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2 ISSN (eletrônica) Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem Universidade do Sul de Santa Catarina Tubarão SC v. 1, n. 1, p. 1-73, jul./dez. 2012

3 Dados Postais/Mailing Address Revista Científica Ciência em Curso Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL) A/C Editores Av. Pedra Branca, 25 Cidade Universitária Pedra Branca CEP: , Palhoça, Santa Catarina, Brasil Ficha Catalográfica Revista Científica Ciência em Curso/Universidade do Sul de Santa Catarina. - v. 1, n. 1 (Jul./Dez. 2012) - Palhoça: Ed. Unisul, Semestral ISSN Ciência - Periódicos. 2. Cultura - Periódicos. 3. Análise do discurso-periódicos. I. Universidade do Sul de Santa Catarina. Elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul CDD 405

4 Reitor Sebastião Salésio Herdt Vice-Reitor Mauri Luiz Heerdt Chefe de Gabinete Willian Corrêa Máximo Secretária Geral da Unisul Mirian Maria de Medeiros Pró-Reitor de Ensino, Pesquisa e Extensão Mauri Luiz Heerdt Pró-Reitor de Operações e Serviços Acadêmicos Valter Alves Schmitz Neto Pró-Reitor de Desenvolvimento Institucional Luciano Rodrigues Marcelino Assessor de Promoção e Inteligência Competitiva Ildo Silva Assessor Jurídico Lester Marcantonio Camargo Diretor do Campus Universitário de Tubarão Heitor Wensing Júnior Diretor do Campus Universitário da Grande Florianópolis Hércules Nunes de Araújo Diretor do Campus Universitário Unisul Virtual Fabiano Ceretta Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem Fábio José Rauen (Coordenador) Dilma Beatriz Rocha Juliano (Coordenadora Adjunta) Av. José Acácio Moreira, 787. CEP: Tubarão - SC Fone: Fax:

5 Equipe Editorial/Editorial Staff Editores/Editors Ana Carolina Cernicchiaro Giovanna Benedetto Flores Nádia Régia Maffi Neckel Solange Leda Gallo Secretária/Secretary Alexandra Tagata Zatti Bolsista Capes Conselho editorial/editorial board Aldo Litaiff, Universidade do Sul de Santa Catarina Alessandra Soares Brandão, Universidade do Sul de Santa Catarina Amanda Eloina Scherer, Universidade Federal de Santa Maria, Brasil Ana Josefina Ferrari, Universidade Federal do Paraná, Brasil Andréia da Silva Daltoé, Universidade do Sul de Santa Catarina, Brasil Antonio Carlos Santos, Universidade do Sul de Santa Catarina Bethania Sampaio Corrêa Mariani, Universidade Federal Fluminense, Brasil Carla Barbosa Moreira, Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil Carla Süssenbach, Universidade do Contestado, Brasil Carme Regina Schons, Universidade de Passo Fundo, Brasil Cármen Lucia Hernandes Agustini, Universidade Federal de Uberlândia, Brasil Carolina de Paula Machado, Universidade Federal de São Carlos, Brasil Carolina María R. Zuccolillo, Universidade Estadual de Campinas, Brasil, Brasil Carolina Padilha Fedatto, Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil, Brasil Cláudia Maria Vasconcelos N. de Souza, Fundação Educandário Santarritense, Brasil Claudia Regina Castellanos Pfeiffer, Universidade Estadual de Campinas, Brasil Cristiane Dias, Universidade Estadual de Campinas, Brasil Dantielli Assumpção Garcia, União das Faculdades dos Grandes Lagos, Brasil Débora Raquel Hettwer Massmann, Universidade do Vale do Sapucaí, Brasil Deisi Scunderlick Eloy de Farias, Universidade do Sul de Santa Catarina Dilma Beatriz Rocha Juliano, Universidade do Sul de Santa Catarina Ercília Ana Cazarin, Universidade Católica de Pelotas, Brasil Fábio José Rauen, Universidade do Sul de Santa Catarina, Brasil Fernando Vugman, Universidade do Sul de Santa Catarina, Brasil Gilmar Luis Mazurkievicz, Universidade do Contestado, Brasil Heloisa Juncklaus Preis Moraes, Universidade do Sul de Santa Catarina, Brasil Ismara Eliane Vidal de Souza Tasso, Universidade Estadual de Maringá, Brasil, Brasil Jussara Bittencourt de Sá, Universidade do Sul de Santa Catarina, Brasil Luiz Carlos Martins de Souza, Universidade Federal do Amazonas, Brasil Maria Marta Furlanetto, Universidade do Sul de Santa Catarina, Brasil

6 Maurício Eugênio Maliska, Universidade do Sul de Santa Catarina, Brasil Mónica Graciela Zoppi Fontana, Universidade Estadual de Campinas, Brasil, Brasil Nadja de Carvalho Lamas, Universidade da Região de Joinville Univille, Brasil Ramayana Lira de Sousa, Universidade do Sul de Santa Catarina, Brasil Sandro Braga, Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil Silmara Cristina Dela-Silva, Universidade Federal Fluminense, Brasil Simone de Mello de Oliveira, Universidade Federal de Santa Maria, Brasil Suzy Lagazzi, Universidade Estadual de Campinas, Brasil Telma Domingues da Silva, Universidade do Vale do Sapucaí, Brasil Equipe Técnica/Technical Team Adilson Costa Jr. (Auxiliar de Secretaria) Alexandra Tagata Zatti (Revisão) Regina Aparecida Milléo de Paula (Tradução e Revisão) Walterson de Faria (Tradução) Fábio José Rauen (Diagramação)

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8 Página7 SUMÁRIO/CONTENTS Apresentação/Presentation 9 Artigos de Pesquisa/Research Articles Ciência em Curso & Feito a Mão Ciência em Curso and Feito a Mão Solange Leda Gallo 11 A ciência enquanto processo: um caso de divulgação Science as a process: a case of dissemination Giovanna Benedetto Flores Marci Fileti Martins Solange Maria Leda Gallo Silvânia Siebert 17 O discurso artístico na constituição dos materiais de divulgação de ciência: a revista Ciência em Curso The artistic discourse in the constitution of the scientific materials dissemination: Ciência em Curso Journal Maria Augusta V. Nunes Marci Fileti Martins 27 O discurso da ciência na contemporaneidade: heterogeneidade e descontinuidade The discourse of science in the contemporary: heterogeneity and discontinuity Marci Fileti Martins Marcelo Santos Silva 37 Entre a ciência e a mídia: um olhar de assessoria de imprensa Between science and media: a look from the press office Giovanna Benedetto Flores 43

9 Página8 O que pode e deve ser dito sobre ciência no discurso da divulgação científica: nós precisamos da incerteza, é o único modo de continuar What can and should be said about science in the discourse of science communication: we need uncertainty, is the only way to keep going Marci Fileti Martins 49 A divulgação científica da Revista Laboratório Ciência em Curso Scientific dissemination in Ciência em Curso Laboratory Journal Giovanna Benedetto Flores Marci Fileti Martins Solange Maria Leda Gallo Silvânia Siebert 59 A revista Ciência em Curso e a divulgação científica do patrimônio Ciência em Curso Journal and the scientific dissemination of the patrimony Giovanna Benedetto Flores Antônio Carlos Cândido Lopes Roger Maurício Caetano 65

10 Página9 APRESENTAÇÃO/PRESENTATION A Revista Científica Ciência em Curso pretende congregar trabalhos que discutam a imbricação do Discurso, da Cultura e Mídias em diferentes perspectivas. A presente edição tem como objetivo refletir, por meio do dispositivo da análise do discurso, a respeito dos processos de formulação e circulação do conhecimento nas áreas envolvidas, reunindo um grupo multidisciplinar de autores que desenvolvem pesquisas na área da cultura e das mídias. A Unisul, por meio do Programa Pós Graduação em Ciências da Linguagem (PPGCL), tem desenvolvido pesquisas integradas e interinstitucionais tanto em Análise do Discurso, quanto na área Cultural, das Mídias e das Redes de informação. Este número especial é composto de trabalhos que fazem parte de uma coletânea da memória das publicações de pesquisadores vinculados à Revista Laboratório Ciência em Curso. A Revista Laboratório Ciência em Curso é desenvolvida pelo Grupo de Pesquisa Produção e Divulgação do Conhecimento criado em 2003 e formado por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem e dos cursos de Comunicação Social (Jornalismo e Publicidade e Propaganda) e Cinema e Realização Audiovisual, da Unisul. Tais trabalhos buscam explorar o aspecto político envolvido nos processos de divulgação e circulação do conhecimento, além de despertar para o fato de que os sentidos da ciência e da cultura permeiam vários discursos como o pedagógico, o jornalístico, o jurídico, o político, o publicitário, o artístico, entre outros. As pesquisas sobre as mídias contemporâneas e de diferentes épocas em seus processos de constituição de textos e discursos em múltiplas materialidades (verbal, visual, sonora, gestual, etc.) contribuem para aprofundar o conhecimento interdisciplinar. Assim sendo, a temática da Revista Científica Ciência em Curso procura tratar a mídia em seu processo de transformação nos processos de comunicação. Tal percurso permite a compreensão dos processos, do lugar, da memória, da produção de sentido e da singularidade histórica de produções da cultura mundializada em diferentes discursividades intensificando a interlocução entre pesquisadores. Os Editores GALLO, S. et al. Apresentação. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p. 9, jul./dez

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12 Página11 CIÊNCIA EM CURSO & FEITO A MÃO 1 Solange Maria Leda Gallo 2 Resumo: O trabalho reflete sobre a formulação e circulação do conhecimento científica na contemporaneidade, discutindo especificamente o que é denominado divulgação científica. Para isso, propõe-se uma discussão a partir da análise da Revista Laboratório Ciência em Curso que é ao mesmo tempo um espaço de reflexão e uma proposta de divulgação de ciência. A proposta da Revista é divulgar a ciência por meio de uma multiplicidade de meios como áudio, vídeo, texto, ou seja, materiais diversificados que possibilitam significar a ciência de modo não linearizado. Por outro lado, procuramos divulgar o conhecimento não científico, dentro do Caderno intitulado Feito a mão. Nesse âmbito, buscamos mostrar que a cultura regional detém uma forma de conhecimento capaz de produzir riquezas, tanto quanto a ciência. Palavras-chave: Análise do Discurso. Divulgação científica. Revista Laboratório Ciência em Curso. Caderno Feito a Mão. INTRODUÇÃO O grupo de pesquisa Produção e Divulgação do Conhecimento (registrado no CNPq há quase 10 anos), envolvido no presente projeto sobre patrimônio cultural, atua no PPGCL (Programa de Pós-Graduação Mestrado e Doutorado da Unisul) dentro da linha de pesquisa: Texto e Discurso. Os objetivos do grupo envolvem uma discussão sobre a produção do conhecimento científico na contemporaneidade, ressaltando os modos como esse conhecimento circula, é divulgado. De tal modo, temos interesse em analisar corpora de textos que se inscrevem no discurso da ciência e da divulgação/circulação científica. Nossa abordagem tem incidido, atualmente, em quatro eixos de reflexão: 1. questões de autoria; 2. a ciência: processos e produtos; 3. o discurso científico na contemporaneidade: heterogeneidade e descontinuidade e 4. Cultura e tecnologias (MARTINS et al, 2008). O desenvolvimento da ciência, contemporaneamente, não é mais de interesse exclusivo da comunidade científica. A ciência ganha novos sentidos ao sair dos seus lugares de produção e circulação tradicionais (as instituições acadêmicas com seus papers e congressos, por exemplo) para se constituir em outro espaço social e histórico em que é ressignificada através de materiais midiáticos (revistas e programas de TV) denominados materiais de divulgação científica. Pensar, portanto, sobre as condições de produção e circulação do conhecimento científico numa sociedade como a nossa, implica refletir sobre a relação entre ciência e as instituições (Estado, escola e mídia), em que o estado e a escola passam a dividir com a mídia o papel de produtores do conhecimento científico. De fato, ao lado dos produtores originais do conhecimento científico está a 1 Texto publicado em MILANI, M. L.; NECKEL, Nádia. (Orgs.). Cultura: faces do desenvolvimento. Blumenau: Nova Letra, 2010, pp Docente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem da Unisul. GALLO, S. M. L. Ciência em Curso & Feito a Mão. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

13 Página12 mídia que, assumindo a função de divulgadora do conhecimento, atravessa os lugares e as posições, arrastada por fluxos discursivos que se entrelaçam e se cruzam e que os produtores do conhecimento do saber original não mais controlam (MOIRAND, 2000, p. 22). A divulgação científica, notadamente, o jornalismo científico tem, imaginariamente, como função colocar em linguagem acessível os fatos/pesquisas científicas, os quais são herméticos e incompreensíveis para os sujeitos não especialistas. Nesse funcionamento, a ciência é ressignificada a partir da sua publicização, ou seja, a ciência é retirada do seu meio de circulação tradicional e levada a ocupar um lugar no cotidiano do grande público. O efeito de sentido que aí se estabelece é o que se pode chamar de efeito de informação científica (ORLANDI, 2001), em que o conhecimento científico passa a informação científica, ou seja: [...] quando se busca, através do uso de certa terminologia, por em contato sem substituir o discurso do senso-comum e o da ciência. Por meio de vários procedimentos o termo científico é apresentado ao lado de descrições, sinônimos, perífrases, equivalentes, etc., deixando à vista o processo pelo qual o discurso científico se apresenta como uma retomada (OR- LANDI, 2001, p. 27). Nesse contexto, a Revista Laboratório Ciência em Curso 3 é um espaço em que se busca tanto compreender e refletir sobre os procedimentos envolvidos no trabalho de divulgação científica, quanto apresentar uma proposta para divulgar a ciência através de um site em que a multiplicidade de meios como áudio, vídeo, fotografia e texto possibilitam uma interação do sujeito internauta com os sentidos da ciência de modo não linearizado. Tem como objetivo experimentar novas formas de divulgação e o faz através de uma reflexão sobre algumas teorias envolvendo a formulação e circulação do conhecimento científico, especificamente aquelas que compreendem as formas de linguagem como discurso, ou seja, como espaço de construção do sujeito e do sentido que se constituem na relação com a linguagem, história e ideologia. Dessa perspectiva, o jornalismo, a ciência e a própria divulgação são considerados discursos e são constituídos, cada um deles, por suas condições de produção (históricas, políticas, ideológicas) e por seus sujeitos. Considera-se, portanto, o cientista/especialista, o não especialista (sujeito leitor dos materiais de divulgação de ciência) e o próprio divulgador sujeitos que ocupam uma posição necessariamente determinada por um contexto histórico e social, ou seja, constituídos por e num discurso: o que deve ser decisivo nas práticas de divulgação de ciência não é somente o tipo de meio utilizado (a videoconferência, a internet, a televisão, as mídias impressas, etc.), mas a concepção de linguagem que permeia o processo. [...] o leitor não interage com o texto, mas com outro sujeito [...] nas relações sociais, históricas, ainda que mediadas por objetos (como o texto). Ficar na objetividade do texto, no entanto, é fixar-se na mediação, absolutizando-a, perdendo a historicidade dele, logo sua significância (ORLANDI, 2001). De tal modo, a Revista busca problematizar a forma de divulgação de ciência feita pela mídia de massa, já que o que se vê, hoje, nos materiais de divulgação de ciência, é 3 Disponível em: GALLO, S. M. L. Ciência em Curso & Feito a Mão. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

14 Página13 uma tendência a fazer prevalecer os conhecimentos da própria mídia sobre ciência. Isto se deve ao fato do discurso de divulgação de ciência, segundo Orlandi (2001), produzir efeitos de sentidos que lhes são próprios ao se constituir pelo duplo movimento de interpretação: o divulgador lê em um discurso e diz no outro, isto é, ele toma um discurso constituído numa relação com uma ordem e formula em outra ordem (ORLANDI, 2001, p. 24). Para a autora, o discurso de divulgação é uma certa versão do texto científico, pois parte de um texto que é da ordem do discurso científico e busca manter pela textualização jornalística, através de uma certa organização textual, um efeito-ciência. Assim, enquanto a formulação do discurso científico é garantida pela sua metalinguagem específica, significando na direção da ciência, o discurso de divulgação é constituído por essa metalinguagem deslocada para uma terminologia. Contudo, quando a metalinguagem constitutiva do discurso da ciência é substituída pela terminologia que dá ancoragem científica ao discurso de divulgação, o que se observa, segundo Orlandi (2001, p. 28) é uma exacerbação no uso dessa terminologia a fim de garantir uma função legitimadora para o discurso de divulgação. De tal modo, perde-se aí justamente o que seria constitutivo do discurso da ciência: sua objetividade, ou o que ele constrói pela objetividade real contraditória de sua metalinguagem. Acrescente-se a isso, que a ciência, na maioria dos materiais de divulgação produzidos pela mídia de massa, é mostrada noticiosamente, o que traz como consequência um apagamento do processo científico. De fato, ao mostrar a ciência enquanto furo de reportagem, destacando, por exemplo, somente o momento da descoberta de uma vacina (produto), o jornalista apaga todo o percurso pelo qual passou o cientista e sua pesquisa (processo) até chegar ao momento da descoberta. Além disso, a mídia reproduz reafirma o lugar da ciência como produtora de sentidos absolutos e inequívocos. ALGUNS FUNDAMENTOS Texto do artigo. Entender a linguagem na sua relação com a história é aceitar que todo acontecimento de linguagem organiza-se a partir de relações de poder e não está ligada a uma cronologia, mas à organização das práticas sociais. Já a ideologia, que é elemento determinante do sentido e está presente em todo discurso, não deve ser entendida como visão de mundo ou como ocultamento da realidade, mas como propõe Orlandi (1999) como mecanismo estruturante do processo de significação. Assim, ideologia, pensada nos termos de Pêcheux (1988), na sua releitura de Althusser (1970), se constitui produzindo uma relação imaginária dos sujeitos com suas condições reais de existência, ou seja, o processo que determina as posições dos sujeitos (jornalista, cientista/pesquisador, internauta) construídas ao longo da história e através de relações de poder (políticas) é, na maioria das vezes, apagado, o que faz com que os sentidos sobre ciência que são aí produzidos se tornem naturalizados e óbvios. Além disso, essas posições óbvias para os sujeitos já estão prontas para serem assumidas, assim, o sujeito ao ser interpelado pelo discurso jornalístico ou científico vai produzir sentidos sobre ciência a partir desses lugares já prontos e óbvios. No caso do discurso jornalístico, os sentidos naturalizados de objetividade e imparcialidade são produzidos, segundo Mariane (1998 apud GALLO et al 2008, p. 123), GALLO, S. M. L. Ciência em Curso & Feito a Mão. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

15 Página14 através da manipulação da língua que, enquanto código sem falhas, é o instrumento capaz de referencializar a realidade dos fatos construindo assim o mito da informação jornalística com base noutro mito: o da comunicação linguística. Este imaginário constrói para o discurso jornalístico um efeito de sentido de neutralidade e imparcialidade através do qual os acontecimentos são relatados para um leitor (o grande público) que, por ser considerado uma tábula rasa, precisa receber a informação de forma clara e objetiva. O jornalismo, então, ao tratar de ciência o faz através do pré-construído do discurso da própria mídia e não do da ciência. O resultado é um simulacro de ciência exposto ao público leigo, simulacro este que surge como efeito da não explicitação das condições de produção (históricas e ideológicas) da pesquisa científica. Para o sujeito leitor dos materiais jornalísticos, então, a ciência se produz de forma descontextualizada. Esse efeito se produz, segundo Gallo (2003), justamente porque a contextualização, quando existe, é resultante de outros textos sobre o mesmo tema publicados anteriormente pela própria mídia e não pelo conhecimento da história da ciência e da pesquisa em questão (GALLO et al, 2008, p.123). Por seu turno, o discurso científico se constitui como um discurso de verdade, já que por seus objetivos e de seus métodos considerados ou pela via da razão (ciência cartesiana) ou pela da demonstração (ciência positivista), a ciência é sempre regulada pela busca da verdade e, àqueles que a manipulam ou mesmo dela se beneficiam, assiste o dever de interpretá-la como tal (LAVILLE; DIONNE, 1999). Contudo, para Pêcheux (1988), não é o homem que produz os conhecimentos científicos, mas os homens em sociedade e na história, ou seja, é a atividade humana social e histórica. Consequentemente, a produção histórica de um conhecimento científico dado seria o efeito de um processo histórico determinado por certas condições materiais (econômicas; políticas). A neutralidade do discurso científico, assim como sua legitimidade enquanto discurso da verdade é, portanto, resultado de um modo de funcionamento de certas relações produção. O jornalismo científico enquanto forma discursiva, que se estabelece na relação entre o discurso do jornalismo e o da ciência, traz na sua constituição esses sentidos imaginários resultantes dessas posições já construídas para a ciência e para o jornalismo. O trabalho da Revista Laboratório Ciência em Curso, no exercício de levar a ciência para um leitor que não é um especialista, evidencia a complexidade desse processo. É preciso construir uma posição para o divulgador de ciência que permita produzir um texto de divulgação que não seja nem tão hermético, representando uma outra versão de um artigo científico e nem tão didático e noticioso como um texto jornalístico produzido pela mídia de massa. Para isso, é necessário investir no processo tanto do fazer científico quanto do da divulgação buscando compreender esses discursos e suas reais condições de produção, através do resgate da sua historicidade. GALLO, S. M. L. Ciência em Curso & Feito a Mão. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

16 Página15 FEITO A MÃO No âmbito da Revista Laboratório Ciência em Curso, iniciamos uma nova pesquisa de processos de produção de conhecimento, vinculados a tradições regionais. Nosso objetivo com este novo Caderno é divulgar processos de produção de bens e riquezas que são resultantes do trabalho de gerações de catarinenses (imigrantes ou não) que vem resistindo a uma economia globalizada e homogeneizadora. Assim, a partir dos produtos gerados pela ciência e divulgados na Revista Laboratório Ciência em Curso, temos o mesmo tema ou temas análogos sendo divulgados no Caderno Feito a mão, mostrando, com isso, que o conhecimento científico faz sentido para a população, quando ele responde não só à demanda econômica, mas, principalmente, às características culturais do entorno. Um exemplo é o vídeo feito com o senhor Valício, produtor de ostras no Ribeirão da Ilha, região sul da ilha de Florianópolis. Esse produtor compra as sementes de ostras produzidas nos laboratórios da Universidade Federal de Santa Catarina, conforme mostra a matéria da Revista Laboratório Ciência em Curso intitulada Maricultura em Santa Catarina 4. O senhor Valício, como ele próprio explicita na sua fala, teve a assessoria da universidade para iniciar seu trabalho, mas hoje já se desenvolvem autonomamente: agora, aqui, nós somos professores 5. Esse é um exemplo de um projeto de pesquisa bem sucedido, na medida em que ele tem uma aplicabilidade e uma relação de continuidade com a cultura local. Infelizmente, nem sempre essa relação produtiva se dá. Nosso desafio mais imediato é tornar o Caderno Feito a Mão um local de divulgação não só de materiais produzidos pela equipe da Unisul, mas também oferecer-se como local de postagem de materiais vindos dos leitores e que enriqueçam a discussão dos temas. Fonte: Revista Laboratório Ciência em Curso 4 Disponível em: 5 Disponível em: GALLO, S. M. L. Ciência em Curso & Feito a Mão. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

17 Página16 REFERÊNCIAS ALTHUSSER, Louis. Aparelhos ideológicos de estado. 3. ed. São Paulo: Presença, GALLO, Solange L. Educação à distância em uma perspectiva discursiva. Revista ANPOLL, v. 31. Porto Alegre: UFRGS, GUIMARAES, Eduardo (org.). Produção e Circulação do Conhecimento. v.1 e 2. Campinas: Pontes, CNPq/ Pronex e Núcleo de Jornalismo Científico, 2001/2003. MAFFESOLI, Michel. Contemplação do mundo. Porto Alegre: Artes e Ofícios, MARTINS, Marci Fileti. Divulgação científica e a heterogeneidade discursiva: análise de Uma breve história do tempo de Stephen Hawking. Linguagem em (Dis)curso, v. 6, n. 2, Tubarão, ; GALLO, Solange L.; MORELLO, Rosangela. Linguagens, Ciências e Tecnologias na Formulação do Conhecimento. In: Sandro Braga, Maria Ester Wollstein Moritz, Mariléia Reis e Fábio Rauen (org). Ciência da Linguagem: avaliando o percurso, abrindo caminhos. Blumenau: Nova Letra, O que pode e deve ser dito no discurso de divulgação de ciência: nós precisamos da incerteza, é o único modo de continuar. In: III SEAD. Porto Alegre: Editora Clara Luz, MARIANI, Bethânia. O PCB e a Imprensa: O comunismo imaginário, práticas discursivas da imprensa sobre o PCB ( ). Campinas: Editora da Unicamp, MOIRAND, Sophie. Formas discursivas da divisão de saberes na mídia. Revista Rua. n. 6. Campinas: Nudecri - Unicamp, NUNES, Maria Augusta V.; MARTINS, Marci Fileti. O discurso artístico na constituição dos materiais de divulgação de ciência. Linguasagem Revista Eletrônica de Popularização Científica em Ciências da Linguagem, v. 3, p. 1-6, ORLANDI, Eni. Análise do discurso: princípios e procedimentos. Campinas: Pontes, Discurso e Leitura. 2. ed. São Paulo: Cortez, Divulgação científica e efeito leitor: uma política social e urbana. In: Eduardo Guimarães (org.). Produção e circulação do conhecimento. v. 1. Campinas: Pontes; CNPq/ Pronex e Núcleo de Jornalismo Científico, A linguagem e seu funcionamento: as formas do discurso. 3.ed. Campinas: Pontes, PÊCHEUX, Michel. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Trad. Eni Orlandi. Campinas: Editora da Unicamp, RUBINATIO, Alfredo. Notas para uma Definição de Cinema Revolucionário. Disponível em: <www.geocities.com/contracampo/notasparaumadefinicao.html>. Acesso em: 2 de março de Abstract: The paper reflects on the formulation and circulation of scientific knowledge in contemporary discussing specifically what is called popular science. For this, we propose a discussion based on the analysis in the Science Laboratory Course Magazine that is both a space for reflection and a proposal for disclosure of science. The proposal of the magazine is to promote science through a variety of media such as audio, video, text, or materials that enable diverse science mean in a non-linear way. On the other hand, it doesn t seek to disseminate scientific knowledge, within the notebook titled Made by Hand. In this context, we search to show that the regional culture has a form of knowledge capable of producing wealth, as much as science. Keywords: Discourse Analysis, Scientific. Science Laboratory Course Magazine. Notebook. Made by Hand. GALLO, S. M. L. Ciência em Curso & Feito a Mão. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

18 Página17 A CIÊNCIA ENQUANTO PROCESSO: UM CASO DE DIVULGAÇÃO 1 Giovanna Benedeto Flores 2 Marci Fileti Martins 3 Solange Maria Leda Gallo 4 Silvânia Siebert 5 Resumo: O trabalho reflete sobre a produção do conhecimento científico na contemporaneidade discutindo especificamente os modos como esse conhecimento circula e como é divulgado. Estamos interessados no que se denomina divulgação científica, espaço social com forte injunção da mídia, em que, segundo alguns autores, o conhecimento científico sai de seu lugar originário e vai produzir sentidos no cotidiano dos não especialistas. Para isso, trazemos para a discussão a proposta de divulgação da Revista Laboratório Ciência em Curso. A proposta da Revista é divulgar a ciência através de um site, em que a multiplicidade de meios como áudio, vídeo, texto, links possibilitem significar a ciência de modo não linearizado. Além disso, buscamos problematizar a forma de divulgação de ciência feita pelo jornalismo científico, já que o que se vê, hoje, nos materiais de divulgação de ciência, é uma tendência a fazer prevalecer os conhecimentos da própria mídia sobre ciência. Palavras-chave: Análise do Discurso; divulgação científica; Revista Laboratório Ciência em Curso. INTRODUÇÃO A Revista Laboratório Ciência em Curso 6 é o espaço em que buscamos compreender e refletir sobre os procedimentos envolvidos no trabalho de divulgação científica. A proposta da Revista-laboratório é divulgar a ciência através de um site em que a multiplicidade de meios como áudio, vídeo, texto, links possibilitem uma interação do interlocutor com os sentidos da ciência de modo não linearizado. Além disso, busca problematizar a forma de divulgação de ciência feita pela mídia de massa, já que o que se vê, hoje, nos materiais de divulgação de ciência, é uma tendência a fazer prevalecer os conhecimentos da própria mídia sobre ciência. A ciência, na maioria dessas matérias, é mostrada noticiosamente, o que traz como consequência um apagamento do processo científico. De fato, ao mostrar a ciência como notícia, des- 1 Trabalho apresentado no IV Congresso Internacional de Comunicação, Cultura e Mídia COMCULT de 12 a 15 de novembro de 2008 no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. 2 Docente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem da Unisul. 3 Docente da Fundação Universidade Federal de Rondônia, Guajará-Mirim, RO, Brasil. 4 Docente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem da Unisul. 5 Docente do Curso de Comunicação Social da Unisul. 6 Disponível em: FLORES, G. B.; MARTINS, M. F.; GALLO, S. M. L; SIEBERT, S. A ciência enquanto processo: um caso de divulgação. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

19 Página18 tacando, por exemplo, somente o momento da descoberta de uma vacina enquanto furo de reportagem (produto), o jornalista apaga todo o percurso pelo qual passou o cientista e sua pesquisa (processo), até chegar ao momento da descoberta da vacina. Além disso, a mídia reproduz certos sentidos sobre ciência que reafirmam o seu lugar como produtora de sentidos absolutos e inequívocos. Dessa perspectiva, então, estamos propondo uma revista de divulgação de ciência que tem como objetivo experimentar novas formas de divulgação. E o fazemos a partir da perspectiva teórica e metodológica da Análise do Discurso (PÊCHEUX, 1969, 1975; ORLANDI, 1999, 2003) em que compreendemos as formas de linguagem enquanto discurso, ou seja, como espaço de constituição do sujeito e do sentido, espaço este que se constitui na relação entre linguagem, história, política e ideologia. Dessa perspectiva, o jornalismo, a ciência e a própria divulgação são considerados discursos e são constituídos, cada um deles, por suas condições de produção (históricas e político-ideológicas) e por seus sujeitos. Destacamos ainda, que, como a posição do sujeito que faz a divulgação, neste caso, não está inscrita no discurso jornalístico predominantemente, mas sim, no discurso acadêmico-científico, o foco recai muito mais no modo de fazer pesquisa, cuja divulgação tem fins educativos, do que nos produtos das pesquisas. Por outro lado, o trabalho de divulgação, neste caso, é ele próprio uma pesquisa que vai se desenvolvendo de forma processual. Assim, pretendemos dos dois lados, tanto no Discurso Científico de origem, quanto no Discurso de Divulgação, dar ênfase no processo e não no produto. ALGUNS FUNDAMENTOS Entender a linguagem na sua relação com a história é aceitar, segundo Ferreira (2001), que todo acontecimento de linguagem organiza-se a partir de relações de poder e não está ligada a uma cronologia, mas às práticas sociais. Já a ideologia, que é elemento determinante do sentido e está presente em todo discurso, não deve ser entendida como visão de mundo ou como ocultamento da realidade, mas como propõe Orlandi (1999) como mecanismo estruturante do processo de significação. Assim, ideologia, pensada nos termos de Pêcheux (1975), na sua releitura de Althusser (1985), se constitui como uma relação imaginária dos sujeitos com suas condições reais de existência, ou seja, os sujeitos que através da linguagem dão sentido as coisas do mundo, nessa condição naturalizam os sentidos. Dito de outra maneira, o processo que determina as posições sociais dos sujeitos (jornalista, cientistas/pesquisadores, internautas) construídas ao longo da história e através de relações de poder (políticas) é na maioria das vezes, apagado, o que faz com que os sentidos sobre ciência que são aí produzidos se tornem óbvios para nós. Além disso, essas posições óbvias para os sujeitos já estão prontas para serem assumidas, assim, quando o jornalista ou o cientista, enquanto sujeitos que são numa sociedade como a nossa, ao serem interpelados pelo discurso do jornalístico e científico, vão produzir sentidos sobre ciência a partir desses lugares já prontos e óbvios. FLORES, G. B.; MARTINS, M. F.; GALLO, S. M. L; SIEBERT, S. A ciência enquanto processo: um caso de divulgação. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

20 Página19 No caso do discurso jornalístico, o sentido de objetividade aí construído é intensamente desdobrado através da manipulação da língua que, enquanto código sem falhas, é o instrumento capaz de referencializar a realidade dos fatos, o que constrói, segundo Mariani (1998, p. 72), o mito da informação jornalística com base noutro mito: o da comunicação linguística. Este imaginário permite ao sujeito que enuncia (o jornalista) ser neutro e imparcial capaz de relatar os acontecimentos, a realidade, para um leitor (o grande público) que, por ser considerado uma tabula rasa, precisa receber a informação de forma clara e objetiva. A partir disso, produz-se uma memória da ciência pela mídia e não pela própria ciência e o resultado disso é um simulacro de ciência exposto à população leiga, simulacro este que surge como efeito da não explicitação das condições de produção (históricas e ideológicas) da pesquisa científica. Para o sujeito leitor dos materiais jornalísticos, então, a ciência se produz de forma descontextualizada e descontínua. Esse efeito se produz, segundo Gallo (2003), justamente porque a continuidade, quando existe, é resultante de outros textos sobre o mesmo tema publicados anteriormente pela própria mídia, e não, pelo conhecimento da história da ciência e da pesquisa em questão. Por outro lado, sabemos que o discurso científico também é construído histórica e ideologicamente determinando, que os sentidos sejam construídos processualmente, mas que esse processo seja também apagado. Assim, imaginariamente, o discurso científico, numa sociedade como a nossa, se constitui como um outro discurso de verdade, em que através de seus objetivos e de seus métodos considerados ou pela via da razão (ciência cartesiana) ou pela da demonstração (ciência positivista), a ciência está sempre pautada em buscar a verdade e, àqueles que a manipulam ou mesmo dela se beneficiam, assiste o dever de interpretá-la como tal (LAVILLE; DIONNE, 1999). Contudo, tratando do discurso da ciência, Pêcheux (1988, p. 190) afirma que não é o homem que produz os conhecimentos científicos, mas os homens em sociedade e na história, ou seja, é a atividade humana social e histórica. Consequentemente, a produção histórica de um conhecimento científico dado seria o efeito de um processo histórico determinado por certas condições materiais (econômicas, não econômicas, políticas). A neutralidade do discurso científico, assim como, sua legitimidade enquanto discurso da verdade, é, portanto, resultado de um modo de funcionamento de certas relações produção (PÊCHEUX, 1988, p. 190). A divulgação de ciência enquanto discurso que se estabelece na relação entre o discurso do jornalismo e o da ciência, traz na constituição esse sentido imaginário resultado dessas posições já construídas para a ciência e para o jornalismo. E, portanto, a Revista Laboratório Ciência em Curso, mesmo tendo como objetivo captar a ciência no seu movimento/percurso na busca de um aprofundamento constante, e não como produto acabado e inequívoco, o que observamos neste exercício efetivo de levar a ciência para o grande público, ou melhor, para um leitor que não é um especialista, é a complexidade do processo, pois precisamos construir uma posição discursiva enquanto divulgadores, que nos permita produzir um texto de divulgação que não seja nem hermético e inequívoco se mostrando como uma outra versão de um artigo científico nem tão pouco didático e noticioso como um texto jornalístico. FLORES, G. B.; MARTINS, M. F.; GALLO, S. M. L; SIEBERT, S. A ciência enquanto processo: um caso de divulgação. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

21 Página20 DIVULGAÇÃO DE CIÊNCIA: REVISTA LABORATÓRIO CIÊNCIA EM CURSO Nosso trabalho pretende, portanto, ao ressignificar a ciência, destacar o processo, o percurso pelo qual passou o cientista para chegar a seus resultados. Para isso, precisamos nos distanciar tanto do jornalismo científico que transforma o acontecimento científico em espetáculo, como de um discurso da ciência que trata a ciência como um conhecimento acabado (paper), gerando um efeito de discurso absoluto, da verdade, neutro. Ao transformar a ciência em notícia e em paper, destacam-se os resultados e se apaga o processo, ou seja, apaga-se as condições de produção que relacionam esse conhecimento de mundo com sua materialidade na história, na sociedade, dentro de um sistema político e econômico. Ao destacarmos o processo na divulgação de ciência, pretende-se compreender o discurso da ciência através das suas condições de produção, através do resgate da sua historicidade. Busca-se com isso desfazer a evidência do fato científico entendido tanto como um resultado apenas, quanto como um processo infalível e absoluto, mostrando que existem acertos e erros que constituem o processo do qual o fato científico é resultado. Esse entendimento vai se refletir no discurso de divulgação que, como já dissemos, vai destacar o processo do fazer científico. Além disso, estamos interessados na compreensão do nosso próprio lugar enquanto divulgadores, ou seja, inscritos em um discurso acadêmico científico. A partir desse posicionamento, dessa nossa tentativa de construir um lugar de divulgadores que, de certa maneira é um lugar polêmico com relação a uma divulgação de ciência aí estabelecida, estamos fazendo um trabalho que se organiza a partir de algumas estratégias. A hipertextualidade é uma delas, em que a multiplicidade de mídias: áudio, vídeo, texto, janelas/links possibilita uma interação do interlocutor com os sentidos (da ciência) de modo não linearizado. Assim, a opção por trabalhar com a Internet não é contingência, já que acreditamos que esse espaço, pelas possibilidades que surgem tanto a) da organização do conhecimento como uma rede, quanto b) da rapidez e da quantidade do conhecimento aí produzido, pode ser bastante produtivo para os nossos propósitos. Outro recurso é a utilização da linguagem imagética (vídeos e fotos, forma gráfica) que aproxima a produção dos materiais da Revista de certa emergência de sentidos da sociedade contemporânea, em que a imagem parece destacar-se. Contudo, busca-se trabalhar na relação entre os recursos expressivos, ou seja, na união do texto e da imagem no espaço virtual buscando a compreensão da linguagem imagética naquilo que lhe é constitutivo, assim como, na sua relação com o texto no espaço virtual. Nessa perspectiva o design da Revista se diferencia da forma usual das interfaces de sites da internet proporcionando uma navegação através da qual o internauta escolhe a sua rota intensificando a não linearidade do hipertexto. Além disso, o design em espiral pretende, através da forma, remeter ao sentido de ciência que queremos destacar: o processo científico em constante transformação. Destacamos nessas estratégias a produção do material audiovisual, que é feita de forma a abordar o tema de forma contextualizada, parte-se do tema de pesquisa que se FLORES, G. B.; MARTINS, M. F.; GALLO, S. M. L; SIEBERT, S. A ciência enquanto processo: um caso de divulgação. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

22 Página21 apresenta inicialmente como argumento para um debate maior que se desenvolverá no decorrer do tempo. Na divulgação do Grupo de Pesquisa Patrimônio Histórico e Cultural 7 partimos de uma pesquisa específica desenvolvida pelo Grupo de Pesquisa que se desenvolveu em uma discussão sobre: a constituição da arqueologia enquanto ciência; questões envolvendo o resgate e preservação da memória cultural; uma hipótese da pesquisadora envolvendo duas questões bem específicas da pesquisa arqueológica em Santa Catarina; e o que a História tem a ver com tudo isso. A produção dos materiais sem roteiro fechado se dá quando a entrevista é direcionada para funcionar como uma conversa, deixando que o pesquisador assuma certo controle do assunto discutido, ou seja, ele pode usar o tempo e o percurso que desejar. Dessa perspectiva, produzimos já um certo afastamento do modo de produção do jornalismo tradicional em que há um trabalho no sentido de moldar o acontecimento científico pelas perguntas chaves feitas ao entrevistado. Uma outra estratégia é o trabalho com o discurso artístico que pela sua qualidade polissêmica, segundo Nunes e Martins (2007), pode ser produtivo nesta busca de resignificação dos sentidos da ciência e do jornalismo, na medida em que pode evidenciar a contradição entre sentidos incertos e mutáveis (do artístico) e sentidos estabilizados (da ciência e do jornalismo). Dessa perspectiva, a linguagem artística sustenta os materiais divulgados através a) das potencialidades polissêmicas que funcionam expandindo ao máximo o processo de significação e b) da linguagem do documentário, a qual permite estabelecer uma relação dialógica entre documentado (entrevistado) e documentarista (entrevistador) e uma posição autoral para o divulgador (NUNES; MARTINS, 2007, p. 5). O vídeo que se denomina um espaço irreverente 8 produzido para divulgar o Programa Hipermídia, projeto do Curso de Comunicação Social, especialização em Cinema e Vídeo da Unisul, é um caso exemplar no que se refere ao atravessamento do discurso artístico, pois as potencialidades polissêmicas estão nesse material, funcionando de maneira a abrir ao máximo o processo de significação. O vídeo, que traz uma profusão de imagens e uma trilha sonora e se constitui de forma não linearizada, produz efeitos sentido ambíguos rompendo com significações estabilizadas. Assim, constituído, o vídeo dificulta ao sujeito internauta produzir espaços significativos naturalizados e estabilizados. Contudo, o trabalho com o artístico que resultou num audiovisual, que poderíamos chamar de performático, se deve também à própria característica do grupo de pesquisa divulgado 9. É por isso, que Nunes e Martins (2007, p. 6) destacam que processo de divulgação de ciência se constitui numa linha limítrofe que organiza tanto o lugar do cientista/especialista, do não especialista e o nosso próprio lugar enquanto divulgadores. E nesse entremeio, podemos re-significar a ciência na exata medida em que depois do nosso trabalho ela não se transforme em outra coisa. Decorre daí a ideia de que a linguagem utilizada para a produção dos materiais de divulgação necessita ser singular no sentido de que deve poder resgatar as condições de produção (históricas e ideológicas) que constituem o tema divulgado. Sendo assim, nem sempre o elemento lúdico, artístico, com as características apontadas anteriormente, vai 7 Disponível em: 8 Disponível em: 9 Disponível em:http://aplicacoes.unisul.br/cienciaemcurso/revista/hipermidia02.html FLORES, G. B.; MARTINS, M. F.; GALLO, S. M. L; SIEBERT, S. A ciência enquanto processo: um caso de divulgação. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

23 Página22 responder as essas expectativas. Assim, uma discussão que, também, vislumbramos com nossa pesquisa é questionarmos sobre a relação entre a forma da linguagem de divulgação e a área de conhecimento a ser divulgado. Dito de outra maneira, é possível afirmarmos, por exemplo, que as ciência exatas que se diferenciam das ciências humanas, vão ser melhor interpretadas por uma certa forma de linguagem divulgação e não por outra? Já a relação entre a arte, ciência e divulgação, experimentada através da linguagem do documentário 10 pode ser observada no vídeo vestígios cerâmicos 11 produzido para divulgar o Núcleo de Pesquisa Patrimônio Histórico e Cultural, do curso de História da Unisul. Trata especificamente, de um trabalho de campo junto a um conjunto de sambaquis que estava sendo escavado por uma equipe de arqueólogos, no sul de Santa Catarina. Procuramos mostrar, nesse material, através da observação e da interação 12, o processo que constitui a pesquisa científica tanto através da nossa aproximação dialógica com a pesquisadora, quanto pelo destaque as dúvidas e incertezas que envolvem um trabalho de pesquisa. Para isso, a estratégia desenvolvida foi aquela do trabalho sem um roteiro fechado, ou seja, a gravação dos vídeos e as entrevistas não seguiram um roteiro (falas/imagem) já definidos a priori. Através do registro observativo, em que a ordem temporal linear dos acontecimentos regem o registro, pudemos mostrar certos aspectos da pesquisa em seu desenvolvimento, quando, durante nossa permanência no sítio arqueológico, registramos os momentos em que aconteceram algumas descobertas, como por exemplo, o momento quando os pesquisadores encontraram um crânio e algumas peças de cerâmica. Esses últimos artefatos, quando encontrados pela equipe, causaram confusão, pois não se esperava encontrar cerâmica num sambaqui: Existia ali, algo que não se encaixava, que estava fora de lugar, o que gerou uma situação de incerteza. A pesquisadora demonstra essa dúvida dizendo: agora deu um nó na cabeça. Estávamos então, pesquisadores e divulgadores frente a algo inusitado, ou seja, com arqueólogos que se confrontavam com uma contradição sobre a história de sua pesquisa, a qual parecia já estabelecida. Esse fato revela um sentido de ciência, em que é necessário levar em conta que o seu percurso está suscetível a dúvidas e a equívocos. Consequentemente, vemos aí, o processo que queremos evidenciar, que a pesquisa 10 Segundo Nunes e Martins (2007) o documentário é uma forma de expressão, que apesar de lidar com uma certa representação do real, diferentemente do modo como com os materiais fílmicos de ficção o fazem, está também intrinsecamente ligada à manipulação desta mesma realidade, já que está aberta a subjetividade e a autoria. Podemos dizer, portanto, que a linguagem do documentário se constitui, por isso, através de uma aproximação com o discurso artístico. 11 Disponível em: <http://aplicacoes.unisul.br/cienciaemcurso/revista/arq03.html>. 12 Dos subgêneros do documentário propostos por Nichols (apud YAKHNI, 2003), destaca-se aqui, os documentários observativo e interativo. Segundo o autor, o documentário observativo parte do princípio da não intervenção. Nesse caso, os acontecimentos regem todo o registro e por isso, a edição, nesta modalidade, obedece a uma estrutura dos acontecimentos de modo a manter a sua continuidade espaçotemporal. Já o documentário interativo ou cinema direto rompe com a barreira da não intervenção enfatizando a presença do realizador e, portanto, da relação dialógica entre o documentado e o documentarista. Este estilo de documentário surge junto ao com o som no cinema que possibilitou a exclusão da voz em over/off e a captação da fala em sua espontaneidade. O cinema direto dava a palavra ao outro e dava a palavra ao próprio realizador, que podia intervir com sua voz em off, por exemplo. Nesta modalidade, o diálogo era parte fundamental da constituição do documentário. FLORES, G. B.; MARTINS, M. F.; GALLO, S. M. L; SIEBERT, S. A ciência enquanto processo: um caso de divulgação. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

24 Página23 científica é vulnerável e feita sob hipóteses e não constituída por verdades absolutas. Não é um produto apenas, como supõe o jornalismo (NUNES; MARTINS, 2007, p.8). A linguagem audiovisual interativa, por sua vez, abre para o diálogo, já que o ao garantirmos que a pesquisadora assuma certo controle do assunto discutido, ou seja, possa usar o tempo e o percurso que desejar e não dê uma entrevista do tipo pergunta/resposta, pudemos vê-la circulando pelas escavações interagindo com o seu grupo de pesquisa e conosco divulgadores. O resultado obtido aproxima o vídeo da espontaneidade de uma conversa. A linguagem do documentário utilizada enquanto forma de expressão que potencializa a criatividade e autoria pode ser observada no vídeo afastou de suas tradições 13, produzido para divulgar o Núcleo de Pesquisa Urbanização Litorânea e Impacto Ambiental, que discute as problema da ocupação desordenada das costas litorâneas do estado de Santa Catarina, nesse caso, pela construção de um aterro na área costeira sul da ilha de Florianópolis. Nesse material, destacamos, ao invés da voz do cientista, outras vozes, aquelas dos moradores da região, uma comunidade de pescadores que, em consequência dessas mudanças ambientais, viram suas antigas áreas de pesca desaparecerem. De acordo com Nunes e Martins (2007), a subjetividade do divulgador deve compor o material divulgado, mas sem que esse lugar de autoria, e consequente criatividade, impeça o resgate das condições histórica e sociais do tema por ele divulgado. Assim, para garantir esse efeito de criatividade e, por conseguinte, polissemia, optamos por produzir um vídeo através de planos diferenciados, escolhendo enquadramentos com efeito dramático e fazendo as entrevistas em locais pouco convencionais, chamando a atenção para uma forma de desconstrução da entrevista tradicional. Além disso, o tema a ser divulgado vai ser apresentado de forma polêmica através das varias vozes dos entrevistados. O vídeo se inicia com uma foto do por do sol no bairro da Costeira antes do aterro, onde se vê a silhueta de um pescador em seu barco e, logo em seguida, temos a entrevista de um pescador antigo da região falando sobre as dificuldades enfrentadas por eles depois da construção do aterro. Com a contraposição da foto com a as imagens da entrevista do pescador, buscou-se um efeito de composição em que se evidenciasse o confronto entre o tema divulgado: a identidade cultural e processo de urbanização. De fato, temos uma imagem de um homem que pesca, para logo em seguida desconstruir esse sentido através do choque de se saber pela fala de um pescador de idade avançada que ali não se pesca mais. Ao mesmo tempo, segundo as autoras, o vídeo proporciona uma sensação de nostalgia quando este mesmo entrevistado fala de um tempo em que aquela fotografia poderia fazer sentido. O close no rosto do velho, a luz que ressalta suas rugas nos proporciona ainda mais essa sensação de tempo perdido. O vídeo se desenvolve com uma segunda entrevista, agora com uma senhora, esposa de pescador que foi encontrada em uma padaria do local. Sua fala complementa a do pescador e ressalta a dificuldade econômica gerada pelo fim da pesca na região. Mas o que destacamos, nessas imagens, é o local inusitado da entrevista e a atitude despojada da entrevistada perante a câmera: ela não esconde seus trejeitos e fala de modo incisivo, o que não é usualmente registrado em uma entrevista jornalística, por exemplo. 13 FLORES, G. B.; MARTINS, M. F.; GALLO, S. M. L; SIEBERT, S. A ciência enquanto processo: um caso de divulgação. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

25 Página24 O último entrevistado, um gerente de uma empresa de beneficiamento de peixe também no mesmo bairro, foi apresentado, primeiramente, através do áudio, ou seja, introduzimos sua voz sob a imagem dos peixes sendo beneficiados. Evidentemente, essas imagens se contrapõem às afirmações do pescador e da mulher na padaria, pois mostra uma outra realidade, ou seja, a da pesca em grande escala. A destacarmos a falta de peixe, através da voz dos dois primeiros entrevistados para logo em seguida mostrar esses peixes em quantidade, buscamos através de uma ruptura evidenciar, o que foi a pesca na região e o que é a pesca na região na atualidade. O vídeo encerra com uma fotografia do bairro da Costeira na atualidade, dando noção da dimensão da obra e, ao mesmo tempo, que reafirma, de algum modo, os dizeres do gerente da empresa, mostram-se também em contradição com os sentidos da fotografia do pescador ao por do sol, no início do vídeo. Nesse vídeo, destaca-se como a montagem da sequencia dos planos gerou sentido, que se deu através da contraposição de imagens através do efeito de choque, no sentido Eiseinsteiniano da montagem dialética, em que o efeito de sentido de uma imagem e, neste caso, também de uma entrevista, colocada junto à outra gera um sentido que potencializa o discurso a ser transmitido: Deste modo a manipulação da montagem é evidenciada e por isso evidenciamos o nosso papel como autores, em que não se procura enquanto autor uma transparência ou uma imparcialidade. Temos então, como já dissemos, uma desconstrução do modelo tradicional de entrevistas feita pelo jornalismo e entendemos que o rompimento com esse padrão possibilita um uso mais criativo da imagem, o que potencializa nossa busca por um tipo de divulgação de ciência que tenha seus sentidos mais abertos e consequentemente permita ao interlocutor uma relação mais reflexiva com o material de divulgação (NUNES; MARTINS, 2007, p.9). Partindo daí, ao buscarmos re-significar a ciência destacando o percurso pelo qual passou o cientista para chegar a seus resultados, precisamos levar em consideração que o processo da produção de conhecimento, contemporaneamente, pode estar se constituindo de forma heterogênea, tanto através das vozes do cientistas/especialista quanto dos outros (não especialistas; divulgadores). ALGUNS ENCAMINHAMENTOS A Revista Laboratório Ciência em Curso é, como explorado nesse trabalho, o resultado de uma reflexão sobre a produção/circulação do conhecimento científico que combina, necessariamente, análise crítica das propostas envolvendo as práticas do jornalismo científico contemporaneamente. De tal modo, a partir dessas reflexões levamos em consideração, nos termos de Gallo (2003), o sujeito enquanto uma posição necessariamente limitada por um contexto histórico e social, ou seja, constituído por e num discurso. Sendo assim, o que deve ser decisivo nas práticas de divulgação de ciência não é somente o tipo de meio de comunicação utilizado (a videoconferência, a internet, a televisão, as mídias impressas, etc.), mas a concepção de linguagem que permeia o processo. Citando Orlandi (1993), o leitor não interage com o texto, mas com outro sujeito [...] nas relações sociais, históricas, ainda que mediadas por objetos (como o texto). FLORES, G. B.; MARTINS, M. F.; GALLO, S. M. L; SIEBERT, S. A ciência enquanto processo: um caso de divulgação. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

26 Página25 Ficar na objetividade do texto, no entanto, é fixar-se na mediação, absolutizando-a, perdendo a historicidade dele, logo sua significância. Assim, ao incidirmos nessa forma de constituição dos textos de divulgação em que destacamos o processo do fazer científico, acreditamos torná-los mais consequentes do ponto de vista histórico, político e social. Para isso, ao contrário de se considerar um emissor, um receptor, uma mensagem transmitida por um código num texto de divulgação de ciência, consideramos que o discurso é lugar de constituição do sujeito e do sentido, o lugar de constituição das identidades através de suas relações com a história, política e ideologia. A relevância dessa pesquisa para a área científica/educacional, e por que não para a própria mídia, é, então, bastante evidente, já que são as instituições acadêmicas, juntamente com os seus centros tecnológicos, lugares institucionalizados para a produção de ciência no mundo e a mídia a responsável pela sua publicização. Além disso, ao se verificar que o mundo moderno deu à ciência, de certa forma, a incumbência de encontrar soluções para os problemas da sociedade, é especialmente importante buscar compreender como se dá o funcionamento da produção e circulação desse saber científico, que é parte constitutiva da sociedade. Pensar, portanto, sobre divulgação científica e suas condições de produção implica refletir sobre a indissociabilidade entre ciência, tecnologia e administração (Governo/Instituições de Ensino), ou seja, leva-nos a refletir por um lado sobre a relação do Estado e da Escola na produção de conhecimento e, por outro, leva-nos refletir também sobre o papel da mídia na sociedade, especificamente, com o Estado e com a Ciência. Contudo, como já destacamos a divulgação de ciência que se constitui na relação entre o discurso do jornalismo e o da ciência, traz na sua constituição sentidos imaginários resultado dessas posições já construídas tanto para a ciência quanto para o jornalismo. Ao buscarmos na Revista Laboratório Ciência em Curso, uma posição que desestabilize esses sentidos nos deparamos com a complexidade do processo, já que essa posição discursiva de divulgadores não está pronta. Assim, é interessante salientar que nesse processo, podemos estar sendo determinados enquanto divulgadores pelos discursos do qual queremos nos afastar. O primeiro grupo de pesquisa divulgado estava quase inteiramente determinado pelo discurso jornalístico na sua forma mais noticiosa, embora já tivéssemos a intenção de nos diferenciarmos desse lugar discursivo. Ao darmos a palavra ao pesquisador para que ele falasse sobre sua pesquisa e ao mesmo tempo se distanciasse do discurso cientifico absoluto e inequívoco, o colocamos em uma situação enunciativa idêntica a de um repórter de rua. O vídeo capaz de dar identidade ilustra esse modo de divulgação 14. Outro material, por sua vez, já mostra o pesquisador não como um repórter, mas como um professor e o didatismo do discurso pedagógico foi o sentido predominante. Nosso trabalho, assim, é um processo de experimentação em que a pesquisa sobre linguagem, discurso e divulgação de ciência é ainda provisória. 14 Disponível em: FLORES, G. B.; MARTINS, M. F.; GALLO, S. M. L; SIEBERT, S. A ciência enquanto processo: um caso de divulgação. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

27 Página26 REFERÊNCIAS GALLO, Solange L. A Educação à distância em uma perspectiva discursiva. In: Revista ANPOLL. Porto Alegre: UFRGS, v. 31. p GUIMARAES, Eduardo (org). Produção e Circulação do Conhecimento. volumes 1 e 2. Campinas: Pontes, CNPq/ Pronex e Núcleo de Jornalismo Científico, 2001/2003. LAVILLE, Chistian.; DIONNE, Jean. A construção do saber. Belo Horizonte: UFMG, MAFFESOLI, Michel. Contemplação do Mundo. Porto Alegre: Artes e Ofícios, MARTINS, Marci Fileti. Divulgação científica e a heterogeneidade discursiva: análise de Uma breve história do tempo de Stephen Hawking. Linguagem em (Dis)curso, v. 6, n. 2, Tubarão, O que pode e deve ser dito no discurso de divulgação de ciência: Nós precisamos da incerteza, é o único modo de continuar. In: III SEAD. Porto Alegre, MARIANI, Bethânia. O PCB e a Imprensa: O comunismo imaginário, práticas discursivas da imprensa sobre o PCB ( ). Campinas: Editora da Unicamp, NUNES, Maria Augusta V.; MARTINS, Marci Fileti. O discurso artístico na constituição dos materiais de divulgação de ciência: Linguasagem Revista Eletrônica de Popularização Científica em Ciências da Linguagem, v. 3, p. 1-6, ORLANDI, Eni P. Análise do Discurso: princípios e procedimentos. Campinas: Pontes, Discurso e Leitura. Editora Cortez, 2. ed. São Paulo, Divulgação Científica e Efeito Leitor: Uma Política Social e Urbana. In: Eduardo Guimarães (org.). Produção e Circulação do Conhecimento. v. 1. Campinas: Pontes, CNPq/ Pronex e Núcleo de Jornalismo Científico, A linguagem e seu funcionamento: as formas do discurso. Campinas: Editora Pontes, PÊCHEUX, Michel. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Trad. Eni Orlandi. Campinas: Editora da Unicamp, VOGT, C. A. (Org.). Cultura científica: desafios. São Paulo: Editora da USP / Fapesp, Recebido em 05 abr Aprovado em 07 out Abstract: The paper reflects about the production of scientific knowledge in contemporary specifically discussing the ways which knowledge circulates and as it is disclosed. We are interested in what is denominated science communication, social area with a strong order of the media, where, according to some authors, the scientific knowledge leaves in its place original and will make sense in the way of daily non-specialists. For this, we bring to discuss the proposed disclosure in the Science Laboratory Course Magazine (http://www.cienciaemcurso.unisul.br). The proposal of the magazine is to disseminate science through a website, where the multiplicity of media like audio, video, text and links allow meaning the science in non-linear way. Also, the research discusses about the form of dissemination of science by the scientific journalism, because what we see today, in the divulgations of science materials; it is a tendency to give priority to the knowledge of the media on science. Keywords: Discourse Analysis; Scientific Dissemination; Science Laboratory Course Magazine. FLORES, G. B.; MARTINS, M. F.; GALLO, S. M. L; SIEBERT, S. A ciência enquanto processo: um caso de divulgação. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

28 Página27 O DISCURSO ARTÍSTICO NA CONSTITUIÇÃO DOS MATERIAIS DE DIVULGAÇÃO DE CIÊNCIA: A REVISTA CIÊNCIA EM CURSO 1 Maria Augusta V. Nunes 2 Marci Fileti Martins 3 Resumo: Busca-se neste estudo compreender como se dá o funcionamento da produção e circulação do saber científico, que é parte constitutiva da sociedade. Reflete-se também sobre divulgação científica, em que a ciência sai de seu lugar de origem (instituições de ensino com seus centros tecnológicos, por exemplo) e passa a ser publicizada (mídia), ou seja, passa a fazer parte do cotidiano dos não especialistas. Considera-se a escola enquanto lugar institucionalizado de produção e transmissão de conhecimento científico e está, hoje, dividindo espaço com a mídia que cada vez mais se coloca numa posição de transmissora do conhecimento científico. Palavras-chave: Discurso artístico; Divulgação de Ciência; Revista Laboratório Ciência em Curso. UM CASO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA Uma sociedade como a nossa concedeu à ciência a incumbência de encontrar soluções para os seus problemas e praticamente toda pesquisa, método ou teoria almeja ostentar o epíteto de científico como rótulo de qualidade (LÉVY-LEBLOND 2004, p.19). Compreender, então, como se dá o funcionamento da produção e circulação do saber científico, que é parte constitutiva da sociedade, nos leva a refletir também sobre divulgação científica, em que a ciência sai de seu lugar de origem (instituições de ensino com seus centros tecnológicos, por exemplo) e passa a ser publicizada (mídia), ou seja, passa a fazer parte do cotidiano dos não especialistas. De fato, a escola enquanto lugar institucionalizado de produção e transmissão de conhecimento científico está, hoje, dividindo espaço com a mídia que cada vez mais se coloca numa posição de transmissora do conhecimento científico. A Revista Laboratório Ciência em Curso (www.cienciaemcurso.unisul.br) é o resultado dessa reflexão sobre a produção/circulação do conhecimento científico que combina, necessariamente, análise crítica com propostas concretas envolvendo práticas de divulgação de ciência e pretende ser uma fonte de informações não só para divulgar conhecimento científico, mas, principalmente, para produzir uma informação contextualizada sobre a produção científica, integrando informações que expliquem, também, as possibilidades/impossibilidades (meios) das pesquisas. 1 Linguasagem Revista Eletrônica de Popularização Científica em Ciências da Linguagem, v. 3, p. 1-6, Bolsista de Iniciação Científica e aluna do Curso de Graduação em Cinema e Vídeo- Unisul, Palhoça, Brasil, SC. 3 Docente da Fundação Universidade Federal de Rondônia. NUNES, M. A. V.; MARTINS, M. F. O discurso artístico na constituição dos materiais de divulgação de ciência: a revista Ciência em Curso. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

29 Página28 Para tanto, a revista busca problematizar a forma de divulgação de ciência feita pela mídia de massa, já que o que se vê, hoje, nos textos de divulgação de ciência, sobretudo nos de jornalismo científico, é uma tendência a fazer prevalecer os conhecimentos da própria mídia sobre ciência. Isso significa que a mídia recupera materiais produzidos por ela mesma (seja sobre o assunto ou sobre assuntos correlatos) e os apresenta como memória do novo fato, produzindo o efeito de uma continuidade (passado/presente) e de uma evidência verificável (fatos e dados) para a ciência divulgada. Dessa perspectiva, ao transformar os acontecimentos científicos em notícia a mídia de massa apaga todo o percurso pelo qual passou o cientista e sua pesquisa além do que reproduz certos sentidos sobre ciência como produtora de sentidos absolutos e inatingíveis. O trabalho feito na revista, portanto, pretende experimentar novas formas de divulgação que se diferenciam do discurso do jornalismo científico. Para tanto, busca-se compreender a ciência através do entendimento das suas condições de produção, do resgate da sua historicidade. Dessa perspectiva, é possível desfazer a evidência do fato científico entendido tanto como um resultado apenas (notícia) quanto como um processo infalível e absoluto mostrando que existe um passado de acertos e erros que constitui o processo do qual o fato científico é resultado. A partir desse posicionamento, dessa tentativa de construir esse lugar de divulgadores que, de certa maneira é um lugar polêmico com relação a uma divulgação de ciência aí estabelecida pretendemos fazer um trabalho que se organiza a partir de algumas estratégias das quais destacamos aqui especificamente, aquela envolvendo o discurso artístico. Esse discurso que se caracteriza pela sua qualidade polissêmica e que, portanto, pode ser um discurso sempre aberto ao novo sentido, ao outro sujeito, torna-se uma interface conveniente e bastante produtiva, neste contexto, já que a conjunção desses sentidos incertos, mutáveis, com os sentidos mais estabilizados dos discursos da ciência e da imprensa, pode resultar numa forma de divulgar ciência que permitiria o afastamento tanto da didaticidade jornalística, quanto do conceito de verdade absoluta do discurso da ciência. ALGUNS FUNDAMENTOS A teoria da Análise de Discurso (AD), proposta pelo o filósofo Michel Pêcheux e desenvolvida no Brasil por Eni Orlandi (1983, 1990,1999), faz uma reflexão sobre linguagem e política a partir da relação de três áreas do conhecimento: a Linguística, o Marxismo e a Psicanálise. Decorre daí uma reflexão intensa sobre a linguagem buscando resgatar o seu caráter político e histórico. Para isso, AD visa construir um método de compreensão dos objetos da linguagem (ORLANDI 1990, p.25) em que o seu objeto, o discurso, é entendido como um espaço histórico-ideológico de onde emergem as significações através de sua materialidade específica que é a língua, sendo esta entendida não como objeto, mas como pressuposto para a análise da materialidade do discurso. De tal modo, segundo Michel Pêcheux (apud FERREIRA, 2000, p.40), esta proposta teórica possibilitaria representar no interior do funcionamento da linguagem os NUNES, M. A. V.; MARTINS, M. F. O discurso artístico na constituição dos materiais de divulgação de ciência: a revista Ciência em Curso. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

30 Página29 efeitos da luta ideológica e, inversamente, manifestar a existência da materialidade linguística no interior da ideologia. Contudo, haveria, em decorrência dessa configuração particular do discurso, como mediação entre o ideológico e o linguístico, a necessidade de evitar reduzi-lo à análise da língua ou diluí-lo no trabalho histórico sobre ideologia. De fato, a AD inaugura uma nova percepção da linguagem quando assume que esta é falha, já que significação e sujeito não são transparentes: esta intencionalidade e transparência atribuídas aos sentidos e ao sujeito nada mais são do que efeitos ideológicos, ou seja, todo sentido resulta de efeitos produzidos por feixes de condicionantes histórico-sociais. Em virtude dessa natureza ideológica dos sentidos, a linguagem pode ser vista como um espelho cuja imagem e significância é ao mesmo tempo nítida e distorcida. Sendo assim, propõe-se que o que pode ser decisivo nas práticas de divulgação de ciência não é somente o tipo de meio de comunicação utilizado (a videoconferência, a internet, a televisão, as mídias impressas, etc.), mas a concepção de linguagem que permeia o processo. Citando Orlandi (1993), o leitor não interage com o texto, mas com outro sujeito [...] nas relações sociais, históricas, ainda que mediadas por objetos (como o texto). Ficar na objetividade do texto, no entanto, é fixar-se na mediação, absolutizando-a, perdendo a historicidade dele, logo sua significância. Pretende-se, então, incidir nessa forma de constituição dos textos de divulgação, de modo a torná-los mais consequentes do ponto de vista histórico, político e social e dessa perspectiva teórica, ao contrário de se considerar um emissor, um receptor e um código a ser transmitido, considera-se que o discurso é lugar de constituição do sujeito e do sentido, o lugar de constituição das identidades. O DISCURSO ARTÍSTICO Orlandi (2003) tratando de uma possível tipologia discursiva propõe uma organização para os tipos de discursos, e dividindo-os em três categorias: lúdico, polêmico e autoritário. Essa categorização parte da referência a processos parafrásticos e polissêmicos que se constituem na relação com os participantes do discurso (interlocutores) e o objeto do discurso (o referente). Segundo a autora, a partir disso, a polissemia pode ser entendida como processo que representa a tensão constante estabelecida pela relação homem/mundo atravessada pela linguagem e os três tipos de discursos ficam assim caracterizados: o discurso lúdico é aquele em que seu objeto se mantém presente enquanto tal e os interlocutores se expõem a essa presença, resultando disso o que chamaríamos de polissemia aberta (o exagero é o non-sense). O discurso polêmico mantém a presença de seu objeto, sendo que os participantes não se expõem, mas ao contrário procuram dominar o referente, dandolhe uma direção, indicando perspectivas particularizastes pelas quais se o olha e se o diz, o que resulta na polissemia controlada (o exagero é a injúria). No discurso autoritário, o referente está ausente, oculto pelo dizer; não há realmente interlocutores, mas um agente exclusivo, o que resulta na polissemia contida (o exagero é a ordem no sentido em que se diz isso e uma ordem, em que o sujeito passa a instrumento de comando) (ORLANDI, 2003, p ). NUNES, M. A. V.; MARTINS, M. F. O discurso artístico na constituição dos materiais de divulgação de ciência: a revista Ciência em Curso. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

31 Página30 Partindo dessa tipologia, o discurso jornalístico pode ser entendido como um discurso autoritário se levarmos em consideração a posição de Mariani (1998) ao falar de um discurso ( de origem ) entre este discurso e um interlocutor qualquer. O que nos interessa destacar, é que ao falar do discurso de origem o faz colocando o mundo como objeto, ou seja, a imprensa não é o mundo, mas deve falar sobre esse mundo, retratálo e torná-lo compreensível para que os leitores (ORLANDI, 2007, p. 61). Desse modo, o discurso jornalístico apresenta um funcionamento autoritá-rio, em que o referente (mundo) está apagado pela linguagem, que se constitui sustentada por um agente exclusivo que é o jornalista. Nesse funcionamento, constrói-se o imaginário de discurso objetivo e imparcial, em que se dissimula a mediação através do apagamento da interpretação: em nome de fatos/notícias que falam por si o jornalista estaria apenas falando sobre ciência da maneira literal e objetiva. O discurso científico, por sua vez, pode ser considerado autoritário, quando compreendido como a manifestação de um saber supremo, quando se constitui, segundo Coracini (1991), no campo da certeza. Nesse caso, o cientista é o agente exclusivo do dizer que controlando um método vai controlar também o referente, pois como bem propõe Coracini (1991, p.123), quem poderia duvidar das afirmações de um cientista que colheu seu material, observou-o com base em seus princípios teóricos e metodológicos rígidos e inquestionáveis, atingido determinado resultado? Por outro lado, o discurso científico apresenta também um funcionamento polêmico, já que os interlocutores (cientistas) têm uma autonomia relativa com relação ao referente (ciência) que cada um quer dominar. Neotti (2006) buscando evidenciar esse funcionamento compara o discurso científico com o discurso religioso, em neste último, a relação entre os interlocutores é marcada por um grau muito maior de irreversibilidade. Segundo Orlandi (2003, p. 243), o discurso religioso é aquele em que fala a voz de Deus sendo que a voz do padre ou do pregador - ou em geral de qualquer representante - é a voz de Deus. Assim, o modo de representação destes sujeitos (locutor/interlocutor) caracteriza-se pelo baixo grau de autonomia do padre com relação à voz de Deus que nele fala. Ainda segundo a autora, no caso do discurso político, por exemplo, em que a voz do povo se fala no político, há uma maior independência, uma autonomia razoável: o político não só é autônomo em relação à voz do povo como ele pode até mesmo criar, inventar a voz do povo que lhe for mais conveniente. Desde que lhe seja atribuída legitimidade. Desse modo, podemos observar que o discurso religioso não apresenta nenhuma autonomia, pois o representante da voz de Deus, o padre, não pode modificá-la de nenhum modo. No que diz respeito ao Discurso Científico, podemos dizer que existe, assim como no político, uma relativa autonomia na medida em que ao incorporar a voz do saber/conhecimento o cientista pode elaborar, manipular e modificar relativamente o saber estabelecido. Mostra disso são as diferentes correntes científicas que concorreram e se transformaram ao longo da construção do que denominamos conhecimento científico da nossa sociedade. (NEOTTI, 2003, p. 245, grifo nosso). NUNES, M. A. V.; MARTINS, M. F. O discurso artístico na constituição dos materiais de divulgação de ciência: a revista Ciência em Curso. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

32 Página31 Assim, enquanto o discurso jornalístico se constitui por uma polissemia contida, por uma tensão que produz, através de um agente exclusivo, um sentido desambiguizado para o referente e o discurso científico na relação entre uma polissemia contida e uma polissemia controlada sendo que nessa última, os interlocutores se confrontam pelo sentido do referente, o discurso artístico é aquele em que a polissemia está aberta. Expostos a isso, os interlocutores no discurso artístico produzem sentidos sobre o referente que está sujeito a deslocamentos e rupturas. No discurso artístico assim, jogam o equívoco, o acaso, a ambiguidade. Pensado a partir desse ponto de vista, o discurso artístico é um elemento que pode funcionar, por um lado, desestabilizando os sentidos absolutos e inequívocos do discurso jornalístico e científico e por outro otimizando os sentidos polêmicos do discurso científico para que se evidencie o processo (histórico, social, político) da produção do conhecimento. A PRODUÇÃO DO MATERIAL AUDIOVISUAL: DIVULGAÇÃO DE CIÊNCIA E O DISCURSO ARTÍSTICO Assim, trazemos para a discussão, três materiais audiovisuais produzidos na Revista Laboratório Ciência em Curso, em que destacamos o modo de utilização do discurso artístico para divulgar ciência. O primeiro, produzido para divulgar o Programa Hipermídia, projeto do Curso de Comunicação Social, especialização em Cinema e Vídeo da Unisul, se denomina um espaço irreverente 4 e é um vídeo exemplar no que se refere ao atravessamento do discurso lúdico, já que as potencialidades polissêmicas estão aqui, funcionando de maneira a abrir ao máximo o processo de significação. O vídeo, que se utilizou de uma profusão de imagens e uma trilha sonora produziu efeitos sentido ambíguos que rompem com os sentidos estabilizados dificultando ao sujeito internauta retornar aos espaços significativos naturalizados. Contudo, é preciso destacar que esse processo se constitui numa linha limítrofe que organiza tanto o lugar do cientista/especialista, do não especialista e o nosso próprio lugar enquanto divulgadores. E nesse entremeio, podemos re-significar a ciência na exata medida em que depois do nosso trabalho ela não se transforme em outra coisa. Portanto, o trabalho com o artístico que resultou num audiovisual, que poderíamos chamar de performático, se deve também à própria característica do grupo de pesquisa divulgado (http://www.cienciaemcurso.unisul.br/hipermidia.html). Levando em consideração, portanto, que o trabalho do divulgador é também um trabalho de repetição, de paráfrase, ou seja, de retomada de certa memória do conhecimento científico, optamos por explorar também, nessa relação entre a arte, ciência e divulgação, a linguagem do documentário. Esta forma de expressão, que apesar de lidar com uma certa representação da realidade, diferentemente do modo como com os materiais fílmicos de ficção o fazem, está também intrinsecamente ligada à certa manipulação desta mesma realidade, já que está aberta a subjetividade e a autoria. Podemos di- 4 Disponível em: NUNES, M. A. V.; MARTINS, M. F. O discurso artístico na constituição dos materiais de divulgação de ciência: a revista Ciência em Curso. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

33 Página32 zer, portanto, que a linguagem do documentário se constitui, por isso, através de uma aproximação com o discurso artístico. Partindo daí, estamos levando em consideração os subgêneros do documentário propostos por Nichols (apud YAKHNI, 2003), especificamente, os documentários observativo e interativo. Segundo o autor, o documentário observativo parte do princípio da não intervenção. Nesse caso, os acontecimentos regem todo o registro e por isso, a edição, nesta modalidade, obedece a uma estrutura dos acontecimentos de modo a manter a sua continuidade espaço-temporal. Já o documentário interativo ou cinema direto rompe com a barreira da não intervenção enfatizando a presença do realizador e, portanto, da relação dialógica entre o documentado e o documentarista. Este estilo de documentário surge junto ao com o som no cinema que possibilitou a exclusão da voz em over/off e a captação da fala em sua espontaneidade. O cinema direto dava a palavra ao outro e dava a palavra ao próprio realizador, que podia intervir com sua voz em off, por exemplo. Nesta modalidade o diálogo era parte fundamental da constituição do documentário. Assim, o segundo vídeo que trazemos para a discussão, foi produzido para divulgar o Núcleo de Pesquisa Patrimônio Histórico e Cultural, do curso de História da Unisul e se denomina vestígios cerâmicos. 5 Trata, especificamente, de um trabalho de campo junto a um conjunto de sambaquis que estava sendo escavado por uma equipe de arqueólogos, no sul de Santa Catarina. Procuramos mostrar, nesse material, através da observação e da interação, tanto nossa aproximação dialógica com a pesquisadora, quanto o processo complexo pelo qual as pesquisas se constituem. Para isso, uma estratégia desenvolvida foi o trabalho sem um roteiro fechado, ou seja, a gravação dos vídeos e as entrevistas não seguiram um roteiro (falas/imagem) já definido a priori, sendo que o contato com a pesquisadora foi direcionado para funcionar como uma conversa, deixando que ela assumisse certo controle do assunto discutido, ou seja, podendo usar o tempo e o percurso que desejasse. O processo dialógico produzido por uma linguagem audiovisual interativa ocorreu, então, por não a conduzirmos para uma entrevista do tipo pergunta\resposta, mas sim pelo modo como ela nos guiou pelas escavações interagindo com o seu grupo de pesquisa e conosco divulgadores. O resultado obtido aproxima o vídeo da espontaneidade de uma conversa. Além disso, através do trabalho de registro observativo, em que os acontecimentos regem todo o registro, pudemos mostrar a pesquisa no seu processo, quando, durante nossa permanência no sítio arqueológico, registramos os momentos em que aconteceram algumas descobertas, como por exemplo, o momento quando os pesquisadores encontraram um crânio e algumas peças de cerâmica. Esses últimos artefatos, quando encontrados pela equipe, causaram confusão, pois não se esperava encontrar cerâmica num sambaqui. Existia ali, algo que não se encaixava, que estava fora de lugar, o que gerou uma situação de incerteza. A pesquisadora demonstra essa dúvida dizendo: agora deu um nó na cabeça. Então, pesquisadores e divulgadores estavam frente a algo inusitado, ou seja, com arqueólogos que se confrontavam com uma contradição sobre a história de sua pesquisa, 5 Disponível em: NUNES, M. A. V.; MARTINS, M. F. O discurso artístico na constituição dos materiais de divulgação de ciência: a revista Ciência em Curso. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

34 Página33 a qual parecia já estabelecida. Esse fato revela um sentido de ciência, em que é necessário levar em conta que o seu percurso está suscetível a dúvidas e a equívocos. Consequentemente, vemos aí, o processo que queremos evidenciar, que a pesquisa científica é vulnerável e feita sob hipóteses e não constituída por verdades absolutas. Não se constitui somente por resultado (produto) apenas, como supõe o jornalismo. O segundo vídeo foi produzido para divulgar o Núcleo de Pesquisa Urbanização Litorânea e Impacto Ambiental e se denomina afastou de suas tradições (http://www.cienciaemcurso.unisul.br/bio03.html). Envolve uma discussão sobre as consequências da ocupação desordenada das costas litorâneas do estado de Santa Catarina, nesse caso, pela construção de um aterro na área costeira sul da ilha de Florianópolis. Nesse material, destaca-se, ao invés da voz do cientista, outras vozes, aquelas dos moradores da região, uma comunidade de pescadores que, em consequência dessas mudanças ambientais, viram suas antigas áreas de pesca desaparecerem e tiveram que se adaptar ao novo cenário: um projeto de desenvolvimento que os afastou do mar e de suas tradições. A linguagem do documentário é aqui utilizada enquanto forma de expressão que potencializa a criatividade e autoria. A subjetividade do divulgador vai, assim, compor o material divulgado, contudo, sem que esse lugar de autoria e consequente criatividade impeça o resgate das condições histórica e sociais do tema por ele divulgado. Para garantir esse efeito de criatividade e, por conseguinte, polissemia, optamos por produzir um vídeo através de planos diferenciados, escolhendo enquadramentos com efeito dramático e fazendo as entrevistas em locais pouco convencionais, chamando a atenção para uma forma de desconstrução da entrevista tradicional. Por julgarmos mais esclarecedor vamos discutir esse material dividindo-o, em três partes. Na primeira parte, o vídeo se inicia com uma foto do por do sol no bairro da Costeira antes do aterro, onde se vê a silhueta de um pescador em seu barco e logo em seguida, temos a entrevista de um pescador antigo da região falando sobre as dificuldades enfrentadas por eles depois da construção do aterro. Ele está enquadrado em close, enquanto nos diz que não se pode mais viver da pesca na região, ouve-se, mas não se vê, ao longe, o mar e as gaivotas. Com a contraposição da foto com a as imagens da entrevista do pescador, buscou-se um efeito de composição em que se evidenciasse o confronto entre o tema divulgado: a identidade cultural e processo de urbanização. De fato, temos uma imagem de um homem que pesca, para logo em seguida desconstruir esse sentido através do choque de se saber pela fala de um pescador de idade avançada que ali não se pesca mais. Ao mesmo tempo, o vídeo nos proporciona uma sensação de nostalgia quando este mesmo entrevistado fala de um tempo em que aquela fotografia poderia fazer sentido. O close no rosto do velho, a luz que ressalta suas rugas nos proporciona ainda mais essa sensação de tempo perdido. Na segunda parte do vídeo, temos outra entrevista com uma senhora, esposa de pescador que encontramos em uma padaria do local. Sua fala complementa a do pescador e ressalta a dificuldade econômica gerada pelo fim da pesca na região. Mas o que destacamos nessas imagens é o inusitado local da entrevista e a atitude despojada da entrevistada perante a câmera: ela não esconde seus trejeitos e fala de modo incisivo, o que não é usualmente registrado em uma entrevista jornalística, por exemplo. NUNES, M. A. V.; MARTINS, M. F. O discurso artístico na constituição dos materiais de divulgação de ciência: a revista Ciência em Curso. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

35 Página34 A última entrevista foi com um gerente de uma empresa de beneficiamento de peixe também no mesmo bairro. Optamos por apresentar o entrevistado, primeiramente, através do áudio, ou seja, introduzimos sua voz sob a imagem dos peixes sendo beneficiados. Essas imagens se contrapõem com as do pescador e da mulher na padaria, pois mostra outra realidade, ou seja, a da pesca em grande escala. Ouvimos falar da falta de peixe para logo ver esses peixes em quantidade, provocando desse modo uma nova ruptura entre o que foi a pesca na região e o que é a pesca na região agora. Além disso, a fala do gerente também contradiz a fala dos entrevistados anteriores. O vídeo encerra com uma fotografia do bairro da Costeira na atualidade, dando noção da dimensão da obra e, ao mesmo tempo em que reafirma, de algum modo os dizeres do gerente da empresa se mostram também em contradição com os sentidos da fotografia do pescador ao por do sol, no início do vídeo. Destacamos nesse vídeo como a montagem da sequência dos planos gerou sentido. Conseguimos trabalhar a contraposição de imagens através do efeito de choque, no sentido Eiseinsteiniano da montagem dialética, ou seja, a força simbólica de uma imagem e, neste caso, também de uma entrevista, colocada junto à outra gera um sentido que potencializa o discurso. Deste modo, a manipulação da montagem é evidenciada e por isso evidenciamos o nosso papel como autores, em que não se procura enquanto autor uma transparência ou uma imparcialidade. Temos agora uma desconstrução do modelo tradicional de entrevistas feita pelo jornalismo quando nos colocamos como autores negando o imaginário de imparcialidade e consequentemente objetividade do discurso jornalístico. Entendemos que o rompimento com esse padrão possibilita um uso mais criativo da imagem, o que potencializa nossa busca por um tipo de divulgação de ciência que tenha seus sentidos mais abertos e consequentemente permita ao interlocutor uma relação mais reflexiva com o material de divulgação. Além disso, estamos considerando que os dois vídeos também apresentam características de uma linguagem de documentário, que podemos chamar de mais contemporânea, sobretudo, pelo modo como se deu o tratamento da imagem, em que a câmera se apresenta com mais dinamicidade, ou seja, não está estática, estabilizada. O áudio não é limpo, já que capta o ruído do ambiente e os planos, enquadramentos, closes também fogem um pouco do padrão clássico. Esses materiais parecem se aproximar de alguns materiais audiovisuais que vemos surgir na Internet, materiais estes que fogem também a linguagem audiovisual clássica. No caso dos vídeos da Internet, isso se deve ao acesso cada vez mais fácil à tecnologia de gravação de vídeo possibilitando que, grande número de pessoas leigas nas técnicas de produção de audiovisuais, possam produzir materiais e divulgá-los por meio da Internet. O resultado, em muitos casos, são vídeos em que a câmera não está estática, que captam os ruídos do ambiente e apresentam uma montagem que foge aos padrões convencionais. ALGUNS ENCAMINHAMENTOS Assim, conduzidos pela proposta de divulgação científica da Revista Laboratório Ciência em Curso, essa pesquisa procurou construir mecanismos que permitissem falar sobre ciência de modo que esta não se apresentasse como um resultado apenas, mas sim, NUNES, M. A. V.; MARTINS, M. F. O discurso artístico na constituição dos materiais de divulgação de ciência: a revista Ciência em Curso. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

36 Página35 como um processo. O discurso da arte com seu funcionamento polissêmico foi mobilizado e, sobretudo, através da linguagem do documentário, buscamos evidenciar o processo do fazer científico evidenciando os acertos e erros, as incertezas desse processo, o qual pode ou não resultar ou não em uma descoberta. Junto a isso, o destaque nos materiais audiovisuais para a voz dos não cientistas ilustra mais uma vez, o modo como queremos nos posicionar ao re-significarmos a ciência, ou seja, ao aceitarmos esse dizer outro, dos não cientistas, dos não especialistas, estamos provocando uma ruptura com os sentidos de verdade absolutos do discurso científico, mostrando que a experiência científica não produz somente um conhecimento total e absoluto do que está sendo estudado, mas um conhecimento que está aberto a novas possibilidades, que pode ser contestado, modificado. De fato, o pesquisador, ao buscar um conhecimento sobre seu objeto de estudo, interage com ele modificando-o, assim como também é modificado por ele. Conclusivamente, é preciso destacar que o nosso próprio processo enquanto divulgadores. Segundo Martins (2007, p.12): ao buscarmos na Revista Laboratório Ciência em Curso, uma posição que desestabilize esses sentidos nos deparamos com a complexidade do processo, já que essa posição discursiva de divulgadores não está pronta. Assim, é interessante salientar que nesse processo, podemos estar sendo determinados enquanto divulgadores pelos discursos do qual queremos nos afastar. De fato, o primeiro grupo de pesquisa que divulgamos estava quase inteiramente determinado pelo discurso jornalístico, embora já tivéssemos a intenção de nos diferenciarmos desse lugar discursivo. No entanto, ao dar a palavra ao pesquisador para que ele falasse sobre sua pesquisa, o fizemos em uma situação enunciativa idêntica a de um repórter de rua. O vídeo capaz de dar identidade ilustra esse modo de divulgação. 6 Depois disso, já procurando evitar essa posição do sujeito jornalista, fizemos uma segunda tentativa, e nesse vídeo fazer previsões o pesquisador, ao ter a palavra, posicionou-se como professor dando uma aula (ou conferência). 7 Essa solução ainda não nos proporcionava a apresentação da ciência como processo, que almejávamos. Nos dois casos a ciência foi relatada como lugar de certezas mais ou menos definitivas. Foi somente a partir da experiência com a inclusão do discurso artístico e com a iniciativa de seguir o pesquisador em sua prática rotineira de trabalho, que conseguimos chegar ao modo aqui analisado e demonstrado. REFERÊNCIAS AUMONT, Jacques. A imagem. Campinas: Papirus, A estética do filme. Campinas: Papirus, CORACINI, Maria J. R. Farias. Um fazer persuasivo: o discurso subjetivo da ciência. Campinas: Pontes, GUIMARAES, Eduardo (org.). Produção e circulação do conhecimento. v. 1. Campinas: Pontes; CNPq/ Pronex e Núcleo de Jornalismo Científico, Disponível em: <http://www.cienciaemcurso.unisul.br/ts01.html>. 7 Disponível em: < NUNES, M. A. V.; MARTINS, M. F. O discurso artístico na constituição dos materiais de divulgação de ciência: a revista Ciência em Curso. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

37 Página36 MAFFESOLI, Michel. Contemplação do Mundo. Porto Alegre: Artes e Ofícios, MARTINS, Marci Fileti et al. A Ciência enquanto processo: um caso de divulgação. (No prelo).. Divulgação científica e a heterogeneidade discursiva: análise de Uma breve história do tempo de Stephen Hawking. Linguagem em (Dis)curso, v. 6, n. 2, Tubarão, MARIANI, Bethânia. O PCB e a Imprensa: O comunismo imaginário, práticas discursivas da imprensa sobre o PCB ( ). Campinas: Editora da Unicamp, NECKEL, Nádia Régia M. Do discurso artístico à percepção de diferentes processos discursivos Dissertação (Mestrado em Ciências da Linguagem), Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem, Universidade do Sul de Santa Catarina, Palhoça, NEOTTI, Carolina. Autoria e plágio em monografias: uma abordagem discursiva (Dissertação de Mestrado em Ciências da Linguagem), Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem, Universidade do Sul de Santa Catarina, Palhoça, ORLANDI, Eni P. Análise do Discurso: princípios e procedimentos. Campinas: Pontes, Discurso e Leitura. 2. ed. São Paulo: Cortez, Divulgação científica e efeito leitor: uma política social e urbana. In: Eduardo Guimarães (org.). Produção e circulação do conhecimento. V. 1. Campinas: Pontes; CNPq/ Pronex e Núcleo de Jornalismo Científico, A linguagem e seu funcionamento: as formas do discurso. Campinas: Pontes, PÊCHEUX, Michel. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Trad. Eni Orlandi. Campinas: Editora da Unicamp, SERRA, Floriano. A arte e a técnica do vídeo: do roteiro à edição. São Paulo: Summus, YAKHNI, Sara. O Eu e o outro no filme documentário: uma possibilidade de encontro. In: Biblioteca Online do Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas. Disponível em: <www.bocc.ubi.pt>. Acesso em: 13 de dezembro de ZAMBONI, Lilian Márcia Simões. Cientistas, jornalistas e a divulgação científica: subjetividade e heterogeneidade no discurso de divulgação científica. São Paulo: Autores Associados; Fapesp, Recebido em 15 mai Aprovado em 03 nov Abstract: This study seeks to understand how is the operation of the production and circulation of scientific knowledge, which is a constituent part of society is also reflected on popular science, where science comes out of his place of origin (educational institutions with its technology centers, for example) and become publicized (media), or becomes part of daily life for non-specialists. It is about the school as a place of institutionalized production and transmission of scientific knowledge and is now sharing space with the media that increasingly occupies a position within the transmitter of scientific knowledge. Keywords: Artistic Discourse; Dissemination of Science; Science Laboratory Course Magazine. NUNES, M. A. V.; MARTINS, M. F. O discurso artístico na constituição dos materiais de divulgação de ciência: a revista Ciência em Curso. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

38 Página37 O DISCURSO DA CIÊNCIA NA CONTEMPORANEIDADE: HETEROGENEIDADE E DESCONTINUIDADE 1 Marci Fileti Martins 2 Marcelo Santos Silva 3 Resumo: Esse trabalho busca compreender a produção e circulação do conhecimento científico discutindo, especificamente, possíveis paradoxos e rupturas que passam a constituir o discurso científico na atualidade. A discussão estabeleceu-se de forma indireta, pois a pesquisa foi desenvolvida através da análise do discurso científico ressignificado pelo discurso de divulgação de ciência produzido pela Revista Laboratório Ciência em Curso 4. Assim, a partir de uma perspectiva discursiva (PECHÊUX, 1969, 1975 e ORLANDI, 1996, 1999, 2001) refletimos sobre os procedimentos envolvidos no trabalho de divulgação científica problematizando as possíveis transformações e rupturas que estariam afetando a ciência na contemporaneidade. Palavras-chave: Discurso da ciência; divulgação científica; paradoxos e rupturas. INTRODUÇÃO Esse estudo levanta questões sobre a produção e circulação do conhecimento científico discutindo, especificamente, possíveis paradoxos e rupturas que passam a constituir o discurso científico na atualidade. De fato, a sociedade contemporânea, denominada por alguns de pós-moderna, parece se caracterizar por uma conjuntura instável, em que estão em jogo transformações de ordem social, política e econômica. É por isso, que Lyotard (2002, p. 3) discutindo o que ele denomina condição pós-moderna destaca que as transformações de ordem cultural pelas quais passa a sociedade contemporânea envolvem o fim das metanarrativas. Consequentemente, segundo ele, os grandes esquemas explicativos teriam caído em descrédito e não haveria mais garantias, posto que mesmo a ciência já não poderia ser considerada como a fonte da verdade. A partir disso, estamos interessados em compreender o papel da ciência na atualidade, que parece, em certa medida, se distanciar tanto das posições racionalista e positivista, que tradicionalmente constituem o seu discurso, quanto do lugar de poder ocupado por ela na sociedade. Destacamos que essa discussão se dará de forma indireta, pois a pesquisa foi desenvolvida através da análise do discurso científico, ressignificado pelo discurso divulgação de ciência e a Revista Laboratório Ciência em Curso: É nesse espaço em que buscamos compreender e refletir 1 Texto apresentado no IV JUNIC - Jornada Unisul de Iniciação Científica e IV Seminário de Pesquisa outubro de 2009 em Santa Catarina, Brasil. 2 Docente da Fundação Universidade Federal de Rondônia. 3 Acadêmico de Jornalismo e Direito da Universidade do Sul de Santa Catarina. Bolsista da Revista Laboratório Ciência em Curso no período de 2008/01 a 2009/0. Disponível em: 4 Disponível em: MARTINS, M. F.; SILVA, M. S. O discurso da ciência na contemporaneidade: heterogeneidade e descontinuidade. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

39 Página38 sobre os procedimentos envolvidos no trabalho de divulgação científica, que buscamos observar as possíveis transformações e rupturas que estariam afetando a ciência na contemporaneidade. Partimos da proposta de Martins (2008) que na sua análise de alguns materiais de divulgação científica destaca certos enunciados como incerteza, incompletude, imperfeição, provisório, não pode ser comprovado jamais, nada existe a não ser que observemos e nós precisamos da incerteza, é o único modo de continuar. Estes enunciados estariam materializando, segundo a autora, certos sentidos sobre ciência aparentemente conflitantes com o funcionamento de um discurso da ciência concebido tanto como uma atividade de triagem entre enunciados verdadeiros e enunciados falsos, quanto como a produção de um sujeito da ciência que está presente pela sua ausência (PÊCHEUX, 1975, 1997, 1998). De tal modo, esse estudo, que tem como objetivo compreender o discurso científico na contemporaneidade, através da análise do processo de divulgação dos núcleos e grupos de pesquisa divulgados na Revista Laboratório Ciência em Curso. O estudo mostra se relevante para a área científica/educacional, já que são as instituições acadêmicas, juntamente com os seus centros tecnológicos, os lugares institucionalizados da produção e circulação do conhecimento científico na sociedade. E, ao se verificar que o mundo moderno deu à ciência, de certa forma, a incumbência de encontrar soluções para os problemas da sociedade e que na contemporaneidade essa incumbência pode estar sendo minimizada, é especialmente importante compreender como se dão esses deslocamentos e essas transformações. DESENVOLVIMENTO A Revista Laboratório Ciência em Curso busca afastar-se da forma de divulgação de ciência feita pelo jornalismo científico, já que o que se vê, hoje, nos materiais de divulgação de ciência, é uma tendência a fazer prevalecer os conhecimentos da própria mídia em detrimento dos conhecimentos da ciência. A ciência, na maioria desses materiais, é mostrada noticiosamente, o que traz como consequência um apagamento do processo científico. Dessa perspectiva, então, estamos propondo uma revista de divulgação de ciência que tem como objetivo experimentar novas formas de divulgação. E o fazemos a partir da perspectiva teórica e metodológica da Análise do Discurso (PÊCHEUX, 1969, 1975; ORLANDI, 1999, 2003) em que compreendemos as formas de linguagem enquanto discurso, ou seja, como lugar de constituição do sujeito e do sentido, espaço que se constitui na relação entre linguagem, história e política e ideologia. O jornalismo, a ciência e a própria divulgação, assim, são considerados discursos e são constituídos, cada um deles, por suas condições de produção (históricas, políticas e ideológicas) e por seus sujeitos: o que deve ser decisivo nas práticas de divulgação de ciência não é somente o tipo de meio utilizado (a videoconferência, a internet, a televisão, as mídias impressas, etc.), mas a concepção de linguagem que permeia o processo. [...] o leitor não interage com o texto, mas com outro sujeito [...] nas relações sociais, históricas, ainda que mediadas por objetos (como o texto). Ficar na objetividade do texto, no entanto, é fixar-se na mediação, absolutizando-a, perdendo a historicidade dele, logo sua significância. (ORLANDI, 2001, p. 148) MARTINS, M. F.; SILVA, M. S. O discurso da ciência na contemporaneidade: heterogeneidade e descontinuidade. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

40 Página39 Destacamos ainda, que, como a posição do sujeito que faz a divulgação na Revista Laboratório Ciência em Curso, não está inscrita no discurso jornalístico predominantemente, mas sim, no discurso acadêmico-científico, o foco recai muito mais no modo de fazer pesquisa, cuja divulgação tem fins educativos, do que nos produtos das pesquisas. Por outro lado, o trabalho de divulgação, neste caso, é ele próprio uma pesquisa que vai se desenvolvendo de forma processual: O trabalho da Revista Laboratório Ciência em Curso, no exercício de levar a ciência para um leitor que não é um especialista, evidencia a complexidade desse processo. É preciso construir uma posição para o divulgador de ciência que permita produzir um texto de divulgação que não seja nem tão hermético, representando uma outra versão de um artigo científico e nem tão didático e noticioso como um texto jornalístico produzido pela mídia de massa. Para isso, é necessário investir no processo tanto do fazer científico quanto do da divulgação buscando compreender esses discursos através das suas reais condições de produção, através do resgate da sua historicidade. (GALLO et al, 2008, p. 5) De tal modo, a pesquisa proposta nesse projeto será feita através da análise do processo de divulgação de cada núcleo ou grupo de pesquisa. Nesse procedimento, busca-se compreender as condições de produção de cada grupo/núcleo de pesquisa resgatando um pouco de sua historicidade, que inclui elementos sociais, políticos e ideológicos determinantes as práticas científicas de cada grupo. Na análise do discurso científico, então, consideramos as relações entre a conjuntura (social, política, econômica) da ciência da atualidade. Essa conjuntura envolve os sujeitos (cientistas e divulgadores) e o que na análise de discurso denomina-se interdiscurso ou pré-construído, ou seja, o conhecimento necessário para que algo possa ser dito e interpretado pelo sujeito. O interdiscurso é a memória pensada em relação ao discurso, algo que, segundo Orlandi (2002) fala antes, é o já-dito, mas necessariamente esquecido pelo sujeito para que ele possa dizer e interpretar. De tal modo, os sentidos de uma palavra, de uma imagem não existem sozinhos, são produzidos num processo sócio-histórico marcado ideologicamente e por isso esquecido pelo sujeito: Poderíamos resumir essa tese dizendo: as palavras, expressões, proposições, etc., mudam de sentido segundo as posições sustentadas por aqueles que as empregam, o que quer dizer que elas adquirem seu sentido em referência a essas posições, isto é, em referência às formações ideológicas (no sentido definido mais acima) nas quais essas posições se inscrevem. (PÊCHEUX, 1988, p.160) Assim, a partir ponto de vista teórico, pudemos observar nos materiais de divulgação da Revista Laboratório Ciência em Curso, uma certa desestabilização dos sentidos produzidos sobre ciência, que ao se materializar nos enunciados de alguns pesquisadores parecem contradizer os sentidos de uma ciência inequívoca e absoluta. No vídeo vestígios cerâmicos 5, produzido pela Revista Laboratório Ciência em Curso para divulgar o Grupo de Pesquisa Patrimônio Histórico e Cultural, do curso de História, da Unisul, a professora e arqueóloga Deise de Farias, mostra que nem sempre tem todas as respostas, já que, não soube explicar as peças de cerâmica encontradas no sambaqui que sua equipe escavava. As suas palavras agora, deu um nó na cabeça, pois cerâmica é de sambaqui materializa essa confusão e incerteza, pois não se esperava achar cerâmica num sambaqui: 5 Disponível em: MARTINS, M. F.; SILVA, M. S. O discurso da ciência na contemporaneidade: heterogeneidade e descontinuidade. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

41 Página40 Existia ali, algo que não se encaixava, que estava fora de lugar, o que gerou uma situação de incerteza. A pesquisadora demonstra essa dúvida dizendo: agora deu um nó na cabeça. Estávamos então, pesquisadores e divulgadores frente a algo inusitado, ou seja, com arqueólogos que se confrontavam com uma contradição sobre a história de sua pesquisa, a qual parecia já estabelecida. Esse fato revela um sentido de ciência, pelo qual é necessário levar em conta que o seu percurso está suscetível a dúvidas e a equívocos. Consequentemente, vemos aí, o processo que queremos evidenciar, que a pesquisa científica é vulnerável e feita sob hipóteses e não constituída por verdades absolutas. Não é um produto apenas, como supõe o jornalismo de massa. (NUNES; MARTINS, 2008) Já a professora Claudia Aguyrre, do projeto Hipermídia, no vídeo desconstruir, rever, transcender 6 fala de um conhecimento que não vem exclusivamente da academia. A pesquisadora relaciona a produção do conhecimento a uma sensibilização do processo de percepção, o que contradiz um conhecimento resultante da racionalização, típico da ciência tradicional. O outro pesquisador, o professor André Carreira, do Núcleo de Pesquisas sobre Processos de Criação Artística- AQIS, no vídeo arte versus ciência 7 relaciona ciência e arte mostrando que essas áreas, historicamente divididas pelos seus métodos, podem ter elementos em comum. São suas as palavras: [ ] a pesquisa em arte trabalha com várias coisas que são primas irmãs da ciência [ ] desejo, força de afeto com o objeto, você fica atrás de uma bactéria por 40 anos é a mesma coisa que ficar atrás de uma técnica de ator, porque tem desejo ali. Esses enunciados materializam a posição assumida pelo pesquisador quando fala sobre seu trabalho, que parece contradizer a sua posição enquanto sujeito de um discurso da ciência que se pretende ser imparcial e fonte de verdade absoluta. Analisando as condições de produção desses enunciados, trazemos para a discussão a conjuntura histórica, social e política contemporânea. Bauman (2001) tratando dessa questão, aponta para um movimento de transformações e rupturas da sociedade atual, com certos valores tradicionais e estabilizados ( modernidade sólida ), que nasceram a partir de valores clássicos. Para o autor, na atualidade, que ele chama de modernidade líquida, tudo é volátil e as relações sociais não são mais tão tangíveis, pois o trabalho, a política, a vida em conjunto, a familiar, de casais, de grupos de amigos, perdem consistência e estabilidade. Bauman (2001) acredita, então, que a sociedade contemporânea se constitui por uma conjuntura heterogênea, em que se inter-relacionam dois momentos históricosociais conflitantes. Um assentado em valores tradicionais, institucionalizados e estabilizados, e outro, que nega esses valores prontos. O homem contemporâneo, assim, teria trocado a segurança pela liberdade. O discurso científico, assim, pode estar se transformando de modo que os sentidos deterministas e mecanicistas estejam convivendo com outros sentidos mais relativizados, que não excluem a ambiguidade e a imprecisão, por exemplo. Essa constituição heterogênea e descontínua do discurso da ciência, por sua vez, vai determinar a divulgação científica regulando, em certa medida, neste último, o que o divulgador pode e deve dizer e também o que não pode e não deve dizer sobre ciência. Ou seja, o que vemos nos materiais midiáticos materializaria essa conjuntura. A divulgação científica, portanto, ao falar sobre ciência, pelo menos nesses materiais analisados, se apresenta 6 Disponível em: 7 Disponível em: MARTINS, M. F.; SILVA, M. S. O discurso da ciência na contemporaneidade: heterogeneidade e descontinuidade. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

42 Página41 também como um discurso contemporâneo, em que afetado por possíveis transformações históricas e sociais, se mostra poroso, aberto ao outro sentido. Essa análise, além de servir como reflexão para o próprio trabalho de divulgação feito pela Revista Laboratório Ciência em Curso, se mostra importante também para as discussões sobre a produção de conhecimento na atualidade, em que pensar sobre as condições de produção e circulação do conhecimento científico numa sociedade como a nossa, implica, segundo Gallo et al (2008), refletir sobre a relação entre ciência e as instituições (Estado, escola e mídia), em que o estado e a escola passam a dividir com a mídia o papel de produtores do conhecimento científico: De fato, ao lado dos produtores originais do conhecimento científico está a mídia que, assumindo a função de divulgadora do conhecimento, atravessa os lugares e as posições, arrastada por fluxos discursivos que se entrelaçam e se cruzam e que os produtores do conhecimento do saber original não mais controlam. (GALLO et al, 2008, p. 2) REFERÊNCIAS BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, GALLO, Solange L., et. al. A ciência enquanto processo: a Revista Ciência em Curso (no prelo). LYOTARD, Jean-François. A condição pós-moderna. Trad. Ricardo Corrêa Barbosa. 7. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, MARTINS, F. Marci. Divulgação científica e a heterogeneidade discursiva: análise de Uma breve história do tempo de Stephen Hawking. Linguagem em (Dis)curso, v. 6, n. 2, Tubarão, O que pode e deve ser dito no discurso de divulgação de ciência: Nós precisamos da incerteza, é o único modo de continuar. In: III SEAD. Porto Alegre, NUNES, Maria Augusta V.; MARTINS, Marci Fileti. O discurso artístico na constituição dos materiais de divulgação de ciência: Linguasagem Revista Eletrônica de Popularização Científica em Ciências da Linguagem, ORLANDI, Eni P. Análise do Discurso: princípios e procedimentos. Campinas: Pontes, Divulgação científica e efeito leitor: uma política social e urbana. In: Eduardo Guimarães (org.). Produção e circulação do conhecimento. v. 1. Campinas: Pontes; CNPq/ Pronex e Núcleo de Jornalismo Científico, A Linguagem e seu funcionamento: as formas do discurso. Campinas: Pontes, PÊCHEUX, Michel. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Trad. Eni Orlandi. Campinas: Editora da Unicamp, Recebido em 17 maio Aprovado em 19 out Abstract: This work seeks to understand the production and circulation of scientific knowledge, discussing, specifically, possible paradoxes and fissures which go to constitute the scientific discourse today. The discussion was established indirectly, because the research was developed through the analysis of scientific discourse re-signified by the speech produced by the disclosure of Science Laboratory Course Magazine. Thus, from a discursive perspective (PECHÊUX, 1969, 1975, ORLANDI, 1996, 1999, 2001) reflects on the procedures involved in the work of scientific questioning the possible changes and disruptions that would be affecting contemporary science. Keywords: Discourse of science, Popular Science, Paradoxes and Ruptures. MARTINS, M. F.; SILVA, M. S. O discurso da ciência na contemporaneidade: heterogeneidade e descontinuidade. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

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44 Página43 ENTRE A CIÊNCIA E A MÍDIA: UM OLHAR DE ASSESSORIA DE IMPRENSA 1 Giovanna Benedetto Flores 2 Resumo: Esse trabalho se propõe a identificar as estratégias discursivas predominantes do jornalista de divulgação científica na condição de assessor de imprensa, identificando o modo como ele trabalha as informações, fazendo um duplo movimento de interpretação entre os dizeres dos cientistas e da mídia. O sujeito do discurso de divulgação, nessa posição, traz uma diferença importante em relação ao discurso do jornalismo científico já que ele funciona como referência para o jornalista de mídia. Palavras-chave: Ciência. Mídi. Discurso. INTRODUÇÃO Atualmente, podemos elencar várias publicações que divulgam ciência, notadamente nos centros de maior produção do país (Rio de Janeiro e São Paulo), ligadas a fundações de pesquisas, universidades e órgãos de fomento, e ainda, outras mais abrangentes, como aquelas ligadas a editorias comerciais. No geral, ainda persiste uma grande carência da divulgação de produção científica nacional pela mídia. Mesmo quando esta existe, nem sempre a circulação do conhecimento se dá de maneira satisfatória, quer seja pela falta de políticas científicas do Estado que incentivem esse movimento, quer seja pela falta de conhecimento dos jornalistas e divulgadores. Ao falar sobre divulgação científica, não estamos nos referindo às publicações científicas especificamente produzidas por cientistas, e sim, aos materiais produzidos pela mídia, através de publicações na imprensa em geral. Nesse caso, a mídia é lugar de mediação entre o discurso científico e a sociedade. A sociedade em geral está muito distante da sociedade científica, pois se de um lado ela consegue compreender a importância do papel da ciência para o desenvolvimento da nação e do mundo, de outro não consegue compreender a ciência, uma vez que desconhece suas determinações históricas e ideológicas, que são elementos constitutivos das relações de poder que orientam o discurso científico. Nesse cenário, a mídia acaba sendo um instrumento didático na disseminação da ciência, explorando seus aspectos técnicos e pragmáticos, mas não um meio de compreensão do discurso científico. Isto acaba por reforçar as relações de poder, mantendo o status quo. Ou seja, a mídia, ao tornar algumas pesquisas científicas conhecidas pelo grande público, enfatiza, normalmente, os avanços tecnológicos e os resultados práticos 1 Texto originalmente publicado In: NECKEL, Nádia. R. M.; GALLO, Solange. L. (orgs.). Ciência e Cultura. Palhoça: Unisul, 2011, v. 1, p Docente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem da Unisul. FLORES, G. B. Entre a ciência e a mídia: um olhar de assessoria de imprensa. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

45 Página44 imediatos. Neste sentido, há um longo caminho a ser percorrido entre a informação sobre estas pesquisas científicas e a compreensão desse processo. Os meios de comunicação rádios, jornais, televisões, revistas, cinema e internet, compõem, hoje, uma rede global denominada multimídia, facilitando o acesso à informação. Os veículos de comunicação passam por um processo de padronização da informação, que é a reprodução da mesma notícia em todos os meios, se diferenciando apenas nos enfoques. Se por um lado esse fato traz resultados positivos para a sociedade, já que democratiza a informação, por outro lado, a concorrência para dar a notícia em primeira mão aumenta, pois é esse o fator diferencial dos veículos de comunicação. Esta conjuntura impossibilita ao jornalista a pesquisa e a produção de reportagens mais elaboradas, e, em muitos casos, o leitor acaba recebendo as informações incompletas, não tendo acesso a outras interpretações. Deve-se também considerar a maneira como o jornalista produz a informação. Geralmente, esta produção parte de um evento momentâneo, ao contrário da ciência, que produz seus sentidos pelo acúmulo de micro acontecimentos, bem distante dos grandes eventos, que para a ciência são raros, ou seja, o tempo do jornalismo é diferente do tempo da ciência. O primeiro é agora, o presente imediato, enquanto que o segundo é o processual. Desta forma, esse trabalho se propõe a identificar as estratégias discursivas predominantes do jornalista de divulgação científica na condição de assessor de imprensa, identificando o modo como ele trabalha as informações, fazendo um duplo movimento de interpretação entre os dizeres dos cientistas e da mídia. O sujeito do discurso de divulgação, nessa posição, traz uma diferença importante em relação ao discurso do jornalismo científico já que ele funciona como referência para o jornalista de mídia. O corpus desta pesquisa se compõe de textos produzidos por pesquisadores, por jornalistas que exercem assessoria de imprensa e por jornalistas da mídia em geral, produzidos em dois congressos científicos: um de mutagênese ambiental e outro de patologia clínica/medicina laboratorial. Estes congressos reuniram pesquisadores do mundo inteiro em Florianópolis, Santa Catarina, em 2003 e 2004, respectivamente. A noção determinante do recorte feito no corpus é a de autoria, que faz parte do dispositivo teórico-analítico da Análise do Discurso, tendo como principal referência Pêcheux (1969) e Orlandi (1990). OS TRÊS DISCURSOS POSSÍVEIS: O DA CIÊNCIA, O DE DIVULGAÇÃO E O DA MÍDIA Texto do artigo. Nesse trabalho, identificamos três tipos de divulgação, que apresentamos como a do tipo 1, aquela que fica nos limites de uma mesma ordem de discurso, ou seja, é o discurso da ciência para a ciência; e as de tipo 2 e 3, que são outros tipos de divulgação, relacionando o discurso da ciência com outro discurso. Ambas as formas discursivas produzem divulgação, mas para leitores diferentes. A forma discursiva do tipo 2 é a da ciência para o grande público e tem o movimento de interpretação oscilan- FLORES, G. B. Entre a ciência e a mídia: um olhar de assessoria de imprensa. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

46 Página45 do entre ordens diversas de discurso: o discurso da ciência e o discurso jornalístico, onde o leitor virtual3 não é especializado em ciência e nem em jornalismo. Já a forma discursiva do tipo 3 produz o movimento de interpretação entre a ciência e o jornalismo não especializado, o sujeito-jornalista da mídia, que aqui é o interlocutor de outro jornalista. Entendemos que no caso do tipo 2, o leitor (ideal) virtual, para qual o autor produz a matéria é o grande público, enquanto que no caso do tipo 3, o leitor (ideal) virtual, para qual o autor produz é outro jornalista. Essa função, no ponto de vista pragmático, é reconhecida como de assessoria de imprensa. No discurso do tipo 1, da ciência para a ciência, o pesquisador se inscreve no discurso científico e fala para seus pares, ou seja, fala para outro cientista usando uma linguagem reconhecida pela comunidade científica, que é entendida, interpretável, porque tanto o autor como o interlocutor compartilham os mesmos sentidos, que para a Análise do Discurso são sentidos pré-construídos próprios do discurso da ciência, no qual eles se inscrevem. Tem-se, como exemplo, o tema apresentado pelo médico/pesquisador sobre puberdade precoce. Na palestra, ele se utiliza de gráficos e fotos que mostram as consequências dos distúrbios e os avanços da pesquisa, como também usa uma linguagem reconhecida pela comunidade médica/científica, identificada por enunciados comuns a essa comunidade, como por exemplo Telarca e puberca prematuras ou Idiopática mais comum. Essas marcas constituem-se em evidências de que tanto o locutor quanto seus interlocutores inscrevem-se no discurso científico e o sentido do seu dizer provêm dessa ordem discursiva. Neste caso, fica totalmente fora de questão a intenção dos indivíduos, pois a forma dos textos na perspectiva discursiva tem determinação histórica e ideológica. É o trabalho elementar da ideologia que deixa apagado para o sujeito as razões de sua determinação. É esse o mecanismo de produção do óbvio no universo logicamente estabilizado (Pêcheux, 1990, p. 22). Isso explica a naturalidade com que um cientista ouve e entende/interpreta outro cientista. No discurso do tipo 2, do jornalista da mídia, essa mesma foto apresentada pelo pesquisador (figura 1), sofreria uma interpretação bastante diferente daquela produzida no interior do discurso da ciência, se estivesse inscrita no discurso jornalístico, ou ainda, seu sentido seria totalmente opaco ou ilegível. No discurso jornalístico, esse enquadramento próprio do discurso da ciência não faz sentido, sendo necessário um outro recorte, como por exemplo, uma criança num contexto social, no qual se evidencia a patologia. Além disso, no discurso jornalístico, a foto serviria apenas como ilustração de uma reportagem, não tendo a forma de circulação que tem no discurso científico, porque o olhar que a mídia produz para o jornalístico está ancorado no efeito do social, produzindo o efeito-ciência do discurso da mídia, permitindo o deslizamento do discurso da ciência para o social, aparecendo como informação e dando credibilidade ao discurso da mídia. FLORES, G. B. Entre a ciência e a mídia: um olhar de assessoria de imprensa. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

47 Página46 Figura 1 Primeiro recorte Foto apresentada no Congresso de Medicina Laboratorial Pode-se dizer então, que o jornalista/assessor trabalha no entremeio entre o discurso da ciência e o discurso jornalístico. Ao fazer esses deslocamentos de sentidos, o jornalista/assessor está transferindo conhecimento para o jornalista não especializado em ciência, de forma que esse possa compreender a ciência e sua terminologia, e assim, transferir esse conhecimento para o grande público, que é o leitor virtual do jornalista da mídia. Esse mesmo discurso do jornalista/assessor também é atravessado pelo discurso publicitário, através da forma como ele se organiza socialmente, como ele circula na forma de elogio, marcado através da espetacularização do acontecimento, enfatizando os benefícios das pesquisas, mas nunca mostrando os riscos e os equívocos dessas pesquisas. Esta característica está presente no discurso jornalista/assessor e não em outros discursos. Embora pertençam a uma mesma Formação Discursiva, o jornalista/assessor ocupa uma posição discursiva extrema, porque não deixa de pertencer a FD do jornalismo, mas traz as marcas dos outros discursos. Por isso, dizemos que ele é atravessado pela heterogeneidade discursiva, que não é a constitutiva e nem a enunciativa, porque o sujeito-jornalista conta com ela para fazer sentido, conforme o exemplo que se segue. Figura 2 Segundo recorte Figura 3 Terceiro recorte Texto jornalista/assessor de imprensa Texto Jornalista de mídia A diferença, nos dois textos, está marcada na forma de apresentação no dizer do pesquisador. Pode-se observar que, ao escrever o texto, o jornalista da mídia modifica algumas informações, marcando o dizer do pesquisador diferente do jornalista/assessor, atribuindo outros dizeres para o cientista. O jornalista da mídia não tem a preocupação de reproduzir fielmente as informações obtidas com o jornalista/assessor, produzindo assim um outro dizer, mas atribuindo esse dizer ao pesquisador para legitimar as informações. Esta prática é comum no discurso jornalístico, onde o sujeito-jornalista toma como sua a autoria do texto, e atribui um certo dizer ao pesquisador, baseado na legitimação que esse dizer proporciona para o discurso jornalístico, ou seja, o jornalista da FLORES, G. B. Entre a ciência e a mídia: um olhar de assessoria de imprensa. Revista Científica Ciência em Curso R. cient. ci. em curso, Palhoça, SC, v. 1, n. 1, p , jul./dez

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