Aproveitamento hidro-agricola do Vale de Manguenhane

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1 Z KV>y, 03 Série Terra e Agua Communica9ao o 7 Aproveitamento hidro-agricola do Vale de Manguenhane Scanned from original by ISRIC - World Soil Information, as ICSU World Data Centre for Soils. The purpose is to make a safe depository for endangered documents and to make the accrued information available for consultation, following Fair Use Guidelines. Every effort is taken to respect Copyright of the materials within the archives where the identification of the Copyright holder is clear and, where feasible, to contact the originators. For questions please contact soil.isric(3)wur,nl indicating the item reference number concerned. Maputo, Mocambique 1&T-56

2 1.N.1.A -D.T.A Indice Indice Pag- Indice i Tabelas ; :.. ii Figuras.'. iii Fotografias iii Anexos '. iv Resumo e agradecimentos. '., v l.introducao : Objectivos Metodologia ' Fase preparatória Trabalho de campo Analise laboratorial Èlaboracao dainformacaorecolhida O MEIO AMBIENTE Localizacao da area de estudo 4 2.2Clima Geologia..-. : Geomorfologia Zona de transicao Chao do vale Hidrologia Uso de terra e vegetacao 7 3. OS SOLOS i ' Geral : Descricao das unidades de solos : Os solos da zona de transicao - (unidade A), Os solos do chao do vale - (Unidade F) OS MACHONGOS NO VALE DE MANGUENHANE : A formacao da turfa : Propriedades fïsicas : Actividade biológica..;, Comparacao entre o ph medido no campo e no laboratório, A queima da turfa SALINIDADE E SODICIDADE.' Salinidade '...; Sodicidade : AVALIACAO DE TERRA.' 22 Projecto U.E- MOL1SV. MOZ S076 94/25 Aproveitamento hidro-agricola do Vale de Manguenhane

3 I.N.I.A - D.T.A Indice 6.1 Metodologia da avaliacao da terra Caracteristicas de terra e Qualidades de terra ' Tipos de Utilizacao de Terras 24 7.IRRIGACAO Introducao * Caracteristicas de Infïltracao da agua no solo ' Necessidades hidricas das culturas r, Dose e intervalo de rega.: Qualidade da agua de rega.-.}.! DRENAGEM..: Introducao..: Parametros de dimensionamento GESTAO DE AGUA EM CONDICOES DE SALINIDADE E SODICIDADE CONCLUSÖES E RECOMENDACÖES Conclusöes. ;; Recomenda9Öes Conclusöes e recomendacöes sobre o maneio de agua... : REFERÊNCIAS E BIBLIOGRAFIA 43 Tabelas Tabela 2.1: Dados climaticos demandlakaze -Periodo: '.; 5 Tabela 3.1: Dados analiticos do perfil representativo da subunidade de solo Al 10 Tabela 3.2: Dados analiticos do perfil representativo da subunidade de solo A2.^;.',.; 11 Tabela 3.3: Dados analiticos do perfil representativo da subunidade de solo Fa..ï Tabela 3.4: Dados analiticos do perfil representativo da subunidade de solo Ftl..:!; 13 Tabela 3.5: Dados analiticos da subunidade de solo Ft Tabela 4.1: Comparacao entre ophmedidono campo eno laboratório...,.;. v Tabela 5.1: Classes de salinidade e o efeito no rendimento das culturas...', 19 Tabela 5.2: Producao potencial para os diferentes valores de CEe 20 Tabela 6.1: O significado decadaclasse deaptidao 22 Tabela 6.2: Caracteristicas e qualidades de terras utilizadas na avaliacao de terras 24 Tabela 6.3: Caracteristicas do uso de terra em sequeiro, sector familiar!..',.. 26 Tabela 6.4: Resultados de avaliacao de terras 27 Tabela 6.5: Distribuifao espacial das culturas segundo a classe de aptidao (Ha)...!-. 27 Tabela 7.1: Coeficientes de cultura para Milho, Feij ao Nhemba e Horticolas 31 Projecto U.E- MOL1SV. MOZ /25 Aproveitamento hidro-agricola do Vale de Manguenhane 11

4 I.N.I.A-D.T.A Indice Tabela 7.2: Necessidades hidricas (mm/década) de tres padroes culturais (duas culturas consociadas em proporcao de 1:1) para as unidades de solos Fa e A *. 32 Tabela 7.3: Dose e Intervalo de rega, calculados para tres padroes de cultivo, em duas unidades de solo (Fa e A), 33 Figuras Figura 2.1: Localizacao da area de estudo no contexto distrital, provincial e nacional 4 Figura 2.2: Representacao grafica dos dados meteorológicos de Mandlakaze 5 Figura 4a: Variacao de ph-campo e ph-laboratório na unidade de solo A '. 17 Figura 4b: Variacao de ph-campo e ph-laboratório na unidade de solo Fa : 17 Figura 4c: Variacao de ph-campo e ph-laboratório na unidade de solo Ft2 ;-. 17 Figura 6.1: Processo envolvido na avaliacao de terras 22 Figura 8.1: Curvas de infiltra?ao acumulada e instantanea de agua na unidade de solo Fa 58 Figura 8.2: Curvas de infïltracao acumulada e instantanea de agua na unidade de solo A 59 Fotografïas Foto 1: Uso de terra na zona de transicao Foto 2: Uso de terra na parte superior da zona de transicao : 44 Foto 3: Uso de terra na parte intermédia da zona de transicao.. 45 Foto 4 & 5: Solos da zona de transicao.- 45 Foto 6: Aspecto fïsico da unidade de solo Ftl 46 Foto 7: Solos organicos na unidade Ftl : 46 Foto 8: A turfa nao ou ligeiramente decomposta na unidade Ft2 46 Anexos Anexo I: Critério da definicao das classes de terra para irrigacao, conforme USBR 47 Anexo II: Dados fisio-quimicos de solos do Vale de Manguenhane : : Anexo III: Descricao de perfis das unidades de solos 49 ProjectoU.E- MOL1SV. MOZ /25 Aproveitamento hidro-agricola do Vale de Manguenhane iii

5 I.N.I.A -D.T.A '! indice Anexo IV: Dados de testes de infiltracao 54 Anexo V: Dados de testes de permeabilidade 60 Mapas Mapa da localizacao de observacöes e profundidade da turfa Mapa de solos Mapa de conductividade eléctrica nas profundidade (0-20; 40-60; cm) Mapa de ph nas profimdidades (0-20; 40-60; cm) Aproveitamento hidro-agricola do Vale de Manguenhane IV

6 I.NJ.A-D.T.A R-ësumo e agradecimentos RESUMO O presente estudo sobre o aproveitamento hidro-agricola do vale de Manguenhane foi feito a pedido do projecto U.E - MOLISV. MOZ /25 - uma ONG, de 10 a 19 de Outubro de 1996, com o propósito fundamental da otencao de conhecimentos basicos e 'elaboracao de recomendacöes para o maneio de solos dominantes na area. O vale de Manguenhane é parcialmente usado para a produ?ao de hqrticolas e arroz. As bananeiras e a cana-de-a9ücar marcam a linha de transi9ao entre o fundo dó vale e as encostas onde dominam as culturas de milho, feijao nhemba e mandioca. O corte de cani90 para constru9<5es é feito na parte mais baixa do vale caracterizada pela presen9a da lamina de agua a superfïcie durante a maior parte do ano. A area estudada é de cerca de 550 ha, sendo 370 ha no vale com o dominio de solos organicos e 180 ha nas encostas caracterizadas por solos arenosos. Nela fizeram-se 33 sondagens e cinco perfis, cada sondagem foi amostrada a tres profundidades, sendo a primeira dos 0-20 cm, a segunda cm e a terceira 8O7IOO cm. Portanto, nas amostras das sondagens fizeram-se analises de campo de ph e conductividade eléctrica, enquanto que para os perfis, as analises consistiram na determina9ao no laboratório do INIA-DTA de classes texturais, PH-H2O, ph- KCL, percentagem de matéria organica, fósforo assimilavel, nitrogênio total, bases trocaveis, conductividade eléctrica, aluminio e hidrogênio. ;. _ Concluiu-se que a drenagem, salinidade e acidez sao os principais factores lirhitantes. A limpeza da vala principal de drenagem assim como as laterais de irriga9ao e a abertura de.novas valas de drenagem perpendiculares a principal, melhoraria a situa9ao. A textura arenosa é a principal limita9ao fisica para a maior parte das culturas alternativas na zona. AGRADECIMENTOS Endere9amos o nosso agradecimento pela assistência e o apoio prestados pelos técnicos e trabalhadores da rede de extensao rural de Manguenhane, o Director Distrital da Agricultura e Pescas de Mandlakaze e o pessoal técnico da Direc9ao Provincial da Agricultura e Pescas de Gaza, pelo material de apoio. Este agradecimento estende-se ainda a Dr a Maria Fernanda D. Gomes, ao Dr. Mario R. Marques pelo criticismo, sugestöes e comentarios sobre a utiliza9ao sustentavel dos Machongos. E aos colegas que estiveram directa ou indirectamente envolvidos neste trabalho, vai o nosso sincero obrigado. Projecto U.E-MOLISV. MOZ /25 Aproveitamento hidro-agricola do Vale de Manguenhane

7 I.N.I.A - D.T.A Resumo e aeradecimentos 1. INTRODUCAO A pedido do projecto U.E. - MOLISV. MOZ /25 - uma ONG, uma equipa do Departamento de Terra e Agua (DTA) do Instituto Nacional de Investiga9ao Agronómica - INIA, levou a cabo urn estudo sobre o aproveitamento hidro-agricola, entre os dias 10/10 e 19/10/1996, na escala de 1: do Vale de Manguenhane, distrito de Mandlakazi, provincia de Gaza. A area abarca uma superfïcie total de ha, possui uma vala principal que serve para drenagem de agua e duas valas (laterais) de encosta que servem para irriga9ao/drenagem. O vale foi inicialmente usado pelo sector familiar em talhöes previamente parcelados, cada camponês com 2 hectares, sendo um na zona mais próxima da vala de drenagem e outro após a vala de encosta. Próximo as valas das encostas e devido a presen9a do len9ol freatico muito próximo a superficie, apenas se produzia arroz, feijao manteiga, batata-reno, bata'ta-doce e horticolas, sendo as outras culturas tais como o milho, feijao nhemba e mandioca produzidas na parte mais alta da area do projecto. A localiza9ao das culturas por parte dos camponeses nas diferentes zonas obedeceu além da profundidade do len9ol, o critério de que, quanto mais perto das valas fosse, a.salinidade era relativamente alta e maiores problemas podiam-se enfrentar, facto confirmado por camponeses no terreno. Como consequência das condi9öes de seguran9a instaveis após a independência e os posteriores periodos de seca longos que se seguiram, a regiao foi abandonada, tanto pelos técnicos que orientavam a manuten9ao do sistema, assim como, pelos camponeses. Actualmente, o estado de degrada9ao é acentuado e o sistema de regula9ao do nivel da agua é deficiënte. Sais solüveis concentraram-se a superfïcie devido ao efeito de ascensao capilar associado aos altos valores de evapotranspira9ao que se registam na regiao. 1.2 Objectivos O estudo sobre o aproveitamento hidro-agricola do vale de Manguenhane tem como objectivos (i) a caracteriza9ao fisiografica e fisico-quimica das diferentes unidades cle solos existentes na area abrangida pelo projecto de reabilita9ao do sistema de drenagem e irriga9ao do vale, (ii) a subsequente avalia9ao da aptidao agricola das mesmas para a pratica das principais culturas em regadio e sequeiro, (iii) determina9ao da infiltra9ao e permeabilidade" da agua no solo e a determina9ao da dose e intervalos de rega para as culturas alternativas (iv) a obten9ao de conhecimentos basicos e elabora9ao de recomenda9öes para o maneio dos solos predominantes. 1.3 Metodologia Principios basicos de levantamento de solos foram tomados em considera^ao durante as 'O vale de Manguenhane tem uma area aproximada de 370 ha, e a zona de transicao ocupa uma area de cerca de 181 ha. Projecto U.E - MOLISV. MOZ /25 Aproveitamento hidro-agricola do Vale de Manguenhane VI

8 I.N.I.A-D.TA IntroducSo actividades de preparacao, execucao e pós-trabalhos de campo Fase preparatória Esta fase consistiu na recolha e estudo da informacao geológica, topografica, e o historial da exploracao agricola da area de estudo e consulta da literatura relevante da area. É de salientar que muito pouco trabalho deste tipo foi feito e do pouco que existe é a escalas muito pequenas. A unica cobertura aéreo-fotografica existente é de Agosto de 1973 e na escala' de 1: A interpretacao de fotografias aéreas antecedeu o trabalho de campo (de salientar que muito pouca informacao pöde ser utilizada visto a escala ser muito pequena) Trabalho de campo Durante o trabalho de campo foi utilizado um GPS (Global Positioning System) para a localizacao geografica das observacöes, uma fita métrica para a medicao de distancia entre observacöes, tendo as picadas e a vala de drenagem servido de pontos de referenda. No campo foi feita uma rede de observacöes (sondagens), a uma profundidade hormada de 1.20 m. No total foram feitas 33 sondagens, das quais 32 atingiram a profundidade recomendada e uma limitou-se apenas a 97 cm devido a presenca duma camada de cimentacao muito forte. Para cada sondagem foi feita uma descricao completa da localizacao, fisiografia, uso de terra, material de origem, drenagem, e para cada horizonte do solo descreveu-se a cor do. solo, textura, manchas, poros, raizes, actividade biológica e transicao. O solo foi amostrado a tres profundidades (0-20), (40-60) e ( cm) para analises de ph e CEe nas condicöes de campo, resultados estes que em parte, viriam & servir.de base para a seleccao de sitios para abertura de perfis tipicos. " As condi9öes de trabalho no campo foram difïceis visto o acesso ao terrerio (vale) ter sido dificultado pela espessura da turfa, muito em especial na parte central onde esta atinge profundidades por vezes superiores a 1 m e a densidade bem comb a altura do canico (Phragmites communis) serem muito altas. Cinco perfis foram abertos e descritos segundo o manual de descricao. de perfis (INIA/DTA, 1995) em uso no INIA - Departamento de Terra e Agua. A localizacao dos perfis tipicos obedeceu as diferencas em termos de unidades de solos, nomeadamente- o chao do vale (F), as margens do vale (A) onde ocorre a zona (partes superior, intermédia e inferior) de transicao, analises de ph e CEe feitas. Nao foi possivel fazer a abertura do perfil tipico no chao do vale, onde o nivel freatico ocorre acima da superficie e é constituido por uma camada de turfa formada pór um'material no seu estado inicial de decomposicao. ': "'" :'! CEe = conductividade eléctrica e (ds m"') é a unidade de medifao. Projecto U.E. - MOLISV. MOZ /25 Aproveilamento hidro-agrlcola do Vale de Manguenhane 2

9 I.N.I.A - D.T.A Introducao Foram feitos dois testes de infïltracao de duplo anel em tres repeticöes nos perfis GZ0002 e GZ0001 nas unidades de solos Fa e A respectivamente, e um teste de permeabilidade do solo usando o método invertido de "Auger Houle" em tres repeticöes na unidade''de solo Ftl. Para fins de pesquisa, a equipa de trabalho colheu amostras de pf nas partes superior, intermédia e inferior da zona de transicao para uma aplicacao pratica do modelo desenvolvido pela FAO (Gommes, 1993) - Water Satisfaction Index (FAOINDEX) nes'te estudo, Analise laboratorial As analises de laboratório foram feitas no Departamento de Terra e Agua do Instituto Nacional de Investigacao Agronómica e consistiram nas seguintes determina9öes:. - classes texturais: - % de areia grossa - % de areia fina, - % de silte, - % de argila, -ph-h 2 OepH-KCL, - percentagem de matéria organica, - P (ppm) - Olsen, -N(%) total-kjelhdahl, -HeAl(KCL) - Bases trocaveis (Ca, Mg, K, Na em meq/100 grama de solo) com basé no método de percolacao, \ - conductividade eléctrica (ds m"), ' '"' - calculou-se a PST (%) e CTC (meq/100 g) \ Elaboracao da informacao recolhida Esta fase consistiu na classificacao de solos segundo o sistema FAO-Unesco-ISRIC O mapa de solos foi feito com base na carta topografica a escala aproximada de 1:10.000, utilizando informacöes recolhidas durante o trabalho de campo. A organizacao, processamento, manipula9ao e interpreta9ao dos dados, constituiram as principais actividades desenvolvidas nesta fase. Os resultados sao apresentados em forma de textos, tabelas, graficos e mapas....,*'"" Projeclo V.E. - MOL1SV. MOZ /25 Aproveitamento hidro-agricola do Vale de Manguenhane 3

10 I.N.l.A -D.T.A O meio ambiente 2. O MEIO AMBIENTE 2.1 Localizacao da area de estudo A area de estudo localiza-se entre os paralelos 24 33' 30" e 24 34' 00" latitude Sul e os meridianos 33 54' 00" e 33 58' 00" longitude Este (ver a figura 2.1), cerca de 1 km ao norte da Aldeia das Laranjeiras e 25 km da Vila de Mandlakaze, Provincia de Gaza. O vale de Manguenhane encontra-se a jusante de uma barragem de terra, com cerca de 8 Km de comprimento e 400 metros de larguraeumaareaaproximadade350 ha. 2.2 Clima LOCALIZACAO DA AREA DE ESTUDO PROVfNCIA DE GAZA REPÜBUCA DEMQQAMBIQUE Os dados climaticos da estacao meteorológica de Mandlakaze - Tabela 2.1 e Figura 2.2 sao usados para a caracterizacao do clima da regiao, sendo esta estacao meteorológica a mais próxima do local de estudo (cerca de 25 Km de distancia). O clima é classificado como semi-arido seco (Reddy, 1986). A precipitacao média anual é de cerca de 703 mm, sendo Fevereiro o mês mais chuvoso (124 mm) e Agosto o menos chuvoso (18 mm). AREA DE ESTUDO v» Figura 2.1: Localizacao da area de estudo no contexto distrital, provincial e nacional. A temperatura média anual é de cerca de 23.4 C, com a temperatura média mensal mais baixa em Julho (12.2 C) e a maisalta em Janeiro (33.1 C). Ocorrem dois periodos de crescimento na regiao, o de maior importancia agricola tem o seu inicio a 21 de Dezembro e estende-se até 10 de Maio (Kassam et al., 1981). Os 350 ha n3o incluem a zona de transito que compreende solos arenosos. Projecto U.E. - MOL1SV. MOZ /25 Aproveitamento hidro-agricola do Vale de Manguenhane 4

11 I.N.I.A -D.T.A O meio ambiente Tabela 1.1: Dados climaticos de Mandlakaze - Periodo ( ). Fonte: Kassam et al ). Esta?ao: Manjacaze Elevacao: 65 metros Latitude : 24 43' Longitude :33 53' Temperatura ( C) Pree. ETP 0.5*ETP Balanco Mês (mm) (mm) (mm) (mm) Minima Maxima Média Janeiro Fevereiro Marco " Abril Maio Junho Julho Agosto ' Setembro Outubro Novembro Dezembro Ano Geologia As formacöes geológicas que ocorrem na area de estudo pertencem ao Quaternario, dominadas por depósitos eólicos que formam as dunas do interior e os recentes depósitos lacustre- aluvionares do rio Manguenhane. Os depósitos eólicos sao constituidos principalmente por areias finas e médias, enquanto que os depósitos aluvionares sao predominantemente caracterizados por uma mistura de areia e matéria organica (turfa) em diferentes estados de decomposicao. Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr 'Mal Jun Jul Ago Set Mes es Pree. - - ETP - 0.5«ETP -36- Temp Figura 2.2: Representacao grdfica de 'dados climaticos da estacao de Mandlakaze (periodo: ; Fonte: Kassam et al, 1981) 2.4 Geomorfologia A geomorfologia da area de estudo é determinada por processos ecológicos e' regulados por factores climaticos, hidrológicos, quimicos e biológicos. O vale de' Manguenhane é uma depressao natural a uma altitude de 35 metros na planicie arenosa resultante da aplanacao das dunas do interior, apresentando uma forma alongada e orientacao de Oeste-Este, Projecto U.E. - MOLISV. MOZ /25 Aproveitamenlo hidro-agricola do Vale de Manguenhane 5

12 l.n.i.a -D.T.A O meio ambienle A diferenca entre o topo das planicies laterais arenosas e o chao do vale é de aproximadamente 15 a 20 metros. A area pode ser dividida em 2 zonas principais (i) a zona de transicao e o (ii) chao do vale Zona de transicao A zona de transicao compreende tres subzonas - a parte superior e intermédia das encostas, com declives uniformes que variam de 2 a 4% e a parte inferior das encostas, com decliyes de forma directa de 0 a 2%. A transicao entre as partes superior, intermédia e inferior é difusa. Esta -transicao é distinguida pelo padrao do uso de terra que, em grande medida, é determinado pela prpfundidade do lencol freatico. As culturas de milho, mandioca e feijao nhemba localizam-sé na parte superior, as horticolas (alface, couve, tomate, cebola, alho, etc.) na parte intermédia e, pastagens na parte inferior da zona de transicao junto do vale (ver a foto no. 1) Chao do vale O chao do vale divide-se em tres partes principais: (i), a parte plana, sem canico e moderadamente bem drenada (ii) a parte nao pantanosa onde a turfa esta muito bem decomposta (consistente e resiste a um certo peso) com o nivel do lencol freatico a uma profiindidade de 0.4 m e (iii) a parte pantanosa onde o nivel do lencol freatico encontra-se próximo ou acima da superfïcie e a turfa (nao consistente) esta na sua fase inicial de decomposicao. As principais diferencas entre estas tres unidades residem na presenca/ausência, densidade, vigorosidade e altura do canico e a presenca/ausência de agua na superfïcie, assoeiadas ao grau de decomposicao do material organico. No primeiro caso, nao existe.canico, no segundo, o canico esta disperso, é menos vigoroso com uma altura nao superior a 2-5 metros e o lencol freatico a uma profundidade de 40 cm aprocimadamente e, no ultimo caso, o canico apresentase muito denso, bem desenvolvido e de difïcil acesso devido a presenca da agua a.superfïcie. 2.5 Hidrologia O vale de Manguenhane é por natureza um vale de drenagem da planieie - arenosa e dos arredores. A area, segue longitudinalmente o rio Manguenhane. A montahte, o limite do Vale é a barragem de terra, com um regulador de nivel de agua na vala principal e uma comporta de descarga de fundo. A jusante, o limite é um dique (construido) que serve de ponte da linha férrea, com passagem livre de agua da vala de drenagem. Cada uma das zonas mencionadas na seccao 2.4, apresenta caracteristicas hidrológicas especificas que merecem uma atencao especial. Em geral, a agua das chuvas infiltra-se facilmente por se tratar de solos arenosos e percola até ao subsolo flüindo lateralmente em direccao ao centro do vale. (a) Zona Hf» trarkivap Como descrito anteriormente, esta zona divide-se em tres partes: a parte superior,' a intermédia e Projecto U.E. - MOLISV. MOZ /25 AproveUamento hidro-agrtcola do Vale de Manguenhane 6

13 l.n.i.a -D.T.A O meio ambiente a parte inferior. a parte superior, caracteriza-se por solos de textura arenosa e o lencol freatico a uma profundidade superior a 1.50 m. na parte intermédia, o lencol freatico encontra-se a menos de 1 m durante a época seca. Os solos nesta faixa sao também de textura arenosa e caracterizam-se por apresentar manchas de oxida9ao que indicam a presenfa e/ou flutua9ao do len9ol freatico. a parte mais baixa (inferior) da zona de transi9ao é localizada perto do vale. O len9ol freatico esta aproximadamente a 50 cm da superficie e, devido a ma qual.idade da agua do len9ol freatico (p.e 3.37 ds m", ver os dados do perfil no.4), esta zona é caracterizada pela presen9a de pequenas faixas isoladas com acumula9ao de sais a superficie. (b) flnao dn vale Esta unidade fisiografica divide-se em tres partes. Na primeira, a agua do len9ol freatico encontra-se muito perto da superficie, nao havendo varia9ao na época -seca devido ao fluxo lateral continuo das aguas das encostas para o vale. Informa9Öes colhidas no campo junto de alguns camponeses indicam que, na época chuvosa, todo o vale fica inundado impossibilitando até o corte de cani90 para fins de constru9ao e outros. +./ A segunda subunidade fisiografica do chao do vale é caracterizada por constantes inunda9öes, ou seja, existe uma duradoura lamina de agua a superficie. Esta subunidade é mais estreita perto da barragem e circunda a faixa central por onde passa a vala principal de drenagem. A ültima subunidade, compreende a turfa (material organico nao decomposto ou ligeiramente alterado) e esta mais concentrada junto a vala principal de drenagem, com uma profundidade de aproximadamente 1 m, dificultando assim o acesso. 2.6 Uso de terra e vegetacao ' O uso de terra, encontra-se em geral confinado a zona de transi9ao, onde prédomina o sector familiar. Este sector tem como principal sistema de produ9ao o sequeiro, as lavouras sao feitas manualmente ou com trac9ao animal e com baixo nivel de utiliza9ao de factores de produ9ao. As principais culturas sao as horticolas (variedades locais de tomate, cebola, alface e couve) e consocia9öes de milho, mandioca (estacas provenientes da Esta9ao Agraria de Chókwè), feijao nhemba e amendoim. A batata-doce é plantada de forma a demarcar as divisöes.entre parcelas. A perda de culturas devido as inunda9<5es nao constitui problema pois em geral, os camponeses conhecem as zonas sujeitas a inunda9öes e, portanto, evitam produzir culturas sensiveis nessas areas durante o periodo chuvoso. Na zona de transi9ao, principalmente a parte inferior, é usada para a produ9 o de arroz e, na época seca é utilizada como zona de pastagem extensiva. De acordo com infonrieupöes prestadas Projecto V.E. - MOLISV. MOZ /25 Aproveitamento hidro-agrlcola do Vale de Manguenltane 7

14 I.N.I.A-D.T.A O meio ambiente pelos camponeses, ha indicacao de se tratar duma zona mais problematica em termos de salinidade. Na maioria dos casos, na linha de transicao entre a zona dé transicao e o chao do Vale, predominam plantacöes de cana-de acücar e bananeiras. O chao do vale é, em geral, menos usado para fins agricolas devido a sua fraca estabilidade e difïcil acesso. Na época seca, quando o nivel da lamina superficial de agua baixa, esta zona serve de fonte de algumas receitas para o sector familiar visto o canico do vale ser de boa qualidade para construcöes. No vale predominam as pradarias aquaticas de Phragmites sp., Cyperursp., Juncus sp., etc, e as formacöes aquaticas de plantas flutuantes Eichornia sp., Nymphaea sp., etc..de salientar que, é praticada a pesca artesanal em algumas seccöes da vala principal de drénagem. Projecto V.E. -MOLISV. MOZ /25 Aproveitamento hidro-agricola do Vale de Manguenhane s

15 I.N.I.A -D.T.A Solos 3. OS SOLOS 3.1 Geral As diferen9as em geologia, relevo e condi9öes hidromórficas determinam a varia9ao de solos na area de estudo. Foram identificadas duas unidades principais de solos das quais 4 subunidades foram mapeadas na area de estudo. As principais unidades sao: solos derivados de deposi9öes eólicas (zona de transi9ao) - unidade A, solos derivados de deposi9öes aluvionares (vale) - unidade F. A caracteriza9ao das diferentes unidades de solos foi feita na base de parametros basicos tais como a textura, profundidade efectiva do solo, posi9ao no terreno, cor, profundidade da camada da turfa, e outros de caracter especifico para cada caso. 3.2 Descri9ao das unidades de solos Os solos da zona de transicao - (unidade A) Esta unidade marca a transi9ao entre a planicie arenosa e o vale com declives suavemente ondulados a quase planos. Em geral, os solos sao arenosos com mais de 80% de areia grossa e média, muito profundos e com baixa capacidade de reten9ao de agua. Esta unidade subdivide-se em duas subunidades, nomeadamente: Al e A2. Subunidade - Al (parte superior e intermédia das encostas) Esta subunidade de solo ocupa a parte superior da zona de transi9ao. O relevo é suavemente ondulado. Os solos sao muito profundos (>1.50 m), nao salgados nem sódicos. - (i) (ii) (iii) o topsolo apresenta uma colora9ao castanho-amarelada clara (10YR 5/3), textura arenosa com mais de 90% de areia grossa e 9% de areia fïna, graos singulares, sendo solto quando seco e quando hümido. o subsolo é castanho-amarelo-acinzentado (10YR 4/3) a castanho-amarelado claro (10YR 4/2), arenoso com mais de 88% de areia grossa e 6% de areia fïna, graos singulares e solto quando fresco. a fertilidade desta subunidade é avaliada com base nos dados analiticos do perfïl representativo - Al (GZ0005) desta unidade (ver a Tabela 3.1). Esta'subunidade de solos nao apresenta limita9öes relativas a profundidade efectiva e ao teor de fragmentos grossseiros. 4 GZ0005 = código do perfïl no Banco de Dados de Solos (SDB) em uso no Departamento de Terra e Agua, ondé a letra G corresponde a provincia de Gaza, Z ao distrito de Mandlakaze e 0005 é o numero do perfïl. Projecto U. E. - MOLISV. MOZ /25 Aproveitamento hidro-agricola do Vale de Maitguenhane 9

16 I.N.I.A - D.T.A Solos Tabela 3.1: Dados fisico-quimicos doperfil representativo da subunidade de solo Al Caracteristicas quimicas Unidade Solo superficial Interpretacao Subsolo Interpretacao ph (H 2 0) moderamente acido moderad. acido P assimilavel (Olsen) (ppm) 1 muito baixo 1 muito baixo Matéria organica N-total (Kjeldahl) CTC efectiva (%) baixa muito baixa muito baixo muito baixo muito baixa muito baixa Ca trocavel Mg trocavel Na trocavel K trocavel Saturacao de bases PST (Na/CTC efectiva) (meq/loog) (%) muito baixo muito baixo alto O.O-Cr.2' baixo muito baixo muito baixo medio baixo 93 muito alta 22 "baixa 0-7 baixa média CE 1:2,5 (ds m"') 0.0 muito baixa o.o- muito baixa Areia grossa (%) Arenosa (Ar). ; Arenosa. (Ar) Areiafina silte argila : Subunidade - A2 (parte inferior das encostas) A subunidade A2 ocupa a parte inferior da zona de transicao, e devido a escala de, mapeamento, nao é possivel a separacao entre as subunidades Al e A2. O relevo é quase plano a plano. Os 'A interpretacso dos dados analiticos foi baseada no "manual para a classificacao, quantificacao e interpretacao de analises laboratoriais de solo e agua" compilado por Geurts, P., (Documento Interno no.36). Projecto U.E. - MOL1SV. MOZ /25 Aproveitamento hidro-agricola do Vale de Manguenhane 10

17 I.N.I.A -D.T.A Solos solos sao muito profundos (>1.50 m), nao salgados e pouco a muito sódicos localmente. Os solos sao, em grande medida, influenciados pelo vale e fluxo lateral da agua da planicie arenosa para o vale. (i) o topsolo é caracterizado por uma coloracao castanho-amarelo-acinzentada (10YR 5/2) quando seco e preto-acastanhada (10YR 3/1) quando hümido, textura arenosa, estructura de graos singulares, consistência solta quando seco e quando hümido, nao plastica e nao pegajosa quando molhado. (ii) o subsolo é amarelo-alaranjado claro (10YR 6/3) quando hümido, textura arenosa, e estrurura de graos singulares; manchas acastanhadas, pequenas,. comuns e distintas resultantes da flutuacao do lencol freatico; consistência solta quando hümido, nao plastica e nao pegajosa quando molhado. Tabela 3.2: Dados fisico-quimicos doperfïl representativo da unidade de solo A2 Caracteristicas quimicas Unidade Solo superficial Interpretacfio Subsolo Interpretacao ph(h 2 0) fort. a mod. acido mod.-lig. acido P assimilavel (Olsen) (ppm) 1-2 muito baixo 0-1 muito baixo Matéria organica N-total (Kjeldahl) CTC efectiva (%) baixa baixa muito baixo a baixo muito baixo muito baixa 0.4-0,8... muito baixa Ca trocavel Mg trocavel Na trocavel K trocavel Saturacao de bases PST (Na/CTC efectiva) (meq/loog) (%) muito baixo a baixo muito baixo muito baixo 0.0 :.0.0 muito. baixo baixo 0.1-0,2. baixo baixo baixo 93 muito alta 89 muito alta 4-15 baixa a média méd- muito alta CE 1:2,5 (ds rn') muito baixa muito baixa Areia grossa ^8 (%) Arenosa (Ar) Arenosa (Ar) Areia fina Projecto U.E. - MOUSV. MOZ /25 Aproveitamento hidro-agricola do Vale de Manguenhane 11

18 I.N.I.A - D.T.A Solos Silte 0.7 1:1 Argila (iii) os dados analiticos do laboratório (ver a Tabela 3.2) indicam o estado actual da fertilidade desta subunidade. O teor de matéria organica é relativamente alto em comparacao a subunidade Al Os solos do chao do vale - (Unidade F) No chao do vale, foram identificadas tres subunidades bem distintas: (i). subunidade de solos sem presenca de turfa (Fa); (ii) subunidade de solo (Ftl) com o material turfoso muito bem decomposto (consistente que suporta de certo modo o peso) durante a época seca e (iii) a subunidade de solo organico (Ft2) com turfa no seu estado inicial e intermédio de decomposicao. Nos dois ültimos casos, a turfa desenvolve(u)-se sobre' depósitos eólicos de material arenoso resultantes do processo de aplanacao das dunas do interior. Subunidade - Fa ; Esta subunidade ocupa uma pequena faixa na margem esquerda do vale. Nesta seecao do vale, o sistema de drenagem ainda funciona razoavelmente, sendo a agua do fluxo latéral escoada para a vala principal através de drenos perpendiculares. Nesta subunidade^ ocorrem com relativa frequência, manchas esbranquicadas isoladas que indicam a presenca de safs a su'perficie. (i) (ii) (iii) o solo superficial é caracterizado por uma coloracao preto-acastaïlhada a preta (10YR 3/1 a 10YR 2/1) quando seco e quando hümido; textura frahcq-arenosa; estructura moderada a fina, anisoforme subangular; consistência branda quando hümido e muito friavel quando molhado; pouco plastica e pouco pegajosa quando molhado. o subsolo é castanho escuro (10YR 3/4) quando hümido; textura arenosa a francoarenosa, com cerca de 70% de areia grossa; estructura fina a muito fina, anisoforme subangular; nao plastico e nao pegajoso quando molhado. O subsolo apresenta uma camada muito dura, de estructura laminar, constituindo urn factor limitante para a : penetracao de raizes e a infïltracao da agua. a interpretacao da fertilidade é baseada nos dados analiticos do perfri representativo desta subunidade (ver a Tabela 3.3).... Tabela 3.3: Dados fisico-quimicos doperfd representativo da subunidade de solo Fa Caracteristicas quimicas Unidade Solo superficial Interpretacao Subsolo Interpretafao ph (H 2 0) moderad. acido moderada. acido Projecio U.E. -MOL1SV. MOZ S076 94/25 Aproveilamenlo hidro-agricola do Vale de Manguenhane 12

19 I.N.I.A -D.T.A Solos P assimilavel (Olsen) (ppm) 2-3 muito baixo 1-2 muito baixo Matéria organica N-total (Kjeldahl) CTC efectiva (%) alta média baixo baixo muito baixa 0.8-2";4. muito baixa * Ca trocavel Mg trocavel Na trocavel K trocavel Saturacao de bases PST (Na/CTC efectiva) (meq/loog) (%) baixo ' rftuito baixo baixo V ,3 m. baixo a m. alto baixo baixo muito alto 'muito alto 82 muito alta 97' muito alta alta a muito alta média a muito alta CE 1:2,5 (ds m' 1 ) muito baixa muito baixa Areia grossa Areia fina Silte Argila (%) Franco arenosa (F Ar) " 9.9?. Franco arenosa.. (F Ar) Subunidade - Ftl Os solos da subunidade Ftl, sao moderadamente profundos com uma qamada Variavel de 15 a 60 cm de turfa moderadamente a bem decomposta; textura franco-arenosa a franco-argiloarenosa; preta; sobre areia saturada pelo hidromorfismo. Sao solos com um teor médio de matéria organica na parte superficial e muito baixa no subsolo. (i) (ii) (iii) o solo superficial é constituido por uma camada (semi)decomposta de turfa, textura franco-arenosa; cor preta (10YR 2/1) quando molhado; consistência nap.plastica e nao pegajosa quando molhado; moderadamente salgado (0.2 a 6.2 ds m" ). o subsolo é arenoso; graos singulares; castanho-amarelado claro (10YR. 5/3); saturado de agua do lencol freatico que flutua segundo as épocas (chuvosa é seca). esta subunidade é caracterizada por teor moderamente alto de matéria organica variando de 0.3 a 3.7% (ver a Tabela 3.4 que resumé os dados analiticos do perfil representativo Projecto U.E. -MOL1SV. MOZ /25 Aproveitamento hidro-agricola do Vale de Manguenhane 13

20 I.N.I.A -D.T.A Solos desta subunidade de solos). Tabela 3.4: Dados fisico-quimicos doper/il representativo da subunidade de solo Ftl Caracteristicas quimicas Unidade Solo superficial Interpretacao Subsolo ' Interpretacao ph (H 2 0) fortemente acido fortemente acido P assimilavel (Olsen) (ppm) 0-2 muito baixo 0-2 muito baixo Matéria organica N-total (Kjeldahl) CTC efectiva (%) muito baixa a alta muito baixa muito baixo a medio muito baixo a baixo muito baixa a baixa muito baixa Ca trocavel Mg trocavel. Na trocavel K trocavel Saturacfto de bases PST (Na/CTC efectiva) (meq/loog) (%) baixo muito baixo a medio baixo a muito alto 0.0-0:6... muito baixo a baixo extremamente alto extremamente alto baixo a alto muito baixo a baixo 99 muito alta 98 ' muit» alta 0-22 baixa a alta alta CE 1:2,5 (ds m' 1 ) alta ' muito baixa Areia grossa '- (%) Franco arenosa (F Ar) :'-. Arenosa (Ar) Areia fina Silte Argila '"'. 3.1 Subunidade - Ft2 Esta subunidade (Ft2), compreende o resto do vale, caracterizada por um fnaterial turfoso constituido por fibras (raizes, folhas e colmos de canico e outra vegetacap caracteristica) no seu estado inicial e intermédio de decomposicao, de cor acastanhada e de profundidade variavel (aproximadamente 1 m) sobre depósitos arenosos. -;' - ' Projecto U.E. - MOLISV. MOZ /25 Aproveitamento hidro-agrkola do Vale de Manguenhane 14

21 I.N.I.A -D.T.A Solos (i) nesta subunidade, devido a agua que se encontra a superfïcie e a fraca consistência da própria turfa, nao foi possivel abrir-se um perfil para descricao e amostragem completa. Contudo, amostras de sondagem a tres profundidades (0-40, e cm) foram recolhidas através da sonda para posteriores analises laboratoriais. Tabela 3.5: Dados fisico-quimicos da subunidade de solo Ft2 Caracteristicas quimicas Unidade Solo superficial Interpretacao Subsolo Interpretacao ph(h 2 0) extr. a fort. acido fort. a lig. acido P assimilavel (Olsen) (ppm) 1-3 muito baixo 1-2 muito baixo Materia organica N-total (Kjeldahl) CTC efectiva (%) muito alta média a muito alta muito alto muito alto muito alta alta a muito alta Ca trocavel Mg trocavel Na trocavel K trocavel Saturacao de bases PST (Na/CTC efectiva) (meq/loog) (%) 4# muito baixo a medio ' baixo muito alto 4.2-J9.2, *muito alto extremamente alto ' '.extremamente alto muito alto frjiiito alto 99 muito alta 98 rhuitö alta alta a muito alta alta CE 1:2,5 (ds m" 1 ) muito alta baixa Areia grossa * * (%) Franco arenosa (F Ar) Franco arenosa '' (F Ar) Areia fina Silte Argila Projecto V.E. - MOLISV. MOZ $076 94/25 Aproveitamento hidro-agricola do Vale de Manguenhane 15

22 I.N.I.A -D.T.A Solos 4. OS MACHONGOS NO VALE DE MANGUENHANE 4.1 A formacao da turfa A turfa (solo organico) é formada sob condi9<3es muito especificas, nas quais a produ9ao da biomassa, isto é, materiais organicos, é maior que a sua decomposi9ao. As condi9öes anaeróbicas que impedem a actividade micro-biológica necessaria para a decomposi9ao quimica do material organico, constituem o factor de extrema importancia na acumula9^o da biomassa parcialmente decomposta em forma de turfa. As condi9öes anaeróbicas sao criadas por certos processos hidro-topograficos cujas propriedades dependem de muitos factores ambientais tais como o clim'a, forma do terreno, geologia local e a hidrologia..' Na area de estudo, a acumula9ao (forma9ao) da turfa é condicionada por um lado,.pela biomassa que é produzida pela vegeta9ao dominante (cani9o) e, por outro, pela decomposi9ao bioquimica lenta resultante da estagna9ao de agua durante todo ou maior parte do ano. As condi9öes anaeróbicas sao condicionadas pelos seguintes factores: falta de manuten9ao da vala principal de drenagem, nao continua9ao da vala principal de drenagem até cotas mais baixas, bloqueio e desaparecimento das estructuras (valvulas) de controle do fluxo da agua das valas das encostas e, mau estado actual de funcionamento da barragem (p.e fendas e fuga de agua nao controlada). 4.2 Propriedades fisicas As propriedades fisicas dos solos organicos sao de vital importancia no conceniente ao maneio da agua. Os solos organicos sao constituidos por quatro componentes principais: (i) material mineral, (ii) material organico, (iii) agua, e (iv) o ar. A caracteriza9ao em termos de propor9öes destes quatro componentes, afigura-se ser extremamente difïcil, devidó ao estado actual de drenagem. 4.3 Actividade biológica A actividade biológica do material organico esta relacionada com o tipo e a quantidade de microorganismos presentes. Estes, jogam um papel preponderante na décomposi9ao e mineraliza9ao da matéria organica. A drenagem dos machongos (turfa) acareta mudan9as que consistem na êxposi9ao da turfa as condi9öes aeróbicas ao invés das naturais anaeróbias. As condi9<5es aeróbicas permitem a oxida9ao biológica e a mineraliza9ao do material organico e, porconseguinte, uma redu9&o da espessura do material organico e o declinio em nutrientes devido a deconiposi9ao acelerada da Projecto U.E. - MOUSV. MOZ /25 Aproveilamento hidro-agricola do Vale de Manguenhane 16

23 I.N.I.A -D.T.A. ^ Osmachongos turfa. Andriesse, (1988) chegou mesmo a mostrar que, em termos do meio ambiente, regista-se uma subida substancial de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. A", 4.4 Comparacao entre o ph medido no campo e no laboratório O ph do solo afecta significativamente a disponibilidade de muitas elementos quimicos importantes tanto para as plantas assim como para os microorganismos (Brady, 1990). Por exemplo, a tendência de niveis tóxicos de ferro e aluminio, é estabelecida por valores baixos de ph. Tabela 4.1: Comparacao entre o PH-H2O medido no campo e no laboratório Perfil No. Profundidade (cm) (limite inferior) ph-h 2 0 M. Organica (%) CEe (ds m" 1 ) PST, (%) Classe de Textura Campo 6 Laboratório 7 A A A A :'' 46', 1 Ar 1 Ar 1 Ar 1 Ar Fa Fa Fa Fa ".: FAr 3FAr 3FAr 1 Ar Ftl Ftl ' : 22''' F Ar 1 Ar Ft2 Ft2 Ft : ' 3FAr 3FAr 2ArF A Tabela 4.1, apresenta os valores de ph-fho medidos no campo e. no, laboratório dos diferentes perfis analisados. Em geral, o ph tende a ser baixo no topsolo-em ambas as medi9öes (campo/laboratório) efectuadas. Os resultados do laboratório apresentam valores comparativamente mais. baixos aos do campo, quer dizer, com uma amplitude de 0.1 a 2.1 unidades. Esta diminuicao do valorde ph, deve-se a perda de agua no sistema durante o processo de secagem que, traz como cönsequencia, a 6 0 PH-H2O - Campo: foi determinado através de um aparelho (EL "digital PH METER) portatil em uso no Departamento de Terra e Agua, logo após as observacöes de campo. 7 0 PH-H2O - Laboratório: a determinacao é feita apartir de uma amostra de solo seca na estufa, a pelo menos 70 C, durante 48 horas (DTA - Comunicacao no 38). Projecto U.E. - MOLISV. MOZ /25 Aproveitamento lüdro-agricola do Vale de Manguenhane 17

24 I.N./.A -D.T.A Os machongos oxida9ao do Fe2S e liberta9ao de acidos organicos, por exemplo, o acido sulfurico do material turfoso. Da mesma forma que, a acidifica9ao resulta da exposi9ao do material" turfoso e ou a altas temperaturas, a drenagem dos machongos traz consigo mudan9as, quando excessiva, resulta em problemas de acidifica9ao e redu9ao da espessura. As Figuras 4a, 4b, e 4c, mostram como a percentagem de matéria organica (nö caso vertente da turfa como objecto de estudo) contribui para este processo de acidifica9 o: Contudo, a acidifica9ao é mais nitida na camada superficial onde o teor de matéria organica é muito alto. Isto, deve-se a liberta9ao do acido organico da turfa. 7.5^ 6.5 <>e 5.5*" Comparando os valores apresentados nas Figuras 4b e 4c pode concluir-se que, o grau de decomposi9ao da matéria organica tem uma grande influência na varia9ao do ph do topsolo Prof. (cm) Na Figura 4b, onde o material constituinte é maioritariamente de origem mineral, a varia9ao do ph é menos nitida (< 0.5 unidade), enquanto que na Figura 4c, onde o material organico se encontra no seu estado inicial de decomposi9ao, a amplitude de varia9ao é maior (superior a 2 unidades). 8 i j ' 2 -I 6 -.» ^ 6.5 (,» ^ ^ » ; c == *~ >c b) Unidade de solo -Fs IC 0 Prof. (cm) -1.5 O e Nas tres figuras, é clarividente o aumento do ph com a profundidade do solo, sendo inversamente proporcional ao teor da matéria organica. 4.5 A queima da turfa Na época seca é tradi9ao queimar a turfa na area de estudo. A Projecto U.E. -MOLISV. MOZ /25 Aproveiti ph-campo Prof. (cm) ph-lab M.O. ( /») Figura 4: Variacao do ph do solo medido no Campo é no Laboratório: a) unidade de solo A; b) unidade de solo Fs e c) unidade de. solo Ft2. '"

25 I.N.I.A - D.T.A Os machongos queima é considerada como uma altemativa de remocao do canico cortado ao longo da vala principal de drenagem. As cinzas melhoram, de certa maneira, a fertilidade do solo, mas a longo prazo, as queimadas constituem um risco, porque o declinio em termos de disponibilidade de nutrientes é abrupto. As queimadas nas zonas turfosas podem atingir proporcöes extremamente perigosas e de difïcil controle. É recomendada a abertura de valas suficientemente profundas em volta da area por queimar e/ou a compactacao mecanica da turfa. Projecto U.E. -MOLISV. MOZ /25 Aproveitamento hidro-ogricola do Vale demanguenhane 19

26 I.N.l.A -D.T.A Salinidade e Sodicidade 5. SALINIDADE E SODICIDADE 5.1 Salinidade Os solos salgados contêm sais solüveis em concentracöes que dificultam (impedem) o crescimento das culturas. Os sais em excesso influenciam negativamente o crescimento das culturas de duas formas diferentes: indirectamente 3 pelo desequilibrio na composicao dos iöes na solucso do solo afectando a disponibilidade de nutrientes para as plantas. Hirer.t?imente 3 pelo efeito de seca fisiológica, como consequência da alta pressao osmótica da solucao do solo. De notar que, a tolerancia das culturas a salinidade varia fortemente entre culturas e entre variedades da mesma cultura. A Tabela 5.1, apresenta as classes e o efeito da salinidade no rendimento das culturas. Os sais podem ser oriundos da matéria mae salgada de origem marinha. Através da ascensao capilar a partir do lencol freatico pouco profundo, os sais podem acumular'-se a superficie. Na area de estudo, tal fenómeno pode ocorrer devido por um lado, a falta de manütencao das valas de rega e drenagem e, por outro, a inadequada manütencao do nivel do lencol freatico. Tabela 5.1: Classes de salinidade e efeito no rendimento das culturas (Fonte: Landon, 1991) Classes de salinidade do solo CEe 8 (ds.nr 1 ) Efeito no rendimento das culturas na o salgado 0-2 nenhum efeito ligeiramente salgado 2-4 diminuica o para culturas sensf veis moderadamente salgado 4-8 diminuica o na maioria das culturas fortemente salgado 8-15 somente culturas tolerantes extremamente salgado > 15 algumas culturas muito tolerantes V ' Devido as variacöes de microrelevo, porosidade, textura, tipo de solo e a profundidade do lencol freatico, a intensidade de salinidade pode mostrar variacöes espaciais e temporais consideraveis, ou seja, dum sitio para outro e duma camada de solo para outra. '.. *.' Na area de estudo, existem pequenas e isoladas manchas esbranquicadas forteniente salgadas. O substrato de Mananga, onde assentam os depósitos eólicos é a provavel-.origém dos sais. As manchas acima referidas, estao principalmente concentradas nas unidades de- solos F e sao influenciadas pelo lencol freatico e agua que se acumula nas valas de encosta. A conductividade eléctrica das amostras de agua do lencol freatico (que muitas das vezes se acumula nestas valas e só desaparece por efeito da evaporacao), varia de 0.35 a 3.5 ds m" correspondendo assim a *CEe = conductividade eléctrica da pasta saturada Projecto V.E. - MOLISV. MOZ /25 Aproveitamento liidro-agricola do Vale de Manguenhane 20

27 I.N.I.A -D.T.A Salinidade e Sodicirtade dasse de salinidade média (Landon, 1991). Na area de estudo, os dados dos perfis das unidades identificadas, revelam que as unidades de solos Ftl e Ft2, sao a grosso modo, moderada a fortemente salgadas, visto possuirem valores de CEe de 6.2 e 12.8 ds m", respectivamente. Tabela 5.2: Producao potencialpara os diferentes valores de CEe (Fonte: Landon, 1991) Culturas 100% 90% 75% 50% Sem producao CEs CEwio CE. CEw CEe CEw CEe.,CE 'CEe CE Feijao nhemba ' Amendoim ' ' Arroz Milho Batata doce Feijao Tomate Repolho Pimento Abóbora ' Alface Cebola Banana Laranja Sodicidade A sodicidade do solo é expressa pela percentagem de sódio trocavel (PST) ocupando o complexo de troca e, é calculada a partir da capacidade de troca catiónica (CTC) usando a seguinte fórmula: PST (%) = Na/CTC * 100% O sódio no solo, em quantidades suficientemente altas, pode causar sérios problemas no crescimento das culturas devido aos efeitos negativos que este provoca na estructura do solo bem como, aos efeitos tóxicos que resultam no fraco desenvolvimento das plantas. As classes e os limites da sodicidade, podem ser agrupados da seguinte maneira: 9 CEc significa salinidade média em ds m' 1 na zona radicular a uma temperatura de 25 C. 10 CE lv significa conductividade eléctrica da agua de irrigacao em ds m"'. A relacao entre a salinidade do solo e da agua de irrigacao é (EC C = 1.5 EC ). '' Geralmente recomenda-se para solos com EC e inferior a 1 ds m" 1. Projecto V.E. - MOLISV. MOZ /25 Aproveitainento hidro-agricola do Vale de Manguenhane 21