 622 milhões de euros. O Acordo Cotonu prevê também a promoção de instrumentos de dinamização do IDE para os países ACP: Promoção do investimento; Apoio e financiamento dos investimentos nos países da ACP através de subsídios para assistência financeira e técnica, serviços de assessoria e consultoria, capitais de risco para participações no capital ou operações assimiláveis, garantias de apoio a investimentos privados, nacionais e estrangeiros, bem como empréstimos e linhas de crédito, empréstimos a partir dos recursos próprios do Banco Europeu de Investimento; Criação de instrumentos de garantias de investimento, através da disponibilização e utilização crescentes, entre outros, de: Seguros de risco enquanto mecanismo de diminuição do risco, no intuito de aumentar a confiança dos investidores nos Estados ACP; Fundos de garantia para cobrir os riscos associados a investimentos elegíveis, em especial, regimes de resseguros destinados a cobrir o investimento direto estrangeiro realizado por investidores elegíveis; Proteção dos investimentos, a promoção de acordos de promoção e de proteção dos investimentos que possam igualmente constituir a base de sistemas de seguro e de garantia; Estes mecanismos de apoio às empresas têm vindo a ser promovidos, entre outros, pelas Instituições Financeiras para o Desenvolvimento. Para além do Acordo de Cotonu que regula as relações entre Moçambique e a UE, há um conjunto de outros instrumentos de APD que permitiram o reforço das relações, a saber: Acordo de Parceria Económica (APE) interino, assinado em junho de 2009, com Moçambique, Botsuana, o Lesoto e a Suazilândia na configuração SADC-EU. O APE interino já está a ser aplicado pela EU, conferindo um regime de isenção de direitos e sem limite de contingentes, a todos os bens provenientes de Moçambique. Do lado de Moçambique, uma vez ratificado, o acordo vai permitir a liberalização de 80,5% dos bens. Os restantes principalmente produtos agrícolas incluindo laticínios, produtos à base de carne e produtos à base de peixe, produtos de madeira, bem como alguns produtos químicos e minerais estão excluídos da liberalização. 197

198 198

199 5.CPLP Atratividade de Moçambique no contexto da CPLP 199

200 5. Atratividade de Moçambique no contexto CPLP O valor global dos fluxos de IDE nos países da CPLP ascende a 79,5 mil milhões de dólares, sendo que Moçambique apenas representa cerca de 6,56% desse valor. Gráfico 83 - Valores (milhões USD) e percentagens de IDE na CPLP no ano de 2012, UNCTAD Brasil 82.02% IDE na CPLP Portugal 11.20% Moçambique 6.56% São Tomé e Príncipe 0.06% Outros 0.22% Guiné- Bissau 0.02% Timor-Leste 0.05% Cabo Verde 0.09% No contexto da CPLP, e relativamente à facilidade de se fazer negócios, Moçambique encontra-se bem posicionado face aos restantes países africanos. Contudo, este indicador poderia ser potenciado se fossem minimizados alguns constrangimentos, quanto, por exemplo, à obtenção de eletricidade, às formalidades para registar a propriedade ou obter alvarás. No contexto da CPLP Moçambique é um dos países com maior potencial de crescimento atendendo à forte riqueza em matérias-primas, às descobertas de gás e a integração que tem vindo a realizar na SADC. Moçambique tem adotado uma estratégia de abertura de economia ainda que dependente da exploração do potencial de gás e da requalificação das redes de infraestruturas que permita a exploração adequada da matéria-prima, como o carvão. Tabela 51 - Doing Business 2013 Posição por país da CPLP Países Facilidade de se fazer negócios Abertura de empresas Obtenção de alvarás de construção Obtenção de eletricidade Registo de propriedade Obtenção de crédito Portugal Cabo Verde Brasil Moçambique

201 País importador Moçambique Integração regional na SADC e relacionamento com os países da CPLP Países Facilidade de se fazer negócios Abertura de empresas Obtenção de alvarás de construção Obtenção de eletricidade Registo de propriedade Obtenção de crédito São Tomé e Príncipe Timor-Leste Angola Guiné-Bissau A intensificação das trocas comerciais exige complementaridade industrial das economias, implicando níveis de especialização diferenciada entre parceiros. Tabela 52 - TCI (Trade Complementary Index) da CPLP e Macau (%) 87 País exportador Angola Brasil Cabo Verde Guiné-Bissau Moçambique São Tomé e Príncipe Timor Leste Portugal Macau Angola Brasil Cabo Verde Guiné-Bissau Moçambique São Tomé e Príncipe Timor Leste Portugal Macau Fonte: Cálculo realizado pela PwC com base nos dados do UNCTAD, UNCTADstat O nível de complementaridade comercial das economias da CPLP e Macau é muito baixo, excetuando no relacionamento entre Portugal e Angola. De facto apenas 2,9% das exportações dos países da CPLP destinam-se a outros países da CPLP, peso relativo que tem vindo a reduzir-se desde Apesar das exportações intrarregião evidenciarem um decréscimo médio anual 0,4% de 2008 a 2012, verifica-se uma retoma favorável das exportações intrarregião de 20,8% (crescimento médio anual) a partir de Verifica-se um elevado potencial de complementaridade recíproco no relacionamento comercial entre alguns países da CPLP. O índice de complementaridade entre Portugal e Angola (83 pts e 80 pts) revela uma relação potencial biunívoca. A estrutura de importações de Portugal poderá também potenciar as suas relações com o Brasil (48 pts), Guiné-Bissau (38 pts), Moçambique (66 pts), São Tomé e Príncipe (51 pts) e Timor Leste (37 pts). Por seu lado a estrutura de importações do Brasil poderá apresentar algum grau de complementaridade com as estruturas exportadoras de Angola (40 pts) e Portugal (47 pts). Por outro lado, o índice de complementaridade entre Portugal e Cabo Verde evidencia uma relação potencial unívoca, apresentando um grau de complementaridade de 72 pts. 87 O Trade Complementary Index (TCI) é um indicador utilizado para medir a compatibilidade do perfil comercial, através da comparação das estruturas de exportação e de importação entre países. Índices mais elevados revelam potenciais de complementaridade superiores e maior correspondência entra a estrutura de exportações/importações dos 2 países. TCI nulo é sinónimo de não complementaridade. 201

202 De facto, é notório que a alavancagem comercial intra-cplp poderá ser potenciada fundamentalmente por 2 motores, por Angola - país com maior relevância nas exportações intrarregião e por Portugal país CPLP que mais destaca nas importações intrarregião. Nesta medida Portugal poderá potenciar-se como hub comercial da CPLP, assumindo um papel fundamental de porta de entrada para os países da CPLP e destes para a UE. Moçambique Valor total das importações US$ 6 mil milhões, 2012 Principais produtos importados Maquinaria e equipamento de transporte Maquinaria e equipamento de transporte Combustíveis minerais Produtos manufaturados Veículos a motor para transporte de mercadorias Maquinaria especializada Máquinas e peças industriais Máquinas para a construção civil Outras máquinas e aparelhos para as indústrias particulares Eixos de transmissão Máquinas e aparelhos elétricos Equipamentos de aquecimento e refrigeração Veículos automóveis para transporte de pessoas 202 Potenciais fornecedores CPLP Brasil Portugal Equipamento de telecomunicação Brasil Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos> óleo de 70% Produtos residuais de petróleo Barras de ferro e aço, cantoneiras, perfis e seções Pneus de borracha e câmaras-de-ar Tubos e perfis ocos, acessórios de ferro e aço Angola Brasil Timor-Leste* Brasil Portugal Alimentos Arroz; Trigo e centeio em grão Brasil Alimentos Gorduras vegetais e óleos, refinado Portugal Produtos químicos Matéria prima (exceto combustíveis) Matéria prima (exceto combustíveis) Fertilizantes Medicamentos (incluindo medicamentos veterinários); Sabonetes, limpeza e de polimento Alumínio Estruturas e peças de ferro, aço, alumínio Brasil Portugal Brasil Brasil Portugal Outros artigos manufaturados Mobiliário e peças Portugal Fonte: UNCTAD, UNCTADstat Alguns dos produtos com potencial de produção local* Maquinaria e equipamento de transporte Produtos manufaturados Máquinas e peças industriais Materiais de construção Ferro e aço Têxtil Vestuário e calçado Alimentos Atividade agrícola e da agroindústria *Para mais dados ver setores. *Indiretamente, produz matéria prima

203 Índice de Tabelas Tabela 1 - Caracterização dos países membros da SADC Tabela 2 - TCI (Trade Complementary Index) intra-sadc Tabela 3 - Comunidades económicas regionais em perspetiva (2012) Tabela 4 - Investimento Direto Estrangeiro nos países-membros da SADC inward (milhões US$) Tabela 5 - Objetivos definidos pelo Governo para o mercado de trabalho, Tabela 6 - Características das Províncias Sul-Africanas Tabela 7 - Investimento público em infraestruturas, por setor, (US$M) Tabela 8 - Expansão da capacidade de produção e de distribuição de energia elétrica Tabela 9 - Projetos previstos para a África do Sul no setor energético Tabela 10 - Eficiência dos transportes Tabela 11 - Projetos previstos para a África do Sul no setor dos transportes Tabela 12 - Abastecimento de água e saneamento básico Tabela 13 - Projetos previstos na África do Sul no setor da água e saneamento Tabela 14 - Abertura da economia Sul-Africana Tabela 15 - Prioridades do Governo a Nível Setorial (NDP 2030) Tabela 16 - Potencialidades ao nível das infraestruturas Tabela 17 - Inward stock de IDE na África do Sul (milhões de US$) Tabela 18 - Evolução da taxa de juro Tabela 19 - Principais Indicadores Macroeconómicos Tabela 20- IDH Moçambique (PNUD Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Evolução desde 2000) 120 Tabela 21 - Objetivo do Ministério da Planificação e Desenvolvimento Ministério das Finanças: Previsão da contribuição setorial do PIB Tabela 22 - Objetivo do PND : Exportações Tabela 23 Energia Tabela 24 - Principais Multinacionais com Investimentos na Indústria Extrativa - Gás Tabela 25 - Principais Multinacionais com Investimentos na Indústria Extrativa - Carvão Tabela 26 - Indicadores de energia elétrica de Moçambique Tabela 27 - Transportes e comunicações Taxa de crescimento Tabela 28 - Principais linhas férreas de Moçambique Tabela 29 - Comparação da capacidade e eficiência dos portos da região Tabela 30 - Indicadores hídricos e de saneamento Tabela 31 - Indicadores de acesso às TIC em 2010, Moçambique e outras regiões telefones Tabela 32 - Indicadores de acesso às TIC em 2010, Moçambique e outras regiões internet Tabela 33 - Expansão da capacidade de produção e de distribuição de energia elétrica Tabela 34 - Projetos previstos em Moçambique no setor energético Tabela 35 - Intervenção profunda ao nível das infraestruturas logísticas em Moçambique Tabela 36- Projetos previstos em Moçambique no setor dos transportes Tabela 37 - Abastecimento de água e saneamento básico Tabela 38 - Abertura da economia moçambicana Tabela 39- IDE em Moçambique: projetos greenfield de maior dimensão, anunciados entre Tabela 40 - Potencialidades a Nível Setorial Tabela 41 - Potencialidades a Nível Infraestrutural Tabela 42 - Potencialidades a Nível Institucional (Fonte: Proposta do PES 2014) Tabela 43- Número de balcões e máquinas automáticas existentes por província Tabela 44 - Doing Business 2013 Posição por país da SADC Tabela 45 - Quadro resumo com os principais impostos de Moçambique Tabela 46 - Paying Taxes - SADC Tabela 47 - Paying Taxes CPLP Tabela 48 Tribunais judiciários em Moçambique Tabela 49 - Protocolos da SADC e posicionamento de Moçambique face aos mesmos Tabela 50- Acordos Bilaterais de Moçambique Tabela 51 - Doing Business 2013 Posição por país da CPLP Tabela 52 - TCI (Trade Complementary Index) da CPLP e Macau (%)

204 Índice de Gráficos Gráfico 1 Crescimento médio anual países SADC Gráfico 2 - Relacionamento do crescimento do PIB e variação no índice global de competitividade Gráfico 3 - Análise do PIB per capita em 2012 de cada um dos países, da taxa de crescimento média do PIB e do peso do PIB do País no total da SADC Gráfico 4 - Produto Interno Bruto por setor 2012 Angola % Gráfico 5 - Produto Interno Bruto por setor 2011 Moçambique % Gráfico 6 - Produto Interno Bruto por setor (%) - África do Sul Gráfico 7 - Produto Interno Bruto por setor (%) Lesoto Gráfico 8 - Produto Interno Bruto por setor (%) - Madagáscar Gráfico 9 - Produto Interno Bruto por setor (%) - Maláui Gráfico 10 - Produto Interno Bruto por setor (%) - República Democrática do Congo Gráfico 11 Produto Interno Bruto por setor (%) Suazilândia Gráfico 12 - Produto Interno Bruto por setor 2011 (%) Seicheles Gráfico 13 - Produto Interno Bruto por setor (%) Maurícias % Gráfico 14 - Produto Interno Bruto por setor (%) Botsuana Gráfico 15 - Produto Interno Bruto por setor (%) Namíbia Gráfico 16 - Produto Interno Bruto por setor (%) Zâmbia Gráfico 17 - Evolução do comércio intra-sadc vs. Evolução do PIB da região Gráfico 18 - Peso das exportações/importações intra-sadc no total da região Gráfico 19 - Produtos transacionados intra-sadc (2012) Gráfico 20 - Evolução das importações da SADC e principais países de destino Gráfico 21 Importações da SADC - Top produtos, Gráfico 22 - Importações SADC da China Gráfico 23 - Importações SADC da Alemanha Gráfico 24 - Importações SADC dos EUA Gráfico 25 - Importações SADC da Índia Gráfico 26 - Importações SADC do Reino Unido Gráfico 27 Evolução das exportações da SADC e principais países de destino, Gráfico 28 Exportações da SADC - Top produtos, Gráfico 29 - Exportações SADC para a China Gráfico 30 - Exportações SADC para os EUA Gráfico 31 - Exportações SADC para a Índia Gráfico 32 - Exportações SADC para o Reino Unido Gráfico 33 - Importações da SADC aos países da CPLP (valor e crescimento médio) Gráfico 34 - Importações SADC a Portugal Gráfico 35 - Importações SADC do Brasil Gráfico 36 - Exportações da SADC para a CPLP (valor e crescimento médio) Gráfico 37 - Exportações SADC para Portugal Gráfico 38 - Exportações SADC para o Brasil Gráfico 39 - IDE na SADC - inward e outward, Gráfico 40 Representação da percentagem do PIB dos EM na SADC Gráfico 41 - Evolução anual do PIB per capita em US$ Gráfico 42 - Taxa de crescimento anual do PIB Gráfico 43 - África do Sul, PIB por setor Gráfico 44 - Crescimento anual do PIB ( ), África do Sul Gráfico 45 - Gastos do Governo em infraestruturas (incluindo parcerias público-privadas) Gráfico 46 - Evolução das importações de África do Sul e principais países de origem, Gráfico 47 - Importações Sul-Africanas - Top produtos Gráfico 48 - Importações Sul-Africanas da CPLP Gráfico 49 - Importações Sul-Africanas do Brasil Gráfico 50 - Importações Sul-Africanas de Moçambique Gráfico 51 - Importações Sul-Africanas de Portugal

205 Gráfico 52 - Evolução das exportações de África do Sul e principais países de destino Gráfico 53 - Exportações Sul-Africanas - Top produtos Gráfico 54 - Exportações Sul-Africanas - CPLP Gráfico 55 - Exportações Sul-Africanas para Moçambique Gráfico 56 - Exportações Sul-Africanas para Angola Gráfico 57 - Exportações Sul-Africanas para o Brasil Gráfico 58 - Exportações Sul-Africanas para Portugal Gráfico 59 - Fluxos de IDE na África do Sul, Gráfico 60 - Crescimento anual PIB Moçambicano (últimos 5 anos) Gráfico 61 - Despesas de natureza económica do OGE 2013 (%) Gráfico 62 - Despesas de natureza funcional do OGE 2013 (%) Gráfico 63 - Evolução da reserva em moeda estrangeira e ouro Gráfico 64 - Previsões de crescimento para Moçambique Gráfico 65 - Taxa de Inflação - valores reais e estimativas Gráfico 66 - Evolução das exportações Gráfico 67 - Produto Interno Bruto por setor Moçambique Gráfico 68 - Condições da rede rodoviária principal na África subsariana Gráfico 69- Investimento privado por fonte, (em % do investimento privado total aprovado) Gráfico 70 - Importações moçambicanas de Portugal Gráfico 71 - Importações moçambicanas do Brasil Gráfico 72 - Evolução das importações de Moçambique e principais países de origem, Gráfico 73 - Importações moçambicanas - Top produtos Gráfico 74 - Exportações moçambicanas - CPLP Gráfico 75 - Exportações moçambicanas para Portugal Gráfico 76 - Evolução das exportações de Moçambique e principais países de destino, Gráfico 77 - Exportações Moçambicanas - Top produtos Gráfico 78 - Exportações moçambicanas de alumínio (US $milhões) Gráfico 79 - Exportações moçambicanas de combustíveis (US$ milhões) Gráfico 80 - Fluxos de IDE em Moçambique, (African Economic Outlook) Gráfico 81 Moçambique Peso das Regiões no PIB Gráfico 82 - Percentagem do valor dos projetos por modalidade de financiamento e setores de atividade Gráfico 83 - Valores (milhões USD) e percentagens de IDE na CPLP no ano de 2012, UNCTAD

206 Índice de Figuras Figura 1 - Risco dos países da SADC Figura 2 - Principais etapas na criação da SADC Figura 3 Índice Global de Competitividade Figura 4 - Estimativas de crescimento do PIB em Figura 5 - Principais exportações de África do Sul intra-sadc, por produto Figura 6 - Principais exportações de Angola intra-sadc, por produto Figura 7 - Principais destinos das exportações portuguesas para a SADC Figura 8 - Principais destinos das exportações brasileiras para a SADC Figura 9 - Panorâmica das infraestruturas em África - África do Sul, PwC, Figura 10 - Infraestrutura da rede de eletricidade da África do Sul Figura 11 - Principais rotas ferroviárias e portos Sul-Africanos Figura 12 - Infraestrutura do Porto de Durban (o maior porto do país) Figura 13 - Principais redes rodoviárias Sul-Africanas Figura 14 - Principais importações Sul-Africanas de Angola Figura 15 - Principais importações Sul-Africanas do Brasil Figura 16 - Principais importações Sul-Africanas de Moçambique Figura 17 - Principais importações Sul-Africanas de Portugal Figura 18 - Principais exportações Sul-Africanas para Moçambique Figura 19 - Principais exportações Sul-Africanas para Angola Figura 20 - Principais exportações Sul-Africanas para o Brasil Figura 21 - Principais exportações Sul-Africanas para Portugal Figura 22 - Estrutura acionista bancária em África Figura 23 - Contas bancárias (% +15 anos) em África Figura 24 - Evolução dos níveis de inclusão financeira, Figura 25 - Potencial de gás natural em Moçambique Figura 26 - O Estado das Infraestruturas em África - Moçambique Figura 27 - Corredores ferroviários em Moçambique Figura 28 - Principais importações moçambicanas de Portugal Figura 29 - Principais importações moçambicanas do Brasil Figura 30 - Principais exportações moçambicanas para Portugal Figura 31 - Principais exportações moçambicanas para o Brasil Figura 32 - Contas bancárias (% +15 anos) em África Figura 33 - Taxas de juro em Moçambique

207 Um estudo realizado no âmbito do projeto nº 30030, apoiado pelo QREN, através do SIAC do Programa Operacional Fatores de Competitividade (COMPETE) pela: Apoio: Projeto Co-Financiado: 207

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