EXMO. SR. JUIZ ELEITORAL DA 16ª ZE DE CAXIAS DO SUL RS

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1 EXMO. SR. JUIZ ELEITORAL DA 16ª ZE DE CAXIAS DO SUL RS O ELEITORAL, pelo agente signatário, no exercício das funções ditas pelo artigo 127 da Constituição Federal e pelo artigo 78 da Lei Complementar nº 75/93, interpõe a presente Representação por condutas vedadas, com base no artigo 73, I e III, da Lei nº 9.504/97, c/c o respectivo 12 e com o artigo 22 da Lei Complementar nº 64/90, em razão do que foi apurado no PA nº /2012, relativamente às eleições municipais do ano 2012, em Caxias do Sul, RS, contra: JOSÉ IVO SARTORI, Prefeito Municipal de Caxias do Sul, com local de trabalho na Prefeitura Municipal dessa cidade; ALCEU BARBOSA VELHO, candidato ao cargo de Prefeito, pela coligação Caxias Para Todos, registro de candidatura n.º 12 e ANTÔNIO ROQUE FELDMANN, candidato ao cargo de Vice-prefeito pela mesma coligação, registro de candidatura n.º 12, expondo e requerendo o seguinte: COLIGAÇÃO CAXIAS PARA TODOS, composição dos partidos políticos PP / PDT / PRB / PMDB / PSL / PTN / PSC / PR; em vista dos fundamentos de fato e de direito a seguir aduzidos:

2 a) DOS FATOS: 1 Os representados ALCEU BARBOSA VELHO (PDT) e ANTÔNIO ROQUE FELDMANN (PMDB) são candidatos aos cargos de Prefeito e Vice-prefeito, respectivamente, de Caxias do Sul, com registro de candidatura n.º 12, pela coligação CAXIAS PARA TODOS, estando em plena campanha eleitoral. O representado JOSÉ IVO SARTORI (PMDB) exerce, atualmente, o cargo de Prefeito Municipal de Caxias do Sul. 1.2 Consoante apurado nos autos do procedimento administrativo n.º /2012 (em anexo), os candidatos e a coligação representados foram beneficiados, pela cedência e uso de bens públicos pertencentes ao Município de Caxias do Sul e, ainda, pela cedência ou uso de serviços de servidores públicos ou equiparados, também do mesmo Município ou de seus entes afins, mediante participação direta do Prefeito representado. Tudo em prol da campanha eleitoral dos candidatos e da coligação já referidos e ora representados; inclusive com utilização em propaganda eleitoral veiculada no espaço obrigatório gratuito, configurando violação da proibição de condutas tendentes a afetar a igualdade de oportunidades entre os candidatos (art. 73, I e III, da Lei nº 9.504/97 e art. 50, I, da Resolução n.º /2011). 1.3 Com efeito, como demonstra a mídia em anexo (CDs), em propaganda eleitoral gratuita veiculada na televisão em rede nos dias 22/08/2012, no horário das 20:30h, e 24/08/2012, no horário das 13:00h, o representado JOSÉ IVO SARTORI (PMDB), no exercício do cargo de Prefeito Municipal de Caxias do Sul, na condição de agente público e gestor municipal, cedeu ou usou de serviços de servidores públicos, aos demais representados e, ainda, cedeu a estes, bens imóveis pertencentes à administração direta e indireta do Município de Caxias do Sul; quais sejam, a barragem do Arroio Marrecas (em construção), uma ETE Estação de Tratamento de Efluentes e uma Unidade Básica de Saúde UBS. Os dois primeiros pertencentes à autarquia municipal Serviço Autônomo Municipal de Água e Pág. 2 de 8

3 Esgoto SAMAE, e o último pertencente à Administração Direta do Município. Referidos bens e utilização de servidores públicos se destinaram ao uso em gravação de propaganda eleitoral dos candidatos ALCEU BARBOSA VELHO (PDT) e ANTÔNIO ROQUE FELDMANN (PMDB) e da coligação CAXIAS PARA TODOS (PP/PDT/PRB/PMDB/PSL/PTN/PSC/PR), que foi veiculada no espaço gratuito de televisão, nos dias e horários acima mencionados. 1.4 A propósito, na mídia em anexo, consta propaganda eleitoral realizada com a presença dos representados nos referidos bens públicos, em inexorável conduta exagerada, excessiva e abusiva, claramente no intuito de vincular as referidas pessoas àqueles feitos e bens da administração. Para exemplificar, anotam-se alguns momentos da propaganda contida no CD: - imagens internas da Barragem Marrecas em construção, que aparentemente só poderiam ser realizadas por quem tivesse acesso específico em razão das funções ou da obra; - imagens da Estação de Tratamento de Esgoto; - dependências internas de posto de saúde ou UBS, com utilização de ato médico, ou de profissional da saúde, devidamente uniformizado, durante atendimento a uma mulher com uma criança; - interior de uma sala de aulas de informática; - interior de uma creche, com crianças na sala; - fotografia de inauguração de obra pública, corte de fita etc. - o candidato e o atual Prefeito representados, em ônibus aparentemente repleto de pessoas que, ao que tudo indica, seriam líderes comunitários, dando explicações e ressaltando feitos. Posteriormente, já no interior das obras da Barragem, explicando o que foi feito até então e como funcionará o sistema; - Uma das pessoas que aparecem, vestida de azul, fala o Pág. 3 de 8

4 seguinte: Precisava um dia abrir ao público para eles ver essa obra aqui. Mudava o raciocínio de todo mundo. Esta última referência denota que o local não está disponível para acesso a pessoas comuns. Muito menos aos candidatos de oposição. Nem poderia ser diferente, em se tratando de obra de grande vulto e perigosa, em fase de construção. 2 Noutro episódio, também como apurado no mesmo expediente e envolvendo os representados, repetiu-se prática ilegal semelhante à anterior. Com efeito, no espaço de propaganda eleitoral gratuita veiculado em televisão, no dia 14 de setembro de 2012, às 20h 30min, nova mídia foi ao ar, claramente vinculando pessoas a serviços, obras ou feitos da administração pública, destacando-se os seguintes momentos: - o candidato representado realizando propaganda no Aterro Sanitário Rincão das Flores, utilizando imagens do canteiro de obras e máquinas da prefeitura em funcionamento; - participação de pessoa de nome Liseane Peluso, identificada como sendo servidora pública da Secretaria do Meio Ambiente e aparentemente durante suas atividades de horário de expediente normal, dando explicações sobre o projeto e funcionamento da obra do aterro sanitário; - Durante as explicações da referida servidora, surge na imagem outro servidor público, vestindo o respectivo uniforme, entre o maquinário do Município; - O candidato representado no interior da Estação de Tratamento de Efluentes; - Cedência e uso dos serviços do servidor público Juarez Biasio, durante a propaganda no interior da estação de tratamento, explicando o funcionamento do sistema; - O candidato filmando dentro da Barragem em construção. Pág. 4 de 8

5 b) DOS DEMAIS ARGUMENTOS E DO DIREITO 1 Destaca-se que não se trata de mera captação e utilização de imagens de bens públicos, permitidas na campanha eleitoral. Não resta a menor dúvida de que as condutas ora relatadas e exibidas na televisão, como propaganda eleitoral gratuita, constituem exagero; excesso e abuso (TRE/SC, AC nº ). São práticas eleitoreiras que excedem aquelas permitidas pela legislação eleitoral e toleradas pela jurisprudência. Com efeito, as condutas ora inquinadas de ilegalidade não se limitam a imagens externas de prédios ou bens públicos, nem mesmo a imagens internas de local público, com acesso geral a qualquer cidadão, ou a qualquer candidato que quisesse captar imagem naquele local, para fins de propaganda, como se fosse numa biblioteca pública, no átrio da Prefeitura etc. Ou seja, as condutas ora relatadas foram desenvolvidas em locais de acesso restrito e com utilização de servidores públicos não como papel de parede, mas sim, como figurantes ativos e participativos da propaganda. 2 Na propaganda eleitoral gravada e, posteriormente, veiculada pelos candidatos e coligação representados, o Sr. Prefeito Municipal de Caxias do Sul, JOSÉ IVO SARTORI, demonstra, de forma cristalina, que como última instância de poder na gestão municipal, tanto em relação à Administração Direta, quanto à Administração Indireta abusou deliberadamente de sua condição de agente público (Prefeito), para beneficiar os candidatos e coligação representados, cedendo bens públicos de alto valor social e político, bem como cedendo ou usando serviço de servidores públicos durante o expediente, para a realização da propaganda eleitoral em questão. Inclusive, com participação explícita na propaganda, comparecendo e gravando com e em benefício dos candidatos representados, nesses bens públicos, a saber: a barragem do Arroio Marrecas (em construção), uma ETE Estação de Tratamento de Efluentes e uma Unidade Básica de Saúde. 3 Considera-se notória a relevância social e política dos bens Pág. 5 de 8

6 públicos cedidos e usados de forma ilegal, para o Município de Caxias do Sul. Tanto é que foram cobiçados e, de fato, cedidos e usados, para realçar os feitos do administrador e dos candidatos (o candidato ALCEU BARBOSA VELHO fora Vice-prefeito, na administração do Prefeito José Ivo Sartori, tendo sido eleito Deputado Estadual no último pleito). São bens públicos de grande envergadura, relativos à saúde pública, ao fornecimento e ao tratamento de água, aterro sanitário etc. 4 Assim posta a matéria, resta configurada a situação abusiva, excessiva, exagerada, na utilização de bens e servidores públicos, de modo a afetar a igualdade de oportunidades entre os candidatos. Obviamente, os demais não tiveram e jamais teriam à disposição a estrutura, os bens públicos, os servidores públicos e o Prefeito, para realizarem tamanha propaganda de feitos. Aliás, feitos que, de qualquer modo, não se pode descartar, de plano, tenham sido realizados com a participação ou utilização de verbas e outros recursos estaduais ou federais, bem assim com influência de outras administrações. Logo, recrudesce a carga de abusividade nas condutas que monopolizaram a utilização de bens e servidores, para propaganda da coligação da atual situação política municipal. 5 Destarte, está evidenciada a hipótese de incidência da Lei nº 9.504/97, com a seguinte redação, no que couber: Art. 73. São proibidas aos agentes públicos, servidores ou não, as seguintes condutas tendentes a afetar a igualdade de oportunidades entre candidatos nos pleitos eleitorais: I - ceder ou usar, em benefício de candidato, partido político ou coligação, bens móveis ou imóveis pertencentes à administração direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, ressalvada a realização de convenção partidária; (...) III - ceder servidor público ou empregado da administração direta ou indireta federal, estadual ou municipal do Poder Executivo, ou usar de seus serviços, para comitês de campanha eleitoral de candidato, partido político ou coligação, Pág. 6 de 8

7 durante o horário de expediente normal, salvo se o servidor ou empregado estiver licenciado; (...) 4º. O descumprimento do disposto neste artigo acarretará a suspensão imediata da conduta vedada, quando for o caso, e sujeitará os responsáveis a multa no valor de cinco a cem mil UFIR. 5º Nos casos de descumprimento do disposto nos incisos I, II, III, IV e VI do caput, sem prejuízo do disposto no parágrafo anterior, o candidato beneficiado, agente público ou não, ficará sujeito à cassação do registro ou do diploma. 6º. As multas de que trata este artigo serão duplicadas a cada reincidência. (...) 8º. Aplicam-se as sanções do 4º aos agentes públicos responsáveis pelas condutas vedadas e aos partidos, coligações e candidatos que delas se beneficiarem. 6 Ainda conforme consta no procedimento administrativo antes identificado, as condutas aqui examinadas foram objeto de representação ajuizada pela coligação FRENTE POPULAR, perante o juízo da 169ª Zona (processos nº ; ; e ), tendo havido concessão de liminar e sentença de procedência, proibindo os representados de reproduzirem as imagens, bem assim de colherem depoimentos ou declarações de servidores públicos (sentença por cópia em anexo). c) DOS REQUERIMENTOS Isso posto, adotado o procedimento previsto no art. 73, 12, da Lei nº 9.504/97 (art. 22 da LC nº 64/90), o requer o seguinte: c.1 Preliminarmente, seja solicitado, com urgência, aos órgãos de controle, tais como Câmara de Vereadores, Tribunais de Contas do Estado e da União, que informem sobre eventual envolvimento de recursos (financeiros ou de outra ordem) públicos, além dos municipais, nos projetos, Pág. 7 de 8

8 consecução e funcionamento dos locais, obras ou serviços mencionados neste ato e utilizados na elaboração da propaganda eleitoral. c.2 A notificação dos representados, para fins de resposta, se quiserem. c.3 A procedência desta representação, para aplicar, a cada um dos representados, individualmente, multa no valor de cinco a cem mil UFIR (art. 50, 4º, da Resolução nº /2011, sobre o disposto no art. 73, 4º, da Lei nº 9.504/97) e aos ora representados na condição de candidatos, além da multa, seja cassado o registro. Em sendo eleitos, também seja negado ou cassado o diploma ( 5º da referida norma legal). c.4 A condenação dos representados a eventuais custas, despesas, ou demais ônus de sucumbência. Caxias do Sul, 21 de setembro de Rafael Festa Promotor de Justiça Eleitoral 16ª ZE Pág. 8 de 8

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