Palavras-chave: Presbiacusia, AASI, Reabilitação Auditiva

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1 Análise do Aproveitamento de um Programa de Reabilitação para Idosos Usuários de AASI Em geral a presbiacusia não está associada somente à diminuição da intensidade com que os sons são ouvidos, mas sim à clareza da recepção ou à diminuição de sua inteligibilidade (Russo, 999). Normalmente a reabilitação auditiva abranger orientação e aconselhamento para o uso do AASI e o treinamento de Leitura Orofacial (LOF) (McCarthy & Alpiner, 98). A partir da nossa prática clínica, observamos a necessidade de um trabalho mais abrangente no tocante à reabilitação. Portanto, este estudo tem como objetivo analisar o aproveitamento de um programa de Reabilitação Auditiva em idosos usuários de AASI, através da aplicação do teste The Minimal Auditory Capabilities- MAC, traduzido e adaptado para o português (Farias, Silveira e Ejnisman, 3) antes e depois da Reabilitação. Para compor este estudo, contamos com a participação de quatro indivíduos com idades entre 67 e 83 anos, portadores de perda auditiva neurossensorial, usuários de AASI. Após a aplicação dos testes, os indivíduos participaram de um Programa de Reabilitação Auditiva de oito sessões, no qual foram trabalhados aspectos como: conscientização da deficiência auditiva, avaliação do Handicap, treinamento da Leitura Orofacial, entre outros. Ao final da Reabilitação, reaplicamos os testes, para comprovar a eficácia do Programa, e observamos uma grande melhora no desempenho de todos os sujeitos em todos os testes. Concluímos, portanto, que o processo de adaptação de AASIs, constitui apenas parte do programa de reabilitação auditiva. Acreditamos que o trabalho fonoaudiológico de Reabilitação Auditiva deverá buscar meios e estratégias que auxiliem o idoso com deficiência auditiva a lidar com suas desvantagens e incapacidades. Palavras-chave: Presbiacusia, AASI, Reabilitação Auditiva

2 O processo de envelhecimento é global, deteriorativo e irreversível. Dentre as alterações sensoriais que acompanham este processo, a deficiência auditiva, ou diminuição da função auditiva, conhecida como presbiacusia, é uma das mais incapacitantes. Esta privação sensorial pode fazer com que o idoso diminua gradativamente o seu contato social, promovendo alterações emocionais muitas vezes devastadoras (Marques, 4). Segundo Russo 999, a presbiacusia está relacionada a perda da sensibilidade auditiva resultante do envelhecimento. Alguns idosos têm a queixa de ouvir, mas não entender, em geral a perda da audição não está associada somente à diminuição da intensidade com que os sons são ouvidos, mas sim à clareza da recepção ou à diminuição de sua inteligibilidade. A partir dos avanços tecnológicos e científicos dos Aparelhos de Amplificação Sonora Individuais (AASIs), e

3 conseqüentemente a possibilidade de adaptação a vários graus e configurações de perdas auditivas diferentes, a reabilitação auditiva passou a abranger a orientação e o aconselhamento para o uso do AASI e o treinamento de Leitura Orofacial (LOF) (McCarthy & Alpiner, 98). A partir da nossa prática clínica, observamos a necessidade de um trabalho mais abrangente no tocante à reabilitação, pois muitos idosos adquirem o AASI e não são orientados a retornar e seguirem um processo de reabilitação com treinamento e orientações. Diante do exposto, este trabalho tem como objetivo analisar o aproveitamento de um programa de Reabilitação Auditiva em idosos usuários de AASI, através da aplicação de testes antes e depois da Reabilitação. Este estudo foi composto por quatro indivíduos idosos, pacientes da clínica do Instituto de Estudos Avançados da Audição (IEAA), localizado no município de São Paulo, com idades entre 67 e 83 anos, dois do gênero feminino e dois do gênero masculino. Todos eles são portadores de perda auditiva neuro-sensorial e são usuários de AASI, com adaptação unilateral ou bilateral.

4 Os Materiais utilizados foram: Microsistem da marca Gradiente, modelo Laser Boy (LB) CD (Compact Disc) gravado no estúdio de Faculdade de Jornalismo da PUC-SP com os testes do The Minimal Auditory Capabilities- MAC, ou Capacidades Auditivas Mínimas traduzido e adaptado para o português (Farias, Silveira e Ejnisman, 3). Este material avalia não somente a compreensão de fala, mas também aspectos como entonação, reconhecimento de sons familiares, dentre outros, sendo comercializado para utilização clínica em centros audiológicos pela empresa AUDITEC, nos Estados Unidos. Na primeira etapa do estudo, foram realizados os testes em um ambiente silencioso. A intensidade do micro-system foi selecionada de acordo com o conforto de cada paciente. Todas as respostas foram verbais, cabendo ao avaliador a marcação das mesmas. Os Testes utilizados foram: TESTE I- INTERROGAÇÃO/AFIRMAÇÃO TESTE II- SENTENÇAS DA VIDA DIÁRIA TESTE III- SONS FAMILIARES

5 TESTE IV- PALAVRAS MONOSSILÁBICAS Após a aplicação dos testes, os indivíduos foram submetidos a orientações sobre manuseio e cuidados com os AASIs e participaram de um Programa de Reabilitação Auditiva. Programa de Reabilitação Auditiva Tempo de duração do programa: oito semanas Informação quanto ao prognóstico da perda auditiva Conscientização da D.A. e suas implicações Adaptação e Orientação quanto ao uso do Aparelho Auditivo Avaliação do Handicap Auditivo Avaliação do sucesso obtido do uso do Aparelho Auditivo por intermédio de questionários de auto-avaliação antes e após o programa de reabilitação Identificação dos principais aspectos conflitantes de comunicação e o uso de estratégias de comunicação Treinamento de leitura oro-facial, expressões faciais, gestos e contexto situacional. Orientação ao idoso e seus familiares a lidarem com a deficiência auditiva.

6 O teste que apresentou maior evolução após a Reabilitação Auditiva foi o teste IV, seguido pelo teste I, o terceiro foi o teste III e o que apresentou menor evolução foi o teste II. O sujeito que apresentou maior aumento na pontuação dos testes após a Reabilitação Auditiva foi o n., seguido do n. 4, depois o n. e por último o n. 3. O teste II além de avaliar a capacidade auditiva avalia também a memória auditiva. Este fato pode estar relacionado às principais dificuldades de idosos com deficiência auditiva no processamento auditivo do sinal de fala apontados por Welsh et al Não foi observado que o maior índice de erros tivesse acontecido necessariamente para os idosos que apresentavam maior grau de perda auditiva. Segundo Russo 999, indivíduos idosos deficientes auditivos apresentam dificuldades na memória, particularmente, relacionada ao armazenamento de curta duração das informações lingüísticas, do início ao final da mensagem verbal.

7 No terceiro teste, a analise dos acertos e erros nos 5 sons pesquisados, permite-se observar que o maior índice de acertos ocorreram nos itens (tosse), 5 (buzina), 9 (risadas), 7 (fala), e 5 (batida na porta). Isto leva-nos a perceber que os demais sons possivelmente por não pertencer à rotina diária destes idosos, não foram reconhecidos. No teste IV, os idosos tiveram um bom desempenho, o que difere dos achados de Farias e col. 3, para este teste. Pudemos concluir com este estudo, que a avaliação da dificuldade de comunicação experienciada pelo idoso com deficiência auditiva não pode contar apenas com os dados fornecidos pela bateria de testes audiológicos. Acreditamos que a identificação das dificuldades de comunicação experienciadas pelos idosos na vida diária possa ser melhor definida por meio da aplicação de testes como o proposto neste estudo além de questionários de auto-avaliação do handicap auditivo. Desta forma, o trabalho fonoaudiológico com foco na Reabilitação Auditiva deve ter como base às necessidades reais de cada paciente.

8 Concordando com Farias e col 3, os idosos usuários de AASI necessitam de um acompanhamento, voltado às suas necessidades específicas, no qual aspecto diverso relacionado à comunicação verbal seja trabalhado. Pudemos concluir com este estudo, que a análise do audiograma por si só, não revela as dificuldades comunicativas apresentadas pelos indivíduos. O processo de indicação e adaptação de AASI constitui apenas parte do programa de reabilitação auditiva. A Reabilitação Auditiva de idosos não deve ter apenas como foco a amplificação, tornando-se necessário um programa geral de estimulação e treinamento auditivo das habilidades de cada indivíduo. Além de orientações aos familiares, fornecendo estratégias para lidarem com as desvantagens e incapacidades resultantes da deficiência auditiva do idoso. Desta forma, acreditamos que o trabalho fonoaudiológico deverá buscar meios e estratégias que auxiliem o idoso com deficiência auditiva a lidarem com suas desvantagens e incapacidades.

9 REFERÊNCIAS. Paschoal, SMP. Epidemiologia do Envelhecimento. In: NETTO, M P. Gerontologia: A Velhice e o Envelhecimento em Visão Globalizada. São Paulo: Ed. Atheneu; 996. p Marques, ACO., Kozlowski, L., Marques, J M. Reabilitação Auditiva no idoso. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia 4; 7 (6) p Russo, ICP. Distúrbios da Audição: A Presbiacusia. In: RUSSO, ICP, Intervenção Fonoaudiológica na Terceira Idade. Rio de janeiro: Ed. Revinter; 999. p Bergman, M. Hearing and aging. Audiology 97; (3) p Silva, AS., Venites, JP., Bilton, TL. A Relação entre o uso do Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI) e a melhora da função cognitiva no envelhecimento. In: Distúrbios da Comunicação ; 4 () p Welsh, J., Welsh. L., Healy, M. Central presbycusis. Laryngoscope 985; 95 p apud Russo, ICP, 999, p Laferle, KR., Laferle, K. Senility and its impact on the hearing instrument delivery. Hear. Instrumen. 988, 39 () p McCarthy, PA., Alpiner, GJ. The Remediation Process. In: Alpiner, JG. Handbook of Adult Rehabilitative Audiology. Baltimore: ª. Ed. Williams & Wilkins; Owens, E., Tellen, CT. Speech Perception with hearing aids and cochlear implants. Arch. Of otolaryngology 98; 7 p

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11 pontos pontos TESTE II SETENÇAS DA VIDA DIÁRIA Teste II Antes Teste II Depois sujeitos TESTE III SONS FAMILIARES Teste III Antes Teste III Depois sujeitos

12 sujeitos TESTE IV PALAVRAS MONOSSILÁBICAS Teste IV Antes Teste IV depois pontos TABELAS Sujeito Sexo Idade MCD F 83 JGB M 67 AS M 75 RMM F 79

13 S u j e i t o Teste I º º % M C D J G B A S R M M

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